Conversa
de Sábado a Noite (Alagoas, 1
andar) – 7/2/1981 – Sábado [RSN 021] – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1 andar) — 7/2/1981 — Sábado [RSN 021]
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Este texto foi cotejado com o microfilme 81/02.08, pois completa esta versão. Avelino
O fenômeno da mudança de cores nos céus de São Paulo exprime o incogitável esplendor dos possíveis de Deus, parecendo um prenúncio do Reino de Maria * “Este prenúncio tem as características de um prêmio”, de dar ânimo, condizentes com o agir da Providência * Analogias do fenômeno com certas circunstâncias de Fátima * É tão artificial o Sr. Dr. Plinio não ter visto e as fotografias não registrarem, que é mínima “a possibilidade de isto não ser providencial” * O fato lembra vicissitudes e aflições da época do desastre, especialmente a saída do hospital e a visita do neurologista * Hipótese sobre um aviso da Providência ligado à rotação que se discerne com o misterioso impasse na Polônia e Estados Unidos * Parece haver um sorriso, um sinal relacionado com os lances do Sr. Dr. Plinio * O que move mais: este fenômeno ou Irmã Lúcia falar? — O Sr. Dr. Plinio se coloca de fora * O não ter visto as cores corrobora de certo modo a autenticidade do fato
Eu não quero dizer aqui estudar no sentido de livros. É claro que o livro convém muito, ajuda muito. Mas ao menos acompanhar com toda seriedade a Reunião de Recortes e possuir a doutrina, sem falar de ter feito um estudo sério da “RCR”.
Qual é a pergunta, meu caro Guerreiro?
(Sr. Guerreiro: Daqueles sinais todos, no céu, eu vi tudo, do cemitério. O senhor disse que não viu as cores, mas as cores era o aspecto completamente inusitado do fenômeno. Nós estávamos no cemitério, no túmulo da Sra. Da. Lucilia, naquela data específica, 3 de fevereiro de 81, e pelo fato de termos começado a ver o fenômeno logo após a saída do senhor, mas instantes depois, um muito ou dois depois, o fenômeno das nuvens a cores deixou uma tal impressão, que eu sentia de modo tão intenso lago que tinha uma relação com a alma do senhor pelo “pulchrum” que a coisa tinha. E na mesma hora ocorreu-me que aquilo era um pouco a ilustração da teoria que o senhor nos deu sobre o mundo dos possíveis e a questão da paradisiologia que o senhor desenvolveu no MNF, depois do Reino de Maria, de como o sobrenatural , o esplendor vão ser o dia-a-dia. E nisso, sentido muito uma forma de glorificação do senhor, porque naquela data… Nossa Senhora se mostrar tão misericordiosa e com um jogo de cena literalmente celestial. A coisa foi tal e de tal modo se remete para o senhor, para as cogitações que o senhor tem… mais a questão da Polônia, a nova-direita nos Estados Unidos, etc., havia assim uma forma de benquerença de Nossa Senhora para com o senhor, tão intensa, que isso tudo forma um conjunto.
Pergunto se isso não tem relação com algo interno, das cogitações do senhor para o presente, ligadas com o futuro. Eu me pergunto se isso não toca em promessas… E como parece que o senhor fez pedidos a Nossa Senhora, etc…)
Eu pedi a Ela o reino d’Ela logo e a Bagarre. Foi o que pedi, e um pedido pessoal que não tem relação com isso.
(Sr. Guerreiro: Mas pareceu-me aquilo de tal forma prenunciativo do Reino de Maria, de uma forma de agir da Providência que… a gente sente que aquilo não está esgotado. Depois a questão da Polônia, Estados Unidos… Não sei se… isso tem fundamento da rés profética.)
(Sr. Poli: […] O querer bem ao senhor, uma forma de ser um com o senhor, por onde se possa entender ou não entender. Como é esta forma de ser?)
É, você compreende, perguntar esta forma de ser é a velha pergunta se eu posso me descrever a mim mesmo.
(Sr. Poli: De nós sermos… como devemos ser do senhor?)
Hahaha! Equivale a dizer o seguinte: mostre-se que nós o veremos. Que dizer, cai na coisa.
