Conversa
de Sábado à Noite (1º Andar) – 13/12/1980 –
Sábado [ACIII 80/12.12] – p.
Conversa de Sábado à Noite (1º Andar) — 13/12/1980 — Sábado [ACIII 80/12.12]
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[Neste dia houve uma cerimônia na Igreja de Nossa Senhora de Fátima]
...formaram uma como que parede de estandartes numa certa distância entre eles... estava perfeito! Dois estandartinhos pequenos, junto à imagem, em cima... Homem! Não havia o que não estivesse. A meu ver, muito, muito bonito!
E o AG depois me comentou ao ouvido, e eu concordo com ele, que depois que tudo saiu da capela-mor, ficou uma espécie de majestade, os estandartes e dois eremitas ajoelhados voltados para a capela-mor. Uma majestade, uma dignidade extraordinária!
(Sr.–: A entrada do estandarte.)
Muito, muito bonito.
(Sr.–: Aquela saída do estandarte sozinho, simbologia da solidão, não sei se estudaram para isso, mas esta muito essa idéia.)
Muito, muito... uma verdadeira maravilha! CA, AG peguem uma cadeira.
(Sr.–: . O pedestal da imagem.)
Melhor, impossível. Agora, uma coisa Adolphinho, que você ou o Guerreiro, alguns não viram, o [Andreas?], é a capa, uma capa de coluna que o JU me trouxe de Bogotá. Está aí junto à escrivaninha, um granado lísio e um bordado feito por uma senhora da Colômbia, mas um bordado perfeito. CC também não viu, vai gostar de ver. Meu José Carlos, que Nossa Senhora lhe ajude. Reze por mim.
Senta aí, meu EM.
Acho que vale a pena acenderem a luz por causa do jogo da luz sobre o veludo. Explica um pouco o assunto.
(Sr.–: Trocam a capa todos os dias da imagem de Nossa Senhora do Pilar. Falei com o padre, mandamos fazer a capa e foi posta no Pilar. Há uma tradição de que, quando colocam capa vermelha, Nossa Senhora não atende nenhum pedido [ou não desatende, inaudível], me disse um espanhol nesses dias. E foi isso.)
O sistema de bordar esse leão e os enfeites aqui, eu mostrarei hoje cedo a capa para minha irmã e minha sobrinha. Se elas disseram que o modo de traçar a coroa, etc., que no entender do que se faz hoje e se gosta, diz que está perfeito. São três bordados. O desenho das letras, uma maravilha.
Eu conto amanhã ver se isto pode-se equilibrar na imagem, na coluna da imagem de Nossa Senhora do Carmo na Sede do Reino de Maria. Pelas fotografias que tenho visto, a capa vela totalmente o pilar de Nossa Senhora do Pilar, não é?
(...)
Uma beleza, uma coisa linda. Só não olhei ainda o forro, é lísio também? Olha lá, no comércio de Bogotá o que se vende, hein! Isso aqui é vestido de gala aqui no Brasil e esse veludo, não tem, só entrando de contrabando.
* * *
O Grupo dos Macabeus me deu. É um encanto. Eu pediria apenas um favor, me segurarem pela base porque é tudo tão frágil que não é objeto… por exemplo, não vou pôr isto aqui no salão, vou guardar num armário e de vez em quando pôr, porque essas limpadeiras… é objeto de vitrine. Essa limpadeiras escangalham isso. É uma marajá passeando com a filha num elefante e seguido por dois áios, dois mocambos, uma coisas assim. É uma gracinha. AM, já viu? Você se levantou tão alegre para ver que pensei que conhecesse. Olha aqui. Pega por aí meu Fernando!
(Sr.–: É uma peça só.)
Eu aconselho que peguem assim pela base. Mas, notem a coisa curiosa: são cinco figuras: o marajá na frente, atrás o filho, depois um homem batedor na frente e dois atrás. Vejam que labor, que trabalho, que coisa extraordinária! É um charme.
(Sr.–: A construção é um palacinho.)
Um palacinho, ao pé da letra. Por falar em palacinho, o Luizinho e o Eduardo estão demorando. Eu estou rachando de fome!
Não acham bonitinho?
(Sr.–: Foi feito aonde?)
