Conversa de Sábado à Noite (ESB) – 19/12/81 [AC V 81/12.15] – p. 16 de 16

Conversa de Sábado à Noite (ESB) — 19/12/81 [AC V 81/12.15]

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As cerimônias no Praesto Sum: o encanto do mato sem as distâncias de Amparo * À medida que se vai gerando a idéia de como será o Reino de Maria ele vai se aproximando; O post‑scriptum da história * Restos de uma presença sacral de Nosso Senhor Jesus Cristo nas tradições católicas dos antigos tempos * De algum modo na TFP já se sente essa presença sacral de Nosso Senhor; as relações das cerimônias com o Reino de Maria * A sensação profética do vento restaurador do Reino de Maria que sopra no rosto do eremita que marcha * Quem perde esse sopro do Reino de Maria é o amor de Deus que está indo embora * Como o Reino de Maria será uma sublimação do que foi a Idade Média; o que Carlos Magno acrescentou à Cristandade * Reino de Maria é a quintessência, a plenitude, o melhor dos melhores do reino de Nosso Senhor Jesus Cristo, o reino do Espírito Santo * “Esse tipo de cerimônia como se fez hoje eu não teria nenhum espanto que a hierarquia o incorporasse à liturgia no Reino de Maria” * A natureza porque espelha o homem espelha a Deus; Carlos Magno um espírito Universal que imitava a Deus no todo Um * menino formado pela Sra. Da. Lucilia para perceber o caráter sagrado da instituição temporal

Vamos sentar meus caros.

Os senhores do “Conselho”…

[Risos]

Enquanto eles não chegam algum enjolras faz uma pergunta…

Guerreiro, qual é a pergunta da noite?

[inaudível] …comentários das coisas da noite, depois passar para as perguntas.

* Comentários da cerimônia no Praesto Sum: pormenores melhorados e acrescida em número pelos enjolras da Saúde

Achei tudo embelezado, melhorado e aumentado. Debaixo desse ponto de vista gostei enormemente. O comentário dos pormenores se afasta muito do comentário do conjunto.

A gente pode anotar uma porção de pormenores que estavam largamente melhorados, em todas as direções. Mas, o conjunto é muito mais do que os pormenores. No que é que o conjunto estava melhorado é difícil dizer, o conjunto é difícil de definir, de exprimir, de dizer. Mas tinha outra grandeza, para dizer… [inaudível] …outra grandeza.

Agora, passando a comentário dos pormenores é tudo. Em primeiro lugar o número: como os enjolrinhas lá da Saúde acresceram o número e como eles se apresentam bem naquele traje, marcharam bem, estavam estupendos em todo sentido. E notei que compenetradíssimos, contentíssimos de participar daquilo, evidentemente,… [inaudível].

De um lado.

* As cerimônias no Praesto Sum: o encanto do mato sem as distâncias de Amparo; “Se conseguiu já em larga medida a chama colorida que eu queria”

De outro lado achei — é uma coisa pequena, mas muito importante — que se conseguiu já em larga medida a chama colorida que eu queria antigamente. Havia um pouco, mas dessa vez o colorido durou mais, algumas tochas permaneceram até o fim. Havia passos novos, todos muito bonitos também. Os dizeres que não se referiam a mim excelentes, estes estavam sans reproche. Eu nem sei mais…

É preciso dizer que o fato de estar ali no Presto Sum dava todo o encanto do mato sem as distâncias que o nosso querido Êremo do Amparo de Nossa Senhora, para ir ao êremo para ter aquilo a gente tem que viajar duas horas, aqui em quinze minutos, vinte minutos está lá e aquele arvoredo é tal que fica uma espécie de florestinha dentro de São Paulo. Eu tenho a impressão também que o terreno para lá baixa, não é João?

(Sr. João Clá: Sim.)

Mas o suficiente para não se ver casario, não se vê nada. E as árvores tapam bem, ficam muito agradáveis. Homem! eu não sei quanta cosa seria preciso dizer.

As figuras novas muito bonitas, tudo, tudo estupendo. Agradou-me superlativamente.

E, agora vamos ver se cabe uma pergunta, o João tinha uma pergunta meu João?

(Sr. João Clá: Já que o senhor não pode tratar na cerimônia, tinha muita gente…)

Diga-me uma coisa, os sul-africanos foram[-se]?

(Sr. –: Sim, foram.)

* Um pedido do Sr. João: uma vez que já se tratou da Mensagem que agora se trate do autor

(Sr. João Clá: Mas naquela escuridão o senhor não podia ver quem estava presente quem não estava, aqui não, o senhor bate os olhos e vê…)

Ah ah ah! O número de pessoas colossal, todos sentado muito suficientemente, com caras muito contentes, acompanhando muito bem. A saída da imagem debaixo do palio estava uma verdadeira beleza. Ahhh, estava completo, completo.

(Sr. João Clá: De modo que aqui o senhor pode dizer muito mais coisas… Lá o senhor tratou da Mensagem, gostaríamos agora que o senhor tratasse do autor…)

[Risos]

O autor já é muito conhecido.

[Exclamações]

(Sr. João Clá: Justamente o problema, a Mensagem é muito conhecida…)

O que eu disse ali é bem verdade, a Mensagem é uma coisa insonhável no tempo da primeira cerimônia. Há quantos anos foi a primeira cerimônia, hein?

