Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1
Andar) – 25/9/82 – [AC V 82/09.28] – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1 Andar) — 25/9/82 — [AC V 82/09.28]
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Os sofrimentos de alma da Sra. Da. Lucilia * O sofrimento de alma é incomparavelmente maior para quem tem a alma “entronizada em seu ser”; exemplo da agonia de Nosso Senhor no Horto * A seriedade Divina da meditação no Horto das Oliveiras como expiação pela falta de seriedade de nossa época * A dor do Sr. Dr. Plinio ao ver a indolência otimista com que o Grupo se coloca diante de suas previsões * O sono insultante da primeira fileira nas reuniões * Os íntimos do Sr. Dr. Plinio o seguem como a familia de Lot o seguia para o exílio: “voltando para trás, para olhar para Sodoma” * Como a Sra. Da. Lucilia discernia a luta e os sofrimentos do Sr. Dr. Plinio * “É um homem que tem uma vida honestíssima, mas que tem um mistério luminoso que me faz temer por ele” * “Ensinei a vocês a minha lógica, a minha coerência; agora eu quero ensinar a vocês viverem de minha fé”
Índice
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* Os sofrimentos de alma da Sra. Da. Lucilia; à medida que o isolamento moral dela ia crescendo a saúde ia melhorando”
(Sr. Carlos Antúnez: …a consideração que o senhor tem para com a agonia de Nosso Senhor no Horto nos convida a tomar a cruz, agora a Senhora Dona Lucilia tem também muito do ambiente Horto das Oliveiras, a serenidade, o sofrimento dela… a solidão.)
É da alma aceitando de sofrer enquanto alma, que ela não teve grandes sofrimentos do corpo, teve a tal operação que ela fez na Alemanha, foi um sofrimento bárbaro, porque naquele tempo não se anestesiava tão bem quanto hoje, mas depois de passado isso ela não teve, uma pessoa que sofria do fígado não tem — centenas de milhares que sofrem e agüentam, não é nada de mais.
Mais ainda, com o tempo, a medida que o isolamento moral dela ia crescendo a saúde ia melhorando. De maneira que ela viveu incomparavelmente mais tempo do que se poderia imaginar quando eu era menino, por exemplo, em que sempre receávamos uma morte prematura dela.
Entretanto sempre esse sofrimento de alma.
* “O grande sofrimento de alma é incomparavelmente mais pungente do que sofrimento físico”
(Sr. Carlos Antúnez: …eu acho que isso, a paciência dela, tem relação muito grande com o Horto das Oliveiras.)
Muito, não que ela falasse muito especialmente desse mistério, mas a gente vê que ela realiza essa oblação da própria alma, continuamente. E que isto foi, de principio ao fim, o sofrimento dela foi esse. Isto a gente percebe perfeitamente.
A questão é que isso pode ser considerado em duas claves, uma clave se nós considerarmos em si. A alma é o elemento capital do ser humano e é claro que o sofrimento que se tem no elemento capital é muito maior do que o sofrimento que se tem no físico.
Alguma pessoa poderia dizer o seguinte: “mas, eu já tenho tido sofrimentos físicos e já tenho tido sofrimentos de alma, sofri muito mais com meus sofrimentos físicos do que com meus de alma”.
A gente poderia responder: você nunca sofreu verdadeiramente de alma, porque o sofrimento de alma é incomparavelmente — o verdadeiro, o grande sofrimento de alma — é incomparavelmente mais pungente do que sofrimento físico.
Eu vejo por exemplo, esse desastre que eu sofri, sofro dores? Não me parecem muitas, mas incômodos físicos de toda ordem e o incômodo é a seu modo um sofrimento. Não é nada em comparação com o sofrimento de alma, da alma séria.
(Major Poli: … [ilegível] …o senhor sofreu tudo o que podia sofrer.)
Talvez, mas é o caso de dizer que agüentei.
Nossa Senhora me ajudou nisso, creio bem que a intercessão de mamãe também, me ajudou nisso, mas eu agüentei sem essa sensação de ter chegado ao teto do sofrimento. Quer na primeira vez quando eu tive essa crise de diabete, quer na segunda vez, a sensação de ter chegado ao teto do sofrimento eu não tive. De sofrimento físico.
* O sofrimento de alma é incomparavelmente maior para quem tem a alma “entronizada em seu ser”; exemplo da agonia de Nosso Senhor no Horto
Agora, o sofrimento moral, o sofrimento de alma é incomparavelmente maior para quem tem de fato a alma constituída como elemento principal de seu ser. Quer dizer, para quem tem a alma entronizada em seu ser. E para quem portanto a reflexão, o pensamento, a ponderação das coisas, a avaliação das situações, a tomada séria de posição diante das coisas, faça sofrer mesmo. Porque supõe isso.
