Santo
do Dia (Sala dos Alardos) – 20/8/1969 – 4ª-feira –
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Santo do Dia (Sala dos Alardos) — 20/8/1969 — 4ª-feira
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Santo do Dia
Nossa Senhora da Pena, Nossa Senhora de Fátima (no Rio) e São Bernardo, abade
... Isso posto, é muito interessante uma fotografia que o Senhor Romeu Meireles me trouxe de uma imagem de Nossa Senhora, que se venera em Jacarepaguá, no estado, — na Guanabara — que eu creio que é um subúrbio da cidade do rio, mas não tenho muito certeza — numa igreja que se chama Nossa Senhora da Pena. Eu sempre ouvi falar nessa igreja, mas pensei que fosse Nossa Senhora da Penha, mas é Nossa Senhora da Pena. E é Nossa Senhora enquanto escritora. Uma linda imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus no braço, coroada de rainha, com o Meninos Jesus de rei também e ela com uma pena na mão, como escritora. É um invocação muito bonita, porque só se pode interpretar enquanto Nossa Senhora modelando, ou patrocinando aqueles que escrevem. Valeria a pena, depois, aqueles que tiverem curiosidade, ver a imagem; que além do mais, do ponto de vista artístico, é naturalmente barroca. Não tem o esplendido recolhimento das imagens medievais. Ms dentro do barroco, é uma imagem bonita, a qual não falta certa grandeza até. Então, ela tem na mão direita a pena, para escrever, e na mão esquerda ela segura o Menino Jesus e a cruz, que é o símbolo da fé. É a Nossa Senhora que modela, que inspira o escritor católico...
Depois, outra coisa também que é muito bonita, é uma fotografia, que eu creio que os senhores já viram também daquela imagem de Nossa Senhora no Rio de Janeiro, que verteu lágrimas há algum tempo atrás, Nossa Senhora de Fátima. E que está completamente “zupada” pela opinião pública e por todo o mundo. Eu conto, na próxima vez que eu tenho que ir a ao Rio de Janeiro, ir visitar essa imagem.
Bem, nós temos hoje, amanhã amanha — hoje é dia 19 ou 20? 20? Então, hoje festa de São Bernardo, abade, confessor e Doutor da Igreja. Ele foi o Doutor da devoção mariana. É o grande São Bernardo da Cruzada, o São Bernardo autor do Memorare e de outras orações célebre. Conselheiro de papas e príncipes, eliminou a cisma de Anacleto II e lutou contra os hereges. Pregou a Segunda Cruzada. Século XII. Nós estamos hoje no penúltimo dia da novena do Imaculado Coração de Maria, razão pela qual devemos rezar hoje, ao encerrar, a Ladainha do Imaculado Coração de Maria.
O documento que nós temos hoje é um trecho de São Bernardo, tirado da Regra dos Templários. Os senhores sabem que os Templários foram, tiraram sai Regra feita por São Bernardo, não é? Então, nós vamos analisar o juramento dos cavaleiros Templários, que foi escrito sob a inspiração de São Bernardo. Era o juramento pelo qual eles se engajavam na ordem do Templo, como membros.
“juro que defenderei, por minhas palavras, minhas armas, por todos os meios que me forem possíveis e com a perda mesmo de minha vida, os mistérios da fé, os Sete Sacramentos, os quatorze artigos da fé, o Símbolo dos apóstolos e do Santo Atanásio, o Antigo e o Novo Testamento com as explicações dos santos Padres recebidas pela Igreja, a unidade da natureza divina e a Trindade das Pessoas em Deus, a virgindade da Virgem Maria, antes, após e durante o parto. Além disso, prometo obediência ao Grão-Mestre da Ordem e submissão, segundo os estatutos do nosso bem-aventurado bem-aventurado pai Bernardo. Irei combater além mar, todas as vezes que for necessário. Não fugirei jamais ante três infiéis, mesmo quando estiver só. Observarei uma castidade perpétua.” Eu acho que deve ser ante os infiéis; três, creio um erro de datilografia. “Assistirei por minhas palavras, minhas armas e minhas ações, as pessoas religiosas, principalmente os abades e religiosos da Ordem de Cister, como sendo nossos irmãos e nossos amigos particulares, com os quais temos uma associação perpétua. Em testemunho do que juro voluntariamente que guardarei todos esses compromissos. Assim, que Deus seja meu auxílio e seu santo Evangelho.”
Os Senhores vêem aqui vários traços bonitos. Em primeiro lugar, a dedicação à fé Católica o juramento de morrer morrer como mártir. Quer dizer, se ele for, se exigir dele, do cruzado, do Templário, que ele renuncie, que ele negue a qualquer coisa dessas, a qualquer verdade de fé dessas, ele jura que ele não negará.
