Santo
do Dia (Sala dos Alardos – Rua Pará) – 10/11/1969
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Santo do Dia (Sala dos Alardos – Rua Pará) — 10/11/1969 — 2ª-feira
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Uma vez que Sua Excelência não atendeu o meu pedido e que estamos numa época de... [ilegível] ...da Igreja, eu também não vou atender ao pedido de Sua Excelência. [Foi?] tão bom de igual para igual.. [trecho ilegível]. Assim, eu me sinto autorizado a fazer. Em puro espírito de vingança, em vez de eu comentar um fato, aliás muito bonito, eu vou comentar um outro de grande valor simbólico, mas que não foi contado pela Excelência. Assim a minha vingança é completa.
É o fato, dos inúmeros fatos com que eu fui gratificado nesses dias pelo professor... [ilegível]...Ribeiro. O mais bonito foi o que ele contou no caminho do aeroporto. E tem uma relação tão direta, tão simbólica com a Bagarre que eu não poderia deixar de contar isso agora.
Ele estava contando que existe no lugar onde ele mora, que é um lugar... [ilegível]. Se me lembrarem, daqui a pouco eu explico o que é muito apetecível e por que é muito apetecível o lugar. Me daria vontade de — se tivesse que sair do Brasil — de morar em... [ilegível] ...bem entendido.
Nesse lugar [uma?] floresta de [umas?] árvores lá, não sei, dessas árvores viscosas em forma de [cone?] — deve ser um lugar de... [ilegível] ...ou uma coisa desse gênero — e que os senhores sabem que toda madeira viscosa pega fogo com muita facilidade. E pronunciou-se um incêndio nessa floresta.
Então, o incêndio lavrou e os camponeses de lá notaram que todas as árvores pegavam fogo. Entretanto, uma se mantinha completamente incombustível.
Então, [passado?] o incêndio, um camponês intrigado com a razão do fato, chegou lá e meteu o machado na raiz da árvore.
Quando ele golpeou a árvore, a árvore se abriu em dois e dentro havia uma imagem de Nossa Senhora. E a imagem conservou-se, então, para a veneração de todos.
Nossa Senhora de... O professor... [ilegível] ...se lembra ou o... [ilegível]. [Ilegível] ... Beccar está por aqui? [Ilegível] ... lembra-se de como chamava ou não?
(Sr. [ilegível] Beccar: Não. Sei que era um nome complicadíssimo.)
Era um nome indígena. [“Tanake”?] uma coisa assim. Como diz o... [ilegível] ...um nome complicadíssimo.
Pois não, [ilegível].
(Sr. [ilegíevel] Beccar: “Tapiake”.)
“Tapiake” não é não. “Tapiake” eu teria guardado bem. É um nome muito mais complicado. “Tapiake”, enfim, é um nome que se lembra.
Bem, mas isto me pareceu uma coisa que lembrava, por muitos aspectos, o Grupo e que, de muitos aspectos, lembra a Nossa Senhora durante a Bagarre.
No aspecto do Grupo, o seguinte: no incêndio de heterodoxias que há, que vai [desabando?] dentro da Santa Igreja, todos os… [ilegível] …e todos os… [ilegível] …, tudo vai ardendo.
Um não está ardendo, graças a Deus, e se conserva verde, cheio de vida etc., no meio da desolação geral. Esse é o Grupo.
Mas se a gente abre o Grupo para ver dentro qual a razão dessa incolumidade, a gente encontra Nossa Senhora. Não tem outra razão se não o amor gratuito e — hélas — imerecido que Nossa Senhora quis nos ter.
É essa devoção a Nossa Senhora, essa devoção a Ela que ela nos deu, é essa a razão pela qual nós não estamos contaminados por esse incêndio de heresia.
Também deve ser para nós uma lembrança durante a Bagarre. Quando nós virmos todos os perigos em torno de nós e se multiplicando, nos conservarmos como essa árvore, [fresca?], cheia de seiva, de verde, em meio a todos os perigos. Porque nós levamos Nossa Senhora conosco e Ela fará com que nós fiquemos incombustíveis até o dia do Reino de Maria.
Então, nós seremos como essas árvores que resistiram a todos os incêndios e vão ser ainda árvores cheias de… [ilegível] …nas florestas futuras.
Assim eu me vinguei de Sua Excelência Reverendíssima.
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Sala dos Alardos – Rua Pará