Conversa
de Sábado à Noite ─ 28/2/81 – p.
Conversa de Sábado à Noite ─ 28/2/81
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Como a Revolução tenta disfarçar o óbvio * A morte de Dr. Fábio e do Frei Jerônimo e o mau trato que este dava ao Sr. Dr. Plinio * A necessidade de vir um castigo para aqueles que dão ao Grupo dor de cabeça * Às vezes o único jeito que a Providência tem para evitar uma apostasia é fazer cair sobre a pessoa uma série de desgraças * Quando vier a “Bagarre”, devemos saber agradecer a Deus pelo fato de sermos castigados por nossas infidelidades * Em Fátima Nossa Senhora não se limitou a ameaçar, mas com o milagre do sol Ela quis dar uma mostra do que faria na “Bagarre” * O “zig-zag” do sol foi como vários perigos que surgiriam antes do desabamento final
* Alguns comentários sobre a destruição de Jerusalém por Tito
… tem o seguinte, um e outro teve algum bom ato, então ele põe isso na “Galeria”, coisa incomparável, etc., etc., mas de fato eram bandidos. Uma escória, simplesmente uma escória.
(Sr. Mário: Em caso concreto ele foi instrumento da Providência.)
Sim, foi, ele castigou em nome da Providência, mas não quer dizer que ele tenha sido culpado. Flagelo da Providência, isso foi o que ele foi.
[O Senhor Doutor Plinio refere-se à destruição de Jerusalém por Tito.]
(Sr. Poli: Ali dá para ver a maldade dos homens e saber que a maldade dos homens de hoje é ainda maior…)
É uma coisa que não tem palavras, simplesmente, não tem palavras.
(Dr. Marcos: Não se sabia se era melhor ficar dentro ou sair.)
É, não tinha saída a situação, porque sair era uma catástrofe, ficar dentro uma catástrofe.
(Sr. Mário: Os chefes rebeldes, Simão e João, foram atrelados à carruagem de Tito e foram até Roma, presos por cadeias.)
Portanto a carruagem corria eles tinham que correr, se perdesse…[inaudível]… a corrente ia arrastando pelo caminho, pode imaginar a poeirada, as lambadas porque não estavam acompanhando, a alimentação à baixo da… sede… nada! nem reclama! Se ele disser que está com sede dão risada e daí para fora.
(Sr. –: Está chegando a Sagrada Imagem.)
Está chegando a Sagrada Imagem?
* Como a Revolução tenta disfarçar o óbvio
Leão XIII disse uma vez que a história é uma conspiração contra a verdade. E tem razão, porque todas as coisas são disfarçadas e fazem malabarismos com isso e o público médio, de cultura mediana não sabe disso.
Por exemplo, se a Inquisição tivesse feito um centésimo, um milionésimo do que fizeram com os mártires: “Ah! Nossa Senhora! Tal coisa! etc., etc…” Mas, como foi feito contra os católicos, falam assim das perseguições numa atmosfera sem procurar despertar a piedade, a compaixão. Chega à Inquisição: “Gravíssimo! Cinco judeus foram mortos! por razões de fé! Fanatismo espanhol do mais desencadeado e obscurantista…”
Domina Nostra Fátima Peregrina…
…procurar disfarçar o obvio. Mas que é obvio que João Paulo II não vale dois caracóis, é obvio!
Porque não mandam um Papa que por exemplo seja inseparável de uma imagem de Nossa Senhora que ele faça acompanhar por todos os lados e que faça movimentos da piedade, e coisas desse gênero. Por que não?
(Sr. Mário: Quando ele foi eleito o senhor disse que o grande erro foi não terem elegido uma espécie de Gandhi, um que andasse em sédia gestatória, etc.)
É estávamos perdidos. A jogada devia ter sido essa, essa não fazem.
(Sr. Poli: Não é a proteção de Nossa Senhora, senhor?)
