Conversa
de Sábado a Noite ─ 12/9/81 .
Conversa de Sábado a Noite ─ 12/9/81
Duas tentações contra a grandeza: primeira, a demora; segunda, querer conciliar a grandeza da vocação com a suposta grandeza do mundo * O medíocre está para a grandeza assim como as vistas doentias, hiper-sensíveis e inflamáveis estão para a luz do sol * Certos membros do Grupo dão mais importância a uma crítica feita por um enjolras do que uma advertência dada pelo Sr. Dr. Plinio * O apostolado do Sr. João com o São Bento e o Praesto Sum dá aos enjolras um ponto de referência, sem o qual, seus respectivos apóstolos não teriam o êxito que experimentam
* Certos povos recusaram o Evangelho porque, tendo uma noção da grandeza, adoraram ídolos
… não era a grandeza Divina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso é uma disposição normal na alma humana até o pecado de Revolução e apesar do pecado original, essa é uma tendência da alma humana.
O pecado de Revolução é que criou o ódio contra a grandeza. Mas que é um ódio genérico contra tudo quanto é grande. E não é apenas uma indiferença à grandeza, mas é um estado de alma carregado de ódio. Na medida que a grandeza vai se tornando grande eles vão odiando.
Então, você tem na Revolução, se você quiser levar todas as coisas até o fim, a única grandeza verdadeira é a grandeza divina. Essa luziu aos olhos dos homens por ocasião da disseminação do Evangelho e muitos aceitaram, muitos recusaram. Por que recusaram?
Aqueles povos antigos cometeram o pecado de tendo uma certa noção da grandeza, adorar ídolos. Aquilo era um rebaixamento da própria idéia de grandeza, um rebaixamento tremendo. Ainda mais os ídolos obscenos e criminosos que eles fizeram. Mas eles não podiam deixar de fazer, recusando o verdadeiro Deus eles tinham que divinizar mulheres públicas e homens facinorosos, não podiam fazer outra coisa. De maneira que eles já tinham cometido um certo pecado nesse ponto.
Veio a conversão dos bárbaros, que eram idólatras também, veio a conversão dos bárbaros e abriu-se para eles a grandeza de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com a Revolução começou a cair. Então você tem a primeira, segunda, terceira Revolução. E o ódio contra a grandeza continuou a aumentar.
Qual é a economia atual da grandeza? ─ Aqui nós chegamos ao nosso ponto.
* Duas atitudes de alma em face da grandeza
É o seguinte: é a daqueles que nasceram, são batizados e recebem um convite para amar a grandeza. Ou, daqueles que apostataram mas recebem um convite para se converter. São duas coisas distintas.
No primeiro caso a grandeza tem a mesma marcha que a pureza. Toda pessoa batizada, originariamente tende para a pureza. Mas há as tentações, etc., etc., o sujeito cai na impureza. Também o sujeito batizado tem uma atração pela grandeza, mas há as tentações igualitárias ele cai… É a mesma baixa, a mesma economia.
O bonito da economia da graça é com as almas que perseveraram ─ # dentre essas ─ e a que a Providência arma para a luta em favor da grandeza. Então é a transformação do homem grande, do adepto da grandeza em herói, em batalhador, em Cid Campeador. Isso é uma coisa.
Outra coisa é tomar o homem que não tinha grandeza, que tinha semi-apostatado, tinha restos de grandeza na alma e de repente fazer a grandeza luzir aos olhos dele. São quase duas economias diferentes da graça.
Evidentemente, a segunda economia, muito mais freqüente na TFP do que a primeira. Tão mais freqüente que nós até podemos, em matéria de TFP, nos deter mais na segunda do que na primeira.
(Sr. C. Antúnez: No almoço o senhor falava de como a grandeza atuava.)
Aqui é um pouco diferente, é a economia da graça e a estrategia da grandeza. São coisas distintas. Eu tratei da estrategia, à vista dessa economia da graça, a estrategia da grandeza.
* Duas tentações contra a grandeza! Primeira: a demora; Segunda: querer conciliar a grandeza da vocação com a suposta grandeza do mundo
(Sr. C. Antúnez: O senhor chamou “economia da graça da grandeza”.)
