Conversa
de Sábado à Noite – 6/3/1982 – Sábado
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Conversa de Sábado à Noite — 6/3/1982 — Sábado
* Os cinco anos de vida dentro, em torno e fora do S. Bento, entre aflição e júbilo, com o simbólico do prédio e esperança do Reino de Maria
Meus filhos, há cinco anos, só cinco da existência do São Bento, eu estava fazendo há pouco uns cálculos, e calculei assim por olhômetro sem um ponto de referência fixo, pelo menos sete anos. Quer dizer, tantas coisas se passaram de lá para cá, tantas se acumularam e tantas floresceram que realmente me pareceu muito mais do que isso: O que se passou dentro do São Bento, o que se passou em torno do São Bento, o que se passou fora do São Bento.
Mas é interessante que nós aprendamos bem como são as vias de Nossa Senhora e como Ela quer fazer esse suceder uma coisa à outra, o inesperado a outro, e uma conjuntura triste a uma conjuntura alegre, um momento de aflição, a um momento de júbilo, um momento de tristeza e de humilhação a um momento de glória.
(Exclamações!)
A sucessão alternativa dos momentos…[Inaudível]…e pelo favor e pelas orações dela a glória fique.
Esse momento será sem dúvida sempre pelo favor d’Ela, será sem dúvida um momento feliz em que nós entrarmos na eternidade. Mas também será nesta terra a seu modo, porque as coisas da terra são capazes de uma certa estabilidade quando deitam a raiz nEla. Será também o momento em que a Bagarre tenha terminado e que nós possamos dar glória a Ela.
(Exclamações!)
Começou o Reino de Maria! Uma das sensações que teremos é de uma estabilidade tão magnífica, de que o mal está tão derrotado, tão aniquilado que nós teremos idéia de que será pra sempre. E até, já nesse momento, aparecerá a tentação e a provação. A gente terá a impressão de tal maneira para cedo que pode largar o corpo. De maneira tal que na própria hora em que a estabilidade nos sorri, a tentação nos morde. Tal é a concatenação e tal é alternativa neste vale de lágrimas . Ora, acontece precisamente que isso significa nesses cinco anos de um modo esplêndido.[Falta o complemento do verbo na frase.]
Já conversei com o senhores a respeito da minha primeira impressão quando o Dr. Adolfo me trouxe pela primeira vez aqui para ver este prédio. Prédio que eu conhecia muito por alto antigamente, retiro de Congregação Mariana, mas não deitara maior atenção. Entrara, saíra, não deitara maior atenção. Prédio que me pareceu tão ungido por todas as graças do grande patriarca São Bento e todo passado da Igreja, de todo estado monástico dentro da Igreja e que eu via entrar assim pela palma de nossa mão com tanta alegria de alma.
* Na desolação devastadora da dispersão do Êremo I, restou no prédio uma luz que não mente, em meio à dúvida dos espíritos práticos
As esperanças e o Êremo I?! Os ventos levam o Êremo I para vários lados da história, e o prédio fica só. Oh, desolação! Desolação tanto maior quanto grande tinham sido as alegrias. Desolação tanto mais devastadora quanto parecia que o Êremo I atendia a velhos anseios, a velhos desejos que eu nem se quer ousara expressar de mim para comigo. Isto era o Êremo I. De repente o vento dispersa o Êremo I e o prédio fica abandonado. Mas então foram tão vãs as experiências anteriores? Quando é que Nossa Senhora cumpriria a sua palavra? Nós sabemos que Ela não mente. Eu me teria enganado? Mas se eu me tivesse enganado quantas outras esperanças eram um engano, porque levavam um timbre de voz igual.
Não voz vocal, mas voz espiritual. Eram banhadas na mesma luz. Se uma luz não diz a verdade, o que essa luz aponta em outros lados não será também fantasias? Aí seria bem o caso de dizer um Oh! que, num tom plangente, é tão diferente do Oh! alegre e festivo com que vós povoais estas solidões.
Não é isto! Esta luz não mente! Ela afirma a verdade por caminhos desconcertantes, ela se realizará. Esperemos e não mexamos. Um período indefinido de solidão em que eu não ousava falar deste prédio, de modo que os espíritos práticos, que são tão pouco práticos e atrapalham um tanto essas coisas, dissessem: “Não está usando! Está pesando na balança, não pode ser, acaba!”
