Conversa
de Sábado à Noite – 29/5/1979 – p.
Conversa de Sábado à Noite (Serra Negra) ─ 26/5/1979 ─ sábado ─ [AC I ─ 333]
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Nossa escola de raciocínio: diante das criaturas, ver uma imagem ou uma semelhança de Deus * Dois anos da chegada das revelações de Nossa Senhora do Bom Sucesso - A Igreja renascer qual terna menina só se pode entender como a volta à inocência primeva * Precisamos passar por uma torrente de fogo antes disso - Já passamos por muito desse fogo sem nos darmos conta, porque a Bagarre começou com a publicação do “Em Defesa” * A esperança de que a revolução de 1935 em São Paulo fosse o estampido da Bagarre * No Colégio São Luiz nasce a explicitação da Bagarre * Vivendo na preocupação de se fazer perdoar, o Sr. Dr. Plinio acha magnífico Francisco como penitente perdoado * “Conservar o dogma da Fé”, algo que deixa o Sr. Dr. Plinio perplexo com a mensagem de Fátima * Uma Fé que aceita só o dogma é uma Fé insuficiente * O que quer dizer “Portugal conservará o dogma da Fé”? - A implantação de uma TFP em Portugal não será o pleno cumprimento da promessa? * Não é impossível que Nossa Senhora tenha tratado dos castigos como o fez, mas é tão pouco provável que levanta uma pergunta * Se a crise da Igreja fosse revelada em 1940 ou 1950 teria feito um mal horroroso * Como o Sr. Dr. Plinio imagina João XXIII lendo o segredo de Fátima - Fazer desaparecer o Segredo não é tão diferente do pecado de Judas * O horror de uma missa sacrílega * A mudança de fisionomia da Sagrada Imagem é, a seu modo, um milagre mais carregado de significado espiritual * “Uma boa consciência é o melhor dos travesseiros”
Eu vou falar uma coisa que * Como era a Faculdade de Direito do Largo São Francisco na época do Sr. Dr. Plinio
Eu vou falar uma coisa que eu quando fiz o estudo superior não conscientizei.
Cursamos em épocas tão diferentes a mesma Faculdade de Direito.
Bem, de repente começa uma aula: bate o sino, ainda do velho convento do lado e começa a aula. Então é aula de Direito Penal. Bem, termina e vai Direito Internacional Público.
Não sei se Dom Bertrand teve a mesma impressão que subconsciente eu tinha, que aquilo tudo não encaixava bem uma coisa na outra. Nada encaixava. Mais ainda! As pessoas não sabiam o que era encaixe! Não tinham idéia do que era encaixe, nem era para encaixar. Eles achavam que não encaixado estava bom.
* Como devemos ver no fogo uma imagem e uma semelhança com Deus
(Sr. –: Dom Bertrand comentava o “flash” que teve lendo a RCR: o relacionamento teocêntrico.)
Por exemplo: se um de nós ficar sozinho diante desse fogo, ou isto é uma ocasião ─ de fundo de quadro, não precisa ser explícita cada vez ─ de aumentar o amor de Deus; ou é uma meditação gagá. É uma atitude gagá diante do fogo.
Sem ser necessário a gente fazer os raciocínios clássicos: comparar, por exemplo, esse fogo com o amor de Deus que nunca se apaga! Não é desse lado! É um raciocínio justo, até um raciocínio santo, mas não é um raciocínio para nós.
Para nós é olhar o fogo como um símbolo, na sua beleza, na beleza da gesticulação dele se se pudesse dizer. Nas surpresas que ele causa, [nas?] [nos **] [flembeux??] [flambeaux **], etc… E ali ver uma imagem ou uma semelhança de Deus. É propriamente nossa escola.
Não é dizer o seguinte: “Como prova que Deus existe, porque Deus é o Motor primeiro, donde vem todo fogo…”.
São considerações muito boas, mas não para nós.
A nossa consideração que é a do Reino de Maria é essa…
(…)
E a reunião de ontem à noite foi toda baseada nisso. Toda, toda baseada nisso.
E, graças a Nossa Senhora, é verdade: ela dá um primeiro esboço do Reino de Maria, mas é, portanto, o maior esboço. Porque o primeiro esboço é o maior. As grandes linhas. E tudo articulado.
Depois, põem-se em ordem. E, assim mesmo, essa ordem se se porá na medida em que a grande linha esteja bem firme na cabeça.
