Conversa de Sábado à Noite (Êremo de São Bento) – 29/5/1982 – Sábado [RSN 032 e AC V 82/05.36] – p. 8 de 8

Conversa de Sábado à Noite (Êremo de São Bento) — 29/5/1982 — Sábado [RSN 032 e AC V 82/05.36]

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Que pressentimento passaria pela alma do guerreiro perfeito antes de uma batalha em que será instrumento da Providência? * As dores do Sr. Dr. Plinio chegaram a zênite inimaginável, até a de ficar como espada no estojo, em plena serenidade * O demônio está como um ricaço que vai perdendo a fortuna e, de uma situação abalada, passa pela penúria, chega ao desespero, até jogar tudo pelos ares, numa explosão de ódio * O demônio odiará mais o Reino de Maria do que amargará a própria derrota, como nós amaremos mais o Reino do que a nossa vitória * O mal e o bem estão esquadrinhados até suas últimas conseqüências — É difícil prever como serão as primeiras e as últimas estocadas, bem como um Reino com homens angelizados * Tenho “uma recordação muito viva de como foi no passado cada coisa que quero ver restaurada, certo de que o futuro transcenderá muito” * A proteção de Da. Lucilia é envolvente, como o afeto dela era total, mas especialmente para com o filho e os filhos do filho, em quem ela encontrou receptividade em vida * Quem não sabe como duas virtudes se fundem uma na outra, não vê o belo que aí existe — O Sr. Dr. Plinio aprendeu na escola do quadrinho a mostrar suas virtudes, sem intimidar

Então, os pergunteiros de sábado o que é que perguntam?

(Sr. João Clá: Faltam dois que são fundamentais: Sr. Poli e Sr. Guerreiro.)

É verdade. Não sei onde é que estão.

(Sr. João Clá: Tem aqui Dr. Edwaldo, Sr. Mário Navarro…)

É, Sr. Mário Navarro e Sr. Fiúza.

(Sr. Fiúza: Sr. João Clá, Sr. Fernando Antúnez…)

Sr. João, é claro, Sr. Fernando Antúnez.

Qual é a pergunta?

(Sr. João Clá: O Dr. Edwaldo parece que tem uma engatilhada.)

(Dr. Edwaldo: Eu ia perguntar se o Sr. João não podia fazer uma pergunta.)

(Sr. João Clá: O senhor mandando, eu faço. “Praesto sum”!)

Diga lá.

* Que pressentimento passaria pela alma do guerreiro perfeito antes de uma batalha em que será instrumento da Providência?

(Sr. João Clá: No Cyrano há umas tantas expressões, por exemplo, uma expressão de dor: “Ai! Senti uma dor na ponta de minha espada!”)

Ahahaha!

(Sr. João Clá: A expressão é curiosa.)

É encantadora.

(Sr. João Clá: A gente quase diria que as alabardas quando estão, por exemplo, aqui na porta do senhor, quando eles se cruzam, quando eles se batem, minutos antes a gente quase diria que ela como que sente que vai bater. Assim também a espada como quase que sente que vai atravessar a garganta, que ela sente que vai atravessar o peito do adversário minutos antes da batalha. É uma impressão que eu tenho, talvez alguém tenha isso como uma impressão lunática, inteiramente irreal.

Mas um pára-raio, antes de um raio cair, a gente quase que vê o pára-raio pressentindo que o raio vai cair e esperando o raio. Quando está uma grande batalha preparada…)

Meu João está com uma dor na ponta da espada.

(Sr. João Clá: Há vezes em que uma grande batalha está sendo armada no horizonte, provavelmente será a maior da História. E se uma espada pressente o momento de atravessar o peito de um adversário, se uma alabarda pressente o momento em que vai bater, se um pára-raio pressente o momento em que ele vai apanhar o raio, muito mais ainda um combatente, com toda propriedade de expressão, um comandante que tem papel essencial na batalha pressente a batalha que vem e sente na alma movimentos que são os mais variados possíveis de características pessoais, de comandante para comandante, de combatente para combatente.