Para esses espíritos, os argumentos pelos quais devia ser conservado não valem nada. Começa…[Inaudível]…ponderáveis. Ora, só o que é ponderável, nós sabemos o que é. Então eu não falava, nem sequer ousava falar, mas eu pensava: “Minha mãe, executai aquilo que está nos vossos desígnios, mas lembrai-vos de que Vós me destes esta esperança. Se vosso caminho for outro eu aceito e baixo a cabeça. Mas minha mãe baixarei muito a cabeça para aceitá-lo.”
* No meio da cruel decepção, “Nossa Senhora encheu de modo transbordante aquela copa de cálice da esperança”, para ir muito mais alto: Reino de Maria
Começa a rearticular-se o São Bento II. Se eu percorro esses cinco anos, quando o São Bento II começou-se a rearticular, eu poderia imaginar tudo quanto Nossa Senhora tinha em vista aqui, para considerar só o que se deu aqui até o momento, para considerar só isso, eu poderia imaginar todo o florescimento de cerimônias, de cânticos, de rituais, de vida espiritual, de ardor que aqui centro floresceu? E eu poderia imaginar como se espalharia desdobraria para um outro Êremo num matagal mal afamado que havia aqui por perto, e de cuja existência nem tinha conhecimento? Como eu não podia imaginar isto! Como o que…[Inaudível]…o que eu esperava, ser realizava não depois de uma longa espera, mas depois de uma espera e de uma cruel decepção.
Quer dizer, uma decepção que parecia dar razão a todas as aflições que fora necessário domar durante a espera. Está bem, em certo momento veio. Mas, se eu naquele tempo pensasse nisso, pensasse também na modificação das circunstâncias, eu tivesse idéia do Auditório São Miguel lotado a mais não poder e tivesse a idéia da Mensagem e da expansão mundial da Mensagem das facilidades do apostolado de abordagem e da repercussão da TFP no mundo inteiro. De maneira que se pudesse dizer com a certeza com que eu hoje me exprimi na reunião de recortes que vós ouvistes, que eu tinha …[ilegível]…João Paulo II tinha conversado com Mitterrand sobre a TFP.
(Exclamações!)
Há cinco anos atrás, isto era impensável, era inentendível. As esperanças, pensava [eu], mas as conjecturas que são tão diferentes das esperanças, as conjecturas baseadas nas probabilidade, etc, como podiam [permitir] pensar nisso?
Os senhores vêem bem através disso como Nossa Senhora encheu de modo transbordante aquela copa de cálice da esperança sobre a qual Ela fez entretanto, abriu no que diz respeito a este local, Ela abriu o cálice pingando uma gota de decepção. Uma pesada e amarga gota de decepção. Mas, assim como a água se mistura em vinha para a transubstanciação, assim também, no vinho da esperança, Nossa Senhora põe de vez em quando a água, mas é pior do que a água, o fel de uma decepção, de duas decepções, de não sei quantas esperas. Quando se vai beber o vinho percebe que aquele fel tão amargo de provar e do qual algo ficou na taça, aquele fel é aromatizante, e que o vinho toma o seu melhor sabor pensando…
Como é admirável para mim que vivi tudo isto, como é admirável considerar as coisas como estão e as coisas como foram. Quer dizer, preenchem uma parte da esperança porque a esperança ainda vai muito mais alto.
(Exclamações!)
A esperança é da “Bagarre” e do Reino de Maria!
(Exclamações!)
Mas, há cinco anos atrás eu poderia usar a metáfora do alvo que caminha rumo ás flechas? Não! E menos eu poderia dizer o que eu disse hoje na reunião, eu disse conversando com alguém eu não me lembro, que o alvo por assim dizer as coisas. O deslocamento de todas as coisas, a colocação da América Latina no centro de um jogo político tão delicadíssimo. No momento em que isso se torna notário aos olhos do público, a mensagem que estoura, e depois o comunicado e a situação em que nós estamos. Quem haveria de pensar em tudo isso? Como realmente é bom, é justo e é oportuno nós cantarmos o Magnificat.
(Exclamações!)
* Se Nossa Senhora quer que o nome de um católico seja invocado, é preciso fazê-lo; pitoresca analogia com a formiga
Vós empregastes aqui, não é uma metáfora, é uma analogia muito bem empregada e muito bonita com o Santíssimo carregado por formigas. Se uma formiga fosse capaz de pensar, o que ela pensaria vendo-se a ela, mísera formiga, nos caminhos do Equador, em qualquer lugar do mundo, mísera formiga, o que é que ela diria vendo-se carregar como se fosse o Santíssimo Sacramento?
