Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1andar) – 22/8/1981 – Sábado [RSN 024] – p. 14 de 14

Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1andar) — 22/8/1981 — Sábado [RSN 024]

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Ainda que feita pela geração velha, a TFP seria inverossímil * O Grupo do “Legionário” não tinha noção do futuro — Altos prelados intuíam esse futuro e odiavam de morte * O bem e o mal podem estar engajados por inteiro em ninharias, como uma pedra preciosa numa alabarda * No Ancien Régime faceirice se misturou com a valentia e por fim a superou — O espírito da concessão se exerce até no vocabulário * Os reis do século XIX ou eram nulidades ou os netos seriam — Se a aristocracia não tem abnegação e espírito de luta, vira palhaço de tão ridícula * Ser rei é discernir entre verdade e erro, bem e mal, belo e feio — As famílias tradicionais perderam isto completamente, mas resta um carisma que pode reacender * A única solução é entregar-se à Contra-Revolução, imitações baratas não resolvem nada * O pungente é a aristocracia sul-americana que aderiu ao Sr. Dr. Plinio, e em vez da abnegação abraçou o mundanismo * O que teria sido a correspondência de Luís XIV ao chamado do Sagrado Coração, arrastando reis e povos — Deu em egocentrismo e recusa do holocausto a que foi chamado * Há um ângulo de visão do thau que supõe abnegação até o holocausto para distinguir o pecado de Revolução praticado por ódio, do comum praticado por fraqueza * O mesmo se aplica à virtude — Este foi o chamado Luís XIV * Nossos adversários se entregam mais ao pecado de Revolução, como um cone negativo, pecando por princípio * A causa profunda da corrupção é a consciência cada vez mais tênue de que deve haver ordem: cada um é rei de si * O pior não é o número de criminosos que aumenta, é a conivência dos que não cometem o crime

(Sr. João Clá: Acendendo fica muito melhor.)

Mas as lâmpadas estão muito fracas. E tenho a idéia, não sem uma certa… que no meio do corre-corre, o Amadeu tenho idéia que me disse que não estão mais vendendo lâmpadas dessas pequeninas. É capaz

(Dr. Luizinho: […] Em que mês foi a mudança em 1951?)

Não me lembro, não!

(Dr. Luizinho: Faz trinta anos!)

Trinta anos, é verdade! É uma vida, hein?

(Sr. –: De onde é que são esses dois venezianozinhos?)

Foram comprados por minha irmã de uma refugiada austríaca. Como, aliás, esse tapete também, outra refugiada austríaca. Isso eu comprei. Quer dizer, minha irmã levou-me para falar com a senhora…

Meu caro Guerreiro, como vai você, meu filho? Está bom? Chega aqui!

Ó Edwaldo, quem sabe você quer afastar um pouquinho sua cadeira para lá e dar para o Guerreiro pôr a dele.

Mas você vê, o salão fica… você não acha que fica mortiço?

(Sr. João Clá: É que o senhor fica prestando atenção no ambiente e a gente fica mais…)

Bom, meus caros; vamos entrar nos nossos temas! Qual é o tema?

(Sr. João Clá: Não se poderia continuar um pouco esse tema que o senhor tratou um tempo sobre o passado e que…..)

Esse eu já nem me lembro mais. São tais catástrofes, tais ofensivas, tais êxitos, que nem sei mais.

* Ainda que feita pela geração velha, a TFP seria inverossímil

(Sr. João Clá: Só o fato de chegarmos aonde se chegou… O senhor nos dava uma imagem uma vez muito bonita, para se mostrar o êxito na TFP. […] O conjunto da obra da TFP é uma coisa tal, que é uma obra milagrosa.)

Ah, isso eu acho! Isso eu acho.

Eu acho o seguinte: que a obra em si, ainda que fosse empreendida pelos homens mais geração velha mais generosos e mais idôneos, seria uma obra inverossímil. Empreendida em conjunto pelas várias gerações que foram sucedendo, era é estapafúrdia. Entre outras razões pelo seguinte: é uma obra que depende de uma disciplina muito grande, e nós não temos a nosso favor uma das características das mais essenciais do poder de disciplinar, que é o poder de castigar.

Porque, qual é o castigo que nós podemos dar? E eu menos do que ninguém! Porque comigo todo mundo fica sentido, de maneira que não posso fazer nada.

(Sr. João Clá: O senhor não pode olhar feio!)

Não posso olhar feio.

Quer dizer, se há um homem desarmado, sou eu! A gente vai ver o conjunto da obra…

* O Grupo do “Legionário” não tinha noção do futuro — Altos prelados intuíam esse futuro e odiavam de morte

(Sr. P. Henrique: Aquele conjunto também da época de D. José Gaspar, D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, tudo aquilo, aquele conjunto, aquela parte histórica, quando eles golpearam o senhor, deixaram o senhor sozinho com um grupo de quatro ou cinco na Martim Francisco, na época do “Em Defesa”, aquilo só se explica por um milagre.)

