Conversa
de sábado a Noite – 12/04/80 .
Conversa de sábado a Noite — 12/04/80
Conaturalidade da inocência com a Ordem, constatação de seu degringolar e sensação do negrume poluindo o mundo, formam o tripé do operar de grandeza bíblica da certeza da vitória * Na batalha das axiologias, o papel central da dor e do holocausto do instinto de sociabilidade para ter a confirmação interior da vitória * Quando a alma resistiu à tentação do desespero axiológico e recebeu o “ósculo de Deus” sente-se conatural com Ele próprio * O “arc boutant” das catedrais é a imagem perfeita do conúbio entre o altíssimo discernimento dos espíritos e a cristalina lógica na sustentação axiológica * O papel do Senhor Doutor Plinio levando ao sumum os Thaus em estado de aurora do enjolras e estaqueando os que entram em ocaso * Descrevendo a Ordem do Universo vista por seu próprio Thau, nosso Pai fortalece seus filhos nas convicções * Como nosso “Deus é ciumento”, quando deslocamos o pólo de nosso amor das realidades metafísicas para os interesses pessoais começamos a ficar cegos. Eis o “nervo da prevaricação” * Na Oração da Restauração o que se pede é a “audácia do vôo” que configura o apelo profético de São Luís Maria Grignion de Montfort para os Apóstolos dos Últimos Tempos
* Conaturalidade da inocência com a Ordem, constatação de seu degringolar e sensação do negrume poluindo o mundo, formam o tripé do operar de grandeza bíblica da certeza da vitória
(Sr. J. Clá: O senhor falou da certeza da vitória, seria possível tratar deste ponto, a certeza da vitória nos dias de hoje?)
Seria preciso primeiro fazer uma distinção.
O que se falou no domingo à noite a respeito de grandeza bíblica é um pouco diferente disso. O que tinha na grandeza bíblica era uma apresentação da personalidade como a graça agindo, como aproveitando completamente os recursos naturais da pessoa e por de dentro aumentando os recursos naturais enormemente. De maneira que dava a impressão de uma plenitude, de uma força natural e humana absolutamente incomum.
Agora, do outro lado do arco-voltaico, um Deus que aparecia sobretudo enquanto enormemente forte e aí uma espécie de diálogo de gravidade, de seriedade, de grandeza que era uma conversa de grande, do tamanho da formiga, o grande do tamanho de um gigante.
Mas, que tinha assim uma espécie de grandeza, de seriedade, de acontecer que nem sempre era vitória. Mas, quando era derrota ainda era uma derrota de uma grandeza fenomenal.
(Sr. ?: E mesmo na derrota havia a idéia de que a causa ia vencer.)
Ia vencer, isso é certo.
Isso não se identifica bem exatamente com o problema da certeza da vitória entre nós. Embora, houvesse no Antigo Testamento, comparativo, — que são assuntos que tem pontos comuns, mas bem distintos — e qual é o papel da vitória para nós. Parece que vocês são mais apetentes desse aspecto para esse tipo de reunião. Se assim for, entremos por aí.
É possível que enquanto eu fale, ao explicitar, eu veja que há mais alguma coisa para alterar ou para completar, qualquer coisa, mas apresentada a coisa assim, no seu primeiro olhar, essa certeza da vitória repousa sobre três pés, é um tripé.
Esses três pés são os seguintes: vamos dizer que ele pode nascer numa pessoa — nasce numa pessoa, originariamente, de um fundo — isso é o ponto estático, ainda não o nascer, é o pressuposto, é a inocência que apresenta a ordem própria e normal das coisas, no plano natural e sobrenatural, como muito lógica e muito estável, muito digna de existir, muito forte, muito boa, etc. Esse é o pressuposto. De maneira que a pessoa tenha bem claro em vista que as coisas não podem deixar de ser como elas devem ser. Elas são como elas devem ser, mas elas não podem deixar de ser como elas devem ser. Isto é o primeiro dado do problema.
O segundo dado do problema é: a pessoa sente, mais ou menos, as transgressões e as violações. E sente de duas maneiras: de uma maneira sente algumas transgressões graves e depois tira umas coordenadas por onde percebe que o conjunto do panorama está poluído, que se há estas, aquelas, aquelas poluições, há uma contextura de poluição no conjunto do panorama e que tudo está mais ou menos esporcado, mas o que (…) inteiramente clara, inteiramente consciente, é mais ou menos assim.
Então, o ponto estático, o ponto de partida é o que já dei. O primeiro passo é perceber o esporcamento [conferir no dicionário a palavra] geral. Essa inocência que percebe como a ordem das coisas é importante, é básica, é magnífica e não pode deixar de ser assim. E, por onde a pessoa se apega às coisas, muito mais pela ordem delas do que por elas em si. Porque estão bem ordenadas, bem dispostas a pessoa tem mais apego a isto do que pelas coisas em si. Como Deus amou mais o conjunto dos seres do que cada ser.