Para precisar bem é preciso distinguir, economia da graça da grandeza é o “Thau” em que a grandeza aparece no primeiro momento, aparece fulgurante e se mostrando inteira e por assim dizer conquista a pessoa. Quer dizer, no primeiro momento, o grande “Thau”, fica… vamos dizer tem uma espécie, chama-se isso em mística, rapto. E por analogia posso dizer, é raptado pela grandeza. Ele vive imerso na grandeza, encantado com a grandeza, etc., etc. Depois vem a provação da grandeza.
A grandeza primeira é um paraíso, depois tem árvores do bem e do mal e a serpente, vem a provação da grandeza.
O que me olha com a cara tão desconsolada, meu Carlos Antúnez? É isso, não é não?
O que faz a Providência na provação da grandeza? Conforme cada alma há uma provação, mas pela provação tem que passar. Para uns é a provação axiológica da demora: “como é isso? A grandeza deve vencer, nós a vemos se arrastar, como é que está isto?! Onde é que está essa grandeza?”
Para outros é ─ uma provação diferente mas há também ─ é uma coisa curiosa mas é: a graça da admiração para a grandeza cessa de repente, não cessa in radice, mas cessam os seus efeitos sensíveis, e a pessoa de repente bate na cabeça e diz: “Curioso! agora eu conheci a grandeza toda ─ imagina que a conheceu ─ agora que conheci a grandeza toda percebo que tais e tais aspectos do mundo são conciliáveis com a grandeza. E eu vou tentar compor num panorama conjunto, de tais e tais aspectos do mundo com a grandeza”. Aí ele não percebe, mas ele sofreu uma baldeação ideológica, se quiser, uma baldeação psicológica, e ele cai para o chão do mundo fora e começa a não compreender a grandeza. Essa foi a tentação da bagarre azul, por exemplo, é especificamente essa.
Há também as tentações do colóquio com a grandeza. Há uma época em que a pessoa durante o tempo do enlevo entende tudo, antes mesmo ─ se a gente enunciar uma doutrina do Grupo ─ a pessoa já intuiu e acompanha a exposição no pressentimento da conclusão que ela já vai vendo mais ou menos qual é e alegrando-se de ter apanhado a conclusão. Em certo momento esse pressentimento da conclusão se torna mais opaco e a pessoa por causa disso não acompanha bem a exposição. E começa então, as palavras trocadas, a pessoa não entende bem, começa a achar, “como é que é?” não entendeu tal ponto, não se entusiasmou com tal outro. Tal artigo de fundo do “Estado de São Paulo” estava muito melhor… “O Diário de Minas”, ou jornais de Curitiba ou de Ribeirão…”
(Sr. Fernando: “El Mercúrio” também.)
“El Mercúrio”, ohhh! Ohhh! “El Mercúrio” é um dos maiores jornais do mundo! É claro. “El Mercúrio”, jornais da Venezuela, daí para fora, os grandes, daí para fora.
E cria uma espécie de opacidade em que a pessoa tem que fazer um ato de fé naquilo que viu no tempo em que estava enlevada, tem que dizer: “eu creio porque eu vi, eu não estou vendo mas continuo a crer”. Até passar essa névoa e aí vem ainda mais esplêndido o “Thau”. Mas é uma provação.
E, o pior sabe o que é? É a provação da colaboração. Porque, trabalhando juntos é forçoso que as vias grandes sejam muito claras para todos. Os pontos intermediários, na ordem da execução, sejam aceitáveis. Mas na hora do cumprimento da ordem entra uma porção de coisas que tocam no pessoal e que já não se filiam aos grandes princípios, inclusive da parte de quem representa o Grupo.