E se esses combatentes, se esses comandantes, se esses guerreiros tivessem capacidade de explicitar, seriam capazes de descrever tudo quanto neles passa pela alma antes da batalha e quando a batalha está se armando no horizonte. De modo que poderia ser um começo de conversa hoje à noite o senhor descrever um pouco o que o senhor imaginaria na alma de um combatente ideal — alguém está me inspirando a idéia de um contra-revolucionário perfeito —, como seria nessa alma o pressentimento da batalha que vem, em que ele sentiria o choque, enquanto enfrentamento, enquanto instrumento da Providência para aquela batalha. Muito mais do que uma espada, ele deve ter desejos, anseios, esperanças.)

Ahahah! Tenho dito?

(Sr. João Clá: Sim.)

* As dores do Sr. Dr. Plinio chegaram a zênite inimaginável, até a de ficar como espada no estojo, em plena serenidade

Eu não sei dizer, porque propriamente nunca me encontrei nessa situação. Pela razão seguinte: tive cem mil dores na ponta da espada. Essas cem mil dores culminaram, em que eu não fosse senão dor na ponta da espada. Mas eu compreendi que espada propriamente espada, lo que se dice, não espada fiction, mas espada real, me era pedido mais um sacrifício, que não era o de esgrimir, mas de consentir em ficar no estojo e aceitar a como que sepultura, que é o estojo, por um tempo indefinido, em que a dor chegava a zênites inimagináveis, na tranqüilidade, na serenidade. Porque eu compreendia bem que seria uma espada singular…

(…)

Para falar em nível de confidência, é isto.

Quer dizer, chegar a uma idade e às condições físicas em que…

(…)

não tem poesia, não tem nada, mas tem a carga da realidade. Quem conhece um pouco minha truculência pode bem imaginar onde é que ia dar.

* O demônio está como um ricaço que vai perdendo a fortuna e, de uma situação abalada, passa pela penúria, chega ao desespero, até jogar tudo pelos ares, numa explosão de ódio

(Sr. João Clá: É evidente que o movimento inverso também comporta análise. De maneira que quando um raio está se formando no céu, a carga elétrica quando as nuvens se aproximam, etc., quando ele pressente que vai ser colhido por um pára-raio, é como um fiel no campo de batalha que sente que a morte está chegando, que sente que uma espada vai lhe atravessar o peito. Há pressentimentos de mortos em batalha que se verifica que acontecem. […] Aprofundando mais o Santo do Dia, os comentários que o senhor tem feito, o que o senhor vê no lado do mal, da Revolução, dos infernos, enquanto desespero, pelo fato de o demônio sentir que a obra dele está com os dias contados?)

Eu tenho impressão de que a situação dele é mais ou menos a seguinte — eu vou dar um outro caso, para depois eu poder indicar como é:

Imaginem um homem muito rico que tem uma linda fortuna e gosta da fortuna que tem. Mas ele se meteu em jogo, em maus negócios, quis bancar o homem de negócios e fracassou. Resultado: ele está com a fortuna profundamente abalada e ele sabe que está com a fortuna abalada.

Isso dá a ele um desagrado muito grande. Mas por mais quimérico que seja ele tirar o pé do buraco, existe uma possibilidade — assim dessas vagas — de tirar o pé do buraco. Resultado é que assim como a ruína de sua fortuna é ainda um pouco remota e ele ainda pode tirar o pé do buraco, ele prefere não pensar no que vai acontecer com ele e continua a gozar a vida.

Há uma certa fase em que isso muda, em que ele já não tem dinheiro para gastar como queria, a gravata está desgastada, ele é obrigado a estudar o lugar da gravata onde dá o laço…

(Sr. João Clá: Já conhecemos a história.)

Quando a camisa, nas partes em que aparece, ainda está decente, ele ainda usa. Enfim, a penúria se instala.

Os senhores sabem bem, a penúria traz angustia.

