Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) –
26/1/1980 – Sábado [AC III - 80/01.18] – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 26/1/1980 — Sábado [AC III - 80/01.18]
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As grandes intervenções de Deus na História são marcadas pelas graças extraordinárias que Ele destina às almas, que até do ponto de vista meramente natural já foram a elas destinadas * O que acontece com certos monumentos quando perdem a force de frappe simbólica — Exemplo do Panteão de Roma * Os vários planos de Deus na História — Os supereleitos participam do Segredo de Maria * O arquiplano de Deus auferindo das coisas sua máxima glória * Para os eleitos, tudo no plano de Deus, de um modo ou de outro, redunda em glória * Quando Deus suscita um vingador de seus planos — O manifesto de Resistência foi uma réplica fabulosa ao brado de Lutero contra Roma * Não se pode imaginar o Reino de Maria dos atritos não contritos * Como a atrição prepara para a contrição — O que o Sr. Dr. Plinio espera de suas reuniões sobre os efeitos da bomba atômica * O Grand-Retour será na ordem da justiça uma ação descontínua da graça de Deus —Em que se baseia a misericórdia de nosso Pai e Fundador com os membros do Grupo * “A minha esperança só se explica no discernimento que tenho da qualidade do thau que resta nas almas”
(Sr. Guerreiro: Qual o mistério pelo qual o mundo não percebe certas coisas, está como que numa sina má, como, por exemplo, não terem desvendado aquele mistério de Stalin, de que tinha só 1,60 de altura?)
A heresia branca disso naturalmente faz babuja, como com outros exemplos, conceitos, temas, nem adianta falar.
O que vou dizer é um tanto conjectural porque nunca tive tempo de fazer um pensamento inteiramente ordenado a esse respeito e, bem entendido, sujeito ao magistério da Igreja.
* As grandes intervenções de Deus na História são marcadas pelas graças extraordinárias que Ele destina às almas, que até do ponto de vista meramente natural já foram a elas destinadas
Mas o que penso é o seguinte:
Esse pessoal tem uma idéia da vida espiritual, por causa do abuso da noção de misericórdia eles formam uma idéia de vida espiritual completamente diferente do que é realmente, do que a vida espiritual tem de mais interno.
O que a vida espiritual tem de mais interno é a vida da graça em nós. A graça é uma participação criada na vida incriada de Deus, que Ele comunica pelo Batismo e que vive em nós.
Essa graça tem intensidades diversas. Tem uma intensidade mínima que além de um certo ponto não baixa nunca: é a graça suficiente. Depois disso ela tem toda uma escala de intensidades diferentes, em face das quais Deus se porta com justiça e com misericórdia, em que acontece que a pessoa recebe graças ora muito mais abundantes, ora muito menos abundantes, ou por um efeito da justiça, ou por um efeito da misericórdia. E Deus quando quer fazer as intervenções d’Ele na História, as mais assinaladas, mais marcantes, não são como essas graças comuns que Ele dá para cada um todo dia, Ele destina algumas pessoas, as quais às vezes Ele até já modela naturalmente, pela própria natureza da pessoa já modela para a tarefa que Ele quer fazer e que Ele quer dar à pessoa. Depois Ele ainda dá graças para a pessoa ser inteiramente do jeito que Ele quer.
É em atenção ao amor que Ele tem àquela pessoa, dentro da sabedoria d’Ele, que, antes de ter criado, Ele tem um amor àquela pessoa porque ela representa no plano d’Ele, na criação, um certo papel. Quer por causa das atitudes da pessoa, das correspondências, das incorrespondências daqueles que rezam ou não rezam pelas pessoas, sacrificam ou não se sacrificam pelas pessoas, [quer] tudo mais, essas pessoas podem estar dotadas de uma força de impacto na História que leva a História avante.
É, para comparar muito mal, como um tanque que se encosta num muro e derruba o muro. O tanque vai por cima do muro e pode atravessar um quarteirão em linha reta.
São os tanques da história. Ou são — para comparar com uma arma de destruição também, quando no caso aqui a comparação não é própria — como os gases asfixiantes da História, que uma vez soltos não há bala, não há vedação! Eles entram pelas fechaduras, eles entram por onde entrar, eles entram, se insinuam e matam. No caso vivificam ou matam. Matam as instituições, vivificam as pessoas. As instituições que são para ser mortas.