(Exclamações!)
Ela diria: eu não sou senão formiga. Mas uma vez que Deus quis servir-se de receber de mim isto, aqui estou eu e aqui está o Santíssimo Sacramento.
Esta formiga pecaria contra a modéstia? Não! Ela, pelo contrário pecaria contra a verdade se ela negasse isso. Ela andaria muito mal se ela, conduzindo o Santíssimo, pensasse: “quem sabe se eu sou homem”. E pior ainda: “quem sabe se eu sou sacerdote, e quem sabe se eu agora vou celebrar uma missa”.
Seria um desatino, ela se perderia. Mas ela, na sua formicidade, reconhecendo o que Deus fez de magnífico baixando até ela, ela estaria dentro da verdade. Eu compreendo bem que Nossa Senhora pode dispor que o nome de um católico, de um filho dela, pela mesma disposição da graça relativa às formigas, que este nome seja invocado porque Ela quer que seja invocado.
(Exclamações!)
E desde que Ela queira é assim que é preciso…[Inaudível]… .
*O grande apóstolo dessa verdade, o querido João, ergueu o estandarte, cheio de razão
O grande apóstolo dessa verdade não está aqui presente. É o nosso querido João. Pode-se dizer ao pé da letra que ele levantou o estandarte, porque eu nunca levantaria este estandarte. Nunca dos nuncas, nunca. Nem me passou pela cabeça levantar. Por que? Porque é um tema interdito, proibido, não se pensa nisto. Mas se um outro diz algo e me pergunta se ele mentiu, eu não posso dizer que ele tenha mentido.
(Exclamações!)
E eu sou obrigado a defender a verdade que eu vi florescer nos lábios dizendo ele tem razão.
(Exclamações!)
* A senhora do quadrinho com doçura e lucidez analítica teria aconselhado muita prudência especialmente neste momento
Mas, meus caros, se isto é assim e vós exemplificastes tão bem com Gedeão, exemplificastes tão bem com Eliseu, se isto é assim, é verdade também que a nossa situação especial pede uma prudência extraordinária. Eu tenho diante de mim uma fotografia, uma fotografia cheia de evocações. Eu estou informado hoje de que essa fotografia fora tirada. E eu vejo aí o olhar que não tem qualquer coisa do último [custo?] que tem o quadrinho, mas tem a força de lucidez. Se os senhores examinam o olhar os senhores percebem um mar de doçura, de serenidade, mas é um olhar que sabe para onde olha e que analisa. Não há conversa a respeito deste assunto.
E, este olhar é um olhar que tem algo para nos dizer na noite em que a senhora do olhar tão …[ilegível]….
O que é que ela teria a dizer?
Ela teria a dizer: meus filhos, cuidado com o adversário! Quanto mais o adversário ronda, quanto mais vós atacais o adversário, tanto mais ele ronda em torno de vós. Quanto mais ele ronda em torno de vós, mais precavidos vós deveis ser. Depois, ela diria com afeto: Meus filhos, não é só por uma medida de prudência, é por amor à propriedade com que cada coisa deve ser como deve, e tudo deve ser direito. A gente deve exprimir o que pensa com cuidado, de maneira a dizer o que está no fundo da cabeça. Quem sabe se o que está no fundo da cabeça não é muito claro. É preciso esclarecer antes de falar. Mas meus filhos, cuidado!
(Exclamações!)
Isto eu estou certo que ela diria. Com outras doçuras, com outros afetos, eu estou certo de que ela diria.
* O que aconteceria no Manzanares se, em meio a estupendas cerimônias, faltasse a vigilância? Ela faltou no modo de se exprimirem; não basta pensar algo, é preciso dizer
Ao que vem isto? que eu tinha notado na muito bela locução que vós fizestes: que não tiveram em consideração o adversário. Então, os senhores imaginem, já que falamos dele hoje à noite no auditório São Miguel, o castelo de Manzanares. Duas horas da manhã sobre o castelo de Manzanares!
(Exclamações!)