Ah, eu acho! Tanto mais, Paulo Henrique, que tem o seguinte: essa sobrevivência seria explicável se eles tivessem uma noção do que é que nasceria daí. Mas eu tenho todas as indicações para achar que todos ou quase todos eles tinham uma noção muito esfumaçada e muito vaga, se tanto.

(Sr. P. Henrique: Mas essa manifestação de ódio era tremenda!)

Tremenda.

(Sr. P. Henrique: Alguma coisa eles viam, porque naquele templo eles queriam reduzir o senhor, a tal ponto que um chegou a dizer: “O que é preciso fazer dele é que ele morra”. Disse isso do senhor, creio que D. José Gaspar ou D. Motta.)

Eu tenho uma idéia disso aí.

(Sr. P. Henrique: Ou seja: esse homem não pode continuar vivendo porque a presença dele vai ser um incômodo para nós. E como era! Porque estudando um pouquinho, o senhor fez referência há pouco ao Cardeal Masella, quer dizer, aquele prefácio que achei que ele tinha dado de bom grado, aquilo foi arrancado dele, assim mesmo uma coisa nódica e coisa que ficou com nós. Não sobrava nada naquele tempo!)

Nada!

(Sr. P. Henrique: Quer dizer, eles já viam o senhor naquele tempo. Já era uma guerra de religião, uma guerra de morte.)

De morte! E guerra de religião, você diz bem

* Havia, mesmo na “heresia branca”, um bom espírito que se polarizava no Sr. Dr. Plinio, contra o mal

(Sr. P. Henrique: Agora, a gente minimaliza a ação da TFP nos dias de hoje, mas deve ser um “krack” a existência da TFP, porque ela cresceu em graça e santidade.)

Naquele tempo, Paulo Henrique, eu tenho dito aqui, você talvez estivesse presente quando eu disse, eu não me lembro bem, vocês custam a ter idéia até que ponto havia nos meios católicos, de dentro da “heresia branca”, um bom espírito que germinava. Primeiro ponto. E segundo ponto: até que ponto esse bom espírito se polarizava em mim.

Esse é o ponto!

(….)

(Sr. João Clá: O senhor diz que a missão mais saliente da Contra-Revolução é mostrar a distinção que existe entre bem o mal, verdade e erro, belo e feio, etc. A gente vê que também para nós no que diz respeito à união com a causa de Nossa Senhora, o cerne da união está nesse discernimento, está nesse desejo de combater o mal, neste desejo de compreender a fundo o mal e de esmagar o mal. E acho que tratando disso, a gente trata do cerne da vocação e da união com Nossa Senhora.)

Quer dizer, a interpretação da narração do Gênesis sobre a árvore do bem e do mal, etc., é uma interpretação a ser estudada, é uma mera hipótese. Naturalmente sujeito ao magistério da Igreja, etc. É uma hipótese que será esplêndida para iluminar esse assunto se ele for verdadeiro e, portanto, convém trazê-la ao assunto.

* O bem e o mal podem estar engajados por inteiro em ninharias, como uma pedra preciosa numa alabarda

Mas ainda que essa hipótese não fosse verdadeira, continua de pé todo o resto que você disse. Quer dizer, continua de pé o seguinte, que a nossa vocação deve dar um discernimento da seguinte verdade: que o bem pode estar engajado inteiro — pode estar, eu não quero dizer que esteja necessariamente a iguais títulos —, a partir do processo revolucionário o bem ficou engajado por inteiro em certos pequenos pormenores, na aparência insignificantes, e que o mal ficou também presente por inteiro em certos pormenores também insignificantes, etc. De maneira que a batalha inteira para o bem e para o mal se trava nas ninharias. Mas é nas ninharias!

Por exemplo, o assuntozinho da alabarda lá em cima. Eu pensei nisso quando eu falava da alabarda. Se eu quisesse o João faria, mas se eu tivesse mandado pôr uma pedra preciosa em cada alabarda, eu teria na aparência promovido ainda mais o fulgor das nossas coisas, mas o mal podia entrar inteiro.

(Sr. Guerreiro: Aí é que está o problema.)

É, aí que está a questão! O mal podia ter entrado por inteiro.

Agora, entrado por inteiro por quê? Porque fica — é uma coisa curiosa — tão deleitável a gente imaginar um cortejo dos eremitas portando alabardas com uma pedra semipreciosa diferente e bonita em cada alabarda, fica tão enfeitado, tão lindo, que toma um tipo de lindo que amolece quem vê. Mas amolece de uma moleza que introduz a moleza no centro da alma, e é mais danoso para quem vê do que se os alabardeiros brandissem aquelas pontas. É uma coisa incrível!

Então, num adorno que na aparência melhora a coisa, numa sugestão que na aparência é uma colaboração, e até pode passar por uma colaboração original, interessante, inesperada, nisto entra a voz de um Ganelon qualquer. E a começar por aí, um homem que sugere isso pode tornar-se suspeito.

* Outros exemplos: galão dourado no escapulário do hábito e as rendas que “comeram” as armaduras

Agora, o sentir, o discernir isso, esse engajamento de tudo até na bagatela, o discernir o que é esse tudo, qual é a acuidade, a vivacidade desse tudo, aí está propriamente… Eu vou dar um exemplo muito mais exagerado e, portanto, mais insignificante.

Imaginem que alguém propusesse o seguinte: que o quidam de cada Êremo — meu Luiz, portanto — tivesse o direito a usar o hábito, mas em torno do escapulário, formando moldura, um galão dourado.

(Sr. João Clá: Hahaha! Que horror!)

Meu João, eu comprava para você um galão dessa grossura. Mas liquidava!

(Sr. João Clá: Eu não vestia mais o hábito!)

Sabe aqueles galões de calça de farda de marechal, antigamente, dourados? Eu comprava daquilo, mas na realidade arrebentava.

(Sr. João Clá: A Revolução por sua vez é a mesma coisa, porque é um “panache”, uma plumagem que aparece em cima de uma armadura, de um elmo.)

É, é. Você toma, por exemplo, aqueles fidalgos do tempo dos descobrimentos aqui, os portugueses portanto, espanhóis, mas os portugueses faziam mais, ao menos eu vi mais, quadros de portugueses assim de armadura, etc., com uma gola de renda que saía de dentro da armadura e se espalhava sobre o peito. A gola de renda comeu a armadura, a armadura desapareceu e só ficou gola de renda.

* No Ancien Régime faceirice se misturou com a valentia e por fim a superou — O espírito da concessão se exerce até no vocabulário

Eu estou lendo agora uma coleção que Caio me trouxe da França, memórias do Vilars, Marquês de Vilars. Ele era um…. ele acabou marechal. Segundo Saint-Simon parece que não merecia, não é, Luizinho? Não tinha talento, não é?

(Dr. Luizinho: Tem toda espécie de restrições.)

Toda espécie de restrições. Ele não parece muito inteligente nas memórias dele, absolutamente! Mas ele é muito narrador, ele conta as coisas em quantidade. Nem de longe com a verve de Saint-Simon, mas ele tem um bom gosto de fazer o grosso das memórias dele sobre operações militares, o que é o tema mais empolgante que há.

Ele conta, então, aquelas batalhas todas, etc., passam aqueles nomes todos, porque para ele, a la Ancien Régime, a história das batalhas é a história do que fizeram os oficiais. O número de marqueses, Luizinho, é impressionante, qualquer oficial é marquês. Ou seja, todo marquês é oficial. Logo o marquês, para as nossas ressonâncias latinas é o mais sedoso dos títulos de nobreza.

Eles todos são valentíssimos, mas já é uma valentia faceira, em que desaparece a valentia na outra geração e só fica a faceiresse.

Quer dizer, houve no começo um pouco de concessão. Feito um pouco de concessão, a coisa tinha que chegar até o fim.

Querem ver?

Eu ao empregar a palavra “um pouco de concessão”, as palavras “um pouco”, eu hesitei interiormente quanto à inteira propriedade da palavra, porque uma concessão não é como um licor, que a gente bebe mais ou menos um pouco de licor. É uma coisa mais psicológica, espiritual, do que um licor que a gente bebe.

E a fórmula verdadeira seria a forma arcaica portuguesa: “uma pouca de concessão”. Se eu dissesse “uma pouca de concessão” era pior do que se detonasse um foguete aqui dentro da sala, de tal maneira vocês estanhariam, e com razão, porque vinha trazendo consigo todo um preciosismo gramatical, atrás do qual iria uma adoração de mera fórmula, atrás da qual iria uma aberração dos nosso fins.

Olha que são letras, “uma pouca” é acrescentar o “a” no “um”, e transformar o “pouco” em “pouca”. Transformações insignificantes, vai um mundo!

* Os reis do século XIX ou eram nulidades ou os netos seriam — Se a aristocracia não tem abnegação e espírito de luta, vira palhaço de tão ridícula

Agora, como sentir isto? Como perceber isto? Como engajar tudo numa coisa dessas? É a grande pergunta. É a pergunta da noite se quiserem!

Eu tive uma espécie de insônia matutina. Não pensem que eu vou suspender a reunião.

(Sr. João Clá: Parou o coração!)

Não, não..

Mas nessas insônias a gente pensa a respeito de muitas coisas e encontrei de repente uma explicação para uma coisa de que eu antes não tinha encontrado a explicação e assenta inteiramente. Até se puderem me escrever, passar o que eu vou dizer agora à máquina, eu gostaria, porque eu fico com a coisa preparada.

Eu tenho falado várias vezes para vocês de uma coisa que eu detesto. São os personagens que figuram no quadro de Góia representando Carlos V e sua família. Não, é o enterro do Conde de Orgaz. Não é do Góia. De quem é aquilo?

(Sr. F. Antúnez: De Greco!)

O Greco é uma espécie de ancestral do Góia, é um monstro! Eu detesto o Greco, mas tem adoradores de toda ordem!

Aquele enterro do Conde de Orgaz é uma coisa medonha.

(Dr. Luizinho: É gnóstico!)

É, aquelas caras compridas, horrível aquilo! Mas deixaremos de lado.

Aquelas caras daqueles reis, daquele rei, daquela rainha, daqueles príncipes, daquilo tudo, mas são umas nulidades, uns cretinos desajeitados, sujos, anacrônicos. Quer que eu diga mais? Dificilmente o melhor dos palhaços de circo conseguiria ser tão ridículo quanto aquilo.

Não, é verdade! Para falar na linguagem de gente, isto é assim e não é de outro jeito.

Mas isso me lembrou figuras de outros reis, de outros príncipes, de outras rainhas, etc., e é custoso confessar: exceto a bruxona da Rainha Vitória e nosso grande Francisco José, mais ninguém tem valor. No século passado é. E estão todos caminhando para terem netos daquele gênero.

Não acham que é isso?

(Todos: Tal qual.)

Eu daí, como em geral acontece, fui levado a pensar nas famílias antigas de São Paulo o do resto do Brasil. É isso!

(…)

A gente chega a essa conclusão: ou se ensina às pessoas de boa família a viverem para se abnegar por algo que não são elas, e abnegar quer dizer lutar, não há abnegação que não seja luta, a mera abnegação, tem pena, então põe um lencinho perfumado em cima, isso não é abnegação, precisa ir à luta, ao holocausto…

* Ser rei é discernir entre verdade e erro, bem e mal, belo e feio — As famílias tradicionais perderam isto completamente, mas resta um carisma que pode reacender

Você pega aquele rei do Góia. Se de repente ele tivesse aberto a alma para uma graça assim, ele começava a não ficar mais caricato, começava o tomar jeito e acabava como um homem digno.

Você dirão: “Um medíocre”.

Isso eu não quero saber! Aí atuariam os carismas e ele todo ficaria tomado da única capacidade que dele se exigia, mas está por inteiro. Era discernir entre a verdade e o erro, o bem e o mal, o bonito e o feio.

Dirigir, governar, é isso! O resto faz o primeiro-ministro, quacqueri bestia la fa! A questão é discernir isto.

E para ter isso, isso supre a inteligência. O indivíduo que tem isso funciona como jamais um prêmio Nobel. Acabou-se!

Então, com as famílias de que nós falávamos, perderam completamente a noção de que vivem para qualquer coisa. Mas completamente! Tutti quanti perderam!

Algum dia que recuperassem ainda estava em condições de reflorescer tudo. Por quê? Porque — é curioso — esse gênero de gente chamada para isso tem uma espécie de graça profética difusa, por onde ainda quando eles não descobriram a pólvora, eles, sabendo discernir, encontram o caminho.

Você não concorda com isso?

(Dr. Luizinho: É muito mais do que descobrir a pólvora.)

Como é, meu Carlos?

(Sr. C. Antúnez: São muito bonitas!)

Quer ver um contraste que é chocante?

Ninguém se lembra de achar chocante, de tão harmonioso que ele é, o contraste entre Jorge VI e o Churchill. No meu modo de qualificar, o Jorge VI era uma bonita besta. Era um bonito homem. Ao menos no meu modo de qualificar, não era um mico como o Eduardo VII. Ele era um bonito homem, com dignidade fina, uma certa harmonia de alma, etc., mas era um vazio. Mas pairava em torno dele alguma coisa por onde ele preencheu o seu cargo. Olhe que com um restinho de tradição, hein! Mas ele preencheu o seu cargo.

Agora, você imagine que alguém chegasse para ele e dissesse: “Você não vê? Você é um cretino!”. A mãe, vamos dizer: “Você não vê que o Churchill toma todo prestígio que você deveria ter, o Churchill tem? Pelo menos aprenda a fumar o charuto como o Churchill”.

Então o coitado compra um charuto e começa a fumar o charuto em público.

(Sr. Gurreiro: É capaz de pegar uma pneumonia por três semanas.)

Quebra o coitado. Ele fica pendurado no charuto. Podia fazer uma desenho do charuto assim e o reizinho chupando o charuto na ponta. Não é nada!

Ele que se convertesse e ficasse um católico contra-revolucionário com o senso da verdade e do erro, do bem e do mal, de que nós falávamos há pouco, ele reinava sobre o Churchill perpendicularmente.

* A única solução é entregar-se à Contra-Revolução, imitações baratas não resolvem nada

Dpois outra coisa: eu vi, por exemplo, a reação do Carlos há pouco, nunca conversamos sobre isso, mas uma reação de quem sente estalar uma série de evidências no que eu estou dizendo. Vocês todos estão achando mais ou menos evidente o que eu estou dizendo.

(Dr. Luizinho: A questão do charuto é metáfora mais perfeita que eu vi até hoje!)

Ou então põe um chapéu coco à maneira do Churchill. Não resolve nada! O coitado até pôs em cima do coco alguns chapéus cocos, ele usou o chapéu coco na vida, mas não é nada! Não é nada! Não é isso! Não imite o Churchill! Menos ainda imite a Roosevelt! Ou não procure fazer a faccia feroci do Stalin porque não é por aí! Abnegue-se, seja herói e, em torno de você, constelações aparecem, o céu se enche de estrelas.

(Sr. C. Antúnez: Tenho a impressão que essa classe cometeu um tal pecado,que a única solução de se restaurarem é porem-se na mão da Causa de Nossa Senhora, não há outra perspectiva.)

Não há nenhuma outra perspectiva.

(Sr. C. Antúnez: A gente vê a vontade que eles têm de vulgarizar-se, como os homúnculos imitarem Churchill. A única possibilidade de restauração, me parece, é se eles aceitassem a Causa.)

Só! Não tem outra! Mas esta bastaria. Não tem outra, mas absolutamente não tem outra! E depois é para todos, é para cada um.

* O pungente é a aristocracia sul-americana que aderiu ao Sr. Dr. Plinio, e em vez da abnegação abraçou o mundanismo

Agora, o lado pungente da coisa foi o seguinte: por isso eu sempre pensei que era muito desígnio da Providência que entrassem muitos de toda esta grei, inclusive variantes sul-americanas, para a TFP. Mas muitos dos que entraram em vez de compreenderem que o papel deles era a abnegação transformaram isso em elemento de mundanismo. É uma inversão tão pavorosa que…

(Sr. C. Antúnez: É ridículo.)

É pelo menos. Não, é maior do que Jorge VI fumando o charuto do Churchill.

Mas não é verdade?

(Sr. P. Henrique: Sem tirar nem pôr.)

Quer dizer, é assim!

Outra coisa: não precisa de demonstração, os fatos saltam aos nossos olhos, se iluminam de ponta a ponta assim. De maneira que dos milhões que deveriam ser chamados assim, ao todo uns cinqüenta, sessenta, entraram, tomando todos os países juntos. Destes, a forte maioria — para dizer isto — serviu-se disso para mundanismo. Quer dizer, serviu-se disso para golpear o onde podiam se pendurar.

Não se pode imaginar um delírio maior! Mas é tal e qual.

* O que teria sido a correspondência de Luís XIV ao chamado do Sagrado Coração, arrastando reis e povos — Deu em egocentrismo e recusa do holocausto a que foi chamado

Que é que há, meu caro Guerreiro?

(Sr. Guerreiro: Eu gostaria de perguntar o seguinte: se também não entrou uma avaliação errada daquilo que deve ser o padrão ideal nos homens, digamos, paradigmáticos por excelência. Porque eu me lembro que ainda há algum tempo atrás o senhor falava do convite que Nossa Senhora tinha feito a Luís XIV, a que ele tivesse a perfeita devoção ao Sagrado Coração de Jesus e divulgasse por toda a Europa que fosse o símbolo vivo dessa devoção. Eu me lembro que o senhor comentava que se ele tivesse sido fiel a essa graça, a Europa necessariamente voltaria ao feudalismo. A gente vê que Luís XIV tinha um certo “raffinement”, ele era….)

Esplendor de personalidade! Ele era o Rei Sol!

(Sr. Guerreiro: […] Agora, eu sinto que isso é um ponto que, na procura dos paradigmas para falar da nobreza, etc., me perece que esse ponto o senhor tem sempre muito presente, porque da fotografia daquele menino que nós conhecemos, que é uma fotografia daquele menino…)

Se ele tivesse correspondido àquela graça, ele teria desencadeado milhares de conversões nesse sentido. Porque era uma alma que, por uma espécie de solidariedade, assim como todos imitaram na majestade solar, todos os reis de todos lugares foram imitações dele nesse ponto, depois o teriam imitado também na abnegação.

Mas ele não era abnegado. Luís XIV pode-se comparar a um sol, mas um sol cujos raios em certas horas do dia cheirassem mal.

(Sr. P. Henrique: Uma imagem muito bonita.)

Mas é!

Agora, o que é? É o egocentrismo! É ele, ele, ele!

(Sr. C. Antúnez: Ele não queria dar luz, queria voltar-se para si, não?)

A tal ponto — é historicamente certo — que ele mandava às vezes a música que tocava durante o jantar dele cantar canções populares em louvor dele, e às vezes ele acompanhava cantando, cantarolava o próprio louvor. Você compreende… isso desclassifica um homem.

Você pega aquele quadro dele, pintado se não me engano por Rigaud, Oh Majesté. Eu! A gente tem vontade de dizer: “E Deus? E a Igreja? Onde é que você põe? Você está aí para servir ou para se exibir? Responda! Você ousa, me olhando de frente, dizer que você está aí para servir?”. Tenha a paciência.

Aqui está a coisa que nesse desejo de servir leva consigo… é de outra maneira: tem como pressuposto, como conseqüência, como corolário, como tudo que queiram, o discernimento da verdade e do erro, do bem e do mal, do pulchrum e do feio. Quanto mais fino esse discernimento, tanto mais devora a vida de uma pessoa. Porque devora! Devora não é uma boa metáfora: queima, põe combustão à vida de uma pessoa, é um holocausto! A gente põe a sua própria vida numa pira e queima em louvor de Deus. É como um círio, a gente se queima como uma vela.

* Não podemos escolher a via para ir a Deus, temos que amá-Lo como nos chamou: discernir o bem e o mal e lutar, não há outra via

(Sr. João Clá: Agora, aquilo o senhor está mostrando como sendo o traço comum que deve existir em todos aqueles que são católicos…)

É, mas como você dizia há pouco, no começo da reunião, muito acentuado em nossa época e especialmente entre nós. Porque toda coisa que um católico… vamos dizer, uma obra dentro da igreja tem, não faz senão tomar do conjunto das virtudes católicas uma determinada que é traço comum a todos os católicos, mas pôr num brilho especial. Se você quiser, a pobreza franciscana, por exemplo. A pobreza é um traço comum de todo católico, mas São Francisco levou-a… A lógica e a combatividade inaciana, etc.

Para nós é esse holocausto desse discernimento. Queima! Porque a gente se pondo bem isso diante dos olhos, viver não é senão discernir e lutar.

Amar a Deus tem como conseqüência imediata discernir e lutar. Para nossa vocação é. E nós não podemos amar a Deus como Ele não nos chamou; temos que amar como Ele chamou! Não podemos ir a Ele por uma via escolhida por nós. Já é muito favor de Ele nos chamar e nós ainda vamos impor a via? Não faltava mais nada! Temos que ir pela via em que ele nos chamou. E a via é essa, não há outra.

De onde ser verdade o que se conversava em cima, que é combatendo, impugnando, discernindo, que a gente progride em amor. Nosso amor é assim!

Por exemplo, digamos que eu tivesse cedido ao gosto de mandar pôr algumas pedras nessas alabardas. Eu poderia depois ter feito uma vigília diante do Santíssimo Sacramento, vanum est vobis. Quer dizer, é uma coisa linda fazer vigília diante do Santíssimo Sacramento. Eu fiz poucas em minha vida. Durante elas eu me desfarelei de cansaço e fui para a sacristia dormir uma hora ou duas durante a vigília. Admiro enormemente quem faz aquela vigília. Desolei-me quando foi supressa a adoração perpétua, ainda que feita por uns pobres coitados. Aquilo me parecia uma coisa magnífica, me alegrava. Mas de mim Nossa Senhora queria que eu fosse uma tocha de admiração para aquilo. Ela queria uma outra forma de imposto.

Aqueles coitados que estavam lá, às vezes eram quase uns analfabetos que mal sabiam ler o texto que eles radotaient. Mal sabiam ler, coitados, uma coisa horrível.

Esses coitados, ou um São Pedro Julião que adorasse o Santíssimo Sacramento como um Serafim, como ele adorava. Mas era tudo magnífico, magnífico!

Mas de nós é exigido isto. É exigida, por exemplo, a comunhão diária. Isso sim. E daí para fora, daí para fora!

* Há um ângulo de visão do thau que supõe abnegação até o holocausto para distinguir o pecado de Revolução praticado por ódio, do comum praticado por fraqueza

Meu Carlos, eu lhe cortei a palavra há pouco.

(Sr. C. Antúnez: …)

Diga lá, meu Guerreiro!

(Sr. Guerreiro: Seria interessante, quem sabe o sabe o senhor começar um pouco como é que… também não está, pelo menos para o meu espírito, muito claro como é que o senhor fez essa transição daquele menino.)

(…)

Cada alma, todas as pessoas, inclusive o Carlos IV de Góia, é inconfundível e é única. Deus não gagueja e, portanto, não cria seres que se representem inutilmente um ao outro. Em conseqüência, cada um tem um determinado ângulo pessoal, no nosso caso dentro do thau, para ver até o fim isso. E esse ângulo supõe, exatamente, uma abnegação num ponto particularmente doído, para que a pessoa faça o holocausto de sua vida. Aí vê isso claramente, até onde todas as implicações do bem, todas as implicações do mal, e distingue também a diferença que vai entre um pecado cometido por concessão à Revolução e um pecado simples de um sujeito qualquer; um ato de virtude praticado por espírito de Contra-Revolução e um ato de virtude qualquer.

Por exemplo, uma coisa é o ato de virtude de um homem que não rouba o que é do outro porque ele vê que é de outro e não pode roubar.

Um homem pode merecer o Céu pela fidelidade a essa virtude nessa clave. É uma coisa muito respeitável.

Outra coisa é o senso da propriedade de quem defende o direito de propriedade. É uma outra coisa! De quem detesta o coletivismo, detesta o socialismo, detesta a igualdade e respeita a propriedade do outro — como o primeiro — por uma razão incomparavelmente mais alta.

Também uma coisa é o pobre ladrão que furtou um relógio de um outro para vender, para fazer um passeio, para conhecer a Bahia que ele não conhece. Isso é uma coisa.

Outra coisa completamente diferente é o sujeito que quer que o outro perca o relógio porque ele não tem relógio e ele não dá a ninguém o direito de ter o que ele não tem. Isso é outra coisa, é outro pecado. Salta aos olhos, é evidente!

* O mesmo se aplica à virtude — Este foi o chamado Luís XIV

Nessa clave, o pecado de Revolução é outra coisa. Mas o ato de virtude de Contra-Revolução também é outríssima coisa, porque a gente vai praticando a virtude para altíssimas causas, amando nela o que ela tem de mais santo, de mais reto, de mais puro. É uma quintessência, é um licor de virtude, para o qual exatamente eu creio que o Sagrado Coração de Jesus convidava Luís XIV por meio de Santa Margarida Maria. Era isso.

Mas é uma renúncia, porque, evidentemente, quem se põe nessa impostação renuncia a uma porção de coisas, não tem conversa.

Voilà l’affaire!

(Dr. Luizinho: Como é bonita a expressão “licor de virtude”.)

E é mesmo.

* Nossos adversários se entregam mais ao pecado de Revolução, como um cone negativo, pecando por princípio

Agora os nossos adversários.

Eu acho os nossos adversários, qualquer perequeté na rua. Eles cada vez mais vão praticando o pecado por uma espécie de cone negativo do pecado, e cada vez menos eles pecam pela razão um, a vontade de tirar do outro para ter para si, e cada vez mais pela afirmação do princípio que não se pode ser mais do que eles… [Vira a fita]

. socialismo entra cada vez menos, roubo. Mas cada vez mais vontade de que o outro não tenha, ainda que ele não tenha também, o outro não tenha.

De maneira tal que o permissivismo de outrora foi a vontade de cada um de fazer o que gosta. Hoje não é mais, não. Está sendo cada vez mais a convicção de que não deve haver barreiras.

(Dr. Edwaldo: A estrutura é só isso?)

Só isso!

(Sr. P. Henrique: Isso na Europa, Sr. Dr. Plinio, é uma coisa muito marcante. Com todos que se fala a reação é exatamente esta. Um porteiro do prédio que….. são igualitários, igualitários, igualitários. Não admitem a mínima diferença. Até fazem, mas de uma maneira inteiramente superficial, porque quando se enfrenta o problema, eles confessam completo igualitarismo doutrinário, o socialismo como o senhor acabou de descrever.)

E que intoxicou todos!

(Sr. P. Henrique: Aqui se nota menos porque… a coisa lá é muito mais quente, muito mais quente.)

Depois, sabe, Paulo Henrique, como eles são menos intuitivos, são mais doutrinários, e quando uma convicção dessas se estabelece na cabeça deles, se instala na cabeça deles, fica muito mais arraigada do que nesses intuitivos feitos de luz e sombra em que a mudança do foco luminoso muda todos os jogos das sombras.

(Sr. P. Henrique: É uma coisa! Com os porteiros do prédio lá, o Sr. Nélson já teve discussões a respeito disso. Olha, o negócio vai longe, vai fundo! E não se convencem, não.)

Ah não. Não tem convicção, não. É ali no duro! E essa convicção não é só de que está debaixo, é nos que estão em cima também. Todos!

Lhe dou toda a razão, isso é assim.

* A causa profunda da corrupção é a consciência cada vez mais tênue de que deve haver ordem: cada um é rei de si

Agora, nós por tolice julgamos muito que a corrupção do mundo de hoje vem de pecados da primeira linha. Então, por exemplo, o sujeito é impuro porque ele teve vontade de praticar um ato mau, e o sujeito é ladrão porque ele teve vontade de pegar aquilo que ele roubou, o outro assassinou porque ele teve uma raiva muito grande e quis dar vazão à sua raiva. Então nós vemos esse caos de crimes e julgamos que o mundo está muito ruim.

Isso é um modo completamente superficial de encarar a coisa, porque não se trata disso. No fundo de todos, o que aumenta a criminalidade e tudo mais, tudo mais, é cada vez mais tênue a consciência de que deve haver uma ordem, de que deve haver uma lei, de que há um legislador, de que há um ordenador. Não querem! Ninguém legisla, ninguém ordena, cada um é o rei e o deus de si próprio e se move como entende. Daí punk, movimentos anarquistas, sonhos anarquistas, disco-voador que vem. Vem para oferecer um status em que o sujeito pode realizar isso, etc. É isso!

Você pega, por exemplo, um estado com São Paulo, rico. Hoje é pseudo-pobre, mas é um carnaval de pobreza. São Paulo é um estado rico, cada um sabe disso. Está bem, nesse estado não há dinheiro que baste para o regime penitenciário! Você sabe que a penitenciária famosa do Carandiru é um ovinho hoje para a criminalidade, e que há fazendas, há não sei mais o quê, mas não chega, não basta.

Então um tonto dirá: “É o cinema”, outro diz: “Não, o cinema envelheceu, é a televisão. Olha a TV Globo”.

Eu fico com vontade de dizer: “Mas vocês só vêem isso?”. Não é dizer que não vêem um palmo diante do nariz; não vêem um centímetro diante do nariz. Eu não sei se vêem a ponta de seu próprio nariz, fico quieto. Porque exceto numa grande conversa assim, isso não se pode nem sequer se demonstrar, não adianta. Não se demonstra isso! É evidente!

* O pior não é o número de criminosos que aumenta, é a conivência dos que não cometem o crime

Mas a gente olhando, percebe que é esse cone e que o pior é o seguinte: não é o número de criminosos que aumenta, é a conivência dos que não cometem o crime. Esses vão ficando cada vez mais próximos do crime.

(Dr. Luizinho: Não vêem o cone do mal.)

É, é isso!

(Dr. Luizinho: E não gostam do senhor porque o senhor vê o cone do mal.)

É, e depois mostra no modo de olhar a eles que eu estou dando a entender que eu estou vendo o cone mal dentro deles. Naturalmente ficam indignados.

(Dr. Luizinho: Furiosos.)

Sim, é claro. Mas eu procuro cumprir o meu dever, está acabado!

(Sr. Andreas: O lado do bem, o senhor podia falar… talvez numa outra conversa.)

Hahahah! Numa outra conversa com muito gosto.

Vamos agora nos despedir.

(Dr. Edwaldo: No discernir, no abnegar-se e no lutar que o senhor disse antes, parece que até é a explicação mais perfeita das palavras de Nosso Senhor: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Me parece que a coisa se encaixa perfeitamente nisso, explica….)

É, várias vezes enquanto…

(…)

eu vos agradeço muito terem vindo.

(Sr. João Clá: Não! O agradecimento é nosso!)

Como é, meu Luiz?

(Sr. João Clá: Ele está lamentando os tempos idos em que o grupo era pequeno e tinha conversa assim à noite.)

Ah bom! Isso o vento levou.

Como às vezes eu penso nisso: se, por exemplo, viesse um torvelinho de Bagarre e nos jogasse, por exemplo, a nós que estamos aqui, num ponto qualquer do mundo onde ficássemos um ano sem fazer outra coisa a não ser conversar entre nós, nós tiraríamos proveito?

(Sr. João Clá: Vamos fazer a experiência?)

Se entrasse qualquer coisa do espírito de Carlos IV não adiantava nada. Mas nada.

(Sr. Andreas: Podiam ser duas semanas em Amparo para fazer a experiência.)

Isso, exatamente! Vamos para Amparo!

(…)

Ah, é verdade. Vamos rezar três Ave Marias em louvor d’Ela.

(Sr. João Clá: Em agradecimento também pelo segundo aniversário da carta do senhor ao “O Estado de S. Paulo”. O senhor entregou na festa da Assunção e eles publicaram no dia da festa do Imaculado Coração de Maria,)

Levaram todo esse tempo para publicar?

(Sr. João Clá: Uma semana.)

De 15 a 22, é…

(Dr. Luizinho: Eles levaram dois, três dias para aceitar a carta, fugiram duas, três vezes do oficial do cartório.)

Fugiu, fugiu vergonhosamente. Teve que aceitar, não teve remédio.

(Sr. João Clá: A carta leva a data do dia 15 e foi publicada no dia 22.)

Só que eu não sabia que era aniversário do João nesse dia…

(Sr. João Clá: Ah!)

Vamos rezar três Ave Maria.

Ave Maria…

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