Conversa de Sábado à Noite (Êremo de São Bento) – 21/11/1981 – [AC V 81/11.15] – p. 17 de 17

Conversa de Sábado à Noite (Êremo de São Bento) — 21/11/1981 — [AC V 81/11.15]

Nome anterior do arquivo: 811121--Conversa_Sabado_Noite__b.doc

À medida em que a rejeição vai crescendo, as punições da Bagarre vão proporcionalmente aumentando” * “Na economia da família dos bons algo que os preserva em alguma medida da ação erosiva do extremo do mal” * O caráter simbólico da “Mensagem”: nos torreões da Revolução flutuará os estandartes da TFP * A publicação da “Mensagem” como um exorcismo que diminui o ímpeto da Revolução * O caráter “tal enquanto tal” da “Mensagem” que manda o “Ralliement” pelos ares * A impressão de que desde o começo da Revolução Deus tenha dado as costas ao mundo e à sua própria Contra‑Revolução * Para estes que finge abandonar, Deus reserva seus melhores prêmios e sua maior glória; ex. de Nosso Senhor na Cruz * A glória da TFP durante os anos em que Deus pareceu abandoná‑la * O tipo de glorificação da mais perseguida das organizações que é a TFP; ex. businadas enquanto o Sr. Dr. Plinio atravessa a rua de muletas * Do porão da Rua Imaculada Conceição a proclamar nas mais altas torres do adversário um fogo de artifício que explode para o mundo * O valor da publicação: qualidade, a Europa; quantidade, a América do Norte; na ordem do futuro, a América do Sul

Índice

* _ * _ * _ * _ *

* “À medida em que a rejeição vai crescendo as punições da Bagarre vão proporcionalmente aumentando”

(Dr. Edwaldo Marques: A medida em que vai se aproximando a “Bagarre”, o senhor dizia que muita gente ainda ficaria mais córnea e não iria ceder aí à ação da graça. Se o senhor pudesse dizer se é assim ou não? Se o senhor pudesse falar sobre isso… E se os horrores da “Bagarre” vão aumentando à medida em que rejeição vai crescendo.)

Isso eu acho é certo!! À medida em que a rejeição vai crescendo, as punições vão proporcionalmente aumentando, é certo! A tal ponto, que eu considero que já no tempo que nós cogitávamos da Bagarre, começávamos a conversar sobre a Bagarre, já nesse tempo eu tinha como certo que uma pequena minoria, uma pequena proporção de pessoas se salvaria.

Agora eu acho que — não se pode dizer propriamente que essa proporção diminuiu, mas que — o pessoal que se perde, irá muito mais fundo do que se a Bagarre tivesse sido há alguns tantos anos atrás, dez anos atrás, vamos dizer.

Mas eu acho que já estavam tão ruins que a perdição era uma coisa que, salvo desígnios ocultos da Providência, era uma coisa… a salvação quero dizer, de todo em todo improvável.

* “Na economia da família dos bons algo que os preserva em alguma medida da ação erosiva do extremo do mal”

Agora, o senhor me dirá: “Mas isso não trará uma redução do número dos bons? Porque se há uma piora dos maus, a mesma ação que leva os maus a piorar, é próprio a ela levar muitos bons a piorarem também”.

Eu digo: é verdade, mas acontece que os bons e os maus aqui, constituem como que famílias. Também é certo que aumenta em algum sentido a família dos bons. Quer dizer, aumenta o mérito da família dos bons e que o prêmio deles, se permanecerem fiéis, será muito maior do que o prêmio que teriam se eles não permanecessem fiéis, a despeito de tantas coisas. O que segura muitos bons nos bordos do abismo. Eu dou um exemplo e o senhor terá uma idéia bem clara disso:

Os senhores imaginem a TFP há dez anos atrás. Há dez anos atrás, tudo quanto é vida eremítica, vida camaldulense, eremita itinerante, tudo quanto é resistências fora, tudo isso era muito mais frouxo. O mérito da resistência naquele tempo era um mérito menor, porque eram menores os obstáculos e a TFP tinha sido obrigada a desenvolver menos generosidade em face dos fatos. É claro!

É claro que se vier a Bagarre agora, os que resistirem, terão um prêmio muito mais alto. Isto forma, na economia da família dos bons, algo que os preserva em alguma medida da ação erosiva do extremo do mal.

(Dr. Edwaldo Marques: Os bons aí teriam que se definir em função da Causa de Nossa Senhora.)

Em função da Causa de Nossa Senhora.

Uma pequena coisa…

(…)

imprensa do século e tudo o mais. Isso tem o seu mérito. E isto é preciso a gente considerar também, para fazer um peso, uma avaliação exata dos fatores.

* Aceitar o símbolo do profetismo para rejeitar o contrário

(Dr. Edwaldo Marques: O pessoal de fora tem que se definir em função do profetismo.)

Eu acho que é um elemento, pelo menos muito sensível isso. Porque se quem tem a graça do profetismo deve simbolizar o que profetiza, na medida em que se aceita o símbolo, se rejeita o contrário. E a rejeição do contrário não se esgota na descompostura contra o contrário, — coisa sempre excelente, sempre excelente — mas não se esgota na descompostura contra o contrário, mas na aceitação do símbolo. É o desenvolvimento harmônico das coisas, é o desenvolvimento integral das coisas, é esse.

E então, eu sou levado a achar que neste sentido, pela propulsão que eu acabo de aludir, a TFP tem crescido, graças a Nossa Senhora, espantosamente.

* O efeito das cerimônias em Amparo enquanto símbolos da TFP

Como aqui não estão os “enjolras” nem nós estamos no São Bento, a gente pode dizer: Eu tive ocasião de verificar, nos que foram para assistir os desfiles, as comemorações do Êremo do Amparo de Nossa Senhora, sobretudo, pela primeira e segunda vez, qual foi o efeito que essa cerimônia realizou sobre eles. Foi um efeito esplêndido, mas no sentido de dar vida às coisas que estavam mortiças, comprometidas — não quero dizer de todos, mas de muitos — de muitas maneiras, fazendo estremecer a TFP inteira. Eram símbolos da TFP.

Nada daquilo que é simbolizável e foi simbolizado, pode ser amado com postergações do símbolo. É uma regra inteiramente óbvia.