Na Índia. Tem atestado, tem tudo. Foi comprado evidentemente de uma pessoa na necessidade, uma pessoa que precisava muito de pouco dinheiro. Vendeu a outros que tinham só pouco dinheiro para dar. Mas, tem atestado, tem tudo. Não é um encanto João: D. Bertrand já tinha visto?
(D. Bertrand: Já, mas não me canso de ver.)
É um mimo. Não sei se prestaram atenção nas bengalinhas desses guardas que vem atrás e depois no suporte do toldo, fininhos, quase que se diria fios de cabelo de marfim. Você já viu, meu Guerreiro? Carlos Antúnez já viu?
(Sr.–: Cinco minutos demoram.)
Cinco minutos!!! Para quem está com uma fome… Imagine você que almocei às carreiras para não haver conflito entre nossa refeição agora e meu jantar. E estou arrebentando de fome.
Um rapaz na igreja quase desmaiou, aquele que canta, o José Afonso. Sabe que não notei. Quando ele voltou para cantar pela última ou penúltima vez, ficou-me uma idéia muito vaga de que ele estava lívido. Mas, tão vago que, se o João não me falasse, eu nem notava.
(Sr.–: E no fim cantou magnificamente.)
Magnificamente.
(Sr.–: E o Sr. João ia cantar com ele, caso ele caísse. Quando ele parou, o Sr. João disse: “Agora ele vai cair.” E não caiu.)
Ah! Ah! Ah! Bom, faria um tableau a que o João não é infenso. Ah! Ah! Ah!
(Sr.–: Uma vez o maestro desmaiou e o Wagner pegou a varinha e foi um sucesso.)
Creio que está narrado naquela fita, estou me lembrando.
(Sr.–: A revista da Rainha às tropas, todo ano cai um e ela passa impassível.)
O que é eminentemente contrário ao sorriso de Yalta, porque, o que seria publicitário é a rainha, quando viu cair o soldado, não resistiu e jogou-se, e disse: “My… Francis…” Ela sabia o nome desse soldado. Quando o soldado começou a abrir os olhos, disse: “Oh! The Queen!” e desmaiou de novo. Isto seria o… mas, seria uma derrota para a monarquia se ela fizesse isso. A afirmação do espírito monárquico era ele passar impassível com aquele passo dela e outro socorrer o soldado.
O que é contrário às idéias que muitos fazem sobre a misericórdia católica, mas é isso, não tem conversa. “Divisis Misericórdia” tem coisas dessas. Não vou aqui falar nem de João Paulo II, nem de “… misericórdia”. Temos outras coisas a tratar. Em todo caso, vamos para frente.
(Sr.–: O senhor não quer mostrar os perfumes.)
Tragam aqui, as essências. É um sonho. Os rapazes dos vários grupos de Europa. A idéia é lindíssima: 72 anos – 72 frasquinhos de essência. Mas, eu estou com vontade, no ano que vem, propor um… no qual os presentes não vão nesta escalada porque daqui há pouco nos temos a Congregação pobre e minha casa cheia de presentes.
A essência é uma superconcentração do perfume de alguma coisa. E os grupos da França, Espanha e Portugal, arranjaram em Barcelona uma casa que vende um número incontável de essências para a Europa inteira e, então, acondicionaram algumas essências. Em Paris compraram os frasquinhos. Formam uma coleção lindíssima. E foi o grupo de Paris que encheu os frasquinhos com as essências. E, depois ainda numa das caixas puseram lacres para amarrar.
Você prestando atenção nos tempos, os tempos são feitos para, passando o lacre, ou quebra o lacre ou… aquele espírito prático e artístico europeu, ao mesmo tempo. Um encanto.
(Sr.–: Posso tomar uma liberdade com o senhor?)
Pode.
Pedir seus óculos emprestado meio minuto que não trouxe os meus.)
Ah! Com todo gosto. Mas, são bifocais, não sei se você…
Olha lá. Coloridos, tudo diferente.
(Sr.–: Dizem que é cor natural.)
E essas essências não são químicas não. Olha a caixa linda. Onde é que está o “Lilás” aí que eu já abri. Vamos fazer o seguinte — nunca se faz isso — à título de aperitivo, passa a essência lilás e cada um cheira um pouco. Passa para o Adolpho e depois para todos os outros.
Leia o cartão que está um encanto.
(Sr.–: Está impresso em ouro.)
