Conversa de Sábado à Noite – 23/8/1980 – Sábado [AC II ‑ 80/8.17] . 16 de 16

Conversa de Sábado à Noite — 23/8/1980 — Sábado [AC II ‑ 80/8.17]

O pecado de Revolução leva a uma troca de vontades por onde o indivíduo procura degustar o permissivismo total a la disco voador * A troca de vontade católica é fazer inteiramente a vontade de Nossa Senhora até o último imaginável * Não basta ser fiel à Contra-Revolução somente nas palavras, mas sim nas atitudes, nos gestos e nas fisionomias * Como o Sr. Dr. Plinio procura fazer de cada gesto seu um ato de Fé, que acaba por se tornar uma ocasião de graças para outros * Os gestos do Sr. Dr. Plinio não visam somente o social, mas fazer admirar algumas qualidades que reflitam a Deus * No momento em que o mundo deveria acabar, Nossa Senhora alcança a Bagarre, que é o fim de um mundo sem ser o fim do mundo * “O próprio da ação pessoal é fazer sentir o que a palavra não é capaz de dizer”

Índice

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* O ponto no qual os revolucionários são irmãos

(Sr. Fernando Antúnez: Tendo em vista o desvendamento desta terceira etapa da História que o senhor fez na Reunião de Recortes, em que há uma espécie de união mística com o demônio da parte dos maus, eu pergunto na linha da troca de vontades qual seria o revide de Nossa Senhora.)

Acho uma pergunta muito oportuna.

Vamos dizer o seguinte:

Essa impostação da reunião de hoje à tarde, fazendo o demônio dar assim uma espécie de discernimento primeiro de algo que apenas a primeira cúpula da Revolução tem, de onde todo o resto vem por defluência, isto indica o por onde eles todos são irmãos.

Exprimindo‑me em termos mais exatos é o seguinte:

* O pecado de Revolução leva a uma troca de vontades por onde o indivíduo procura degustar o permissivismo total a la disco voador

Eu disse sábado passado, aqui na reunião, que eu achava que o pecado de Revolução continha um pecado de espírito e que esse pecado de espírito tinha alguma coisa de troca de vontade.

No que é que é essa troca de vontade?

É num ponto tal, em que há uma espécie de ponto de degustação, em que o indivíduo degusta o permissivismo total. De modo muito implícito, muito remoto, etc., ele degusta o permissivismo total. Mas um permissivismo utópico, não é o permissivismo como in concreto possa ser o de um hippie na Ilha de Marylee na Inglaterra ou na Sorbonne. Não é isso, mas é um permissivismo meio a la Olimpo. Olimpo também não está bom, meio ao… é o permissivismo dos discos voadores, com tudo em ordem, e cada um fazendo livremente absolutamente aquilo que entende. Esse é o negócio. E um estado de alma em que tudo quanto seja capricho desejado pelo pecado original, seja atendido.

* O pecado original “controlado” energeticamente pelos discos voadores, sendo a bússola do sentir, do querer e do pensar do homem

Portanto, o pecado original seja a bússola do sentir, portanto do querer e portanto do pensar do homem! Colocado então às avessas.

Mas não é o pecado original como nós o entenderíamos aqui, de confessionário, é uma coisa pior. É o pecado original controlado energeticamente — como eu falava hoje à tarde — pelos discos voadores. De maneira que cerca o indivíduo e na aparência não tem o hediondo que tem o pecado corrente.

Esta tendência para viver segundo a extravagância, nessa linha, um gozo disso, preliminar, o pecado de Revolução traz. E o ímpeto do pecado original é um ímpeto tão forte, tão arrasador, ele de tal maneira arrasta, tão arrastador, que a pessoa se deixa levar por aquilo já de uma vez no primeiro sabor. A primeira pitada no pecado de Revolução produz uma troca de vontade.

Mas veja bem qual é a troca de vontade. Não é a seguinte: de um árabe que compõem esse tapete aqui. A gente vê que o árabe que compôs esse tapete, do qual me consta que é autêntico, vamos tomá‑lo como tal, o árabe que compôs esse tapete figurou uma porção de desenhos, uma porção de coisas, que ele julga que juntos ficam bonitos. Entra aí a fantasia do árabe. E é certo que ele nisso encontra um deleite de que ele gosta, algo que o deleita.

Não é disso que se trata.

É de tal maneira fazer a sua própria fantasia, que o árabe aqui se sujeita a certas leis da arte, que ele conheceu melhor ou pior, mas ele se sujeita a certas leis da arte e ficou consonante com essas leis. E encontrou seu prazer em fazer vibrar essas leis, em atuar essas leis.

* O pecado de Revolução é imaginar uma ordem de coisas em que se fique liberto até das leis com as quais se tenha consonância!

Não é este o pecado de Revolução. O pecado de Revolução é imaginar uma ordem de coisas em que ele fique liberto até das leis com que ele tenha consonância! E que fique colocado, portanto, numa utopia. Topus é lugar; portanto, num não‑lugar, que é o contrário de tudo quanto ele, mesmo nessa linha reta, poderia imaginar.