Então, eu acho que debaixo desse ponto de vista, nós temos muito que agradecer a Nossa Senhora, realmente. Neste sentido, há uma cota de mérito que vem das graças que Ela nos obtém. Sem Ela tudo isso seria fantasia, quimera, zero! Mas que Ela nos obtém e que representam elementos para um prêmio muito maior.

Por exemplo: temos aqui só os de São Bento, Praesto Sum e congêneres, ou não?

(Sr. –: Sim.)

Podemos falar então.

* O caráter simbólico da “Mensagem”: nos torreões da Revolução flutuará os estandartes da TFP

Se se levar a cabo, como nós desejamos, as publicação da “Mensagem”, ela não deve ser vista apenas como uma obrigação imposta a muitas pessoas, de engolirem umas tantas verdades que elas não vão ter coragem de não ler, não é isso. Ela tem muito o caráter do seguinte:

Nos torreões da Revolução que são os instrumentos de publicidade, que ela ergueu como torres para serem vistas pelo mundo inteiro, nesses torreões flutuará o estandarte da TFP!

Não há dúvida possível a esse respeito, não há dúvida!

E assim como nós ficamos afrontados e indignados e com não sei com quantas vontades de quanta coisa, sabendo que houve gente que pendurou a bandeira comunista nas torres de Notre‑Dame, — embora fosse passageiro — aquela cicatriz ficou na história da incomparável catedral, assim também as “Notre‑Dames” deles são essas coisas que eles armaram. Isso ninguém pode negar, entra pelos olhos.

E se é assim, então não há menor dúvida de que se dará uma glória a Nossa Senhora, mas uma glória especial, como por exemplo, o seguinte:

* Com a publicação mundial da “Mensagem” ressoará um carrilhão marcando a história do regime soviético com uma cicatriz irremediável

Os senhores sabem — e era uma coisa linda — que quando nascia um czarewitch, ou seja, o filho primogênito do Czar, o futuro Czar, se tocava um sininho velho, de uma capelinha interna do Kremlin; — que as tinha muitas — então os sinos das várias capelas e igrejas do Kremlin começavam a tocar e depois se espalhava pela Rússia inteira, tocavam todos os sinos, tocavam.

Os senhores imaginem que nós conseguíssemos fazer tocar esses sinos…

(…)

espalhasse pela Rússia soviética e depois cessasse.

Fosse apenas um jogo, um artifício. Os anjos do Céu “gaudiariam” e seria feita uma coisa que marcaria com uma cicatriz irremediável a história do regime soviético. Não tem conversa. Esses são os fatos históricos imponderáveis, aos que os historiadores e escritores superficiais não dão importância, mas que de fato tem uma importância muito grande e, esses fatos históricos repercutem no mundo inteiro.

Agora, os senhores imaginem: jornais da principal imprensa norte‑americana, ou seja, do lado volume, do lado informações, do lado propaganda, do lado irradiação da imprensa mais poderosa do mundo; — os senhores imaginem nos órgãos dos principais, em todos os países da Europa Ocidental — depois o carrilhão da América do Sul tocando en consequence, e os senhores podem imaginar o que isso representa.

* A publicação da “Mensagem” como um exorcismo que diminui o ímpeto da Revolução

Se a fórmula de um exorcismo é uma pancada no demônio, eu acredito bem que Nossa Senhora quererá, na Sua benignidade, atribuir o valor de um exorcismo a publicação dessa “Mensagem”.

E os senhores não imaginem, que com isso, nem creio que imaginem, — estou falando em tese — não imaginemos com isso que daí decorra que o ímpeto da Revolução diminua. Eu até ficaria muito desapontado se diminuísse. Eu creio [que] o ímpeto da Revolução redobra, como o furor de um touro que levou uma banderilla. Mas de um modo ou de outro a banderilla ele tomou, e até o fim da luta ele vai sangrar [naquela?] [com aquela] banderilla.

Isso é preciso tomar em consideração.

Então, assim, de um modo geral, está isso dito. Não sei se meu caro Edwaldo Marques, meu M. F. [Marcos Fiúza ?], meu caro… ou menos caros outros, querem fazer alguma pergunta sobre ou outro tema.

(Sr. M. F. [Marcos Fiúza ?]: Na linha do que o senhor disse hoje no chá, que Deus estava ausente dos acontecimentos, tinha se afastado, pergunto se com esta publicação o senhor tem esperança de que modificaria algo nesse panorama?)

Não é propriamente dizer que eu teria esperança de modificar, que modificasse. Eu acho que significa que Deus modifica.

Eu não quero dizer, com isso, que modifique assim à maneira do pontilhado de, por exemplo, a reticências, uma série de pontos. Pode ser um ponto e parar, e depois voltar à aparente inércia. Mas isso ficou feito! Ficou feito e ficou feito, está acabado! São desses “flashes” da História.

Mas um “flash” assim, eu creio que desde que a Revolução começou…

[Exclamações]

* O caráter “tal enquanto tal” da “Mensagem” que manda o “Ralliement” pelos ares

Por exemplo: quando nós, quando nós estudarmos juntos a “Mensagem”… já devem ter visto até que ponto a “Mensagem” é “tal enquanto tal”!

Com muita prudência, fazendo falar Satanás, quer dizer, com citações de Satanás, fazendo‑o falar, mas o Ralliement vai pelos ares. E a tal famosa alternativa que perdeu o mundo burguês: “Eu posso ser patrão e não quero ter rei”, essa alternativa vai pelos ares.

Ora, está intrínseco no espírito da TFP o contrário. Patrão você deve ser, digo, patrão você pode ser e deve ser. Mas em coerência disso você deve querer ter patrão. E o patrão dos patrões chama‑se Deus.

Eu não quero nenhum pouco com isso dizer que as formas de mando que existiram já antes da Revolução sejam ilegítimas, isso já está ultra batido entre nós. Cidades livres, Suíça, já está sabido, eu reafirmo. Mas não estava subentendido na estrutura dessas organizações que, habitualmente, o patrão podia não ter superior. Eram situações excepcionais, etc., como posso compreender que num caso ou noutro excepcional, até uma fabriqueta seja autogestionária. Isso eu posso compreender. Como exceção, eu já disse várias vezes, como exceção muitas coisas dessas se compreendem. Como regra, de nenhum modo.

