Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar – 1:32
AM) – 18/10/1980 – [AC III ‑ 80/10.19] – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar — 1:32 AM) — 18/10/1980 — [AC III ‑ 80/10.19]
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* Nosso Fundador prefere que sejam feitas perguntas em suas reuniões, apesar de poderem sair do rumo, do que não se façam — Nas reuniões, nosso Pai e Senhor constatou: “Ficou evidenciado que as palmas não substituem os ‘ohs!´” * Qüiproquó na cabeça de certos membros do Grupo, a propósito das ações do Sr. Dr. Plinio — “Eu sou daqueles com quem todo mundo fica sentido” * Inconformidade de certos membros do Grupo com coisas que o Sr. Dr. Plinio gosta * O modo de ser de nosso Fundador: as alegrias deixá-las para o Céu; aqui na Terra é luta contínua, sem sossego, até a derrota total da Revolução * O empenho que a Revolução tem em esconder o Sr. Dr. Plinio, em fazer com que ele não apareça * A Bagarre propriamente começou com a crise do Movimento Católico, a derrota eleitoral do Sr. Dr. Plinio e sua exclusão como presidente da Ação Católica * A ilusão preternatural de que o extraordinário que acontece no Grupo não tem por trás a mão da Providência — “Está bem provado que com nós não acontece nada!” * As fulgurações que a Providência permite a nosso Pai e Senhor, não são levadas a sério pelos membros do Grupo — “Se fosse com o papai!…”
Índice
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* Nosso Fundador prefere que sejam feitas perguntas em suas reuniões, apesar de poderem sair do rumo, do que não se façam — Nas reuniões, nosso Pai e Senhor constatou: “Ficou evidenciado que as palmas não substituem os ‘ohs!´”
As descrições das condições do movimento católico quando entrei para ele em 1928, quer dizer, uma coisa totalmente diferente.
Aliás, pareceu‑me que eles tomaram a coisa com muito bom espírito.
(Sr. Mário Navarro: Sim, e ficou provado que eles fazem aquilo não por algazarra, mas bom espírito. Porque o senhor pediu e eles aceitaram sem reclamar, sem resmungar.)
Com a facilidade com que um de nós meneia a cabeça.
Eu devo dizer que não acho que a dificuldade que alguns outros sentem, eu não acho uma dificuldade incompreensível. É compreensível que alguns tenham essa dificuldade. Agora, o desejo de acabar com a coisa de plano raso, em vez de se estudar uma medida com calma, etc., e mesmo lançar a priori a idéia: “Porque eles têm algumas dificuldades é o caso de acabar!”.
Já aí eu tomo as minhas distâncias.
Mas é como o caso das perguntas. Eu volto a dizer, eu era favorável antigamente às perguntas, mas… acomodei‑me de bom grado que não fizessem perguntas, etc., porque essas coisas não são…
(Major Poli: O senhor era favorável às perguntas?)
Era favorável. Havia algumas perguntas que realmente tiravam do rumo. Mas eu pergunto, se é necessário sempre que toda pergunta esteja inteiramente no rumo, na interlocução humana?!
Veja agora, por exemplo, estávamos falando… você, de repente, teve vontade de saber qual era minha posição a respeito da pergunta e desviou um pouco o assunto, já é um assunto próximo. É natural que um outro me faça uma outra pergunta e me diga: “Mas isso não foi no tempo da São Milas, foi em tal outro tempo assim…”. E que o outro me diga: “Mas olha aqui, houve um penitenciário antes do Plinio Xavier que foi fulano, e o senhor não lembrou…”.
Isso vai… isso se chama conversa à bâtons rompus, paus quebrados. É normal. Então, a pergunta me parecia afável, amável responder, atender, depois voltar para o tema, etc…
Agora, eu também compreendo que algum posto numa seguidilha de pensamentos, tenha dificuldade de voltar depois. Compreendo. Isso é um modo de sentir a dificuldade, eu não tenho essa dificuldade. Compreendo que um outro possa ter. De maneira que acolhi com toda afabilidade, com toda consideração, a opinião dos contrários às perguntas. Mas eu por mim, era favorável, nem me passaria pela cabeça tolher as perguntas! Compreende‑se que alguém seja contrário.
Agora, no caso do “ohs!”… eu volto a dizer: eu pessoalmente gosto muito. Achei que na reunião passada foi um pouquinho além do limite. Mas isso não é um estampido, não é uma catástrofe, não é um crime nem nada! É uma coisa que a se acentuar ainda mais, comportaria uma benévola intervenção, um começo de excogitação, etc… Por que é que a gente vai dar uma paulada numa coisa que funciona com tanta amenidade? Não compreendo isso! Isso sim é truculência.