O deleitar até esse ponto numa quimera, numa quimera meio inimaginável, dá um tanto o deleite do drogado. Um tanto. E explica um pouco a adesão de alma nisso, como é o pecado de Revolução. Portanto, é muito diferente do pecado comum.

(Sr. Fernando Antúnez: É o contrário da ordem do universo.)

É o contrário da ordem do universo, e o deleite tomado pelo todo do homem em ser contrário ao todo da ordem do universo. Aqui está a questão.

* O grau mais pérfido desse pecado é a idéia de que se pode chegar impunemente à extravagância máxima — Exemplo do Príncipe Yussupov

Qual é o grau mais pérfido e mais indecente desse pecado?

É do indivíduo que pudesse dizer o seguinte: “Eu sou de tal maneira senhor de mim e rei de todas as coisas, que posso gratuita e impunemente fazer a extravagância máxima, que daí não resulta absolutamente nada”. Um exemplo disso é o Príncipe Yussupov.

Lembram‑se que foi ele quem matou o Rasputin. Todos sabem quem ele era, o que ele fazia, que vida ele tinha. Ele conta que ele com alguns da jeunesse dorée de Saint Pétersbourg iam, maquiados, pedir esmola na porta das igrejas e depois dormir em abrigo de mendigo para satisfazer a extravagância de ter vivido a vida de mendigo.

Mas depois que ele foi a Paris, expulso pelo comunismo, ele se meteu numa outra forma de extravagância, que era de viver no meio de semidesequilibrados, tarados e drogados, dizendo que estes tinham uma qualquer comunicação com o divino que o homem razoável não tem. É o mar-alto da coisa! E que em geral o semilouco recebe manifestações divinas desde que a gente saiba interpretar bem.

Aquele negócio de bobo de corte era uma “fassurada” que apareceu com “Jezabel” e que caminhava nessa direção. Corcundas medonhos, mas que diziam sandices e no meio coisas muito sábias… vai inteiramente na linha do Príncipe Yussupov. É o Yussupov a cem por cento.

E ele conta numa parte das memórias dele — evidentemente eu pulei — uma série de coisas dessas. Por exemplo, esse fato:

Um dia ele recebe convite de duas norte‑americanas riquíssimas, mas umas bruxas cafajestíssimas, para ir almoçar com ele no Ritz. E ele no Ritz era naturalmente conhecido. Vai lá, encontra o rei de Portugal, D. Manuel, que já não era rei, mas que levava uma vida composta e muito amigo dele… D. Manuel passou perto dele e não o cumprimentou. Depois encontraram‑se alguns dias e ele disse ao Yussupov: “Você saiba o seguinte: eu me dou com você, tá-tá-tá, mas sempre que você se apresentar em companhias dessas em público, não conte que eu o cumprimente. E se tornarem suas companhias habituais, não conte que nossas relações continuem! Porque eu não estou disposto a me dar com uma pessoa que se misture com gente dessas. Enfim, uma extravagância vai — de fato não podia, mas vá. — Que se misture com gente dessas, não vai!”.

Então contava que se dava, por exemplo, com esse tipo de gente que fazia operação — é mais ou menos isso — no rosto intencionalmente para deformar o rosto. Podem calcular o que é isso! Mas é o gosto do gratuito pelo gratuito, é fazer inteiramente o arbitrário porque quer! E sem vinculação com nenhuma regra, porque quer!

Isso é a caricatura de Deus e, no fundo, algumas gerações de fazedores de tapetes ou de gente que usa o tapete sem senso católico — não é só um tapete, seria todo um mundo assim — dá nisso! E nisso está a troca de vontade.

* A troca de vontade católica é fazer inteiramente a vontade de Nossa Senhora até o último imaginável

Então a troca de vontade católica, no sentido oposto, é de fazer inteiramente a vontade de Nossa Senhora, que é a vontade de Deus, mas até o último imaginável, pondo‑se no oposto deste! O que tem também o seu lado atraente.

É o atraente do gótico, é o atraente do Mont Saint‑Michel, é o atraente de tantas coisas que nós conhecemos, do estilo beneditino sobretudo, em geral, é atraente a Igreja.

(Sr. Carlos Antúnez: Agora que o senhor apontou para esse gozo dos maus no permissivismo total, é o que me explica como as pessoas se mantêm perseverando nessa angústia do mundo atual.)

É inexplicável. O que mantém os homens nisso é a esperança mais ou menos subconsciente de estarem caminhando para uma ordem de coisas onde eles gozarão dessa gratuidade completa. E onde desde já eles algo antegozam…

(…)

o gosto por toda admiração. Logo por toda dedicação e por todo serviço.

(Sr. Nelson Fragelli: […] A “aerologia” do senhor nos leva àquilo que São Pedro Damião dizia a São Gregório VII: “Meu santo satanás que me tenta para toda forma de bem”.)

Para quem vai andando bem. Para quem vai andando mal existe o convite, mas com a vontade de fugir. Não em mim, no sujeito. Em mim não, existe todo o convite.