* O que acontece com certos monumentos quando perdem a force de frappe simbólica — Exemplo do Panteão de Roma
Então é muito interessante você olhar debaixo desse ponto de vista o Panteão em Roma. O Panteão foi a igreja de todos os “deuses”. Ultra ploc‑ploc! Um quadradão, marcado por aquelas colunas que vocês conhecem.
Eu nunca pensei que a pedra pudesse ficar tão raquítica, como está lá. Tem‑se a impressão de que com o tempo o granito foi se secando e que se transformou de osso comum em osso calcinado. Vocês já viram esses ossos brancos que com o tempo saiu deles o último resto de vida? Você tem a impressão que são ossos calcinados as colunas do Panteão e que todo ele é um velhinho “parkinsoniano” que com a primeira tosse que alguém emite perto dele ou o primeiro gato que se move no teto dele, ele pode cair.
Ora, esse Panteão foi o terror do pessoal das catacumbas. E um dos monumentos-símbolos do Império Romano era o terror do mundo. Mas dir‑se‑ia que a partir do momento em que ele perdeu a force de frappe, ele foi se reduzindo, reduzindo, reduzindo, e transformando‑se no que ele é hoje. Quer dizer, o monumento menos a force de frappe dá o Panteão.
(Dr. Paulo Brito: Nem se sabe o que tem lá dentro.)
Hoje é a Igreja de Santa Maria Martyrum, sede de uma paróquia. Era ao menos até há algum tempo atrás, era uma matriz. Eles devem ter laicizado com Paulo VI, deve ter entregue isso a um demônio qualquer. Mas era uma matriz onde se ia comungar e as velhotas carolas e beatas iam rezar no lugar onde Júpiter trovejava. E elas nhã, rezando ladainhas, rezando rosário, etc., celebrando missa.
Quer dizer, uma coisa inimaginável para os da catacumbas, ali se tornou a rotina mais completa que você possa imaginar.
Isso durante séculos, séculos dessa rotina.
Mas o Panteão ficou encarquilhado, aniquilado, de não dar nada. Isso é para mostrar o que é que são essas seivas na História.
Você dirá: “Por que não entrou então com a entrada do Santíssimo Sacramento no Panteão, imagem de Nossa Senhora? Por que não voltou a seiva do Panteão!?”.
Porque é uma outra seiva! O bonito ornato do Santíssimo é mostrar aquilo encarquilhado. De maneira que o encarquilhamento é a glória! Bonito!
* Os vários planos de Deus na História — Os supereleitos participam do Segredo de Maria
Então Deus tem transplanos imóveis em que Ele realiza. Pequem os homens quanto pecarem, ou tenham os atos de virtude que tenham, pratiquem os atos de virtude que praticarem, são planos que Ele marcou e que Ele executa. E que a nós dão uma impressão de fatalidade.
Os antigos sentiram esses planos e chamavam isso de fatalidade. Mas isso se realiza.
Mas depois há planos que dificilmente Ele modifica. E se modifica, modifica nos acidentes, modifica em parte, mas não modifica todo.
Depois há planos que Ele de todo em todo abandona, entrega ao próprio destino. Como há planos que Ele abandona, entrega ao próprio destino, toma o resto mais adiante e reacende.
Agora, isso tudo se entrecruza e se mistura dentro de uma aparente desordem, cuja ordem só nós conhecemos.
(Sr. Átila: Qual o critério para os vários planos?)
Isto deve ser visto mais ou menos como no urbanismo, em que você tem algumas avenidas que, dada a topografia, são necessárias à cidade, outras que podem adaptar‑se às circunstâncias, e outras que são todas circunstanciais.
Isso é em função diretamente da glória d’Ele e depois dos eleitos que, como corpo, dizem respeito à glória d’Ele mais especialmente. E dentro desses eleitos — suponho eu — uns supereleitos que são os que participam do segredo de Maria.
* O arquiplano de Deus auferindo das coisas sua máxima glória
(Sr. Átila: Porque nos supereleitos exatamente se diria que são mais torcicológicos. Por exemplo, São João Batista parece que teve uma vida retilínea.)
