CSN
─ 8/9/79 ─ sábado .
CSN ─ 8/9/79 ─ sábado
O aspecto maravilhoso do Céu, que intensifica a vontade de para lá ir * Se a TFP viesse a ser fechada e o Grupo proibido de pregar a Contra-Revolução, a sistemática pregação dos Novíssimos supriria essa atividade * Membros do Grupo que vivessem como fradezinhos jamais seriam capazes de pregar os Novíssimos * A Oração, porta que está sempre aberta: a Graça sustentará quem souber ao menos pedir * A jogada não é perseguir os membros do Grupo, é conseguir que eles se esqueçam da TFP, que não tenham contatos nem entre si nem com o Sr. Dr. Plinio * Devemos fazer do convívio um contato de inefáveis
* O aspecto maravilhoso do Céu, que intensifica a vontade de para lá ir
(Carlos Antúnez: … para nós é o senhor que vai ensinar o Céu, isto é lógico, porque o senhor nos ensinou tudo que há de bem na Terra, é evidente que o senhor vai… então, se o senhor já podia dizer-nos mais ou menos como vai ser o Céu do senhor.)
Eu compreendo a pergunta. E compreendo que ela se prestasse a uma resposta sobre a qual se poderia conversar, mas eu acho que é… está na natureza minha de nunca pensar nisto. Porque se eu, em plena luta começar a pensar no Céu, em vez de me estimular na luta, isto pelo contrário, quase me desestimularia. Uma coisa esquisita, mas eu me punha com tanta vontade de morrer que… eu tenho receio pela inconformidade. Porque, francamente, cada vez que a gente vai vivendo mais, le jeu ne vaut pas la chandelle e vontade de morrer. É a solução.
Você pega aquelas coisas, muitas vezes durante o MNF, por exemplo, me dá vontade de morrer, porque… vê aquilo, vê aquilo outro, está à sua espera, agora o que você faz nesta barraca? Aquele despedida de Voltaire não é em relação a cada um, mas em relação a muitos, vem aos lábios.
(Carlos Antúnez: Mas o senhor teria a tentação de deixar a luta?)
A gente começa a pensar no Céu, não é pelo gostoso do Céu, mas é pelo maravilhoso. Dá vontade.
Por exemplo, quando eu estive com o trauma deste acidente, etc., eu pensei nisto até mais de uma vez. Eu pensei: “eu estou com esta idade que estou, eu posso debaixo de um certo ponto de vista dar a minha vida como vivida. Agora, não seria o caso de eu não fazer pelo menos o esforço que estou fazendo para viver?” Porque eu fiz muito esforço para viver, porque para me manter no equilíbrio moral, psicológico, que eu me mantive, era preciso querer muito viver. Porque, do contrário, facilmente… Outra coisa: não é certo, mas é bem provável ─ você, aliás, já me disse uma vez ─ que era bem provável que eu largando a rédea, houvesse um abatimento sobre a saúde e conseqüências em cascata. Podia haver.
* “Eu tinha que querer viver; e quis viver e fiz o possível ─ Bom, estou aqui”
(Dr. Edwaldo: É o que acontece; com esta idade é comuníssimo.)
Comuníssimo. Aí está. E eu tinha que querer viver. E quis viver e fiz o possível. Bom, estou aqui. Mas que dava vontade de descolar dava, não?
(Carlos Antúnez: Sim.)
Agora, “mas então o senhor tem uma certa apetência do Céu, como o senhor imagina esta apetência?” Não me pensando a mim mesmo no Céu, mas é pensando em Deus como sendo o absoluto. E eu… esse absoluto… estar na presença d’Ele por causa d’Ele, e para conhecê-Lo e estar na presença d’Ele. Este absoluto é uma atração fenomenal, mas fenomenal! E que convida.
(Sr. F. Antúnez: Arrebata.)
Arrebata. A palavra boa é essa: arrebata. Mas veja bem: não é portanto o Céu enquanto me imaginando feliz no Céu, mas é considerando o absoluto. São coisas únicas, pensando em Nossa Senhora, espelho perfeito e criado de Deus, os anjos enquanto de uma natureza mais densa do que a minha, uma realidade muito mais densa. Para dar a você uma figura do que me parece a Terra em comparação com o Céu, você imagine que lá arranjasse para você um quartinho como aquele quarto que tem em frente à saída de Jasna Gora. Você viu aquela casinha?
(Carlos Antúnez: Vi.)
Ali. Aquilo para Itaquera é um pedacinho de palácio.
(Sr. Átila: É uma espécie de Luxemburgo.)
É, exatamente.
Agora você imagine que então, você economiza todos os meses, você ao jantar de domingo pode ter frango, você aos domingos pode dormir um pouco mais, consegue comprar um cobertor elétrico para proteger você do frio, compra um chinelo mais mole, mas, sozinho, não conhece mais ninguém. Mas, depois você conhece o prefeito e o prefeito quando passa diante de você cumprimenta:
─ Sr. Antúnez.
E você:
─ Senhor, ah, é?
Todas estas melhoras de sua instalação ali não lhe dizem nada. E você imaginando, você estando lá e imaginando que a esta hora estamos reunidos aqui, não haveria conversa do bairro que desse a você vontade de ter.