* Não basta ser fiel à Contra-Revolução somente nas palavras, mas sim nas atitudes, nos gestos e nas fisionomias

Agora, isso tem uma regra psicológica que é a seguinte:

Aos poucos eu compreendi — são certas coisas que a gente vai compreendendo ao longo dos anos, raspando a cabeça na parede, mas eu compreendi ao longo dos anos — que não basta a pessoa ser fiel à Contra‑Revolução nas palavras. Mas que ou é fiel nas atitudes, nos gestos ou na fisionomia, ou seu ato de adesão não é completo.

Por exemplo, eu sei perfeitamente que estou colocando aqui… eu detesto umas regras de educação pelas quais o sujeito só é educado quando senta assim… e põem uma mão aqui… e outra aqui… Eu tenho horror a isso! Mas eu sei perfeitamente que sentado como eu estava, eu estava tomando uma atitude com as pernas um tanto extravagante, que eu estava dando muita saliência pelo fato de apoiar os pés nos dois calcanhares — aqui está o mal —, que eu estava dando demais saliência a uma parte do corpo humano que não tem nada de vergonhoso, mas que a pessoa trata com discrição. E que o máximo que se permite é estar de pernas trançadas como vocês estão, perfeitamente adequado, mais do que isso não pode. Estou fazendo porque minhas condições pedem isso, vocês não podem ter memória de me ter visto fazer isso antes do desastre!

* Como o Sr. Dr. Plinio procura fazer de cada gesto seu um ato de Fé, que acaba por se tornar uma ocasião de graças para outros

Por quê? Porque eu sei que devo fazer de todo gesto meu um ato de Fé.

Portanto, não estou preocupado em saber se estou segurando essa xícara de modo elegante ou não. Estou notando que estou segurando de um modo torto e que… Mas para mim o problema não é esse do manual, o problema não é de ter isso direitinho assim, tomar o chá como um inglês. É saber se estou carregando com dignidade, e aquele grau de dignidade que me compete. De maneira que não seja a dignidade de um arquiduque que eu não sou, não seja a dignidade de um perequeté que eu também não sou, e seja sobretudo a dignidade de um ultramontano, contra‑revolucionário, que sobe as mais altas razões metafísicas do gesto que está praticando.

Então, é compreensível que isto que em mim se tornou um ato de Fé, passe a ser para os outros uma ocasião de graças.

(Sr. Nelson Fragelli: Mas passa a ser à maneira de uma imantação.)

É porque a graça quando age sensivelmente é à maneira de uma imantação, ela atrai a Deus.

(Sr. Nelson Fragelli: Mesmo que nós não façamos a metafísica.)

É verdade, mas convidando vocês pela imantação, gradualmente, a subir até a metafísica.

Por exemplo, eu agora quando olhei para a xícara notei que a colherzinha estava colocada como não se coloca. Sei perfeitamente que essa colherzinha devia estar aqui… ou aqui… onde estava colocada não tem propósito. Mas diante de regras de educação que fazem consistir a educação nas atitudes que um caixeiro pode aprender… eu julgo ordenativo fazer tábula rasa disso e mostrar que distinção não é isso.

Então alguém diria: “Isto aqui na sala do Duque de I. ninguém permitiria”.

Eu diria: “Eu não sou o Duque de I., não vou para a sala dele, e eu sei que um francês jeitoso faria isso até no quarto de dormir do Duque de I. que não traria a menor conseqüência. E que isso aí é bitolamento! Não é educação. É insegurança de cafajeste! Pronto! Agora bebam essa!”.

* Os gestos do Sr. Dr. Plinio não visam somente o social, mas fazer admirar algumas qualidades que reflitam a Deus

(Sr. Fernando Antúnez: Nas atitudes do senhor entram algo de simbólico, transcendente, que não sei o que é.)

Sinto que isso para mim não são coisas sociais. Fazendo isso eu quero fazer admirar algumas qualidades que eu sei que refletem a Deus e cujo cume está no Céu. Pela idéia de que o nobre, na sua essência, é uma imitação de Deus na ordem temporal. E que assim como o padre é como um anjo na ordem espiritual, o nobre é como um anjo na ordem temporal.

Agora, isso não se faz com pretensão. Ninguém nunca notou em mim pretensão a grã‑fino nem nada disso. Depois eu sei que até o que estou dizendo desvia da carreira social completamente, porque isso aí não é para tubarão nem é para barão. Hoje os barões não são mais assim, é para anacrônico, completamente posto à margem por todo mundo como somos nós.

* A autenticidade da nobreza do Sr. Dr. Plinio está na despretensão, na pureza, etc.

(Sr. Fernando Antúnez: No senhor tem outro “lumen” que não tinha no barão.)

Eu creio bem porque tem uma porção de coisas que são conexas com isso, que no fundo valem muito mais do que isso e que dão a isso o seu brilho. Por exemplo, graças a Nossa Senhora, a despretensão, a pureza e daí para fora, sem os quais nada disso é autêntico.

Se — que Deus me livre e guarde — se eu fosse um homem impuro, eu estar dizendo o que estou dizendo aqui já seria uma gargalhada! Era de se cuspir no meu rosto.

(Sr. Nelson Fragelli: O impuro se apega às regrinhas do caixeiro.)

Hoje nem mais isso. Ele usa uma camisa aberta, com os pelos do peito aparecendo, lava‑se mal, e vale alguma coisa só porque se sabe que ele ou os pais têm algum dinheiro no banco. Mais nada! Nem mais isso, já acabou, a regrinha já acabou.