Ah! Eu não sabia. Li pensando que fosse…
(…)
Isso vem uma metáfora que se usou numa conversa aqui, que o nosso leão poderia ser comparado com um leão que traz a rosa na boca. Então aí vem a coisa.
Senhor,
(Sr.–: Em português?)
Síntese francesa, charme, graça, fábula.
Eu não sou entendido na matéria, mas eu acho que esse frasquinhos ou são de cristal ou entra cristal na composição.
[Espalhou-se pela sala o odor.]
Eu não tenho muito grande olfato. Algum de vocês chegam a sentir o odor?
(Sr.–: Sim, sim.)
Sabe uma coisa engraçada que — de repente, agora me veio ao espírito. Pensei o seguinte: “Engraçado, há qualquer coisa de minha infância que eu respirando, sinto aqui.” E agora me dou conta, perfumes que usava, as senhoras de minha família usavam, quando eu era bem pequeno, ainda no período tocando na Belle Époque, tinham muito mais essências e tinham cheiros desse gênero. Põe azoto bioldurado, misturado com ácido não sei o quê, chacoalha e dá um cheiro parecido com o “Lilás”, solta no supermercado e está bom.
(Sr.–: Irrita a sensação nasal.)
Exatamente. Meus caros, agora vamos tratar.
* * *
O marfinzinho já está guardado? Você chegou [a] pegar o lança-perfume? De cheio, não é? O que voe não deve ter pego é o lança-perfume francês, pegou o nacional. Quando eu era pequeno já acabou a lança-perfume “Coty” e começou uma nacional “Colombiana”, da Rhodia, uma porcaria, porcarina. Coty, azulado, bonito.
Vamos rezar as orações que mamãe rezava.
[Ave Maria, Glória e jaculatória]
Sentem-se senhores. Se for o Adolpho ou o C, fico embaraçado, mande por mais lugares.
[AM diz algo em alemão]
Ah! Ah! Ele está dizendo que para não brigarem os dois, designe um terceiro. Mas, eu prefiro resolver pela boa paz. Então, meus caros. Senta D. Bertrand.
Então, eu deveria dizer que o Adolpho é sobrinho, da casa, e norma é que o lugar fosse para o CC. Mas, a questão que aqui não está a casa, a casa é apenas um lugar geográfico. Aqui está a Congregação. De maneira que eu proponho que o Adolpho empurre seu lugar mais para cá e meu bom MN põe um lugar aqui para o CC. E assim está resolvido o caso.
(Sr.–: Não era mais fácil ficar de pé?)
Não, não. Senta aí e vamos tocar o barco.
[O prato é um faisão oferecido pelo São Bento]
Oh! Que maravilha! É feito de que maneira, com o que?
(Sr.–: Tem mousse também.)
Mousse vem junto com isso? Do que e a mousse? Também de faisão? Oh! Beleza hein!
(Sr.–: O senhor quer junto?)
Claro! Claro! Isso. Oh! Que bonito!
Não se poderia colocar as velas sobre a mesa aqui, senão fica um pouco escura a sala. Que linda! E como meu bom Eduardo corta com jeito, com estilo!
D. Bertrand vai me dar licença mas vou começar a comer porque estou trêmulo de fome.
Dos cânticos da noite, alguém notou especialmente algum do qual gostasse?
(D. Bertrand: Do último.)
(Dr. Luiz Nazareno: O conjunto espetacular.)
Eu achei o último magnífico, mas gostei muito do Exsurge Domine. Não sei se acompanharam a letra, mas são as famosas palavras de Nosso Senhor: “Levantai-Vos Senhor! Porque pareceis dormir?”
O faisão está uma maravilha! Valeu a pena esperar.
E quando é que vem a Bagarre então meus caros? Hein?
(Dr. Luiz Nazareno: Esse ano.)
Esse ano hein!
(Sr.–: Em 80 ainda.)
Olha, não se esqueça do seguinte ponto: daqui há 15dias, Nossa Senhora deve estar falando ao soldado Anh. Eu tenho uma lufada de ar quando penso nisso.
(Sr. MN: O senhor acha que esta cerimônia ajudou no sentido de aproximar a “Bagarre”.)
Acho que é indiscutível. Esse tipo de cerimônia apressa os passos de Nossa Senhora porque é um ato de Fé assinalado, mas é um ato de Fé no quê? Não é apenas um ato de Fé na Fé católica, mas é um espírito de Fé, considerar a tal circunstância de acordo com a Fé. Fé na nossa vocação, nas graças que recebemos, eu acho estupendo.