(Sr. –: Há uns dois anos.)

Bom, era impensável naquele tempo. E o ter o que nós temos hoje, naquele sentido, é uma coisa impensável. E de fato atrai Nossa Senhora — não desenvolvi o pensamento inteiro.

* À medida que se vai gerando a idéia de como será o Reino de Maria ele vai se aproximando; O post-scriptum da história

Nossa Senhora recebeu a Anunciação e concebeu do Divino Espírito Santo no momento em que Ela chegou a imaginar como era o Messias. Ai se deu a Encarnação.

À medida que nós vamos gerando a idéia de como será o Reino de Maria, nessa medida [ele] se aproxima de nós.

Os senhores dirão: “Mas isso se dá no espírito do senhor”. Não, não é inteiramente assim, tem o seguinte: eu já tenho dito aqui que eu acho que nós vamos entrar num post-scriptum da História.

A História propriamente estaria terminada e que Nossa Senhora, por atenção à bondade d’Ela e tudo mais, Nossa Senhora estabelece, prolonga para o Reino de Maria a história, que é um post-scriptum na história de uma humanidade pavorosamente pecadora.

Mas se eu tivesse procurado fundar uma TFP e não houvesse TFP, que dizer, todos tivessem recusado, eu não creio que houvesse post-scriptum na história. De maneira que todos participamos, a nossa maneira, do post‑scriptum.

Portanto era preciso também que a TFP compreendesse essa imagem do Reino de Maria e que, pelo menos isso, que ensinada a aceitar‑se, tornar‑se bela a imagem do Reino de Maria. Pelo menos! E em larga medida a marcha ali exprimiu isso. De maneira que dá realmente muito contentamento. Voilà l’affaire!

* Restos de uma presença sacral de Nosso Senhor Jesus Cristo nas tradições católicas dos antigos tempos; a paz dos domingos

(Sr. João Clá: O senhor mostra como algumas por obra da graça, por inspiração vinda do senhor, etc., como é possível que dê em algumas fímbrias do Reino de Maria. O senhor dizia que quando chegar a explicitação do que deve ser o Reino de Maria ele como que já nasceu. Nós devemos pensar nele, mas queríamos saber como o Reino de Maria nesse momento se afigura na mente do senhor.)

O Reino de Maria — me desculpe essa posição um pouco de descanso, mas é que o dia foi longo — [encostou a cabeça na orelha do sofá] o Reino de Maria eu acho que virá sobretudo do seguinte fato: com a enorme diferença de idades que nos separam eu percebi os restos de um fenômeno que eu não sei se os mais velhos dentre os senhores perceberam, mas os mais moços eu creio que não perceberam de nenhum modo. Que é o resto de uma presença sacral de Nosso Senhor Jesus Cristo em restos de tradição católica que havia.

Havia realmente um resto de Cristandade que a gente sentia. Os senhores não têm idéia de como o domingo era um dia diferente dos outros dias, como havia uma paz dominical impressionante.

Essa paz era uma paz à maneira da fisionomia divina de Nosso Senhor Jesus Cristo: séria, nobre, confortante, repousante, elevante, enlevante, etc., etc. Tudo magnífico!

E essa presença eu tenho a impressão que foi ficando mais tênue no correr dos séculos, mas que antes da Revolução arrebentar ela era muito mais densa, muito mais densa.

* No sábado de Aleluia vendo o bimbalhar dos sinos desde a torre do Coração de Jesus: uma alegria sobrenatural baixava sobre a cidade

Eu me lembro que uma vez eu subi à torre do Coração de Jesus, eu era moço ainda, aliás devo dizer que não gostei de subir, eu gostei de estar em cima, mas não gostei e subir, eu nunca fui entusiasta dos exercícios físicos. E, a torre que hoje não parece muito alta naquele tempo parecia muito alta. E eu queria ver um sábado de Aleluia baixar sobre a cidade.

Nos sábados de Aleluia daquele tempo tocavam os sinos e São Paulo daquele tempo não tinha os arranha‑céus que teve depois, então os sons dos sinos se propagavam com muito mais distância e não era impossível que se encontrassem. Hoje os arranha-céus entopem tudo, sino nenhum tem som que repercuta.

Ao meio dia em ponto começar a ouvir os sinos todos baterem e uma espécie de alegria sobrenatural baixar sobre a cidade como os senhores não imaginam, é uma coisa difícil de imaginar, uma coisa simplesmente magnífica.

Estas coisas assim indicavam uma presença de Nosso Senhor que tinha começado com os Apóstolos, com Pentecostes. E que foi se tornando, ora mais intensa, ora menos, eu creio que tomou uma intensidade muito grande com Carlos Magno, que depois dele ter vivido o resto foi ficando mais tênue, mas ainda com esplendores inimagináveis.

* De algum modo na TFP já se sente essa presença sacral de Nosso Senhor; as relações das cerimônias com o Reino de Maria

Eu acho que essa presença de Nossa Senhora, de algum modo nós sentimos já na vida da TFP. Eu vou lhes dizer como é que nós sentimos: é quando por exemplo numa cerimônia dessas nós percebemos que não é apenas uma cerimônia, mas que o Reino de Maria vem mesmo.