* O fenômeno da mudança de cores nos céus de São Paulo exprime o incogitável esplendor dos possíveis de Deus, parecendo um prenúncio do Reino de Maria
Agora, eu poderia de algum modo responder ao que disse o Guerreiro. Quer dizer, eu como não vi o fenômeno a não ser de um modo muito incompleto, etc., não tive pessoalmente a impressão que você teve. Mas a metáfora que você usou, a comparação que você usou, me parece corresponder muito ao que às descrições que vários me fizeram do fenômeno.
Quer dizer, aquelas mudanças de cor inesperadas que se sucediam com muita riqueza e revelando uma espécie de fundo capaz de ainda manifestar N outras coisas… Porque isto parece estar mais ou menos subjacente nas descrições que você fizeram: é que aquilo mudava de um tal modo, que se compreendia que aquilo podia ficar à vista durante doze horas, dando sempre mudanças surpreendentes, encantando sempre. É o que parecia pela impressão dos que viram.
Não me lembro bem se o Edwaldo chegou a ver ou não.
(Dr. Edwaldo: Infelizmente não.)
Não, não é?
Bem, nós três não vimos, vocês três viram.
Mas o modo pelo qual eles comentavam — e agora pela sua palavra — dá muito a idéia de que exprimia o mundo dos possíveis. Quer dizer, que em Deus há possibilidades, possibilidades e possibilidades que não se esgotam. Depois de manifestados mil possíveis, ainda há outros possíveis que não se esgotam, cujo fundo a gente não vê.
Agora, assim como em Deus, assim na Igreja Católica, na Civilização Cristã, no Reino de Maria, possíveis e possíveis, a ser um fenômeno providencial e não uma coincidência fortuita de jogo de luzes. A ser um fenômeno providencial, ser-se-ia levado a dizer que realmente manifestando o esplendor desses possíveis, estava manifestado uma intenção ou um plano de brilhar além de todo limite do cogitável.
Porque o que esse fenômeno parece ter tido — eu consigo pegar bem a palavra agora — parece sido para vocês incogitável. Vocês não imaginavam que isto pudesse ser assim, e cada nova coisa que se apresentava também tinha qualquer coisa de surpreendente na linha do incogitável, porque são coisas diferentes.
Por exemplo, não sei… uma pessoa me dá uma surpresa, não vou dizer que aquilo não é cogitável. É cogitável, ele fez uma coisa que se podia cogitar que ele talvez fizesse e fez, deu-me uma surpresa porque era pouco provável.
Mas ali não, era meio incogitável. Cada coisa que aparecia era meio incogitável, triunfal, seguro de si, completamente como que não teme nenhuma espécie de obstáculos, que é inerente à idéia do triunfo, e um triunfo de uma grandeza, de uma distância em relação ao adversário derrotado e de uma pluralidade régia de aspectos, que são afirmações de majestade, de poder, incogitáveis.
Isto realmente aproxima muito, este fenômeno, a ser que ele não tenha sido fortuito, aproxima-o muito de um prenúncio do Reino de Maria.
* “Este prenúncio tem as características de um prêmio”, de dar ânimo, condizentes com o agir da Providência
Agora, para nós que estamos empenhados nesta batalha, esse prenúncio tem as características de um prêmio. Um prêmio que é anunciado em plena batalha como quem afaga os batalhadores e lhes quer dar esperança, quer dar ânimo, etc. De maneira que essas várias impressões em torno da idéia dos possíveis, essas impressões mais facilmente se manifestam, tomam contorno.
E acho que o que eu disse, sem engajar a questão do caráter providencial, sobrenatural do fenômeno ou não, sem engajar essa questão, eu acho que a palavra “mundo dos possíveis” dá consistência a esses outros comentários.
Agora, o fato é o seguinte: o fenômeno ter tido essas características é uma razão a mais para se suspeitar da providencialidade dele, para se admitir providencialidade dele, porque é por demais coincidência, que seria tão oportuno para nós que isto aparecesse assim, e que isto assim tenha aparecido.
(Sr. Guerreiro: Sentia-se muito que o fenômeno estava vinculado à data, portanto, ao senhor. Sentia também uma nota marial, que aquilo e a Sagrada Imagem são coisas harmônicas.
Um detalhe pequeno em que se vê a delicadeza da Providência nisso é que às seis horas em ponto, hora de fecho do cemitério, no cemitério cessou o espetáculo. Não foi um espetáculo que passou das seis, seis e quinze ou sete, porque o nosso pessoal ficaria no cemitério, não tinha conversa. Mas às seis horas parou, todo mundo saiu. E depois contaram que até depois das seis horas se viu em outros lugares.)