* O Sr. Dr. Plinio anuncia um Santo do Dia comemorativo do segundo aniversário da chegada ao Brasil das profecias de Nossa Senhora do Bom Sucesso
(Sr. –: E haver um espírito que inspira essa grande linha.)
Isto é a TFP.
Hoje eu lamentei muito de ficar resfriado dessa maneira, porque ia se comemorar lá no Eremo do Amparo de Nossa Senhora, é sábado, e ia-se fazer uma reunião do tipo sábado. Mas com a presença de todos, naturalmente. Eles iam fazer proclamação, etc., etc., e aí Dom Bertrand, M. V. [Martín Viano? **], poderiam ter, ver aquilo que o Andreas Meran e o F. A. [Fernando Antúnez Aldunate **] já viram cem mil vezes, que é como é uma reunião de sábado à noite.
Mas o João Clá ia comemorar de modo especial o segundo ano da data em que chegaram ao Brasil, trazidas por ele, as revelações de Nossa Senhora do Bom Sucesso colhidas por aquele [Chiriboga?].
Então, fala lá, Nossa Senhora prevê toda a Bagarre, etc., e, depois diz uma coisa muito curiosa: “Que a Igreja haveria de renascer qual terna Menina, do desastre todo”.
* Como será a volta da inocência dentro da Santa Igreja
(Dom Bertrand: E que seria levada por uma varão qual terna Menina.)
O assunto da terna Menina me chamou muito atenção. Quer dizer, é uma volta à inocência.
O que é uma “Menina” na Igreja?
Não pode deixar de ser uma volta à inocência.
É, portanto, uma volta à inocência, por assim dizer, matriz. Por assim dizer, primeva da Igreja. Como que de Pentecostes.
Isso me faz pensar muito exatamente nessa idéia: é que muito mais explicitadamente ainda do que do modo anterior, o amor de Deus seria conhecido e praticado.
O que explica a previsão de São Luís Grignion de que os santos da era que nos suceder vão ser maiores do que os outros, como é um arbusto em relação a uma grama, um carvalho em relação a uma graminha. Uma coisa assim, Porque tudo, tudo, tudo calculado assim simbolicamente em função do amor de Deus, ninguém pode saber a glória que pode dar a Nossa Senhora.
É claro que nós temos que passar por uma torrente de fogo antes de chegar lá. São os sofrimentos, provações, lutas… Tem que ser!! Tem que ser!!
Mas, o ouro se purifica no fogo, não é?!
* A “Bagarre” começou com o lançamento do “Em Defesa”
(Dom Bertrand: Nós, no caso é plural majestático, porque excluindo o senhor.)
Não, pelo contrário. Não, não! É o contrário! É um convite a passarmos pelo fogo juntos. Porque realmente é isso. É disso que se trata, é passarmos pelo fogo juntos.
Nesse sentido… - aliás é confortador o que eu penso ─ mas eu acho que o fogo, na realidade, nós já passamos por muito desse fogo sem nos dar-nos conta. Porque quanto mais eu vou vivendo, mais eu tenho a impressão de que a Bagarre, para nós, começou de fato com a publicação do “Em Defesa”. Aquilo foi o ano um da Bagarre. Porque foi a primeira tentativa de guerra psicológica revolucionária no Brasil, foi a primeira oposição, foi o primeiro entrechoque e primeiro desastre. Primeiro sofrimento.
* O Brasil e o mundo foram conquistados pela guerra psicológica revolucionária
Depois, prestando atenção de lá para cá, tudo quanto se tem dado conosco é uma luta contra a guerra psicológica revolucionária. Está bom! Mas acontece que no momento o Brasil está quase completamente conquistado pela guerra psicológica revolucionária. O Brasil e o mundo!
Nós imaginávamos uma luta a sangue, ─ eu creio que essa luta em certo momento chegará ─ mas nós não nos dávamos conta que essa luta era de um resíduo. Nós julgávamos que era uma parcela importante da população que ia jogar-se contra a outra. Pelo menos na proporção em que os “vandeanos” estavam em relação à massa dos franceses ou, revolucionários ou inertes.
E a gente vai ver, o Brasil e o mundo estão conquistados pela guerra psicológica revolucionária, de maneira que vai ser um peteleco.
Então, se o processo de conquista do mundo pelo comunismo se tornou efetivo através disso e, é esse processo que é a Bagarre, a Bagarre começou de fato aí.