(Dr. Luiz Nazareno: Algo de sabor do Reino de Maria.)
É.
Eduardo, foi feito no São Bento o faisão ou foi Mesdemoiselles Brot?
(Sr. Eduardo Brotero: O São Bento conseguiu a matéria-prima boa como o senhor queria e elas fizeram.)
Porque está feito de um modo primorosíssimo. Quem sabe se, daqui a 15 dias ou 20, estamos nós entregrafonemando ou entre telefonando a respeito do soldado Ahn!
(Sr.–: Mais provavelmente mandando pombos correios.)
Ah! Ah! Porque isso?
(Sr.–: “Bagarre.”)
Mas, tem o seguinte: Eu acho que a Bagarre não arrebenta lá. É uma mensagem sobra a Bagarre.
(Sr. MN: O senhor imagina o Grupo cantando essas músicas em público como uma espécie de hino da Bagarre, fundo musical da Bagarre, por exemplo, o canto da Sibila?)
Eu acho que essas, como as outras músicas que foram cantadas no Êremo de Amparo de Nossa Senhora, etc., ficariam. Vamos dizer, o nosso coro cantando seria um fundo de música estupendo.
(Sr. MN: O senhor se sente representado por essas músicas?)
Altamente.
(Sr. MN: O que o senhor quereria dizer à Opinião Pública?)
Não, aí não. Como detesto elogio convencional — o elogio convencional é a morte do elogio verdadeiro — eu acho que na Bagarre nós teríamos muita coisa mais terrível e mais alta para dizer. Seria preciso inventar um tipo de música nova tocada à ribombo, à estrondo de terremoto.
(…)
Estou perfeitamente servido.
(Sr.–: O Sr. Fernando Antúnez disse que o senhor está com fome.)
Estou, mas comecei me satisfazer e está muito bom.
(Sr. Fernando Antúnez: Dia de aniversário.)
Não, não. Diga-me uma coisa: essa mousse aqui é do próprio faisão?
(Sr.–: Outra receita.)
É.
Eu estava falando sobre um tema que caminhava para o sublime e agora me salta à memória uma outra coisa. Mousse de faisão comido com faisão, aqui é muito gostoso, mas me lembra uma coisa que se deu no Belenzinho…
(…)
… à medida em que sobe a nobreza das coisas, melhora.)
Aí que está.
(Sr.–: O senhor falou do passo que espera para São Bento e Praesto Sum. Qual seria o passo que o senhor espera dos mais velhos?)
(Sr.–: Ainda maiores.)
Talvez o que eu vá dizer dê cicatriz. Acho que seja dito entre parênteses, antes de entrar no tema, uma coisa que vai dar glória muito especial no Céu, inclusive nos corpos, será aqueles que sofreram algo no próprio corpo, ou por se terem penitenciado ou por terem ouvido duras correções a ponto do corpo ter padecido, mas terem recebido com amor e continuarem para frente.
(Sr.–: 67.)
Ah! 67. Mas, eu acho o seguinte: para nós falta aquelas formas de progresso que dependem de a gente se arrepender. Há, portanto, alguma coisa para destruir em nós. Nós somos como uma barreira, nós temos de um lado toda espécie de coisas boas, mas há um paredão que segura. Se nós racharmos o paredão, as terras recebem água, se fecundam, etc., etc..
O nosso trabalho para ser positivo, tem que ser negativo, nós temos um paredão a derrubar.
(Sr.–: O senhor não acha que a Congregação ainda não está madura para, conforme as circunstâncias mandar um corpo de voluntários para alguma luta que esteja havendo contra o comunismo?)
(…)
… a Congregação mandar gente numa luta de envergadura mundial,…
(Sr.–: Não tem sentido.)
…em que houvesse a certeza de que nós não seríamos traídos. Que o sangue que vertêssemos contra o comunismo, tivesse um verdadeiro caráter simbólico. Do contrário, não iria.
(Sr.–: E o que o senhor tivesse a direção das coisas.)
Não da luta.
(…)
Eu estava pensando o seguinte: que barreira dura é essa, que ninguém pergunta o que. Eu prometo uma Canaã e ninguém me pergunta como se chega a esta Canaã!