Agora, em primeiro lugar, absolutamente falando, atendi. Depois não criei uma atmosfera de mal‑estar em torno dos que protestaram contra os “ohs!…” Criou‑se uma atmosfera de mal‑estar porque a medida que a reunião foi andando, percebeu‑se o vazio! a falta que fazia. Mas isso não é que eu tenha insinuado alguma coisa! Eu não insinuei nada!
Agora, alguém… talvez até tenha sido espontaneamente de vários, não acompanhei, mas apareceram palmas no auditório duas ou três vezes. Essas palmas provaram ainda mais o que as palmas não são… porque, do contrário, alguém podia ter idéia: “Olha, as palavras que o senhor disse ali deixou o pessoal tão constrangido, que palmas poderiam ter enchido bem a reunião, podia‑se ter dado, fizeram falta as palmas”. Não fizeram, porque aplaudiram o quanto quiseram! Mas entre o ambiente com as palmas e o ambiente com os “ohs!…”, a diferença ficou tão grande, que ficou evidenciado que as palmas não substituem os “ohs!”.
(Dr. Edwaldo Marques: E os “ohs!” foram uma graça de Nossa Senhora para a Reunião de Recortes, e recusada.)
Evidente que foi!
* Qüiproquó na cabeça de certos membros do Grupo, a propósito das ações do Sr. Dr. Plinio — “Eu sou daqueles com quem todo mundo fica sentido”
Aí veio a pergunta do nosso caro Gregório Vivanco López, para a qual no momento eu não encontrei outra fórmula de responder. Se eu tivesse encontrado…
(Sr. Nelson Fragelli: Foi magnífica a resposta.)
Mas era um pouco picante… e eu não queria ser picante com ele, eu queria ser inteiramente paterno. Eu falei de menu, de lista de vinhos… de programas de música… Mas aquele cântico ou explode ou… Normalmente deveria explodir.
(Major Poli: A pergunta dele serviu para provar que saiu tudo errado, nem o cântico podia sair!)
(…)
… o relampaguear dentro das cabeças de quem é que tinha pedido ou não pedido, ninguém me perguntou, mas eu notava o relampaguear. Com isso também eu não tinha nada que ver, eu não posso impedir que um sujeito se pergunte quem fez! E desconfio que, grosso modo acertaram, e como ninguém pronunciou nenhum nome…
Agora, as pessoas que se possam sentir atingidas vão procurar — porque eu sou daqueles com quem todo mundo fica sentido — nas minhas palavras o que é que motivou o curso dos acontecimentos. As minhas palavras estão gravadas e não têm absolutamente nada! O curso dos acontecimentos rolou sobre si!
As minhas palavras foram as mais amáveis, as mais atenciosas do começo até o fim da reunião. Apenas com o Gregório passaram um pouquinho além do que eu queria. Até rezei por ele depois. Eu não queria, eu não costumo responder assim, costumo responder muito mais arredondado, mais afável do que fui com ele.
* Uma reunião onde se anuncia o começo da Bagarre, mas onde os ouvintes não viram o pulcro
(Sr. João Clá: O que aconteceu de simbólico na reunião que foi a mais importante na linha dos acontecimentos, a reunião em que nasceu a “Bagarre”…)
E, aliás, acho isso mais importante do que o “iooo… iooo…” e acho que todo mundo saiu comentando muito mais o “io, io” do que a reunião.
(Sr. João Clá: E com isso entrou uma coisa do demônio, porque as pessoas assim não viram o pulcro da reunião. Não tinha o pulcro das outras reuniões enquanto metáfora, manifestações, porque o ambiente não permitia, mas o conteúdo de si…)
Não permitia. Num ambiente puramente didático a metáfora só pode ser didática. Não pode caber uma metáfora que pretenda o belo num ambiente que a gente sabe que não vai se emocionar. Não é possível! Não há apetência!
(Sr. João Clá: Agora, hoje em que o senhor anuncia o que esperava por 72 anos e, no entanto, não pode se manifestar.)
Pode‑se perguntar se isso não é simbólico…
(Sr. Nelson Fragelli: O fato de o senhor ter dado o aviso é muito grave. O senhor acaba de dizer que saímos mais preocupados…)
Com o fatinho interno, que no fundo, é um fato que tem sua importância, mas não tem a importância da Bagarre. Um episódio dentro do navio não pode ter tanta importância como toda navegação!