(Sr. Nelson Fragelli: […] Qual seria a “contraprancha” tendencial a essa “prancha” tendencial da “reconciliação universal”?)

(Sr. Guerreiro Dantas: […] Como seria nossa luta no futuro…)

Eu vou responder à pergunta de vocês por assim dizer geminadamente, dizendo uma palavra sobre o que você diz e depois sobre o que diz o Nelson Fragelli.

* O homem de gratuidade anarquista tele‑influeciado pelos discos voadores

Como as coisas se descobrem pelo “esfregar da cabeça na parede”.

Hoje enquanto eu falava à tarde se tornou claro para mim… claro uma coisa que pelas elucubrações anteriores de todos nós estava em andamento, mas que tomou a sua clareza, nasceu para meu espírito hoje, e que foi o seguinte:

Você considerando o trabalho que a Revolução faz sobre os homens que ela pega com o pecado de “Jezabel”; você tomando o homem inteiramente gratuito e que faz o que quer porque quer e que não está sujeito a nenhuma regra; você deve tomar um homem que não é o homem que vocês estão imaginando… Porque vocês estão imaginando um homem que tem tendências caóticas definidas e até hipertrofiadas, e que se deixa tocar pelo caos. Este ainda obedece a alguma coisa e é o império de suas paixões, mas ainda é um império.

Vocês deveriam imaginar um homem — esta é a tal gratuidade anarquista tele‑influenciada pelo disco voador — que para ser inteiramente gratuito não tem propensão para nada, e em que a anarquia resulta de uma atonia interna, profunda, com[ininteligível]limitados e circunscritos elementos de impulso para uma direção ou outra direção. E que nisto encontra uma falta de fundamento tendencial para qualquer coisa, a não ser a delícia de não sentir…

(…)

* “Uma pessoa que só consegue despertar os seus impulsos — portanto, viver — à força de uma droga”

é uma pessoa que só consegue despertar os seus impulsos — portanto, viver — à força de uma droga, e em que a droga se substitui ao mecanismo comum dos impulsos deles, em alguma medida, porque ela dá àqueles impulsos que são “deleitários”, vagos, indefinidos, no estado não de ação intensa da droga, no estado de um contragolpe da droga, dá a isto uma vida que fora disso não tem.

(…)

* A gratuidade em atender aos impulsos para o mal acaba por formar um unum com aquilo que apeteceu

(Dr. Edwaldo Marques: […] Então corresponde a uma ação diabólica em cada geração?)

Em cada geração.

A gratuidade na minha geração era atender aos impulsos, mas impulsos naturalmente coordenados e conseqüentes dentro do mal que a pessoa pudesse ter.

Por exemplo, vamos dizer, dar um depravado. Ou dar, por exemplo, um tipo que resolve fazer fortuna. Ou um tipo que é um espião. Enfim, ele resolveu uma coisa. Ele primeiro quis, quer dizer, apeteceu — não vamos falar em vontade — desordenadamente uma certa coisa e com essa coisa ele constituiu um unum da vida dele.

O Al Capone foi um bandido. Ele quis ser um bandido — quis ser… —, apeteceu‑lhe ter as coisas que ele só podia ter por meio do banditismo. Talvez ele tenha apetecido ser um grande bandido. Acho isso bonito. Enfim, apeteceu. A vida dele tomou um unum onde o que tem de arbitrário é apenas a escolha desse unum que não se encaixa na ordem universal. Isso é um descolamento da ordem universal, o indivíduo resolver ser um bandido.

(Sr. Guerreiro Dantas: Ou ser banqueiro!)

Banqueiro ou qualquer coisa. Vou dizer mais: as vocações para banqueiro são muito mais numerosas que as vocações para bandido, não tem comparação! Os banqueiros ratés, os homens que sonharam em ser banqueiros, os homens que foram jogar em Mônaco, Monte Carlo para ver se arranjavam dinheiro para serem banqueiros. Depois os minibanqueiros que emprestam para o homem da esquina, depois cobram juros e são microempresários… Tem de tudo! É uma cascata da vergonha esses banqueiros frustrados.

Não quero dizer que a profissão de banqueiro seja intrinsecamente ilegítima, mas quero dizer que ela se desvia com uma freqüência assombrosa dos verdadeiros fins. Quem não vê isso!

* Na geração dos membros da CSN o sujeito não tem mais um unum e quer várias coisas simultâneas ou sucessivamente

Na geração de vocês não, o sujeito não quer… o descolamento da ordem universal já é mais profundo, caiu de um grau. O sujeito não tem mais um unum, ele quer várias coisas simultâneas ou sucessivamente — mas a la galope — de desencontrados. De maneira que numa certa hora ele quer ser banqueiro, mas pouco tempo depois ele pensa em ser músico. Não contente com músico, piloto… para, por exemplo, jogar‑se de repente de pára‑quedas para ter a emoção do pára‑quedista.

O meu George Antoniadis foi pára‑quedista, piloto também. Não tive essa intenção quando respondi tão enfaticamente…

(…)

criar cachorros…

(Sr. –: Fernando Antúnez: Criava cachorros de raça…)

N” coisas. Cada um escolhe a sua coisa, mas é a la turbilhão, desengonçado.

