Espírito
de Reparação Guerreira – 30/9/69 (009.068) .
Espírito de Reparação Guerreira — 30/9/1969 — 3ª feira (009.068)
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A piedade reparadora combativa, astuta e intransigente de São Luis
* Pressupostos
Aquilo que admiramos entra em nossa alma e nos transforma. Nosso Senhor, durante todo o tempo, procurou despertar admiração. É admirável ver o Evangelho sob este ângulo. Aquela gente só faltava estalar de admiração. Ainda por cima de tudo isto, quis Nosso Senhor fazer o Thabor… Para que fez Ele isto? Para obter o amor daquela gente. Para transformá-los. Porque, no fundo, o verdadeiro amor começa pela admiração. Quando parece começar pela ternura, é a ternura admirável. De onde se confirma o princípio de que pela admiração nos transformamos.
* Fato histórico
X recebeu uma graça na consideração do espírito reparador e de reparação combativa, como quintessência do espírito de São Luis. É preciso encher-se de admiração por isto, porque isto pode transformar X.
* Aplicação concreta
Este espírito de reparação-guerreira pode, de si, por um processo de exclusão, tirar os defeitos de X, porque ele é incompatível com a moleza, com o sentimentalismo, etc. Ele devora estas coisas. Ele as queima.
Para combater seus defeitos, X precisa ter este espírito. Para ter este espírito é preciso admirá-lo. Como admirá-lo? Procurar vê-lo como é em São Luis.
* A) Combatividade reparadora
Em São Luis a cruz estaria no centro da grandeza e a espada no centro da cruz.
Como explicitar isto: Não há quase nenhuma relação entre a combatividade reparadora e as combatividades que vemos por aí. Estas começam sempre a partir de um interesse pessoal. O próprio patriotismo, como afirmam muitos bons moralistas, no campo natural, é um prolongamento do amor de si. O problema não está em ter uma combatividade por si (que pode ser até um desafogo) e, portanto, não é uma verdadeira cruz. Pode trazer cruzes, o que é uma outra coisa. Mas não é em si uma cruz. Em si é uma satisfação.
O que há de cruz na combatividade reparadora de São Luis?
Não é de nenhum modo por ele mesmo que São Luis faz isto, mas exclusivamente por Aquele a quem quer repearar. De onde não entrar nenhum contentamento pessoal, no sentido baixo da palavra (sentido legítimo, mas baixo). Entra uma renúncia completa de si. O que de si é uma cruz. É sobretudo uma criz para uma alma sumamente cordial, afetiva, etc… É fazer o tempo inteiro o contrário do que é por natureza. Sendo autenticamente pela graça o que não o é pela natureza. Aqui se compreende o ponto central do sacrifício de São Luis.
* B) Intransigência de São Luis
A intransigência é o primeiro ponto da combatividade de São Luis. É assim: uma aceitação totalíssima da ortodoxia, por uma coerência que vai até às últimas conseqüências e põe o melhor de sua ênfase em rejeitar aquilo que a Revolução delcarada proclama ou nos silêncios, ou nas chicanas e nas táticas protelatórias que a semi-Contra-Revolução larvada instila.
São Luis vai em cima de cada ponto errado ou impreciso para definir, separar e provocar luta. O modo de raciocinar dele é de uma clareza já feita para tirar da trincheira o interlocutor maliciosamente sonolento, ou violentamente rejeitante. Em relação, por exemplo, ao que São Luis escreveu. Pode não se ler, mas lendo, é impossível ficar indiferente.
* C) Astúcia de São Luis
Um dos aspectos da luta é a força e um dos aspectos da combatividade é a astúcia. Em relação à astúcia, ao longo da vida de São Luis não houve retiradas estratégicas, nem silêncios, nem meias tintas que empregasse, nem rasteiras que não desse para conseguir a vitória. Bastava ver na fímbria do horizonte a possibilidade de luta para se lançar inteiro nela.