* Inconformidade de certos membros do Grupo com coisas que o Sr. Dr. Plinio gosta
(Sr. Nelson Fragelli: Mas isso de contestarem o senhor, sabendo de uma coisa que o senhor gosta, e querem que o senhor dê o aviso que Sicrano não gosta e tem que parar…)
Não foi propriamente assim que a questão foi posta. Não foi posta no gosta não gosta, mas era no “consigo ou não consigo aproveitar a reunião…”. E, então, é uma questão de feitio mental que é diferente, como são os tamanhos dos queixos ou dos…
(Sr. Mário Navarro: Esse foi o modo como o senhor apresentou, mas não a argumentação dele…)
O que foi explicitado para mim, por exemplo, numa carta que recebi é isso.
(Sr. Mário Navarro: Mas na realidade não é…)
Isso é outra questão.
(Sr. Mário Navarro: Porque não atrapalha ninguém.)
Até lá não vou…
(…)
… já é uma outra questão, mas a preliminar tem o seu quê de razoável.
* O modo de ser de nosso Fundador: as alegrias deixá-las para o Céu; aqui na Terra é luta contínua, sem sossego, até a derrota total da Revolução — A Bagarre chegou, entrando pela porta que nosso Pai e Senhor não pensava, e fazendo o gênero de bagunça que não gosta
Diga meu Fernando! Depois eu proponho que falemos na Bagarre ou de qualquer outro tema.
(Sr. Fernando Antúnez: O senhor dentro da “Bagarre”, as manifestações, etc…)
Está no meu modo de ser o seguinte:
Não é a idéia: afinal a Bagarre chegou! Que é uma idéia que fica e que eu sinto intensamente, mas é uma outra coisa: ela chegou entrando pela porta que eu não pensava, e fazendo o gênero de bagunça que eu não gosto. De maneira que ela venha, está muito bem, que ela entre torta como está entrando… já a coisa é outra. É melhor assim do que não entrar! Isso que eu penso.
O resultado do que eu penso é mais do que fruir a chegada dela e alegrar‑me com isso, está no meu modo de ser de procurar deixar isso para trás com a idéia seguinte: alegrias para o Céu, fica depois. No Céu, com o auxílio de Nossa Senhora, eu vou me alegrar. Agora, já é preciso eu me ajeitar para levar o baque donde o baque vem, como o baque vem, e para reagir contra o baque.
De maneira que eu, em vez de festejar, já estou preocupado! Alguém dirá: “Mas, então, não tem nunca um momento de alegria na Terra?!”.
Enquanto a Revolução não cair, não! Para mim não! Estou atracado nela — como, aliás, diga‑se, ela em mim também — e… não! É como um lutador na arena romana, vamos dizer que ele seja o lutador do gládio e o outro o da rede. Ele não vai combinar com o da rede de tomarem uma Coca-Cola durante, conversarem um pouco e retomarem. Não vai! Estão numa luta, e não tem regozijo a não ser quando se diga: “A luta terminou!”.
E se quiser sondar até o fundo a minha reação interna, a minha alma não iria para a degustação do momento, iria para o dever do momento. Degustação, no Céu! Agora… é o próximo passo! Ela entra torta, entra errada, entra feia, entra como eu não queria, e entra me agredindo por onde eu não imaginava. Como fazer?
* O empenho que a Revolução tem em esconder o Sr. Dr. Plinio, em fazer com que ele não apareça — Os acontecimentos “bagarrosos” que começam, não dão oportunidade nenhuma que nosso Fundador apareça
(Sr. Fernando Antúnez: Como vai ser o manifestar do senhor na “Bagarre” visto que o senhor é o centro da “Bagarre”.)
A Bagarre vista desse lado e tomando em consideração quanto o nosso adversário tem empenho em esconder‑me, em não permitir que eu apareça — falamos sobre isso hoje à tarde e pareceu‑me que hoje à tarde a coisa ficou muito clara —, posto isso, os acontecimentos começam de modo a não dar oportunidade nenhuma a que eu me manifeste. Porque em vez de constar o começo da Bagarre, de grandes lances em que alguma grandeza de alma possa manifestar‑se, ela começa numa pequena luta mortal em todos os pormenores, mas toda feita de detalhes! [Como seria] mais ou menos de um David que esperava encontrar Golias, e está lutando contra um bando de escorpiões.
(Major Poli: Mas é uma impressão falsa, essa!)
Não, a realidade do ataque é esse. A questão é que tem a sua grandeza e uma grandeza que pode eventualmente ser maior do que a de lutar contra um gigante. Isso é uma outra questão.