No segundo passo a pessoa percebe os esporcamentos, tem uma certa idéia desses esporcamentos revolucionários. Agora, a idéia não é muito clara ainda, mas já, na medida em que ela existe, ela vem acompanhada da noção de que aquilo é muito grave. Quer dizer, na medida em que se confirme, se afirma muito mais grave e é o lado impressionante da coisa.
Aqui se dá, então, um contraste. Ainda nessa primeira etapa o negrume da Revolução visto em contraste com a força e o esplendor da Ordem. Então é o esplendor da ordem vista até o fundo e percebido que o negrume da Revolução vai até o fundo do fundo.
Não é qualquer coisa assim. A pessoa percebe mais ou menos que é um negrume que vai até o negrume total. Não está portanto em presença de um pecado qualquer ou de uma desordem qualquer, mas é um desconjuntamento [?], um pôr de cabeça para baixo com perna para cima total!
Na terceira etapa a pessoa se dá conta de que essa impressão de pontos negros de desordem numa poluição geral, de fato são uma coisa que tomou conta de tudo e que faltam poucos passos para se consumar inteiramente e que é uma força fenomenal! Que liquidou tudo.
* Na batalha das axiologias, o papel central da dor e do holocausto do instinto de sociabilidade para ter a confirmação interior da vitória
E a pessoa fica com uma idéia de que duas forças das quais, anti-axiologicamente, a boa que não deveria ser derrotada está derrotada! E a ruim que deveria ser derrotada está vitoriosa. Há portanto uma situação profundamente anti-axiológica que está posta.
Mas, aqui põem-se ao mesmo tempo, o problema da fidelidade. Porque a pessoa percebe que se ela for se colocar do lado do bem, ela é vilipendiada, é traída, é abandonada, é calcada aos pés, etc. E que se trata para ela de saber se ele rifa aquilo tudo ou não rifa. Porque se ela rifar ela se entrega ao mal e leva uma vida boa. Se ela não rifar ela tem um verdadeiro martírio diante de si.
Aqui é que começa a dar-se a certeza da vitória.
É que a pessoa se dá conta, ao mesmo tempo, do caráter vencedor disto que é totalmente mal e do caráter vencido daquilo que é totalmente bom. E que se ela ficar — ficar quer dizer: se ela tiver uma alma à maneira do que é totalmente bom, os outros de um modo ou de outro perceberão e a enxovalharão e a empurrarão de lado.
E que não há lugar para ela no mundo. Se, pelo contrário, ela ficar dela do que é mal, ela terá qualquer lugar no mundo. A questão é que ela então precisa mudar de interior porque os outros percebem. Não se trata dela mentir, dela ocultar porque os outros perceberão. Mais ainda: ela percebe também que se ela se entregar para o mal aquele bem se afasta dela e ela perde a oportunidade de voltar. De maneira que fica posta a questão.
A certeza da vitória — é coisa curiosa — nasce precisamente aí e aí que vem o tripé. Porque o resto são a bem dizer os antecedentes da certeza da vitória.
Quando o sujeito se entrega para o mal, ele mente para si mesmo [dizendo ?] que o mal é vitorioso e que nada [o] contém. Ele comete uma espécie de pecado de desespero axiológico em que ele rifa tudo, ele diz: “não, nisso, Deus perdeu a partida, Ele entregou os pontos, ou Ele foi derrotado, eu não sei o que que é! mas…”
Aliás, nem sempre o indivíduo formula a palavra Deus, mas fica um pólo luminoso das coisas que nós sabemos que é Deus. Esse polo está calcado, não vale mais nada. E o outro venceu e nunca mais será de outra maneira. De maneira que vou me entregar”.
Quando pelo contrário, o sujeito opta pelo bem, ele percebe — porque aí vem a graça, vem o ósculo de Deus a ele — ele percebe, percebe por conaturalidade, que um dia aquele bem tem que vencer! Passando por vales e montes, coles e colinas, por abismos, precipícios ou subindo na costada de arco-íris, seja arco-íris! seja como for o bem tem que fazer um trajeto onde vencerá.
E que não é possível não ser assim. Mas ele percebe por uma espécie de conaturalidade, ele não perceberia tão bem se ele não tomasse essa conaturalidade. É mais ou menos como a gente imaginar numa família, dois irmãos, dos quais um é um gênio, mas não se revelou. E o outro é uma pessoa muito menor, mas por conaturalidade com o irmão percebe a genialidade do irmão e está certo que o irmão fará carreira. É a conaturalidade que deu lucidez para perceber.
Assim fazemos nós com Deus. Por conaturalidade com Ele — se se pode usar essa expressão — nós percebemos que Ele vencerá, que esse tal pólo luminoso das coisa vencerá, por conaturalidade que não pode deixar de ser! É o primeiro dado da vitória: um dia vencerá! Mas isso é fruto da opção boa, é fruto do ato de fidelidade. Aí começa “blooom!” aquele som diante de nós da certeza da vitória de Quem, dAquele [a que] nós nos demos. É o ponto.