* A faca da “Mensagem” que entra até a copa nos países católicos e especialmente na França

E a “Mensagem”, parecendo não perceber bem até onde afunda a faca, entra até a copa. Mas sobretudo na França onde ela deve sair, — nos países de maioria católica — onde ela deve sair com um clichê com a capa da RCR. Edição francesa na França, que se lê: Avec un préface… D. P. H. O. B. [Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança], quer dizer, uma coisa! Que a esse propósito Nossa Senhora tenha no Céu Dom Pedro Henrique. Mas é assim.

Agora, os senhores imaginem. Nos países de maioria protestante é prematuro a gente lançar a RCR desta maneira, que é uma coisa… é o estraçalhamento. Então, Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha, nós vamos pôr a mesma fotografia, mas do “Livro I” em inglês, edição inglesa, fica um livro sobre a TFP que eles podem encomendar, podem querer ler, encomendar, é mais um modo de fazer propaganda. É claro que vamos aproveitar essa ocasião até o último grão, nem preciso dizer isto aos senhores.

Mas a coisa se põe nesses termos, que nos países católicos, entra a faca, portanto, até a copa, porque a RCR é a ilustração do que está dito a respeito desse ponto. De maneira que eu considero que é uma espécie de ruptura. Sim, nós estamos há dois passos disso, mas os dois passos não foram dados. E enquanto não foram dados, não podemos falar como se tivessem sido dados. Nós devemos rezar, devemos pedir para que sejam dados, etc., etc., mas não foram dados.

Se eles forem dados, se rompe o seguinte, que está na linha do que eu conversei com os senhores hoje à tarde no lanche. Não sei se o senhor contou o lanche?

(Sr. –: Ainda não.)

* A impressão de que, desde o começo da Revolução Deus, tenha dado as costas ao mundo e à sua própria Contra‑Revolução

Em duas palavras muito sumárias, o que conversei no lanche foi o seguinte: O Sr. L. ou o Sr. A. S. [Armando dos Santos ?] me perguntaram o que é que eu consideraria um acontecimento propriamente bom, o que precisava acontecer para um fato ser considerado por mim propriamente bom e até esplêndido, como é que qualificava isso.

Eu disse: para mim não é natureza do fato, mas é o significado do fato. Há algo por onde se tenha a impressão que, desde o começo da Revolução até agora, Deus, em alguma medida voltou as costas ao mundo e que, em alguma medida voltou as costas para sua própria Contra‑Revolução.

É uma coisa terrível. E voltou cada vez mais as costas para o mundo. Isso tinha uma repercussão, tem uma repercussão na TFP, que os senhores devem sentir dolorosamente e que é a seguinte:

A TFP, com uma porção de razões para ser uma bandeira desfraldada na mais alta das torres, à vista de todas as gentes; a gente considera o estandarte e vê que ele tem tudo para isso, considera nossa torre e vê que ela tem toda altura para isso. A gente hasteia o estandarte e tem a impressão de que há uma qualquer imobilidade de Deus, por onde os maus podem passar impunemente fingindo que não vê.

* Para estes que finge abandonar, Deus reserva seus melhores prêmios e sua maior glória; ex. de Nosso Senhor na Cruz

E é propriamente o de onde vem uma tentação ao longo dos anos, e é a tentação da perseverança na esperança, quando a coisa não vem, não vem, não vem. E a pessoa começa achar que Deus voltou as costas, ou que, ou que, ou que. E que, pelo contrário, é preciso entender que Deus, por assim dizer, toma nos braços e oscula aqueles a quem Ele finge abandonar. E que é para estes que Ele reserva os seus melhores prêmios, os seus melhores carinhos.

Mais ainda, a sua maior glória!

Uma prova augusta disso, divina, é Nosso Senhor Jesus Cristo na Paixão. Para quem vê as coisas superficialmente, Nosso Senhor teve, entre outros momentos, um momento de glória muito grande, aos olhos dos homens, quando Ele ressuscitou Lázaro, porque Lázaro era um homem insigne, era uma espécie de príncipe, rico, de muita projeção, etc., etc… E tudo leva a crer que muitos homens importantes foram ao enterro dele.

Quando Nosso Senhor depois de quatro dias foi ver Lázaro, quatro dias de morto, é certo que havia muita gente ilustre, importante, que estava dando pêsames, enfim, rituais orientais do tempo, etc., etc., relacionados com a morte de Lázaro.

De tal maneira a “fassurada” importante estava lá, que o Evangelho conta que, quando algum dos que estavam lá viram a ressurreição de Lázaro, resolveram matar Nosso Senhor. Quer dizer, eles pertenciam ao status de importância decisiva capaz de mover o povo eleito a matar o filho de Deus. Eram, portanto, homens importantes.

(Dr. Edwaldo Marques: Quiseram matar Lázaro também.)

Lázaro também. Para não servir de testemunha viva e indefinida para isso.

Depois, outra hora em que Ele poderia parecer muito glorificado, é a entrada d’Ele em Jerusalém. É verdade que a entrada d’Ele em Jerusalém foi uma entrada meio de segunda classe, porque foi o povinho que esteve lá e os personagens importantes não estiveram. E o mundo ainda não conhecia a lepra do “populachismo” barato. E quando os personagens importantes não estavam, a mera glorificação do povinho não consagrava uma glória.

Mas deixemos isso de lado, não deixa de ser verdade e, verdade por inteira, que Nosso Senhor ali teve uma glorificação. Na hora em que Ele expulsou os vendilhões do Templo, Ele foi assistido por Deus. Os vendilhões foram expulsos a látego, nenhum resistiu, eles tinham direito de estar ali dentro, nesse sentido da palavra, que os sacerdotes que cuidavam do Templo deram licença a eles de ficarem lá e eles ficaram lá. Eles, portanto, podiam alegar um título contra Nosso Senhor, mas foram embora, etc., etc., etc., teve muitas outras glórias.