A sensação de ausência de grandeza é falsa por causa da grandeza que há em dizer o seguinte: “Está bom, se for escorpiões vamos por cima de escorpião por escorpião e quebrarei o ferrão de cada um”. Agora, é esse tipo de grandeza e não é nem um pouco uma grandeza a la Godofredo de Bouillon.
Você compreende, a gente estar às voltas com mexerico de Santana do Livramento, de Corai, de Uruguaiana, de Teófilo Otoni!…
(Major Poli: Agora, a notícia da Rádio Moscou contra o Grupo, prova que é ilusão que seja Teófilo Otoni…)
Prova.
(Major Poli: É, então, o senhor contra o outro lado.)
A Revolução. É verdade, mas na hora da operação… em que eu tenho que pensar é em Teófilo Otoni, em Santana do Livramento. Se eu errar um passo no modo de dirigir o acontecimento em face daquilo, ele vence. De maneira que eu tenho que pensar, mas pensar absorvido no negócio, é Santana do Livramento, é Uruguaiana, é Teófilo Otoni, tal hominho, tal pessoazinha! Porque ele leva incubado um demônio, eu sei, mas eu tenho que dar na cabeça dele para dar no demônio!
(Major Poli: Agora, quem é atingido é o capitão do demônio.)
Isto é uma coisa certa, não tem dúvida nenhuma, do contrário, não [faria] a luta, eu saía de dentro da luta. Eu não vou perder meu tempo com um hominho de Santana do Livramento! Uma coisa que é certa é essa: não vou perder meu tempo!
Ou um hominho de Teófilo Otoni, não tem perigo! É simplesmente NANE, daqui a pouco vou dar prova provada disso.
A questão é que na hora que o adversário vem me atacar, ele vem posto dentro de um hominho de Teófilo Otoni, de Santana do Livramento. Portanto, eu tenho que entrar naquele caso como se fosse um caso autônomo. Autônomo de tudo quanto está por detrás. E é horrível!
* No Brasil, o noticiário não menciona o nome do Sr. Dr. Plinio, quando cita os principais escritores de Direita do país
(Sr. Nelson Fragelli: À medida que o senhor quebra um ferrão do “escorpião”, cai um olho de “Golias”.)
É verdade, mas isso mesmo não se vê. É só de vez em quando que aparece através de noticiários como o de hoje, que, aliás, foi um noticiário muito providencial. Você, [Mário], que me coletou esses recortes do dia, estavam muito bons! Providenciais! A questão do Sínodo, mas também os comentários jornalísticos.
(…)
… no automóvel estava fazendo para o João Clá, Gugelmin e Arnolfo, uma formulação que não me ocorreu durante a reunião, para saber quem é que estava aludido ou mencionado naquele trecho que falava de grupelhos. A pergunta cabe o seguinte: eles não mencionaram porque não era interesse mencionar. Ora, quem é que há no nosso mapa que eles têm interesse em não mencionar?…
(Sr. –: Só um.)
É este! De maneira que… eu disse, eu me lembro até da risada do Gugelmin, porque ele e eu estávamos na frente, tinha o pára‑brisa de automóvel na nossa frente; eu disse: “É transparente como o pára‑brisa desse automóvel”.
Porque aí não se escapa! Qual é neste Brasil o nome que se oculta?
(Major Poli: E citarem outro nome seria ridículo!)
(…)
(Sr. Mário Navarro: E seis cientistas de problemas sociais citam 25 escritores de Direita… Não é preciso dizer que o Sr. Dr. Plinio não está incluído.)
Nem aludido de longe!
(Sr. Mário Navarro: O mais votado é o Ferreira Filho que ninguém conhece… Além de citar Celso Furtado, Dalari como escritores de Direita!)
São esquerdistas, quase diria, célebres! E são escritores de Direita! Mas a TFP não tem um escritor! Não existe TFP!
Quer dizer, quem é que no Brasil é escondido assim?!
* A esperança que tem o demônio em não só apagar o nome do Sr. Dr. Plinio, mas também a sua obra — O objetivo da Revolução é manter a paz e ganhar a batalha na erosão, com passos grandes, mas achatando e calcando àqueles que se lhe oponha
Agora, a Bagarre — para ir ao seu ponto —, a Bagarre arrebenta de maneira que ela entra lutando: nós contra o homenzinho de Santana do Livramento, homenzinho de Teófilo Otoni. E se nós não acertarmos nessa luta, nós perdemos a batalha.
Então, entramos na nossa grande realização lutando contra esses escorpiões! Ora, isso é uma desproporção sumamente “desprazeirosa”.
(Sr. João Clá: Isso acontece com os grandes homens, porque Nosso Senhor também não teve…)
Bom, Nosso Senhor era Ele!