Alguém dirá: “Não, porque não começou em 1935, com a revoluções de Rio e Natal!”.
Aquilo não começou a conquista do Brasil, aquilo fracassou! Aquilo foi uma tentativa, não foi outra coisa.
* Quando estourou a revolução de 1935 em São Paulo o Sr. Dr. Plinio tinha a esperança que fosse o estampido da “Bagarre”
(Sr. –: E a “Bagarre” é sobretudo o entrechoque entre as duas forças.)
Isso! Não é só a presença de uma, mas é a outra. O que em 1935 não houve. Em direito chama-se: [res inter alius?]. Um caso entre outros, que a gente não tem nada que ver.
Lembro-me que em 1935, quando houve aquela Revolução, eu fui para o centro da cidade para ver como é que estava o povo: numa calma completa. Todos os bancos funcionando, comércio. O velho centro! Naquele tempo era o centro-centro de São Paulo. Então fui à Cúria, fui, indaguei [da?] [na **] Cúria. O velho Arcebispo Dom Duarte tinha levado um dia normal e o Bispo Auxiliar dele, que deveria ser o cajado da ancianidade dele nos dias da luta, tinha ido fazer Crismas em Jundiaí.
(Sr. –: O senhor nessa época já tinha esperanças na “Bagarre”?)
Tinha, tinha. Eu era movido pela esperança de que aquilo já fosse um começo de Bagarre. É evidente!
* A partir de quando ele começou a desejar a “Bagarre”
(Sr. –: Em que época exatamente o senhor explicitou a “Bagarre”?)
Dom Bertrand, eu me lembro de mim fazendo ginástica no colégio São Luís e olhando o grosso…
(…)
…que Dom Bertrand e vocês todos, se se reportarem para seu passado devem ter sentido impressões assim, mais ou menos. Talvez não tão definidas, mas caminhando nessa direção. Todos devem ter tido, de um jeito ou doutro.
Eu vejo o M. V. [Martín Viano? **] ─ educado em outro país, em outras circunstâncias respondendo sofregamente, é?! E, para vocês todos, de um modo ou doutro tem que ter sido.
(Sr. –: Independente das revelações de Fátima.)
Independente. As revelações de Fátima eu soube quando eu tinha uns trinta anos!
* As revelações de Fátima e o importante papel da Jacinta
(Sr. –: Elas foram reveladas ao mundo em 1942.)
Ah!, foram reveladas ao mundo só em 1942? Ah!, não sabia disso!
(Sr. –: Estou falando na “Bagarre”, a “Bagarre” nas revelações de Fátima, antes eram só os diálogos, etc., mas nada de “Bagarre”.)
Que curioso.
O que terá levado à Irmã Lúcia a revelar isso em 1942?
(Sr. –: Ela recebeu uma ordem do Bispo de Leiria para escrever uma biografia sobre Jacinta. Então ela disse que para poder explicar a vida espiritual de Jacinta ela precisaria revelar o primeiro e segundo segredo de Fátima, pois a vida de Jacinta estava muito relacionada com eles. O primeiro segredo é a visão do Inferno e, o segundo, o castigo, a “Bagarre”.)
(Sr. –: É muito interessante a vida de Jacinta ordenada em função da “Bagarre”.)
Muito! Dá até uma vontade especial de recorrer a ela. Eu já rezei agora nessa direção.
* O Francisco é um magnífico exemplo de um penitente que foi perdoado; e o Sr. Dr. Plinio tem um verdadeiro fascínio pela contrição
[Dom Bertrand dizia que tinha um “penchant” um pouco mais pela Jacinta do que o Francisco.]
É curioso… E eu tenho um penchant um pouco mais pelo Francisco do que pela Jacinta.
(Dom Bertrand: Bom, então tenho que modificar o…)
Não, não, não modifique não! Porque essas coisas cada alma recebe uma certa graça, um certo modo. Não modifique não. Acho que está bem assim.
O Francisco me parece magnífico como penitente perdoado.
E, eu vivo na preocupação de me fazer perdoar. E de que Nossa Senhora nos perdoe a todos nós. E tenho verdadeiro fascínio pela contrição. A contrição bem feita eu acho uma coisa… eu não sei, em francês se diz: je ne serais rendre o que que eu penso da contrição bem feita. Isso me ficou na alma, se Deus quiser para todo o sempre.
Ele como penitente perdoado me diz muito! Mas, muito, muito! Muito!!