Eu tenho a impressão, ouviu Poli, que o grau de sutileza da Revolução vem crescendo ao longo dos séculos e que não é que os chefes revolucionários estejam ficando mais sutis, mas com o desenvolvimento do processo revolucionário eles encontram meias cúpulas dessa falsidade.
Antigamente não encontravam no nível suficiente para segurar o desempenho de um jogo mundial. E que, por causa disso, eles que tinham mil coisas elucubradas não realizavam. E que esses últimos pontos de raffinement ficam provavelmente para o fim do mundo. Aí isso vai até onde for.
* A mão da Providência na morte de Dr. Fábio e de Frei Jerônimo; o mau trato recebido pelo Senhor Doutor Plinio por aqueles que o invejavam
Agora o que lhes pareceu a reação do plenário diante disso hoje à tarde?
(Sr. Mário: O senhor disse no fim da Reunião de Recortes que ela tinha sido mais viva por causa do texto.)
É, mas além disso vocês acrescentam mais algo. Primeiro, acham isso inteiramente objetivo? No fundo, a seguinte pergunta: Em que medida isso foi eficaz contra a carapaça de otimismo?
Eu fiz ali, uma alusão muito velada, à morte horrível do Fábio do meu caro Fábio a quem eu queria muito, a fotografia dele estava até há pouco aqui. Mas lembrem-se que o câncer dele pesava cinco quilos! E que os médico pediram para o museu da faculdade de Medicina, para tirarem fotografias, não sei bem para que! Porque é raríssimo encontrar [um] câncer desse tamanho.
E, lembram-se da outra morte que aludi, de frei Jeronimo que caiu de bruços e o Edwaldo Marques que foi…
(…)
…esteve presente o arrombamento do quarto para prestar socorros a ele, disse que ele estava com a cara no chão, literalmente amassada como uma moeda. E jogado no chão.
Coisas dessas não impressionam!
(Sr. Poli: Sendo que no final ele estava muito frinchado com o senhor).
Conosco, completamente!
(Sr. Poli: Com o senhor.)
Comigo. Ele estava no ponto de…
(…)
…a apostasia, quase consumada, do João Sampaio, se deve ainda ao impulso de Frei Jeronimo.
(Sr. Poli: Nunca tinha visto uma pessoa tratar tão mal a outra como o Frei Jeronimo tratava o senhor?)
Ah, uma coisa horrorosa. Coisa horrorosa!
Eu me lembro uma ocasião em que ele contando uma descompostura que ele passou em alguém ─ ele era muito dramático ─ [depois] contando a mim, mas numa roda enorme de gente, ele começou a converter a descompostura em mim.
Eu fiz assim: Hã, hã, hã… Quando terminou eu disse: “Olha, está dando sinal para a reunião, vamos entrar”. Porque ele estava rompido comigo, não sei porque, mas estava.
(Sr. Poli: Inveja).
Não é só, o Frei Jeronimo queria criar em torno de si pobres coitados e fazia um clube de compaixão.
Então era a senhora Henicks, que era uma coitada, era não sei o que, era não sei o que, era não sei o que! E ele aí tinha coisas de louco, muita coisa de frei Jeronimo eu nem conto, me abstenho de contar, mas de louco.
E, uma vez que a coisa passou de limite eu dei uma cortada nele, não disse nada mas deixei a coisa cair no chão.
Aí começou a separação. Um tal…
(…)
… evidentemente não era uma coisa de moribus, mas era um tal absurdo e uma coisa tão contrária aos mandamentos ─ não tinha nada de costumes ─ mas tão contrária aos Mandamentos que eu deixei a coisa cair no chão assim, não respondi nada, deixei cair no chão. Aí ele percebeu que não poderia me levar até certo ponto e… aí começou. Quando uma coisa chega a uma transgressão direta e grave de um Mandamento…
(Sr. Fernando Antúnez: No trato que ele dava ao senhor era uma transgressão do primeiro mandamento.)
É.
(Sr. Poli: Gravíssima.)
Gravíssima.
