Santo
do Dia (Sala dos Alardos) – 13/9/1969 – sábado
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Santo do Dia (Sala dos Alardos) — 13/9/1969 — sábado [SD 113]
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Trecho de São Lourenço Justiniano sobre o combate espiritual; relação entre combate físico e espiritual; empregar força e astúcia; o poder do demônio vem de sua natureza angélica; distorções na arte sacra; o princípio: a melhor defesa é o ataque; aplicação ao trabalho, às coisas desagradáveis; o preguiçoso não sabe conversar; exemplo típico da conversa de vagabundo; omissões no trabalho deterioram os nervos; Cidade de Maria, dever cumprido, consciência em ordem, repouso agradável.
* Trecho de São Lourenço Justiniano * Amável disputa * Combate físico e combate espiritual * Força e astúcia * Astúcia e força angélicas * Deformação na arte sacra *Atuação do Anjo da Guarda * Espanto dos maus quando apanham dos bons * Outro exemplo: São Miguel de Viollet-le-Duc * A melhor defesa é o ataque * Aplica-se ao trabalho o mesmo princípio * ...e também nas coisas desagradáveis * Preguiçoso tem conversa baixa de nível * Conversa do vagabundo * Quem é bom ouvinte de reunião? * O dever não cumprido deteriora os nervos * Trabalho sério: começar pelos mais difíceis * Cidade de Maria: tudo se move por amor a Ela * Mesa limpa, consciência em ordem, repouso agradável
Combates espirituais
Sua Excelência vai fazer o favor de fazer [o] Santo do Dia.
* Trecho de São Lourenço Justiniano
(D. Mayer: “Da coragem e da astúcia nos combates corporais e espirituais”. É um trecho de São Lourenço Justiniano:
É próprio às grandes almas e aos generosos combatentes de Jesus Cristo, de desejar o tempo da guerra mais que o da paz e os trabalhos mais penosos a uma perigosa ociosidade. Eles aprenderam, com efeito, que o repouso enfraquece muito as virtudes, e que a guerra as fortifica. Eles consideram também vergonhoso retirar-se quando o combate se apresenta, fugir ao choque dos atacantes; enquanto os outros enfrentam o inimigo, deixar-se vencer por uma vergonhosa pusilanimidade. Eis porque, cheios de magnanimidade, cobertos com suas armas poderosas, eles se lançam, os primeiros, ante o inimigo, e o obrigam a combater estimando mais morrer com glória e honra do que fugir covardemente. E entre esses que combatem no estádio temporal uns procuram vencer o inimigo pela força, outros pela astúcia. Seria enganar-se muito na arte da guerra usar somente um desses meios. E eu penso que essa regra do combate temporal deve ser aplicada ao combate espiritual. Aquele que quer combater e destruir os inimigos de sua salvação deve ter força e fineza de espírito; se lhe faltar um ou outra, será facilmente vencido, porque os inimigos contra os quais lutamos possuem as duas. Sobre a força do demônio diz o livro de Jô, “que nada há sobre a terra que se lhe possa comparar, porque ele foi feito para nada temer”. Por isso São Pedro o compara a um leão. Sobre sua esperteza, diz Gênesis: “…que a serpente era o mais astuto dos animais, e que seduziu Eva por sua fineza e artifício”. Vejam, então, como a coragem é necessária e como a força é indispensável. Se quiserdes combater somente com a força, sem a prudência, vosso adversário vos enganará por seus artifícios. Se empregardes só a astúcia, a força do leão vos esmagará. Buscai, pois, uma e outra. Sede forte contra os rugidos do leão, sede sutis e prudentes contra a malícia oculta da serpente. Quem não temerá sua força, se foi capaz de arrancar do Céu a terceira parte das estrelas? Quem não terá cuidado com sua esperteza que expulsou nossos pais do Paraíso? Confiai, então, em pedir o socorro desse leão saído da tribo de Judá, segundo a carne, e que venceu o leão do Inferno com sua morte e d’Ele triunfou com sua ressurreição. É Ele somente que dará a graça da força e a sagacidade da serpente, dando aos combatentes a ciência para que obtenham a vitória.