Eu não ia explicitar. Se o MN não falasse, eu não diria nada, passava adiante.
(Sr.–: Sugestão não é minha, mas de vários aqui.)
Mas, eu não ouço assim esse cochicho por trás é assim, é? Há o seguinte:…
(…)
…que excelente isso! Bom, não estou perguntando onde foi feito, evidentemente.
Eu acho o seguinte:…
(…)
…no crer, tanta mais vão ser corajosos na Bagarre. Isso é assim. O training da coragem, a gente deve falar sobretudo em graças especiais para a coragem e o training da coragem é a integridade na Fé de que isto viria.
Agora, é preciso perguntar quais foram as causas psicológicas, morais, pelas quais a gente amoleceu a propósito da questão da Bagarre. E tratar de regresser este lado: os quais a gente não desejou. Por que não desejou? O que é que houve?
Porque se tivesse desejado muito, teria esperado contra toda esperança. O que a gente quer muito, a gente espera. Quando a gente quer pouco, as aparências sendo contrárias, a gente debanda. O que houve para querermos pouco? Para querermos insuficientemente? Por que não vimos a Congregação como ela devia ser vista?
(Sr.–: Uma coisa decorre da outra. Quem não vê a Bagarre é porque não vê o senhor, e vice-versa.)
As coisas são congêneres. A aí entram coisas de todo tamanho, de todo gênero, etc.
(…)
Não deseja a Bagarre. Quem não deseja a Bagarre, lhe caem escamas nos olhos sobre a Congregação.
(Sr.–: Especialmente no que diz respeito à grandeza, não é? Parece ser este o aspecto que fará combinação com a Bagarre, que será uma manifestação da grandeza de Deus.)
Claro! Há uma axiologia da não grandeza por onde, na vida o normal é que não aconteçam coisas grandes. A ordem da vida de um homem é que não haja grandeza dentro dela, dentro da linha da vida. O felizardo é aquele que morreu sem grandeza, aquele que levou uma vida mediana e despreocupada. Então, diante deste, a Bagarre não tem resultado, não é aceitável.
Eu vi, neste sentido, coisas singulares, são coisas que presenciei. Casal se constitui, constitui-se com muitas esperanças. E, quando, em geral, um casal se constitui, ele pensa em ser o presidente da República e ela pensa ser a mais alta granfina da cidade.
Olha aqui, não vão passar mais sorvete? Ou tem doce agora? Olha aqui, queria que me encomendasse com o A um dimelor.
Então ele, o presidente da República, e ela pretende ser a mais granfina da cidade. Quando a cidade é São Paulo ou Rio de Janeiro, pretende ser a primeira granfina do país.
O pai mete a cara nas atividades e a mãe mete a cara na sociedade. E alcançam um resultado equilibrado, que nem de longe tão brilhante quanto esperavam. O marido é de vez em quando noticiado nos comentários políticos como um homem de influência que declarou que o PSDQ não vai fundir como QPSD, uma besteira qualquer. E a senhora é amiga de algumas granfinas. Ela mesma é assim, mas é amiga de algumas granfinas.
O que foram um vida equilibrada, tranqüilo, cripto-desapontada. Então, os filhos são educados num ambiente muito calmo, muito mediano. A mãe diz para o filho: “Olha, homem é seu pai. Ele tem um vida muito equilibrada, tudo mediano, nunca passando da conta, dá-nos essa calma que vale mais do que tudo, porque chegar aos píncaros é besteira. O bom é ficar no caminho médio.”
(Sr.–: Eu recebi muito esse conselho, assim: “Sabe que, sempre no meio da turma é o melhor, não dá problema…”)
Mas a questão é que o filho acredita e forma uma axiologia mediana, a axiologia da mediocridade. Para esse é um desastre se houver uma coisa grande na vida. Ele está certo que a vida tem que ser mediana. O filho acredita na [pêta ?] que contaram para ele aqueles que fracassaram.
Quando é o pai do pai, a mãe comenta: “Olha seu avô.” E quando é pai da mãe, o pai comenta.
A grandeza para nós, meu filho, só vai do lado sobrenatural. Mas, eu estou mostrando como, à propósito da grandeza natural, que para nós não entra em linha de conta, se formam mentalidades contrárias até à grandeza sobrenatural, quer dizer, amigas da mediocridade.