E foi bem do que Nosso Senhor nos deu exemplo no Horto das Oliveiras, porque Ele ali poderia não ter previsto o que ia acontecer, poderia não ter considerado o que ia acontecer, e ir agüentando passo a passo. Existe até um conselho d’Ele que parece contradizer a atitude que Ele tomou durante a Paixão, quando Ele disse: “não sejais solícitos, não sejais preocupados, a cada dia basta a sua própria malícia e o Padre Eterno vela sobre nós, etc., etc.”
Ora, quando chegou a hora d’Ele, Ele fez algo que na primeira vista, um olhar superficial, diria que é o contrário: Ele previu tudo e bebeu gota a gota de tudo que ia suceder. E aceitou.
Mas Ele previu as dores físicas, as quais são ocasião de uma dor de alma, a alma sofre quando prevê que o corpo vai sofrer. Mas Ele previu também o oceano de ingratidões e Ele estava vendo ali a dois passos d’Ele. E depois Ele sabia perfeitamente de Judas que Ele viu e falou, que Judas estava traindo, etc., etc. Tudo isso Ele viu perfeitamente.
E diante desta situação Ele teve dilacerações que a gente não pode calcular. Ele inclusive previu todos os sofrimentos de alma dele inclusive diante da Cruz, no alto da Cruz Ele previu todos os séculos da História e todos os pecados do mundo até o fim do mundo. E, portanto, visto de um lado, a aparente inutilidade do sacrifício d’Ele. Ele quis. Tudo isso Ele previu no Horto das Oliveiras e não mudou.
Esta posição Lhe trouxe mais sofrimento do que se Ele tivesse sofrido no corpo d’Ele, tudo que sofreu, mas consolado com os discípulos, com os Apóstolos e com o povo fiel. Aí a gente compreende o que que Ele sofreu na alma d’Ele.
* O sentido mais profundo da “agonia” de Nosso Senhor no Horto que foi uma luta interior
Por que [é] que Ele previu tudo isto antes da hora?
A questão é qual é a hora! Tinha chegado a hora de Ele prever, a previsão eminente, quando vai se dar um fato, já faz parte da realização do fato. E a pessoa tem que prever e tem que formar aquela resolução inquebrantável e varonil que o infortúnio não vai quebrar. A pessoa tem que formar isso, não tem conversa.
Foi do que Ele nos deu exemplo lá, Ele nos deu exemplo da batalha interior.
Você sabe que se chama agonia d’Ele no Horto, em parte porque é uma dor comparável a do agonizante, mas em parte por “agonia”, em grego quer dizer “a luta”, por exemplo, os atletas em grego se chamam agonistas. A luta que Ele travou como um atleta dentro de Si mesmo para [mentar?] a ordem imperturbável que houve sempre nEle, em que o instinto de conservação estava sujeito aos desígnios da razão, da Fé e tudo mais.
Então a gente vê que Ele teve aquela luta lá, e a luta por assim dizer eclodiu na oração d’Ele: “Meu Pai, se for possível afasta‑se de Mim esse cálice, mas se não for possível faça‑se a Vossa vontade e não a Minha”.
Aí a gente vê a luta como é. Quer dizer, a Divindade d’Ele ocultou de algum modo a Humanidade d’Ele se era o não era possível afastar‑se aquele cálice d’Ele. E na Humanidade d’Ele Ele pediu isto, que Ele enquanto Deus sabia que não era possível.
Aí você vê as duas naturezas dentro da Pessoa d’Ele, da unidade da Pessoa, as duas naturezas — não diria que entram em conflito, mas que têm uma espécie de…
(Sr. Guerreiro Dantas: Coerência própria.)
Exatamente, uma coerência própria. E as duas coerências que não se concatenam de imediato e Ele pede e obtém a que um anjo vá e dê um cálice que Ele bebe e que trás a Ele a força.
(Dr. Edwaldo Marques: Ele ter suado sangue, um sofrimento fenomenal.)
Fenomenal. E parece que são os vasos capilares que estouram, não é Edwaldo?
(Dr. Edwaldo Marques: Sim, porque rompem junto às glândulas que segregam suor.)
Imagine, imagine isso. Só isto, Edwaldo, se um homem moderno tivesse que passar por isto, só nisso morreria, no pórtico disso ele morria.
* A seriedade Divina da meditação no Horto das Oliveiras como expiação pela falta de seriedade de nossa época; como o Sr. Dr. Plinio nela se refugiava
Isso tudo está perfeito, agora tem outro lado, é que eu estou convencido — e é óbvio — que um grosso do pecado dos homens, que mais ofende à Nosso Senhor que está na raiz do pecado da carne, é um pecado de espírito. Grosso modo falando diz‑se — eu digo na RCR — a pessoa caiu na impureza, acaba adotando idéias impuras.
E é verdade, está bem dito. Mas em geral já é verdade também que a causa da impureza foi um certo relaxamento nas idéias, do contrário não teria caído. Ora, como é essa história?