Agora, B. M. [Antônio Augusto Borelli Machado? **], eu prestei muita atenção no sentido das revelações de Fátima, mas não nesses pormenores que me saíram da memória também e tudo mais. Quer dizer, do segredo de Fátima falta apenas um terceiro segredo a revelar?
(Sr. –: A Irmã Lúcia diz que é um segredo só em três partes. A primeira e segunda partes já foram reveladas.)
Então a visão do Inferno faz parte do mesmo segredo da Bagarre?
(Sr. –: Exatamente.)
Bom, vamos ver o que se tira desse pormenor. Porque esse pormenor nunca me lembro que tenhamos analisado.
São dois castigos…
Tudo leva a crer, portanto, que o terceiro segredo ou seja: mais um castigo ou seja a revelação do triunfo e do reino dEla.
* Uma perplexidade que tem o Sr. Dr. Plinio nas revelações de Fátima
(Sr. –: Não será o castigo do clero?)
Mas porque veria um castigo, depois o triunfo, depois outro castigo? Não seria bem ordenado!
Uma coisa que me deixa perplexo dentro disso é o seguinte:
Fala que conservará [Portugal] sempre o dogma da Fé… Ora, a expressão “dogma da Fé” eu não acredito que seja de Nossa Senhora, porque é um pouco esquisito. A Fé tem muito dogmas. Se conservarão os dogmas da Fé, ainda vai. Mas o dogma da Fé! Eu não tenho certeza que essa expressão seja correta. Talvez seja. Talvez até faça parte do linguajar religioso de Portugal. Mas, propriamente, nem sequer pode-se dizer que a Fé é um dogma! A Fé é a virtude pela qual se aceita o dogma! É uma virtude teologal: Fé, Esperança, Caridade; que levam nosso espírito a aceitar o dogma. Essa é a Fé! Agora, o que quer dizer, portanto: “em Portugal será conservado o dogma da Fé?”. Se ainda disse que é o “bem da Fé”, “o tesouro da Fé!”. “O dom da Fé!”. Mas o dogma… desconcerta um pouquinho…
* Uma pessoa deve aceitar os dogmas da Fé Católica e aceitar os atos do magistério ordinário da Igreja
(Sr. –: Nessas revelações há um fenômeno místico: a pessoa entende a mensagem e com palavras diz, depois, o que recebeu. Ora, a Irmã Lúcia disse, no começo, que foi fiel na revelação “palavra por palavra” o que Nossa Senhora disse. Depois, retificou dizendo que tinha sido inteiramente fiel no repetir o que entendeu.)
Talvez ela tivesse procurado exprimir fidelidade por “palavra por palavra”. No linguajar corrente eu posso dizer, por exemplo, se tiver certeza de que eu repito inteiramente o que você disse, embora eu saiba que eu não disse palavra por palavra, eu poderei sem mentir dizer que eu não disse palavra por palavra. O que indica “conceito por conceito”. Na nossa linguagem corrente isso é assim. Talvez em Portugal fosse isso também. Era até o caso de perguntar para o Sepúlveda ou para o Ferran como é isso lá.
Mas, para mim, na mensagem tem: esse ponto que é o dogma da Fé também visto por outro lado.
Então, foi palavra por palavra ou ela traduziu mal o conceito de Nossa Senhora? Não sei. Mas, uma Fé que aceita só o dogma é uma Fé insuficiente! Porque um homem que aceita todos os dogmas da Fé Católica, mas não aceita os atos do magistério ordinário da Igreja, ─ vistos como um todo, não cada ponto ─ mas vistos como um todo. Esse homem, também ele é herege! Ora, esses atos de si não são dogma.
Por exemplo: a propriedade privada! A propriedade privada não é um dogma da Fé, porque nunca houve um Papa definindo a propriedade privada como dogma. E só é dogma o que foi definido pela Igreja como tal. As coisas mais certas se não foram definidos pela Igreja como dogma, não são dogma.
Dogma é a designação para um certo tipo infalível do ensinamento da Igreja.
Mas, acontece que como nos atos do seu magistério ordinário um Papa pode errar. Mas uma longa sucessão de Papas não pode errar. E como todos os papas até João XXIII de um modo ou outro ensinaram e praticaram a propriedade privada, é por uma série de documentos não infalíveis que a infabilidade se engaja na afirmação dessa tese. Mas não é uma dogma da Fé.
Agora, se fica preservado só o dogma da Fé!