(Sr. João Clá: Sim, está infinitamente acima de tudo, mas os adversários d’Ele foram homenzinhos de Santana do Livramento.)
Bom! Toda a Judéia estava reduzida a uma espécie de Santana do Livramento. Mas, mas! a gangue que o perseguiu e que o matou, era a gangue de homens, de fariseus, de príncipes dos sacerdotes, etc., era gente que ali dentro tinha algum relevo.
Enquanto aqui… não se podia fazer um combate mais próprio a esconder alguém do que esse.
(Sr. João Clá: O senhor dizia que o combate é feito para apagar.)
Para apagar, a tática é escolhida para apagar. Não dá grandeza.
Então, dizia o Fernando Antúnez, como é que o senhor se posta nisso? Como quem é obrigado a começar o duelo num porão onde não pode levantar o tronco um pouco mais do que um homem está na pura perpendicular. E portanto, com todo o desprazer que essa luta de porão ocasiona. É bem diferente de Godofredo de Bouillon caminhando, sozinho ou não — queriam tomar o caso como a metáfora ou como a realidade histórica —, contra as muralhas de Jerusalém.
(Dr. Edwaldo Marques: O senhor salientou também na reunião que não [é] só apagar o senhor, mas a obra do senhor. Porque não tem mais família, não tem mais propriedade, não tem mais tradição… “por que estão lutando?!”.)
É! Palhaço, ridículo!
(Sr. João Clá: Agora, eles têm medo que o senhor apareça no caminho deles.)
Eu estou vendo…
(…)
(Sr. Fernando Antúnez: Mas eles vão tentando esconder o senhor, mas sabem que em certo momento não é possível…)
Não! Eles esperam que vá até o fim!
Esperam que eles levam [até o fim], porque é o objetivo deles. É manter a paz e ganhar a batalha na erosão. E eles esperam ir, agora com passos grandes, mas achatando e calcando, desnorteando todo mundo que a eles se possa opor. De maneira que para o homem comum da rua custou apenas umas lutazinhas. Isso é a esperança deles.
(Sr. Fernando Antúnez: Mas eles sabem que tem que vir a “Bagarre”.)
Bom, mas o demônio é o demônio! Ele procura conseguir isso! Se Nossa Senhora intervier ele está liquidado. Ele talvez saiba que Nossa Senhora vai intervir, mas o plano que ele conduz, que ele opera é esse.
(Dr. Edwaldo Marques: Mas esse plano é meia derrota, porque foi modificação que precisaram fazer por causa do senhor.)
É verdade…
(…)
* A preocupação com probleminhas pessoais da maioria dos participantes da Reunião de Recortes, traz como conseqüência a falta de enlevo pela exposição feita pelo Sr. Dr. Plinio
… porque a situação estava ultra-estudada, em todos os seus pormenores, então, eu posso me permitir um certo jogo livre na hora. Mas quanto a situação foi pensada para a reunião ser tocada em todos os seus imprevistos! Agora mesmo, quando eu estava fazendo um comentário da Reunião de Recortes, estava mostrando a vocês que esse mal‑estar foi mal‑estar espontâneo. Eu estava dizendo porque eu já refleti o que vou dizer aos descontentes, o modo pelo qual passou a reunião hoje. Já estou, portanto, com a resposta. Não é resposta no seu tin‑tin por tin‑tin, mas no seu ponto fundamental preparada. Isso já me custou pensamento hoje, no meio de que trabalheira! De que trabalheira!
Agora, tudo isso para encontrar qual é a chave certa para uma fechadura desse…
(…)
… tamanho!
(Sr. Nelson Fragelli: Mas o senhor deixa uma escola para o Reino de Maria.)
Na realidade o Luizinho terminada a reunião me disse que ele tinha gostado muito do modo de eu tocar a reunião, etc., e que com certeza tinha feito muito bem ao pessoal. Eu disse: “Luizinho, não tenha a menor ilusão! Fez bem para uma meia dúzia, porque os outros babam em cima disso! E se eu em vez de dizer o que disse, eu desse um murro na mesa ou cuspisse no chão, o efeito não era muito diferente”.
Mas não tem o mínimo enlevo por esse gênero de coisas, se incomodam lá! Eles querem saber é a birrinha que eles têm desse, o entusiasmo que ele tem por aquele… o gosto pessoal que ele tem, o resto, eu, vá plantar batata! “Modos bonitos, que me incomoda modos bonitos! Incomoda é se o sapato está apertado!”.
(Sr. Nelson Fragelli: O Congresso de Viena ficou pequeno em comparação com a Reunião de Recortes.)