São João Batista foi limpo do pecado original no primeiro instante do seu ser. E os outros não. De maneira que os condicionamentos que ele pôs foram de uma natureza completamente diferente da dos outros. Mas eu creio que há uma outra razão que é a seguinte:
Há dois modos de o indivíduo provar que ele tem um plano. Um é ele seguir no rumo retilíneo e chegar até o fim. Outro é, atravessando os piores e mais variados obstáculos, dirigir‑se invariavelmente para o mesmo rumo. É uma forma de força do plano.
E Deus combina as duas coisas, às vezes aquinhoando uns regiamente na segunda parte, mas para depois brilhar mais esplendidamente, e eles como quase autores do plano que realizaram.
Por exemplo, o escafandro pode seguir debaixo d´água um rumo imperturbado, mas…
(…)
… o arqui‑plano, o plano de Deus consiste em auferir do curso das coisas — para falar em linguagem humana — uma determinada cota de glória. Compreendendo bem que uma vez que Ele criou criaturas em número incontável, criaturas inteligentes e livres, dessas criaturas muitas teriam que fazer o contrário do que Ele quer.
E estava na índole das coisas que aconteceria muito do que Ele não quer, sob pena para assim dizer, como condição para ter criação. E Ele tinha que deixar dentro da cota sem a qual a criação ficaria sem seriedade, Ele teria que deixar a esse jogo uma flexibilidade maior ou menor. Tirando dessa própria flexibilidade uma espécie de superglória para os eleitos que são o eixo do amor d’Ele e o centro do plano.
De maneira que a gente imaginando — quer para Ele, quer para os eleitos — da existência do mau e do mau que se realizou, que se efetuou, redunda um aumento de glória.
* Para os eleitos, tudo no plano de Deus, de um modo ou de outro, redunda em glória
Por exemplo, para São Miguel Arcanjo. O que tudo aconteceu para São Miguel Arcanjo redundou para Ele num aumento de glória. E como as nossas coisas estão postas dentro de tempo, elas não [são] fulgurantes como de São Miguel Arcanjo, mas elas se entrelaçam.
Mas há sempre uma constante: é que para os eleitos, os mais bem‑amados, isso dá numa redundância de glória. De um jeito ou de outro. Aliás, para falar em ordem reta, para os bem-amados d’Ele — portanto, para Ele — dá numa redundância de glória.
Todos foram destinados ao Céu. Agora, alguns que têm uma vocação especial, uma providência especial, diletos especialmente, etc.
Agora, se a pessoa [dileta] não enfrentar [os obstáculos], depende aí dos desígnios de Deus, da gravidade do pecado, etc. Se ela não é confirmada em graça, ela pode perder‑se. Como Deus pode ter pena dela e salvá‑la in extremis.
(Sr. –: E quanto ao grau de glória que estaria na linha dela?)
Se ela recusar, ela pode [se] perder. Aí, dentro do plano d’Ele, Ele — estou falando em linguagem antropocêntrica, dentro da História — cria outras e suscita outras que de algum modo compensam com vantagem.
Quer dizer, nunca acontecerá de que o poder criador d’Ele e de suscitamento ser liquidado pelo adversário.
(Sr. Átila: Qual a dimensão do plano de Deus quando a galera dos eleitos começa a fazer água?)
Há duas espécies de eleitos. Há os eleitos no sentido em que o povo‑eleito foi eleito, em que a Igreja é eleita, e há o sentido dos eleitos do Coração Imaculado de Maria. São, vamos dizer, círculos concêntricos.
Nos eleitos do primeiro sentido acontece que eles têm uma papel muito grande nos planos de Deus, é bem verdade, mas também os pecados deles ocupam na justiça de Deus um papel muito grande.
Deus é misericordioso com eles, etc., mas as ofensas pesam muito para que Deus modifique os planos. E as ofensas deles ofendem especialmente a Deus.
Então, a História toda girar em torno dos eleitos é girar em torno das gratidões e ingratidões dos eleitos. E muitos dos sinais sinuosos, espantosos da História, etc., inclusive com afundamento de “galeras que dão azimute” ou aparentes sossobros, desaparecimentos na neblina de “galeras que dão azimute”, é uma coisa relacionada com pecados cometidos na galera. Tem muitas vezes isso.