* O homem que já não tem o unum dentro de si está mais distante da ordem universal

Então, é o homem que já não tem o unum dentro de si, já está mais distante da ordem universal que é a grande gravitação em torno de um unum, que é Deus Nosso Senhor, em suprema instância.

Depois, esses impulsos caóticos necessariamente muito menos fortes do que o impulso que tem unum, que só são igualmente tirânicos porque não encontram resistência. Do contrário… se desfazem em um não impulso.

(Sr. Nelson Fragelli: Eles se desfizeram já teleguiados pelos discos voadores ou de outra maneira. Porque não entrou uma deliberação na nossa geração.)

Não, a não ser de um lado que vou mostrar daqui a pouco.

* Todo homem tem graça suficiente para no primeiro olhar que deita no universo ser fiel

Quer dizer, como esse é um estado de desordem e todo homem tem graça suficiente… De uma coisa a gente não pode escapar: o homem tem a graça suficiente. Tendo a graça suficiente, há um primeiro olhar que é deitado nele, que ele deita e que ele poderia ser fiel.

(Sr. –: Repetir.)

Há um primeiro olhar que um homem de sua geração deita no universo, que pousa sobre você, que você responde e ao qual você poderia ser fiel. Como por vocês não é fiel, acontece que por vezes sai o “geração nova”. Mas há assim um encontro que foi num momento X, não sei em que momento foi…

(…)

eu não podia conjecturar que era assim que se passasse, porque isto não está engajado num processo, é uma iniciativa de Nossa Senhora inteiramente inopinada. E eu não sei como vai continuar essa caminhada, porque depende de iniciativas inopinadas da parte d’Ela.

Porque no processo você pode calcular: o processo tem seu dinamismo, sua rapidez, enfim, é um processo! Mas aqui não, a economia da graça muitas vezes toma ares processivos. Mas aqui não é processo, é uma coisa inteiramente inopinada, é uma surpresa que ela dá.

Você, por exemplo, quando foi para a Venezuela não esperava encontrar isso! Nem fazer isso!

* A Providência agindo fora das normas — No post scriptum da História aparece água para regar terra estéril — A beleza do canto do “Deus Ultor”

(Sr. Carlos Antúnez: Pensava ficar um mês…)

(Sr. Guerreiro Dantas: Então é diretamente uma ação da Providência?)

É! E é a ação da Providência agindo fora das normas. O que está de acordo com a idéia de que a história do mundo acabou e que nós estamos no post scriptum. Nós estamos na transição entre o texto que acabou e o post scriptum. Portanto, viradas completas, surpreendentes.

(Dr. Edwaldo Marques: Numa terra que segundo os planos do demônio não deveria dar mais nada e saem toda espécie de frutos e flores.)

Por uma intervenção que já não tem relação com as estações do ano. Não podia dar! Foi fabricada durante quatrocentos anos para não dar.

Então, o que faz a Providência?

Ela toma da tradição que existiu algumas gotas e o resto se perde. Ela nessas gotas instila muito mais do que a tradição carregava consigo, apresenta isso como água para regar a terra que não podia dar mais nada e a terra começa a produzir.

(…)

de tudo quanto eles cantam o que me agrada mais é o “Deus Ultor”.

Você quer ver bem a coisa? Você conhece aquela canção em forma de marcha de São Luís Grignion?

Bem, o fundo do “Deus Ultor” é parecido com isso. Mas supera a perder de vista!

(Sr. Guerreiro Dantas: O “Deus Ultor” é o hino do profetismo?)

Não se fez nada de melhor. E o Tradición, Família, Propiedad é um zero em comparação com isso.

(Sr. Nelson Fragelli: Para SEFAC.)

É, para SEFAC.

* No momento em que o mundo deveria acabar, Nossa Senhora alcança a Bagarre, que é o fim de um mundo sem ser o fim do mundo

(Sr. Nelson Fragelli: Essa explicitação feita pelo senhor, ela não deveria mais existir? A Igreja deveria perdê‑la, não deveria tê‑la.)

Não. A Igreja deveria cessar porque o mundo deveria acabar. A Igreja não perde nada, é uma Rainha Eterna e Imaculada, descrita pela Escritura como uma “Dama sem ruga nem mancha”.

Isso não, Ela deveria acabar como o mundo!”. Acaba a Igreja, acaba o mundo!

(Sr. Nelson Fragelli: Como fruto do processo destrutivo revolucionário.)

É, deveria acabar prematuramente sem ter dado a Nossa Senhora a glória que era intenção de Deus. Então Nossa Senhora alcançou que houvesse a Bagarre, quer dizer, o fim de um mundo sem ser o fim do mundo. E depois o reino d’Ela, que é um post scriptum da História… um post scriptum é uma continuação da carta, mas depois da carta já encerrada. De maneira que a imagem do post scriptum serve inteiramente, veste inteiramente o meu pensamento.

