Santo do Dia (Sala dos Alardos) – 21/8/1969 – 5ª-feira – p. 4 de 4

Santo do Dia (Sala dos Alardos) — 21/8/1969 — 5ª-feira

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Santa Joana Francisca de Chantal.



Dia 21 de Agosto é festa de Santa Joana Francisca Frémyot de Chantal, viúva. O Martirológio Romano faz dela o seguinte elogio:

Ela se distinguiu pela nobreza de família, pela santidade de vida, que conservou em quatro estados diferentes, e pelo dom do milagre. Fundou, com São Francisco de Sales, a Ordem da Visitação.”

Sua relíquia se venera em nossa capela. Século XVII.

Hoje é o último dia da novena do Imaculado Coração de Maria e vigília da festa de Nossa Senhora do Imaculado Coração.

A respeito do Coração de Maria, podemos comentar hoje um trecho de São Luiz Grignion de Montfort. São Luiz de Montfort diz o seguinte. [Diz] que a devoção a Nossa Senhora consiste:

É interessante que, por essas palavras, ele descrevia bem a devoção de Nossa Senhora para com Deus, e depois como deve ser, “mutatis mutandis”, a nossa devoção a Nossa Senhora, que é o canal necessário nosso junto a Deus.

Como era a atitude de Nossa Senhora perante o seu Divino Filho?

Era exatamente e, antes de tudo, uma grande estima, uma grande consideração das grandezas dEle. Apesar de Nossa Senhora ser Mãe de Deus, apesar de Ela ter, portanto, em relação a Seu Divino Filho, aquele título de superioridade especial que a mãe tem sobre o filho, apesar disso, ninguém, nenhuma criatura, nem mesmo entre os anjos, conheceu tão bem a grandeza de Deus e, portanto, a grandeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, do que Ela; nenhum intelecto criado pode sondar tão profundamente essa grandeza e, portanto, também, nenhum soube admirá-lo tão completamente.

Ora, como dizíamos ontem à noite aqui, a porta da alma de um homem, é a sua admiração. Aquilo que o homem admira, isso penetra dentro dele. Assim, Nossa Senhora conhecendo perfeitamente, tanto quanto está numa mera criatura, a grandeza de Deus, nunca a grandeza de Deus habitou tanto numa mera criatura quanto em Nossa Senhora. Resultado, - agora eu transponho o caso - nunca haverá uma criatura que mereça tanto a nossa admiração quanto Nossa Senhora, porque [é] Aquela em quem a grandeza de Deus habita como em ninguém; Aquela é a criatura que, mais do que todos, devemos admirar, porque Ela é maior do que ninguém, porque ela é exatamente o espelho da grandeza de Deus.

Habitualmente se apresenta Nossa Senhora sorrindo, afável, misericordiosa. Eu não conheço coisa melhor do que essa apresentação. Mas, quando eu penso no Céu, eu gosto de pensar também que, ao lado de conhecer o sorriso de Nossa Senhora, e no mesmo momento em que vamos conhecer o sorriso de Nossa Senhora, nós vamos conhecer a grandeza dEla, a majestade dEla. Nossa Senhora tem uma majestade incomparável, absolutamente harmônica com sua bondade, mas é uma majestade tal que qualquer coisa criada, em comparação com Ela, não é nada.

Os senhores tomem a majestade do sol, os senhores tomem a majestade de uma grande queda d’água, a majestade do oceano, a majestade do maior dos reis, do maior dos sábios, qualquer forma de majestade não é nada em comparação da majestade de Nossa Senhora.

Para compreenderem um pouco isto, pensem na majestade de Nosso Senhor Jesus Cristo. A majestade de Nosso Senhor Jesus Cristo é tal que não é dizer que não se compara com nada; é que a idéia de uma comparação não pode vir. Qualquer coisa que se queira comparar com Ele, não tem comparação; a idéia nem pode vir à mente, de uma comparação com Ele [e] assim é [com] Nossa Senhora, conservadas as devidas proporções. É uma majestade régia, única, superior, na qual se fundem todas as formas de majestade. E, admirarmos no céu essas formas de majestade, eternamente, vai ser uma alegria enorme.

Por que alegria?