* Amável disputa
Por favor, Excelência. Aos sábados é uma exceção. Existe o hábito de que no sábado a gente passa melhor do que nos dias de semana. Assim no sábado fala o bispo e nos dias de semana o leigo.
(Dom Mayer: Mas aqui nós seguimos a tradição)
Então está melhor ainda. A tradição é que fala sempre o bispo e o leigo nunca. De maneira que o argumento vai a meu favor.
(Dom Mayer: Mas a tradição dessa casa não é essa.)
Bom, a tradição da casa é a obediência. De maneira que então eu vou falar.
* Combate físico e combate espiritual
Essa ficha de São Lourenço Justiniano evoca vários pensamentos que se cruzam e que se multiplicam. É claro que não é possível ler essa ficha sem lembrar do assunto do Santo do Dia de ontem. Os senhores vêem que São Lourenço Justiniano fala, exatamente, do perigo que existe em que a pessoa se deixe relaxar, se deixe distender pelo repouso e pelas glórias em uma tranqüilidade que venha depois do combate.
E que ele depois dá umas regras para o combatente nessa vida. Ele fala de duas espécies de combate. Em primeiro lugar, do combate físico –– e ele alude aqui aos antigos lutadores, aos gladiadores, aos homens que desciam à arena para combater aos guerreiros do tempo dele, que travavam lutas de caráter corporal, ––, de um lado; e depois, das regras que presidem o combate físico ele tira, depois, por analogia, regras que governam, que dirigem o combate espiritual, quer dizer, o combate que o homem deve travar contra os seus inimigos internos, ou seja, contra as suas paixões desordenadas e contra a ação do demônio dentro de sua própria alma.
* Força e astúcia
Bem, ele então, fala da luta que o guerreiro tem na ordem material das coisas e mostra que essa luta se faz segundo duas modalidades especiais. Em primeiro lugar é preciso que o guerreiro seja forte; em segundo lugar, que ele seja astuto. De maneira que, ora pela astúcia, ora pela força, ele saiba vencer as batalhas que ele tem diante de si. Bem, depois, ele transfere isso para o terreno espiritual e mostra que nós devemos também ser astutos e fortes contra nossos adversários espirituais.
E que por causa disso, ora devemos enfrentar o adversário com muita decisão, ora devemos saber driblar para ganharmos a nossa vitória. Bem, e ele mostra, então, que o demônio foi altamente astucioso, forte, quero dizer, quando ele com a cauda… sua cauda levou uma terça parte das estrelas do Céu para o abismo. Quer dizer, ele teve uma revolta possante e arrastou atrás de si muitos na sua revolta.
Bem, depois mostra como com Adão e Eva ele não foi, não deu uma manifestação de força, mas de astúcia. Ele preparou uma tentação toda cheia de lábia, toda cheia de artimanhas para induzir os nossos primeiros pais ao pecado. E ele mostra com isso que assim também devemos ser nós na luta. Nós devemos ser fortes e devemos ser astuciosos. E se nos faltar uma das duas qualidades, a fortaleza ou a astúcia, nós perdemos a nossa batalha na vida espiritual.
* Astúcia e força angélicas
Eu gostaria, antes de entrar em aplicações mais imediatas para nós, fazer uma reflexão para os senhores compreenderem certas coisas que rumo tomaram dentro do falseamento da espiritualidade da Igreja. O demônio é forte e astuto, não por ser ruim, mas por aquilo que ele tinha de bom, quer dizer, por sua natureza. Antes de cair ele já tinha essa força e essa astúcia.