* Quando a alma resistiu à tentação do desespero axiológico e recebeu o “ósculo de Deus” sente-se conatural com Ele próprio — O “renouveau” do maravilhamento primeiro e as super-generosidades
Depois isso se desenvolve. A pessoa nota que aparece nesse horizonte que a pessoa via tão poluído, para o qual não havia nenhuma espécie de saída, a pessoa nota de repente o bem que nasce e se mostra mais luminoso em genere suo do que o mal é tenebroso no gênero dele. E a pessoa diz: “Então está nascendo algo que não podia nascer e a partir do momento em que está nascendo este algo, é a prova de que aquele pólo luminoso começou a vencer! Não tem conversa!”.
Então, a existência de um 9º (?) como o da Congregação prova que o polo bom começou a vencer. Nada de fato autorizaria que se pensasse que esse grupo ia nascer, todo mundo consideraria uma quimera, uma loucura, uma doidice que esse grupo existisse. Ainda mais que ele fizesse progressos, ainda mais que ele interferisse no curso dos acontecimentos.
Tudo isso não podia acontecer. Aconteceu! Há no status quo entre o polo bom e o mal aconteceu uma coisa que começou a romper o equilíbrio. E é como naquele jogo de queda francesa, quando a gente percebe que de repente um braço que está quase encostado na mesa começa a levantar o outro. A gente no primeiro repelão diz: se ele conseguiu empurrar esse braço de um milímetro, é possível que ele agora levante o braço até o fim, até o outro lado. Vem daí uma certeza.
Depois há outro fato de conaturalidade: a pessoa resolve não apenas ser interiormente fiel àquele pólo luminoso, mas dar sua vida para fazer progredir aquela luz que tem nexo com o polo luminoso e que ela começou a admirar. Ela diz: “não, eu vou ajudar a essa vitória a minha vida é essa! não é outra coisa senão isso!”.
Aí a conaturalidade joga mais uma vez e aí é do thau e da vocação com o sujeito. Naturalmente Deus Nosso Senhor pelos rogos de Nossa Senhora, mas é Deus Nosso Senhor por detrás de tudo, por cima, por tudo, é Ele. É claro.
E a pessoa faz o seguinte raciocínio: essa luz do thau que estou vendo é ao mesmo tempo tão nascente, tão pequena, mas tão pujante de luz que ela não pode deixar de crescer porque todo corpo pequeno onde há uma vitalidade estuante chegará à grandeza. Não tem por onde escapar!
Se por exemplo, vir passar diante de mim um vaga-lume que ilumina tanto que eu tenho que fechar os olhos, eu chego à conclusão que ele não pode continuar daquele tamanho. Porque no tamanho de um vaga-lume não cabe essa força energética. que aquilo é um filhote de vaga-lume, é um micróbio de vaga-lume, o que queira! Mas uma coisa não é possível, se sou obrigado a fechar os olhos aquilo vai crescer. Não tem nenhuma conversa possível.
Depois, aquilo é tão pequenino e conseguiu furar do não ser para o ser. O que furou do não ser para o ser fez uma proeza maior do que a proeza do simples ser para o ser na sua plenitude. Logo, se nasceu, venceu!
Então, há os dois elementos que estão postos: o elemento Deus — pólo luminoso, etc. — e agora está posto o elemento, Deus de novo, mas apresentado sobre outra forma. Não é mais Deus que se vê na criação, que se vê na Igreja, etc., mas Deus que se vê numa luz que a propósito de certos temas e de certo grupo de pessoas começa a brigar para nós. E a gente tem então a certeza de que aquilo vai vencer.
Essa certeza é corroborado por uma certeza íntima que tem qualquer coisa de inefável — é então o terceiro elemento do tripé — e que é o seguinte: eu sinto no mais fundo de mim que o meu nome me foi revelado. E eu me tornei explicável a mim mesmo.
Quer dizer, eu sou o que nasceu para receber em si tal gota de tal luz. De tal maneira que aquela gota se transforma, por assim dizer numa pessoa, caindo em mim. E eu me transformo naquela gota recebendo-a. Eu me explico e tudo aquilo por onde eu sou uma charada sem sentido ou uma almanjarra sem coordenação ou uma coisa que se move parksonianamente em espaços obscuros e indefinidos; toma sentido nesse ponto: meu nome foi dado! Eu sou tal coisa.
Ao notar que meu nome foi dado eu sinto de dentro de mim todas as minhas energias naturais e as energias sobrenaturais, de batizado, que dizem: eu sou capaz de ir até tal ponto! Esse ponto é a vitória. Está no meu nome de eu ser “Victoire”! Vencedor!
Então, da conjugação desses três elementos, nasce a certeza da vitória.
* O “arc boutant” das catedrais é a imagem perfeita do conúbio entre o altíssimo discernimento dos espíritos e a cristalina lógica na sustentação axiológica
Vocês me perguntarão, dirão: “está bom, mas qual é o papel do discernimento dos espírito dentro disso?”