E tem a repercussão muito penosa, muito nociva para os que deveriam seguir aquele azimute, aquela galera, e não vêem a galera. E nesse ponto todo, essas galeras que dão azimute como que ficam com uma certa liberdade de traçar os planos da História que Deus dá. Ele mantém as suas linhas fixas, mas Deus dá [liberdade]. E ficam também com uma glória na direção da História ou podem ficar com uma culpa pela direção da História extraordinária.
(…)
* Quando Deus suscita um vingador de seus planos — O manifesto de Resistência foi uma réplica fabulosa ao brado de Lutero contra Roma
… de se orientarem bem vem de um modo incompleto do que deveriam fazer. E fazem, portanto, também a obra de Deus incompletamente. Porque alguém que as deveria ter orientado não fez o que devia fazer.
Deus de vez em quando suscita um vingador dos planos d’Ele malbaratados, que não é necessariamente aquele que castiga, mas aquele que destroça a confusão! Havia confusão e aquele destroça a confusão, a confusão fica arrasada. Este então restabelece a clareza de linha e as almas andam.
Aí há todo um jogo das almas fiéis, infiéis, inclusive das vítimas expiatórias, etc., que conservam as galeras no azimute ou não conservam. E aí é um conjunto de misericórdia e de justiça de que Ele tem conhecimento.
Então Ele depois vai criando outras almas, suscitando, dando graças para realizar um plano, porque Ele deu a algumas almas de marcarem o rumo da História junto com Ele, na bondade d’Ele. E essas almas… a alma que comete o pecado imenso, por exemplo, corresponde mal ou violou essa missão.
(…)
… Deus me livre, a idéia me causa horror, mas imaginem que uma pessoa que estivesse nesse papel não tivesse querido ser fiel. Poderia ter dado origem a uma organizaçãozinha muito menor que a nossa, brucholeantezinha e que seria uma coisinha interessante.
Um historiador da Igreja no Reino de Maria, erudito.
(Sr. –: Notaria.)
(Sr. –: Ou muito maior.)
É, ou muito maior, mas então deteriorada. Ou — e aqui vem o meu pavor — poderia ser muito maior se eu fosse maior. Aí são os maiores.
Mas a impressão que tenho é que…
(…)
… você conhece o comentário do Napoleão depois de Wagran. Ele teve aquela vitória, brilhante, blá-blá-blá, e o Império da Áustria ficou arrasado. Ele voltou para Paris e foi lá ovacionado pelos meios oficiais. E em Viena o povo, de pena do Imperador e por união filial com o Imperador, preparou um ato de reparação, uma vitória apoteótica por afeto com o Imperador.
Napoleão ficou encantado com a solidez do trono austríaco. Não me lembro bem do comentário dele, mas era mais ou menos assim: “Veja só, eu vitorioso não sou ovacionado como o monarca vencido. Esse é um trono forte”.
Nesse dia a fidelidade ao vencido foi uma maior prova de força do que a vitória do vencedor.
Bem, que o caráter hierárquico da Igreja tenha sido vincado tanto que tenha havido fiéis incondicionalmente fiéis até mesmo quando quase toda a hierarquia foi infiel, isto é uma epopéia a la Áustria! E contra o brado de Lutero “los von Rom”, o nosso manifesto de Resistência com aquela frase “nossa vida é vossa, e tudo quanto é nosso é vosso, mas só não nos peçais que colaboremos com vossos adversários” é uma coisa que é o contrário do “los von Rom”, do livre de Roma, solto de Roma, e que constitui de si uma manifestação de caráter hierárquico simplesmente fabuloso.
Então, Deus vinga pela fidelidade destes a glória do caráter hierárquico da Igreja.
(…)
* Não se pode imaginar o Reino de Maria dos atritos não contritos
… não apertar demais, mas não é só dizer que ninguém é indiferente, nada é irrelevante! Tudo é grande! E tudo é até grandioso se a gente souber vê‑lo. E o menor passo nosso tem uma grandeza enorme, sobretudo nós que fomos de tal maneira beneficiados, escolhidos. Simplesmente no encontro do azimute o que representa isso!