* Na hora da tentação, as pequenas atitudes individuais do Sr. Dr. Plinio a pessoa não compreende…
Vamos dizer, por exemplo, eu estou brincando com esse cinzeiro. Eu sei que a educação perfeita seria não brincar com o cinzeiro, eu acho que me posso permitir essa distração enquanto converso com vocês. Acho que vocês devem entender isto sem eu lhes dar uma explicação. E acho que se for explicar cada coisa assim eu atinjo o inexplicável, porque para alguns de vocês, para um de vocês, pessoalmente, deve ser incompreensível que eu goste de brincar com esse cinzeiro. É o pessoal, personalíssimo que não tem relação com o “Thau”. Não [é] porque eu tenho “Thau” que eu brinco com o cinzeiro, eu brinco com o cinzeiro porque eu sou Plinio Corrêa de Oliveira. Brinco com o cinzeiro por causa de alguma coisa de individual que Deus pôs em mim, ao me criar, e que é diferente dos outros porque cada um de nós é diferente do outro nesse ponto. Então vem cem coisas desse gênero.
Por exemplo, no trabalhar. Porque que é que eu faço reuniões a essa hora. Não seria melhor fazer de manhã? Não! daí para fora cem mil coisas. Vocês não imaginam, essas coisas, como podem, numa hora de prova, pegar a pessoa. Mas não tem remédio, é preciso passar pela prova.
(Sr. C. Antúnez: Todas as tentações têm em comum a mediocridade.)
Todas, a mediocridade, todas. São tentações pelas quais passa um homem que ainda não caiu no pecado da mediocridade. Mas o “Thau” deixa de se tornar sensível a ele para tentá-lo, para que ele seja tentado, para que possa ser tentado.
(Sr. Paulo Henrique: Na hora em que o “Thau” é sensível não se põe em dúvida o senhor brincar com o cinzeiro ou mudar o horário da reunião. Para mim é claríssimo, o contrário, a provação, não sei, nunca passei por ela, mas…)
Ah, mas Nossa Senhora lhe poupe dessa provação, porque eu posso dizer que ela é terrível. E aí se inaugura, por exemplo, certa forma de interlocução que eu falo uma coisa e a pessoa entende outra. E tudo se desconcerta, não há meio.
(Sr. Fernando: O senhor não está falando da grandeza da TFP, mas sim da grandeza em si.)
É, há uma grandeza considerada no plano metafísico e sobrenatural. Essa grandeza pode reluzir em vários aspectos da criação, pode reluzir também numa obra suscitada pela Providência, especialmente para isso. De maneira que é legítimo falar hora de uma coisa, ora de outra.
(Sr. Fernando: O senhor fala da grandeza da TFP num outro sentido, queremos que o senhor fale do senhor, da grandeza…)
Eu não entendo bem o que você diz.
* Relação entre a grandeza e o poder: A grandeza em estado de martírio pode ser maior do que sentada num trono!
(Sr. Guerreiro: Qual a relação da grandeza e poder.)
Eu acho que a grandeza tem o direito ao poder, e que o estado normal dela é ser poderosa na medida em que ela é ela mesma. Portanto, quanto maior a grandeza maior o poder. Mas eu acho que a grandeza não é essencial ao poder, no sentido de que a grandeza, de cetro partido, pode ser maior, pode mostrar-se maior por vezes do que com cetro inteiro. Se bem que o estado normal dela seja de cetro inteiro. E a prova disso é a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e a morte.
Ele era a Grandeza e o poder d’Ele, o cetro d’Ele foi substituído pela cana dos bobos, dos débeis mentais, a coroa de espinhos, o sarcasmo, a irrisão. Entretanto, “Ecce Homo”.
Quer dizer, a grandeza em estado de martírio pode ser maior do que # sentada num trono. E ainda mais, hein! nunca os homens teriam conhecido inteiramente a grandeza de Nosso Senhor se não vissem passar pelo que ele passou. Ali a gente vê como o poder ─ eu volto a dizer, é o complemento normal da grandeza ─ é entretanto dispensável.
Não sei se minha resposta responde sua pergunta, mas, vamos dizer, uma grandeza a quem arrancam o poder e que fica num estado aniquilado, essa grandeza pode mostrar no infortúnio, muito mais do que ela parecia ter.
Pelo contrário, um poder sem grandeza dá em Napoleão Bonaparte. Quer dizer, é uma porcaria, não é? Mucius Scaevola…
(Sr. Paulo Henrique: Nosso Senhor sendo crucificado não era visível o poder.)
Era visível a aparência do contrário.