* Nossa Senhora manda castigos como sinal de misericórdia para os membros do Grupo
Enfim, voltando à reunião…
… há outros castigos por mal procedimentos dentro do Grupo que eu não quero mencionar aqui. A pessoa não cai em si.
Lendo Flávio Josefo que isto num certo momento culmina no mundo moderno mas nos atinge… de passagem?…
(Sr. Fernando Antúnez: Na Reunião de Recortes o senhor disse que aquilo era castigo pelo deicídio.)
É, e pelo eclesiocídio, agora.
(Sr. Fernando Antúnez: E dentro do grupo isso tem aplicação para com a Causa…)
A questão é essa: Há de fato para o Grupo a possibilidade de uma grande misericórdia de Nossa Senhora. Até que ponto Ela quererá castigos, ao par de ser misericordiosa, até por misericórdia, como único meio de nos abrir os olhos? Nós não sabemos! É uma coisa que nós estamos por saber, virá depois, como nós podemos saber disso!
Fernando, você quer me dizer para me trazerem dois Points de vue, eu quero mostrar uma coisa para vocês, que castigo!
(Sr. Poli:… Depois a maldade do mundo em negar o nome do senhor, é só pronunciá-lo que quebra o ambiente.)
Quebra.
(Sr. Poli:… Isso não é uma maldade que precisa ser comentada, considerada?)
Acho que… não por mim porque estou dentro do caso, mas por… Eu não comento coisas que digam respeito a mim mesmo, não pode ser.
(Sr. Fernando Antúnez: Mas quem vai comentar? Do ponto de vista da Causa…)
* Um castigo para a casa real da Bélgica
Olhe, eu vou mostrar para vocês duas fotografias, para vocês verem bem o que é castigo… a outro acho que vai ser difícil eu encontrar e se for difícil não vale a pena eu estar procurando.
É do mesmo gênero. Ah! olha aqui.
O que é castigo. Esses dois aqui são príncipes, sobrinhos do rei da Bélgica.
(Sr. Mário N.: Irmãos do rei da Bélgica.)
É são irmãos do rei da Bélgica, portanto é uma casa real que está no poder, que tem dinheiro, que tem tudo. Olha como se apresentam. Hummmm… Quer dizer gente do pior botequim!
(Sr. –: Drogados.)
Não tem coisa mais baixa do que essa!
(Sr. Mário: E esse homem teve tudo para ser diferente, teve um problema no coração, quase morreu e agora é um monstro desses.)
Lembra-se o pai do atual rei da Bélgica era um Alberto I que durante a Primeira Guerra Mundial foi chamado Le roi chevalier.
(Sr. Mário N.: O avô.)
É, o avô.
Bom, este é filho, portanto tio do atual rei da Bélgica.
(Sr. Fernando Antúnez: Nossa!)
(Sr. Mário Navarro: Esse foi regente durante anos.)
Esse foi regente da Bélgica. Isso não vai sem castigo hein! Lembra aquela pergunta da Escritura “quomodo obscuratum est aurum”. Porque você pega por exemplo este homem aqui, eu não aceitaria como zelador do meu prédio. Me diga uma coisa Dr. Marcos eu não sei se você mora em apartamento, mas se morasse aceitaria uma cara dessa para seu zelador.
Dr. Marcos: Não, esse é um mendigo perigoso.)
Mendigo perigoso, exatamente.
E aqui vem explicando que ele está na última ruína financeira e que não pode vender uma casa muito boa que ele tem, uma propriedade, deve ser um castelo, porque a prefeitura não permite, não pode mudar de mãos, porque a coisa é histórica, etc., etc. Foi roubado por não sei quem, espoliado. Olhem a cara. São castigos.
(Sr. Mário: E como o senhor disse são príncipes cuja família está no trono, em palácios e muito rico.)
Rica e o rei…
(…)
* A necessidade de vir um castigo para aqueles que têm dado ao Grupo dor de cabeça
… onde é que estão com a cabeça!