É claro que essa astúcia tomou um caráter pecaminoso, um caráter mau, ele recorreu à mentira, ele é o pai da mentira, ele pecou em virtude dessa astúcia. Mas não é, propriamente, que sua capacidade de fazer coisas astuciosas tenha aumentado com o pecado. Pelo contrário, ele tem essa astúcia que vem de sua natureza angélica, de sua capacidade como Anjo. E essa ela conservou como demônio. Apenas lançando mão de meios ilegítimos, que ele não teria usado se ele tivesse continuado um Anjo na graça de Deus. Mas daí também se tira à conclusão de que os Anjos também são fortes e também são astuciosos. Os Anjos bons, os que estão na graça de Deus no Céu.
* Deformação na arte sacra
Ora, as coisas tomaram um tal rumo que todas as pinturas do demônio apresentam o demônio como astucioso e como forte. Habitualmente as representações do Anjo não dão a idéia nem de astucioso nem de forte. Sorridente, amável, bonachão, tratável etc., etc., dão uma idéia deformada porque dão uma idéia unilateral da natureza do Anjo.
A vontade e a afabilidade é sumamente conveniente à representação de um Anjo. Naturalmente que o Anjo é assim. O Anjo da guarda, por exemplo, que protege. O Anjo é o veículo do amor de Deus para com os homens. Ele assiste os homens, dirige, não tem dúvida. Mas não é só isso. Ele é forte também. Há um coro de Anjos chamado as Potestades que segundo São Tomás de Aquino têm a missão especial de derrubar todos os obstáculos que se erguem contra a vontade de Deus no universo. Bem, e não são os Anjos mais fortes nem os mais altos.
*Atuação do Anjo da Guarda
O Anjo, por outro lado, é sumamente sagaz. E o nosso próprio Anjo da guarda é sumamente diplomático, é sumamente psicológico. Quantas e quantas vezes ele nos dá conselhos bons, nos dá bons impulsos de alma ajustados exatamente ao nosso estado de espírito, com toda a inteligência e com toda a diplomacia que se pode imaginar num espírito de uma capacidade imensamente superior a nossa.
Ora, essas representações poucas vezes aparecem. De onde decorre que venha a idéia de que o bom é como o Anjo bom e que o mal é como o Anjo mau. Então, se se fala num homem forte ou sagaz já se pensa num homem ruim. Quando se fala num homem bom, se pensa num homem sem força nem sagacidade.
* Espanto dos maus quando apanham dos bons
O mais recente dos exemplos que os senhores têm disso é aquele recorte de Belo Horizonte, que foi lido aqui, de um colunista que contava que está havendo lutas entre rapazes da TFP e play-boys, que já houve duas lutas, e que o mais espantoso diz ele, é que os TFPs ganharam duas vezes.
Por quê? Porque é espantoso que o bom ganhe, que o bom dê uma sova, que o bom saiba passar uma rasteira, que o bom seja sagaz. Os senhores estão vendo de onde é que vem, de que raízes profundas, de que unilateralidade, legítima no começo, se originaram depois omissões e deformações que chegaram até onde nós chegamos.
Houve tempo em que era uma idéia comum que o homem deve ser sagaz e deve ser forte. Para evitar do homem abusar dessa idéia, insistiu-[se] no outro lado: ele deve ser também bom, afável, cândido, muito leal etc., etc. E para fazer um contrapeso, começaram a apresentar os anjos assim. Depois os homens começaram a amolecer e a representação dos anjos não tomou o contrapeso dos homens.
* Outro exemplo: São Miguel de Viollet-le-Duc
Então, os senhores têm no máximo, como representação recente, mais ou menos recente, de um Anjo forte, essa figura, é a figura de São Miguel Arcanjo que temos na capela, por exemplo, e que é a que está no alto do mosteiro de Saint-Michel. Foi posto no século passado. Foi inspirado por… Viollet-le-Duc, na França.
O mosteiro de Saint-Michel, os senhores olham e os senhores vêem um Anjo que está dando realmente uma surra no demônio. Mas não tem fisionomia inteligente. Quer dizer, é um lutador vulgar, mas não é uma pessoa que seja capaz de oprimir também o demônio pela sua astúcia, pelo jeito, pela superioridade de seu engenho. Bom, isso é uma ordem de idéias.