O mundo perdeu o sentido da alienação, perdeu o sentido da admiração, perdeu essa alegria que há em ser menor e em admirar. Fala-se tanto entre nós, e tão adequadamente, de infância espiritual. Um dos traços característicos da infância espiritual é a alegria que a gente tem em ser menor do que outrem e admirar a outrem. É a alegria de sermos menores do que Nossa Senhora e nos perdermos de admiração nEla como Ela em relação a Deus. Ela está inundada da alegria de ser infinitamente menor do que Deus e Ela se perde nessa alegria, na alegria de ser pequena, de ser menor, e de se entusiasmar com o maior que há. Que imensa alegria, que fonte de alegria isso é para nós!

Como é triste, sombria, pesadona, ácida, isolada, a alma que não tem essa alegria, e que só tem alegria em fazer-se admirar, em fazer-se olhar pelos outros, em impor-se aos outros. A alma de um mega… Pode haver coisa mais tristonha do que a alma de um mega? É o contrário da alma do indivíduo que gosta que haja maiores do que ele, que se alegra nisso e que faz disso mesmo seu encanto e sua satisfação. Isso nos ensina Nossa Senhora, com a alegria que Ela tem da grandeza de Deus.

De outro lado, diz que devemos ter, em relação a Nossa Senhora, um grande agradecimento pelos benefícios que Ela nos dá.

Nossa Senhora foi, por excelência, uma chama viva de agradecimento. Nunca ninguém foi tão grato, quanto Nossa Senhora em relação a Deus. A única coisa que Ela compôs foi um hino de agradecimento: foi o Magnificat. E como é que Ela agradeceu? Ela agradeceu com um hino, que é metódico e claro como um silogismo, mas que começa [com] o agradecimento, exatamente pela alegria de considerar Deus maior do que Ela. Magnificat anima mea Dominum: “Minha alma engrandece o Senhor.” O agradecimento dEla é engrandecer a Deus.

Se compreendêssemos, também, esse reconhecimento que devemos ter para com a grandeza, e como o reconhecimento da grandeza entra dentro da forma de nosso agradecimento… Quando alguém nos dá um beneficio… Vamos dizer, por exemplo, um pobre que recebe um pão. O pobre, que recebe o pão, deve agradecer o pão. Mas é só isso que ele deve elogiar? Deve só elogiar o pão que recebeu, ou ele deve elogiar o espírito esmoler de quem lhe deu o pão? E aquela caridade de alma não vale mais do que o próprio pão que recebeu? O sorriso, que acompanha o pão, não vale mais do que o pão? O que deveria dizer uma pessoa que, com espírito reconhecido, recebesse um pão? Deveria dizer: “Minha alma vos engrandece, minha alma louva vossa bondade, a vossa generosidade. Louva, eventualmente, como superior à minha.” O louvar, o engrandecer é exatamente uma das notas intrínsecas ao reconhecimento, que tão poucas pessoas admitem e entendem.

Como devemos ser assim com Nossa Senhora. Reconhecer os benefícios que Nossa Senhora dá, sabendo louvá-lA, sabendo engrandecê-lA, conhecendo exatamente as imensas, as incomensuráveis grandezas dEla.

Além disso, São Luiz Grignion diz que devemos ter um grande zelo pela glória de Nossa Senhora. Nossa Senhora tinha um zelo tal pela glória de Deus, que Deus pediu o consentimento dEla para a Paixão de Seu Filho; se Ela dissesse não, Nosso Senhor Jesus Cristo não sofreria a Paixão que sofreu. Ela, para que a humanidade fosse salva e assim a glória de Deus se firmasse, Ela disse sim. Os senhores podem imaginar o que isso representa? Qual é o alcance desse sim? O zelo pela glória de Deus que entra nesse sim? Ainda que eu tenha que perder tudo, mas absolutamente tudo quanto eu quero, tudo aquilo de que gosto, desde que a glória de Deus prevaleça, eu dou isso por bem empregado. Ainda que eu tenha que sofrer o maior sofrimento que houve na História, se é para a glória de Deus, dou isso por bem empregado. Os senhores querem uma coisa mais sublime do que isso?

Assim nós devemos ser com Nossa Senhora. Nós devemos querer que a glória dEla paire acima de todas as coisas. Como é que devemos querer que a glória de Nossa Senhora paire acima de todas as coisas?