Até, vamos dizer que fosse um jogo engraçado, divertido, você percebe, isto… entra e sai, porque é tudo sem graça. O que é? Isto aqui? É dessa laia em comparação com o anjo. Eu podendo conversar com um anjo, eu estar conversando com um semelhante a mim, um igual a mim? Para fazer o que disto? Nós estamos trocando idéias, eu estou até me entretendo nas idéias que troco. Aparece um anjo. O mais modesto dos anjos, uma presença tão densa que fizesse sentir toda presença dele nós rachávamos. O que tem a contar, dá outra movimentação à cabeça do que o que nós possamos pensar. Isto é prosa ou não?
Por que você ri? Diga por que é?
(Sr. F. Antúnez: São pensamentos.)
Pensamentos.
Bom, o fato é que quando a gente se põe a pensar assim, a gente tem vontade de sair do bairro. Tem, porque tudo bem pensado e eu junto ─ y compris ─ somos birichini, somos sem graça, somos o que quiser, somos todos.
Agora, aparece um anjo… Luiz XIV, pobre pé-rapado, prefeito de subúrbio em comparação com um anjo. É isso. Bom, isto para responder à sua pergunta.
(Carlos Antúnez: … o senhor disse o seguinte: quando nós fôssemos… teria uma verdadeira surpresa, porque íamos conhecer o senhor.)
Então eu devo ter dito uma decepção.
(Carlos Antúnez: Não, uma surpresa.)
Não, devo ter dito decepção.
(Carlos Antúnez: Então, não sei se é muito… eu gostaria, se fosse possível o senhor nos dizer como vai ser essa surpresa, porque… )
* Devemos fazer do convívio um contato de inefáveis
Essa surpresa eu empreguei, só posso ter empregado a palavra no sentido que vou dizer, porque é no que corresponde ao meu pensamento. Não é no sentido de que vou encontrar uma maravilha que vocês aqui na Terra não sabem medir bem. Não é isto não, mas é outra coisa. É uma mentalidade bem diferente da que pensam. Porque é como pensam, mas se aprofunda muito mais no que é do que parece à primeira vista.
(Carlos Antúnez: O senhor não podia dar um pouco disso?)
Eu vi hoje exatamente nessa revelação, nesse sonho de São João Bosco que comentei, eu vi um trecho que eu não cheguei a ler, mas a conversa de São Domingos Sávio, daqueles bem-aventurados salesianos todos, com São João Bosco. E em certo momento veio uma coisa seguinte: que todos estavam muito bem trajados, muito bem ornados, tudo o mais ─ você compreende que são trajes simbólicos porque eles estão ali sem corpo ─ muito adornados, etc. E que cada traje tinha um significado. Mas que era um significado tão, tão profundo que não há palavras humanas próprias a dizer.
Agora, isto naturalmente, que é verdade para aquela coorte aonde provavelmente havia muitos santos, é também verdade para almas que estão lá e que são santas no sentido apenas em que cada alma que está no Céu é santa, mas não tenha praticado a virtude em grau heróico na Terra, é forçoso. Todos os alunos salesianos [que apareceram naquele sonho] se salvaram, é forçoso.
Eu acho que cada um de nós, aos olhos de Deus, tem um nome. Quer dizer, tem uma definição que é a d’Ele, que dá fundamento a nosso ser. E que a gente se vendo no Céu conhece e ama. Mas que nesta Terra nós não desvendamos inteiramente o que o outro tem. E até vou dizer mais: nós nos intuímos, mas custamos para nos desvendar.
(Carlos Antúnez: Aquele que se conhece?)
Esse tal ponto misterioso de cada um, é misterioso no sentido que é inefável, é que torna o convívio interessante, porque a gente vai aprofundando cada vez mais sem conseguir aprofundar inteiramente. Desde que a gente saiba fazer do convívio da gente um contato de inefáveis, porque do contrário fica cacete e não vale dois caracóis.
(Sr. Átila: Aí seria a questão de “Urwald”?)
Urwald.
(Sr. Átila: Mas seria o contato do “Urwald” a “Urwald”?)
Urwald a Urwald. Wald a Wald e Urwald para Urwald, mas o inefável está mais no Urwald.
* No fim da Idade Média, as belas maneiras não estavam quintessenciadas como ficaram no Ancien Régime
(Sr. Átila: Mas se poderia dizer também que há um pouco “Wald” a “Urwald” e “Urwald” a “Wald”?)
Também, é claro, porque… aliás uma coisa curiosa, que entra aqui, aqui vocês têm uma aplicação, entraria uma objeção que eu tenho em algo que se passou, deve ser fruto da Revolução, mas que é uma trânsito da Idade Média para o Ancien Régime. É que, na Idade Média, mesmo fim da Idade Média, as belas maneiras não estavam de nenhum modo quintessenciadas como ficaram no Ancien Régime.
Mas eu tenho a impressão que eles não tinham uma certa idéia de educação, de belas maneiras, etc. do Ancien Régime que é meio esterilizante, que faz as pessoas viverem na superfície, de aparências e que tira a possibilidade da personalidade se exprimir a si própria como ela é. Encaderna tudo.
Donde vem o tédio das sociedades muito educadas.
(Sr. Átila: Porque é uma espécie de socialização por cima.)
Socialização por cima; é.
(Sr. Átila: E igualitarismo por cima.)
Igualitarismo por cima, porque encaderna, e depois outra coisa: torna as maneiras mais exquis ao alcance das mais perfeitas nulidades.