Quer dizer, Ele viu sobretudo, eu acho — quanto à nossa época — a falta de seriedade, de maturidade, de coerência, de profundidade dos bons. E dos bons, quer dizer, daqueles que na aparência praticam os mandamentos. E isto chagou a Ele profundamente, mas profundamente. E para expiar isso a seriedade Divina da meditação no Horto das Oliveiras era o adequado.
Em concreto, eu me sentia no meu interior, profundamente — depois me habituei — profundamente chocado e rejeitante, repulsivo da superficialidade de espírito que eu notava já no meu tempo; incongruência, inconseqüência, besteira, frivolidade, tudo isso que naquele tempo se chamava “espírito norte americano”, e que era uma coisa sem nome! sem nome, sem nome. Ia tomando conta do mundo como um incêndio.
E eu via os bons — por exemplo grosso modo o clero naquele tempo era bom — eu via o clero por exemplo não ver o fato, deixar isto entrar à vontade, “não tem nada, o que [é] que tem…?” Uma coisa horrorosa, todos nós vimos. Isso me causava um trauma medonho.
E eu encontrava apoio na minha seriedade de alma meditando na seriedade divina de Nosso Senhor, na Paixão. Eu dizia: Não! Olha, o teu modelo foi Um infinitamente mais sério do que tu, trata de imitá‑Lo.
* A dor do Sr. Dr. Plinio ao ver a indolência otimista com que o Grupo se coloca diante de suas previsões
E até hoje eu tenho uma coisa penosa quando eu sinto esfregar‑se em mim o otimismo do Grupo, quer dizer, eu começo a fazer previsões e eu percebo uma espécie de indolência otimista que não forma propriamente uma objeção, mas recusa de se colocar na minha perspectiva. “Não… claro, se a gente for olhar no ângulo em que ele se situa a conseqüência lógica é essa que ele está dizendo, mas de fato acontece que as coisas não dão em drama porque a vida do homem não é dramática, não existem essas coisas na vida do homem”. É um recuo.
Uma coisa… horrível!
(Sr. Carlos Antúnez: Então o senhor sente um recuo de todos nós?)
Ah, continuamente. Qualquer reunião de sábado, nesse ponto, é objeto de uma tristeza, as reuniões são de níveis diferentes, não são todas iguais, mas qualquer que seja o nível da reunião eu apresento um panorama muito vasto, considerados em ponto de vista muito alto.
Esta vastidão e essa elevação não são amadas a não ser por muito poucos.
* Entre os melhores os que olham para os panoramas traçados como um agrimensor; “isso não pode deixar de ofender a Nosso Senhor”
Quer dizer, eu tenho alguns que olham o panorama que eu traço — estão entre os melhores, hein?! — com olhos de agrimensor olhando um panorama bonito. Quer dizer, não fazem o “pulchrum” do panorama, mas eles vêem o lado prático do panorama. Seria como se alguém olhasse para o Pão de Açúcar — que eu menciono tanto — e dissesse: “é massa rochosa, selicatos de sei lá o que, com tanto de altura por tanto, e que segundo cálculos do professor tá tá tá, da universidade de [Ruschtun?] [Hestone], nos Estados Unidos, isso deve pesar tanto. E esse peso incide todo sobre uma crosta terrestre que para suportá‑lo deve ter portanto uma grossura mínima de tanto”. Está visto o Pão de Açúcar.
Então também fazem um cálculo de maior ou menor risco à vista do meu panorama, mas o risco da pelezinha deles. Eles verem a Deus pairando sobre os fatos, a justiça divina se desdobrando, os castigos que caem imperceptíveis diante de uma humanidade que desaba.
Homem, todas essas coisas não há olhos para ver, não há interesse para isso. E eu cada vez, pacientemente, desenvolvo um novo panorama e convido a pessoa para contemplarem. O melhor que pode acontecer é a pessoa prestar atenção na hora e esquecer depois.
Agora, é uma coisa que não pode deixar de ofender a Nossa Senhora e a Nosso Senhor. Não pode deixar de ofender.
(Dr. Edwaldo Marques: …como se tivesse fazendo uma mistificação para manter a reunião…)
É, como se fosse uma bem intencionada mistificação, uma desinteressada mistificação para manter a coesão no Grupo.
Ou às vezes eu vejo um ou outro que faz algum comentário que no fundo quer dizer: “que bonito passe de malabarismo é este raciocínio que está feito aqui”. Mas não é isso, não se trata disso.
* O sono insultante da primeira fileira nas reuniões
Depois, aqui entre nós digamos…
(…)
[Narração do corte número 1]
Dizia que isso, a posição do Grupo diante dos panoramas que ele explicita nas Reuniões de Recortes, não raras vezes se torna uma posição insultante.
Há atitudes em que a pessoa sabe, percebe perfeitamente que está insultando a ele, com a cara que fazem. O sono dos Apóstolos eram involuntário. E aqui não. É sono insultante! São pessoas, dizia, que por ordem minha são distinguidas com a permanência nas primeiras filas e só estão lá porque eu quero, porque se eu não quisesse, não lhes dariam primeira fila, é certo! E vocês sabem disso perfeitamente.