E quando nós percebemos que aquela cerimônia tem uma relação com o Reino de Maria, acelera o Reino de Maria que está para vir. De maneira que cada vez que a gente caminha para a frente, para trás ou para o lado, a gente sente que deu uns passos na vinda do Reino de Maria.

Que aquilo não é portanto, uma pura cerimônia, mas que aquilo foi feito na presença do Altíssimo. O que se quer dizer, é algo que conquista caminhos da história na presença de Deus. Essa a minha convicção.

* A sensação profética do vento restaurador do Reino de Maria que sopra no rosto do eremita que marcha

Essa convicção leva a isso, que um eremita que participa daquela cerimônia, sentindo no rosto o vento do Reino de Maria que vai chegando, esse sentiu algo do Reino de Maria. Essa espécie de sensação profética, já é algo do Reino de Maria. — Não sei se me exprimo bem.

(Sim.)

Quando, pelo contrário, se a pessoa é levada — pode acontecer porque há momentos de aridez — a prestar atenção apenas no tocheiro, nos passos, não sei mais o que, se executou bem para não tomar penitência; se a pessoa é levada a isso então o Reino de Maria não está soprando como um vento restaurador no rosto dela.

Por exemplo, aqui, nós estamos reunidos, nós estamos conversando, nós não sabemos o que vai acontecer nessa conversa, mas eu vim, os senhores vieram também, com a esperança de que venha uma graça durante a conversa.

Nossa Senhora pode nos provar não dando essa graça, mas ela quer a esperança de que venha. Essa esperança é o Reino de Maria vindo e soprando. Não sei se isso está bem claro, acho isso capital.

* Quem perde esse sopro do Reino de Maria é o amor de Deus que está indo embora

Mesmo porque uma das coisas que o demônio faz mais insidiosas, é a pessoa perder esse sopro. Mas a pessoa pensa que está muito correta mas perdeu esse sopro. É o amor de Deus está indo embora, não adianta nada.

De maneira que dou uma importância enorme a isso. É ser fiel ao Reino de Maria que nos chama, porque esse sopro é um chamado. Eu acho que nós deveríamos, todos os dias, nos analisar a esse respeito.

Por exemplo, os enjolrinhas da Saúde. É normal que eles fiquem muito compenetrados, mas pensar o seguinte não é normal: como eles são novatos eles têm a compenetração que eu tinha quando era novo. Isso é uma declaração de falência miserável. É o contrário: quando eu era novinho eu tinha aquilo, hoje tenho muito mais! porque caminhei. Não se tolera outra coisa. Absolutamente.

A ocasião não é má par lembrar isto. Os senhores dirão: “Mas numa noite de prazer…” Toda ocasião de meter uma bombarda no adversário é boa, porque a… [inaudível]. Esse é um adversário com que eu tomo mais cuidado: perde o sopro do Reino de Maria, chamado do Reino de Maria.

* “O desejo celeste para nós não é só o desejo de morrer e ir para o céu, é o desejo de lutar para ter o Reino de Maria na terra”

Tem aquela oração que está na Ladainha das Rogações [Ladainha de todos os Santos]: Ut [mentes nostras ad] caelestia desideria erigas, te rogamos audi nos: Que Vós nos levanteis para os desejos celestes, nós vos pedimos, ouvi-nos. Mas o desejo celeste para nós não é só o desejo de morrer e ir para o céu, é o desejo de lutar para ter o Reino de Maria na terra. Depois ir para o céu.

(Sr. João Clá: …o Reino de Maria deve ter uma continuidade muito grande com Carlos Magno.)

Eu acho.

(Sr. João Clá: …o senhor mesmo quando pela primeira vez na vida tomou contacto com Carlos Magno, quando o senhor viu aquele livro…)

Eu senti o vento do Reino de Maria.

* Como o Reino de Maria será uma sublimação do que foi a Idade Média; o que Carlos Magno acrescentou à Cristandade

(Sr. João Clá: …mas a gente como geração nova… enjolras melhor ainda… não consegue explicitar bem de como o Reino de Maria será sublimação daquilo que foi a Idade Média; o que de Carlos Magno deve ser sublimado. A gente sente mas não consegue pôr em palavras.)

É bem verdade, mas é uma coisa muito difícil de definir, porque uma regra de três pode nos dar uma idéia da coisa, e é a seguinte: o que o reino de Carlos Magno acrescentou à Igreja e à Cristandade como elas eram no tempo do império romano? Que acrescentou? Esse acréscimo qual foi?

É preciso pensar o seguinte, simplesmente: que os grandes doutores e padres da Igreja foram os sinos de bronze, começaram a tocar no começo da história do campanário que é a Igreja, eram homens portanto extraordinários, eles não parecem terem tido a atenção voltada para uma ordem temporal cristã.

No sentido de que eles queriam uma ordem temporal que não tivesse nada contra os Mandamentos, mas eles não se ocuparam de uma coisa construída ex imes fundamenti segundo os Mandamentos.

Quando a gente toma, por exemplo, Justiniano, imperador Cristão, fez as “pandrécktas” e aquelas coisas que são as delícias dos professores da Faculdade de Direito de São Paulo, o senhor aliás cursou a faculdade e sabe disso perfeitamente: o código de direito romano é beberagem até para eles. Compreendo [em] que sentido é, compreendo perfeitamente e até foi incorporado ao direito canônico tudo mais. Mas não é o mundo de Carlos Magno.