Então são as menores coisas, você toma por exemplo gente que tem dado ao grupo dor de cabeça de toda ordem, por exemplo o pobre do Felipe Ablas, por exemplo, qual é o castigo que vem encima disso?… vinte anos de dor de cabeça! dos trinta que ele tem, ou trinta e poucos. Agora, vem um castigo, tem que vir! Como é o castigo não sei, mas tem que vir!
Dinheiro que ele tem consumido, preocupação, aborrecimento, trabalho e tudo mais! Tem que vir um castigo!
Dirá: “Não, mas você não sabe da misericórdia de Deus…”.
É verdade, mas nós estamos na época da justiça! Em certo momento a Providência mostra a sua justiça de modo esplendoroso. Tem que vir um castigo.
Bem, mas se é com ele é um outro que está próximo dele, depois outro que está próximo… de proche en proche…
(Sr. Mário Navarro: A idéia aí se repete de que como em nossa época não vem castigos… o castigo também não colherá um companheiro de grupo, porque somos todos assim, logo não vem castigo.)
No fundo nós fazemos muita esmola a Deus sendo o que somos, o raciocínio no fundo é esse: “Deus é tão escoiceado por todo mundo que ele deve tomar como um favor que eu dê a Ele um centésimo dos coices que os outros dão”. Essa é a idéia.
Imagine que você tivesse um amigo, um parente, o que quiser, desprezado por todo mundo. Agora você quando passa diz a ele: “Oh fulano, como vai?…” Você acha que aquele lá transborda de entusiasmo, de ternura por você! Põe o dinheiro e o prestígio na mão dele que ele vai te exprimir como é que transborda… Talvez ele te faça um favorzinho assim, mas te cumula de repreensões: “Você se julgava quites comigo e ainda achava que eu deveria considerar uma loteria uma palavra de amabilidade quando você me poderia me dar cem! E devia dar! E você está achando que isso está direito! Agora vem acertar as contas comigo”. É natural.
No fundo nossa idéia é essa: “Escoiceia-se ─ não a Nosso Senhor Jesus Cristo, a Nossa Senhora, deixaria… [inaudível] …respeito. Está bom, a Deus! escoiceado de todo modo!
A Igreja verdadeira é escoiceada como for possível! Não desperta… todo mundo faz isso. Nós fazemos alguns salamaleques, então… somos os filhos de conto de fábula, fabulosos…
Agora, não é verdade, Ele paira acima dos serafins, na glória interna, própria, inesgotável, infinita, absoluta!
Em certo momento Ele chama: Prestem as suas contas, vem aqui, agora você, e explique, como está isso! Tem que dizer, o que pôde fazer.
Agora, esta vivência nós não temos.
* Às vezes o único jeito que a Providência tem para evitar uma apostasia é fazer cair sobre a pessoa uma série de desgraças
Há um membro do grupo que ia muito mal, estava no ponto de apostatar, um dia comentando feitos do grupo, etc., etc., com o Luizinho, no Ca d’Oro, eu disse: “Fulano vai tão mal que o único jeito que tem para a Providência preservá-lo de uma apostasia é cair sobre ele uma série de desgraças, como tais!” Essas desgraças aconteceram em cadência! Evitou a apostasia, a pessoa não abriu os olhos.
Mas é para nós ficarmos vendo como vem o castigo se a pessoa facilita. “Mas veio para ele!” É o que diria o Fábio se tivesse vivo… E era a convicção do Frei Jeronimo, minutos antes dele cair no chão morto. “É que vem para o outro!”…
(Sr. Guerreiro: Então para a realização dos planos de Deus seria indispensável uma série de castigos assim…)
Eu raciocino de um modo um pouco diferente.
Pelo curso geral dos acontecimentos você vê que eu acho ─ nunca marquei nem estou marcando data para a Bagarre, mas você vê como estou preparando todo mundo para a Bagarre, nunca você viu fazer isso, nenhum de vocês, nem coisa parecida! Quando vier o castigo de todos eu não vejo razão para sermos excetuados nós de uma participação nesse castigo.
