Santo do Dia (Sala dos Alardos) – 19/8/1969 – 3ª-feira – p. 3 de 3

Santo do Dia (Sala dos Alardos) — 19/8/1969 — 3ª-feira

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São Goberto, conde e monge

O santo para amanhã é o beato Gorberto, conde e monge. Quer me fazer o favor de fechar essa porta, sim?

Gerberto era filho de Godofredo — aliás, é Goberto — era filho de Godofredo, conde de... [falta palavra] ...na Lorena, e de Elisabetha de Dampierre. Recebeu, com seu irmão, uma excelente educação. Os dois meninos foram fortes, belos e de maneiras cheias de dignidade. Orgulhoso dos filhos, Godofredo, primeiro observando seu gostos encaminhou um para o sacerdócio e Goberto para a carreira das armas. Este último realizou feitos notáveis, mas nunca deixou de temer e a mar a Deus e honrar a Virgem Maria, sua grande devoção. Perfilou-se sob o estandarte do rei da França para atacar os albigenses que queriam propaga a sua doutrina imunda. Assinalou-se, então, em muitos combates. Depois quis agradecer a Deus e não encontrou maneira melhor para isso do que fazer-se Cruzado. Dirigiu-se à Palestina na expedição de Frederico II. Entretanto, ao aproximar-se de Constantinopla, descobriu o conde que o imperador estava excomungando e que pretendia expulsar os cavaleiros Templários da cidade e dominá-la. Indignado, Goberto abandonou o monarca e seguido de numerosos soldados, dirigiu-se à cidade. Os Templários e os habitantes, que já o conheciam, receberam-nos como a um enviado do céu. Organizou-se a defesa e quando Frederico II viu flutuando no alto das muralhas a bandeira do conde de... [falta palavra] ...compreendeu que nada mais deveria tentar. E afastou-se para outra região. Cumprida a sua missão, o beato dirigiu-se aos Lugares Santos para venerá-los. Mas não quis ficar mais tempo na Palestina onde Frederico II se unira aos muçulmanos. Voltou para seu país; e aí chegando seus súditos vieram pedir-lhe que lutasse contra o conde de [Bas?] que os [exploitava?]. Ele o venceu o ainda salvou a cidade de Metz, que o mesmo conde havia sitiado. Mas algum tempo depois quis o conde, cansado dos ruídos do mundo, retirar-se para um mosteiro. Fez-se cisterciense no Brabante e foi tão santo religioso quanto fora grande soldado. O guerreiro e o monge verdadeiramente haviam combatido todos os bons combates do senhor, quando Deus chamou seu generoso servidor à recompensa eterna, no dia 20 de agosto de 1263.