O luar brilha com todo o sue esplendor. Dentro, desfila o estandarte, cânticos magníficos, iluminação feérica, gládios esplêndidos, ritos estupendos. Tudo isto junto, mas faltaria junto à porta de acesso um vigia. E, escapadas de algum gueto ou de alguma cidade da Moirama, ou de uma coisa e outra, escapadas algumas figuras se esgueiram. O anjo tutelar do castelo teria o direito de ficar aflito.
(Exclamações!)
Se alguém fosse advertir durante a festa: “Olhe o adversário que entra !” faria o papel de desmancha-prazeres não está bem dado. Quando algo é [paterna?] para o adversário.[sic!] São Paulo disse: “Eu não sei pregar a não ser Jesus Cristo, Jesus Cristo Crucificado”.
Está muito bem! Entende-se bem que Jesus Cristo sendo Deus, ele pregava também as outras pessoas da Santíssima Trindade, e que Ele pregava toda a doutrina católica. Mas ele pregava tendo em vista especialmente… em função de… tomando por centro [a natureza humana] da Pessoa Divina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Está entendido perfeitamente. Mas aplicar isso…[ilegível]…formiga do Equador, dizer… [Inaudível] …senão a ele. Os senhores compreendem por mais afetuosa que tenha sido a intenção, como é objetável.
Eu sei bem o que os senhores querem dizer. Mas eu não quero apenas que os senhores queiram dizer coisas boas, quer dizer: “eu falarei a respeito dele, pô-lo-ei nos pontos de evidência necessária e farei disso um apostolado especial a serviço de Nossa Senhora e de Nosso Senhor Jesus Cristo”. É o pensamento dos senhores. É o óbvio pensamento dos senhores, mas isso é preciso dizer. Não basta pensar, é preciso dizer. O que a gente pensa, a gente tem que dizer. Não pode dizer o que não pensa. Ora, a formulação dá algo em que os senhores não pensam.
Como é bom a gente…[Inaudível]…tudo com cautela, vejam a vigilância de uma senhora sentada numa bergère numa tranqüilidade de uma festa de família, de uma reunião de família. A vigilância! E como é bom ser vigilante!
* “Há um ponto ainda mais grosso” na proclamação, que Dr. Plinio quer examinar com vagar
Bem, há uma outra…[Inaudível]…os senhores, dirão: Mas mais um ? Eu digo: certamente! Mas nisso passou pelo meu espírito uma idéia ligada a esse quadro e eu me esqueci qual é um ponto ainda mais grosso. Deixe ver se eu me lembro…[Inaudível]…Há uma outra coisa. Meu Wellington, o que é que? Já que são os senhores os autores coletivos do texto, a equipe. Meu Zayas, foi você que escreveu?
Realmente no momento eu não me lembro. [Estão a frase é do Sr. Dr. Plinio?]
Mas pedi uma ratificação — olhe que essa não é pequena — pedi uma ratificação ainda maior.
Foi batido a máquina o texto que foi lido aqui?
(Sr.–: Sim, Senhor!)
Me dê que eu levo, será muito bonito para eu ler. E, se Deus quiser, venho dormir aqui na segunda-feira ou domingo à noite.
(Exclamações!)
Se Deus quiser, logo que eu chegar, depois da oração na capela eu falo.
(Exclamações!)
(Sr.–: “Pugnemus pro Domina”? Parece que talvez ela tenha feito o senhor esquecer para contar o que que o senhor pensa a respeito da foto? O senhor disse que passou uma reflexão a propósito da foto e o senhor esqueceu.)
Eu não posso dizer.
(Exclamações!)
Eu só posso dizer que eu olhei, tive pena, mas não posso dizer mais nada. Temos que tocar para frente.
Meus caros, duas horas e vinte no Êremo de São Bento. E os senhores vão ter que se levantar cedo amanhã.
(Nãããão!)
Eu exprimo minha alegria de tudo quanto foi feito nessa bela cerimônia, e minha alegria pelo modo de ser tão bem acolhida aquilo que é uma retificação. Repreende o justo e ele te amará!
(Exclamações!)
Foi uma advertência para a nossa desconfiança, da nossa posição de vigilância. Eu sei que as idéias que estão contidas nisso os senhores não têm e graças a Nossa Senhora as idéias são retas. Senão ou eu não estaria aqui, e não estariam os senhores. Graças a Deus nós estamos aqui sob a vistas de Nossa Senhora.
(Exlamações!)
Nessas condições, vamos dormir!
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Êremo de São Bento