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do Dia – 12/8/1969 – p.
Santo do Dia — 12/8/1969 — 3ª-feira
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Massacre dos Vendeanos e Ódio Revolucionário
Hoje, dia 12 de agosto, é festa de Santa Clara, virem. De nobre família, fundou, juntamente com São Francisco de Assim, a Ordem Segunda dos Menores, que é das Clarrissas. É o ramo feminino da ordem de São Francisco. Pôs em fuga os sarracenos que sitiavam o seu mosteiro, avançando para eles com o Santo cibório na mão. Século XIII.
Hoje em dia fala-se tanto, tanto de técnicas, não é? Técnicas para afugentar nossos adversários, técnicas de apostolado, técnicas de não sei o que, quem é que tem a técnica de avançar com o Santíssimo Sacramento na mão e por em fuga os inimigos? Essas é que são as grandes técnicas celestes decisivas, não é isso? Uma técnica dessas pode inutilizar a bomba atômica, mas onde é que está o espírito de fé que move as montanhas? Bem, nesse dia, em 1966, realizou-se no Viaduto do Chá a grandiosa passeata comemorativa do milhão de assinaturas colhidas pela TFP na campanha contra o Código Civil divorcista. Ainda bem que está dito que foi grandiosa e — não grande, porque a nossa passeata foi, de fato, grandiosa e pequena.
Bem, a ficha que caba para o santo do dia hoje é, está na seqüência daquelas fichas que dizem respeito a nos tornar presente o ódio que os revolucionários tem contra nós. É um massacre de vendeanos — Quem sabe se posso pedir ao Jaime o obséquio de acender essa luz porque assim as pessoas que queiram podem tomar notas.
Altos e baixos, jovens e velhos, homens e mulheres, leigos e clérigos estava animados pelos mesmos sentimentos. Uma patrulha de republicanos encolheu a um menino de doze anos, que queria levar víveres numa cesta para um sacerdote católico, que estava oculto. E então perguntaram a ele:
— Aonde vais com essa sesta? O menino se intimidou e gaguejou.
— Diga-me a verdade, ladrãozinho, ou então te faço-fuzilar,
disse o oficial.
O pobre resistiu, vacilou, fez logo o sinal da cruz e respondeu:
— Matai-me, fazei o que quiserdes de meu corpo, mas eu invoco a Mãe de Deus por testemunho de que eu não direi uma palavra além disso. Os guardas nacionais o ameaçaram, lhe puseram baionetas no peito, mas não lhe arrancaram uma palavra. Alguns ficaram emocionados por tanta constância e deixaram o valente menino continuar seu caminho.
Não se deu a mesma coisa co a Pobre Maria Papin, de dezessete anos, Ela foi surpreendida pelos republicanos no momento em que ia levar pão a alguns vendeanos ocultos em campos de retama…
— o que é retama? — R E T a M A — porque aqui está escrito em castelhano. O que quer dizer?
(Sr. –: É uma planta.)
É uma planta? É? Bem, eles a detiveram e a esbordoaram. Ela se negou a informar para onde ia. Ela não queria descobrir o esconderijo dos sacerdotes, dos vendeanos, e não queria salvar a própria vida por uma mentira. Eles a ameaçaram com força. Ela fez o sinal da cruz, se ajoelhou e começou a oração dos agonizantes e foi fuzilada!
São dois episódios tirados de um historiador de toda idoneidade, famoso, que é João Batista Weiss. Os senhores estão vendo, em ambos os episódios o mesmo heroísmo de pessoas do povo pequeno, do povo mais miúdo, que estavam ao serviço de uma grande causa. Como os senhores sabem, os vendeanos eram os filhos fiéis da Igreja Católica, que era contrários a tal constituição Civil do Clero, que tinha sido estatuída pelas autoridades republicanas e que era praticamente um protestantismo. Eles, como não aceitavam as autoridades republicanas que tinham feito, imposto a Constituição Civil do Clero, eles pleiteavam a volta da realeza, que eles consideravam a forma de governo legítima que tinha, até então, apoiado a Igreja. E eles se levantaram em armas, na Vendéia, na Vendée, como todos os senhores sabem, levantaram-se em armas para a luta contra a república anticristã que tinha sido implantada na França. Bem, os republicanos então mandaram invadir a Vendée, e começou uma verdadeira guerrilha. Os republicanos, ateus ateus, tinham exércitos regulares. O território da Vendée é um território muito acidentado, muito cheio de pequenos recantos, e os camponeses, todos eles fies à Igreja, fiéis ao rei, se mantinham então emboscados nesses vários lugares e atacavam os exércitos republicanos com muito êxito. Eles chegaram a constituir um exercito. Mas depois eles foram derrotados e se espalharam, de novo, por toda a Vendée. E começou então a matança dos que eram fiéis à Igreja. E esses que eram fies à Igreja estavam amoitados em lugares ignorados de todo mundo. E os republicanos policiavam as estradas. Quando eles viam alguém passar com víveres, eles já viam que iam levar víveres para refugiados escondidos. E então eles atentavam contra a vida, faziam ameaças, para essas pessoas contarem onde estavam os refugiados e eles acabarem deitando a mão nos refugiados.