* Maria Antonieta, em uma ocasião, ao cair do cavalo, debicou da etiqueta
(Sr. Átila: Aquele dito de Maria Antonieta que é tido como muito… quando caiu do cavalo perguntou.)
Aquilo é abominável! Eu não gosto daquele dito não, porque era uma caçoada revolucionária da etiqueta. Mas, aquela etiqueta merecia um riso assim.
(Sr. Átila: Está tudo errado.)
Tudo errado.
(Carlos Antúnez: Qual o dito?)
“Perguntem à Condessa de Noailles o que faz uma Rainha de França quando cai do cavalo”. Ela caiu do cavalo e disse rindo: “Vá perguntar a ela o que faz uma Rainha da França quando cai do cavalo para se levantar segundo a etiqueta”. Era um debique da etiqueta. Enquanto revolucionária e abrindo a era, se você quiser, aprofunda até o punk, estava errado, mas que a etiqueta da Madame de Noailles tinha qualquer coisa de glacé, no sentido de fruta que a gente põe calda de açúcar e que fica hirta… e neste ponto eu acho que se a educação tivesse evoluído a partir da Idade Média, seria mais fina e mais livre.
(Sr. Átila: Botar um waldizinho assim encadernado, um “Urwald” medieval… )
Exatamente. E se fosse um só não era nada, é vasozinhos iguais em série para todo mundo. De maneira que o sujeito tenha lá que personalidade que tiver, encontra uma senhora, ele tem que fazer uma reverência exatamente de tal tamanho e dizer mais ou menos tal forma. Ora, conforme a senhora e conforme o homem, deveria haver uma feliz possibilidade de inovação dentro de uma regra geral. E que a pessoa não fosse eternamente o mesmo marquês e a mesma marquesa se repetindo em todas as circunstâncias.
(Sr. Átila: … porque a poesia clássica meteu um colete de ferro em todos os peitos. Então tem que ter… o outro não sei o que, então a gente vai pegar uma poesia medieval, ela obedece regras superiores; a Chanson de Roland, por exemplo, não é essa porcaria moderna, a cadência está na alma, como os Salmos, os Salmos de David não têm métrica clássica, e o mesmo se pode dizer da literatura, da língua, foi feita uma língua muito bonita… muito dissecante da personalidade do povo.)
* A figura bíblica do pássaro solitário, que pode servir de comparação para o pecador, mas também para o membro do Grupo que fosse expulso da TFP por causa de uma calúnia injusta
Você pega, por exemplo, qual é a coisa de poesia clássica que tem esta comparação magnífica, olha que é uma pequena comparação, um dos Salmos de David, um dos salmos penitenciais. O pecador para dizer como se sente abandonado, isolado, ele diz: “eu sou feito como pássaro solitário que pousa no teto da casa”.
(Sr. Átila: Para o clássico é feio dizer isto.)
Acharia. Eu me emociono com isto. Você imaginando durante a noite, uma casa com a vida de família dentro e o pássaro solitário está lá do lado de fora em cima, numa outra zona da vida e caem gotas de chuva, está frio, está úmido e pode vir ave de rapina pegá-lo, ele está no teto da casa separado de todos. Quando eu li isto pela primeira vez, eu tive um choque e disse: mas como se pode dizer uma coisa assim?
(Carlos Antúnez: Ele diz que um pecador é assim.)
Um pecador conta, descreve a Deus a situação que ele está: estou assim, para atrair a compaixão de Deus. Então, a certa altura ele diz: “Estou feito como um pássaro solitário posto no telhado da casa”.
(Carlos Antúnez: Agora, o senhor poderia dizer isso.)
Nós hoje somos pássaros solitários. Aliás, foi o que eu pensei quando li. Eu disse: o pecador fica como pássaro solitário, porque pode ele ter os amigos que tiver, a solidão dele e o isolamento dele o põem como aquele pássaro maldito fora da casa porque não é próprio ao convívio do lar. Ele, o pecador não está em casa em nenhum lugar, eles são os homens que não têm casa. Nós estamos imensamente mais em casa aqui do que está um pecador desses. Isto é fora de dúvida.
Agora, para você compreender esta situação, você imagine um indivíduo que por uma calúnia injusta fosse expulso do Grupo. E agora passasse em frente, visse essa luz acesa e lembrasse do tempo que ele estava aqui. Ele poderia ou não poderia dizer a Nossa Senhora pedindo que a calúnia fosse dissolvida, “eu estou como pássaro solitário posto no teto da casa”. Você já se imaginou numa situação assim?
Voltando à poesia e deixando os pássaros solitários, voltando à poesia, eu acho isto muito mais bonito [do] que “as armas e os barões assinalados”. Olha que eu gosto do Camões, como aliás vocês sabem. Todos nós gostamos de muita coisa clássica, mas é enquanto a raiz quadrada do que veio antes, e não enquanto apogeu. Então tem coisa lindas, eu sei bem. Mas, estes acordes, não tem. Daí vem o dito curioso, do Talleyrand, que eu creio já ter repetido mais de uma vez, dizer: “Fora da alta sociedade, que tragédia; viver dentro dela, que tédio”. É o tédio das pessoas bem educadas. Ficam cacetíssimas.
(Sr. Átila: Mas o normal é não haver esse tédio.)
Não seria.