Alguém dirá: “Mas essa participação pode ser levezinha”.
Eu digo: “É, conforme, porque se [a] hora do ajuste de contas depende da maior ou menor leveza das infidelidades. A nossa é de xifópago.
Sr. Mário: A grande novidade dessas reuniões é que há uma razão para sermos castigados.)
É.
* Quando vier a “Bagarre”, devemos saber agradecer a Deus pelo fato de sermos castigados por nossas infidelidades
(Sr. Mário: E castigados de modo especial porque quanto maior a vocação maior a responsabilidade.)
Você tem toda a razão. Nisso em que insisti hoje à tarde que por ocasião da Bagarre nós devemos achar justo o que está acontecendo e louvar a Deus. A fórmula é estudada intencionalmente, é essa: Nós não acompanharemos bem a Bagarre e nos candidatamos a uma participação ao castigo se nós não soubermos alegrarmo-nos e dar glória a Deus, porque a justiça veio! Como por exemplo em Jerusalém. Uma pessoa ali presente em Jerusalém deveria pensar: “Afinal a morte do Messias está sendo vingada, eu Vos glorifico Senhor porque esse povo ímpio e rebelde está passando pelo que está passando!”
É evidente!
(Sr.Guerreiro: Não aparece ninguém que increpasse os judeus.)
É que todos os fiéis tinham saído de Jerusalém, Nosso Senhor recomendou.
Nosso Senhor disse: “Fugi nessa ocasião”.
Aliás, uma coisa terrível da parte de Nosso Senhor, porque aqueles que podiam ser de uma salvação aos judeus, nessa ocasião, Ele recomendou que deixassem a cidade. Como que dizendo: “Aquela cólera é só para os malditos! Quem tiver benção saia!” De maneira que ficar lá seria uma infidelidade.
(Sr. Guerreiro: Nem a graça da increpação, Deus quis que eles tivessem.)
Não, não tiveram, porque estava feita! E mais algo, hein! Esta já era, mais provavelmente a geração dos filhos.
Porque um deicida de vinte, trinta anos, teria naquele tempo entre sessenta e setenta anos. Quer dizer, como naquele tempo se morria mais cedo, quer dizer, muitos tinham morrido. E tinham morrido certos de que eram impunes. E os filhos pagaram, porque aceitaram os pecados dos pais, ouvindo contar o que houve não se converteram, continuaram o pecado dos pais. Como esses judeus que andam aí na rua, fazem a mesma coisa. Então… levaram na cabeça.
(Sr. Guerreiro: E devem ter levado uma vida comum.)
Comum, levaram a vida comum. Consertarem o templo mal a mal, ficou uma porcaria, porque eles não gastaram, porque com certeza não quiseram, porque dinheiro eles tinham. Consertaram o templo mal a mal e retomaram a vida comum, entraram na vida nhonhoza!
(Sr. Guerreiro:… em certas faltas a pessoa fica num enredo que é aflitivo…)
* Em Fátima Nossa Senhora não se limitou a ameaçar, mas com o milagre do sol Ela quis dar uma mostra do faria na “Bagarre”
É isto, como a Bagarre vai ser para nós muito enigmática, muito enigmática! Nós durante a Bagarre vamos ter dificuldade em compreender essas coisas. Você quer ver um enigma da Bagarre? É um enigma dentro do qual, por exemplo, estou eu. É o seguinte: Até há pouco, mais recentemente, até nós começarmos a conversar sobre esses assuntos eu não tinha refletido com a necessária fecundidade em conseqüências, sobre aquele episódio do sol simular em Fátima que se atirava contra a terra e os ouvintes que estavam lá, fugiam espavoridos. Mas é uma coisa de um gênero que nunca me consta que houvesse em uma aparição de Nossa Senhora. Olha que em La Salette Nossa Senhora chorou! Em Fátima não, ela não se limitou em ameaçar, conhecendo bem a psicologia dos que estavam imersos no pecado de Revolução, Ela ameaçou e deu uma espécie de show do castigo que Ela ia fazer. Foi propriamente o que Ela fez.