(Sr. Átila: As conferências que o senhor pretende fazer sobre os efeitos da bomba atômica, etc., podem mover as pessoas a sair da “Bagarre” Azul pelo medo. É muito bom, mas o problema é que o medo move todo mundo e entram também os mocorongos. Pergunto se não seria o caso de apresentar os planos de Deus, porque aí só se movem os de primeira. E qual a política do senhor nessa situação, se entre os que movem pelo medo também tem gente de primeira, etc.)
Posso me esquecer de responder alguns elementos de sua pergunta, aí você me lembra. Mas quanto a resposta a dar não tenho dúvida nenhuma. Acontece o seguinte:
Eu ponho como preliminar que grosso modo falando — não quero dizer cada um — só se pode imaginar como participando do Reino de Maria na sua inauguração, almas que tenham um espírito autêntica e verdadeiramente contra‑revolucionário. E que não estejam, portanto, alinhadas — eu emprego a expressão medonha de propósito — com a Contra‑Revolução por questão de oportunidade, mas porque eles amam de fato a Contra‑Revolução e odeiam de fato a Revolução. E se de fato eles são contra‑revolucionários, eles o são cheios de contrição e não apenas de atrição pelo fato de terem prestado algum apoio à Revolução.
Do contrário, eu simplesmente não imagino o Reino de Maria. Quer dizer, o Reino de Maria dos apavorados, o Reino de Maria dos atritos não contritos, é uma coisa que simplesmente não posso imaginar.
O problema consiste em saber de como é que se vai chegar a essa contrição geral. Porque os meramente atritos os haverá. Esses eu pelo menos imagino que a Bagarre os leve e que eles recebendo os sacramentos — o que não será tão fácil para qualquer um —, eles vão para o Céu. Outros vão para o Inferno. Mas o destino não nos interessa tanto, interessa o prosseguimento da História. No Reino de Maria eles não entram.
(Sr. Átila: Mas a atrição tem um quê de nobreza.)
Não, a coisa é diferente.
(Sr. Átila: É a nobreza do medo por uma razão nobre.)
Não, não, não, é diferente. É porque a pessoa, acreditando no castigo, tem um fundinho de amor, porque tem um fundinho de fé. E a fé não vai sem amor. É que a Igreja em atenção a esse amor supre.
(Sr. –: Mas é do interesseiro que quer escapar a pele e sai correndo.)
Ah não, esse não, esse nem tem fé, nem tem nada. Esse é esmagado pelos acontecimentos e está acabado. Nem é matéria de conversa!
Eu falo é do atrito, porque o outro nem é matéria de conversa.
* Como a atrição prepara para a contrição — O que o Sr. Dr. Plinio espera de suas reuniões sobre os efeitos da bomba atômica
O problema é perguntar como é que apelando para a atrição eu penso chegar até a contrição. Esse é o problema.
Há almas que têm em si elementos de atrição — uma atrição incompleta, precária, censuravelmente precária, mas têm — porque estão apegadas a uma porção de coisas. Se elas ficam enregeladas pelo medo da perda da alma ou pelo medo dos castigos divinos nesta terra, mas olhando isso com olhos de fé, porque do contrário não se configura a atrição, então essas almas podem receber daí um certo desapego que facilite a contrição tomar conta deles.
Nesse sentido, está escrito na Escritura que o temor de Deus é o início da Sabedoria. Portanto, abrindo as portas da TFP para o estudo do terrível da Bagarre, eu tenho a intenção de produzir uma atrição desapegante que leva à contrição.
Mas eu não desejo, para a glória de Nossa Senhora, que qualquer membro da TFP puramente atrito passe para o Reino de Maria, Deus me livre! Seria a nódoa do Reino de Maria.
(…)
Digo para todos nós, quer dizer, para cada um da TFP. Se for para ser um mero atrito, mas um homem tal que reposto nas circunstâncias atuais e cessado o medo ele continuasse a vida, eu não o quereria no Reino de Maria!
(Sr. Paulo Henrique: Essas reuniões têm como objetivo que nós mudemos, tomemos uma deliberação.)
É um objetivo muito mais modesto, muito mais alto. Eu não espero tanto da deliberação, mas espero pelo menos que nós não recusemos graças muito grandes que Nossa Senhora nos dê.