E ficam ali no lugar que eu lhes arranjei — não arbitrariamente, há uma razão para dar a eles, mas que eu dei com tanto afeto, tanto gosto, de poder dar pelo menos aquilo, já que não quiseram para merecer mais do que aquilo — e que a pessoa se põe na reunião não me olhando, olhando o tempo inteiro para um ar de infinito ou dormindo. Mas, dormindo à vontade, como se dorme na cama! Sabem que é insulto.
Continuava: se isso fosse insulto de minha pessoa, isso não tinha importância. O que tem importância é que é um insulto contra mim, enquanto mostrando aquela panorama. Isso é uma coisa dolorosa porque ofende a Nossa Senhora.
A cara que tomam é a seguinte: que importância, que importância tem para mim, “in concreto”, que essa reunião traga boas previsões? A continuação foi copiada.
“…que esta reunião traga boas previsões, previsões acertadas. Eu não sou passageiro nesse trem! Agora você me diz: ‘esse trem vai para tal lugar’. Eu não sou passageiro desse trem, porque ele me incomoda”. Acertou, ele vai para lá.
(Sr. Carlos Antúnez: E considerando que quando o senhor fala é a voz de Nosso Senhor falando.)
É pelo menos a Providência falando a eles pela voz da graça.
(Sr. Carlos Antúnez: Então, uma atitude… e o senhor disse os melhores…)
Olham com olhos de agrimensor.
(Sr. Carlos Antúnez: E o senhor fica como Nosso Senhor no Horto, completamente só, e os Apóstolos nem sequer dormindo, mas guerreando‑se.)
Mas é isso.
* Os íntimos do Sr. Dr. Plinio o seguem como a familia de Lot o seguia para o exílio: “voltando para trás, para olhar para Sodoma”
(Sr. Carlos Antúnez: Donde o rechaço do senhor tem que ser atroz.)
Você se ponha na posição de uma pessoa odiada pela população de um país inteiro e tratada assim pelos seus íntimos.
O que é que resta? O que é que resta? Porque a realidade é essa.
A resposta seria: “Bom, mas não deixa de ser verdade que esses íntimos seguem a você”.
Eu digo: é verdade, como a família de Lot seguia Lot para o exílio, voltando para trás, para olhar para Sodoma. Seguiam! É verdade.
(Dr. Edwaldo Marques: Não é propriamente seguir mas ser arrastado.)
É, é ser arrastado. E outra coisa, e rabujando e impertinentes com Lot, menosprezando Lot: “ai Sodoma!!!” É isso. Daí para fora.
Seria como dizer…
(…)
[Narração do corte número 2]
Seria como dizer que como o povo judeu seguiu a Moisés, não deixava de ser uma consolação para Moisés o povo judeu. O argumento do seguir dá nisso.
Dizia que a grande esperança dele era o momento em que venha o “Grand Retour”.
* A esperança da graça do Grand Retour que deixe os bons aturdidos e converta até os maus, inclusive o povo judaico
A grande esperança é o momento em que venha o “Grand Retour”. Eu imagino como sendo uma iluminação da graça única, com esplendor, com uma beleza única, uma manifestação única da graça. E que deixe os bons e mesmo — os bons… quem de nós é bom dentro disso?! — mas digamos assim, usemos essa expressão: deixa os bons aturdidos mas converta até os maus.
Quer dizer, eu — é um assunto muito perigoso, esse em que vou entrar agora e que eu levanto muito pouco — mas é o seguinte: o “Grand Retour” eu imagino com uma intensidade tal que eu sou propenso a admitir, eu não afirmo, que haverá uma conversão de uma grande parte do povo judaico.
(Sr. Guerreiro Dantas: Mas será partindo do senhor.)
Eu tenho impressão que será a propósito de nossa luta que virá uma graça. Não virá de nossa luta, eu estou medindo bem minhas palavras, virá a propósito de nossa luta. O que é diferente.
A propósito de nossa luta virá uma graça, em certo momento, e essa graça vai ter esse resplendor incalculável. Mas incalculável.
(Major Poli: …isso seria impensável se não fosse através de Dona Lucilia, o “grand retour”, eu tenho certeza que isso é assim.)
É preciso ir devagar, eu não exprimi exatamente nos termos que você disse, o que eu acho é que uma vez que a intercessão a ela…
(Major Poli: …não, eu que estou dizendo.)
Ah, bom, eu entendi você dizer que eu tinha dito, porque eu teria que pôr uma outra formulação nisso. Mas diga então.
(Major Poli: …como seria a glorificação da Senhora Dona Lucilia e como ela traria o “grand retour”.)