O que [é] que Carlos Magno acrescentou àquilo? É quase indefinível, mas ele acrescentou. Acrescentar é sempre dar algo a mais.

* Reino de Maria é a quintessência, a plenitude, o melhor dos melhores do reino de Nosso Senhor Jesus Cristo, o reino do Espírito Santo

A gente poderia dizer que a Cristandade correspondente à antiguidade clássica, está para a medieval como a medieval estará para o Reino de Maria, mas ainda muito mais!

Porque se a gente toma em consideração o que representou a ruína da Cristandade ocidental com a invasão dos bárbaros em comparação com o que é agora! Agora a ruína é muito mais baixa, a gente se pergunta o que resta?! Algumas pedras do edifício.

Agora, se é assim a gente está no direito de se perguntar de que grandeza vai ser o edifício recomposto. Depois o Reino de Maria não é senão a quintessência, a plenitude, o melhor dos melhores do reino de Nosso Senhor Jesus Cristo. O anterior já foi o reino d’Ele, o Reino de Maria é o reino do Divino Espírito Santo. Como é isso então agora?

Quer dizer, é tanto que acho que nós vamos ficar desnorteados. Agora, isto virá na medida em que esse vento soprar em nosso rosto. Há aquela frase da Escritura muito bonita: “Se ouvirdes hoje a sua voz — a voz de Deus — não endureçais vossos corações”.

Eu diria: “Se sentirdes hoje o seu vento não desvieis vossas faces”. Porque é assim. É desse vento que nós vivemos, com ele é que nós progredimos, sem ele nós… — lembra-se de uma reunião que fiz há pouco tempo atrás dos dois profetismos — nós não podemos, é impossível deixar o sopro do profetismo bom sem entrar no profetismo mal. Não há uma terceira posição possível.

* A vigilância que o Reino de Maria exige de nossa parte desde já; o que se poderá se acrescentar ao hábito

Então por tudo isso, por tudo isso, por tudo isso segue que o Reino de Maria exige de nossa parte já uma grande vigilância. A bem dizer nós somos os batalhadores a favor das ruínas sagradas que restam. E nós somos já os jardineiros do primeiro brotinho que se… primeiro, primeiríssimo, em toda sua delicadeza, em toda a sua fragilidade, mas toda a sua pujança.

Por exemplo, o hábito. Eu não creio que no Reino de Maria esse hábito se mude. Poderá ter algum acréscimo…

[Risos]

isso é bem verdade.

(…)

[Narração do Corte número 1]

maravilhosamente e que fica incorporado a nossa fisionomia moral. Eu não posso imaginar que arma possa ter um aspecto tão próprio como o gládio. Eu acho o gládio uma arma lindíssima como forma. Mas ninguém sabe. Quer dizer, essas coisas são muito… a gente não saber, pode estar pensando.

* “Esse tipo de cerimônia como se fez hoje eu não teria nenhum espanto que a hierarquia o incorporasse à liturgia no Reino de Maria”

Por exemplo, esse tipo de cerimônia como se fez hoje eu não teria nenhum espanto que a hierarquia o incorporasse à liturgia no Reino de Maria. Que bonito seria, por exemplo, o realizar essa cerimônia no interior de uma espaçosa catedral, gótica. Que ali mesmo houvesse um altar com o Santíssimo Sacramento exposto e uma imagem de Nossa Senhora.

[Risos]

O que há meu João?

(Sr. João Clá: Não, deve-se compor todo o ambiente…)

[Risos]

E que beleza daria em a gente imaginar começar pela Ave Maris Stella — porque eu imagino que no Reino de Maria todas as orações começariam por uma invocação a Nossa Senhora — depois passar ao Veni Creator, depois o Tantum Ergo, depois não dariam a benção, o Santíssimo ficaria exposto, continuaria exposto e houvesse toda a cerimônia. No fim da cerimônia a benção do Santíssimo Sacramento. Eu me sentiria inteiramente pleno numa cerimônia assim.

Mas então se poderia admitir que muitos lances fossem dados em vista da presença de Nosso Senhor Sacramentado, da imagem de Nossa Senhora. E que debaixo do pálio entrasse no fim o Santíssimo Sacramento. Que coisa magnífica! Magnífica! Assim tantas outras coisas se podem imaginar.

* Incluir nas cerimônias litúrgicas e extra‑litúrgicas do Reino de Maria orações prevenindo os fiéis contra o recomeço da Revolução

Eu por exemplo acho muito normal que em todas as cerimônias do Reino de Maria, litúrgicas, se incluam e portanto também nas orações extra‑litúrgicas, se incluam orações prevenindo os fiéis contra o recomeço da Revolução.

E execrando e maldizendo aqueles que tenham favorecido a Revolução. Por pensamentos, palavras e obras, não basta, e omissões… É verdade que a omissão se inclui no gênero obras, é verdade, mas era bom dizer que é por omissão, por silêncios, por covardias, por meias medidas. Por omissões portanto parciais mas culposas, mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa, ideo précor, etc. Como seria uma coisa boa!