Em nenhum momento o papel histórico d’Ele, para quem sabe analisar, é tão marcante e se vê tanto que Ele é, — para usar uma expressão incorreta — se vê que Ele era tanto um homem de Deus, como no momento em que Ele esteve tão chagado, que se pôde dizer: “Transpassaram minhas mãos e meus pés e contaram todos meus ossos”. Ou que se pôde dizer d’Ele: “Do alto da cabeça até a planta dos pés, nada nEle há de são”.

Mas representando a boa causa, representando a Deus, isolado, negado, abandonado, a tal ponto abandonado que Ele clamou em voz alta: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?!”, nesta hora Ele se revelou insigne. E se provas fossem necessárias de que Ele não estava abandonado, bastava essa: Nossa Senhora estava ao pé da Cruz. Não preciso dizer mais nada!

* A glória da TFP durante os anos em que Deus pareceu abandoná‑la

Está bom. Há em relação a eles, aos quais Deus finge voltar as costas, há uma predileção inimaginável, mas que nós vemos mal. E que tolda, empana muitas vezes nosso entusiasmo, nós não compreendemos que todas as glórias da Ressurreição são glórias que decorrem d’Ele ter sido morto, e que o corpo d’Ele ressuscitar glorioso, ressuscitou com uma glória especial porque estava cheio de pancadas. Em cada cicatriz refulge um sol. É evidente, os senhores sabem, todos sabemos. Mas é bom lembrar, pôr em ordem, focaliza as idéias.

Neste sentido da palavra, os anos da TFP em que Deus pareceu abandoná‑la, são anos de uma expressão, de um… [falta uma palavra] …, de uma glória que, debaixo de certo ponto de vista, não se pode comparar com outras etapas. Porque é exatamente a glória do abandonado, do perseguido, é uma glória que é preciso saber entender, é preciso saber interpretar.

Eu sei que os profissionais das vitórias fáceis, dos aplausos, da gloríola, não vêem isso assim, mas eu acho que não temos que falar deles aqui, nem perder tempo em descrevê‑los, cogitar deles, quem é, quem não é, nenhum dos senhores têm avidez disso. Podemos pôr de lado o assunto e continuarmos no nosso tema.

* Se é bonito sofrer os abandonos que Deus quer, é bonito também receber as glorificações que Ele quer; ex. de Nossa Senhora

Agora, não deixa de ser verdade, entretanto, que para tudo há uma medida. E que se é bonito a gente sofrer todos os abandonos que Deus quer, é bonito também a gente receber as glorificações que Deus quer. E que numa e outra emergência, a palavra perfeita é o fiat; faça‑se em mim segundo Vosso desígnio.

E que há para essas coisas, medidas misteriosas que estão fora de nossa sabedoria, mas que a sabedoria divina alcança, a sabedoria divina conhece.

Nessas medidas misteriosas está o quantum da glória do isolamento, do pelourinho e da cruz, de um lado. E a glória do Tabor, do sepulcro que se rompe, da Ressurreição, de outro lado. Mutatis mutandis se aplica para o católico.

Os senhores vêem a vida de Nossa Senhora. Humilhações sem nome, Ela recebe os Reis Magos, mas pouco depois Ela foge com o Filho d’Ela como se fosse um criminoso. O Filho d’Ela é procurado pelo rei do lugar para ser exterminado como se fosse um filho da maldição, Ele que é o Filho da bênção. E Ela foge com Ele como um criminoso para o Egito, montados num burrico e acompanhados de São José.

Mas de outro lado, as glórias, as glórias. As bodas de Caná, quando Ela pede e Ele diz que não chegou o tempo d’Ele. Ela diz: “Trazei os odres”. Bem, e daí para fora até a glória da Assunção e depois a glória da Coroação no Céu. Não temos idéia da glória da coroação no Céu como foi, uma coisa magnífica!

Depois, não é bem verdade que a glória foi, porque os reis dessa Terra põem uma coroa, fazem a festa da coroação, depois tiram a coroa da cabeça e guardam num escrínio, num tesouro, numa caixa, qualquer coisa, e metem a cabeça num travesseiro. Isso está próprio à condição humana.

No Céu não. Nossa Senhora é coroada permanentemente, eternamente, uma coroa que Ela deixa jamais, não há cálculo para isso.

E então, desde que seja na medida em que Ela quer e nas horas em que Ela quer, o mais belo é ser glorificado. Para fazer a vontade d’Ela como deve ser feita.

* O tipo de glorificação da mais perseguida das organizações que é a TFP; ex. businadas enquanto o Sr. Dr. Plinio atravessa a rua de muletas

A Contra‑Revolução teve glórias, ela teve glórias magníficas. O Concílio de Trento foi uma glória da Contra‑Revolução. O Concílio Vaticano I foi uma glória da Contra‑Revolução, a definição do Dogma da Imaculada Conceição foi uma glória da Contra‑Revolução, ela teve muitas outras glórias.

Mas esse tipo de glorificação da mais pisada, perseguida e contestada das organizações da Terra, isso é fora de dúvida. Não há nada de mais pisado entre as várias organizações da Terra do que a TFP. Aquele episódio de eu atravessando de muletas a rua e os automóveis se sentirem no direito de buzinar, quer dizer, sentiram a impunidade de buzinar… e o Sr. Fernando Antúnez viu, eu estava me movendo com destreza possível, eu estava me movendo. Porque se eu ainda estivesse me arrastando com preguiça, seria esquisito, mas enfim, vá lá. Eu estava fazendo a coisa mais depressa que eu podia. E eles viam, qualquer um via que eu estava fazendo o mais depressa que podia.

* Negada ao Sr. Dr. Plinio uma clemência que se tem até para assassinos; uma freira deseja sua morte por ocasião do desastre

É uma proclamação do seguinte: “Qualquer um que passa pela rua se acha no direito de te negar as clemências elementares que se tem para com os últimos homens, para os assassinos, para os terroristas, para os bandidos. Até para com os homens bons se têm essa clemência, mas para com você não!”.

(Dr. Edwaldo Marques: Quando o senhor foi levado para a sala de cirurgia, o senhor [lembra‑se] do comentário que alguém fez lá?)

Não sei não.

(Dr. Edwaldo Marques: “Tomara que ele morra!”.)

Alguém disse isso, é?

(Dr. Edwaldo Marques: Foi uma freira.)