(Sr. Paulo Henrique: Mas por detrás, para quem sabia ver, percebia a grandeza e que ela um dia ia se manifestar.)
Isso é certo. Mais ainda, para quem estava observando ali, o poder se manifestava por inteiro, o poder. Era apenas um poder que se manifestava de outra maneira, mas aquele povo inteiro que não encontrava paz ─ paz?! ─ não encontravam tranqüilidade porque existia aquele Varão, esse povo no convulsionar-se mostrava a grandeza de Quem o convulsionava.
(Sr. Paulo Henrique: Mesmo os algozes?)
O furor com que os algozes procuravam liquidá-Lo. A gente percebe que com os dois ladrões tinha sido muito menos, indicava a profundidade da marca que Ele punha na alma dos algozes. Os algozes em cada tormento que faziam nele procuravam no fundo apagar a projeção da imagem dele na fronte deles. Naturalmente na hora eles não sabiam explicitar, eu admito isto, mas a realidade [é essa].
(Sr. C. Antúnez: O senhor dizia outro dia: “Ele tornava evidente, mas não dava para terem certeza.)
Exatamente, é tal qual, por culpa deles.
(Sr. C. Antúnez: Isso é uma grandeza.)
É imensa! É preciso saber vê-la, mas ela é imensa.
(Sr. C. Antúnez: Como nos dias de hoje, a grandeza é evidente para quem quer vê-la, mas não dá elementos para certeza aos que não querem vê-la.)
Não, não dá, ela é assim.
* O medíocre está para a grandeza assim como as vistas doentias, hiper-sensíveis e inflamáveis estão para a luz do sol
Agora, o que é o medíocre? Qual é a estrategia da grandeza, uma vez que ela é assim? Em face do medíocre, o que é o medíocre e qual é a estrategia da grandeza em face do medíocre? Não, portanto, em face do facínora, não é disso que nós falamos. Mas, na hora do almoço falávamos da estratégia da grandeza em face do medíocre, é isso que nós estávamos falando, o Carlos há pouco me pediu para tratar disso, não é isso, meu Carlos?
(Sr. C. Antúnez: Sim.)
Eu acredito que a mediocridade não é mediania, o indivíduo pode ser mediano sem ser medíocre. Medíocre é aquele que odeia a grandeza. O mediano não, está numa certa ordem em relação à grandeza, apenas ele não a abarca por inteiro, mas ele não é um medíocre. Eu vou dar uma comparação que calha bem, eu imagino, pelo menos.
Uma coisa é a reação dos olhos, normais, sadios, em face do excesso da luz do sol, pode até fazer isto… Outra coisa é a dos olhos doentes que se fritam, que incham, que se inflamam, etc., etc., por causa da luz do sol. Esse é o medíocre, são os olhos doentes. O mediano não, pode não agüentar a luz do sol e faz assim… mas ele ama vê-la em algo. Enquanto o doente não, ele não agüenta em ver a luz do sol, é uma coisa diferente, está em luta, a bem dizer o estado dos olhos dele está em luta com a luz do sol. O mediano não está em luta, ele não abarca inteiro porque as condições saudáveis de sua vista não dão para isso. É uma coisa diferente.
Em relação com o medíocre o que é que tem?
Ninguém se torna medíocre sem num ponto qualquer de sua alma ter dado um consentimento, mas desde logo um consentimento que tem algo ─ um pontinho que seja ─ de mal enlevo, e se quiser de adoração a alguma coisa do mal. Quer dizer, toma qualquer medíocre, no fundo ele consentiu com uma certa forma de prosaísmo, ele consentiu com uma certa forma de vulgaridade, de trivialidade, ou de impureza que é o correlato. Mas ele naquilo… não é só dizer que ele é medíocre, mas ele é um partidário das trevas. E nele se dá um conflito que ele procura abafar com a conciliação imunda. Quer dizer, ele afirma para si mesmo que em tudo ele é intacto, mas que só naquele pontinho que é um pontinho pequenininho, etc., etc., que ali ele realmente claudica em algo. É só isso, é aquele pontinho. Mas de fato… [inaudível].