No Êremo da Divina Providência foi até depois das seis, não foi, Fernando?
(Sr. F. Antúnez: Não, seis em ponto também.)
Ah, é verdade. Rezamos até Angelus.
(Sr. Poli: Na Sede do Reino de Maria parou às seis horas, mas depois retomou…)
(Sr. F. Antúnez: Também no Êremo da Divina Providência retomou às sete e dez, sete e quinze, mas muito diluído.)
(Sr. Guerreiro: Até esses pormenores a Providência quis respeitar com relação ao túmulo da Sra. Da. Lucilia. Que depois se venha dizer que “os fanáticos ficaram lá até as seis e vinte” porque apareceu um fenômeno no céu”… Não, às seis horas todo mundo sai.)
E é uma coisa curiosa, mas é verdade que a “enjolradinha” era capaz de entestar e não sair do cemitério. Se viessem com história não saía.
(Sr. Guerreiro: Ah, não saía, não.)
É, era capaz de não sair, inventar de pular o muro e daí para fora.
(Sr. Guerreiro: Não sei se comentaram com o senhor este pequeno detalhe, mas é uma observância do Ordo e certos cuidados que a Providência tem, ficou mostrando. Depois o lilás era uma das notas dominantes no fenômeno. Quer dizer, o cuidado da Providência em salvaguardar a pessoa que, no cemitério, estava sendo objeto de veneração era impressionante. Em dois minutos para as seis se interrompeu e não se viu mais nada.)
É, isto é muito distintivo das coisas da Providência. É fazer sempre de maneira a tornar respeitada a autoridade em jogo, por menor que seja. A autoridade do homem que fecha o cemitério é uma autoridade insignificante, mas é, então respeita-se.
Isto é muito, muito, totalmente. E é realmente muito bonito.
* Analogias do fenômeno com certas circunstâncias de Fátima
(Dr. Edwaldo: É curioso que das pessoas do Grupo não ouvi ninguém dizer, mas as de fora ficaram com certo medo.)
Eu não ouvi essa reação, não me constou de ninguém.
(Dr. Edwaldo: Na repercussão que falaram no auditório, depois uma outra não foi dada no auditório mas a pessoa me contou, que falavam em castigo. Houve no auditório uma repercussão de quem relacionou com Fátima.)
O Martim Afonso disse que na aurora boreal e em Fátima as cores do arco-íris mudavam continuamente. Isto me chamou muito a atenção. Aliás, você estava lá quando falou. E o que houve nesse fenômeno foi isso mesmo, uma mutação das cores do arco-íris.
(Dr. Edwaldo: No milagre de Fátima também o ametista foi muito marcante.)
Ametista, é? Mas por quê? Há alguma referência disto nos livros de Fátima?
(Dr. Edwaldo: Sim. A ponto de tudo ter ficado ametista: o céu, o ambiente todo, as pessoas, árvores.)
Que bonito, hein? Que bonito.
(Dr. Edwaldo: E em Fátima teve uma nota de castigo que foi o sol.)
Que parecia descer sobre a terra.
(Dr. Edwaldo: É, o pessoal ficou apavorado.)
Agora, é preciso notar o seguinte — eu não vi comentário a esse respeito, mas isto foi uma coisa que eu vi: a nuvem na orla da qual o fenômeno se deu era é uma nuvem nobremente ameaçadora. Nobremente ameaçadora. Não era ameaçadora a la carniceiro, evidentemente. Com nobreza, mas ela era ameaçadora.
(Sr. Guerreiro: Depois imenso, um maciço de nuvens negras.)
É. Depois tinha qualquer coisa de desafiante aquela nuvem.
(Dr. Edwaldo: Isto completa muito o quadro.)
Completa.
(Dr. Edwaldo: Me parece, porque era um dado que precisava ser destacado.)
Não tem dúvida, completa bem o quadro. De tudo. Do Grupo não; de todo mundo que viu.
* É tão artificial o Sr. Dr. Plinio não ter visto e as fotografias não registrarem, que é mínima “a possibilidade de isto não ser providencial”
(Sr. Poli: Qual é o fotógrafo de Guarulhos que vai tirar fotografia do céu se não tem algo de extraordinário lá?)
É claro! Todo mundo viu, todo mundo viu. Quem quis ver, viu.