Agora, aí ainda ele tem uma certa esperança de tirar o pé do buraco. Mas durante todo esse tempo em que ele foi vendo a situação e continuando a gastar, ele criou uma situação por onde não tem mais como tirar o pé do buraco. Aí é que ele tem a grande pena dele. Ele procurou não ver, até um certo momento em que a coisa lhe saltou no rosto. Aí ele cai na tristeza, se mata, ou faz qualquer coisa, rouba, ou no total vai pedir um empreguinho para um amigo dele e vai ser o limpa-botas do amigo.

O demônio está nesse processo. Ele está como o ricaço que está passando da situação abalada para a qual ele não olha, para a situação de penúria. Ele está como que ainda se iludindo e não olhando de frente. O grande furor dele é logo mais.

É a impressão que ele me dá.

Então, a todo custo em dizer que a posição dele é mantenedora, mantenedora custe o que custar, de que jeito for, de que modo for, manter. Porque ele sabe que caindo, cai tudo.

Quando ele quiser se dar conta, eu tenho impressão que o furor dele é não só contra os que estão promovendo a derrota dele, mas contra tudo. Porque é preciso notar que o Inferno é a casa do ódio, e que se bem que eles colaborem contra Nossa Senhora, todos se odeiam uns aos outros, vivem de dizer horrores um para o outro e de se agredirem.

Assim, eles odeiam os precitos que estão na terra e é por ódio dos precitos que eles querem levar para o Inferno. E odeiam os bons a fortiori, e os contra-revolucionários “a fortioríssimo”.

Então, eu acho que o desejo dele vai ser de espandongar com a terra, de jogar pelos ares, etc., como explosão do ódio dele. Se ele pudesse, acabava com os justos e até desintegrava o planeta. É o que ele faria.

Mais uma vez, é a resposta que eu teria a dar à sua pergunta.

* O demônio odiará mais o Reino de Maria do que amargará a própria derrota, como nós amaremos mais o Reino do que a nossa vitória

(Sr. João Clá: O que ele odiará mais: o fato de ele ter tido a obra dele destruída, ou ele ver a era que vai nascer, o Reino de Maria? O que dará mais ódio a ele: esse Reino que ele pressente que vai ser instaurado, ou a obra dele destruída?)

O Reino. Ah, o reino.

Como ele tem todos os defeitos morais possíveis, ele vai ter um ódio louco da obra dele se estragar. Mas essa obra é uma obra de ódio, e ele ao mesmo tempo que faz a obra, odeia a obra que faz. Mas o Reino… ah!

Imaginam um homem que fabrica um instrumento para assassinar alguém. Se alguém estraga o instrumento, ele tem pesar porque é uma obra que ele fez que alguém estragou. Mas muito maior pesar é que ele não pode matar quem ele está querendo.

Assim também ele queria destruir a glória de Nossa Senhora. O instrumentinho que ele fez para ele é secundário, inteiramente secundário.

Não sei se o senhor sentiu, mas agora, por abreviação, eu disse “o Reino”, não disse o Reino de Maria. E a palavra pronunciada assim, o Reino, não sei se notaram que reluziu especialmente, quase que assim como um antegozo do Reino de Maria. Se isso dá a nós tanto deleite, pode imaginar o ódio dele! Depois, o ódio dele é um ódio de anjo, que é muito mais possante do que um ódio de homem. Nem tem comparação.

* O mal e o bem estão esquadrinhados até suas últimas conseqüências — É difícil prever como serão as primeiras e as últimas estocadas, bem como um Reino com homens angelizados

(Sr. João Clá: Desculpe por fazer uma pergunta direta, mas o senhor disse, no início, qual sua posição em relação à batalha, o fato de o senhor ter sido como uma espada que constantemente teve que ficar embainhada, etc. Mas na batalha que vem, o que na alma do senhor causa mais atração: é pensar na estocada final, ou no próprio Reino que há de vir?)

Eu acho a pergunta muito boa, mas para responder acho que ela está baseada num pressuposto que não é inteiramente o real. Quer dizer o seguinte: ela é um pouco como perguntar o que a gente gosta mais, se é do botão ou da flor. Porque essa estacada final é o botão do qual florescerá o Reino.

