Santo
do Dia – 1/8/1969 – p.
Santo do Dia — 1/8/1969 — 6ª-feira
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Sete Irmãos Macabeus
Hoje, para nós, é uma festa de muita significação porque é festa dos Sete Irmãos Macabeus, mártires. Assim chamados porque seu martírio ocorreu no tempo de Judas Macabeu e é narrado no livro dos Macabeus. Durante o martírio atroz, a mãe os exortava à perseverança. São mártires do Antigo Testamento. Mas cultuados pela Igreja como mártires, em primeiro lugar porque os profetas e os que, de fato, sofreram o martírio no Antigo Testamento, merecem o culto da parte da Igreja Católica. Depois, de outro lado, porque eles tiveram uma fidelidade heróica à causa que era a causa de Deus naquele tempo, era a causa da sinagoga, era a causa do povo eleito e a sinagoga, como os senhores sabem, era uma pré-figura da Igreja Católica.
A coisa, em última análise é essa: que os filhos dela foram intimados a praticar atos de idolatria, numa situação que não deixava de ter alguma coisa de parecido com os dias de hoje. E não só os meninos se negaram ao ato de idolatria que estava sendo exigido e foram mortos, mas durante todo o martírio ela animou os filhos a que recebesse o último suplício e assim recebessem o prêmio eterno.
A situação era uma situação muito parecida com a atual, pelo seguinte: A tentação permanente do povo de Israel era de se conformar com os outros povos da antiguidade. O povo de Israel formava, com os povos da antiguidade, um contraste violento. Eles eram monoteístas, acreditavam num só Deus, e todos os povos antigos eram politeístas, acreditavam em vários deuses.
Por outro lado eles tinham instituições completamente diferentes do povo antigo, dos povos antigos. E eles eram o povo eleito de Deus, de maneira tal que formavam um todo só com a sinagoga.
A Igreja Católica, hoje, não coincide com nenhum povo. Ela é feita para todos os povos da terra, para todas as raças. Todos os homens são chamados para a Igreja Católica e aqueles que correspondem a esse chamado entram para a Igreja. Inclusive os próprios judeus. Os judeus que apostaram da sua missão, desde que se convertam são bem recebidos na Igreja, como filhos diletos.
Não se dava isso no tempo da sinagoga. Havia um povo, que era o povo eleito. Esse era o povo chamado por Deus para conservar a promessa do Messias, depois para que nele se encarnasse o Redentor e que por assim se restabelecesse a aliança de Deus com o gênero humano. É certo que quando algum pagão quisesse converter-se para a sinagoga, eles recebiam. E há casos de pagãos…
[Falta uma página]
…de Gales e príncipe Charles, filho da minha rainha da Inglaterra. E eu estava me lembrando desse respeito, as memórias que eu li do tio dele, o ex-rei Eduardo VIII, que foi o penúltimo a ser entronizado príncipe de Gales. