Conversa de Sábado à Noite – 4/7/1981 – Sábado [RSN 023] . 8 de 8

Conversa de Sábado à Noite — 4/7/1981 — Sábado [RSN 023]

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O estrondo de 75, e depois o da França, mais do que matar foi para quebrar — Ainda com o pormenor das agulhas no olho * A fruição de viver de sensação, de amor-próprio, chega a ignorar a realidade externa, para gozar a interna — Caso que se dá até em apostolado, num auge de relativismo * O relativismo é um ateísmo prático, alimentado pela fantasia descabelada, que acaba dando em impureza * Exemplos ilustrativos: seminaristas, ex-membros do Grupo — O sonho desemboca no ressentimento com o Fundador * Como Chopin, o bonde e o Rag Time ajudaram um menino fiel a distinguir o sonho do ideal, nos anos vinte * Sem um ideal é quase impossível não se estatelar na vulgaridade ou no sonho * O thau, como é uma graça, conduz à elevação moral, mas quando ensabugado, cai no sonho, no relativismo * A Sra. Da. Lucilia “era muito mais um ideal realizado do que um sonho”

no Chile e em Minas a gente já sai andando. O pobre paulista tem que dar duro até cavar qualquer coisa, aprende até com a governanta alemã, é outra coisa. O que a gente pode fazer? Quem não tem cão, caça com gato.

Viram a resposta jeitosa que ele me deu? Equivale a uma réplica. Ele disse assim: que aprendeu muito hoje… hahaha!

Então?

(Dr. Edwaldo: Hoje falta um participante da reunião, a Sagrada Imagem.)

Participantes… nós participamos da presença d’Ela, essa que é a realidade.

Mas vamos pôr entre as intenções da reunião que Ela volte, não é? Isso é que devemos fazer.

Meus caros, há alguma pergunta, alguma cosia em que eu lhes possa ser útil?

Eu tenho consciência de que comecei muito tarde, mas é que eu cheguei tarde, a enjolrada… aquilo vai até tarde. Você viu, eles criam um assunto e eu não queria deixar de dar um puxão de orelha neles.

Eles, aliás, agiram muito direito, foi primorosa a conduta deles. Inclusive do Wellington. No fim eu ainda puxei mais um pouco a orelha.

(Sr. Mário Navarro: Qual tinha sido a imprudência deles?)

Hahah! Essa pergunta é de um varão imprudente.

(Sr. Mário Navarro: Estou perguntado de boa fé.)

Hahaha! Eu achei que eles na reunião de anteontem à noite carregaram demais o caráter de homenagem a mim e de menos a Nossa Senhora. Aquela farpa voltada para a cadeira em que eu estava e outras coisas, aquele manto, e me apontando com a mão… O texto estava, como se diz em francês, a crever, eu tinha revisto em Amparo, enfim, passou. Mas qualquer coisinha que se acrescentasse, ficava…

(…)

* O estrondo de 75, e depois o da França, mais do que matar foi para quebrar — Ainda com o pormenor das agulhas no olho

(Dr. Edwaldo: O senhor disse hoje que quebraram psicologicamente João Paulo II e Reagan.)

É uma hipótese, não é?

(Dr. Edwaldo: É tal qual! Agora, o que o demônio tentou fazer com o senhor foi isso, no desastre, não é?)

Eu creio bem.

(Dr. Edwaldo: Porque normalmente um homem não resistiria àquilo!)

Se não fosse a graça de Genazzano, eu teria desaparecido ali, ouviu? Eu teria desaparecido!

(Dr. Edwaldo: Uma pessoa naquela situação do senhor que não morresse, ficaria quebrada, não é?)

Mas eu acho que eles gostariam mais que eu ficasse quebrado do que eu morresse.

(Dr. Edwaldo: E tanto é assim que depois jogaram o estrondo por cima.)

Pois é, para ver se quebrava, uma coisa em cima da outra.

(Dr. Edwaldo: Qualquer pessoa ficaria liquidada.)

Se não fosse a graça de Genazzano eu teria ficado liquidado.

Quer dizer, eu não sei que implicações de caráter médico podia ter, mas eu sempre ouvi dizer que desgostos muito graves prejudicam a diabete. Deve ser! Eu não sei até onde eu teria ido por aí. Mas se não fosse isto, era o coração, era o que você quiser, por reflexo da mente quebrada. Isso é que era o negócio.

(Dr. Edwaldo: E aí eles devem ter sentido muito a mão de Nossa Senhora, porque não deu certo. Como foi, humanamente não podia ter falhado, não é? Enquanto plano não podia ter falhado.)

Porque o plano foi perfeito. Depois o seguinte: o estrondo começou no primeríssimo dia em que ele era decentemente possível, porque foi no primeiro dia que eu saía à rua de automóvel. Foi para ir ao médico, mas, enfim, tinha também o caráter de um passeio como tantas vezes é, um pouco para olhar a rua, etc.

Depois, as agulhas de Blaiser não podem ter sido planejadas. Bleiser, uma brincadeira. Não podia ter sido planejadas, aquilo foi uma coincidência, foi uma coisa impressionantíssima.

Eu tinha brincado na véspera que a coisa que me dava mais horror é injeção no olho. Apareço lá e o oculista me diz: “Bem, isso é uma questão de canal lacrimal, só pode ser resolvido com injeção no olho”.

Aparece uma enfermeira com uma almofadinha e cinco agulhas de injeção. Ele vai, pega uma e… pzzzz no olho. Era a coisa que eu mais tinha horror! Cada um tem sua natureza. A sensação é que vão lhe furar o olho. É terrível, terrível.

E assim a gente vai tocando a vida.

Aliás, também o estrondo da França. Se não fosse muito a ajuda de Nossa Senhora, eu não teria agüentado, porque foi terrível. Não foi tanto quanto aquele, porque aquele foi de arrasar, foi um tufão de arrasar. E você conhece pormenores ali especiais, mas o da França também foi terrível, terrível.

Vocês todos acompanharam muito aquilo, viram que houve momento em que aquilo não tinha saída. É tremendo!

Enfim, vamos tocando.

Você ia perguntar alguma coisa, meu Guerreiro?

(Sr. Guerreiro: Quem está fora há um certo tempo é que traga a pergunta da noite, enfim, que anime a prosa com o senhor.)

Meu Mário!

* A fruição de viver de sensação, de amor-próprio, chega a ignorar a realidade externa, para gozar a interna — Caso que se dá até em apostolado, num auge de relativismo

(Sr. Mário Navarro: Escravo de Maria pergunta se o senhor não pode discorrer mais um pouco a respeito do relativismo de que o senhor falou ontem à noite e hoje à noite na reunião também.)

Eu queria, naturalmente… meu Guerreiro, você não estava ontem à noite na reunião, não é?

(Sr. Guerreiro: Sr. Dr. Plinio, o senhor me desculpe, eu não estava, e hoje, porque eu fiz vigília na noite anterior, eu acordei às quatro horas da tarde. O senhor me desculpe por chegar atrasado na Reunião de Recortes.)

Você vai ter que pegar o bonde andando, mas a coisa vai.

O que mais me impressiona aí, Mário, é aquela história de a pessoa passar… o indivíduo que vive dessa fruição de segunda plana, da fruição não inocente, passar a viver de tal maneira apenas para a sensação, que eu conheci gente — estou aludindo a gente fora do Grupo porque no Grupo não vi — para a qual era mais ou menos indiferente que o fato fosse real, desde que eles tivessem concebido uma certa fantasia, uma certa imaginação que desse a eles um determinado deleite.

E eu não estou aludindo aqui à impureza, porque o que deve haver na impureza não tem nome. Eu acho que a pornografia é precisamente isso, é uma corrida da literatura com a imaginação para uma ficção que excede a realidade. A pornografia tem que ser isso. É um sujeito que esgotou os recursos da fantasia obscena e que então recorre a mais material para fazer novas fantasias internas. É onde ele quer chegar.

Eu estou falando de outras coisas, por exemplo, situações de amor-próprio, de orgulho, se sentimentalismo. Quer que eu diga mais? Até planos para apostolado. Como nunca ninguém me disse, eu posso dizer: então imagina que conseguiu tal apostolado, que não sei mais o quê, e daí para fora.

O que a mente concebe é incrível. Mas a pessoa fica tão viciado, que a realidade externa para ele passa a não ter graça, o que tem graça só a pura concepção interna. Aí é o auge do relativismo.

A questão é que eu acho que há muita gente atolada, mas muita gente.

* O relativismo é um ateísmo prático, alimentado pela fantasia descabelada, que acaba dando em impureza

Bem, que isso tem que dar em relativismo, tem. Porque se a realidade externa me interessa tão menos do que a realidade interna, é porque eu não acredito num Deus transcendente a mim. Ou ao menos não tomo a sério. Talvez exista, mas eu não tomo a sério, não tenho nada que ver com Ele, Ele que se arranje como quiser, como souber, como puder.

(Dr. Edwaldo: É o que faz o louco, porque o louco concebe um mundo interno separado da realidade e não quer sair.)

Exatamente. E depois, Edwaldo, eu conheci gente assim:

O correio entrega cartas em casa, vamos dizer, para essa pessoa mais ou menos às tantas horas da manhã. Então a pessoa imagina: “Imaginem que me chegue agora uma carta contando que eu recebi em herança um castelo na Europa, na França, e que esse castelo me foi deixado por um remoto parente meu que descobriu essa ligação, que esse castelo é assim, e que eu herdei também o título de não sei o quê, herdei tal dinheiro”. Então imaginar-me entrando, contando para o pai, contando para a mãe, surpresa geral na família, despede-se dos amigos, manda imprimir cartão, agora eu sou conde de não sei lá, e lá vai daí para fora. Depois então começa a imaginar que vida levaria como castelão.

Quer dizer, tudo sem o menor sentido, menor base na realidade. Não descende de franceses, não herdará nada nunca, não dá para conde, se herdasse isso aí ficaria como um macaco trancado dentro de uma cristaleira, não cabe nada. Desista! Está bom, mas barababá, barababá…

Compreende que daí vem uma imaginação que requinta na outra, que requinta na outra, vai até onde quiser. Em dado momento o sujeito começa a imaginar que ele é tal personagem histórico que viveu. Então ele entra em não sei o quê, fiz isso, fiz aquilo, lá vai daí para fora.

Ainda que essa imaginação se conserve pura — vocês sabem bem quanta improbabilidade há numa pureza assim, vocês sabem bem, eu não preciso dizer —, em certo tempo a pessoa viciada tomou um tal desinteresse pela vida concreta, que é impossível estudar, por exemplo. Porque se você pode se imaginar agora — mas agora no meu tempo de menino ou de moço — conde no Castelo de Beau Manoir, que perepé-pépépé, que taratátá, o estudo fica para você uma coisa insuportável.

Agora, vocês não acham que há muita gente por aí… não é com a França, não, é com outras coisas. Ganhour de presente automóvel, casou com fulana, fez negócios. Arranjou um jeito de fabricar baratíssimo tal coisa assim, então ele pede um empréstimo num banco para fabricar. Naturalmente a máquina não produz, ele manda vir uma máquina que não corresponde ao negócio. Prefiro não entrar nos pormenores. O outro inventa de ser político, o outro inventa… nem sei. Ao pé da letra!

* Exemplos ilustrativos: seminaristas, ex-membros do Grupo — O sonho desemboca no ressentimento com o Fundador

Eu conheci seminaristas que estavam cursando o curso porque tinham sonhado de ser padres. Acham muito bonito ser padre, humanamente falando. Não é pelo lado sobrenatural, não, é humanamente falando. Então vai ser padre. Aprende a rolar os olhos, aprende a fazer assim com a mão… assim. Eu conheci.

(Sr. F. Antúnez: Subjetivimos.)

Mas existe assim.

(Sr. Guerreiro: Um dado muito interessante que corrobora muito o que o senhor está dizendo, o “Estado de S. Paulo”…)

Você me permite fazer uma interrupção?

Quem eu acho que depois que apostatou entrou muito nisso foi o seu irmão Jaime.

(Sr. F. Antúnez: Ah sim! Já era antes!)

Que ele entrou depois nisso é fora de dúvida.

(Sr. Guerreiro: Aquele coitado do Moisés foi muito nisso.)

É, e as cartas que ele escreveu eram inteiramente nessa linha.

(Sr. Guerreiro: Ele já tinha de si uma idéia que era desses personagens que ele tinha formado, não é? Não era mais o Moisés Pio de Azeredo, mas era um descendente de um rei não sei do quê, etc. Era uma coisa irreversível nele.)

Porque a partir do momento que o sujeito saboreou isso, ele acha cacete até mesmo ser o personagem que ele sonhou.

Que dizer, imagine que para Monsieur de Beaux Châteaux, chegasse uma carta de fato do parente Beaux Châteaux. Ele logo se punha a sonhar outra coisa. Mas a vida concreta do Beaux Châteaux… vamos dizer, na hora de imprimir cartão de visita, olha que é uma operação tentadora entre mil…

(Dr. Edwaldo: Aí já entrou na realidade, não interessa mais.)

Não interessa mais.

Ele vai sonhar que o antepassado apareceu, chovendo do teto uns cartões, e fica olhando com uma cara do tonto para o teto ou qualquer burrice, qualquer loucura que ele faz.

Agora tem o seguinte: esse gênero de gente fica previamente sentida comigo.

(Sr. Guerreiro: Porque o senhor entra na realidade!)

Eu procuro entrar na realidade, não é?

* Como Chopin, o bonde e o Rag Time ajudaram um menino fiel a distinguir o sonho do ideal, nos anos vinte

(Sr. Mário Navarro: Se o senhor pudesse contar alguns fatos dos primeiros embates do senhor com esse estado de espírito, etc.)

É terrível, mas para o bem de vocês não hesito em contar: eu fui tentado de tudo isso! Daí o meu ceticismo de que não aconteça a muitos outros, porque se eu não seu melhor do que ninguém, não sou também tão pior. E tem que haver… como é que eu posso não achar isso?

(Dr. Edwaldo: E a coisa foi caindo.)

Eu me lembro, por exemplo, que eu dormia ao lado de uma saleta de casa, era uma espécie de sala de estar, onde tinha um piano. E minha irmã, e depois mais tarde também uma tia, iam lá. Minha irmã tocava piano, era para ensaio, e a minha tia cantava, etc. E entrava com freqüência Chopin em cena.

Eu me lembro que, independente de achar a música de Chopin bonita ou não, o Chopin apresentava um quadro da realidade completamente diferente do que era São Paulinho de 1922, 23 ou 24. As coisas se deram em 20,19,21. Completamente diferente.

Me lembro de ouvir o bonde chegar. O bonde naquele tempo fazia um barulho enorme porque a cidade era silenciosa. Eu comparava com a música de Chopin que eu estava ouvindo e lembro disso. Dava até uns reflexos contra-revolucionários, porque o Chopin tem mais elevação do que certas músicas que eu ouvia, uma música norte-americana que se tocava muito naquele tempo, de uma dança que chamada Rag Time. Eu não sei o que quer dizer Rag.

(Sr. Mário Navarro: Trapo!)

E a música começava só no meio das primeiras palavras: “Yes, we have not bananas today”. Era um dono de uma quitanda que dizia que não tinha bananas, e a mulher queria comprar bananas, esse tema.

Se você compara com Chopin, Chopin era um homem quand même aristocrático. Então dava até umas consonâncias contra-revolucionárias. Mas eu percebia bem que aquilo era um sonho deste gênero, musicado. É evidente!

Sabe o que era mais delicado? É que a TFP tinha muito de sonho e era preciso saber distinguir o ideal do sonho, do devaneio.

Muitas vezes quando eu me coloco em presença da TFP, e depois das cerimônias dos enjolras, eu penso nisso: “Isto não era devaneio, isto era ideal”. A distinção entre ideal e sonho, Rag Time, se não fosse muito a ajuda de Nossa Senhora não se teria feito. Porque para um menino paulista dos anos vinte, toda a TFP era uma coisa impensável, impensável!

(Dr. Edwaldo: Aí era o sonho bom.)

É, mas aí não é…. anseio, ideal, anelo, aspiração. Fazer distinção entre uma coisa e outra não foi fácil.

* Sem um ideal é quase impossível não se estatelar na vulgaridade ou no sonho

(Sr. F. Antúnez: Parece que para um membro do Grupo esse problema ficou muito mais do que para quem está fora. E parece que chegou um dilema ou tal, ou isso….)

Eu acho que você talvez se engane. Eu acho que depende muito da parte do globo, etc., que… há muita gente muito sonhadora, ouviu?

O que eu acho é o seguinte: é que os enjolras já não sonham dessa maneira. Isso eu acho. Algum tempo antes de chegar aos enjolras, já não se sonhasse dessa maneira. Porque os enjolras já não sonham assim!

(Dr. Edwaldo: Mas o que é que eles sonham?)

(Sr. F. Antúnez: Outra coisa.)

Você pode dizer uma outra coisa, essa sim verdadeira. É que quando um homem não tem um ideal, é quase irremediável ele estatelar numa vulgaridade horrível ou entrar no reino desses sonhos.