Mas é tão artificial que logo eu não tenha visto e que as máquinas fotográficas não registram, porque aquilo que aquele rapaz mostrou — o rapaz-sensação — é como que nada.
(Sr. Fiuza: Um argumento “a contrario sensu” que nós estávamos vendo: se as fotografias tivessem saído normais, com todas as cores, todos nós estaríamos achando a coisa a mais razoável e nem se comentaria o fato de que as fotos… Quer dizer, nós estaríamos impressionados com as cores, mas não impressionados com o fato de as fotos terem mostrado o que todo mundo tinha visto, porque todos nós estamos fartos de ver cartões postais e coisas do gênero com cenas do céu. Arco-íris, pores-do-sol, tudo muito nítido, qualquer cartão postal tem isso. Todos nós acharíamos banal que o tal fotógrafo profissional tivesse filmado a coisa direito e que o Sr. Carlos Aldunate, que também é um bom fotógrafo, tivesse fotografado. Isto seria então um argumento “a contrario sensu” para reforçar.)
Exatamente, para reforçar a tese a contrario sensu. Não é contra a tese, é contra senso, perfeitamente.
Agora, eu gostaria de acrescentar o seguinte: eu tenho a impressão de que do fato de as fotografias não verem, se explicará de futuro. Mas que elas…. é… em suma é isto.
(Sr. F. Antúnez: O senhor estava dizendo….)
É, mas resolvi não dizer.
(Sr. Poli: Guardamos a caneta também…)
Não, não.
Diga lá, meu caro.
(Sr. Guerreiro: […] Eu estava lá na hora que o Sr. Carlos Aldunate fotografou, a máquina dele não tinha aparelho para fotografar cenas à distância.)
Pelos menos é um documentário interessante.
Aliás, Fernando, este filme não vai ficar conosco? Não podemos tirar uma cópia? Peça amanhã mesmo antes de ele… está morando em São Paulo.
(Sr. F. Antúnez: Parece que tinha que devolver ao homem amanhã.)
Mas amanhã é domingo, é pouco provável que ele tenha que devolver. Se segunda bem cedo ele puder tirar uma cópia… porque quanto mais documentação tenhamos sobre isso, melhor é, para o que der e vier.
(Sr. Guerreiro: Mas essa máquina com a qual o Sr. Carlos fotografou na hora estava sem aparelho de tirar fotografias à distância e se comentava que as fotografias não iam sair boas, etc.)
Ele estava no cemitério?
(Sr. Guerreiro: Estava no cemitério. Agora, é explicável que ela não tenha pegado com nitidez. Porque a do homem lá em Guarulhos, que tinha teleobjetiva, a gente vê. Objetiva, não sei o que dizer. Porque aquela não saiu com a precisão de cores daqueles que viram o fenômeno, esta é uma questão que fica…)
É, porque o que você diz justificaria a coisa do Carlos Aldunate perfeitamente, mas como este homem é de Guarulhos, não sei, eu pensei que fosse da própria base aérea… É de Guarulhos, é? Por que é que ali também não saiu? Bem, pode ser que ele também não tivesse isso.
(Sr. Poli: Ele tinha. Pelo filme se vê que ele tem.)
É um mistério.
Agora, outra coisa curiosa é o seguinte: eu estava vindo da Luz para o Êremo da Divina Providência, tinha acabado de rezar e disse ao João:
— Está sobrando um pouco de tempo para ir ao Êremo da Divina Providência.
O João disse:
— E se o senhor fosse ao cemitério?
Eu estava achando que aí não daria tempo, então disse ao Gugelmin:
— Mas dá tempo?
O Gugelmin disse que dava, mas disse por um ligeira palavra, quer dizer, me pareceu que filtrava uma certa dúvida a respeito disso. Eu pensei: “Bom, o Caio que espere um pouco. Ele não é a primeira vez que me espera”. E toquei para o cemitério.
Quer dizer, estava para eu não ir ao cemitério.
Eu cheguei, estive com todos e um qui pro quo impediu que eu fosse avisado. Mas um qui pro quo que se soma aos inverossímeis desta narração.
(Sr. Fiúza: Também a máquina de Jasna Gora sem filme.)
Pois é, a máquina de Jasna Gora sem filme.