Em tudo! Há um discernimento já quando naquele pólo luminoso se percebe que é Deus. Há um discernimento dos espíritos quando se percebe que naquele mal entra um negrume que se se pudesse dizer sem erro filosófico se diria negrume absoluto. Não há um negrume absoluto, mas um negrume total. Já entra aí o discernimento dos espíritos. Há um discernimento dos espíritos quando se percebe o problema de eu que me discirno a mim mesmo e me pergunto a quem me devo dar. E depois quando vejo o thau nascer é outra operação de discernimento dos espíritos. O que quer dizer isto?
Quer dizer o seguinte: é muito provável, todo ele racional. Mas ao qual se acrescenta um certo favor, uma certa graça por onde tudo isto que minha razão me diz, meu espírito capta também por imponderáveis, por luzes, por formosuras, por atrações, por alvinitências, por hediondezes que meu espírito capta bem. E que fazem com que eu siga enlevado o caminho do dever. Não é portanto mera marcha no caminho do dever, mas é seguir enlevado o caminho do dever.
A isso se toma o discernimento que tenho do meu próprio espírito, quando eu olho para mim e percebo o meu nome. E essa sensação — que é realmente inefável — da criatura humana que se sente explicada nas suas profundidades, ex imis fundamentis explicada.
Tem uma única coisinha para esclarecer que é a seguinte: o discernimento dos espíritos é e não é uma coisa contínua. Porque a gente vai percebendo continuamente aquilo, mas em determinado momento aquilo se eclipsa e fica apenas na memória. E se a gente não tivesse o raciocínio para escorar a gente, só com o que fica na memória, não iria.
Mas, de outro lado, o que fica na memória dá ao que se raciocinou —quand même — uma vitalidade extraordinária. Então, as vezes o discernimento dos espíritos é como uma fogueira que poderia ter a altura desse prédio e às vezes é uma brasa de fogueira brilhando no meio da noite. Mas, em algo ela está sempre aparecendo.
Isso seria a explicação da coisa.
Há depois um elemento que não faz parte desse processo, mas que é uma espécie de arco-botante no edifício — aquele arco que fica do lado de fora da catedral mantendo a catedral de pé, já não faz parte da catedral porque é externo ao prédio, mas de outro lado, faz parte da arquitetura, é um elemento de segurança extrínseco mas necessário para aquela arquitetura.
(Sr. ?: mas pertence ao pulchrum da catedral.)
Ah, sim, compõem a figura estética da catedral. A tal ponto que muitas catedrais, mais recentes, são construídas com arco-botantes inúteis. De tal maneira o arco-botante é capital para toda a beleza da catedral, como estética. Mas que em determinado momento foi necessário, eles não sabiam construir de outra maneira.
O arco-botante qual é que é?
É quando a gente, em virtude do discernimento dos espíritos, percebe mais ou menos o nome de cada um que segue o nosso caminho. E, em geral, o edifício começa a ruir quando os arco-botantes amolecem. Ou seja, quando começam as fobias, as carreirosas, os ressentimentos. Em que a gente não vê mais no outro uma gota de luz irmã e congênere da gota de luz que cada um de nós é, mas vê no outro um aliado ou um adversário na carreira para aparecer diante do pátio. Aí apagam-se as coisas e começa a decadência.
* O papel do Senhor Doutor Plinio levando ao sumum os Thaus em estado de aurora do enjolras e estaqueando os que entram em ocaso — Grau de culpa quando se deu consentimento à crise
(Dr. Edwaldo: … encontrar uma pessoa que simbolize a causa, assim a certeza da vitória se ascende muito mais.)
Isso é verdade. quando eu falei da questão do nome, eu dava a entender isso: que há uma fusão, a pessoa que conhece o seu nome e aceita a realidade da qual ela é nome, ela brilha com todo o brilho do nome que ela aceitou.
Mas, é uma coisa curiosa, que essa identificação tem graus. E alguns tem um nome tão intenso que a identificação com o próprio nome tem grau cem. E, depois isso vai indo num degradé que faz com que para um novo, ele sente no vice-novo [?], uma identificação com a causa que parece absoluta.
Então, um enjolrinhas de um ano de grupo parece ao apostolando um Tarzan! Um colosso, um fenômeno! Ele tem um ano! de fidelidade, esse sujeito. Mas é assim, apresenta-se assim.
Depois ele vai percebendo fidelidades maiores e vai se colocando no fluxo das fidelidades maiores. É claro que tudo quanto é grande pede um sumum, porque do contrário fica um edifício sem teto! há um certo momento em que esse teto se fecha. É o sumo.
Agora, é claro que quando a certeza dessa vitória se apagou toda a vida espiritual, a vocação, tudo mais passou a não ser nada. Aonde é que fica a semi-fidelidade?
Ela tem a primeira infiltração deletéria no momento em que a inocência é poca — por culpa do sujeito, ou seja, a correspondência dele à graça da inocência é poca — e, por causa disso, ele em vez de identificar-se inteiramente com a ordem das coisas e não querer senão viver de uma vida de amor à ordem das coisas, a ordem do universo, ele começa a querer para si bens particulares que nada tem que ver com a ordem do universo, e porque ele é ele.
Assim, como contra isso se pode pecar mortalmente, pode-se pecar venialmente também. O indivíduo semi-fiel tem em grau maior ou menor esse pecado.