E isto empana, tolda a inteira clareza de visão dele, ele vê o resto de um modo meio embaçado.
* A estrategia da grandeza em face do homem que consentiu em algo da Revolução
Qual é a estratégia da grandeza diante de uma pessoa que se pôs nessa posição assim?
Só pode ser a seguinte: 1) quando há uma graça especial ─ mas não é qualquer momento ─ dardejar um raio de luz que pegue o homem no ponto em que ele consentiu. Mas não é economia comum dessa luta. Não é a economia comum.
Outra coisa é lutar dentro da alma daquele homem contra a ação invasora da concessão que ele fez. Então em cada pontinho da alma dele que aquela concessão vai toldando, a gente pelo convívio, pela palavra, pela manifestação do maravilhoso, pela argumentação serrada, a gente disputa terreno à ação invasora daquele ponto, ponto por ponto! Pode ir até recuando ─ depende da alma ─ pode ir também avançando.
O “Thau” do indivíduo, com isso, fica mais livre de lançar luz dentro dele. E o anti-thau fica mais coarctado.
Então, daí vem as longas demonstrações, vem a gente citar ─ é uma miséria, depois de 20 anos de Reunião de Recortes, ter que citar “O Lisboa” para provar que a gente tem razão… é propriamente uma miséria. Se quiserem, a gente vai um pouco mais longe, é uma humilhação. Mas fazer de boa vontade:
“Olha aqui, meu caro, você caiu na fraqueza de dar uma importância exagerada a “O Lisboa”. Está bem, aqui está “O Lisboa” dizendo a mesma coisa que você, por ter consentido com o mundo num ponto que você não quer que eu diga… você no fundo dá importância exagerada a “O Lisboa”, não dá à Reunião de Recortes, você está duvidando. Eu vou pôr uma muleta para amparo de seu corpo vacilante, olha aqui “O Lisboa” diz isso”.
Quando o indivíduo ouve isso pode dar-se que o “Thau” brilhe com mais força e a treva que tem nele uma embaixada, ou um enclave, se sinta contrariada.
(Sr. C. Antúnez: Esse já pecou de mediocridade.)
Já pecou de mediocridade, é um medíocre, está instalado na mediocridade.
(Sr. C. Antúnez: O Senhor dizia que convinha guardar o artigo de “O Lisboa” para fazer apostolado, mas no apostolado não precisa de “O Lisboa”.)
Não, para apostolado de conquista não, para apostolado de fixação.
(Sr. C. Antúnez: Mas é um que já pecou!)
Não, para o apostolado de estaqueamento.
(Sr. C. Antúnez: Mas um apostolado que precisa de Lisboa Miranda para…)
Não é Lisboa Miranda, é Lisboa só, vocês é que transformaram o homem em Lisboa Miranda.
(Sr. C. Antúnez: Mas quem precisa de Lisboa para crer no senhor, essa pessoa não persevera no Grupo.)
Não é verdade, o indivíduo pode levar nesse ocaso vinte anos, trinta! Num ocaso lento.
* O trabalho de estaqueamento que o Sr. Dr. Plinio faz com aqueles que fizeram concessão à Revolução
(Sr. C. Antúnez: Mas nos enjolras?)
Ah não, na geração enjolras não, mas digo na geração de vocês, para falar português claro.
(Sr. Paulo Henrique: Para auto-convencimento nosso, andar com o Lisboa no bolso.)
Isso, exatamente. E depois sabe o que acontece, faz bem.
(Sr. C. Antúnez: Mas para apostolandos não.)
Não. Não, espera um pouquinho, para o apostolado com os “enjolras” não, não é necessário, o “enjolras” que cair nisso pega fogo inteiro muito antes, mas não é a única forma de apostolado, estaqueamento é um apostolado também. E aqui eu quero dizer uma palavra sobre o estaqueamento, eu até tenho empenho…
…acontece o seguinte: é que nesse jogo do “Thau” contra a mediocridade, o “Thau” tem às vezes, com o favor de Nossa Senhora, conserva uma certa rutilância apesar de todas as concessões do sujeito. E essa rutilância envolve uma espécie de promessa de que um determinado momento chegará a hora dele. E é em virtude desta promessa que é preciso fazer estaqueamento. E há muita gente assim entre os mais velhos. E que portanto é preciso dar “O Lisboa”.