É? Disse isso?! Tomara que ele morra?

(Dr. Edwaldo Marques: Ou algo de parecido, mas o desejo era esse!)

E é uma esposa de Cristo. Mais ainda, de uma congregação religiosa a quem estava confiado o cuidado de minha saúde naquele momento. Quer dizer, se um de nós dissesse isso de um terrorista, se um de nós escrevesse isso de um terrorista, levantava‑se o país contra ele.

Saberem que uma freira disse isso, não tem importância nenhuma. “Coitada da freira, ela tinha razão porque eles contrariam muito os progressistas. Está acabado. E depois, tomara que morra mesmo!”.

* A glória em poder flamear nas mais altas torres do mundo moderno os estandartes de uma organização tão pisada como a TFP

Eu dizia então que uma organização tão pisada, tão negada, Nossa Senhora, de repente, determinará que apareça com seus estandartes nas mais altas torres do mundo moderno… valeria a pena ter nascido só para ter conseguido [ver isso]! É uma coisa evidente! É uma coisa evidente!

Então aqui está um comentário da “Mensagem”, as repercussões… Ó, meus caros! Os senhores têm noção de que são quinze para as duas?

Daqui há pouco precisamos nos retirar, mas enfim, para os senhores terem… aqui está dada uma noção geral.

(Sr. A. M. [Andreas Meran ?]: O senhor comentou uma vez uma frase de Guizot que falava do rei Luís Felipe, que Luís Felipe dizia: “… se poderia fazer quando viesse um profeta para exorcizar um tal demônio, que não se podia enxotar”. Nossa Senhora tinha um desígnio em que o senhor lesse isso logo no início dos trabalhos em Amparo, etc…)

Eu acredito que sim, que a Providência pode ter querido isso, favorecido isso nesse momento, acredito bem que sim.

(Sr. A. M. [Andreas Meran ?]: Agora, em que sentido a “Mensagem” pode ser encarada como um profeta que exorciza esse demônio? Poderia relacionar as duas coisas?)

Posso, de muito bom grado!

* No conjunto de documentos que servem de estaqueamento a Miterrand de uma maneira jamais vista o adversário se compromete

A “Mensagem” tem isso de característico, que eu não conheço um só documento no qual a Revolução… meu caro M. R. D. [Dr. Marcos Ribeiro Dantas ?]! Entre! Meu caro G. D. [Guerreiro Dantas ?]!

Eu estava o tempo inteiro pensando o seguinte:

A reunião está muito de meu agrado, mas que as duas cadeiras vazias me desolavam… Vocês pegam a coisa no ar, está‑se tratando da “Mensagem”.

Então, eu estava respondendo uma pergunta do A. M. [Andreas Meran ?], eu dizia que a Mensagem, eu nunca vi o demônio dizer tão claramente e tão cruamente tudo aquilo que ele não deveria dizer. Há cinqüenta anos que, pela graça de Nossa Senhora, eu estou nessa luta, tenho visto muita coisa. Nunca vi um documento em que o adversário se comprometesse tanto quanto o conjunto de documentos que servem de estaqueamento à encíclica.

[Risos]

Quando a gente está cansado, facilmente troca os nomes…

Ao Sr. M. R. D. [Marcos Ribeiro Dantas ?] e ao Sr. G. D. [Guerreiro Dantas ?] eu dizer: eu estou respondendo uma pergunta do Sr. Andreas Dantas, fazendo confusão de A. M. [Andreas Meran ?] com A. D. [André Dantas ?] As pessoas eu não confundo, mas entraram dois Dantas, eu fiz uma…

[Risos]

Pouco depois eu pensei: “Nem sequer uma encíclica esclarece tanto as coisas quanto o Mitterrand”. Daí saiu a palavra encíclica…

[Risos]

Prosseguindo, acaba sendo que eu não conheço nenhuma ocasião em que o adversário se tenha escarrapachado de modo tão completo. Eu não conheço nenhuma ocasião também, em que tenha sido possível tão completamente escarrapachar. Porque o que ele diz, mas que a imprensa evita de publicar, — os senhores ainda hoje viram na Reunião de Recortes quantas coisas se calam em que eles falam e dizem — aquilo é apontado pela “Mensagem” como o dedo que entra na ferida e remexe.

Mas não se contenta com isso. Remexe e depois chega até o osso. Fura a ferida e chega até o osso…

(…)

* Na denúncia da “Mensagem” uma especial glorificação da TFP por parte de Nossa Senhora

pela nota vinte e nove, que é o ponto sensível da “Mensagem” e que dá, em última análise, um xeque‑mate no próprio João Paulo II.

Agora, que a mais pisada das organizações da Terra tenha Nossa Senhora proporcionado que apanhasse isso que é oculto a quantos e quantos homens que não sabem… Bem, que lhe tenha sido dado realçar isto como está realçado, quer pela argumentação, quer pela documentação; e eu aqui dou muita importância à documentação porque sem documentação aquilo não valeria nada. E eu digo isso para se dar o devido valor ao trabalho do Sr. A. B. [Antônio Borelli ?] que trabalhou junto com D. B. [Dom Bertrand ?], M. V. [Miguel Becar Varela ? ; Martín Viano ?] e outros, mas trabalhou afincadamente para a mise au point dessa documentação.

Bom, esse conjunto de coisas, posto na maior imprensa do mundo, na mais altas torres, portanto do adversário, e para o mundo inteiro, porque esse é o mundo inteiro. Não adianta me dizer que detrás da cortina de ferro não conhecerão, porque esse é o mundo inteiro.

Equivale a Nossa Senhora deixar esta posição de… — nunca se disse isso de uma mãe — mas como que de abandono e de costas voltadas, em que Ela parecia estar em relação a nós e a toda Contra‑Revolução e, de repente, dizer:

Meus filhos, chegou a época, glorifico‑os!”

[Exclamações]

Mas eu pediria aos senhores o favor de falarem um pouco mais baixo, porque de repente a vizinhança [não ?] vem aí: “Olha, não pode!”.

Tem uma velha com dor de dente que não está conseguindo dormir aí do lado com o entusiasmo dos senhores”.