Você imagina que digam de um dos nossos “fassures” que andam aí pela rua: “Esse aqui crê nos dogmas da Igreja, mas em mais nada!”.
Nós diremos: “É um mal católico!”.
* O que quer dizer: Portugal conservará o dogma da Fé?
E a indagação vai mais longe… como você é o nosso “Fatimólogo” eu estou lhe tirando os últimos minutos do dia para tratar dessa questão. Em São Paulo não se tem tempo para conversar essas coisas, tenho que tratar expediente… mas para tratar a questão, a indagação ainda vai mais longe.
O que quer dizer: em Portugal se conservará?
Quantos são estes que conservarão?
Isto quer dizer, haverá quem conserve? Quer dizer, Portugal não vai cair inteiro na heresia!
Ou quer dizer, Portugal como um todo, considerada a nação como um todo vai conservar a Fé?
Para mais que é a primeira hipótese, porque do contrário diria: “Portugal conservará o dogma da fé”. Quando se diz que: em Portugal “se” conservaria o dogma da Fé. Parece dizer que seria pelo menos uma parte de Portugal. Pareceria.
Hoje pela lei portuguesa, um padre apostatar. O que no tempo da união entre a Igreja e o Estado era crime. E então um grande número de padres apostataram, e vieram ser trabalhadores manuais no Brasil. E me disse o Dom Duarte ─ naquele tempo todo mundo andava de bonde, não havia ônibus ainda ─ ele me disse: “Quando Vós mecê estiver andando de bonde e vir condutor ou cobrador de passagem português, pergunte se ele não será padre!”.
Por quê? Por uma razão que não sei qual é; os padres apóstatas gostavam muito de trabalhar em bonde. Não sei porque.
E, o mais engraçado é que o Arcebispo fazia bem em dizer-me isso. Porque alguém estando para morrer em um bonde, havendo um português eu diria a ele: “Padre dê a absolvição!”. Ah!, isso é certo que eu diria! E era o modo de salvar uma alma, ele estava no papel dele de Arcebispo, estava muito direito.
Bem, mas como é esse dogma da Fé? Conservará sempre?!
Já não estava meio perdido…
Depois esse “se”! E que núcleo de pessoas, que grupo de pessoas?!
* Uma TFP em Portugal e o cumprimento de promessa de Fátima
(Sr. –: A TFP por exemplo.)
Que não há em Portugal!
(Sr. –: A exilada.)
É, essa é a questão. Se não seria isto. E se por exemplo, a implantação de uma TFP em Portugal não seria o pleno cumprimento da promessa?! É uma hipótese.
Mas, são questões que me levam a perguntar o seguinte: se do texto da Irmã Lúcia para o texto que se publica não houve surrupios. O texto da Irmã Lúcia está fotografado?
(Sr. –: Está. Mas o padre que publicou disse que não lhe deram os originais, mas os xerox.)
E, no xerox pode-se fazer um certo jogo.
Outra coisa que eu acho muito, ─ o J. C. C. A. [José Carlos Castilho de Andrade? **] não concorda comigo, mas eu acho isso ─ acho muito esquisito é quando fala a respeito dos castigos. Porque entra nos castigos muito bruscamente. E trata dos castigos aos saltos, sumariamente.
(…)
…de devastações, sem indicar as causas das devastações.
Muitas nações desaparecerão. Como? Por quê?
Uma narração não conta uma coisa dessas sem uma mise au point qualquer. A alocução humana não é assim.
Quer dizer, não é impossível que Nossa Senhora tenha feito assim, mas é tão pouco provável que levanta uma pergunta.
* A crise dentro da Igreja
(Dr. B. M. [Antônio Augusto Borelli Machado? **]: Ela disse: “Vou revelar duas partes”. Não disse que eram as duas primeiras. Donde a chamada terceira parte poderia ser uma segunda parte (não revelada) e não a terceira, considerando as duas reveladas primeira e segunda.)
Esta é uma ponderação importante.
Ela não disse que ia revelar as duas primeiras. Ela disse que ia revelar duas. É, isso explicaria muita coisa.
Eu tenho a impressão que a parte que ela não revelou, e que seria a segunda, seria então a deterioração inclusive da Igreja e principalmente da Igreja e, que por isso eles não quiseram publicar. E talvez Nossa Senhora não tenha querido dizer!