* Diante do que está vindo, nosso Pai e Senhor em vez de fazer a festa da Bagarre que apareceu, tem… Christianus alter Christus, um medo gênero Horto das Oliveiras.
(Sr. Mário Navarro: O exemplo da catacumba… para ver se tinha soldado romano…)
Esse exemplo, por exemplo, foi encontrado na hora.
Mas quanto à substância, estava bem pensada para poder jogar na hora. As metáforas em geral são da hora. Mas a questão, o cerne, a questão tem que estar reduzida ao seu cerne, e vista no seu cerne e nos pólipos que pode deitar, nas metáforas que pode deitar, para depois, na hora, [compor] uma frase, uma metáfora, uma coisinha qualquer.
Bom! Você gostou, outro gostou, outros… poucos!
(Sr. Fernando Antúnez: Mas tinha muita grandeza.)
É, isso tudo são coisas que não se apreciam.
(…)
… por ocasião das últimas fulgurações. Diz o Major Poli: “Mas isso é para quem não quer perceber!”. Mas ninguém quer perceber!
Trata‑se, exatamente, de “furar” os olhos de quem não quer ver!
Meu filho, você perguntou eu sou obrigado a responder!
(Sr. Nelson Fragelli: É duro.)
E é diante dessa dureza que se ergue diante de mim, e que não se apresentava senão como uma possibilidade a coisa de um ano atrás. Eu em vez de fazer a festa da Bagarre que apareceu, tenho… Christianus alter Christus, um medo de Horto das Oliveiras, gênero Horto das Oliveiras, diante do que está vindo. Se eu for considerar tudo que ficou para trás e tudo quanto está entrando! É concebível que essa seja… Se vocês me perguntam o que está em mim, é concebível que essa cogitação esteja em mim. Como é que não é concebível?
Dá, então, em uma coisa que vocês não quereriam, vocês gostariam de uma alegre permuta de impressões triunfais, esperançosas, e eu mostro que não! Nós esperávamos encontrar diante de nós leões e que temos que lutar com escorpiões. O quê?! Contra ratos infeccionados com peste bubônica. Escorpião ainda é um bicho que tem certa grandeza, porque é mencionado na Bíblia, é heráldico. E o rato empestado de peste bubônica não. É com esse que temos que lutar.
(Dr. Edwaldo Marques: E ainda é a pulga do rato que passa peste.)
Ainda é a pulga do rato que passa a peste, perfeitamente.
Olha o gesto do meu Mário, curvou‑se todo para frente, eu não quereria lhes dizer isto, mas perguntam… eu não posso dizer que não quero dizer, digo o que não quero.
(Sr. Nelson Fragelli: […] Mas o grande ídolo do lado de lá ele vai se desmoronando e a presença do senhor…)
É a presença misteriosa, ninguém nota.
(Sr. Nelson Fragelli: Mas é real.)
Real sim, mas quanto ao lumen… estamos falando do lumen. Seria da glória de Nossa Senhora que esse lumen aparecesse. E eu lamento que não apareça! Não aparece. É bastante pouco visível para que a pessoa que não queira ver possa não ver.
(Sr. Nelson Fragelli: Isso é muito mais bonito do que se aparecesse.)
Não, do que o reluzir da glória não, porque a glória de Nossa Senhora é uma expansão pública.
(Major Poli: […] Mas a guerra atual é muito mais bonita e move todos os poderes que esperávamos que movesse…)
Meu filho! Christianus alter Christus, é bonito como a Paixão de Nosso Senhor. Não tem dúvida. Mas, sobre a Paixão se projeta em oblíquo um raio de tristeza. Por isso!
Quer dizer, não se pode sustentar a seguinte tese: nós devemos ser indiferentes a que a glória do Domingo de Ramos não se tenha prolongado, porque a Paixão é muito mais bonita do que o Domingo de Ramos! Seria… desequilibrado. É verdade que a Paixão é muito mais bonita do que o Domingo de Ramos, mas nós temos uma tristeza de que a Paixão tenha sido a Paixão. Do contrário, não há compaixão.
Eu sei que a primeira vista é um pouco sinuoso o que estou dizendo, mas é só à primeira vista, porque bem observado é inteiramente lógico.
* A falta de vontade dos membros do Grupo em querer ver o drama dos acontecimentos atuais
(Major Poli: Mas não deveria haver uma atenção nossa em nos preocuparmos exatamente com esse ponto?)