Além disso, os senhores estão vendo os votos religiosos. Ele promete obediencia ao grão-mestre, como todo religioso promete ao seu superior. É a mim oração da vida pela entrega da vontade própria. Pelo ato de obediência, o homem perde, ou pelo voto de obediencia, o homem renuncia ao governo de si mesmo. É outro que manda nele e ele deixa de ser dono de si próprio. E com isso ele dá uma das coisas mais inteiro interiores e mais altas que um homem pode dar, que é a sua própria vontade. Por outro lado, ele, e é bonito nós vermos isso, essa docilidade de vontade num guerreiro. A gente diria, à primeira vista, que o voto de obediência tira ao homem algo de sua varonilidade, tira-lhe algo de sua integridade de pessoa, uma vez que ele consente em ficar completamente sob a obediencia de outro homem. Mas a realidade não é essa. O voto de obediencia é um voto pelo qual o homem, no fundo, se torna mais livre, porque ele se põe nas mãos de um superior que o guia para a virtude, e guiando para a virtude ele é livre, porque a liberdade do homem não consiste em fazer o mal ou bem; a liberdade do homem consiste em fazer o bem. O fazer o mal não é liberdade; é uma escravização do homem ao pecado, ao demônio e á Carne. E o voto de obediencia, por assim dizer, tranca o homem nal liberdade, tira-lhe a possibilidade dessa falta liberdade, dessa escravização, que é a faculdade de escolher entre o bem o mal. Bem, e por isso fica bem a um guerreiro. O guerreiro que é varonil, por exemplo, ou melhor, que é varonil por excelência, que é o homem independente por excelência manifesta assim sua independente por excelência manifesta assim sua independência em relação ao verdadeiro inimigo seu, que é o pecado, que são os tentações desse mundo.
Bem, os senhores vêem, alem disso, que eles fazem um voto muito bonito, que é não fugir ante os infiéis, mesmo quando estiverem sós. Os senhores, para compreenderem bem o que isso significa, tem que imaginar o seguinte. Vai um cavaleiro andando, um Templário ele encontra numa volta de caminho 5 infiéis que vem vindo longe. Ele se fugir, salva a vida; mas os outros já o viram, e perceberão um Templário fugindo. Pode ser que os outros o peguem. Se o pegarem fugindo ele vai para o inferno, porque violou voto. Não sei se os senhores percebem como isso amarra o homem para a coragem. Porque o próprio medo do inferno o atarraxa na coragem. E ele então fica livre da sua própria covardia, porque o voto dele lhe garantia essa liberdade. E ele então, soberano e sereno, par não ir para o inferno, enfrenta o adversário. É lindo! É linda essa situação.
Bem, depois: observarei uma castidade perpétua. É pobreza, castidade e obediencia, não é? São os votos de todo religioso. “Assistirei por minhas palavras, minhas armas e minhas ações as pessoas religiosas”. É a obrigação de defender a Igreja; “especialmente os abades e religiosos da Ordem de Cister”, de que era São Bernardo, “como sendo nossos irmãos e nossos amigos particulares, com os quais temos uma associação perpétua”. Esse dado para mim é novo. Eu não sabia que a ordem dos Templários fosse uma espécie de ordem Terceira da Ordem de Cister, o que faz refulgir tanto os Templários quanto Cister, com uma beleza nova aos meus olhos. Que coisa linda uma ordem contemplativa que tem como Ordem Terceira guerreiros. Esse extremo oposto: a guerra e a contemplação. Que coisa linda uma ordem de guerreiros que tem como tintura mãe uma ordem contemplativa! Como a contemplação fica linda vista em função da guerra! Como a guerra fica linda vista em função da contemplação! Como se completam esplendidamente essas duas coisas! Em outra palavras: como é linda a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana! Tão linda que nenhuma progressismo conseguirá jamais desfigurá-la. Essas rugas e essas máculas que o progressismo tenta fazer ou impinge na faze sagrada da Igreja, são transitórias e a Igreja mostrará que as rejeita com horror. Quando vier o Reino de Maria, eu tenho certeza que a primeira coisa que se fará é um grande concílio. E nesse concílio a Igreja mostrará que não veio do espírito dela nenhum desses horrores a que nós estamos presenciando.
Um pouco disso os senhores vêem nas repercussões de nossa campanha; onde os senhores vêem as pessoas que tem verdadeiramente espírito católico, um pouco por toda parte, se enlevando e reconhecendo em nós os verdadeiros filhos de Maria.
Sala dos Alardos