Agora, outra ordem de idéia diz respeito ao que tem uma luta a executar. Ele diz aqui uma coisa que é muito verdadeira, e para a qual eu gostaria que todos nós tivéssemos a atenção voltada. E é a seguinte:
* A melhor defesa é o ataque
Quem verdadeiramente é lutador, não espera que o inimigo venha a si. Ele se lança contra o adversário. Ele dá ofensiva para derrubar o adversário. É por essa forma que a força se manifesta. Isso é na luta propriamente dita; há um ditado comum aqui, em linguagem corriqueira, mas que diz uma grande verdade: a melhor forma de defesa é o ataque. Bem, é quando nós pegamos o inimigo desprevenido, é quando nós o pegamos no momento em que ele não desenvolveu ainda todas as suas forças, que nós podemos achatá-lo, podemos vencê-lo. Bem, isso é, portanto, verdade desse lado; isso é verdade não só para a luta, mas para os esforços que o homem tem que realizar sobre si mesmo.
* Aplica-se ao trabalho o mesmo princípio
Por exemplo, um trabalho. O melhor jeito de a gente realizar bem um trabalho é não o adiar. Quando a gente vê que um trabalho é inevitável, a gente deve fazer logo. Deve pular em cima do trabalho e fazê-lo logo. Por quê? Porque não há coisa pior do que a gente passar um dia inteiro arrastando a perspectiva de um trabalho que vai fazer à noite. Não é muito melhor a gente já fazer o trabalho de manhã? E passar o dia inteiro livre daquela assombração do trabalho à noite?
O homem que tem coragem para fazer o trabalho logo, não revela uma força para o trabalho que ele provavelmente não terá se ele for arrastando o trabalho preguiçosamente? Arrastar o trabalho com preguiça, deixar o trabalho para amanhã, para depois de amanhã, não significa uma fraqueza de alma que vai, depois de cada adiamento, tornando aquele trabalho mais difícil?
Quer dizer, nas coisas difíceis dessa vida, nós quase que deveríamos fazer um calendário assim: fazer primeiro as coisas mais desagradáveis e mais difíceis e depois as coisas mais leves e menos desagradáveis. E deixar o prazer para o fim. Porque nada é mais agradável do que o prazer depois que o dever está cumprido. Nada é mais desagradável, nada inutiliza mais o prazer, do que a idéia de que terminado aquele prazer à gente tem um dever árduo para cumprir.
De maneira que a gente, por assim dizer, deve saltar em cima do trabalho desagradável. Desde que seja necessário; ninguém é bobo de fazer trabalho desagradável e inútil. Antes de fazer uma coisa desagradável à gente deve perguntar se é necessário. Mas se é necessário, a gente deve saltar em cima e fazer o mais cedo possível. E fazê-lo o mais depressa possível, contanto que saia bem feito. Liquida aquela coisa depressa e logo.
Depois, então, a gente passa o resto do dia, ou o resto do repouso, tranqüilo.
* … e também nas coisas desagradáveis
Coisas desagradáveis também. Se alguém tem que tomar um remédio desagradável, é bobo quem deixar o remédio desagradável para o fim da refeição. Vai comendo todas as coisas agradáveis até a hora da última sobremesa, a mais deliciosa. Daí entra o copeiro com o remédio. Ele aniquila o jantar, ou o almoço. Não é muito melhor tomar o remédio desagradável antes e logo depois vem uma sopa deliciosa e a gente não pensa mais naquilo.
Também quando a gente vem à sede fazer um trabalho, a gente não deve primeiro conversar, depois, flanar no quadro de avisos para ver qual é outra noticia, quais são as noticias que chegaram. Depois, conversa mais um pouco. Depois dá um telefonema relativamente útil ou inútil. Depois conversa mais um pouco e depois vai fazer o trabalho. O trabalho envenenou, a perspectiva do trabalho envenenou tudo aquilo que a gente fez. Como? E sai uma porcaria de trabalho. Dom Mayer está dizendo que o trabalho sai mal feito. É evidente. Nessas circunstâncias é evidente que sai. Então, é melhor ao contrário. Chega à sede, trabalha. Fez o trabalho, vai conversar.