(Sr. –: Seria exemplo disso o sapato do Antonio Lopez de Tejada?)
* Descrevendo a Ordem do Universo vista por seu próprio Thau, nosso Pai fortalece seus filhos nas convicções — Como num discípulo essa visão pode corroer-se por um “par de sapatos”!
Seria, perfeitamente. Ele era uma pessoa, vamos dizer, muito enlevada e isso, aquilo, aquilo outro, mas ele em determinado momento teve um interesse que é um par de sapatos que não tinha nexo nenhum com a causa, com nada, era ele, era para ele!
Agora, como diz a Escritura “nosso Deus, é um Deus ciumento”, não tolera. Do par de sapato foi até a banheira com a lâmpada elétrica.
Depois, ao longo de todo processo há então o ressentimento disso. Porque quando chega ao estágio de perceber a poluição os pontos poluídos e a contextura poluída, ele percebe com uma certa indiferença. Ele tem seu destino pessoal e diz: bem, então esse pessoal todo está mesmo levando isso água abaixo. Mas, eu vou realizar aqui, para mim, uma certa forma de fruição e de felicidade que eu quero para mim. Agora, isto é coisa de Deus, são os interesses do polo branco, interesses simpáticos, eu desejo que o polo branco vença, mas não é o único polo. Eu tenho para mim que eu sou um polo meu e eu quero para mim tal coisa.
Mas adiante isso se repete ainda mais. Quando a pessoa se dá conta de que ali está o sumo negrume ao lado do sumo bem a que ela tem que dar-se, ela faz um projeto fraudulento: “eu não vou me recusar inteiramente, mas também não vou me dar. Porque eu nessa meia recusa eu conservo sempre uma ponte para o lado de lá, qualquer hora eu melhoro, de um lado. De outro lado isto é muito importante, acaba sendo que isso não é pecado mortal. Porque isso não é pecado contra a castidade, não é mentira, não é morticínio, não é roubo, não é calúnia, não é… e aí, logo não é pecado mortal. E eu conservo o estado de graça, embora fazendo isso”.
Porque a pessoa não se dá conta que isso é pecado contra o primeiro mandamento! Então, a pessoa também se semi dá. Aí… vai até todo o resto. Essa é a semi-infidelidade.
Então, a gente quer ser empresário, ou general, ou embaixador, ou orador e político, ou músico, ou clinico incomparável, ou… sei lá! Tudo quanto queiram a pessoa quer ser, mas é para si e paralelamente ao pólo, sem se fundir com o pólo. São duas coisas diferentes. Aí nós temos o que nós sabemos! não preciso entrar em pormenores, nem nada porque a coisa está dita.
(Sr. J. Clá: … seria possível ter isso mais aplicado?)
Aqui se prende a uma coisa muito delicada de explicar, mas que é a seguinte: quando falei de um pólo alvinitente das coisas, eu dei uma impressão metafísica que a ordem do universo cria e que dá uma percepção de Deus. E falei ao mesmo tempo de um certo fato sobrenatural, que numa ordem mais alta, numa categoria mais alta dá a mesma impressão com mais pujança, com outra elevação mas que são — neste sentido da palavra — são homogêneas, não são contínuos mas são homogêneos e funcionam para a vista como se fossem contínuos.
Vamos dizer por exemplo, a ordem do universo. Mas do universo tomada a ordem humana e a ordem de todo o universo sensível. Essa ordem do universo, ela tem em si, uma grandeza, uma série de outros predicados que nós conhecemos. Mas, não lhe é dado fazer a seguinte operação mental: eu conheço a ordem do universo e daí eu parto para a noção abstrata de ordem e para a noção abstrata de universo. E portanto componho uma noção abstrata de ordem do universo. E naquilo está o suco da alvenitência que percebo, porque a minha condição de criatura humana, tornando necessário que tudo o que está no meu espírito tenha passado pelos sentidos, tem um corolário donde as coisas não ficam no meu espírito se morreram nos meus sentidos.
Esse corolário eu nunca vi filosoficamente enunciado, mas me parece pelo menos, salvo erro que eu submeto ao juízo da Igreja, me parece que esse corolário é um corolário ultra certo. Quer dizer, um homem que perdesse completamente a memória do que é o verde e perdesse completamente a sensibilidade visual para o verde, não conservaria no espírito outra noção do verde que a que tem um cego.
* Como nosso “Deus é ciumento”, quando deslocamos o polo de nosso amor das realidades metafísicas para os interesses pessoais começamos a ficar cegos. Eis o “nervo da prevaricação”
(Sr. Guerreiro: O senhor pegou um ponto agora, o nervo da nossa prevaricação.)
É, porque é o pretexto da prevaricação.
Então, não adianta vir com coisas, porque não é assim!
Agora, quer dizer se uma noção de santidade ou disso, daquilo, daquilo outro me chegou ao espírito vendo algo ou alguém, ou algos e alguéns, se eu me esquecer completamente desses algos e desses alguéns, eu esquecerei a noção. A não ser aquele rudimento de noção que um cego de nascença tem da cor, um surdo de nascença tem do som, mas que… é mais pelo lado negativo em si que o indivíduo percebe que é que a coisa poderia ser do que pelo lado positivo.
