Santo
do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 10/12/1969 –
4ª-feira – p.
Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 10/12/1969 — 4ª-feira
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O gládio do cavaleiro a serviço do bem.
Hoje é a [festa] da Transladação da Santa Casa de Loreto e aniversário do Dr. Arnaldo.
Não havendo uma ficha a respeito do "Santo do Dia" hoje, foi me dado para comentar uma série de textos enviados pelo Sr. Bernardo [Glowacki] de Porto Alegre. Aqui é um texto do cerimonial usado outrora para a investidura dos cavaleiros.
“Senhor Jesus, ensinai-me a ser generoso...”
Quer dizer, no ato em que o cavaleiro recebia o sacramental da cavalaria, porque a cavalaria não era um sacramento, mas era um sacramental. Ele, para receber esse sacramental, havia toda uma longa cerimônia. Essa cerimônia, em alguns países, começava na véspera [.... ]. Como os senhores sabem, [havia] uma vigília de armas, e depois da vigília de armas, de manhã um padre ou um bispo, em geral um bispo armava [o] cavaleiro. Conferia-lhe esse sacramental para o bem da Igreja. [Que] Era lutar e empunhar as armas para as obras de misericórdia espirituais, [e] corporais, não é? Quer dizer, para a defesa da Fé e combate às heresias, como também para [a] defesa das viúvas, dos pobres, dos órfãos e tudo o mais. Para isso, ele era armado cavaleiro pela Igreja numa cerimônia que as orações pronunciadas pelo padre eram litúrgicas, ou pelo Bispo. Nessa cerimônia, o cavaleiro também fazia orações e entre essas orações estabelecidas no ritual está esta aqui que o Sr. Bernardo de Porto Alegre mandou.
“Senhor Jesus, ensinai-me a ser generoso, a servir-Vos como Vós; ensinai-[me] a dar sem contar, a combater sem pensar nos ferimentos, a trabalhar sem procurar descanso, a dar-me a Vós sem esperar outra recompensa senão de saber que faço a Vossa santa vontade. Senhor Santíssimo, Pai Todo Poderoso, Vós que permitistes na terra o uso da espada para combater a maldade dos maus e defender a justiça, que, para a proteção do povo, fizestes constituir a Ordem dos Cavaleiros, fazei com [que] dispondo meu coração ao bem, o seu coração ao bem, [ ] Vosso servo que aqui está, não faça nunca o uso de [sua] espada ou de outros para lesar alguém injustamente, que sirva sempre dela para defender a justiça e o [bem].
Esta [oração] é tirada do cerimonial de 1293 a 1295 de [Guilherme], publicado entre 1293 e 1295 por Guilherme [ilegível].
As palavras são realmente muito bonitas, e muito [ nas] porque elas são belas como prece, mas elas também contém uma doutrina. E essa doutrina contraria de tal maneira o pensamento daquilo que nós poderíamos chamar de esquerdismo católico de todos as [tintas] e estilos, desde ao mal “moderado” até ao mal [“moleirão”], que realmente merece um comentário. Comentário [ilegível] por aí.
Pedir a Deus para ensinar a ser generoso, a servir a Deus como Deus merece ser servido. [É] Uma nota característica da piedade falsa e balofa [que se] difunde hoje em dia, sob pretexto de aggiornamento e [de] coisas assim, que a pessoa não pensa no serviço de [Deus]. Ela pensa em servir-se de Deus para as suas próprias necessidades e vontades.
É uma espécie de Deus desenvolvimentista, cuja finalidade é acelerar na terra exclusivamente o progresso material. Mas a idéia de que o homem deve uma imolação a Deus, de que ele deve um sacrifício a Deus, que ele precisa, portanto, fazer sobre si um esforço ascético, mediante o qual ele, com o auxílio da graça, renuncia a coisas que deseja, faça [ilegivel] contra a sua própria vontade para oferecer esse sacrifício a Deus e porque essas ações [ilegível] é uma idéia sobre a qual se insiste cada vez menos.