* Preguiçoso tem conversa baixa de nível
Os senhores sabem que muitas vezes há queixas de conversa baixa de nível. Os senhores prestem atenção: gente que tem conversa baixa de nível é gente preguiçosa. E o que abaixa o nível da conversa é a preguiça. É a perspectiva do dever que não foi cumprido, que não está sendo cumprido, que a pessoa antevê que não será cumprido, que dá o horror a qualquer conversa séria e sai à conversa baixa de nível. Sai porcaria. Pelo contrário: toma um homem, varonil, sobrenatural, que acaba de fazer um trabalho, de cumprir o seu dever, lhe apresenta uma conversa de nível alto, ele tem vontade. Porque como ele fez uma coisa já mais difícil, ele está pronto para a menos difícil. Mas se ele está na babugem, no derramamento, na hora de conversar ele só quer conversar besteira.
Muitas vezes — já que nós estamos no momento de confidência — muitas vezes eu vejo esse ou aquele comentar: “Ah! em tal lugar sai conversa de baixa de nível”. Eu não digo –– porque a gente, as coisas desagradáveis, a gente deve escolher as horas propícias para dizer ––, e quando nota que há uma certa graça para essa coisa desagradável entrar, sem ser muito desagradável, então a gente já diz. Então, eu já digo agora.
Muitas e muitas vezes a queixa de conversa baixa de nível, às vezes é numa roda. A gente está numa roda e está todo mundo se queixando de conversa baixa de nível. Eu não digo nada. Mas o que está no interior de minha alma é isso; eu corro os olhos e digo: vagabundo inteiro, vagabundo e meio, meio vagabundo, o nível da conversa está na razão inversa da vagabundagem. Quem é aplicado e trabalha nas coisas de apostolado, esse depois conversa bem; tem apetência de coisas sérias. Quem é vagabundo, só quer conversar asneira, é claro! Não tem por onde escapar.
* Conversa do vagabundo
Vai perguntar para um vagabundo qual é a conversa dele. Primeiro: vagabundo gosta de conversar sobre si mesmo. Conversa onde ele está no centro, porque o centro da vagabundagem é ele. É claro. O centro da vagabundagem de todo vagabundo é o próprio vagabundo. É claro. Então, ele gosta de conversar sobre si mesmo. Agora, quando se encontram cinco vagabundos, como nenhum quer conversar sobre os outros –– isso é evidente –– eles encontram um terreno comum. Qual é o terreno comum?
É a flanação, onde todos vagabundeiam juntos. Então, pergunta para um o que há de novo, e um conta, o que aconteceu com ele.
–– Que é que há de novo?
–– Ah! eu estava hoje no automóvel e passou um automóvel e desembreou.
Vem aquelas eternas narrações do automóvel que “embrecou” e não “embrecou” Uma coisa de chorar. O automóvel brecou, eu também fiz, “distercei”, passei para a terceira, não sei que [é] que eu fiz. O outro fez não sei o quê etc., etc.
Antes da narração terminar já tem outro vagabundo que tem um caso igual para contar. É claro. E naturalmente, da vagabundagem para a mentira o limite é muito indeciso. Passa pela zona fluida do exagero e chega rapidamente na zona da mentira. Então, conta uma coisa “mega” para achatar aquele. É uma “desembreagem”, ou “desembrecagem”, não sei, não entendo essas coisas, enfim são coisas as quais eu presto uma alta homenagem, eu nunca me interessei por elas… Bom, enfim, freou, e o outro gritou… Bom quatro ou cinco “megalices”, no fim está morta a conversa. É claro!