Quer dizer, Ela ameaçou de pegar fogo na terra e começar por aqueles que estavam ouvindo a Ela. Se Ela aparecesse de chicote na mão, diriam: “Não, Nossa Senhora nunca fará isso, essa é uma revelação falsa!”
(…)
… para dar origem, então, a invocação Nossa Senhora do Chicote. Agora, nós não poderíamos chamá-la com a invocação, por exemplo, Nossa Senhora do Sol Cadente? Por que não? Se Ela manifestou isso.
Eu estou sempre para dizer ao Boreli, não sei meu Fernando se você chegou a falar isso ao Boreli, para se estudar, me dar um relato de todos os movimentos do sol, durante Fátima, para a gente estudar porque eles não podem ser em vão, aquilo tem que ter um significado. Significado de ameaça, como se… No Antigo Testamento [se] houvesse uma cena assim teria ficado celebérrima, era das páginas mais célebres da Bíblia.
Bem, mas isso não foi feito por Deus que é Pai, foi feito por Nossa Senhora que é Mãe!
É impressionantíssimo! Você sabe que isso que é tão simples, porque isso está, a bem dizer, a flor do acontecimento. Assim, nesse aspecto, eu não tinha pensado. É enigma que ninguém tenha pensado. Não estou censurando ninguém com isso, me ponho dentro. Você está dizendo que a Bagarre é enigmática, isso é um enigma!
Já pensaram, por exemplo., se Nossa Senhora aparecesse em Fátima simulando que ia jogar uma pedra na multidão.
Eu acho que não teriam aceito a revelação como verdadeira. O sol se precipita e a multidão foge espavorida! É como quem diz: “Várias nações desaparecerão” ─ está escrito lá. Agora depois Ela faz a coisa para dizer: “Entendam como é! De que porte é o desaparecimento dessas nações”.
O que é! Mas, hã!… Fátima é em dezessete, há sessenta e quatro anos, a vida de um homem! O professor tem sessenta e quatro anos. Há sessenta e quatro anos esse fato se deu, as igrejas estão cheias de imagens de Nossa Senhora de Fátima, há muitas igrejas eretas em louvor à Nossa Senhora de Fátima, as peregrinações à Fátima se sucedem e eu tenho uma como que certeza moral que nenhuma imagem, nenhum sermão, nenhum santuário e nenhum impresso focaliza esse ponto, entretanto está na evidência dos fatos!
(Sr. Fernando Antúnez: Eu sempre tinha entendido que o sol tinha dançado, um espetáculo bonito.)
Realmente eles falam em dançar, o sol zigue-zagueou. O que serve um pouco ─ eu precisava reler a descrição, que há muitíssimos anos eu não leio. Mas o que serve um pouco para trompe─l’oeil dentro disso é que parece que apareceu com as cores do arco-íris, dá uma idéia muito bonita então, de feería. Mas em certo momento é certo que ele se precipitou sobre a terra e o pessoal fugiu, quer dizer, causou pânico.
Se aproximou, eu não creio que ele fisicamente tenha se aproximado, mas houve um fenômeno de luz que causou essa impressão. É o que basta.
(Sr. Fiúza: Deve ter aumentado a temperatura porque o pessoal estava com a roupa molhada da chuva e ficaram secos.)
Ah foi é? Então talvez o sol mesmo tenha se aproximado.
(Sr. Fiúza: A irmã Lúcia falou que não se abrisse guarda-chuva nem nada, com o movimento do sol que se secaram.)
Esses pormenores eu ignorava, você está vendo que ela quis documentar que não era um jogo de luz ─ que seria honesto ─ pelo fato de ter tido um aumento de temperatura sensível porque roupa não tem sugestão, ou secou ou não secou! Não adianta vir com conversa.
(Dr. Marcos: A dança do sol pelo que li dá a impressão de que foi para se precipitar sobre a terra mesmo.)