* A perfeita fidelidade ao exemplo deveria dar num interesse sério e total pela teoria

(Sr. Nelson Fragelli: Diante desta afirmação, de fato eu sinto a diferença entre nós e os “enjolras”, porque deveríamos mudar! E neles há um brilho, há uma sinceridade ao perceberem isso que em nós… em mim eu sinto muito turba, muito embotada, mais teorética do [que] arrastada pelo profetismo, do que viva.)

Mas na realidade a perfeita fidelidade ao exemplo que deveria dar é, de um lado, um interesse sério e total pela teoria, e de outro lado um largo uso do conhecimento concreto. Porque se há uma coisa que vocês nunca me viram fazer é apresentar um pensamento dizendo o seguinte: “Isso é assim, porque eu penso!”. Nunca!

Eu dou sempre a fundamentação e o fundo da fundamentação é sempre: “Porque assim pensa a Igreja!”. Aliás, pensa não, ensina a Igreja! A Igreja não é uma…

(…)

não sou, portanto, nem um pouco uma pessoa cuja mera ação pessoal pretenda arrastar os outros.

Agora, está na ordem do universo que o homem não seja um manual ou um tratado. E o exemplo supereloqüente disso, divino, é Nosso Senhor Jesus Cristo!

A ação de presença d’Ele teve toda importância que nós sabemos, embora Ele fosse o Mestre dos mestres, o Doutor dos doutores, o próprio Deus! Mas Ele ensinava e tinha a sua ação de presença própria.

Por exemplo, aquela multidão que entrou com Ele deserto adentro, toda impressão que se tem é que entrou enlevada pela ação de presença d’Ele — também — e não só pela ilação que Ele dava.

(Sr. Fernando Antúnez: Tenho a impressão que mais enlevados do que pela ilação.)

Talvez, porque no Evangelho, o Evangelho tão esplendoroso, que a gente não sabe bem o está arrastando mais, se é a doutrinação ou a ação de presença d’Ele que se sente no Evangelho…

* A importância da ação de presença — Exemplo da Eucaristia

(Sr. Fernando Antúnez: Mesmo a doutrinação é muito enfocada na pessoa d’Ele e ação pessoal d’Ele.)

Muito, muito, enormemente, enormemente!

O exemplo perfeito é a Sagrada Eucaristia. Há toda uma doutrina sobre a Sagrada Eucaristia ensinada pela Igreja. E é em razão dessa doutrina que nós comungamos e fazemos ação de adoração. Mas o benefício que nos vem da comunhão não é apenas da meditação eucarística que fazemos! Mas é da presença de Nosso Senhor em nós!!! É uma presença eucarística que é inefável! E graças a Nossa Senhora nós sabemos como é, mas isto, para documentar a importância da ação de presença, documenta de modo de cegar! Diretamente de cegar!

(Sr. Carlos Antúnez: E o senhor também. Se eu fosse ler a “RCR” e os livros do senhor sem conhecer ao senhor… não sei se estaria no Grupo.)

Eu estou imaginando meu Carlos diretor de um hotel no alto dos Alpes, incapaz de sair de lá e com todos os livros da TFP formando um monte. Qual seria a ação desses livros sobre o Carlos? Não havia grupo da Venezuela.

(Sr. Carlos Antúnez: E acho que não é isso um fenômeno pessoal meu, penso que é…)

Certíssimo!

* Como a ação de presença de Nosso Senhor realçava suas palavras — Exemplo do Sermão das Bem‑aventuranças

(Sr. Fernando Antúnez: Acho que isso está no centro da vocação, a ação pessoal ser mais do que o resto. Agora, por que isso…)

Na medida em que se possa fazer o paralelo entre criatura e o Criador há o seguinte:

Ninguém disse melhor do que Nosso Senhor Jesus Cristo. É a própria perfeição nisso também. Mas a gente vê que por mais que Ele tenha dito, aquilo que é o tesouro que nós sabemos, Ele não disse tudo que estava nEle. E que sempre que Ele dizia, um mundo de imponderáveis ficam como aquela parte não central do jato de luz do qual eu falava hoje à tarde, em que um dos encantos é perceber tudo aquilo que está em torno e que a gente não pode esgotar.

Agora, isto o homem só percebe inteiramente com a ação pessoal de presença.

Tome, por exemplo, o sermão das Bem‑aventuranças. Só isso! Uma coisa chamar‑se “Sermão das Bem‑aventuranças” a gente perde a fala, porque uma coisa não pode ter nome mais bonito do que “Sermão das Bem‑aventuranças”. Depois a palavra bem‑aventurança aqui toma desde logo um som que não há música de ninguém que… “Bem-aventurados os puros… bem‑aventurados os mansos… bem‑aventurados não sei o quê…”. Em cada uma daquelas bem‑aventuranças é um sino que toca, que percorre a História desde os lábios sagrados d’Ele até o dia do Juízo Final. E é uma coisa que tem… uma beleza!

* “O próprio da ação pessoal é fazer sentir o que a palavra não é capaz de dizer”

Mas é evidente que muito do que fica inexprimível nisso, a ação pessoal d’Ele realçava enormemente. E o próprio da ação pessoal é fazer sentir o que a palavra não é capaz de dizer.