* Exorcistas na TFP e no estilo arquitetônico algo para além do gótico

Exorcismos muito mais freqüentes. Eu não me espantaria que um veio da TFP florescesse em exorcistas. Não me espantaria que Nossa Senhora desse a certo tipo de apóstolo da TFP, ou de camaldulenses, o carisma do exorcismo. De maneira que… [inaudível].

Assim, é difícil imaginar. Mesmo o estilo arquitetônico, para além do gótico o que haverá? A gente não sabe, mas há! Tem que haver. A sabedoria de Deus não parou no gótico, mas Ele se reserva de inspirar outras coisas. Como serão? Nós não sabemos.

Bom! Mas isso é uma divagação… eu estou espantado que o Amadeu foi pegar um remédio para mim em casa, preciso tomar antes de dormir, e está levando cinco eternidades para vir. Quanto tempo se leva à noite daqui para casa, quinze minutos no máximo, não é? Quando estou em jogo, todo mundo, por mais fiel que seja, demora meia hora para ir da Sede do Reino de Maria até em casa. Daqui até em casa não sei quanto tempo leva.

(Sr. João Clá: Nossa Senhora quer prejudicar o senhor e nos beneficiar…)

Olha a afabilidade… essas são as gentilezas do tempo do Reino de Maria.

[Risos]

(Sr. João Clá: Chegou o Sr. Amadeu.)

Viva meu Amadeu, entra aqui.

Bom meu Guerreiro, diga, você ia fazer uma pergunta qual era?

(Sr. Guerreiro Dantas: O Sr. João Clá tem inúmeras perguntas engatilhadas…)

(Sr. João Clá: Depois da sua é capaz de eu me lembrar de alguma…)

Então você faz uma e ele faz outra, está acabado.

(Sr. Guerreiro Dantas: …a gente sente que Carlos Magno…)

[O Sr. Dr. Plinio fala baixinho com Amadeu]

Meia, meia. O Amadeu está sabotando aqui, ouviu…

Mas o que [é] que é meu caro Guerreiro.

(Sr. Guerreiro Dantas: Depois parece que o Sr. João Clá teve um “flash” muito forte a respeito de Carlos Magno…)

Ah que ele nos conte a visita dele a Aix-la-Chapelle agora, isso seria bom.

(Sr. João Clá: Assim que o senhor for deitar eu conto para ele…)

[Risos]

* Com Carlos Magno ficou batizada a ordem tmporal e isto completou a fisionomia da Igreja magnificamente

(Sr. Guerreiro Dantas: …que Carlos Magno acrescentou a Justiniano, a gente sente que acrescentou, mas há uma dificuldade para nossas mentes em exprimir…)

Eu acho que estava sem dúvida na doutrina da Igreja como numa mina subterrânea da qual se vão tirar as pedras preciosas, estava sem dúvida na doutrina da Igreja que o Estado, a ordem temporal não é viável sem o sobrenatural.

E que o fundamento do poder temporal é o fato de ser conforme a ordem sobrenatural. E que o poder temporal não tem como missão apenas organizar bem a ordem temporal para os homens praticarem a virtude, mas tem como missão promover a virtude, fazer apostolado.

O senhor toma o código de direito canônico e quase não se percebem traços disso nele.

Então os imperadores romanos, convertidos, não aparecem como dilatadores da fé. Nem garantidores da liberdade dos sacerdotes, dos Apóstolos de irem expandir a fé nos países pagãos. Nada disso aparece.

Aparece apenas que eles mantêm a ordem natural, a qual como é consagrada pelos Mandamentos, é também conforme os Mandamentos. Mas o poder imperial não é um poder sagrado ele, sacrossanto.

Com Carlos Magno é diferente, o papa coroou Carlos Magno Imperador, é um poder portanto que vem da ordem natural mas que a pessoa escolhida naquela hora para ter aquele poder é o papa.

Mas há mais, é que o império romano assim como o papa instituiu, não é um império que vem da ordem natural, vem dele como papa que instituiu uma superestrutura, jurídica, que pela ordem natural das coisas não tem que existir, não é contrário à ordem natural mas não é imposta pela ordem natural.

E o poder imperial ficou sagrado na sua própria substância, como mais ou menos um homem que é batizado e que fica bento na sua própria substância.

Com Carlos Magno ficou batizada a ordem temporal, deu numa ordem sagrada. E isto completou a fisionomia da Igreja magnificamente. Antes não havia, havia uma ordem reta mas…

Vamos dizer, por exemplo, a Igreja se esforçava contra a escravidão. Mas era porque a escravidão — não é diretamente contra o direito natural — mas é um estado imperfeito. Então ela queria fazer cessar aquilo. A Igreja é benéfica, benfazeja por natureza, queria fazer cessar aquilo que é pesado para um escravo, a Igreja fazia cessar.

Mas a idéia de que o Estado tinha obrigação de fazer aquilo para servir a missão de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma idéia que deita lampejos vagos antes. Depois da Idade Média a idéia é raiz. Ou seja, o “tal enquanto tal” floresceu, desabrochou com Carlos Magno. É muito bonito.

* Carlos Magno: um gigante cuja força tinha o símile no tipo de graças que ele recebia, graças da truculência

(Sr. Guerreiro Dantas: …o senhor poderia comentar os atributos morais de Carlos Magno, caráter dele, tocado por essa graça da Igreja, como assim a arquitetura de algo dele ficava meio sagrada também.)