(Sr. Átila: Por exemplo, no convívio com o senhor não há isto nunca. Agora, se fosse, por exemplo…)
(…) Todo homem tem; por mais vil que seja, tem.
(Carlos Antúnez: Tem, é?)
Ah, sim. Quer dizer…
(Carlos Antúnez: Tinha.)
Teve. Teve, porque eu presumo que ele esteja no momento ─ presumo ─ no inferno, mas mesmo os demônios têm o seu inefável; é claro, [eles] eram anjos.
* Se víssemos a raiz de pecado do outro, teríamos as expressões mais severas para verberar aquilo, o que não fazemos com nossos próprios pecados
(Carlos Antúnez: Que ficou disto?)
Ficou uma espécie de insondabilidade e de maldade, mas caracterizada e personificada, e que a gente não entra ao fundo. Vem exatamente aquela pergunta da Escritura: peccatum quis inteligit? “Quem entenderá os pecados?” Todo pecado assim, no fundo, tem qualquer coisa de incompreensível. Mas tem de incompreensível por aquele lado por onde cada um de nós tem uma cegueira, tem uma moleza e tem o caminho aberto para uma capitulação.
Então, se cada um de nós visse a raiz de pecado do outro, “mas que louco?!” e teríamos as expressões justamente mais severas para verberar aquilo, mas aonde é que está de ver a raiz do pecado na gente mesmo? Porque ali o sujeito é mole. Não tem conversa: com o próprio pecado o sujeito é mole.
Vou logo ao ponto: por exemplo, Carlos Magno. Tendência dele: mole com os defeitos dele. São Fernando de Castela, pronto, santo canonizado, arquétipo do batalhador, do que possam querer. São Fernando de Castela [trecho do microfilme, totalmente confuso, até o final do parágrafo:] o analisando São Luís, o pecado dele, ele naquele ponto era suscetível de moleza. Agora, vai para o inferno, não são [??] santo é claro, mas um qualquer, dá um inefável. E aí é horroroso, repugnante…
(Dr. Edwaldo: Esse inefável é o nome que Deus deu a cada um.)
É.
(Dr. Edwaldo: Por onde o homem especialmente represente algo especial de Deus.)
Isso. E que às vezes a gente discerne por pequenas coisas, porque o que é curioso neste inefável, é que ele não podendo ser descrito às vezes por pequenas coisinhas aparece. E… se é o lado negativo, aparece de modo explosivo. Às vezes é uma coisa que em si não é tão horrível, mas é que a gente vê aparecer o indivíduo inteiro naquele defeitinho que tinha um defeito pequeno.
Me lembro de uma experiência que eu tive quando menino. Havia um menino de quem eu durante algum tempo fui muito amigo. Era muitíssimo versátil nas minhas amizades, porque muito logo eu me descobria, provavelmente eles também, mas enfim… um menino com quem eu me dava muito. E tinha um primo que, este, até pouco antes dele morrer, foi muito constantemente meu companheiro. Os outros eram muito variáveis.
Mas este menino, estava meu primo, este menino e eu esperando um bonde em frente à minha casa. E eu que nunca prestei muita atenção em roupa de ninguém, notava… Naquele tempo os meninos, os homens maduros, usavam ─ vocês devem ter pego eventualmente ecos disto; Mário certamente ─ camisas de seda. E ele, que aliás tinha dinheiro bom, em todo caso mais dinheiro do que eu ─ o que é fácil ─ aparecia sempre com umas camisas de seda de muito boa qualidade. E punhos, colarinhos, muito bem arranjados, uma seda de muito boa qualidade. Eu não tinha nenhuma camisa assim, e ele tinha estoque de camisas assim.
Meu primo que era bem mais rico do que eu, não tinha nenhuma camisa assim, ele tinha. E esperando os três o bonde, com esta brincadeira de menino: um de nós dois ─ ou foi meu primo ou eu, não me lembro bem ─ abriu o paletó; era paletó com um botão ou três botões, mas estava fechado um botão só, abriu (…)
Você está vendo que é o inefável negativo que aparece de repente e…
(Sr. Guerreiro: E o problema da meia fidelidade é exatamente isso. O que o senhor falava, ela desperta o ódio dos maus e não conquista a simpatia dos bons, porque eles sentem a insuficiência do…)
E tem o seguinte, meu filho: isto é com a semi-fidelidade, mas quando a semi-fidelidade ainda conserva uma esperança de fidelidade, ainda é tragável, mas quando já não tem esperança de fidelidade é que ela semi-cristalizada, definitiva, você sente o sabugo que não vai andar, o que fazer daquilo? Para usar a expressão do Díaz Vélez, falando outro dia [ele] usou uma expressão ultra ─ acho que é só argentina, nunca vi nenhum de vocês empregar ─ de llorar a gritos. Não sei se se diz isto no Chile.
(Sr. F. Antúnez: De “llorar a mares”.)
Não, de llorar a mares eu vi uma vez um apóstata empregar. Achei interessante, mas era mais chileno; de llorar a gritos é argentino. Achei muito interessante a expressão. Era de llorar a gritos. O sujeito assim o que você vai fazer?
(Carlos Antúnez: … )
Tem, tem, mas é assim em relação não à Contra-Revolução, mas aos progressos e transformações do Grupo na luta contra a Revolução, porque o Grupo vai crescendo, vai tomando espírito, enfim, vai tendo horizontes novos pelo menos. Isto vai.