(Sr. João Clá: Eu preciso mais a pergunta. O senhor disse que está pensando muito mais no problema de depois de amanhã do que nos problemas de agora. Porque nos problemas de agora o senhor já pensou anteontem. De modo que é muito possível que sendo a grande batalha tão próxima, que ela mais ou menos já esteja pensada pelo senhor. O senhor não precisa se preparar para a grande batalha, porque o senhor passou setenta e três anos fazendo isso.

A gente vê que, sendo ela tão próxima, é possível que se passe na alma do senhor o seguinte: Nossa Senhora já tendo todas as investidas preparadas, qualquer imprevisto que possa acontecer o senhor já sabe por onde sair, sabe o que fazer, mas por outro lado, por cima disso, portanto, o senhor está muito mais com a mente posta naquilo que deve ser feito depois de o terreno ter sido arrasado pelos Anjos e ter sido preparado para que, como Carlos Magno, volte e construa o Reino. De modo que é muito possível que mais a atenção do senhor no momento é como fazer o Reino do que a própria estocada e, portanto, mais a flor do que o botão. Eu pergunto se é assim mesmo ou não.)

Essas coisas são difíceis de atingir, quer a idéia de como será a última estocada, quer como será o Reino, quer como será o começo. Como serão as primeiras estocadas já é difícil de prever. Desde que a gente tenha inteiramente esquadrinhado até os últimos pormenores o que está na vista da gente, a gente de fato o resto acertará.

O que está na minha vista, está ultra-esquadrinhado. É o que é o mal levado às suas últimas conseqüências, o que é o bem levado às suas últimas conseqüências também, no que é que se defrontam no atual momento histórico, quer dizer, qual é a confrontação total e qual é a forma de force de frappe de lado a lado nessa confrontação total, e qual o espírito inventivo que essa force de frappe sugere ao espírito diante dos imprevistos.

Aí pára, porque os imprevistos são tais que ninguém pode prever nada. Aí pára, portanto. É um elemento muito pobre para a gente…

Também o Reino. Como será a fulguração de Nossa Senhora quando Ela derramar o espírito d’Ela — para usar a expressão da Escritura — sobre todos os homens? Como eles serão? Como será a inocência deles?

O senhor pode ter uma certa idéia acompanhando as reuniões do MNF sobre o transtema, porque será uma ordem toda posta no transtema, será por assim dizer o transtema baixado à terra, pelo convívio entre homens por assim dizer angelizados.

Dá para se intuir mais ou menos como será essa fulguração, não para descrever. E aí está o fundo do negócio.

* Tenho “uma recordação muito viva de como foi no passado cada coisa que quero ver restaurada, certo de que o futuro transcenderá muito”

(Sr. João Clá: Quer dizer, na alma do senhor se apresenta muito mais como desejo, mas não desejo concreto, definido. Desejo mais de gênero do que de espécie disso que deve vir.)

Não, é um pouco diferente. É uma recordação muito viva de como foram no passado cada coisa que eu quero ver restaurada, certo de que o futuro transcenderá muito o passado, não sei como.

Vamos dizer, por exemplo, como é que seria a Civilização Cristã se os homens tivessem acumulado na Idade Média o que o Ancien Régime deu, o que o século XIX deu, como é que teria formado um total. Disso eu tenho uma idéia, eu sei que o Reino de Maria seria qualquer coisa nessa linha, sem paralelo com isso.

É um pouco como quem, vendo rosas nesta terra, muito bonitas, desse para imaginar rosas do Paraíso. Sim, são rosas, eu sei. Rosas que Deus parou para comentar quando Ele passeava com Adão, são diferentes das rosas de nossos roseirais.

* A proteção de Da. Lucilia é envolvente, como o afeto dela era total, mas especialmente para com o filho e os filhos do filho, em quem ela encontrou receptividade em vida

(Sr. João Clá: Continuo o interrogatório, ou os senhores…)

Como queiram. Não é interrogatório, é questionário…

(Sr. João Clá: Um ponto que há muito desejamos conferir com o senhor e que vejo que dentro deste questionário se torna possível é o seguinte:

O normal de intervenção de almas que estão no Céu é que a intervenção seja de acordo com a própria luz primordial, com o próprio modo de ser e, portanto, a intervenção tem umas características próprias. O normal seria que se pudesse classificar, de uma forma muito característica, quais são as intervenções que nós todos temos sentido e o senhor também, só que o senhor não conta, mas nós sabemos e colocamos em comum a intervenções que a gente sente de uma certa senhora.)