Assim, toda essa linha de bem que eu falei, desde a inocência até todo o resto, se pousa, se liga à imagens concretas que os sentidos perceberam ou coisas concretas — não quer dizer materiais, porque concreto e material são coisas diferentes. Minha alma é espiritual, mas é uma coisa concreta! Coisas concretas que meu espírito discerniu. É como que uma vista interior que a graça abriu para mim para perceber, o meu espírito discerniu.
Se eu, na medida em que eu vá dando importância ao meu pólo interior, todas essas impressões metafísicas ou sobrenaturais vão morrendo fatalmente, porque meu interesse vai fugindo daquilo e se canalizando para o ponto pessoal E acaba sendo que a minha vista some e eu fico cego. E essa gente toda que está por aí…
(…)
Então, se a gente não vê numa pessoa um nome. Dizer: “Não, eu tenho um princípio abstrato que é a doutrina católica, isso está no Denzinguer assim, está no catecismo romano assim, etc.”, se a pessoa se põem nessa perspectiva ela acaba ficando com a visão do cego.
Então pode vir uma objeção: “mas imagine que uma pessoa estude o Denzinguer ou estude o catecismo romano e vê uma porção de verdades que nunca conheceu na vida. Como é a fé que a pessoa deposita nessa verdade? É porque ela viu isso em alguém? Não! Ela está lendo pela primeira vez no Catecismo Romano!”.
É um trabalho muito sutil, mas é interessante. Quando a gente vai aprender coisas novas no catecismo, em São Tomás, em qualquer coisa, a gente involuntariamente vai encaixando aquilo no horizonte que tem da Igreja.
* No que consiste a fidelidade completa
Ora, é a gente que entende melhor aquilo porque pôs aquilo dentro dela. Mas, insensivelmente nós vamos melhorando e aumentando a imagem da Igreja que nós temos. Se essa imagem da Igreja em nós desaparecesse, estava tudo acabado.
(Sr. Guerreiro: … no meu caso se eu não tivesse tido a noção da Revolução, das três Revoluções que o senhor analisa na RCR, se isso não me tivesse ficado como uma espécie de fundo na minha cabeça, nos momentos de dificuldades que passei, por infidelidades obviamente, se eu não tivesse guardado esse fundo e todo aquele estilo de interpretação que o senhor dá na RCR e que eu hauri do senhor nos anos de convívio… esse sistema de interpretação das coisas por onde tudo é referencial à RCR, aí eu sinto que podia de repente ter um branco, um vazio e a noção da pessoa do senhor, como que quase física, me sairia da cabeça. Mas, todo aquele fundo, aquele tecido imenso de considerações e de horizontes, de situações históricas explicadas, que dão uma noção do bem e do mal tão extensa e articulada — que é um hino extraordinário — isso não me esqueço! Agora, vejo que isso de si não é suficiente (…) Vejo que os mais novos pegam o assunto fup! e aquilo fica como uma brasa ardente, na alma deles. Eles pegam, mas acho que de um modo diferente do que eu pegava. Agora, como isso fica realmente no fundo da memória, e a pessoa não esquece? E isso dá vida, dá dinamismo à alma.)
A fidelidade completa consiste — para a gente ter uma noção inteira da coisa — consiste em ter a noção por assim dizer doutrinária, teórica e ao mesmo tempo a noção concretas juntas. Você falava por exemplo da RCR e você fez até o jogo de fisionomias, legitimamente, sem perceber, de uma pessoa que coordena mil impressões fragmentárias que teve a respeito de coisas que eram muito boas e outras coisas que eram muito más e colocado, de repente, diante da explicação das três revoluções percebe que todas as coisas muito boas se ordenam entre si de um certo modo.
E todas as coisas muito más se ordenam no modo oposto. E que aquilo é a explicação claríssima da história do universo. Que corresponde à parte primeira da reunião que você não alcançou, que é a inocência enquanto no seu vigor ela percebe a ordem do universo e percebe as coisas. Mas percebe assim, exatamente assim, ela percebe uma porção de coisas que são boas porque ela tem obscuramente no espírito uma noção de bem, e de ordem.
Em certo momento dá uma ordenação “pan!” e aquilo entra no espírito. Mas, depois, como o bem e o mal não estão apenas como foros abstratos, mas eles estão presentes em toda época histórica e cada um é um artífice da história da época em que vive, é preciso reconhecer esses pólos na época em que se está e na situação pessoal em que a gente se encontra!
É preciso saber para si mesmo e em torno de si o que é Revolução e o que é Contra-Revolução. E é preciso amá-lo. Isto não se fez senão se percebeu in concreto o nome das coisas.
Então, os defeitos são: os que perderam a noção geral e conservam o nome das coisas acabam de uma espécie de… — como dizer isso? — de um personalismo dentro da Causa em que eles só se interessam pelas pessoas e nas pessoas acabam se interessando por si mesmos. É o pátio.