Eu acho que se em 1917, portanto, tanto quanto a sabedoria humana possa saber dessas coisas, não vou além disso; a crise da Igreja em 1940 ou 1950 fosse revelada teria feito um mal horroroso! Mas simplesmente horroroso! Eu compreendo, portanto, muito que isso tenha sido ocultado.
Então, quem sabe se isso ficou na segunda parte que é a lista dos pecados que se seguiriam; ─ ela narra pecados genéricos: falta de Fé, falta de pudor, etc… ─ então a zona intermediária, que seria a lista das desordens que isso ia criar como castigo e, depois dos castigos de fato. Se você quiser, portanto, a guerra psicológica revolucionária e a guerra cruenta teriam sido omitidas. E dado o final do castigo, quer dizer, o Papa terá muito que sofrer, várias nações desaparecerão. É como que o auge e o triunfo do Imaculado Coração.
* Como o Sr. Dr. Plinio imagina João XXIII lendo o segredo de Fátima
[Sr. Andreas von Meran lembrou que sempre ouvira dizer, mesmo antes de entrar no Grupo, que um Papa, Pio XII ou João XXIII, lendo a terceira parte tinha exclamado: “Que seja feliz, Brasil!”.]
Isso me constou também. Se não me engano foi um Papa que leu e exclamou: “Feliz [do **] Brasil!”. Isso eu ouvi dizer.
(Sr. –: Teria sido Pio XII?)
Agora, estava imaginando aqui a cena. Dom Bertrand se lembra bem da cara de João XXIII, não é?
(Dom Bertrand: “Uhhh!”.)
Bem, João XXIII e o Cardeal Otaviani abrindo o envelope juntos a uma mesa e os dois lendo. Não sei porque imagino a cena à luz de vela. Não sei porque. Os dois lendo e o impacto da revelação. E depois então jogar num “poço fundo de onde ninguém o tira”.
(Sr. –: Expressão do próprio [Cardeal **] Otaviani após ter lido o segredo de Fátima: “Num poço fundo, fundo, fundo do qual ninguém o tira”.)
Isto você leu?
(Sr. –: Está no discurso do Cardeal Otaviani, temos esse discurso.)
Também isso. O que é esse fundo, fundo? Será uma excomunhão do outro mundo para quem abrir? Será algum lugar que é o arcano, dos arcaníssimos do Vaticano?! Onde ninguém mexe! Onde há uma maldição pontifícia para quem mexer? Que não o próprio Papa? Talvez haja um arcano assim! Ou será que destruíra? É o poço do nada.
Agora, que responsabilidade tremenda arcar com uma coisa dessas diante de Nossa Senhora? É uma coisa simplesmente insondável! Insondável! Faz mal pensar que criaturas humanas como nós, cheguem até lá. Não é tão diferente do pecado de Judas.
(…)
* É narrado um fato que mostra até onde é capaz de chegar a maldade humana: a naturalidade com que um padre apóstata celebrou uma missa sacrílega
(Sr. –: Qual o choque que o senhor imagina que eles tenham tido?)
(…)
…eu sugiro que seja a última coisa que se converse essa noite, a não ser que ocorra uma coisa bonita e edificante para contar.
Um padre que teve muitas encrencas conosco e que depois ficou comunista, chamado Carlos Ortiz, ─ ele deve estar velho já ─ ele era no período do Ação Católica, “Em defesa”, um adversário horroroso do “Em defesa”, etc…
Esse padre apostatou e escreveu um livro contando a apostasia dele. Não, não foi ele não! Foi um padre do norte. Não me lembro o nome desse padre. É um nome desses bem de nortista. Não é [Moama??] [Pe. Mohana **], é um outro qualquer.
Ele conta do modo mais horrível como ele prevaricou, como é que ele perdeu uma filha de Maria, depois como é que ele prevaricou com a filha de Maria. Conta o pecado! E conta que na manhã seguinte ele tinha uma missa marcada que ele não podia deixar de celebrar. E que ele não podia se confessar, porque não tinha arrependimento do fato que tinha feito. E que ele então foi celebrar a missa sacrílega. E que ele no período do seminário quando pensava em missa sacrílega ele tinha um arrepio horroroso. E que ele imaginava que o padre na hora da consagração tinha convulsões e que tremia e transpirava de corpo inteiro. E que ele pode dar testemunho que isso é inteiramente falso. Que ele celebrou com a maior tranqüilidade e que notou que enquanto ele consagrava, os passarinhos fora cantavam de modo encantador.