Acho que o que você diz é inteiramente lógico, mas eu devo confessar que não é a noção que a leitura deixou no meu espírito, que ele se moveu pelos ares e que num certo momento, inopinadamente, se aproximou. O que eu acho gratuito, acho sua interpretação mais lógica do que a minha.
(Dr. Marcos: Porque ele ficou fazendo círculos.)
Mas a narração que você leu diz isto ou foi uma concepção que você construiu?
(Dr. Marcos: Tenho idéia de ter lido assim.)
É nós precisamos ver.
Por exemplo, se a coisa foi com a noção que você guarda, porque você não tem assim uma certeza em lembrar-se disso, têm uma idéia não é? Ou tem certeza?
(Dr. Marcos: Quase certeza.)
* O “zig-zag” do sol foi como vários perigos que surgiriam antes do desabamento final
Admitido isso poder-se-ia pensar ─ você veja portanto o alcance disso ─ que o sol caminhe em espiral como uma longa ameaça que esse faz sentir, em certo momento desaba.
De 1917 para ca não é o que tem havido? Perigos, perigo comunista que se espalha pelo mundo inteiro, e guerra e não sei mais o que… aurora boreal e a irmão Lúcia que avisa que aquilo era o sinal de uma guerra que seria o começo de todas as calamidades… bá bá bá… Em certo momento… tsum!
(Dr. Marcos: Ele descreveu círculos sem se aproximar, em certo momento é que se aproximou.)
Então a imagem fica menos frappant mas de qualquer maneira a dança do sol é preciso ver que efeito produziu sobre o povo, se maravilhou ou se desde o começo causou susto. Se causou susto era um prelúdio de ameaça. Se maravilhou é preciso procurar a interpretação de outra maneira, porque a reação deles que indica o efeito que causava.
(Dr. Marcos: As pessoas ficaram assustadas.)
Mas desde o começo quando começou a girar? Ou só quando o sol se aproximou.
(Dr. Marcos: Quando o sol se aproximou com certeza.)
Isto é certo. Quando começou o susto…
(Sr. Mário: Tem umas fotos muito sugestivas, as pessoas com pânico…)
Vale a pena pedir ao Boreli as fotografias do povo e de tudo mais porque creio que daria uma reunião, para uma segunda parte de Reunião de Recortes, inteiramente com propósito.
(Dr. Marcos: O [jornal] “Globo” há uns quinze anos publicou um relato completo sobre Fátima.)
É, talvez o Boreli tenha esse relato, se ele não tiver pedir ao Koury. Agora o Koury está como que proibido de entrar no “Globo” não é? Todo pessoal do Grupo não é?
(Sr. –: Mas aí é arquivo.)
(Sr. Guerreiro: Mas é impressionante essa interpretação.)
Acho que é terrível!
Agora veja o enigma hein. Porque não se pode falar, naquele tempo, de Estrutura, não havia ainda Estrutura, era ainda a Igreja. Pontificado era de Bento XV, depois veio Pio XI e Pio XII. Até começar João XXIII. Mas é uma série longa porque de 1917 vai até 1937, são vinte anos. Pio XII morreu por volta de ….
(Sr. –: Cinqüenta e oito.)
Cinqüenta e oito. Então, de 1917, vamos a dizer a 1957, seria quarenta anos. Você tire dois anos, três anos e você tem quase os quarenta anos de posto vida da cidade de Jerusalém, são quarenta anos em números redondos.
Está bom, durante todo esse tempo qual foi a atitude dessas pessoas? Esses fatos se imprimiram aos borbotões e não foi possível conter todo viu.
Isso não marcou a vida da Igreja, e das pessoas piedosas, em nada! É uma devoção a mais e acabou-se! Você toma Belo Horizonte, Curitiba, Santiago, você meu major de Porto Alegre.
(Sr. Poli: São Paulo.)
São Paulo, está bom, em qualquer dessas cidades um santuário a Fátima a mais ou a menos não mudava nada! Um altar de Fátima a mais ou a menos não mudava nada em nada do que diz respeito à Bagarre, nem a Revolução, nem nada!