Bem entendido, se os senhores fossem terroristas estourando bombas, a velha achava que não tinha nada. Mas se perceberem que estão aplaudindo a qualquer coisa que eu diga, os senhores sabem que a observação é essa.

Bem, mas nós podemos ver isso aí também de outro modo.

Os senhores já viram fogos de artifício queimarem. Há certos fogos de artifício, — havia pelo menos no tempo em que eu era criança, mexia com isso — havia certos fogos de artifício que queimavam um pouco até, de repente, dar num fogaréu.

* Do porão da Rua Imaculada Conceição a proclamar nas mais altas torres do adversário um fogo de artifício que explode para o mundo

Assim também, há cinqüenta anos a TFP é fogo de artifício que vem queimando aos poucos. É pura verdade.

E o que, nessa ocasião, há tantas esperanças de que seja proclamado nas mais altas torres do adversário e que seja proclamado ao mundo, começou por meio de confabulações em grupo de amigos num porão da Rua Imaculada Conceição.

Amigos que cochichavam entre si, que pensavam assim porque sentir‑se‑iam esmagados se proclamassem que pensavam assim. Ao cabo de cinqüenta anos de trabalho e de cochichos, de cochichos e de trabalhos, cada vez mais declarado, mais declarado, mais declarado, isso se explode num fogo de artifício para o mundo.

Absolutamente não é pouca coisa! É o fim de um processo. E se a Bagarre arrebentar agora, nós poderemos dizer ao mundo inteiro: “Nos vos dissemos!” Não tem conversa!

Há uma coisa especial aí que eu focalizo com veneração e com amor, mas é assim:

* Com a “Mensagem” a marca do futuro: um brado de aviso do mundo novo para o mundo velho

É que, no que diz respeito… há europeus aqui, há um francês, um austríaco, alguns espanhóis, alguns portugueses, etc., etc., semi‑italianos em quantidade incontável, etc., teuto‑brasileiro, há toda espécie de europeu aqui. Eu entretanto digo com amor, mas digo: para restaurar, para provar que as vias do futuro passam por onde nós dissemos, isso não é um brado de aviso da velha Europa ao mundo inexperiente e louco que nasce. É um brado de aviso do mundo novo para o mundo velho.

Dessas coisas impressionantes, como em certas famílias onde os pais não andam bem e os filhos se reúnem para chamar os pais às “boas”. Não há nada de mais emocionante do que isso. Mas até isso, essa marca do futuro vem.

Os senhores podem imaginar no que isso dará.

Bem, no que dará?

Eu julgo, — os senhores não estão me perguntando — eu julgo atender a pergunta… no que dará? É a pergunta que se pode fazer.

* “O que se der na França, vai ser piloto do que se dê no mundo”

Pode dar tudo. Mais uma vez eu imagino que o que se der na França, vai ser piloto do que se dê no mundo. Se eles conseguirem fazer um silêncio pesado sobre isso, como ao que seguiu ao manifesto da “Resistência”, este silêncio pode espalhar‑se pelo mundo, inclusive aqui no Brasil.

Pode, pelo contrário, dar numa polêmica debandada.

Vou dar aos senhores um exemplo: eu li ontem que partidários de Chirac, portanto, direita econômica…

(…)

nesta base: “Em nome da Revolução Francesa nós proclamamos que vocês tripudiam o lema, porque a liberdade é contrária ao que vocês fazem. É o primeiro dos princípios da Revolução”.

Eles podem nos dizer: “Vocês prestaram um desserviço à causa. Nós tínhamos arranjado uma fórmula popular para reunir o povo de nosso lado, e vocês acabam cindindo o que nós queríamos costurar e, mostrar que o povo está do lado deles, vocês não sei o quê”.

Podem fazer. Podem vir críticas de toda ordem, podem vir caçoadas, podem vir coisas de toda ordem, de um extremo a outro, tudo pode dar‑se.

* Com os olhos postos em Nossa Senhora enquanto a publicação não sai

Em relação ao ponto em que estamos hoje, quer dizer, alguns dias antes da publicação, de nós termos as respostas efetivas e a publicação fazer‑se. Aliás, eu só acreditarei no negócio feito quando a publicação for feita, só aí acreditarei nela.

Então, nesses dias que nos medeiam, eu fico ainda interrogativo e com os olhos postos em Nossa Senhora. Mas se for transposto o valo, entre a situação de agora e a situação desses dias, ficará uma coisa irremediável: é que a coisa foi proclamada!

Foi proclamada do alto dos mais altos baluartes deles!

Os senhores são na sua grande maioria brasileiros, e os que não são brasileiros conhecem já bastante o Brasil, enfim, estão em condições, os não brasileiros aqui são hispanos‑americanos, portanto, habituados a condições muito parecidas com as do Brasil, e podem medir o que vou exemplificar com o Brasil.

Nós pretendemos publicar aqui no Brasil em vários jornais. Entre outros, na “Folha”. Já está combinada até a comissão que deve ir à “Folha” falar com o Frias. Naturalmente pago.

Agora, está combinado o seguinte:

Deve vir a publicação, mas no lugar, junto ao cabeçalho, lugar da maior evidência, deve vir o seguinte: “Publicado pela TFP norte americana, em jornais tais, tais, tais; pela TFP francesa, jornal tal; pela TFP espanhola pelo jornal tal; pela TFP portuguesa, pelo jornal tal outro; pela TFP Italiana, nos jornais tais”… os jornais estão previstos. E transcrita nos principais jornais da América do Sul.

Só isso…

(…)

[Exclamações]

* O valor da publicação: qualidade, a Europa; quantidade, a América do Norte; na ordem do futuro, a América do Sul

Aqueles que são filhos de famílias hostis à TFP podem imaginar a impressão em casa! Aconteça o que acontecer, a História não volta atrás.

[Exclamações]

não volta atrás, fica dito que nós somos gente de fazer o que eles nunca pensaram! Nunca pensaram! Com essa não contavam.

Aí tem os senhores o quadro da situação e o que significa, portanto, se Nossa Senhora levar isso a bom termo, os senhores podem imaginar o que significa essa publicação. Nunca mais se voltará para trás!