Eu já me pus a pergunta e sou propenso a responder — eu não tenho certeza, mas sou propenso a responder — nestes termos: eu acho que a intervenção dela é muito ampla, mas corre num certo canal. Isto é definidamente a favor daquilo que foi o campo de ação da vida dela nesta terra.

Quer dizer, a vida dela nesta terra teve como campo de ação o lar e, no lar, o filho. Não que ela não procurasse agir sobre todos com quem ela privava, os senhores mesmos são bem a testemunha do contrário, mas no lar a receptividade que ela encontrou foi no filho.

Agora, a proteção, tanto quanto eu posso ver, é a favor do filho e dos filhos do filho. E aí, para tudo que os cobre, é uma proteção envolvente, como era o afeto dela, que era, por assim dizer, um afeto total, cobria tudo, atingia tudo e atenderia tudo.

Essa era a posição dela.

Será ela uma dessas almas bem-aventuradas a quem qualquer pessoa da rua pedindo qualquer favor obtenha? A bondade dela poderia dar para isso perfeitamente. Mas se for, será a um título tão mais especial para a TFP do que para outros, que isso ocupará — suponho eu — um papel secundário diante dessa específica missão: ser a patrocinadora da TFP. Então é na batalha, é nisso, naquilo, naquilo, todos os campos, aquilo ela atende.

Essa seria minha idéia.

* Quem não sabe como duas virtudes se fundem uma na outra, não vê o belo que aí existe — O Sr. Dr. Plinio aprendeu na escola do quadrinho a mostrar suas virtudes, sem intimidar

(Sr. João Clá: Eu não quero ser o usurpador da palavra hoje à noite, daqui a pouco vão fazer máfia…)

Complete seu questionário. Tanto mais que eu estou vendo que ele é andaluzamente rico e variado.

(Sr. João Clá: Ainda sobre ela. O senhor crê que algum aspecto da alma dela… havia um aspecto muito conhecido…)

(…)

Não compreendem com essa bipolaridade existe. Não compreendem em tese que essas duas coisas possam conciliar-se. Quando elas conciliam, as pessoas não compreendem, não sabem apreciar, porque é uma coisa reversível na outra. Se uma pessoa não sabe duas virtudes como é que se fundem uma na outra, ela quando vê as duas virtudes fundidas, ela não sabe dizer o belo que aquilo tem, nem percebe que ali há uma fusão de virtudes.

Eu repondo esta pergunta porque eu acho que há certos… eu não tenho certeza, o senhor viu bem no Santo do Dia de agora à noite, eu não tenho umas certeza absoluta de que a Bagarre esteja próxima. Acho muito provável; certeza não tenho. Mas dado o fato de que ela mais provavelmente está bem próxima, eu devo agir, para muitos efeitos, como se ela estivesse próxima.

Portanto, eu respondo algumas coisas que eu não responderia se a Bagarre não estivesse próxima. Repondo vencendo uma espécie de contração de minha alma, ou de constrição de minha alma, mas acho que devo responder.

Suponha — é uma suposição — que todas as impressões daquele generoso senhor de Campinas, daquele andaluz de Campinas, sejam suposições fundadas. Se essas suposições são fundadas, quanto existe do lado quadrinho para que aquele quadro não seja incompatível com toda a intimidade, com todo o teor de relações que eu mantenho com gente que está a alguma distância de ser idêntica aquela descrição. A tal ponto que eu, ao mesmo tempo, faço todo o possível para tornar patentes qualidades que eu tenho e, de outro lado, de tal maneira disfarço, que a pessoa não fica nem um pouco intimidada, nem mal à vontade tratando comigo. Se não fosse a escola do quadrinho, eu não teria conseguido isso.

(…)

Bem, vamos andando, meus caros, vamos andando, desbloquear…

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