Quer dizer, o que aconteceu lá é eriçado de inverossímeis. Então, eu que vou embora exatamente na hora, que não sou detido em virtude de qui pro quo. O lado inverossímil, que parece teatral, no momento em que eu saio, entretanto o fenômeno, se desencadeia. Depois eu chego ao Êremo da Divina Providência, o negócio começou a baixar e eu não vejo.
Agora vem o auge de escândalo: as teleobjetivas não fixam, as máquinas de fotografar não funcionam e, entretanto, o testemunho é tal que eu não posso ter a menor dúvida, as coisas apareceram.
Aqui eu acho que se configura uma série de coisas que reduzem ao diâmetro de uma agulha a possibilidade de isto não ser providencial.
Aliás, esta fita, sim, valeria a pena guardar porque ela contém uma série de reflexões e tudo que interessa.
* O fato lembra vicissitudes e aflições da época do desastre, especialmente a saída do hospital e a visita do neurologista
(Dr. Edwaldo: Esta meticulosidade do acontecer das coisas contra o senhor lembra muita coisa do desastre, porque ali foi meticuloso!)
Uma coisa em cima da outra. Primeiro quanto ao restabelecimento dos ossos; em segundo lugar quantos aos pormenores da estadia ali, uma série de coisas me afligiram lá.
(Dr. Edwaldo: E as próprias lesões que os senhor teve foram como que calculadas porque não podia ter sido pior. Porque foi de um lado, depois o braço de outro, o que prejudica o equilíbrio. Depois quem sofreu no desastre foi o senhor, os outros quase nada. E o senhor ficou totalmente imobilizado, todos os membros imobilizados. Se fosse alguém estudar para prejudicar, um outro não sairia melhor.)
As agulhas de Blazer, você se lembra, não? É, aí é uma série de coisas.
Por exemplo, na noite que eu vim para cá, do hospital para cá. À primeira vista é uma coisa indiferente vir num dia ou no outro, vir do hospital para cá, é claro. Mas é que eu me sentia naquele hospital de tal maneira na mão do adversário, que eu tinha tomado… e tinha razão, não era uma coisa arbitrária. Eu sei que não estava inteiramente lúcido, naquele tempo, mas isto era lúcido, claríssimo.
(Sr. Poli: Depois o estrondo, campanha do divórcio, isto foi lucidíssimo.)
Graças a Nossa Senhora.
Quando veio a campanha do divórcio eu já estava saindo da ilucidez, mas antes disso era… eu mesmo sentia que não estava com a cabeça em condições de funcionar.
Na noite então eu estava com uma pressa de vir para cá, mas uma pressa sem nome porque eu tinha a impressão que saía da mão do inimigo e vinha para junto de Da. Lucilia. Era toda a impressão que eu tinha.
Está bem, vocês talvez se lembrem da miséria que foi a questão da ambulância, que chega mas depois não chega, não se sabe se vem, depois se não vem… uma séria de coisas assim.
(Dr. Edwaldo: De tal modo a coisa estava aflitiva, que o senhor estava a ponto de desistir.)
Foi, foi.
Uma outra coisa que se deu aqui como o Luizinho e com o João, falamos a respeito da possibilidade de tirar este ferro ou uma radiografia… ah, uma radiografia que mandaram fazer, acho que foi isso. Talvez o Edwaldo e o Fernando se lembrem. Veio a chapa radiográfica, eu em função da chapa levantei a idéia de me levantar mais cedo e o Luizinho teve um dito qualquer que involuntariamente deixou me suspeitar que o resultado tinha sido muito inclemente e que, pelo contrário, não só não podia pensar em abreviar o período da cama, mas que isto ia daí par fora. E o João, sem saber o que o Luizinho me disse, me disse uma outra coisa que, em ponto menor, confirmava o que o Luizinho tinha dito. E eu tive a impressão que se procurava esconder a mim uma determinada situação, dentro daquela lucidez. Então começa a batalha para perceber o que era. Não havia nada.
Depois outra coisa também nessa linha: aquela última visita que até hoje não apurei porque foi feita, do Osvaldo Cruz para mim. Até hoje eu não apurei quem mandou o Osvaldo Cruz vir me visitar no próprio dia de eu me levantar como se eu ainda estivesse gagá. Eu até no começo tomei como visita de cortesia; durante é que eu percebi que era uma visita médica. E até hoje não saiu a explicação, não sei se o Edwaldo tem uma explicação.
Acho que não tem, não é?