Ser combativo não é apenas ser, ora astuto como a serpente, ora forte como o leão, mas é ter olhos de águia para observar o adversário. Ver a psicologia dele, as táticas dele, os pontos fracos da situação interna dele, o conhecimento da história dele, das presentes condições dele, etc.
A Reovlução não dá uma só voltereta que não seja observada meticulosamente e atacada por São Luis. São Luis não é senão uma tocha viva contínua de reparação combatente.
* D) A combatividade na Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo
Por que razão é que na meditação da Paixão, que é a meditação reparadora por excelência, esta consideração combativa é pouco frequente? Tão pouco que daí se poderia fazer uma objeção contra esta espiritualidade. Resposta: a temática, em que as almas se põem é a seguinte: renunciar ao meu eu, amá-Lo e consolá-Lo. Foi o que foi possível fazer ao longo da Paixão. Não quer dizer que não tenha querido o combate por Ele ao longo dos séculos, que é outra questão. Nosso Senhor deixou claro que só não combatia porque não queria, como também que Ele, mais tarde, quereria que se combatesse. Não queria naquela hora, naquele episódio.
1º - Ele deu a razão pela qual não queria: remir o gênero humano.
2º - Ele disse claramente que não combatia só porque não queria, mas que, em rigor, era lícito combater.
O episódio com São Pedro. “Quantas espadas tens?”. Duas, respondeu São Pedro. “Isto só basta”. Os melhores autores medievais interpretam isto como a manifestação dos dois poderes da Igreja: o espiritual e o temporal.
* E) Em nossa época: ou a piedade-reparadora é combativa ou não é piedade
Em última análise, há épocas históricas em que é preciso não combater, em que a reparação tem mais um sentido consolador. E épocas históricas em que é preciso combater, em que, então, a consolação perde o seu sentido se não acentua sua nota combativa. O exemplo típico são as Cruzadas.
São Luis sustenta a seguinte tese: Em nossa época, salvo vias excepcionais, ou a piedade é reparadora e combativa, ou não é piedade.
* F) Posição do “Conservatório” em face da combatividade de São Luis
Isso é o que o conservatório não quer aceitar. A tal ponto, que ele só aceita as graças extraordinárias de combatividade. As outras, isto é, as graças normais de combatividade, ele as recusa. Este é o lado por onde, especialmente, as pessoas do Conservatório não aceitam São Luis. E não vai… Esta é a realidade.
Resultado: situação em que ficam de frustração, de má vontade, e um misto de admiração e reticência…
* Manifestações práticas
A problemática capa:
Os membros do Conservatório pensavam que o Grupo não tinha percebido a beleza da capa. Mas não é verdade. Na realidade eles intuiram que esta capa os punha em conflito com todos e imaginavam que o povo era mais contra a capa do que eles são.
Episódio “Morro Alto”:
Na fazenda (quando se considerava a nossa posição reticente a propósito das afirmações de São Luis sobre o processo Revolucionário, e as cristalizações que têm surgido, etc.) o normal seria o teto ter ido pelos ares. São Luis se arrepiou e disse que se arrepiava e os membros do Conservatório não se arrepiaram.
Mais ainda. Continuaram o programa normal, como se nada de extraordinário se passasse… Isto é mais ou menos como um médico que diz para o cliente: eu me arrepio diante do diagnóstico e o cliente não se arrepia… “Os melhores, nem sequer me procuraram depois…” Em conseqüência, o que a gente vê é que há da parte deles um enorme grau de obstinação, embora não seja uma recusa total.
O episódio “Comissão B”:
Já se deu isto com a “Comissão B”. Frase de São Luis na época: “Não estou atirando pérolas aos porcos, mas colocando-as em mãos de mortos, incapazes de as olhar, de as guardar ou de fazer qualquer coisa com elas”.
Procurar nos escritos, nas atitudes, nas palavras de São Luis este espírito. Verificar como é isto nele, porque daí lhe vem uma comunicação do espírito de Elias e uma admiração que corrige os defeitos de X.
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