Mais ou menos, hoje em dia, pelo que posso calcular, isso é o ambiente geral. “Não se destaque, não tenha saliência, não procure ser grande homem, não procure ter grandes acontecimentos na vida, não provoque alteração. O que você deve querer é fugir de todas as formas de grandeza, sobretudo, das grandes doenças. Está acabado.”
(Sr.–: Isso impede também a admiração.)
Completamente.
(Sr.–: Até fazer fortuna é sair do mediano.)
Depois a coisa mais idiota do mundo: “Se você tiver uma fortuna média, o comunismo não te tira. Você fica garantido, não desperta invejas. E se tiver uma fortuna grande, ocultar-se.”
(Sr.–: O único pomo em discórdia é esse?)
É a raiz de todos, porque se a pessoa forma esta oposição à toda forma de grandeza, ela constrói para si a psicologia do medo e do securitarismo. Isso forma o “limbolatra”.
(Sr.–: Tirolês já é quinta coluna.)
Ah! Ah! Ah!
(Sr.–: Limbolatra é medíocre, o tirolês é pago para sabotar já. Sapador fino.)
Quando o sujeito é um tirolês genial, essa digrescência… Ah! Ah! Há muita gente tirolesa por natureza mal formada.
(Sr.–: Entra o tirolês genial e o traidor é um passo.)
É claro. Apensas o que tem é o seguinte: o traidor competente nunca deixa perceber que ele é genial. Quando se percebe o caráter tirolês de alguém…
Adolphinho, coloque umas gotinhas aqui para eu dizer que bebi
(Sr.–: Não, esse é chileno. É melhor o senhor beber o francês.)
Não, agora… [risos], para atender o convite do AG, arranje outro quadro. Não está sendo servida a champagne do Adolphinho? Ah! Bom. Como no Brasil os vinhos chilenos são apreciadíssimos e tem curso corrente, não tenho razão especial para beber agora. Fica para outra ocasião.
(Sr. Fernando Antúnez: Aqui não tem chileno.)
É verdade, aqui não tem chileno…
Nas minhas primeiras impressões sobre a Igreja, entrava uma admiração ultra-enlevada por um grandeza que eu não via — como a grandeza não deve ser vista — separada das outras coisas, mas era uma nota presente em tudo. A alma do que eu via era a grandeza. Isso todos nós podemos ver, não era só eu.
Por que nós diminuímos no ver isto na Igreja?
Evidentemente foi porque no ver primeiro ver, em algo, possivelmente nós, ou nos deixamos levar pelas futilidades, ou… Mais tarde conhecemos o thau, novamente a grandeza da Igreja deita o olhar sobre nós. Se a gente mais uma vez fecha os olhos, na medida em que deixou de ver a grandeza, deixou de ter [a] alma aberta para os grandes surtos. O texto vem da Fé.
(…)
Vou gravar.
Vou dizer que eu agradeço enormemente os que trabalharam para fazer uma ceia tão excelente quanto essa e, ao mesmo tempo, dietética. Aos que concorreram para que a ceia me fosse agradável, consentindo em comparecer…
(Noooooooooossssssaaa! Ôôôôôô!)
Mamãe dizia: “Fale pouco. E quando você julgou que falou muito pouco, ainda terá falado mais do que os outros querem ouvir.” De maneira que chegou a hora de nós dormirmos.
(Sr. Mário Navarro: O senhor gostaria de rezar para Nossa Senhora para a derrubada da barreira?)
Ótimo. Vamos lá, meus caros, põe isso para trás.
(Sr.–: É preciso derrubar de um lado e construir do outro.)
Se não tiver a atenção posta é onde vai.
[Orações para o término do jantar]
A capa ali fica muito bonita, mas é tão, tão bonita que não pode ser de uso comum. A poluição de São Paulo faz ficar cor de chumbo à qualquer hora. Talvez nos dias de festa.
(Sr.–: Quando ficar cor de chumbo, o senhor JU traz outra.)
Não, não. Quero me lembrar desta em especial. D. Bertrand, por favor, tenha a bondade.
[Rezam diante da Sagrada Imagem, jaculatórias de costume. Oração da Restauração.]
(D. Bertrand: Três Ave Marias pelo senhor.)
[Rezam três Ave Marias]
* * * * *
1º Andar