(Sr. Fernando: Mas não é fortificando essa luz?)
Não é só não, isso é uma graça especial, que o indivíduo em estado de estaqueamento raras vezes recebe. Esta fortificação da luz pode vir para ele num momento dado que a gente não imagina. E a história do Grupo tem casos desses. Aqui é que está a questão, que quando o indivíduo pecou de mediocridade, a graça, a economia da graça dá poucas vezes e apenas de quando em quando esse reluzimento.
Não adianta a gente estar querendo que o indivíduo veja aquilo para o que ele é cego. É preciso ir estaqueando até que venha uma hora, que não depende de nós, depende da Providência, em que aquilo reluza de repente.
* Certos membros do Grupo dão mais importância a uma crítica feita por um enjolras do que uma advertência dada pelo Sr. Dr. Plinio
(Sr. C. Antúnez: [Inaudível].)
Muito! É uma estaqueadora, não é só uma conquistadora de “enjolras”, é mesmo, mas é uma estaqueadora incomparável! de casos perdidos. E esse estaqueamento é desejado em nome da fidelidade ao que a gente discerne naquela alma, “aquilo vai dar certo”.
(…)
E o Grupo, em que a gente deita sangue, literalmente deita sangue, na esperança dessa promessa que luz no fundo de muitas almas: “um dia a graça voltará”.
Então, tudo quanto é muito bom para os “enjolras” que estão na fase do enlevo, e que pode ser que por causa da extrema debilidade deles como que não passem pela provação. Pode ser, não sei. Tudo isso, para eles, estanqueantes, vale quando feito pelos “enjolras”, não vale quando feito por mim. Mas é assim.
Por exemplo, eu elaborei o hábito, muitos usaram hábito. Não adiantou nada. Mas vendo os “enjolras” usarem abrem os olhos. Quando é que eu teria, antes dos “enjolras”, imaginado um alardo bom, bem feito, em Jasna Gora? Impossível! “Hã, hã, hã…”, aquele horror! Simplesmente um horror. Põe os “enjolras” lá marchando e cantando… a Providência se serviu deles, abrem os olhos e eles aí ficam mais sensíveis a uma série de coisas.
Isso são coisas incríveis! Mas o indivíduo chega a se fazer camaldulense! Priva-se de toda comunicação com o exterior. E enquanto camaldulense é mais sensível a uma crítica de um “enjolras” do que a uma conferência minha. Esses são os mistérios do apostolado de estaqueamento. Eu nunca tive ocasião de expor tão detalhadamente, mas aqui está.
Agora, você tem razão, tudo quanto você diz, para os “enjolras” é inteiramente verdade, é tal qual, não tem dúvida, estou de acordo, etc., etc.
(Sr. Guerreiro: Estaqueamento e ação indireta é a mesma coisa?
É um estaqueamento de ação indireta. E pega. Eles, “enjolras”, fazem uma coisa que vai um pouco além do estaqueamento. Onde nós procuramos estaquear tanto quanto possível, eles fazem luzir uma certa coisa, um certo enlevo que, diretamente, a nosso propósito, não surgiria, mas que conduz onde nós estamos.
(…)
* O apostolado do Sr. João com o São Bento e o Praesto Sum dá aos enjolras um ponto de referência, sem o qual, seus respectivos apóstolos não teriam o êxito que experimentam
A Providência, permitir que uma pessoa se atole assim, é uma severidade muito grande. Mas, de outro lado, uma misericórdia: apara com a mão do neto aquilo que ele recusou do avô. Pega os “enjolras” da Venezuela, vamos falar português claro, “enjolras” de Curitiba. Vocês percebem bem que eu não perco uma ocasião de apoiar o apostolado que vocês fazem. Mas se não fossem eles terem um ponto de referência na “Sãobentização”, vocês não teriam conseguido o que vocês conseguem. Não adianta! Não depende de mim, a Providência dispôs isso assim. Eu queira ou eu não queira, queira, a Providência dispôs isto assim.