Como é bem verdade, nós temos nesse beato Roberto, Goberto, um exemplo magnífico para nós, porque ele soube fazer a vontade de Deus durante toda a sua existência, como verdadeiro servo do senhor; ele, por outro lado, foi um guerreiro e terminou como monge. Para nós compreendermos bem a vida dele de guerreiro, nós temos várias considerações a tomar. Em primeiro lugar, o seu nascimento. Ele era da Lorena, que era um feudo que era o último vestígio do antigo reino de otário, que era um dos filhos de Carlos Magno. Desse reino de Lotário veio a Lotaríngea, ou Lorena, e uma série de pequenos estados-tampão entre a França e a Alemanha. Os limites da França com a Alemanha não eram limites definidos como hoje. Mas havia uma porção de pequenos estados que dependiam, sob certos aspectos do rei da França e, sob certos aspectos, do imperador do Sacro Império Romano Alemão. E desses pequenos estado-tampão, destinados a evitar, a amortecer o choque entre as duas potências, a Alemanha e a França, os senhores tem então desses, como o mais importante, a Lorena. A Lorena era uma terra de cultura, uma terra de educação, de ilustração, celebre pelos grandes santos que tinha fornecido à Igreja e que ainda forneceria de futuro. E era uma espécie de síntese do espírito francês e do espírito alemão. Era um dos pontos mais seletos da Europa. Foi na Lorena que a Providência quis que nascesse esse santo. O pai dele destinou um ao estado eclesiástico e o outro, Goberto, a guerreiro. Goberto lançando-se como guerreiro envolveu-se imediatamente nas grandes questões políticas-religiosas do tempo. Como questão política aqui ele teve, em primeiro lugar, ou melhor, como questão política, a que eles teve que enfrentar em primeiro lugar foi a cruzada dos albigenses. Os albigenses eram hereges gnósticos e maniqueus. Eles tinham, portanto, uma doutrina dualista, eles transmitiam dois deuses iguais — um deus bom e um deus mau, que se combatiam — mas eles consideravam que o deus bom é o demônio e o deus mal é o Deus verdadeiro, e eram então idólatras do demônio, com uma doutrina a mais imoral que se possa imaginar, e oculta. Essa doutrina se tinha espalhado largamente pelo sul da França e era combatida pelos elementos mais sadios da França, entre os quais o famoso conde Simão de Montfort, que seria uma das mais altas figuras da cavalaria medieval. O rei da França tendo decretado, com o apoio da Santa Sé uma Cruzada contra as albigenses, esse homem que era — guerreiros para defender a Igreja em todos os campos de batalha, colocou sua espada à disposição do rei da França e lutou vitoriosamente contra os albigenses. De fato os albigenses foram destruídos. Na França, no sul da França restam ainda corpúsculos de albigenses, ainda gotinhas. Porque há uma característica curiosa — para nós da América — característica curiosa da Europa, que essas coisas custam para morrer. Há umas gotinhas de albigenses ainda, que se a França tivesse um governo ultramontano, seriam enxutas imediatamente e com o maior vigor. Depois disso ele viu que ele deveria participar da Cruzada. E com aquele espírito um tanto desprevenido do cavaleiro medieval, ele se alistou na Cruzadas promovida pelo imperador Frederico II. Agora, acontece que Frederico II um homem péssimo, era um traído da civilização cristã. E estava excomungado. Mas foi só…chegar a Constantinopla que Goberto soube, que o beato Goberto soube que o imperador estava excomungado. E depois ele soube também que o imperador queria perder os Templários que eram, naquele tempo, muito bons. Era uma ordem religiosa de guerreiros e monges, muito bons. Então, ele rompeu com o imperador e organizou a defesa da cidade contra o imperador. Ele derrotou o imperador, quer dizer, a imperadora não pode tomara a cidade de Constantinopla, que era uma das maiores cidades, ou talvez a maior cidade do mundo mediterrâneo naquele tempo e então ele depois foi para Jerusalém. Em Jerusalém ele venerou os lugares santos, mas não quis ficar lá. Porque ele não era um grande senhor feudal. Ele era um senhor feudal médio. E ele não tinha as tropas necessárias para lutar eficazmente conta o conluio asqueroso que o imperador tinha feito com os muçulmanos. Então, ele retirou-se cheio de indignação, dos Lugares Santos, e foi para a Europa. Na Europa ele ainda travou batalhas importantes na Lorena para defender populações de uma cidade que estava sendo, a cidade de [Bas?], que era uma cidade importante na Lorena, que estava sendo opressa por centos senhores feudais lá. Ele defendeu. Travou ainda outras lutas e defendeu a cidade de Metz e depois então ele terminou os seus dias no claustro. Aí os senhores têm um homem que foi toda a vida guerreiro, mas teve uma alma de monge, e no fim de sua vida viveu como monge…

A R M

Isso posto é muito interessante uma fotografia que o senhor Romeu Meireles me trouxe de uma imagem de Nossa Senhora que se venera em Jacarépaguá, no estado, na Guanabara — que eu creio que é um subúrbio da cidade — do Rio, mas não tenho muito certeza — numa igreja que se chama Nossa Senhora da Pena. Eu sempre ouvi falar nessa igreja, mas pensei que fosse Nossa Senhora da Penha, mas é Nossa Senhora da Pena. E á Nossa Senhora enquanto escritora. Uma linda imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus no braço, coroado de rainha, com o Menino Jesus de rei —

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