Para falar em termos sul‑americanos. E eu dou uma importância universal a esses termos sul‑americanos, porque uma coisa não se pode negar: por mais que seja, na ordem da qualidade, a Europa e, na ordem da quantidade, a América do Norte; na ordem do futuro é a América do Sul. É preciso passar por aí e eles sentem isso. Vários da N. D. [Nova Direita ?] nos têm dito isso no bureau: “O futuro do mundo é a América do Sul!”.

* A publicação na América do Sul: o peso histórico de hoje e do futuro

E portanto, a repercussão na América do Sul tem o peso histórico de hoje e do futuro.

Bem o peso histórico é o seguinte:

Fica vincado isso: havia uma posição doutrinária que eles julgavam a derrotada por excelência. Tão derrotada que, se dois ou três homens conversassem, se um homem isolado lhes expusesse que pensava assim, eles diriam que era louco e que nunca conseguiria um outro que concordasse com ele. Se reunisse três, lhes diriam que eram três maníacos, nunca passaria de um grupinho de três estudiosos. No dia em que eles fossem quinhentos, diriam: “Vocês são um ideal inviável e o mundo ruma para o outro lado”. E no dia em que eles fossem mil e tivessem toda uma história atrás de si, diriam: “Esta história não vai além de onde foi, porque todos os rumos do mundo vão numa outra direção”.

E isso eles não poderão mais dizer!

Se esse passo for transposto, isto eles não poderão mais dizer, porque, quando a organização que se sepultou no passado, que resolveu fazer o seu percurso pela zona do inviável e resolveu fazer o “infazível” [infactível], chegou a cravar as suas bandeiras nas mais altas torres do mundo que são os jornais, não tem mais nada para dizer!

[Exclamações]

É possível que ela seja derrotada, mas não é mais possível dizer que é impossível que ela vença!

Essa é a balança da situação.

Os senhores me dirão: “Mas eles não vão reconhecer esse… [inaudível] …não tem importância”.

* Os maus nunca reconhecem as glórias da causa do bem enquanto não for vencedora; ex. a expansão da Igreja na era de Tertualiano

É claro que não vão se reunir na hora em que nós estivermos, e não vão comentar um para o outro: “Homem, a TFP hein! Que progresso!”. Isso não vão dizer em nenhum lugar, não vai acontecer no Brasil, não vai acontecer no Chile, não vai acontecer na Colombia, não vai acontecer em nenhum lugar da América do Sul, da Venezuela, da Argentina, em nenhum lugar, isso é certo, porque não vai acontecer em nenhum lugar do mundo, isso não vai acontecer. Isso nunca acontece com a causa do bem quando esta causa ainda não venceu.

Os senhores sabem que quando estava os escritores ainda pagãos, ainda próximos do decreto de Constantino reconhecendo a liberdade da Igreja Católica, ainda nesses escritores, quase não falam da Igreja nem dos cristãos. Pequenas referências. E entretanto, foi Tertuliano que pôde escrever: “Nós enchemos vossos palácios, nós enchemos vossos exércitos, nós enchemos vossos fóruns, nós enchemos vossas cidades e vossos campos e somos tão numerosos que nós já poderíamos vos derrubar com um aceno de nossa mão, e vós ainda dizeis que somos revolucionários, quando vós só viveis porque nós permitimos que estejais vivo!”. Dito que ficou célebre.

Enquanto Constantino não lhes deu a tapona e eles não caíram dentro da poeira da História para todo o sempre, eles fingiam que não viam. Mas ficou feito!

Bom, meus caros, isto foi um longo solilóquio. Compete aos senhores porem as perguntas, sobretudo os dois que chegaram e que não tiveram tempo de fazer ainda uma só pergunta. E meu W. [Wellington ?] também que ia fazendo uma pergunta e que também não ouvi. Faça você a pergunta, depois ouço os dois. E depois eu saio porque fugit irreparabile tempus e já são duas e quinze.

* Quando à glorificação do “tal enquanto tal” que se dará com a “Mensagem” a Revolução fará de contas que não percebe

(Sr. W. [Wellington ?]: O senhor comentou o episódio do senhor atravessando a rua e os automóveis buzinando. O senhor disse que até os bons permitiriam que fizesse aquilo, mas jamais permitiriam que fizesse aquele que ali estava simbolizando tudo o que ele simboliza. O senhor falou da glorificação. A Revolução deixava o fogo de artifício aceso e o cobria com as trevas.

Mas jamais poderiam contar com a glorificação do “tal enquanto tal”, como o senhor disse também na reunião de hoje. Se o senhor pudesse falar um pouquinho então desta forma arquiponteaguda de glorificação que mais deixa Satanás revolvendo‑se no Inferno, que é a glorificação do “tal enquanto tal”.)

Esta glorificação eu creio, não tenho certeza, a Revolução vai fingir que não percebe. E mais ainda, se ela tiver que falar disso, ela vai mobilizar [os adeptos da sociedade orgânica] para falarem contra isso. E talvez até graduados. Porque as vozes dos bispos estão por demais enxovalhadas.

De repente, eles encostam o alto‑falante na boca de um desses, para ele falar contra. E ele, naturalmente, vai dizer que há ali uma relação que é estúpida, que é irrefletida, feita da parte do Mitterrand, que ele se admira que nós na exposição da doutrina de Mitterrand demos essa importância a isso. E que ele, enquanto representante dessa tradição, se espanta que nós não tenhamos protestado contra essa assimilação do “tal enquanto tal”, etc., etc., e os socialistas e comunistas darão risada: “‘Ahahah!’, até estes não estão de acordo com eles… ‘tá, tá, tá’”.

Eu também sei o que responderia. Não vale a pena nós perdermos tempo com respostas a polêmicas hipotéticas. Mas eu creio que eles tentarão nos apunhalar pelas costas e não pela frente. Isso eu creio que é certo. E que, nessa ocasião, nós saberemos pegá‑los.

Bem, agora, os meus dois recém chegados. Os outros já fizeram perguntas. Meus dois recém chegados.

(Dr. Marcos Ribeiro Dantas: Não queremos mudar de tema.)

Então faça uma pergunta dentro do tema.

(Dr. Marcos Ribeiro Dantas: Nós queremos as perguntas que o senhor faça ao senhor mesmo.)

Meu Guerreiro!