* O thau, como é uma graça, conduz à elevação moral, mas quando ensabugado, cai no sonho, no relativismo

E evidentemente o thau é muito mais do que simplesmente um ideal. É uma graça, é um ato de fé e uma graça, é uma coisa no âmbito da fé católica, que o thau ajuda a pessoa a chegar ao píncaro da elevação moral e das aspirações sem ter que sonhar. E um homem que não sonha dá um positivista medonho. Isso eu concordo com você.

Eu não estou dizendo que o homem que cai nesse sonhos é o mais… é o tipo de homem mais vil que se possa imaginar, isso não é. E acho que todo mundo que tenha vocação, tem nisso um meio magnífico para se libertar desse sonho. Mas eu não garanto que não haja muita gente que depois de ter recebido o thau meio ensabugado ou ao menos paralisado voltou ao sonho. Eu não garanto! Não garanto e garanto que nenhum deles garante isso.

Vocês garantem que um sujeito não possa ter o thau e depois voltar ao sonho?

(Sr. F. Antúnez: O curioso é que aí uma vez que entrou, a pessoa ou vive do “thau” ou vai para esse lado, vai para o relativismo.)

Ou tem o xipófago, meio no thau e meio no relativismo. Aqui é que está a questão.

Teoricamente é, mas na prática faz-se a conjugação da monstruosidade. E olhe [que] isso é coisa acontecível..

(Sr. F. Antúnez: Agora, se ele voltasse as costas do sonho dele da vocação, do “thau”…)

Não tem dúvida, seria magnífico. Mas para isso ele precisava ter a coragem de cortar qualquer forma de sonho.

(…)

(Sr. Guerreiro: O senhor já desde menino começou a elaborar todo um mundo contra-revolucionário, e esse mundo encontrava com uns resíduos de elementos maiores ou menores no local em que o senhor vivia, em São Paulo, etc. É verdade que na família do senhor, o senhor encontrava de modo ilustrado, em tantas ocasiões magnificamente, etc. Mas comparado com aquilo que é propriamente todo o plano de senhor para o futuro, para o Reino de Maria, etc., a gente sente que era necessário um vôo de alma do senhor para viver nesse mundo que não existia concretamente ao redor do senhor. E como é que isso o senhor conseguia fazer ao mesmo tempo, combatendo na alma qualquer vislumbre de sonho? Pelo menos no meu espírito fica a necessidade de uma palavra mais, que o senhor pudesse esclarecer um pouco mais isso.)

Ontem à noite eu fiz uma exposição sobre isso na Sede do Reino de Maria, mas muito mais detalhada, uma exposição que eu fiz para os camaldulenses de Êremo do Amparo de Nossa Senhora, na noite se não me engano que precedeu a minha vinda para cá. E realmente eu aconselho a você que procure obter uma das duas exposições.

Quem sabe se Fernando pode pedir para um deles mandar cópia da exposição, porque…

(Dr. Edwaldo: Está aqui em São Paulo já!)

Então vejam, porque é realmente uma fita caudalosa, umas duas horas exponho isso. E me parece que realmente é útil. É raríssimo eu dizer de uma coisa feita por mim o que eu estou dizendo, mas eu acho, eu penso assim, e vale a pena.

* A Sra. Da. Lucilia “era muito mais um ideal realizado do que um sonho”

(Sr. Fiúza: Da. Lucilia, como é que tinha esse problema?)

Ela correspondia ao seguinte: a uma mãe ideal, porque eu a considero uma mãe ideal, mas ao mesmo tempo muito real, e que era muito mais um ideal realizado do que um sonho. Muitas vezes eu pensei isto: “Se eu tivesse que sonhar uma mãe, sonharia com ela. Ela está aqui realizada”. Muitas vezes.

Meus caros, eu vou pedir licença para ir dormir, porque eu costumo comer por causa de questões de sono, etc., imediatamente antes de dormi. Jantei um pouco e estou varado de fome, de maneira que eu vou pedir licença e vou sugerir que vamos andando..

Vamos rezar a Oração da Restauração como se estivesse aqui a Sagrada Imagem.

Há momentos, minha mãe…

(Sr. F. Antúnez: Qualquer professor de História contemporânea faz as hipóteses de hoje à tarde.)

E talvez fizesse até muito melhor.

(Sr. F. Antúnez: Ah sim!)

Ia para a loja dele, revelavam para ele e ele fazia uma coisa…

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