Não tem conversa.
Resultado: eles são sensíveis à ação de vocês, vocês fazem muito bem a eles; mas, se não fosse…
(…)
…houve uma coisa que vem de “enjolras”, vocês não conseguiriam. Está acabado.
(Sr. MP: Nesse sentido, em meu caso, apesar da minha ação…)
Não, em certo sentido é verdade, de outro lado é verdade que a Providência se utiliza de vocês, para fazer bem a eles, não tem dúvida nenhuma, é uma coisa que eu dou graças à Nossa Senhora, mas ela se utiliza.
Agora, há qualquer coisa no apostolado que o João faz no São Bento e no Praesto Sum, que acaba reluzindo neles e que vocês sós não conseguiriam. Eu não quero dizer que eles se dispersariam, não quero dizer que eles… talvez se dispersassem, não sei o que aconteceria, com os seus # MP certamente muito mais provável que se dispersassem do que com os da Venezuela; mas, os da Venezuela, não dariam o para onde eles caminham, teriam parado no caminho, se não fosse o embombamento de CA.
(Sr. C. Antúnez: Isso é certo.)
Por quê? Porque a Providência quis!
Então uma vez uma pessoa, eu soube que fez esse comentário…
…Até vou repetir porque quero que…
Esse apostolado de estaqueamento, o que há de profético no vislumbre da promessa que fica no fundo da alma dos estaqueados e o caminho de Nossa Senhora de tocá-los por aqueles que são praticamente, espiritualmente, meus netos, terceira geração em relação à minha; tudo isso é muito bonito, muito delicado, muito respeitável. E nós devemos tomar uma obstinação no estanqueamento custe o que custar! Porque no fundo tem uma promessa.
Os dois ou três casos que eu estou dando a você, há muitos outros…
(…)
… que essa promessa luz e no dia do Grand Retour nós veremos isso. Portanto não podemos abrir mão.
Qual é meu papel?
É de estimular o quanto eu possa o estanqueamento, estimular o quanto eu possa o apostolado, se quiserem, de aurora.
Bem! às vezes as exigências são opostas, e em reuniões conjuntas é preciso falar a uns uma linguagem que não correspondem às exigências dos outros, às necessidades dos outros. É bem verdade. Então nossa hora a gente lê “os Lisboas”, a gente faz de tudo! para prolongar a vida destes, mas de tudo. Os outros devem compreender que eles estão sendo regiamente atendidos e que isso tem seus conformes, realmente deve ser assim. Acho que é ordenado, tudo isto é ordenado.
(Sr. MP: Tem grandeza.)
Não sei o que é que me dizem disso.
(Sr. C. Antúnez: Muito bom.)
(Sr. Paulo Henrique: E desejar o Grand Retour, o brilho total da luz.)
Você não imagina a alegria que eu teria com isso, uma alegria… me lembra uma frase que eu creio, ou está num salmo ou está em Jó, ossa mea humiliata exultabunt: “os meus ossos humilhados exultarão com isso”. Humilhados no sentido de abatidos, sofredores, exultarão com isso. Essa é a verdade.
Eu acho que tudo isso está na boa ordem, nem todos compreendem, também do lado dos estanqueados…
* A atonia caracteriza a geração intermediária entre os “enjolras” e a geração do Sr. Dr. Plinio
(Sr. Guerreiro: A viveza dessa graça, a continuidade dessa graça neles vem demonstrando um espaço de tempo maior, acho que eles são mais especialmente assistidos, que em 1967 recebemos graças imensas, mas…)
Eu estou… estou assim no limear de começar a pensar no seguinte, eu não penso ainda assim, preciso sujeitar isso a uma crítica. Mas eu tenho a impressão de que a geração de vocês, vocês estão no ponto terminal de um processo que houve na história em que as pessoas foram ficando cada vez mais átonas em relação a tudo. Hoje eu expus isso na reunião, uma outra noite se vocês se lembrarem eu exponho, mas não é o momento de expor aqui. Mas estão ficando de uma atonia em relação a tudo que não vibram com nada e não se interessam com nada. A gente não sabe, no fundo, ainda mais agora que bateu a bagarre parda, uma pessoa da geração de vocês pelo que é que se interessa.