Portanto, é muito oportuno lembrar que o cavaleiro aceitava de ser batalhador do bom combate, tinha em mente que ele precisa praticar uma abnegação constante, e que essa abnegação é um holocausto de si, que ele faz a Deus.
Muito bom para aplicar a nossos dias, porque nós devemos também ser os cavaleiros de Nossa Senhora. Nós devemos procurar servir a Nossa Senhora com desprendimento e abnegação. Nós devemos, por causa disso, ter bem em mente que, servindo a Nossa Senhora não é um favor que nós fazemos a Ela, mas é Ela que nos dá o favor, nos fez o favor de nos chamar ao serviço dEla e de nos dar forças para esse serviço. Ela merece ser servida como o é por nós, não é um ato de misericórdia que fazemos por Ela, uma esmola que damos a Ela; é um tributo de justiça. Esse é o pensamento que está por detrás dessa prece. Continua a prece.
“Ensinai-me a dar sem contar…”
Há pessoas que, qualquer coisinha que façam pela Igreja, pela causa católica, julgam que é um colosso que fazem. Eu já vi uma pessoa ébria de entusiasmo consigo mesma, porque tinha doado um par de vasinhos para uma igreja. Evidentemente no dom, quando nós recebemos no [ilegivel] o favor de alguém, o que nós gostamos é que esse alguém dá generosamente sem contar. Como é que nós poderíamos gostar de uma pessoa que nos dissesse: “Fulano, olhe aqui para você, um biscoitinho; é um só desse saco que eu tenho. É um só, mas é um biscoitinho. Olhe como eu sou bom, aprecie bem o biscoitinho que eu lhe dei.”
É vontade dizer: É uma pipoca. Se tem um saco cheio de biscoitos, porque agora vem essa valorização desse biscoitinho? Dê sem contar, me deixe por a mão aí dentro e me servir desses biscoitos, não é verdade?
Ora, muita gente tem a petulância de querer levar a Nossa Senhora no regime do biscoitinho. Nossa Senhora põe na nossa mão uma porção de meios de [ilegível-lA]. Nós damos assim, e ainda dizendo para Ela: “Olha lá! Eu espero retribuição. Quando eu for pedir, eu quero ser atendido. Olha o que eu estou dando!” Nós não podemos esperar o beneplácito de Nossa Senhora com um dom tão marcado pela avareza. Nós devemos ser generosos; nós devemos dar de nós mesmos. [Ter] um outro pensamento…
Bem, outro pensamento. Combater, sem pensar nos ferimentos. De momento pelo menos enquanto o [ilegivel] está relativamente aplacado ou jugulado, aplacado nunca, mas jugulado de momento, dizem que ele está [recomeçando], não sei. Mas, de momento pelo menos nós não temos ferimentos físicos a [ilegivel] mas nós temos ferimentos de ordem moral. A [ilegivel] de malevolência [ilegivel] dos outros, o vazio que se faz em torno daqueles que procuram ser verdadeiramente católicos. Nós nos devemos afirmar sem pensar nesses ferimentos morais espirituais, que às vezes dói mais do que os ferimentos físicos. Às vezes, é mais agradável a gente se pensar numa cama, atingido por um [ilegivel] do adversário, por exemplo, com uma perna esticada ou um braço. E todo mundo em volta: “O herói, como vai, passou bem a noite? Oh! Diga a ele que eu só penso nele, que minha admiração cresce por ele , de minuto a minuto.” Há muita gente que acharia isso, os senhores estão rindo, os senhores já conhecem bem a natureza humana. Uma delícia em comparação com o gelo que se faz em torno do verdadeiro católico porque ele se professa verdadeiramente católico.