Então, os senhores vêem dois casos — o de um menino heróico, que declarou que ele preferia morrer, mas que ele não denunciaria os sacerdotes a quem ele ia levar esses vivereis, o heroísmo dele foi tão grande que os soldados ateus, eles mesmos, ficaram emocionados com a constância desse menino, e o soltaram, e depois uma menina que caiu na mão de outros soldados, que foram mais cruéis, que não tiveram pena dela, ameaçaram de esbordoar etc., ela não quis contar para onde ia e ela sentindo-se no momento da morte, ela rezou a oração dos agonizantes. É bonito ver uma simples camponesa inculta, mas que conhece bem a oração da Igreja dos agonizantes. Rezou e ali foi mora. Evidentemente é uma mártir. É uma mártir tão autentica quanto os mártires dos tempos dos romanos, ou de todas as outras ocasiões da história. O que me importa, entretanto, não é comentar aqui o heroísmo dessas crianças. Isso está comentado, está visto. É outra coisa: é a maldade daqueles homens. Como por eles terem visto que se tratava de bons católicos, eles foram cruéis com aquele menino, de maneira tal que foi preciso uma espécie de graça especial para eles não matarem o menino; primeiro ponto. Segundo: com a menina, mataram. Estava nos desígnios da Providência que aquela menina fosse mártir, então permitiu que ela fosse morta. Os senhores querem um crime pior do que matar uma menina — quer dizer não respeitar nem a idade, nem o sexo fraco — e uma menina que vai fazer um ato de caridade, como eles estavam vendo, com o risco da própria vida? A menina fazia várias ações, ou tinha várias circunstâncias, que mereciam o respeito deles, segundo eles reconheceriam. Mas só porque a pessoa a quem ela ia ajudar era um contra-revolucionário, a ação dela passava a ser detestável. Eles fizeram matar a menina. Quer dizer, se chegasse para qualquer daqueles homens e dissesse:
— Você é capaz de matar uma menina?
— Não, que covardia! Longe de mim essa idéia…Essa pergunta é injuriosa.
Está bem. Você é capaz de matar uma menina que está num ato de fazer caridade? Menos ainda. Caridade é uma virtude que nós chamamos de filantropia, diriam eles, mas é uma virtude muito simpática, que merece todo o nosso apoio. Está bom. Mas se essa menina for levar víveres para um padre ou um leigo da Igreja Católica? Ah, não, então passa a ser uma criminosa. Nada mais merece respeito nela e nós a matamos sem piedade. Tal é para eles o crime de se ser fiel à Igreja Católica. O que pode justificar que se queira meter uma bomba nessa sede, senão o mesmo crime? Há pouco tempo atrás os senhores partilhavam da impressão, da minha impressão, de que alguns dentre nós achavam que não havia, ou melhor, que não tinha havido a bomba na Martim Francisco. Agora, os senhores tem a bomba na rua Pará. É uma ameaça, e foi uma ameaça que não foi brincadeira. Eu vou dizer mais; a minha impressão é que talvez a bomba só não tenha vindo porque havia uma rádio-patrulha aqui ostensiva, e era uma loucura [loucura?] eles se aventuraram com essa rádio-patrulha. Assim mesmo às três da manha a rádio-patrulha quis ir embora. Os senhores vejam a coisa: a hora clássica dos atentados, a rádio-patrulha quis ir embora. Foi preciso insistir, pedir, falar para ela ficar. Razão: tinham outro serviço em outro lugar…Bem, o que pode acontecer essa noite não se sabe. Nós estamos na mão de Nossa Senhora. Foram tomadas todas as providências, vão ser tomadas todas as providências necessárias para proteger os valores artísticos que a Providência Divina colocou nessa sede; nos estamos na mão de nossa Senhora. Aqui os senhores estão vendo porque nós estamos expostas a isso. É só porque nós amamos o bem. Me lembra São Gregório VII, cuja vida está sendo explanada para nós pelo professor, São Gregório VII, que morreu com essas palavras: eu amei a virtude e detestei a iniqüidade. Por isso eu morro no exílio. Nós podemos dizer; Nós amamos a virtude e detestamos a iniqüidade. Por isso é que nossa vida corre risco. Valia a pena fazer e valia a pena viver só para chegar o dia bem-aventurado em que nós odiassem porque nós amamos a Nossa Senhora e porque nos odiamos os inimigos de Nossa Senhora. Isso é viver. Correr risco de vida assim é uma beleza. Viver como um indivíduo apagado, sem ideais, aniquilado na sua própria… [falta palavra] …isto é morrer. De maneira que as orações dessa noite nós vamos agradecer a Nossa Senhora a graça de sermos odiados junto com ela por aqueles que a odeiam. Vamos agradecer a Nossa Senhora a bem-aventurança de correr risco por ela. Vamos pedir a Nossa Senhora uma coragem indomável contra os inimigos dela. É por isso que eu adotei, prevendo as reações que nossa campanha poderia ter, eu adotei essas expressões para saudar os senhores na entrada da sala de reuniões: … [faltam palavras] …Dignai-vos conceder que eu vos louve, ó Virgem Sagrada; daí-me força contra teus adversários. É isso que nós devemos pedir.
A R M