Agora, se o sujeito quiser ser exatamente o que era um membro do Grupo no momento em que saiu o “Em Defesa da Ação Católica”, nem mais nem menos, ele perdeu… perdeu o rumo.
(Carlos Antúnez: Ou faz dez anos atrás.)
Ou hoje, há dez anos atrás. Não pode ser.
(Sr. Átila: … porque é o amor ao passado que gera essa adaptação ao futuro e não é um frenesi de adaptação como poderia haver no Grupo, que seria uma versão interna do que é o profetismo da Igreja. Porque a pessoa que passou o dia inteiro querendo se adaptar ao último figurino, como existem vários casos, é a hipertrofia, portanto o destempero desta verdade que o senhor… )
* A maioria dos ritos católicos orientais parece ter parado no tempo, sem cicatrizes de lutas nem glória, sem frutificar, e sem novos santos
Isto é fora de dúvida. Você quer ver muito em quem eu noto isto? É a IO. Para usar um exemplo caricato e horroroso. É a igreja cismática, pseudo-ortodoxa. Ela está imóvel, até vamos dizer o seguinte: é uma imobilidade que comparada com a Revolução tem certa dignidade, mas ela está como por exemplo no tempo de São João Crisóstomo que, às vezes, a gente tem a impressão que não houve um sopro de vida espiritual. Não houve um santo, não houve um drama, não houve uma luta, não houve nada, eles apanharam como cachorro de turcos. Não fica uma cicatriz de glória, de luta, nem de nada. Mesmo nos ritos orientais da Igreja Católica alguma coisa disto se sente.
Você vá os melquitas, por exemplo, vocês têm em Caracas melquitas ou coisa do gênero. Vá lá, você tem a impressão que daquele tempo [em] que aquela liturgia foi constituída para hoje, a Igreja não se enriqueceu em nada, não frutificou em nada, não deu em nada, não tem um santo recente, não tem… Bem, os maronitas têm o Beato Charbel Maklouf, mas o resto é nada.
Você vai ver, por exemplo, na igreja melquita, uma coisa que eu acho muito respeitável, compreendo, aquele iconostásio com os doze apóstolos e depois embaixo Nossa Senhora, Nosso Senhor, eu compreendo, está muito direito, mas a questão é que depois não tem uma alusão à vida mais recente dos melquitas. Uma imagem de um santo, uma coisa que você tenha notado que tenha marcado a eles gloriosamente.
E o pior é que não foi por falta de apanhar.
Mas, é uma pele de má qualidade aonde a cicatriz não se fixa e que já aparece de novo lisinho como se não fosse nada. Pele de criança. A cicatriz não se fixa.
(Sr. Átila: Pele de lagartixa. Réptil é assim.)
Ah, o réptil é assim é?
(Sr. Átila: … a pele reconstitui inteiramente.)
Mas que horror! Mas assim são eles. Saio horrorizado.
* O estado normal da Igreja é que Ela seja a diretora do pensamento humano, dando-lhe o rumo
Agora, isto faz parte da…
(…)
…dou sangue pelo que estou dizendo, o estado normal da Igreja é que Ela seja a diretora do pensamento humano como um todo, tomado o pensamento humano como um todo. Ela dá o rumo ao pensamento humano. Isto é o estado normal da Igreja. Portanto um vigário quando ele não dá o rumo ao pensamento de sua paróquia, por mais que ele tenha comunhões, etc. e tenha gente fervorosa dentro da paróquia, supõe uma paróquia ideal se ela foi constituída de uma parte apenas dos paroquianos e não da totalidade deles. Quem diz totalidade não diz cada um, mas do conjunto deles. Este pároco não pode ter sossego porque a condição dele normal é de ser um dirigente do pensamento humano na paróquia deles.
Bom, mas muito não se sujeitam. Então você é um combatente do pensamento humano. Mas se eles não lhe seguem, entre em combate, aconselhe, etc., não indo. É a fórmula de Santo Antônio Maria Claret: a Dios orando y com el mazo dando. Mas vai para a frente. Não se pode imaginar outra coisa.
Qual é o conceito de paróquia para eles? Quando tem um bom movimento religioso e há muitos congregados, muitas filhas de Maria, os bons padres, enfim, a Igreja enche e enche com certa movimentação, eles estão contentes. Ele deveria perguntar o seguinte: essa paróquia deveria ter, estar dividida em quantas matrizes, porque tendo a direção do pensamento da décima parte dos paroquianos e raramente tem, terá este movimento? Isto deveria ter território para “n” matrizes! Não podia me contentar com isto.
Então, veja as objeções: bom, mas isto não está bom assim, porque afinal de contas se aumentar muito o movimento, não há padres para dar sacramento para todos.
* Na paróquia de Santa Cecília havia com a igreja da Consolação uma rivalidade que não existia com uma igreja protestante próxima
Isto não é razão, confie em Deus e converta quem você tem que converter. Os padres virão; se não vierem, Deus cuidará deles, mas não é razão. Então, quando era congregado de Santa Cecília, havia por exemplo uma rivalidade doida, que a igreja de Santa Cecília tinha rivalidade com a igreja da Consolação, mas na paróquia de Santa Cecília funcionava uma igreja protestante e ninguém pensava em fechar aquela igreja protestante, criando ambiente a que aquilo não pudesse viver lá. Convertendo, increpando, etc., etc., até sair aquilo da paróquia. A rivalidade é com a paróquia vizinha. Como é isto?! Me explique isto.