Quer dizer, isso foi encapsulado, foi superado e transformado numa devoção a mais, sendo a imagem de Nossa Senhora de Fátima coroada, etc., etc., e até recebendo a visita de Paulo VI. Chega até lá! Quando ele foi lembra-se da tempestade raios que houve sobre o avião…
Bem, há o misterioso silêncio da irmã Lúcia, há o segredo que [soma?], há as declarações do cardeal Otaviani, “num poço donde nunca mais ninguém tirará o documento…”
Bem, no meio de tudo isso, a gente examina, a coisa vai de acordo, inteiramente na linha das esperanças do Grupo.
Ora, o Grupo o que era em 1917? Em 1917 era um menino de oito anos que ia completar nove em dezembro. O que é uma criança de oito anos! O que é o Grupo.
(Sr. Mário: Depende da criança.)
Não! O que é?
O mais curioso é o seguinte, eu creio ter contado a vocês, que eu ouvi falar muito de Fátima e nunca me interessei. O pessoal do Grupo pode dizer a vocês, mas eu creio que deveria ser por volta de 1940, só, quando toda a doutrina da Bagarre, etc., estava… enfim, não a justificação, mas a hipótese estava inteiramente delineada e afirmada, etc.
(Sr. Mário: Mas isso foi um fato providencial, senão…)
É, a meu ver Nossa Senhora se serviu de uma peculiaridade dos meus tempos para fazer com que as coisas fossem inteiramente paralelas.
(Sr. Mário: Na época das Congregações Marianas não se falava do assunto?)
Um pouco, mas eu…
(…)
(Sr. Fiúza:… eu vi, no meio da multidão, os pombinhos ficam junto da imagem).
Eu acho que punham um pouquinho de pão, porque eu tenho idéia de tê-los visto comerem. Mas não quer dizer nada! No meio daquela multidão, pombos,… não posso pôr pão aqui e ter pombo dia e noite nesse lugar para comer um pedacinho de pão que eu ponho, os mesmos pombos, isso não acontece.
(Sr. Fiúza: Eu vi, não tinha pão, a posição dos pombos era indiferente ao povo.)
Totalmente, totalmente! Isso eu posso atestar, eu vi! Vi mais de uma vez com a intenção que você pode imaginar. Bom, mas aí já era, vamos dizer, período “post-fatimita” no Grupo. Lembro-me que aí eu comprei várias das revelações, o Grupo era o mínimo na época, eram dez pessoas. E falei com Dom Mayer, então a Congregação Mariana e tudo mais. Aí maravilhado. Agora levou tempo.
(Sr. Fernando Antúnez: Nossa Senhora nas aparições sempre provocou pânico, nunca entusiasmo. Isso é especial da vocação?…)
Eu acho que a reação do mundo moderno diante de tudo quanto é bom, eles dão uma certa importância na medida em que mete pânico. O mundo moderno é pouco propenso para o entusiasmo.
Aliás! nós vemos isso, não preciso entrar em detalhes.
[Um imenso ruído de caminhão.]
Não se pode conversar enquanto passa isso.
(Dr. Marcos: A nota dominante parece-me que em Fátima foi a do pânico.)
A nota dominante, em Fátima, é uma mensagem de amor e um convite à conversão. Essa é a nota dominante. Daí as devoções que nós fazemos invocação aqui, “Coração Imaculado de Maria”, é o afeto! A Mater dolorosa e Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora do Rosário. A nota dominante é essa: “Convertam-se! Olhe aqui quantas razões de amor há, etc., etc., mas, se não se converterem ─ porque é claramente a alternativa ─ caso não se convertam vai acontecer tal coisa”.
Agora, isto que não era dominante naquele tempo, com a recusa de Fátima, passa a ser a nota que mais interessa no momento!
(Sr. Guerreiro: A mentalidade bagarre azul é do tempo de Fátima.)
Nem faziam questão para Fátima, “NANE” para Fátima.
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