O que espero, isso sim, dessas reuniões… Eu respondi ao Átila que não espero de nenhum modo a nossa modificação. Essas reuniões dão, entretanto, a oportunidade a que as almas que são como são. Esse ensaio de guerra produziu.
Essas reuniões não teriam o efeito que têm se não fosse o perigo por onde todo mundo passou agora. Nem eu faria essas reuniões se não fosse o perigo que houve. E que houve, hein? Há, todo mundo está sentindo o perigo próximo. Porque não dariam importância.
Aliás, houve gente hoje que não deu importância, deu importância relativa à reunião. Não estou aludindo [a] nenhum dos que estão aqui. Se aludisse, eu não diria, porque é entrar num sistema de indiretas que não gosto de fazer. Mas houve gente que não deu importância à reunião.
Eu vi um fato característico…
(…)
… não seria possível dizer antes desse susto. E nesse susto uma certa idéia, por detrás do medo, por causa do medo, uma certa idéia mais grave de culpa está se formando. E com a idéia mais grave de culpa, um pouquinho de vergonha no resto de acordo como seu gesto indica.
O que indica bem como é que o temor pode guiar para a contrição.
Então eu pretendo fazer várias reuniões e da seqüência dessas reuniões até a Bagarre eu espero que prepare para uma graça extra que deve vir, porque na economia do que está não virá nada. Melhora, etc., mas eu espero preparação para uma graça extra!
* O Grand‑Retour será na ordem da justiça uma ação descontínua da graça de Deus —Em que se baseia a misericórdia de nosso Pai e Fundador com os membros do Grupo
A respeito dessa graça extra eu tenho uma coisa a dizer.
É que considerando a graça que há em nós e que existe, portanto, em todos que estão dentro do Grupo, ela tem — pela obstinação dela em sobreviver em condições às vezes tão precárias e por alguma coisa do fulgor dela que julgo ver e que não encontro palavras para exprimir — qualquer coisa que autoriza muito a esperança de que na hora do Grand‑Retour a grande maioria então vá. Mas mais ainda: de que haja intenção da Providência de entrar com o Grand‑Retour, e que o Grand‑Retour seja na ordem da justiça uma coisa descontínua com as graças dadas, mas que na ordem de sua essência ele seja as mesmas graças já dadas com uma esplendorosidade enorme e magnífica. E, por assim dizer, quase irresistível para as nossas almas já preparadas então.
E a minha misericórdia [para com os membros do Grupo] de que o Átila fala é um ato de confiança baseado no que estou dizendo aqui. Porque eu não teria o direito de estar me dilapidando, perdendo tempo, etc., simplesmente por misericórdia.
Eu poderia fazer algo do que eu faço, mas tudo quanto eu faço não seria proporcionado que eu fizesse. A misericórdia tem limites. Mas é porque eu vejo pelo discernimento dos espíritos, para falar claro, eu vejo no fundo das almas um lumen que autoriza essa esperança. E quero, portanto, isso nas almas mais ensabugadas.
Em contradição com o ensabugamento vejo que algo fica e que autoriza isso. Essa contrição eu vejo e é essa contradição que me anima.
Então, o que é misericórdia aqui?
É conservar tudo para que esse fio de pavio molhado ainda possa secar o pavio e acender a vela para realizar o plano d’Ela. A intenção é essa.
(Sr. Átila: No MNF o senhor falou do segredo do MNF, etc., e pareceu‑me que o “Grand‑Retour” poderia ser o Grupo atinar com o MNF e as maravilhas que o senhor nos vem dando. Daí um bater na cabeça e depois no peito, para dizer como é que não atinei que isto sempre me tinha sido dado e eu fui correndo atrás de uma fórmula mágica quando tinha aqui o que era propriamente uma nova vinda do Espírito Santo.)
É isso com um pequeno acréscimo: como é que não atinei eu como é que tendo entrevisto, de algum modo “zuppei”, não deitei atenção ou não segui.
(Sr. Átila: …)
Sua pergunta é um pouco diferente. Acho que você não está sabendo explicar bem, explicitar bem seu pensamento. É de que valor eu acho que tem em função disso esses movimentos tidos e havidos como de bom espírito.