Vagabundos que só se interessam por conversar, entram num sistema de emulação, de contar vagabundagens, sai conversa baixa de nível. O jeito para corrigir, se quiserem um conselho sincero e afetuoso é parar de conversar e trabalhar; algo de sobrenatural, não é tratar de ganhar dinheiro, mas é algo por amor a Nossa Senhora. Então, eu lhes garanto que depois de um dia inteiro de trabalho sai uma conversa de caráter superior.
* Quem é bom ouvinte de reunião?
Também reunião. Os senhores prestem atenção. É bom ouvinte de reunião quem durante o dia trabalhou pela salvação das almas. Se durante o dia não trabalhou pela salvação das almas, ou não rezou pela salvação das almas, pela Causa Católica etc., à noite não é bom ouvinte de reunião. Os senhores sabem qual é o resultado? A recíproca é verdadeira. Quando o indivíduo à noite não está ouvindo bem a reunião, embora possa o expositor ser cacete… quando à noite não está ouvindo bem a reunião, a gente vai ver porque é, durante o dia vagabundice.
* O dever não cumprido deteriora os nervos
Bem, donde é que vem isso? Falta de se jogar em cima do trabalho. Trabalho, meus caros, é como dívida: rende juros. À medida que a gente adie o trabalho, ele vai ficando mais pesado. Isso é liquido. E o trabalho feito com atraso é o mais difícil de todos os trabalhos. O pior de tudo é montoeira de “zuppis” na mesa. O sujeito fica com vontade de fugir dos “zuppis”, fugir da mesa, fugir do trabalho. Então diz: “O que é que tem? Estou nervoso”. Eu às vezes tenho vontade de dizer: “Está nervoso… Eu sei. Quanto por cento desse seu nervoso é coisa que você devia ter feito e não fez. Por quê?”.
* Trabalho sério: começar pelos mais difíceis
Porque não há coisa que deteriore mais os nervos, do que a idéia do dever não cumprido e do trabalho não feito. Então, a gente deve pular em cima. A verdadeira agenda dos trabalhos é assim: na ordem inversa do agradável. Então, a regra áurea é: trabalhar antes de descansar; na ordem dos trabalhos, tanto quanto a natureza das coisas permita, fazer os trabalhos na ordem inversa do desagradável.
De maneira que se fosse possível à gente tendo cinco pessoas para atender, se fosse possível, era melhor começar pelas que vão dar mais trabalho e acabar pelas que dão menos trabalho. E não deixar, por exemplo, o mais trabalhoso para o fim, porque a gente vai atender com uma preguiça enorme e atende a quinta parte do atendimento que devia dar.
* Cidade de Maria: tudo se move por amor a Ela
Isso é a norma que São Lourenço Justiniano representa aqui. Em Cápua, os senhores sabem bem, se faziam às coisas de um modo diferente. E o resultado político de Cápua nós vimos ontem à noite. Nós hoje temos a “anti-Cápua”. É exatamente a cidade de Nossa Senhora, onde tudo se move por amor a Ela, não se move por amor ao homem e onde todo mundo é sequioso de sacrifício, é sequioso da cruz, é sequioso da luta.
Então, aqui está o meu conselho: terminem o melhor possível e o mais rapidamente possível as coisas desagradáveis e inevitáveis, pulem em cima delas, dêem graças a Nossa Senhora na hora que lhes pede sacrifícios, peçam o auxilio a Ela para cumprir esse sacrifício, e toque a vida para diante. É por essa forma que a gente, ao mesmo tempo, é forte e é astuto. Porque é uma verdadeira astúcia do demônio é nos convencer de adiar os trabalhos. A verdadeira astúcia angélica é de nos convencer de antecipá-los.
* Mesa limpa, consciência em ordem, repouso agradável
Bem, muita gente faz isso com serviço. Os serviços velhos a gente não faz. Os novos a gente deixa ficar velhos. Assim não se chega ao Céu. A gente deve fazer o contrário: ter em dia os serviços novos e velhos, mesa limpa, consciência em ordem, repouso então agradável, plenamente distensivo, satisfatório. É assim que se deve fazer.
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Sala dos Alardos