* A Academia Brasileira de Letras julgaria seus fundamentos abalados se o nome do Sr. Dr. Plinio figurasse entre seus ilustres

(Sr. Guerreiro Dantas: Esse lance do senhor é tal que a gente sente que a Revolução fica encurralada. Ela não terá mais meios de negar a força que a Contra‑Revolução tem e que poderá levá‑la à vitória. Posto que é o senhor quem dá o lance e o ódio que isso despertará, como será o futuro disso, como as coisas poderão andar depois disso?)

Eu respondo de outro modo, mas o senhor poderá medir bem.

O senhor sabe que há aqui, funcionando no Rio, uma A. B. L. [Academia Brasileira de Letras ?], e que eles fazem uma espécie assim de circo de cavalinho, imitando o que foi a Academia Francesa de Letras, que também não é mais o que foi, mas ao menos é uma continuidade de algo que foi algo. Aqui nunca foi nada, uns dois ou três bons literatos lá dentro, o resto é palhaçada.

Mas nunca dos nunca passaria pela cabeça de ninguém de me incluir na A. B. L., porque eles reputariam os fundamentos da A. B. L. abalados e a ordem no Brasil conturbada e conspurcada, se meu nome aparecesse entre os ilustres que estão lá.

Há mais, há uma A. P. L. [Academia Paulista de Letras], que convida uns — nem sei — uns tabeliães, para serem os membros. Fiel a paulista, tem poucos intelectuais, poucas letras, mas uma bonita sede, muito bem arranjada, colocada num bom ponto, a parte, instalação e organização da vida é muito bonita lá dentro. A outra parte é…

(…)

[Risos]

não brilha.

* Quando um intelectual ou escritor, ou homem de ação teve fora de seu país uma irradiação vagamente parecida com essa?

Nunca me convidariam para um lugar desses. Na P. [Paulista ?], hein!

Depois disto fica escancarado o seguinte:

Qual é e quando um intelectual ou escritor ou homem de ação da [T. S. C. ?] que teve fora de seu país uma irradiação vagamente parecida com essa? Não é igual, é vagamente parecida. Tenham bondade de dizer!

Quer dizer, rasga. É como se as TFPs aparecessem com um estandarte tão grande que não coubesse nos dois andares da A. B. L., arrancasse o teto.

Porque a partir de um porão na Rua Imaculada Conceição, aglutinar um movimento em treze países e esse movimento ter a afinidade própria a se desdobrar por treze países com tanta solidariedade e, treze presidentes publicam, unânimes, um conjunto de tese tão completa como está lá, é uma coisa simplesmente inesperada.

Aliás, um norte‑americano a quem foi mostrado o documento, um esplêndido advogado da N. D. [Nova Direita] lá, leu o documento e disse: “Vocês depois disso poderão, por meio da argumentação provar o que quiserem, mas vocês não conseguirão provar que a TFP não é uma só organização no mundo inteiro”.

[Exclamações]

Todos pensarem juntos tudo quanto está aqui e a gente vê que pensam mesmo, isso tenha as diretorias que tiverem, os estatutos que tiverem é uma organização única!

[Exclamações]

Não é fácil negar esse raciocínio. Bem, tudo saiu de um porão na Rua Imaculada Conceição.

[Exclamações]

E a chuva criadeira que teve, foi chuva de pancada.

Durante cinqüenta anos choveu pancada. Aí vocês…

(…)

prosperar.

Meus caros, fala‑vos uma pessoa mais faminta do que um flagelado nordestino. Jantei pouco, trabalhei muito, estou morto de fome. Os senhores também têm o seu direito ao descanso.

Graças a Deus os senhores são tão numerosos que não cabem na nossa capela e, portanto, não podemos todos rezarmos juntos ali.

Vamos rezar aqui juntos para que os trabalhos de nosso João… não preciso dizer que ele está exercendo uma função capitânia preponderante na propulsão deste assunto nos Estados Unidos e, por meio dos Estados Unidos, na Europa… eu depois lhes contarei toda essa história, se não for muito melhor que ele conte…

[Não!]

* O desejo de glorificar a Nossa Senhora numa cerimônia quando se comece a imprimir a “Mensagem”

de pé e de dentro, do dia a dia das coisas, que esse trabalho nos faça transpor o pequeno espaço que vai entre a altura em que está tudo e o momento em que começa imprimir.

Quando eu receber a notícia de que começou a imprimir em algumas cidades, eu pretendo convocar uma reunião superplenária da TFP. E pretendo que nela atuem com todo o lumen que nós conhecemos, os meus caros eremitas de hábito e que ali se faça, se glorifique, de algum modo, Nossa Senhora.

[Fenomenal!]

Passou‑me pela cabeça de ir até, — como não está pronto o nosso pátio de Nossa Senhora da Glória — passou‑me pela cabeça de irmos todos a Amparo para fazermos uma cerimônia lá. Mas é uma viagem longa… e o brasileiro tendo que viajar duas horas à espera de uma coisa, quando chega já não está mais esperando, já está pensando em outra coisa. De maneira que não agüenta isso.

Se tiver um dia muito bonito, será que nosso pátio agüenta que se faça ali uma grande reunião?

(Sr. –: Sim!)

(Sr. –: Segunda‑feira termina.)

Ah! Bom, então… Mas onde pôr aquela gente toda que fica sentada durante as reuniões? Umas cadeiras do auditório… veremos depois. Não vamos apagar com providências concretas o lumen da reunião. Senão daqui há pouco vamos estar falando em qual é a companhia de mudança que deve… e isso desce ladeira abaixo.

Bem, o fato é que ficamos nessa expectativa.

Alguém me dirá: “Mas se o senhor espera… isso fica na reserva, não lhes direi o que está planejado, não direi agora… porque não vem a Sagrada Imagem para esse triunfo? Não era aqui o caso de ser esse o dia da chegada d’Ela?

Ela fará coisa mais bela. No momento oportuno será narrado aos senhores. Parece impossível fazer coisa mais bela, mas eu tenho certeza que os senhores todos me dirão, unanimemente, que o que Ela fará é ainda mais belo.

Vamos rezar as orações do Grupo embaixo. Mas aqui, três Ave‑ Marias para que Nossa Senhora toque as coisas lá.

[Orações]

*_*_*_*_*