(Dr. Edwaldo: Não tenho, não. Não sabia que ele vinha.)
Não sabia!
Bem, são aflições dentro das aflições que estariam coerentes com o eu não ver isto.
(Dr. Edwaldo: Até aquele ferrinho que o senhor tinha atravessado no osso, para tração, procuramos poupar e o senhor não saber, mas no final o senhor acabou sabendo antes de se tirar.)
Por que é que o Miguel Beccar precisava me dizer aquilo? O meu querido Miguel! Por que é que precisava me dizer aquilo, não é?
* Hipótese sobre um aviso da Providência ligado à rotação que se discerne com o misterioso impasse na Polônia e Estados Unidos
(Sr. Guerreiro: […] Outra coisa que senti é como que a Providência dizendo com referência ao desastre, durante o fenômeno: “Os senhores que estão na causa do que se passou, olhem para ele que eu não vou esquecer isto. Mas este ponto não será o obstáculo para os senhores seguirem a ele e cumprirem inteiramente a missão. Há aqui a Sra. Da. Lucilia, que no fundo é também objeto de toda aquela homenagem, que encontrou um meio de resolver esse assunto. De modo que fica também sobre vocês um perdão”. Isso de um lado.
Agora, o ponto dominante era a noção da exaltação, de homenagem, de honraria que a Providência quis fazer em homenagem ao senhor. Isso senti muito. Quer dizer a propósito desta data, nesta hora, depois que ele veio aqui, ato contínuo começa o espetáculo. Depois com tanta magnificência, com uma série de aspectos. E o MNF. Havia qualquer coisa meio glorificante do senhor. Meio não! Achei até uma glorificação bastante grande.)
Se havia um aviso, é bem preciso dizer que o aspecto do gato e do outro… são complementos desse aviso.
(Sr. Guerreiro: Como assim? Isto também não tem o sentido de reportar todo o profetismo, toda a ação do senhor…)
(…)
É uma pergunta que a gente pode fazer-se. Não há ainda dados inteiros para a resposta, porque o caso Polônia é um caso muito misterioso. Propriamente a haver uma reação na Polônia ou havê-la nos Estados Unidos, eu debaixo de certo ponto de vista acho mais razoável esperar certo teor de ultramontanicidade na reação polonesa do que na reação norte-americana. Razões de continuidade histórica, etc.
Mas nós chegamos a um tal ponto, que eu seria por causa disto levado a achar que mais provavelmente existe nos Estados Unidos do que na Polônia. Quer dizer, a tal inversão destas regras, que o fato de uma regra falar neste sentido levaria a gente supor que o contrário é verdade. Tal é a inversão das regas.
Aí precisamos ter mais dados para fazer o relacionamento, mas é o relacionamento possível. Porque das várias Reunião de Recortes sobre os Estados Unidos e sobre a Polônia — já se tem falado muito sobre estes dois temas —, nunca a rotação do mundo a propósito destes dois fatos foi apresentada com tanta clareza e se tornou tão visível em profundidade quanto hoje. Não sei se concordam com isso, mas eu tenho essa impressão.
Quer dizer, os senhores dirão: “Mas o que foi dito hoje de novo?”.
Uma coisa enorme, é que na Polônia há verdadeiramente uma reação anticomunista ativa e que a ligação do comunismo com o episcopado salta aos olhos. Isto eu qualifico uma coisa enorme.
(Dr. Edwaldo: Relacionando com o fenômeno luminoso, a coisa aconteceu também num momento em que a Revolução praticamente chegou, por ação do senhor, a um impasse.)
Se o caso da Polônia é como o Glavan diz no relatório dele… aliás, é preciso dizer ao Glavan restituir o relatório, pedindo para ele mencionar em cada fato a respectiva fonte, que o relatório dele não menciona. Ele põe até citações entre aspas, mas eu quero que ele mencione a fonte. Como também é preciso mandar ver no arquivo se nós temos as notícias das agitações, enquanto João Paulo II esteve na Polônia, publicadas no Brasil, porque elas vão para esse dossiê muito apropriadamente.
(Dr. Edwaldo: Tem umas imprecisões, ele diz lá: “Não me lembro muito bem”.)
É.
(Sr. Fiúza: Na realidade, não era propriamente um relatório dele, ele queria refrescar a memória do senhor a respeito do relatório anterior dele. Nem ele sabe dizer de quando é.)