Carlos Magno tanto quanto eu o imagino era um homem que era assim: uma potência da natureza. Um homem que tinha uma plenitude natural extraordinária: gigante de corpo, gigante de alma, batalhador… e, aliás, pela história ele era mesmo, ele não era desses imperadores que ficam na retaguarda dirigindo a batalha, não, ele ia para frente e sentava a espada nos maometanos, nos bárbaros, pagãos, etc., etc., ali diretamente, era ele.

Nesse ponto, portanto, ele era um gigante. E essa força tinha o símile no tipo de graças que ele recebia, as graças dele eram essas graças da truculência, ele levava seu pensamento até o fim, até as últimas conseqüências, cobria uma esfera de pensamento enorme.

Sabem que dizem alguns que ele não sabia ler e escrever, mas quando chegava aqueles concílios ele discutia teologia com os bispos e levava à parede. E muitas vezes o concílio recuava por causa dele. Mas não é porque ele era Imperador e impunha, não, é porque ele persuadia.

Quando alguma coisa andava desorganizada na Igreja ele chamava, passava pito nos bispos, depois mandava contar para o papa: tal coisa assim eu vi errado, olha aqui, é preciso fazer de tal jeito, tá tá tá… E ele punha nos eixos.

Mas, ele ao mesmo tempo promovia literatura, arte, a cultura toda, bibliotecas. Ele continha um mundo dentro de si.

* Carlos Magno sacro o “Irmensum” sacro e batizado que fez brilhar aos homens uma luz que até hoje não assimilaram inteiramente

Agora, eu acho que ele fez brilhar aos homens uma luz que eles levaram séculos para assimilar, séculos para assimilar. E até hoje não assimilaram inteiramente. Que vem da máscula e coruscante reciprocidade, intervalência dessas coisas. Que faziam dele um…

Sabem que os germanos adoravam — todo livrinho de história conta isso — adoravam um carvalho sagrado que eles consideravam que punha as raízes até o centro da terra, chamado Irmensum. Carlos Magno mandou arrasar o Irmensum. O Irmensum era ele! Isso era ele, não precisava daquele ser vegetal, ele era o Irmensum. Mas o Irmensum sacro, batizado, no qual tinha pousado a pomba do Espírito Santo. Uma outra coisa que não era o Irmensum dos bárbaros, que servia para enforcar gente, pendurar gente enforcada.

E você meu João no que pensa?

* A natureza porque espelha o homem espelha a Deus; Carlos Magno um espírito Universal que imitava a Deus no todo

(Sr. João Clá: … o que há de belo da Providência escolher um homem como modelo de toda Cristandade. Origem de tudo que veio depois e não por um movimento difuso da graça sem haver um que simbolizasse tudo isso.)

Muitas meditações que a gente faz sobre Deus são incompletas e que a gente não ama tanto quanto podia porque não toma em consideração o seguinte: sempre que a gente adora Deus, admira a Deus, para compreendê-Lo inteiramente é preciso lembrar que as coisas da natureza inanimada, ou animais, plantas, etc., etc., que a gente admira tanto, como obras de Deus espelham a Deus, é verdade.

Mas, espelham mais diretamente o homem. E porque espelham a Deus espelham o homem. Mas se quiser é também porque espelham o homem espelham a Deus.

Então você toma por exemplo um pássaro, uma gaivota por exemplo, uma gaivota naquele modo… A gente poderia dizer assim: todos os gêneros de bichos que atacam representam alguma pulcritude da luta e do ataque.

Por exemplo a gaivota quando ataca representa certo gênio do espírito humano para atacar que é diferente por exemplo da cobra que ataca, ou do leão. Mas há homens gaivotas, há homens cobra, há homens leão.

Mas o que a gente diz do ataque pode dizer também da ação, do operar, do agir, pode dizer. Então há homens que agem à lá boi. Agora, há homens que agem à lá [termita?], apodrecendo as madeiras dentro das quais se põem. E daí para fora, todas as formas de ação tem homens que se lhe parecem.

Com o que parece um espírito universal assim como Carlos Magno? Deus.

[Exclamações]

Que pode ser admirado enquanto criador, enquanto ordenador, enquanto… [inaudível]…, etc., etc., etc. A universalidade do Irmensum, digamos assim que ele deitava raízes na própria ordenação geral do universo.

Certos homens que aparecem tem um talento muito vário, então sabem música, sabem isso, sabem aquilo… [inaudível]. Esses indicam Deus enquanto num pensamento simplicíssimo conhece perfeitamente bem tudo aquilo que faz e sabe ainda muito mais, tudo que Ele poderia fazer, porque é infinito.

Agora, Carlos Magno não é desse gênero, ele não imitava Deus num ponto, ele imitava Deus no todo, como totalidade.

Não sei se há outra pergunta.

(Sr. João Clá: Os enjolras podem fazer uma também.)

Eu vi uma pergunta esvoaçar aí, tímida, e voltar ao ponto de partida.