Eu tive um uivo interno como quem diz: “Mas pode chegar até lá! Eu pensei que tivesse sondado a maldade humana até o fundo do Inferno, mas eu estou vendo que é mais do que isso! Que chega ao inimaginável! Porque até lá eu não imaginei! Eu imaginei que o padre, suando, etc., etc., era o auge da maldade humana”. [Joris Karl **] Huysmans naquela missa negra que ele descreve, ele descreve um padre celebrando, ─ uma coisa horrível ─ mas o padre transpira, sua, não consegue dizer as palavras da consagração, luta! Afinal diz. As duas fórmulas ele diz.
Bem, ainda não se justifica, mas se compreende.
Mas, isso!
Então, eu sou levado a achar que foi assim. Uma coisa horrorosa, horrorosa!!!
Bem, mas pensemos na “terna Menina”.
* A predileção do Brasil
(Sr. –: A mensagem continua com a Sagrada Imagem, e as lágrimas que Ela verteu em Nova Orleans. A imagem chegou onde a mensagem deveria ter chegado.)
É uma coisa extraordinária e é uma razão ─ não para demonstrar, mas para reforçar as suspeitas, ou hipóteses ─ de que na mensagem de Fátima se fale do Brasil. Porque é uma tal predileção pelo Brasil, que a gente fica pasmo! É dessa imagem vir aqui e ontem eu fiz um tal elogio de Las Lajas. Aquele elogio evidentemente é de todos nós. Mas uma imagem que vara a pedra de lado a lado é tão, tão, tão mais extraordinária do que uma imagem que muda de fisionomia, sem que o resto se mova uma vez só! E exprima constantemente as coisas mais celestes! Como é que a gente pode explicar a mudança de fisionomia num pedaço de pau imóvel!
* Em algumas ocasiões a Sagrada Imagem se mostra menos manifestativa
Não é, a seu modo, também milagre? E vamos dizer, mais carregado do significado espiritual?
Esse. Está nas mãos da TFP com esta intimidade que a gente leva por onde quer. E basta a menor conveniência da gente, para a Imagem se deixar deslocar; qual “terna Menina”.
E é impressionantíssimo!
Embora se deva dizer que uma coisa curiosa, hein! E eu não sou levado a atribuir isso especialmente uma infidelidade. A Imagem anda muito menos expressiva. Não sei se notam. Mas ela anda menos expressiva.
O que não quer dizer grande coisa, porque ela tem fases assim.
Durante todo o tempo em que eu estive de cama, em conseqüência do desastre, a imagem estava no meu quarto…. foi uma graça insigne para mim, mas ela estava totalmente inexpressiva. Totalmente, totalmente, totalmente inexpressiva. Para depois recobrar a expressão de um modo tão magnífico. São mistérios!
* Um guerreiro consegue dormir tranqüilo entre duas batalhas
(Sr. –: Vejo a relação com a RCR no “triunfo do Imaculado Coração”. Porque só se entende esse triunfo no prisma da RCR.)
É. Sabe o que essa gente entende que é o triunfo? É por ali uma imagem do Imaculado Coração em cima daquela lareira. Então diz: “Nessa sala reina o Imaculado Coração”.
(Sr. –: Nesse hotel se fechassem a piscina, colocassem umas duas imagens, já achariam que tinha triunfado o Imaculado Coração nesse hotel e em Serra Negra.)
E proibissem o uso da pantalonas, vamos chegar até lá.
Já era o Reino de Maria para eles.
O Dom Sigaud não nos disse que o Reino de Maria tinha começado com o Castelo!
Assim, ele me disse: “Plinio!, agora é o Reino de Maria!”.
“Mas como Dom Sigaud?!”.
Depois não disse mais nada, mudei de assunto, porque como é que pode ser o Reino de Maria?!
Há alguma coisa bonita para nós irmos dormir?
Acho que há. É que um guerreiro para dormir em paz não precisa que lhe contem de uma vitória sempre. Ele dorme entre duas batalhas tranqüilo e animado.
(Sr. –: É preciso ter a axiologia em ordem.)
E também, com a axiologia quebrada é só paz de ímpio, e não é paz.
A Frãulein Matilde dizia um provérbio alemão: [“eine gute Gewissen, [ist?] das besser Ruhe Kissen”]. “Uma boa consciência é o melhor dos travesseiros”. Todos nós vamos ter travesseiros bons agora.
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