Os outros acabam sendo umas pessoas que se interessam por uma Revolução e uma Contra-Revolução no ar, mas perdem o zelo da luta, do apostolado, completamente. Porque uma das ogivas está quebrada, fica a outra assim no ar.
(Sr. F. Antúnez: Com isso perde a noção do arquétipo.)
Com isso o arquétipo, porque o arquétipo é propriamente o nome da coisa conhecida.
(Sr. MP: Pediria ao senhor para explicar um pouco melhor o que que é o nome da coisa. Talvez eu tenha me distraído na explicação, mas…)
Fui muito por alto nisso porque numa exposição assim de conjunto se eu fosse abrir parênteses para entrar nesses vários escaninhos a noção geral se esvairia. É bem o momento de pôr essas perguntas.
Eu chamo o nome da coisa o seguinte: você se lembra daquele episódio do Gêneses? Todos os animais desfilaram diante de Adão e Adão ia dando a cada um o seu nome. Aí qual era o nome? Não era que ele chamasse uma onça de pafúncia. Mas ele via o gênero: onça.
E dava aquele nome. Depois ele poderia ver entre cinco onças, cada uma na qual era concretamente isto, aquilo, aquilo dentro do gênero onça e daria um nome para o gênero onça e mais um nome para aquele indivíduo, que era o nome. É o unum da natureza da onça.
O que é esse unum da natureza? É um ponto a partir do qual tudo na onça se ordena e a partir do qual a onça é uma imagem de Deus. O ponto de unidade é o melhor ponto de imagem. Esse é o nome!
Então, eu tenho, você tem, todos nós temos um ponto de unidade, senão não existiríamos! Esse ponto de unidade bem conhecido e bem definido nos dá, desparksonianiza, dá uma força, uma definição muito boa. Diante de Deus, quando Ele nos chamar, chamará por esse nome. Então, por exemplo, Carlos Antonio, ou Plinio, ou Carlos Henrique, etc., é quase folckor [?] receber diante de Deus, no desígnio de Deus o que que nós somos.
(Sr. MP: E aí deve ter uma família com pai, mãe, etc., porque um homem acaba encontrado sua explicação noutro.)
Exatamente. Agora, nós de fato temos um nome segundo a economia corrente da graça e um nome mais belo segundo a vocação, que é a economia extraordinária da graça.
E você vê o jogo de palavras que Nosso Senhor fez de Pedro com pedra, como exprime isso perfeitamente. Porque Ele disse: tu te chamas Pedro, mas sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja.
Quer dizer, tu te chamas Pedra! para mim tu és Pedra. Quer dizer, o unum de São Pedro era esse.
Provavelmente, quando nós morrermos, Deus nos chamando para o céu chama pelo nome. E pelo nome que nós não sabíamos, mas que nós vamos reconhecer como nosso. E entramos no céu aclamados por todos os membros da corte celeste como uma coisa magnífica. Porque é tal aspecto de Deus que volta à sua causa e vai brilhar lá por toda eternidade. Muito bonito!
Bem entendido há um nome no inferno, não é? É claro.
Aqui está então, meu João, para voltar ao ponto de partida da reunião, a certeza da vitória.
(Sr. J. Clá: Magnífica teoria… por um lado o senhor está dando mais do que pedíamos…)
É, enormemente mais.
* A santa ebriedade do Espírito Santo, força irresistível na ascensão espiritual e construção do perfeito contra-revolucionário como o concebe o Senhor Doutor Plinio
(Sr. J. Clá: Mas por outro lado, se o senhor pudesse aplicar mais a teoria…)
Vamos dizer assim (…) se eu tivesse que imaginar um contra-revolucionário perfeito, eu imaginaria assim: dotado de uma inocência tal que ele percebesse, em si mesmo, e pelo geral do que sua própria inocência, algo que ele pode ver muito mais desde que ele aplique a vista. E que isso em que ele aplica a vista é tão alto, tão alto, tão grande, sobe tanto, é tão puro,tão desmesurado que ele mesmo percebe que aquilo é uma luz na qual ele voa até alguma coisa que não tem fim.
Mas que tem o seguinte fim para ele: há um determinado momento onde ele voou tanto que ele como que se inebria com aquilo e não consegue ver mais, nem entender mais porque ele está cheio e, nesse sentido, ébrio. É o que se chama casta embriaguez do Espírito Santo. Ele está ébrio daquilo que ele viu e não lhe adianta ver mais porque ele está lotado! E aquilo é portanto para ele o teto de uma coisa que de fato não tem teto. E com a qual ele se delicia porque ele alcançou o teto e porque esse teto não tem teto.
Eu imaginaria assim a alma de um contra-revolucionário, nesse lado.
(Sr. J. Clá: Um céu sem nuvens, ele genuflexo do lado.)
É, exatamente, eu usei essa metáfora. Imaginando um desses projetores que deita luz para o céu. Quando o céu tem nuvem a nuvem serve de écran ao projetor, o projetor ilumina a nuvem.