Você compreende o seguinte, que minha obrigação, sabendo eu qual o papel de nossa luta nesses acontecimentos, eu estou vendo, eu precisaria ser um beócio para não ver que as coisas se encaminham para admitir que seria a propósito de nossa luta que viesse essa graça. Precisaria ser um beócio.
* Com o Grand Retour o Sr. Dr. Plinio se reputaria feliz se o deixassem fugir com o “Cornélio”
Agora, sabendo o papel que ela tem tido em nossa luta, sabendo que eu também tenho um papel nessa luta; é necessário que eu não me ponha esse problema e não me imagine isso, deixe chegar. Eu sou por excelência o que deve ficar de fora disso. Quer dizer, eu devo me reputar…
[Vira a fita]
(…)
[Narração do corte número 3]
Ao virar a fita dizia que se reputava, ou melhor: eu devo me reputar inteiramente saciado se me deixarem fugir com meu Cornélio. É claro, se em brincadeira. Eu já pensei que essa melhora na minha perna pode parecer uma… “na hora H você vai embora com seu Cornélio”…
Eu não posso responder, como é que eu posso?
(Major Poli: Sem responder o senhor disse muita coisa.)
No que eu disse há alguns pressupostos que eu enunciei claramente, mas que eu também não aprofundo, a mim cabe passar de lado e não olhar.
* Como a Sra. Da. Lucilia discernia a luta e os sofrimentos do Sr. Dr. Plinio
(Sr. Carlos Antúnez: …olhando o Quadrinho: sinto serenidade…)
É. Mas é claro. E ela difundia muito essa serenidade em torno de si, aliás a gente sente aqui na casa, sente‑se.
(Sr. Carlos Antúnez: …como isso será no “grand retour”?)
Eu acho que com os dados concretos que ela dispunha, eu acho que não dava para ela perceber bem a luta na qual eu estava metido, ela tinha uma idéia genérica. Ela via que era uma luta grande, mas não dava para ela perceber qual era a luta que eu estava metido. Mas acho que com uma espécie de intuição de mãe e um certo discernimento dos espíritos, neste lado da alma dela ela percebia que era uma luta fenomenal, mais ou menos contra tudo e contra todos.
E que ela percebia que minha fidelidade ao que eu devia ser vinha do fato de eu aceitar essa luta. E que ela percebia que eu fazia um esforço enorme e que esse esforço portanto me custaria muito, e que esse esforço comportava lances particularmente doloridos.
Mas é mais ou menos como quem intui por um discernimento dos espíritos, de maneira que ao mesmo tempo vê e não vê, e admite mas não admite tanto quanto visto palpavelmente.
* Um exemplo da intuição materna da Sra. Da. Lucilia; “meu coração procura o Plinio por toda parte e não encontra”
Eu não sei se eu já cheguei a contar a você, por ocasião da minha primeira viagem à Europa — ou foi na segunda, não me lembro bem — eu fiz uma tapeação qualquer e não disse a ela que eu ia para a Europa, que ia para não sei o que, toda uma história.
E quando chegou de manhã que eu viajei, ela ficou no quarto rezando, e ela daí telefonou para a irmã mais moça dela, casada com esse cunhado que ela queria muito bem, essa irmã era muito chegada a ela, ela queria muito bem à irmã. Ela mandou telefonar — ela nunca fazia isso, eu nunca vi ela fazer isso — a irmã morava aqui no Jardim Paulista, um desses bairros aí, Jardim América, uma porcaria assim, morava a irmã lá; ela telefona para a irmã, manda pedir para a irmã passar em casa dela para falar com ela. Ela morava na rua Vieira de Carvalho nesse tempo.
A irmã foi — já avisada, a irmã percebeu o que era, a irmã me contou. A irmã chamava‑se, em linguagem corrente, assim em família, Zili. Ela disse: “Zili, você vai me dizer onde é que está o Plinio, porque meu coração procura o Plinio por toda parte e não encontra, procura no Rio, não encontra, procura em Santos não encontra, procura neste lugar, naquele, não encontra. Você vai me dizer aonde é que está Plinio”.
* “É um homem que tem uma vida honestíssima, mas que tem um mistério luminoso que me faz temer por ele”
Ora, esse “meu coração procura e não encontra” você está vendo que é em parte intuição do amor de mãe e em parte alguma ajuda da Providência especial para ela e tudo mais. E você vê também o sofrimento dela, porque “onde é que está Plinio?”, é o que está acontecendo com Plinio. Quer dizer, é um homem que tem uma vida honestíssima, mas que tem um mistério luminoso que me faz temer por ele — é o que está no fundo. Eu creio na honestidade desse mistério a “fond perdu”, eu creio, mas eu vejo que há uma trama em torno dele, e “onde é que está Plinio?”.
Você está vendo que é diferente da convicção corrente, comum, de que eu tinha ido, enfim, na minha tapeação que ela acreditou. Forma quase como que dois cérebros, este segundo cérebro, mais elevado, se eu assim posso me exprimir, segundo cérebro, aí ela percebia muita coisa e ela percebia que meu sofrimento é um sofrimento de alma. E daí o procurar agradar‑me muito, enfim todo o resto.