(Sr. Guerreiro: Interesse vivo.)
É, interesse vivo.
Bem! Isso deu numa espécie de desvairamento ─ a geração seguinte ─ é de desvairados, que já tem a vibração solta, desencadeada não se sabe de que jeito, deu no hippie. E eles, eu não sei como é que a Providência pega e como é que eles são, que bate um jorro de luz eles correspondem. Cessa a luz eles se perdem. Eles vibram, portanto, muito. Eles já estão fora do processo de extinção das vibrações, a partir da cabeça. São vibrações a partir a gente não sabe do que, ondulações soltas no ar, mas que pega a alma inteira.
Você pega, por exemplo, eu faço uma reunião para eles, uma reunião muito lógica, eu não tenho a ilusão de que a lógica pode pouco sobre eles.
(Sr. Paulo Henrique: Pode muito o Senhor quer dizer.)
Pouco! A lógica podia muito a vocês, em alguma coisa, muito a eles não pode, pode muito pouco. Eu deito a lógica na reunião, a lógica que eu deito pode pouco.
Mas, certas metáforas, certas afirmações de modo de ser pessoal, eles “ohohoh”!. É uma vibratividade diferente e meio solta.
(Sr. MP: Mas eles vão entendendo a lógica.)
Conduz-os… condu-los ─ para dizer em português pedante ─ à lógica.
(Sr. MP: Eles vão apreendendo.)
Vão apreendendo. Mas, sabe qual é a impressão que eu acho? Que não pega tanto quanto devia pegar. Vão apreendendo a raciocinar, fica meio na superfície da cabeça deles, no fundo a determinação é uma certa forma de desvario que não há quem segure. E que a graça conduz, é o mistério.
(Sr. MF: Eles entendem bem.)
Entender entendem, com muita facilidade, mas o que pega propriamente é o flash, é a ação da graça.
Está errado isto?
(Sr. C. Antúnez: Não, eu estou dizendo uma barbaridade: que é “graças a Deus”.)
Bom! Uma barbaridade se entender assim o que você está dizendo, “graças a Deus”, tem pelo menos isso, que constitui uma situação melhor do que ter os restos de uma vibratividade que vai se extinguido.
(Sr. Fernando: E o que pega é o centro da vocação, o resto…)
Não tem dúvida, nesse sentido sim.
(Dr. Edwaldo: É um triunfo de Nossa Senhora, magnífico.)
Magnífico. Deviam todos, segundo os planos da Revolução, deviam ser todos hippies. Deveria dar na geração dos drogados, dos malucos! Dos anarquistas.
Agora, ninguém, ao analisar o fenômeno “enjolras”, quer reconhecer o seguinte: eles são não-anarquistas mas anarquizados pegos pela graça. Não é verdade? Pega lá o pessoal de Caracas, de Curitiba, de Rio de Janeiro, é isso.
Agora, eles podem reconstituir ─ não é automático ─ mas podem reconstituir em vocês vibrações extintas…
(…)
… de um modo ou doutro filtra e facilitei ─ acho que é bom que filtra ─ facilitei na compreensão de uns e outros, pelo Grupo, de minha posição face a uns e a outros. Sei bem que é uma espécie de capitulação citar “O Lisboa” na reunião. O que é que eu posso fazer? Nossa obrigação é a seguinte: aqueles três…
(…)
… hierarquia, eu venero tanto quanto posso, ensino quanto possível essa veneração. Então, com os padres, com os bispos, basta estender a pontinha do dedo, que eu dou a mão inteira, dou o braço inteiro, faço o que eu posso para atrair, para fazer bem, para fazer com que acertem o passo conosco, para inserir na nossa coisa. Hoje foi um exemplo, há outros exemplos, mas hoje foi um exemplo.
(Sr. MF: Inclusive o recorte de João Paulo II estava em primeiro lugar e o senhor passou quase para último.)
Isso, exatamente, para ver bem conforme as reações deles, como é que eu apresentava, etc. Não houve o que eu não fizesse.
Há momentos minha Mãe…
[Orações finais]
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