* Como desde menino o Sr. Dr. Plinio começou a lutar; comentando uma foto dele próprio vista na sala do Sr. João no Praesto Sum

(Sr. Luis Francisco Beccari: … O senhor comentava que desde que abriu os olhos para a vida por assim dizer começou a lutar. Também poder-se-ia dizer que o sopro profético do Reino de Maria desde o momento em que o senhor abriu os olhos começou a bater no rosto do senhor. Isso desde o modo da Senhora Dona Lucilia acariciar o senhor, o modo dela tratá-lo, etc., como esse sopro foi batendo no rosto do senhor.)

Isso é muito difícil de comentar…

Tem lá…[Foto do senhor Doutor Plinio menino no quarto do Sr. João Clá, no Presto Sum, [viu] quando foi colocar o hábito.] … uma coisa que ignorava.

(Sr. João Clá: Todo mundo ignora, só eu estava lá.)

[Risos]

Mas olha a risada geral, hein?!

[Risos]

Bom! Eu vi ali a fotografia de um menino, eu entrei dei com os olhos.

* Posto no deleite da retidão ‑ fruto do ambiente criado pela Sra. Da. Lucilia ‑ pronto para a luta: “quem vier perturbar é um agressor”

A fotografia de um menino que ainda não tinha aberto os olhos para a vida. E assim, olhando, a impressão que eu tive era de um menino, no seguinte sentido da palavra — não qualquer sentido da palavra, mas sentido especial da palavra que vou dizer agora — perfeitamente bem instalado na vida.

No seguinte sentido: que é um menino medianamente forte, mas com pano para manga e posto nas condições em que ele vivia e achando que aquelas condições eram boas, direitas e que correspondiam à ordem reta dele.

Ele estava na ordem reta dele e aquilo convinha. O que era o fruto do ambiente criado por ela. É preciso notar muito, era apenas a retidão, mas era o deleite dentro da retidão. Aliás, a Fraulein concorreu muito para isso.

É uma qualidade que os alemães tem, eu não vi nos outros povos, é de insistir muito sobre o deleite na retidão, procurar apresentar a virtude não apenas como fruto de uma batalha ingrata. É! Mas não é só isso. Mas é uma coisa que adquirida dá o deleite, dá a vida saudável, forte e truculenta. O que o “heresia-ranca” não gosta de considerar nunca!

Mas a gente vê que qualquer coisa que fosse travar aquilo encontraria nesse menino uma resistência correspondente. Porque se eu estou bem aqui e não tem nada, está tudo direito, está conforme a razão, conforme a natureza das coisas e conforme a mim, quem vier perturbar é um agressor.

E a gente vê lá que é um menino alimentado e de saúde bem cuidada pela família, isso se vê. A gente percebe — não percebe luxo — mas percebe o cuidado da família em educar o menino. Isso a gente percebe. E que portanto tem os recursos para reagir. Então daqui há pouco vai começar a batalha.

Então no que consiste a primeira coisa? O começo da batalha não consiste em revidar fortemente o inimigo. Consiste em construir uma fortificação antes do inimigo chegar. E essa ali, quanto cabe na alma de um menino de uns oito, dez anos, não sei bem que idade eu tinha ali, estava feita.

* Determinação diante de quem pratique o mal de má fé: “o porrete pernambucano está ali ao alcance, quando vier a primeira ocasião…”

Depois eu já noto ali minha determinação: o que eu vi como bom é claro para todo mundo que é bom, porque eu sou igual a todo mundo, logo todo mundo é igual a mim.

E o que eu cheguei a ver que é bom todo mundo tem obrigação de ver que é bom. O que eu cheguei a ver que é ruim todo mundo tem obrigação de ver que é ruim. E se aquele sujeito tem tal coisa, tal coisa de errado não me venha com lorota que é um coitado porque não viu, porque não é verdade, ele está de má fé. Portanto o porrete pernambucano está ali ao alcance, quando vier a primeira ocasião… Tudo pronto!

Não sei se minha resposta responde a sua pergunta.

(Sr. Luis F. Beccari: Sim.)

Bem meus caros, falta-me apenas …

(Sr. Andreas Meran: “Pugnemos pro Domina!”)

Meu Andreas, na próxima cerimônia se falarem em francês, em inglês, fala‑se também deutsch

[Risos]

Eu vou dizer, ainda que os brasileiros não entendam alemão eles entendem o que for, porque… Não precisa tradutor não, eles pescam, o que você tiver que dizer eles pegam.

(Sr. Andreas Meran: …o alemão é língua boa para falar na intimidade…)

Ah ah ah! O alemão falado com pronúncia austríaca… certamente uma boa língua para intimidade… Mas outros gêneros de alemão só para vida pública, para… [inaudível].

Mas, enfim você ia fazer uma pergunta, aqui na intimidade…

* Um menino formado pela Sra. Da. Lucilia para perceber o caráter sagrado da instituição temporal

(Sr. Andreas Meran: …no menino que o senhor comentou transluz o sobrenatural na ordem temporal, mas sem ter havido sagração como no caso de Carlos Magno…)

Por exemplo, olhando aquele menino — olha que eu admiro muito, até sei que minha posição não é muito partilhada aqui — mas eu admiro muito o estado sacerdotal. Muito! E tenho na mais alta…

[Risos]

eu tenho a mais alta reverência ao estado sacerdotal, mas a mais alta! Mas eu tenho certeza que não passaria pela cabeça de ninguém ver a fotografia daquele menino e dizer: “esse dá para padre”.