Ah! sim! Mas o que acho também é que essa conversa no fundo, é para ajudar‑nos, porque nós não estávamos com muita vontade de ver, porque se quiséssemos teríamos visto. Há uma porção de coisas que se quiséssemos podíamos ter visto. Nós não podemos espantar tanto que os outros não queiram ver, porque até que ponto nós queremos ver?… Ou ao menos até que ponto nós temos querido ver?… Ah! pode‑se perguntar…
(Sr. Fernando Antúnez: E se os Apóstolos tivessem querido ver e tivessem podido glorificar e tivessem glorificado, a História seria outra!)
Em principio sim. É preciso notar o seguinte — aí são mistérios —, uma gota de sangue precioso derramado por Nosso Senhor Jesus Cristo na circuncisão, dava para remir o mundo. Que fatores entraram, todos, nos desígnios de Deus para que fosse comprado por esse preço, mas esse preço! Terrível! A redenção do gênero humano!
E mais ainda, tendo o sangue d’Ele um valor infinito, ainda teve que entrar todo o tormento sem nome da Co‑Redentora. Agora, como é que é isso? São mistérios!
(Sr. Guerreiro Dantas: […] E o senhor dizia que pelas infidelidades isso podia trazer uma grande modificação nos planos da “Bagarre”.)
Eu diria uma sensível modificação nos planos da Bagarre. No eixo não. No Reino de Maria também, no eixo não. Mas em circunstâncias importantes, em predicados importantes, sim.
* A Bagarre propriamente começou com a crise do Movimento Católico, a derrota eleitoral do Sr. Dr. Plinio e sua exclusão como presidente da Ação Católica
(Sr. Guerreiro Dantas: […] Então, gostaria que o senhor analisasse, expusesse um pouco mais a temática da Reunião de Recortes de hoje…)
A respeito do modo da [Bagarre] entrar de modo diferente.
Acontece que, a partir do começo da crise Católica, da crise no Movimento Católico, da minha derrota eleitoral, depois da minha exclusão de presidente da Ação Católica, a partir desse momento — isso foram em anos, mas constituem um conjunto —, a Bagarre começou. Aquilo que nós temos dito que já era a Bagarre no sentido forte da palavra, a Bagarre começou como nunca imaginei. Porque imaginar lutando contra o adversário externo quanto queira! Mas se é uma coisa que repugna a minha alma de católico é lutar contra o adversário interno. Porque a existência de adversário internos dentro da Igreja é uma monstruosidade! É uma monstruosidade!
Isso é uma monstruosidade. E o que é monstruoso repugna o homem reto! Eu desejo ser um homem reto, eu sinto repugnância invencível por isso.
* O pedido de dispensa que o Sr. Dr. Plinio poderia implorar a Nossa Senhora, das amarguras que prevê para ele no futuro: um “transmartírio”
E em tudo quanto se é obrigado para conduzir essa luta — onde acontece tanta coisa que não se deseja —, pode acontecer mais uma coisa que não se deseja. Essa coisa pode ser o martírio, que eu não desejo! Eu aceito de grand coeur! Mas na tristeza de minha alma. Como o católico deve imitar o santo, assim nesse caso, eu posso imitar Santa Joana D’Arc…
(…)
… da luta frustrada.
Agora, de lá para cá, pequenas reflexões internas que me seria muito difícil exprimir agora, me têm levado a me inclinar menos pela idéia do martírio, e mais pela idéia da luta até o fim. Também já pedi isto: “Si fieri posset..”, eu quero ficar até o fim..
Mas daí vem a idéia de que eu ficando até o fim, faz‑se uma coisa muito agradável à Providência, que preferia que eu preferisse isso, mas que é como quem me diz: “Está bom, eu aceito, é bonito. Mas não se queixe, porque o que vem eu poderia dispensar você”.
(Sr. Nelson Fragelli: Ao senhor?)
A mim, do que vem, de tão duro, eu poderia me dispensar disso, chamando a Ela.
(Dr. Edwaldo Marques: Isso é martírio.)
É um “transmartírio”.
* A ilusão preternatural de que o extraordinário que acontece no Grupo não tem por trás a mão da Providência — “Está bem provado que com nós não acontece nada!”
Hoje eu estava vindo de Jasna Gora e estava pensando nisso: Carrero Blanco. Imagine que de repente o meu automóvel explodisse — é tão fácil fazer isso aqui — na hora que eu saio. Eles sabem tudo, até a hora que saio, sabem tudo!
Ainda mais com a regularidade relativa de minha vida, essa gente não tem a menor diferença de esperar uma hora ou duas para passar, isso não entra em consideração. Hoje pensei nisso: nesse carro, o carro explodisse. E nós morrêssemos os quatro.
Bom, na Terra [acontecem] as misérias que nós sabemos. [Primeiramente] o Grupo [começaria] a preparar honras fúnebres para os quatro companheiros, ou os quatro camaradas que morreram.