Mas, isso é o esbalho! O verdadeiro é o céu sem nuvem em que a gente vê aquele fio que se perde num ponto porque a abóbada está muitíssimo além do ponto onde aquela luz morre, a gente não percebe em que ponto a luz morre. É assim esse facho de inocência.
De onde uma espécie de audácia de querer voar para cima, para cima, para cima sem terminar! que é uma espécie de desejo de embriaguez, onde a alma se sente, aí afinal, saciada na sua fome e sede de justiça.
Então, o contra-revolucionário perfeito, no primeiro movimento de sua inocência seria assim.
Como reflexo disso viria nele um espírito de julgamento e tão vigoroso quanto é vigorosa essa audácia. E o julgamento é o perceber! É o vigor da nitidez com que se vê: tal coisa é! e tal coisa não é! Tal coisa é boa ou não é, é feia ou não é! é desfigurada ou não é!
Então tal eu aceito! tal eu rejeito! Pamm!! acabou-se! Com uma força igual de aceitação e de recusa, a força da aceitação e da recusa é tão forte quanto a força do ímpeto para cima. E deriva toda ela da força do ímpeto para cima.
Daí uma força de coesão e de exclusão igualmente vigorosa. Quer dizer, o contra-revolucionário perfeito veria o bem — mas o bem autêntico, não é o bem ecumênico: “amemos os nossos irmãos protestantes, também tal coisa…” Não é isso! É o bem íntegro e não essa cacaria!
Então ele viria o bem em todo lugar, onde existe. E em relação a menor gotinha desse bem um amor tão enfático quanto aquele píncaro que ele quer atingir, pela coesão que o bem tem consigo. Ele é coeso. E ele ama toda gotinha de si que haja em todo canto, eu tenho que amá-lo dessa maneira também. É implícito.
E também a execração do mal. É a mesma coisa, não vou perder tempo em descrever porque entra pelos olhos.
Daí uma espécie de espírito de partido que é a concepção do acontecer terreno fundamentalmente como uma luta, em que as coisas se dividem em partido e a gente é inteiramente de um partido e eles são completamente do outro. E essa luta é uma luta de extermínio! Não tem por onde escapar!.
Isso seria, com essa integridade, que Deus me torne e nos torne varões assim, isso seria a figura perfeita do contra-revolucionário.
Essa visão trás, ligada consigo, uma noção, um observar e um conhecer do universo com sua ordem e portanto com todas as correlações umas com as outras. De onde, na capacidade da luta, a capacidade da pancada, mas a capacidade da jogada. Porque conhecendo todas as correlações é muito fácil perceber qualquer mal onde é que está que esteja e todas as relações que ele tem com aquilo, com aquilo, com aquilo outro. Também o bem onde estiver que correlações tem.
Quer dizer, dá um discernimento do adversário e um discernimento do interesse da própria causa, portanto, se quiserem, uma capacidade de conselho e de direção da própria causa exímio! E, ligada a isso, uma capacidade operativa. Não é só de aconselhar a meta, mas é aconselhar o método. Porque conhecendo como é que tudo atua sobre tudo, encontra sempre um ponto por onde dá um jeito de dar uma tacada no adversário.
* Na Oração da Restauração o que se pede é a “audácia do vôo” que configura o apelo profético de São Luís Maria Grignion de Montfort para os Apóstolos dos Últimos Tempos
Eu veria estas como algumas das qualidades do contra-revolucionário perfeito que na Oração da Restauração eu peço à Nossa Senhora que me faça.
E o nome encontra-se nisso: quando uma pessoa nessas condições, dotada do espírito de São Luiz G. de Montfort, diz: si quis ut est Dominae jungatur mihi! quem é de Nossa Senhora junte-se a mim, é porque a audácia do vôo foi tão grande que a pessoa se sente na vocação do pólo que atrai a si tudo quanto não voa, para que voe também.
Mas, nota a repulsa de todo o mal que quer impedir o vôo. E a pessoa encontra a plenitude do seu nome estando no vórtice ou no vértice de uma situação onde o batalhar das energias mais magníficas do bem e das violências mais torpes do mal se entrechocam.
É onde todo bem e todo o mal entram em luta. Uma pessoa assim se sentiria, no centro desse entrechoque, e com a ponta da lança se sentiria na hora em que a lança é brandida. E diria: “ponta de lança é o meu nome!”. Ou se quiserem, ponta de espada, ou gume de espada, aí a metáfora, tomem a que quiserem.
Isso eu peço à Nossa Senhora que se digne fazer isso de mim e acho que vocês devem pedir para si também.
(Sr. ?: Aí ele conhece também sua própria história.)
Sim, pela retrospecção, ele vê, com seu nome, ele vê seu trajeto no passado e ele algo percebe do futuro, porque ele tem uma certa noção de qual é o grau de estafa em que ele tem que deixar o adversário. Quando ele perceber que o adversário chegou a esse grau de estafa, ele compreende que a tarefa dele está feita.
(Sr. Guerreiro: Como aí o senhor sentia a fraqueza do adversário?)
Puramente metafísica. Eu sentia a força do aliado e daí a certeza de que o adversário não vale nada.
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