Aliás, e das coisas… ela depois me contou esse mesmo fato com uma naturalidade do outro mundo, ela dizia que o coração dela me procurou e que não me encontrava, ela dizia como quem diz: abri a janela e olhei na frente e você não estava. Para ela era inteiramente natural isso, inteiramente corrente. E ela tinha tido durante a vida dela umas intuições assim desse gênero, também a respeito de outras pessoas a quem ela queria bem.
E, tudo isso junto mostrava bem qual era o gênero de sofrimento dela e como ela carregava isto. E muitas vezes pensando em Nosso Senhor no Horto das Oliveiras eu pensava nisso: “o sofrimento de mamãe é, dentro da medida dela, uma imitação desse sofrimento dele”. Muitas vezes, muitas vezes.
* Uma intuição materna que em algumas vezes chegou a prever traições
(Dr. Edwaldo Marques: Ela percebia que o senhor tinha problemas com os que seguiam ao senhor…)
Ela tinha uma afabilidade muito grande, gentileza muito grande, etc., mas ela tinha — parte pela experiência da vida, parte pela intuição materna, etc., etc., — ela tinha uma desconfiança geral de que as pessoas pudessem me trair. E quando ela encontrava um fundamento ela dizia, quando ela não encontrava ela não dizia. E algumas vezes ela previu traições.
(Dr. Edwaldo Marques: Isso tinha que ser para ela um sofrimento muito grande.)
Muito, muito.
Agora, tudo isso ela carregava como está no Quadrinho, com essa dignidade, essa… e isso é o Horto das Oliveiras. Se nós amássemos o Horto das Oliveiras como devíamos amar, nós nos modificávamos, porque o que nos falta é exatamente essa seriedade de alma, profundidade de alma. Nós somos muito tontos, não é? Muito tontos. Muito superficiais e muito tontos. Mesmo com a provações mais duras…
(…)
[Narração do corte número 4]
Quando falava que somos tontos, muito tontos, citou dois membros do Grupo mas foi “sub grave”, não posso relatar.
* No evitar medir o ódio dos revolucionários o desejo dos membros do Grupo de arranjar um “modus vivendi” com eles
…aí já é outra coisa. Mas isso, dizer: “aqui está a minha dor, eu vou olhar para ela de frente”. Não vai.
Vamos dizer por exemplo, completando o que se falava hoje no almoço. Nossa gente é escarnecida e detestada aí fora, eles de fato reagem com uma certa hombridade, é verdade, e nisso fazem um grande bem. Mas em parte é porque eles não querem medir até que ponto são detestados e escarnecidos, procuram fechar os olhos, desviar, arranjar um “modus vivendi”, donde vem o que nós estamos dizendo.
Exatamente o mistério no Horto das Oliveiras nos faria ver o contrário.
Veja outro fato por exemplo…
(…)
[Relato do corte número 5]
Outro exemplo, ministro A.[Aloisio?] Gomide dando “jornal falado” na São Milas, do cativeiro dele. Deu o tempo inteiro o jornal falado com sono, com superficialidade, indiferença, muito objetivamente, com certa despretensão, é preciso dizer, mas saiu, acabou.
Quer dizer, que ele tenha sentido… ele esteve a dois passos da morte. Então frases da Escritura a respeito da morte: “Dolores mortis circundederunt me”. “As dores da morte me rodearam…”, aquelas coisas todas do homem diante da morte, se ele tivesse que lavar o rosto era a mesma coisa. É uma superficialidade abismática.
Vão ver a vida que leva hoje, é a do superficial.
Dr. Edwaldo disse que o Gomide afirmou no “jornal falado” que a cada vez que entravam na cela dele, ele tinha a impressão de que iam matá‑lo.
O Sr. Dr. Plinio comenta: Pois é, iam matar. Como não matavam, ele cochilava. “Não me mataram, eu cochilei…
…mas é isso.
* Ouve‑se disparos; a atitude superficial e otimista dos membros do Grupos
(Dr. Edwaldo Marques: Em rigor qualquer pessoa pode ser morto a qualquer momento.)
Pode. Eu pensei nisso quando saíram esses tiros aqui, eu disse: “em rigor, eu sei que era uma coisa que na sala em que estávamos Plinio Xavier, SB, Poli, D. Bertrand e eu, aqui, na sala do Atila em cima, no segundo andar. Houve uma série de estampidos que mesmo para uma pessoa que não tem prática nenhuma de coisas de tiroteio ouvia aquilo e ficava impressionada.
Eu pensei: “quero ver o otimismo deles até onde chega e quando é que eles vão condescender e se pôr a pergunta se serão tiros”. Enquanto houve jeito de fingirem uns para os outros que achavam que não era tiro, eles fingiram. Em certo momento a coisa foi de jeito que não deu remédio, era tiro mesmo. “Ah, é, uns tiros, etc., etc”.