(Sr. Guerreiro: Houve tempo no Grupo em que estas coisas se colocavam, cada um tinha um certa paróquia e…)
É, eu me lembro que usava uns termos. Em Santa Cecília os partidários ou torcedores de Santa Cecília se chamavam de cecilianos, os da Consolação não sei como se chamariam; [talvez] consolacionistas. Não sei o que é, e nesta matéria é assim: era do “ecumenismo” mais debandando. Nesta matéria, sim. Ia à Consolação, tinha amigos lá, trazia congregados de outras paróquias para ir à igreja, para a sede de Santa Cecília. Me olhavam um pouco assim. “Entra aqui, senta”, aquilo sim… “Não sou ceciliano, não sou ceciliano, morro de falta de ar dentro desse colete. Não sou!”
* Se a TFP viesse a ser fechada e o Grupo proibido de pregar a Contra-Revolução, a sistemática pregação dos Novíssimos supriria essa atividade
(Sr. Guerreiro: Na reunião de quarta-feira o senhor falando sobre os novíssimos ─ que aliás achei que foi extraordinária, foi magnífica a reunião de quarta-feira passada ─ então o senhor mostrou aquela visão do paraíso da Terra, depois do Juízo Final, do Paraíso e depois do Céu Empíreo. Eram os pontos principais sobre os quais a reunião correu. Agora, me disseram que à las tantas o senhor mandou cortar o gravador e disse que se eles tentassem fechar a TFP o senhor provavelmente constituiria uma espécie de ordem religiosa para exatamente desenvolver aquele trabalho todo, que o senhor mostrava que era o pressuposto para toda ação contra-revolucionária. Eu não sei se o senhor mesmo teria dito isso na reunião.)
Não, está um pouco exagerado. Eu disse o seguinte: que se houvesse uma ordem religiosa que não fizesse outra coisa a não ser pregar os Novíssimos, ela faria para a Contra-Revolução o bem que faz quem põe os trilhos para quem quer fazer correr a máquina, porque o pressuposto da Contra-Revolução é uma mentalidade inteiramente em dia com os Novíssimos. E que enfim, você está vendo todo o resto.
Agora, que por causa disto, se algum dia nós fôssemos proibidos de pregar a Contra-Revolução, mas tivéssemos ótimos conferencistas que sistematicamente pregassem os Novíssimos, que nós faríamos uma tal preparação de trilhos que ainda era fazer a Contra-Revolução. Mas, não é que eu julgasse que a TFP, em seu estado normal se poderia contentar com isto. Há uma certa distinção aí. Mas que na hora da pontaria tem muita importância.
* Membros do Grupo que vivessem como fradezinhos jamais seriam capazes de pregar os Novíssimos
(Sr. Guerreiro: São dessas coisas que o capeta põe a mão. O senhor sabe que ainda hoje eu passei perturbado com essa possibilidade de virar padre. São dessas coisas ridículas, mas… depois uma ordem religiosa.)
Virar padre, não, não.
(Sr. Guerreiro: Virar frade.)
Não, não, não.
(Sr. Guerreiro: São dessas coisas muito… mas a perspectiva ─ como o senhor falou há duas semanas atrás ─ de fecharem a TFP, etc. e a perspectiva de ter que passar não sei quanto tempo bancando o religioso com convento, coisa assim. Nós temos que mexer no mundo que atualmente o senhor mexe e não podemos parar isto com mais freqüência, mais desembaraço e ter que viver assim. É quase preferível ir para uma espécie de Sibéria que no meio de… que se pode tratar do que se bem entenda. Eu, pelo menos, senti um pouco isso, do que viver num regime desses. Agora, como eu sentia que isto, havia um desenfoque na consideração desse quadro. Se o senhor pudesse nos aventar alguma coisa à luz da hipótese de fechamento da TFP, da perspectiva da nossa vida futura, porque na linha do que o senhor há pouco vinha falando, da Igreja, etc., como mudar os paradigmas para esta vida futura, porque me parece que a reunião que o senhor fez há duas semanas atrás, ela de si pedia de nós que nós apresentássemos ao senhor uma preocupação e um desejo de começar a preparar já aquilo que virá e que foi dito que vem, não tem alternativa.
Está montado de todos os cantos, de todos os lados está montado.
(Sr. Guerreiro: Agora, se assistiu a coisa com uma apatia que… é uma coisa de endoidecer, por onde alguém apresenta alguns viverem como fradezinhos… Eu senti que um mundo de gente no Grupo que ia viver como fradezinho.)
Bem, estes jamais serão capazes de pregar os Novíssimos.
(Sr. Guerreiro: E no meio desta confusão toda que há, sempre nas horas críticas, então começa a confusão. E… posto nesta perspectiva gostaria, se fosse possível, do senhor ─ nessa perspectiva do fechamento da TFP ─ ir nos preparando, porque em 64 o senhor constituiu a Comissão B a propósito da situação que vinha de encontro ao senhor. Agora, o senhor apresenta um quadro terrível como há duas semanas atrás e nós… excluímos essa perspectiva.)
Completamente, completamente.
(Sr. Guerreiro: De modos que eu perguntaria se o senhor não poderia abrir um pouco assim, digamos o coração do senhor, na antevisão do que está para se passar e como nós deveremos, excogitar, que meios o senhor veria, etc., para conduzir nessas emergências tão terríveis.