Ele que nos recomponha isso, que ele ponha os dados que dispuser.
(Dr. Edwaldo: Não é um impasse qualquer, mas se entendi, é o impasse da Revolução.)
Se na Polônia é assim, é o impasse. Nos Estados Unidos é um risco enorme da impasse, o que em si já é um impasse. Mas é impasse diferente do da Polônia, porque ainda não está na posição de agressão, de revolta, de sublevação em que estaria o elemento congênere — congênere… — polonês.
* Parece haver um sorriso, um sinal relacionado com os lances do Sr. Dr. Plinio
(Dr. Edwaldo: E o jogo do senhor não está completo ainda também.)
Não.
(Dr. Edwaldo: Só o vai representar a publicação, se for feito, o que se pode esperar daí é o desespero do lado de lá.)
Há uma coisa em que o pessoal prestou atenção. Muito menos do que no Nordal, mas prestou atenção. Foi o affaire Cantoni. Mas aí é porque conhecem o Cantoni e é o fuxico com o Cantoni, é um caso pessoal: “Aquele homem, indecente… Depois eu não gosto do Cantoni”, que aliás não é gostável. Mas não gostam nada do Cantoni. Então aquilo como é um homem que eles conhecem, quer dizer…
Mas, enfim, Edwaldo, você falava, eu lhe cortei a palavra de novo.
(Dr. Edwaldo: Mas com a publicação de outras coisas que o senhor pretende fazer, parece que vai levá-los ao desespero mesmo. Eles já estão numa situação aflitiva.)
É fora de dúvida, fora de dúvida.
(Dr. Edwaldo: Quer dizer, tanta coisa tentaram e não foi para a frente, e agora estão jogando todo o peso que eles têm.)
É fora de dúvida.
(Dr. Edwaldo: Nesse sentido, o sinal, é na linha do que o senhor disse: “Espere que estou vindo”.)
Ah não, que o sinal também quer dizer isso é fora de dúvida.
(Sr. Guerreiro: O senhor havia pedido muito a Nossa Senhora um sinal, porque a situação geral estava muito difícil.)
É possível. Não me lembro, mas é bem possível.
(Sr. Guerreiro: Eu me lembro que o senhor comentou aqui conosco isso, a situação geral de tristeza, o senhor rezou, pediu e logo depois veio a eleição do Reagan que foi inesperada.)
Inesperada. Sobretudo com as características que teve. Se fosse eleito, vá lá, mas com as características que teve, não.
(Sr. Guerreiro: […] Assim se vê uma série de pedidos que formam uma família e estão numa nota, vamos dizer assim, bom signo.)
É, há um sorriso da Providência sobre isso.
(Sr. Guerreiro: Eu comento isso porque se sente que é a mão da Providência que estava meio parada e que agora começa a interferir.)
* O que move mais: este fenômeno ou Irmã Lúcia falar? — O Sr. Dr. Plinio se coloca de fora
A mover.
Agora vou fazer uma pergunta: o que move mais a vocês, isto ou se de repente a Irmã Lúcia falar?
(Sr. Guerreiro: Dr. Plinio , eu confesso que, para mim, isso.)
Vocês que viram?
(Sr. Poli: Eu não vi o esplendor todo, mas eu vi o que não foi muito posto em evidência: é a coloração do lilás constante que me impressionou.)
Mas vocês várias vezes me disseram: lilás, lilás!
(Sr. Fiúza: E no filme que vimos hoje, a única cor que aparece é a lilás.)
Não, em certo momento aparece uma caudazinha um pouco cor-de-laranja, um pouco de vermelho cor-de-laranja.
Portanto, a Irmã Lúcia lhe falaria mais?
(Sr. Poli: O que ela diria?)
Vamos dizer que ela dissesse, sem data marcada: “O que está anunciado é uma Bagarre por causa da infidelidade da Santa Sé à sua missão”.
(Sr. Poli: Não sei, a Irmã Lúcia talvez falaria alguma coisa, mas…)
E você meu, Fernando, tão quieto?
(Dr. Edwaldo: Só se fosse uma coisa de precisão, mas não de trazer uma coisa nova, porque ela perdeu a vez, porque já deveria ter falado há muito tempo.)
Mas só a data da Bagarre já era uma coisa de uma importância transcendental.
(Dr. Edwaldo: Não tem dúvida.)