Ora, a realidade era a seguinte: nos tiros qual é a atitude de alma que se impõe? Em primeiro lugar pode ser uma revolução que está começando, na atual situação que está o Brasil, pode ser uma revolução que está começando, ninguém sabe se não é, por exemplo, um tiroteio de uns pró e outros contra, dentro dessa espécie de quartel de polícia que tem aqui em cima. Porque pode ser que esteja havendo ao mesmo tempo em vários lugares do Brasil e esteja havendo lá, pode ser, as coisas começam assim. Era uma pergunta que como possibilidade tinha que passar pelos espíritos.
Podia perfeitamente ser que fosse uma briga com alguns dos nossos que tivesse passando por aí. Por quê? Porque era hora tardia, vem gente à essa hora aqui, sai gente essa hora daqui, eu lá sei se não tinha dois, três eremitas — ainda pensei — o Wagner e o Eurico, estavam lá entre os outros — não pensei naquela hora, pensei quando os vi — é uma coisa que podia perfeitamente explicar‑se por essas ou aquelas razões: os dois foram juntos comprar qualquer coisa, pegar um automóvel que deixaram ali em cima, ou sei lá o que, e saiu um tiroteio, darem tiros neles, jogar no chão. Pode ser.
Portanto pode ser que tenha um irmão nosso, um filho meu, em estado trágico ali. Não se pensou nisso.
Bem, se não é isso. Muito provavelmente tinha alguém morrendo, ou muito possivelmente — provavelmente não digo — mas possivelmente tinha alguém morrendo, ou ferido gravemente, ou numa angústia grave.
Era uma ocasião para salvar uma alma que Nosso Senhor Jesus Cristo remiu com seu sangue infinitamente precioso. Não era natural pararmos e rezarmos uma Ave Maria por quem estivesse nessa situação? Por exemplo, um soldado ameaçado por um bandido. Rezar uma Ave Maria pelo soldado. Não era coisa… “Absolutamente não!”
Constatou‑se que eram tiros e todos ficaram com a idéia de que aqui em cima e com essa porta embaixo, etc., era mais provavelmente — e era mesmo mais provavelmente — uma desordem de bandidos aí fora, grupo de bandidos com bandidos. Acabou‑se, não tem mais conversa.
Agora, não entra uma superficialidade dentro disso?
(…)
[Relato do corte número 6]
Quando ele perguntava: “Não há uma superficialidade dentro disso?” a propósito da reação das pessoas ao ouvirem o tiroteio.
Um dos presentes dizia que uma pessoa na hora afirmou: “Não, isso é um automóvel que vai passando, não são tiros”.
Ele comentou: obviamente não era um carro que estava passando! Diz isso como quem espanca uma mosca inoportuna. E se ele disse que é um automóvel que está passando, tanto melhor! E alguém que parasse e dissesse: “é um tiro”! se depois ficasse provado que esse coitado se enganou, era uma onda de desprezo geral em cima dele. Olha aqui esse pulha, tímido e imaginativo que não teve força de alma para resistir contra a impressão de que era um tiro. A continuação foi copiada.
Quando Guerreiro Dantas faz uma pergunta não houve corte, apenas dizia que o que interessa às pessoas é saber se é ou não é hora de não sei o que, de ir ao dentista, etc.
Mas isso é um fatinho minúsculo, a gente poderia mencionar assim às torrentes, continuamente, continuamente.
* Ao responder a pergunta dos enjolras o intuito de formá‑los na seriedade
Por exemplo, aqui, esses espanhóizinhos me perguntaram — mas precisamente nem foram eles, foi o Francisco del Campo, se não me engano — me perguntou, mas em nome deles: qual era a impressão de um pai vendo partir assim os filhos.
E em vez de dar uma resposta amável, uma resposta alegre, eu dei uma resposta cheia de preocupação.
(Sr. Carlos Antúnez: Foi magnífica.)
Cheia de preocupação. Ainda pensando um pouco com meu botões: eu quero ver se eu formo essas almas, pelo menos, num pouco de seriedade. Porque, um outro, era muito provável que falasse de tudo menos de todos os riscos e tudo que eu falei.
Ora, é isto tudo que vai acontecer! O que está passando é isso! Coisa que me preocupa portanto. Eu os quero muito bem, eu fiquei com toda espécie de “attachement” e de dedicação a eles, quero muito bem a eles, muito bonzinhos. Mas, preocupação, no que [é] que vai dar isso?
Assim poderia mencionar tanta coisa, tanta coisa como nem sei o que dizer, porque é continuo, é noite e dia isto!