Em primeiro lugar, dentro de nós. O modo que temos de fazer com que a glória de Nossa Senhora paire em nós é, antes de tudo, sermos varões de Fé, filhos da Igreja, como Nossa Senhora foi a mulher cheia de Fé; a plenitude de Fé foi Nossa Senhora que teve.

Segundo lugar: a pureza. Que glória dá a Nossa Senhora a alma de um homem casto, a alma de uma virgem casta! Que glória dá a Nossa Senhora! É uma glória rutilante! É a glória da vitória do espírito sobre a matéria, a glória da vitória do sobrenatural sobre o natural, a glória da ordem posta no mais íntimo do homem! Como nós devemos ser zelosos disso.

Por outro lado, o Grupo. Amar o Grupo, e desejar a glória do Grupo é desejar a glória de Nossa Senhora, porque a glória de Nossa Senhora é a vitória dos que a amam sobre os que não A amam. Ora, o que é o Grupo senão um ato de amor contínuo a Nossa Senhora? O Grupo não é outra coisa, senão isso. Se se tirasse de dentro do grupo a devoção a Nossa Senhora, ele não ficava valendo nada. E como aquilo que não vale nada, nunca fica vazio, mas se enche de horror, assim também o Grupo se tornaria um horror. Quer dizer, o que possamos ter de glória é apenas a glória de Nossa Senhora. Tudo quanto não for glória de Nossa Senhora, para nós é vergonha.

Depois, diz que a alma verdadeiramente fiel invoca Nossa Senhora continuamente. Isso é um propósito que recomendo aos senhores, como fruto dessa vigília da festa do Imaculado Coração de Maria. Invocar Nossa Senhora em todos os momentos do dia, para as menores coisas. Mesmo para as coisas que a gente sabe melhor fazer, que a gente está mais habituado a fazer. Pedir a Nossa Senhora que nos ajude, porque ainda ficará mais bem feito. Ela porá dentro disso um fermento de graça que nós seriamos incapazes de pôr. As coisas mais difíceis, as coisas impossíveis, que nós julgamos que nunca saberemos fazer, pedir o auxílio de Nossa Senhora e Nossa Senhora nos dará isso. É evidente! É por essa forma que devemos continuamente pedir o auxílio de Nossa Senhora, como Ela pede continuamente para todos os homens o auxílio de Deus.

Uma total dependência da autoridade de Nossa Senhora. O que significa isso?

Fazer exclusivamente a vontade dEla. Fazer a vontade dEla, o que é? Ter o espírito da Igreja, cumprir os Mandamentos de Deus, ter o espírito do Grupo, obedecer às autoridades competentes do Grupo. Isso é que é. Isso é [o] que devemos pedir a Nossa Senhora, na festa de seu Imaculado Coração.

Por fim, passo muito rapidamente sobre a última recomendação de São Luiz Grignion. Uma firme e terna confiança em Sua bondade.

Eu gosto muito dos dois adjetivos. Não basta ser terna, é preciso ser firme. Não basta ser firme, mas é preciso ser terna. É uma confiança cheia de afeto, como quem sabe quanto Ela nos quer, portanto, em que o querê-lA bem vem misturado com a confiança. Quando a gente quer muito bem a alguém, a gente não duvida que esse alguém queira nos fazer um bem. Sobretudo, quando sabemos quanto bem essa pessoa nos quer. Assim também Nossa Senhora. É uma confiança no afeto dEla. É essa confiança que devemos ter. Então, devemos pedir a Nossa Senhora, que a ternura dEla é tão grande que seja para nós a fonte da firmeza da nossa confiança.

Uma confiança que nada pode abalar: confiança nas dificuldades da vida espiritual, [confiança] de que as muralhas ruirão, os caminhos se endireitarão, o inverossímil se realizará e que, por misericórdia dEla, cada um de nós será o santo que Ela quer que sejamos. Confiança quanto à realização de nossa vocação dentro do Grupo: cada um de nós tem um lugar dentro do Grupo, um lugar definido, especial e único. Nós devemos ter confiança em que Nossa Senhora fará realizar nossa missão dentro do Grupo. Confiança também em que o Grupo realizará sua missão de acordo com os desígnios de Nossa Senhora.

Ad Regnum Mariae.

Sala dos Alardos