(Sr. João Clá: Para os três, o senhor não existe.)
É, é por aí.
Depois, eu imagino uma outra coisa. Que o automóvel rachasse e cada um de nós, amarrado à respectiva cadeira por hipótese, fosse parar por cima de uma árvore. E o autor do atentado, vamos dizer que ele estivesse trabalhando nas galerias subterrâneas da Rua Alagoas — que as há… —, fosse morto por um curto-circuito qualquer. Os jornais, então, publicariam fato extraordinário: “Foram parar nas árvores e o autor do atentado foi morto”.
Qual seria a repercussão disso na imprensa?
Se a imprensa fosse absolutamente obrigada a publicar, — pela natureza dos acontecimentos, como ela publicou o desbotamento da imagem de Aparecida, etc… — se ela fosse absolutamente obrigada, ela fingia não perceber nada de extraordinário e [diria]: “Por uma engraçada coincidência os quatro acabaram se salvando. Esses da TFP são sempre assim! O pobre do fulano, que operava nos subterrâneos, morreu”.
Ver a mão de Deus nisso ninguém veria. E, no Grupo, quando o João, Arnolfo, Gugelmin e eu, nos apresentássemos, era toda espécie de brincadeiras com os quatro mais moços, divertindo‑se: que susto tiveram, se eles no alto das árvores sentiram segurança… como fizeram quando o policial pegou pelo pé deles para descer… e se o João como é filho de um senhor espanhol, não disse “caramba!” nessa ocasião…
E daí… Era isso. Não tem conversa. E depois ficava um dia muito engraçado. Mas muito engraçado, “ahahah!”.
Tese geral: está bem provado que com nós não acontece nada!
Está atrás de mim esse Desastre! Mas como só aleijou a mim, não impressiona ninguém. “hummm!”, a realidade nua e crua não é outra.
* As fulgurações que a Providência permite a nosso Pai e Senhor, não são levadas a sério pelos membros do Grupo — “Se fosse com o papai!…”
Agora, eu sou levado a admitir que de vez em quando arrebente uma fulguração muito grande no meio disso. Mas que como é uma fulguração isolada, nem entre os nossos é reconhecida como tal. Então, tomem o banquete da “Folha”, eles reconhecem, sabem que houve, mas resolveram a não tomar a sério. Não pesa no espírito deles, não houve aquilo: “Se fosse com o papai!… aí… mas eu já esperava isso de papai desde pequeno… eu vejo o gênio dele que se define, o talento que toma vôo, a personalidade que se alcandora, enriquece, etc., era claro, esse homem só tinha que dar nisso. Agora, no Dr. Plinio, isso só pode ser um equívoco, um capricho dos fatos”.
Porque aquela personalidade que o papai tem e que os outros não conhecem…eu conheço de dentro. Se os outros conhecessem admirariam muito. Não conhecem!”.
Então, esse fato talvez sem precedentes na história da Revolução, um jornal de ponta revolucionária prestar uma homenagem ao líder da Contra‑Revolução! Não os impressionou mais! No momento, num prisma um pouco mundano, um pouco de impressão. Nada mais!
Bom, fabriqueta sim. E eles ficariam ainda mais encantados se eu tivesse três operários com os filhos sofrendo paralisia infantil, e tivesse organizado um pequeno lar para esses operários. E eu mesmo fosse visitar e levar a mamadeira. Melhor ainda, se sacrificando a minha sesta. Porque, bem entendido, a minha sesta é um artigo de luxo.
(Sr. João Clá: […] Qual é o mistério por onde a Providência permite essa nossa infidelidade e depois a manifestação do senhor seja mais gloriosa ainda que se fora “pari passu” .)
O… [inaudível]. Mas acontece o seguinte: uma certa inconfundível… [inaudível]… do plano da manifestação gloriosa… [inaudível].
(Sr. Fernando Antúnez: Por causa do quê?)
Da nulidade dos recursos… [inaudível]… do Grupo para a guerra psy‑war.
Bem, o remédio está subindo um pouco. Talvez estejam percebendo. E que tomado o lanche, meus caros, acabar!
Mas eu estou com tanta fome que acabo comendo isso, biscoitos… [inaudível].
Xícara. Estou morrendo de fome! Morrendo de fome e sonhei com mil bobagens.
(Major Poli: O que o senhor sonhou?)
Hã… um problema colonial francês.
(Major Poli: Coronel?)
Colonial!
Estou morrendo de fome!
(Sr. Amadeu Lago: Mas o senhor está dormindo já?)
Não…
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