Quer dizer, ad perpetuam rei memoriam e para que conste, é preciso dizer o seguinte: habitualmente, quando a Providência nos coloca numa situação que pode dar em tudo, ela quer de nós que estejamos prontos para tudo. E que portanto sejamos destes homens de virar e romper, que vire para onde virar e rompa para onde romper, cai de pé. [Vira a fita]
…isto, mas é, para usar uma palavra laica, ideal, digamos bem, são as virtudes teologais e as virtudes cardeais em grau tal que nós não arredamos bem, e sejamos dotados inclusive, do espírito de improvisação necessário para fazer qualquer coisa.
Ou então, morrer. Mas, que nós só saímos da luta pela morte. Agora, então é pisando, é “pintando o caneco”, é fazendo o que ninguém imaginou, porque é tão inimaginável o que vem, que o planejamento acaba diminuindo o horizonte.
* O Sr. Dr. Plinio se refere à dureza com que se dirigiu aos assistentes da Reunião de Recortes desse dia
Aliás, o que vem, o que está vindo. Porque se você prestar atenção na reunião de hoje à tarde, a reunião foi duríssima. Mais dura era difícil de ser, inclusive no que diz respeito à imbecilização, porque não se pode levar a dureza mais longe do que eu levei.
Agora…
(Carlos Antúnez: … )
Quando você passou vinte anos avisando, avisando, avisando, isto não adiantou nada, não houve uma dureza? Depois, de cem modo, ora de um jeito, ora de outro jeito, depois de outra maneira, quase não sei mais para onde me dobrar e para me virar para conseguir que prestem um pouco de atenção no que eu digo.
Isto é dureza originária. Hoje eu fui assim. Não foi para ser duro. Não é como quem vinga uma dureza com outra, mas é a imploração, a deprecação número mil e um. Isto que foi hoje. Agora, quando a pessoa se deixa penetrar por esta espécie de hipnotização… porque a causa desta hipnose, enfim, eu disse hoje à tarde o que eu penso, mas há mais: o que eu disse é verdade, é só um fio dentro do horizonte, não é horizonte inteiro, etc., eu vejo só este fio, mas há mais, um pouco mais, isto eu não disse: é que quando a gente perscruta muito o horizonte e só encontra esse fio, este fio tem certa probabilidade de ser verdadeiro.
Nós não somos uns cretinos que prescrutam e que há faróis acesos que não percebem. Tenha paciência! Até lá também não vamos, imbecis assim não somos. Quer dizer, existe uma boa probabilidade do fio ser esse.
Agora, como desengajar disto? É exatamente pelo estado de espírito do homem de virar e romper, porque com este engajamento não vira nem rompe. Esta é a verdade.
Meus caros, eu vou só tomar mais um gole e desço, porque está muito tarde e amanhã eu tenho que levantar mais cedo, etc., mas em todo caso, meu bom Guerreiro, você tinha mais alguma coisa para perguntar, diga.
(Sr. Guerreiro: Apenas o seguinte… )
Você me dirá: “Mas afinal de contas, como a gente adquire isto?”
(Sr. Guerreiro: É, o senhor já falou tantos anos.)
* A Oração, porta que está sempre aberta: a Graça sustentará quem souber ao menos pedir
Oração. É, esta porta está sempre aberta. Agora, como é? É de repente: puft! e está todo mundo no olho da rua. E aí a Graça sustenta cada um que souber ao menos pedir e a oportunidade para arrependimento, para uma porção de outras coisas. Está acabado.
(Sr. Guerreiro: Não sei, mas suponha que… supunha que o senhor tivesse a propósito…)
Um plano de ação?
(Sr. Guerreiro: Um plano assim… como o senhor mesmo falava, tão cheia de… que é impossível definir um plano concreto. Agora eu perguntaria o seguinte: quer dizer, o meio do senhor nos ambientar para as perspectivas que vem, as perspectivas que o senhor conjecturalmente vê que poderia acontecer porque me parece que a pessoa sentindo um pouco como serão as batalhas, as lutas, as dificuldades, algo a pessoa acaba assimilando.)
* A jogada não é perseguir os membros do Grupo, é conseguir que eles se esqueçam da TFP, que não tenham contatos nem entre si nem com o Sr. Dr. Plinio
O que eu tenho a impressão (…) torno mais próximo da idéia, de que a III Guerra Mundial se arrebentar, arrebenta por uma interferência visível de Nossa Senhora empurrando as causas segundas, mas empurrando visivelmente. E isto eu espero. Mas, a jogada no momento, não é de persegui-los, é conseguir que vocês [se] esqueçam da TFP. Não possam ter contatos, nem entre si, nem comigo, esqueçam da TFP. Está acabado.
(Carlos Antúnez: E se não esquecem?)
É, se não esquecessem e soubessem esconder, não fingir que esqueceu, porque isto não pode, mas esconder que não, não esqueceu, estes ainda poderíamos tomar um contato e aí apareceriam oportunidades talvez maiores do que agora, de a gente fazer o inimaginável.
E eu termino dando um exemplo: parecia inteiramente impossível que a geração da TV fosse mais nossa do que as gerações anteriores, entretanto é o que está se passando. Pega lá sua enjolrada, você compara com o pessoal da sua geração na Venezuela, não tem ninguém. Mas você tem a esperança de pegar.