Se ela dissesse, por exemplo: “Em 1981 vai estourar a Bagarre”é uma importância transcendental.
(Dr. Edwaldo: Não tem dúvida, mas de si não é uma coisa nova.)
A data é. Pois se nós não temos essa data, ela comunica, é novo.
(Dr. Edwaldo: A adesão à “Bagarre”.)
Isso não, mas a data é de um importância extraordinária.
(Dr. Edwaldo: Não tem dúvida, mas digo como conteúdo.)
Como conteúdo, realmente a data é um pormenor, mas que pormenor!
E você, meu Mário?
(Sr. M. Navarro: Infelizmente ou felizmente a minha posição é parecida com a do Sr. Fernando.)
Que gente!
(Sr. M. Navarro: Para quem tem as leis e os profetas, estas coisas ajudam, mas não são fundamentais.)
E você, meu Guerreiro?
(Sr. Guerreiro: Eu também acho que a posição é essa. Agora, o que não deixa de ser importante é exatamente o fato de que a gente sabe que em certo momento há algo da glória do senhor que se manifesta aos outros.)
É, eu me ponho fora do panorama.
Tudo quanto vocês dizem fica meio cambaleante para mim, e para mim, com minha estrutura de espírito, o fato da Irmã Lúcia, essas coisas assim falam à maneira de silogismos: ali! E sabem que isto para mim tem um peso fenomenalíssimo. Enquanto as gerações que vieram depois, menos ploc-ploc do que eu… hahaha!
* O não ter visto as cores corrobora de certo modo a autenticidade do fato
Meus caros, está ficando muito tarde e eu preciso dormir, mas diga, meu filho.
(Sr. Guerreiro: Se ela falasse uma série de coisas ao mundo a respeito do senhor, é claro que teria outro peso que não esses acontecimentos, isso é óbvio. Mas depende do que ela dissesse. Agora, de momento eu senti isso, pode ser uma coisa que seja muito subjetiva, mas, de qualquer modo, não deixa de ser logo ao qual eu deva agradecer a Nossa Senhora.)
Isto é fora de dúvida.
Eu queria só pôr uma coisa, isto pouco depois da decepção…
(…)
… este fato vem e quero fazer notar uma outra coisa curiosa:
Vocês todos estão falando com esta afirmatividade esses fatos. Vocês já imaginam a impressão que teriam seis meses atrás se lhes dissessem que um fenômeno luminoso não visto por mim nem pelas objetivas fotográficas poderia ter no pensamento do Grupo o peso que tem esse? Vocês ficariam desconcertados.
A maior prova da objetividade do que os senhores viram é a certeza que vocês conservam apesar de eu e as objetivas não termos visto.
(Sr. M. Navarro: E a certeza dos que não viram. Eu não vi,mas tenho certeza quanto ao fato.)
Porque você sente nos outros que viram a autenticidade da certeza deles. Eu não noto nem no Edwaldo nem em você a menor dúvida de que eles viram. Eu confesso que submeti o depoimento deles a uma verificação criteriológica severíssima e cheguei à conclusão: é inegável, eles viram! E não é assim, eles viram não. Eles viram, logo houve. Agora, isso aumenta muito a certeza da objetividade do fato.
E eu notei uma pessoa na reunião que ficou pasma de ver que eu não tinha visto. Porque essa pessoa estava achando que isto provavelmente era movido não com má intenção minha, mas a partir do entusiasmo meu, como às vezes aconteceu ao Grupo, que move os outros. E não é, não. A pessoa caiu das nuvens — aliás, ficou favoravelmente impressionado — quando viu eu entrar com a… que eu não vi, etc. A pessoa caiu das nuvens. O que é um outro lado, indica por algum lado a providencialidade disso.
(Dr. Edwaldo: Se fosse o contrário…)
É, eu vi e os outros não viram, quá! quá! quá!… Eu já disse para o João que o auge do ineficaz seria os Êremos de São Bento, Nossa Senhora da Divina Providência e eu vermos, e o resto do Grupo não ter visto. Isto seria o fiasco.
(Sr. Guerreiro: O auge se seriam de estarem juntos ao senhor.)
E de estarmos juntos, vimos — aliás, até estávamos num momento de grande entusiasmo —, olhamos para o céu, então eu disse: “Olha lááá!… as cores”, e eu ia descrevendo… Isto seria o fiasco.
Bom, meus caros, vamos dormir.
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