(Sr. Guerreiro Dantas: Lembro‑me nas reuniões com o senhor na comissão de estudos, que as descrições de pessoas e ambientes nos faziam como que ver a coisa… era a transmissão para nós de algo que era o espírito daquele assunto, daquele tema, ou cenário ou pessoa, que o senhor analisava.)

É verdade, melhor do que uma televisão.

(Sr. Guerreiro Dantas: […] Quem é soberano hoje na face da Terra, portanto, que defende os direitos de Deus! E o soberano… é lícito aos súditos pedirem dons, graças, favores sempre mais abundantes… se eles merecerem, pelo menos.)

Eu reconheço no belo invólucro a presença de um belo e velho pedido…

(Sr. Guerreiro Dantas: Para mim é assim, precisaria alguém provar que não é… Mas é evidente! Estou no Grupo há quinze anos, alguns de Êremo, e apesar das infidelidades estão vendo as coisas como estão.)

Meu filho, como o remédio meu está subindo, eu queria dizer uma coisa a você antes de ter que interromper a reunião. Portanto, eu corto, mas retomo quantas vezes você queira o assunto, com todo gosto. Mas eu queria agora dizer uma coisa a você, porque é uma dessas horas da graça e que convém dizer.

* A necessidade de uma contrição para a comissão de estudos da Opinião Pública ser reconstituída

Você falou muito bem…

(…)

o que vem a ser a contrição?

É o sentir o bem que está perdido. O que valeu. Sentir a falta que está fazendo. Daí o tomar consciência da gravidade do pecado cometido e então pedir perdão pelo pecado.

(…)

imagine que estivesse no meu poder que eu dispusesse das pessoas e das instalações, etc., e eu pudesse fazer sapiencialmente. Absolutamente falando eu posso, porque o Êremo está lá, vocês estão aqui, se eu quisesse eu reconstituía o Êremo. Mas não adiantava nada eu reconstituir e recomeçar o estudo da Opinião Pública, enquanto vocês não tivessem um arrependimento daquilo que foi feito.

Eu poderia ir aos sábados à noite ou toda a noite com vocês comer pizza, se meu regime alimentar me permitisse. O Giordanno podia ainda existir, mas enquanto não houvesse um arrependimento do que ali foi feito, das friezas, das coisas feitas ali, não adiantava nada.

* Um parágrafo na Oração da Restauração que fala da contrição: “um coração arrependido e humilhado”

E nessa visualização a contrição é tão capital, que eu mandei inserir um parágrafo na Oração da Restauração a respeito disso. Até de medo de não entenderem bem os “enjolras” o que é um coração contrito, pus um “coração arrependido e humilhado”.

Eu transbordo, estou como o pai do filho pródigo, estou na torre olhando o caminho e vendo com alegria que no fundo do horizonte o perfil do filho começa a se delinear, mas antes de ele chegar aos pés da torre eu não posso abraçá‑lo. E isso supõe sofrimentos, supõe outras circunstâncias. Para cada um, uma. Nossa Senhora dispõem das coisas muito individualmente. Mas supõem circunstâncias — para cada um, uma — que são únicas e que vão produzindo essa contrição.

(…)

dela é uma coisa errada pensar assim: “Bom, então vou me arrepender para Ela ter pena de mim”.

Não! Ela tem pena de mim. A pena é tal, que Ela me dá a mim a vontade de eu me arrepender. Se eu correspondo [a] essa graça, a contrição está configurada, se completou.

Mas se nós fôssemos medir tudo quanto foi, nesse sentido, subestimado, esbanjado, menosprezado, tratado com os pés… E depois caiu em cima de nossa cabeça o fruto de nossa infidelidade. Como nós fomos insensíveis a isso! E o que haveria de contrição a pedir é inenarrável!

(…)

vocês mais facilmente abririam os olhos.

* Assistimos de arquibancada enquanto o Sr. Dr. Plinio toma lambadas por nossas infidelidades

Quem toma as lambadas é outrem e vocês assistem de arquibancada.

(Sr. Nelson Fragelli: A contrição virá sem lambadas?)

Nossa Senhora tem seus desígnios, mas é bem possível que Ela dê lambadas antes de vir a contrição! Que lambadas às vezes é um dia! Num dia saem todas as lambadas.

Depois tem o seguinte: alguns de nós tomamos a lambada e não nos emendamos… Quer dizer, até lambada Nossa Senhora nos deu, mas nós não nos emendamos, continuamos a vida!

* Apesar de ver no sofrimento de uma vítima expiatória o tamanho de nossas infidelidades somos insensíveis — Exemplo de Santa Terezinha

(Sr. Nelson Fragelli: Mas essa posição de Nossa Senhora de enviar sobre o senhor os raios e nos deixar na arquibancada, a que sabedoria corresponde isso?)

(Sr. –: A que sem‑vergonhice…)

A vítima expiatória!

Por quantas almas expiou Santa Teresinha?… Não tem conta!

Agora, Santa Teresinha expiou lá no Carmelo e nós nos beneficiamos, está muito bom. Mas imagine que nós morássemos com ela no Carmelo, assistíssemos o progresso da doença dela, soubéssemos que é por nós que ela está sofrendo e tratássemos aquilo assim! Que juízo nós deveríamos fazer de nós mesmos?!