A enjolrada, filhos da televisão, vêem. Hoje o auditório esta cheio de filhos da TV, de todas as partes, de todos os cantos. Quer dizer, a Providência faz uma coisa destas. De onde, dentro do impossível raia uma maravilha, mas é de dentro do impossível.
Então, nós, os que não se esquecerem, pelo contrário tiverem saudades de contrição, estes não, nós encontraremos e saberemos agir. Como? Eu não tenho a menor idéia, mas tenho a idéia de possibilidades faraônicas. E aonde? Também não sei.
(Carlos Antúnez: Agora, o senhor acha que vai acontecer isto mesmo?)
Quer dizer, eu acho… tudo parece ir para esse lado. Como estamos num mundo de loucos, de repente podem descer os discos voadores e darem uma outra orientação. Ninguém sabe. Mas o caminho é esse, que está sendo seguido no momento é esse.
(Carlos Antúnez: Agora, isto detonaria a “Bagarre” “ipso facto”.)
Quer dizer, eu creio que nossa fidelidade, mesmo nestas circunstâncias poderia ter aí uma qualquer repercussão que nós não sabemos qual é, mas que ocasionaria a Bagarre. Você veja a coisa curiosa com aquele Mons. Linka, hoje à tarde. Ele disse a respeito de nós [o] que nós achamos de nós mesmos.
* Em relação às outras organizações anticomunistas a TFP cresceu, em parte porque as árvores grandes ao redor dela foram abatidas
Mas a TFP não cresceu tanto que ela ficasse maior que todas as organizações anticomunistas que existiam há dez anos atrás. Mas, como nós não crescemos, foi feito o vazio em torno de nós. E nós ficamos os maiores em parte porque nós crescemos, em parte porque as árvores grandes foram todas abatidas. Mas, acaba sendo verdade que ficou uma jogada na nossa mão, que no seu gênero é única. Donde o furor, etc. Isto, para os que não se esquecerem pode ser, nascer daí uma reviravolta deste gênero.
De maneira que um número pequeno ainda seja mais influente do que a TFP em grande número. Pode acontecer. Mas, a questão é não se esquecer nunca, nunca, nunca. Pelo contrário, ter cada vez mais saudades de cada vez mais contrição. Este é o caso. Sem isto não tem nada.
Agora, o que eu posso fazer para não se esquecerem? É dizer o que eu estou dizendo. Sua pergunta vem muito a propósito. Mas, se não houver uma graça especial de Nossa Senhora para isto…
Há coisas lindas nos Salmos: “que a minha destra seque antes que me esqueça de ti, ó Jerusalém. Que minha língua se cole ao paladar”. São coisas lindas, mas… se nós fizéssemos esta oração anti-olvido, como seria bonito compor, tirando frases da Escritura a respeito da dispersão de Jerusalém e do propósito de manter-se fiel a isto, e compondo um devocionário dos fiéis do Templo arrasado.
(Sr. Guerreiro: É um pouco difícil definir como, mas se pudesse dizer como uma espécie de voto… )
Estes votos, tudo isto, depois no total são cumpridos de modo medíocre, mas representam em todo caso um passo que reboa no Urwald, um tanto. E que tem seu significado. Mas… então, por exemplo, um devocionário disto e do heroísmo, tirado com frases da Escritura. Coisa dos Macabeus, etc., da liturgia. Fazer um devocionário neste sentido. Porque para a grandeza desta situação, ou é a linguagem da Escritura ou é a linguagem oficial da Igreja. Nossa linguagem contemporânea não tem uma grandeza proporcionada com esta situação.
(Sr. Guerreiro: Eu tenho a impressão que há aí algo também da parte do senhor a nos dizer nessa hora, nesses momentos, que será muito… que terá uma graça, eu creio, de Nossa Senhora para nós, porque assim como o senhor está falando agora, pelo menos isto para mim é de uma importância imensa, imensa, porque a situação estava ficando dificílima. E eu não ouvia do senhor essas palavras e eu sinto que o senhor, quer dizer, eu vejo nesta conversa um mundo de possibilidades que há, para nós estreitarmos a união com o senhor que eu não via antes. Nessas reuniões que estava assistindo e no contato com outros, quer dizer, há um ar de “poquice” que tira todas as esperanças maiores da gente, que é uma coisa horrorosa.)
Isto é verdade.
(Sr. Guerreiro: Isto quando o senhor falando agora, eu sinto que há qualquer coisa que quem sabe o senhor pudesse nos dar e que vai um pouco… )
Isto eu também sinto.
(Sr. Guerreiro: Que vai um pouco na linha, algo… )
É curioso que eu estou num… tenho que cortar a reunião, num estado de cansaço que eu estou, mas que seria normalmente uma reunião para ir até às seis da manhã. Este tema nós devemos pedir a Nossa Senhora que Ela reintroduza este tema com essa atualidade, porque é um tema de uma atualidade suma. Mas… por que não tratei?
Porque enquanto algum de vocês não pedisse, e não houvesse uma graça para tratar, era inútil. O teleférico devorava isto na mesma hora, na mesma hora. Uma palavra mais: desacreditava dentro da gosma geral o que eu tivesse que levantar a este respeito, porque é isso.
Meus filhos, eu tenho que…
*_*_*_*_*