(Sr. Guerreiro Dantas: …uma sabedoria na proporção a cada assunto, no pensar estes assuntos…)
(…)
É o que interessa saber se é ou não é hora… se ele pega ou não pega hora do dentista, por exemplo. Isso ele fica ansioso. Se ele consegue ou não consegue um desconto para o automóvel que ele quer comprar. São bagatelas em comparação com o [caso], porque isso está na ordem do corrente, do provável, as coisas grandes são improváveis, não acontecem… Pronto. Se aconteceu, que remédio, aconteceu!
* Outro exemplo de superficialidade: na familia de Dr. Luizinho morre sua irmã: uma semana depois não se comentava mais o caso
Vocês concordam comigo que o estado de espírito é esse?
(Sim, sim.)
É totalmente esse.
(…)
[Relato do corte número 7]
Após perguntar se o pessoal concordava com tudo o que estava expondo, disseram que era exatamente isso, exatamente. Aí contou que quando morreu uma irmã de Dr. Luiz Assumpção, uma semana depois o Sr. Dr. Plinio foi jantar na casa de Dr. Luiz Assumpção: não se falava mais da irmã dele que morreu — foi uma morte dramática que, aliás, ela ofereceu pelo Grupo, e é por isso que paro sempre que passo diante da sepultura dela — uma semana depois não se falava mais dela, como se nunca tivesse existido.
Por quê? Porque ela não ia morrer!!! Mas, se ela chegou a morrer, ela não nasceu e não se fala mais dela! Não houve o drama.
Depois Dr. Edwaldo conta um fato, do indivíduo que morrendo, queria acertar uns negócios, etc., isso foi copiado.
(Dr. Edwaldo Marques: …entrou no hospital já quase morto, mal conseguia falar, saia um sussurro, ele disse: “quando saio do hospital?, tenho um negócio para resolver! Morreu no dia seguinte!)
Quer dizer, ele tinha tudo para ver a evidência que ele estava com câncer, mas “não podia ser câncer, porque as coisas ruins não acontecem, não tem perigo”.
* A cara de desgaste de alguns membros do Grupo quando o Sr. Dr. Plinio começa a fazer previsões, hipóteses de estrondo, etc.
Então eu vejo a cara de desgaste que fazem muitas pessoas no Grupo quando eu começo a prever a tal propósito, tal outro, a hipótese de Estrondo. “Não, não há Estrondo. Estrondo? Não há Estrondo, que Estrondo que há?” Então, primeiro não vai haver Estrondo porque nunca houve. Quando houve: já houve!, para que vai haver outro? Não há!”
Se cai durante o Estrondo: “ah, claro, isso não tem importância nenhuma”.
Por exemplo, essa última história do “O São Paulo”, aqui, poderia ter dado amolação longa e penosa. Muitos poucos olharam isso de frente.
(Sr. Carlos Antúnez: O senhor disse no início que isso podia ir longe.)
É penosa, é difícil, ninguém sabe até onde…
* “Ensinei a vocês a minha lógica, a minha coerência; agora eu quero ensinar a vocês viverem de minha fé”
(…)
[Relato do corte número 8]
Para dizer tudo numa palavra só, dizia sobre a questão do “O São Paulo”: havia razões para desconfiar que já era o dedo de um dos candidatos a governador do Estado influenciando na polícia na previsão de ser governador e dando ordem para nos perseguirem. Esse bandido sobe ao poder amanhã, o que vai fazer conosco?
“Não, não, nós temos tudo limpo, em ordem”.
Disse depois que o “City Bank” está sendo objeto de uma devassa. Ora, se este banco, dizia ele, é vulnerável — um banco que é uma fortaleza — é vulnerável assim, quanto mais uma coisa nossa?
No final da reunião Sr. CC dizia que ele tinha ensinado a ver as situações com lógica, com coerência. Tinha aprendido a viver dessa lógica, dessa coerência, ele — Sr. Dr. Plinio — e se não falasse sobre isso, não poderia seguir o pensamento.
Ele então disse: ensinei a vocês a minha lógica, a minha coerência. Agora eu quero ensinar a vocês viverem de minha fé!
Disse que devíamos aprender a ter confiança, confiança de que ele não esquece as pessoas. Uma vez ele viu um salmo que o tocou enormemente: “Ainda que teu pai ou tua mãe te esquecessem, ainda assim Deus não te esqueceria”. E ele pensou: ainda que Dona Lucilia — coisa impossível, impossível — lhes esquecesse, ainda assim Deus não te esqueceria. Que nós temos que aprender a viver dessa fé, dessa confiança dele.
…quanto mais uma coisa nossa. Quem é que garante isso?
Bem meus caros, “fugit irreparabile tempus”. Os espanhóizinhos acima me disseram que não sabiam o que queria dizer isso, eu brinquei com eles. Em geral eu dizia para eles “fugit irreparabile tempus”, eles: “Ahhh!” “Fugit”, vocês sabem o que quer dizer isso? Eles não… Mas nós sabemos não é? Vamos rezar três Ave Marias e a Oração da Restauração.
(Sr. Carlos Antúnez: E muito obrigado.)
Que Nossa Senhora os ajude.
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