Então, por exemplo, um de nós mora num quarto de onde possa ouvi‑la tossir durante a noite, sabemos que é a tuberculose que está devorando os pulmões e pensamos: “Olha, está vendo? Ela está fazendo isso por causa do apego que eu tenho a X, Círculos, por exemplo. Bom, deixa eu virar de lado e dormir… Ela está agüentando duro, hein!”.

Na manhã seguinte a primeira coisa que faço é ir aos Círculos! Então eu sei que ela teve uma hemoptise e eu digo: “Eu preciso passar uma semana com meus Círculos!”.

Eu sou insensível, eu vejo, conheço a relação de causa e efeito, sei o tormento que estou causando, mas a questão é que não quero privar‑me daquilo porque não quero! É muito agradável!

* “Convivi com Anás, com Caifás, com Barrabás e acabo remido por Jesus Cristo”

Depois ainda tem uma agravante.

Imagine que eu fizesse isso visitando pessoas que detestam a Santa Teresinha. E sabendo que ela está morrendo esfregariam as mãos de contente. “Mas é agradável, interessante, deleitoso, quero, gosto!”. Me limito a constatar os boletins de saúde: “A degringolada dela vai para frente. Está bom, quem sabe se acaba dando um jeito em mim… será bem agradável. Porque no total eu convivi com Anás, com Caifás, com Barrabás, etc., companhias muito agradáveis e acabo remido por Jesus Cristo”.

Agora, quando esse estado de alma comparecer perante o Juiz Eterno… como é que vai ser?!… É extraordinário, não é? Mas é muito extraordinário.

* Necessidade de uma contrição por nossa dureza de coração — Como será nosso juízo?

Vamos dizer o preto sobre o branco. Na história da dureza de corações é uma coisa muito rara, muito rara, mas é assim.

Ora, isso pede uma contrição. E não depende de mim saltar por cima dessa necessidade dessa contrição! Como pode depender? Não pode.

Depois nós vimos outros que na mesma via que nós pecaram — é verdade que às vezes mais do que nós. Como foram punidos de modo espetacular! Nós conhecemos casos, não quero repetir.

Agora, nós não nos incomodamos e percebemos [ou queremos] que a punição merecida por nós caia num outro. E vamos alegres! Inclusive estamos vendo, estamos a dois passos da Bagarre e vivemos na mentalidade da Bagarre Azul! Nossos sonhos, nossas tendências, tudo é Bagarre Azul. Nós estamos na Bagarre Azul.

Agora, quem de nós aqui está garantido que saindo daqui não sofre um desastre, não morre? Ou sofre um assalto, qualquer coisa e não morre? Morre e vai ser julgado de acordo com o que está a alma agora. E terá que prestar contas por isso. Como é esse juízo?

Quer dizer, será que Nosso Senhor, que é infinitamente santo, será indiferente ao martírio de Santa Teresinha e nos acolhe sem objeções na eterna presença d’Ele, no Paraíso?

Não se pode admitir isso.

Bom, então vem a eterna cantilena dos que não querem arrepender‑se: “Bom, mas quem sabe se à última hora me vem uma graça?”.

Vamos dizer que vem a graça. Até que ponto minha alma está preparada para dizer sim para essa graça?! Porque a graça não consiste no seguinte: em eu dizer que me arrependo e morrer. Eu devo ter uma tal forma de arrependimento, que se eu sarasse, eu me emendaria. Sem isso não houve verdadeiro arrependimento. É terrível!

Agora, nós com isso simplesmente brincamos!

(Sr. Nelson Fragelli: Sinto‑me num tal estado, que não sei quais são as possibilidades que eu tenho de corresponder à graça dessa conversa. Dessa conversa é dizer pouco…)

Dessa reflexão que estamos fazendo juntos.

(Sr. Nelson Fragelli: Então me ocorre perguntar qual o papel de Da. Lucilia para nos obter essa contrição. Eu me volto para ela, porque…)

(…)

E sabem que eu disse a eles: “O relaxamento que vocês estão pondo nisso é tal, que no dia que estiver pronto virá uma notificação para deixarem o prédio”. E vocês sabem que no dia em que a pia da água benta estava pronta e que era a última coisa que faltava, veio a notificação. Viram! Ahahah! Vamos fazer uma mudança! Não impressionou ninguém!

Para terminar, esse último episódio do quase desmaio da imagem de Nossa Senhora de Fátima, durante o período preciso em que eu estava sofrendo o Desastre. Esse episódio aflorar anos depois do Desastre!

(Sr. Nelson Fragelli: Mas como?!)

(Sr. Carlos Antúnez: Eu soube no Praesto Sum.)

É, em duas…

(…)

paixão que a gente pára com um cachorro que está na rua gemendo. Se a gente vê um cachorro que vai morrer na rua gemendo, a gente puder dar um remédio para ele gemer menos, a gente dá.

Bem, poderia ter contado. Não, cinco anos de silêncio. Ah!…

(…)

acho que essa conversa da contrição foi das melhores graças que tenhamos tido. Nós devemos agradecer a Nossa Senhora, mas acho que um Confiteor voltados para Ela caberia perfeitamente. Vamos rezar esse Confiteor antes de terminar as orações.



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