Esta ferida moral supõe-se mais coragem para ser suportada, mas devemos querer suportá-la por amor a Nossa Senhora. Então pedir a Nossa Senhora a graça de combater sem pensar nos ferimentos. Se os outros acharem ruim, acharem-se [ilegivel] caçoarem, eu disse o que eu devia dizer, tomei a atitude que devia tomar, eu fui íntegro no combate que eu queria conduzir. Acabou-se. Depois, outra. A dar-me, sem esperar outra recompensa senão [a] de saber que faço a Vossa santa vontade. Isto é a imitação perfeita de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isto é fazer em tudo a vontade de Nosso Senhor, a vontade de Nossa Senhora, dando-nos por pagos por isso, porque fizemos a vontade dEle.
Os senhores imaginem um pai que tem um filho. O pai pensa com os seus botões o seguinte: “Eu, deste filho eu vou pedir um serviço árduo, mas também para animá-lo, eu vou dar a ele uma recompensa. Vou dar, por exemplo, um Volkswagen. E, antes de pedir a ele esse favor, eu vou e prometo a ele o Volkswagen.” O filho soube que o pai queria isso dele, mas não soube que o pai pretendia dar o Volkswagen. E só porque o pai queria, sem pensar no Volkswagen, o filho vai e faz o que o pai queria; só para fazer a vontade de seu pai. O pai sabe disto, [e] se ele é um homem abastado, o que [é] que ele faz? Ele dá um Volkswagen para o filho, ele compra um Galaxie, ele compra qualquer outra coisa e dá para o filho. “Você me serviu desinteressadamente, agora vem o meu dom generoso.”
Assim também é Nossa Senhora conosco. Quando nós A servimos desinteressadamente, Ela nos dá muito mais ainda do que quando [A] servimos com interesse. De maneira que, ainda que fosse por interesse, deveríamos ser desinteressados. O que é um modo de nós [ilegível] de ser interessados, mas não deve ser um modo de frustrar o nosso desinteresse. Por que não é dizer: seria desinteressadamente por interesse, mas é outra coisa. Seja desinteressado porque o interesse ainda virá depois de sobra. Isto é que está contido neste pensamento. Bem, depois continua a oração.
“Senhor Santíssimo, Pai Todo Poderoso Vós que permitistes na terra o uso da espada para combater [os soldados] dos maus a maldade dos [maus] e defender a justiça.”
Aqui está uma outra coisa muito bonita. É o uso da espada para fazer o bem. Nessa época em que nós temos pregadores da violência a favor da luta social, pregadores da violência a favor da revolução social, nós devemos nos lembrar que, se a violência a favor da Revolução é um crime, a violência a favor da ordem, a violência sobretudo a favor da Lei de Deus, quando ela é atacada pela força por inimigos, essa violência não é só um direito, essa violência é um dever.
Há um salmo que diz: “Maldito seja o homem que poupa a sua espada ao sangue.”
Por que a espada foi feita, ela é uma criatura de Deus, Deus deu ao homem a inteligência para fazer a espada e os meios para fazer a espada. O gládio foi feito para a defesa da causa de Deus, para [a] defesa da virtude, da justiça, [e] da moralidade. E o homem que tem meios de defender a causa santa, e tem a ocasião de defender pelo gládio, e não derrama o sangue no seu gládio, esse homem é maldito.
Isto tem uma aplicação para nós também. Porque nós todos temos um gládio e esse gládio é a palavra. Pela palavra nós podemos combater muito e combater muito mais do que com a espada. Maldito o homem que, tendo ocasião de ser combativo pela sua palavra, que tendo ocasião de ser intransigente com sua palavra, de por freio ao mal, - ou com sua palavra falando ou com sua pessoa - não utiliza esse meio para frear o mal. De maneira [que] a oração do cavaleiro é, neste sentido também, uma oração perfeita.
Bem… Depois, então, termina pedindo que, dessa espada, nunca faça uso de modo injusto. É claro, que Nossa Senhora não permita que nós façamos de nossa capacidade de lutar, pela palavra escrita ou falada ou de outros modos, um outro uso que não seja a execução, o cumprimento da Santíssima Vontade dEla.
Com isso o "Santo do Dia" está concluído e eu pedia ao cônego José Luiz rezar as orações.
Auditório da Santa Sabedoria