(Sr. –: Manifestar no fim da reunião pedindo uma oração ou louvando o senhor, etc.)
Eles conduzem a essa contrição ou não? Eles são elementos dessa contrição ou não?
(Sr. Átila: Isso é também o que o senhor espera disso quando o fruto que sai são esses pulos! Quando a pessoa acha que deu a grande, ela dá uns três pulos desses “a la” canguru, pensando que vai atingir o sol e não atinge nada. Porque o problema não se atinge a pulos, já se devia ter começado há muito tempo.) [Risos]
Aqui há uma porção de dados de fatos — eu estou rindo porque a coisa é cômica — que não coincidem com a realidade.
Essas manifestações desse gênero, se você prestar atenção no meu modo diante delas é de polidez e não passa de polidez. Dessa polidez que tenho por princípio, mas não é nem de entusiasmo nem de esperança.
* “A minha esperança só se explica no discernimento que tenho da qualidade do thau que resta nas almas”
Porque as coisas que não sejam movidas diretamente pelo thau — e o movimento específico do thau vai na linha da contrição pelo mal feito diante da doutrina conhecida, etc. — eu não tomo para esse efeito em quase nenhuma consideração. E se eu espero dessas reuniões, não é nem um pouco em razão dessas manifestações.
Quer dizer, você nunca terá notado uma palavra minha apresentando fatos desses como sintoma de que a reunião produziu bom efeito.
(Sr. Átila: É porque de repente se levanta um e diz: “Nada melhor do que todos nos prostrarmos diante aqui nesse momento solene em que o profeta do Reino de Maria tem a Sagrada Imagem…”, e todo mundo se joga no chão lá, e não sei o quê. Isso não vai resolver nada!)
Mas você nunca me viu dizer uma palavra, achar que estivesse resolvendo.
(Sr. –: Mas a gente fica contra elas.)
É, compreendo, porque se houvesse o risco de eu tomar isso assim realmente, era a “mãe da natureza”.Mas eu não tomo isso nem um pouco. Deixo fazer, recebo com cortesia, etc.
Inclusive diante das palmas, não sei se você observou, a atitude minha é afável ao receber, mas tão logo eu posso, faço parar e nunca me deixei entusiasmar pelas palmas. Eu sei bem o que são as coisas, e o que é a alma humana.
Quer dizer, é recebido com afabilidade, com cortesia, mas uma cortesia que… O Caio uma vez me dizia que não compreendia porque era uma cortesia plutôt entristecida e que diante do auditório alegríssimo em função de mim ele notava que a minha atitude no fundo era de uma afabilidade triste, como quem diz: “Nós não entendemos mesmo”. E é.
Eu fico, é verdade, preferindo que haja pelo menos isso a que não haja nada, nem sequer isso. Mas daí a dizer que estou satisfeito, quer dizer, sactis factum, feito na altura do que queria, nem de longe!
O Fernando vê nas reuniões do Auditório São Miguel [que] a primeira ocasião que possa ter um pretexto, não bruto, mas paternamente calculado de fazer cessar as palmas, eu faço. Às vezes até um pouquinho antes de ocasião. Às vezes eu estou com pressa, quero vir para cá, começar a reunião, e corto um pouquinho antes da ocasião. E não vou na onda.
E também essas manifestações: “Coitado de Dr. Plinio…”. Mas “coitado de Dr. Plinio” não senta per niente!
(Sr. Átila: Não digo que o senhor se mova por isso, mas os frutos da reunião são esses.)
É, mas esses frutos não me pressionam em nada para explicar minha esperança. A minha esperança se explica no discernimento que tenho da qualidade do thau que restas nas almas. Só! Com inteira exclusão desses sintomas, que são tidos como nada. Do contrário, haveria um qui pro quo o mais desnorteado que possa haver.
(…)
… do Grand‑Retour eu vejo no medo algo nesse sentido. E vejo na possibilidade de ser tomado a sério quando falo a respeito da doutrina da neutralidade. Tomado a sério por causa do medo, hein! A possibilidade de romper um dos mitos mais nocivos e mais deteriorantes que a Bagarre Azul deixou em nós, isso de achar os outros neutros.
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