Não dá, nem um padre olhando para aquilo diria: esse menino precisa entrar para o seminário. E nunca nenhum padre me convidou para ser padre. Nem me convidou para seminário, absolutamente não.

Por quê? É porque no modo de … — Mamãe era muito assim, ela considerava muito assim a ordem temporal por uma tradição que ela tinha recebido, mas que era acrescida da ordem, da idéia, enfim de toda elevação de alma própria a ela.

E ela criava muito ambiente para essa idéia — eu já tenho exposto aqui — numa palavra só, mas que no Brasil um país sem nobreza, mas que havia famílias como que nobres no Brasil. Em que essas famílias como que nobres, a evolução delas, normal, é de se tornarem nobres. E que a condição de nobre é na sua essência uma condição temporal sagrada. Na sua essência.

* Decair desse ambiente onde cada um se respeitava como portador de algo de sagrado era como um padre que deixava a batina

O nobre é sagrado por algo de parecido com aquilo que torna sagrado o rei, depois da unção real.

Então, a idéia, por exemplo, de decair dessa condição se apresentava — ela não dizia assim, mas era o ambiente que ela criava — se apresentava como uma espécie de apostasia, como um padre que deixa a batina.

E obrigava um respeito de o individuo ter consigo mesmo, como se ele fosse uma terceira pessoa para consigo, como se ele tivesse dentro de si um plebeu admirando‑o enquanto nobre. Assim o nobre deveria admirar‑se a si próprio.

Agora, daí a idéia de uma ordem temporal sacral vinha facilmente. Mas facilmente.

Por exemplo a idéia de que a família era uma instituição fundamentalmente religiosa e baseada no sacramento, ela sabia que era mas não formulava isso assim, formulações técnicas não eram as dela. Mas o modo dela comentar uma família pobre, modesta, quando era uma família digna, ela comentava de um modo que a gente via que aquilo era sagrado.

Por exemplo o interior de um lar constituído segundo essa tradição, por mais modesto que fosse, era um assunto seríssimo, respeitável, etc., por causa desse caráter sagrado que era um todo na instituição temporal, na concepção dela. E sem ela me dizer isso assim de modo tran‑chãn, eu percebia que era.

* Como essa formação preparou ao Sr. Dr. Pinio para conhecer Carlos Magno e o próprio Marquês de Carabáz

Lembro quando eu conheci Carlos Magno num panfletozinho de estação, eu estava ultra preparado para isso. Por exemplo o Marquês de Carabáz era um homem sagrado. A carruagem em que ele andava tinha qualquer coisa de um andor de procissão. E ia daí para fora.

O senhor pega mesmo, o senhor já viu, o quadro da mãe dela, é uma senhora bonita e faceira, mas que tem para consigo mesmo um certo respeito como portadora de algo de sagrado. O jeito dela é esse.

De maneira que aí vai.

(Sr. Andreas Meran: …isso é do passado, mas o que vem…)

Eu tive a tradição portuguesa, não é…

(Sr. Andreas Meran: …o algo a mais que veio.)

Não é fácil dizer, porque…

(…)

* Na visão sacral de todo o universo estava a superioridade da Sra. Da. Lucilia sobre os outros membros da família

em geral ninguém tem. De maneira que não é dizer… vamos dizer, no que ela era superior aos outros membros da família, inclusive à mãe dela?

É que ela levava isto ao extremo ponto, ao extremo ponto. Enquanto os outros têm disso uma noção vaga ou não tinham nenhuma. Eles consideravam a proeminência deles uma tradição rançosa que ia cessar com o progresso. E não tinham nenhum empenho que continuasse. Era esse o estado de espírito deles.

Agora, a concepção dela tinha algo de mais rico nisso do que das pessoas anteriores a ela, que fossem fiéis à linha dela? Eu acho que em algo sim, que ela tinha uma concepção invulgarmente sacral de todo o universo. Um modo de sentir o universo invulgarmente sacral. E ela… [inaudível] … — então essa idéia da família como um ponto dentro de um firmamento muito maior, ela não era nenhum pouco obcecada por essa idéia, é uma idéia entre outras, é natural, sadio.

* A Sra. Da. Lucilia vivia meio voltada para uma concepção sobrenatural do universo que será característico do Reino de Maria

E, com isso, eu acho que ela estava meio voltada para uma concepção sobrenatural do universo que será característico do Reino de Maria.

Meus caros… Vamos nos permitir de nos [despedirmos] pessoalmente…

[Orações]

Que beleza de fotografia.

[Talvez se trate de uma foto da Sagrada Imagem]

(Sr. João Clá: Do Canadá. O senhor a quer aqui ou na sala da Destra de Maria?)

É só vendo um pouco aqui e na capela, ela ficaria muito bem ali, atrás do trono.

(…)

Aquela se quer bem apenas pelo lugar que ela tem preenchido.

(Sr. João Clá: Ela já está muito desbotada.)

É, não é nem de longe essa. Seria majestosa, magnífica! Eu gostaria de amanhã cedo me lembrarem para experimentar um pouquinho e formar uma idéia, mas tenho todas as simpatias para pô‑la aqui. Maravilha.

Aliás, nunca vi fotografia desse tamanho em minha vida. Agora ajudam o meu bom João a dobrar isso, eu já vou começar os cumprimentos.

*_*_*_*_*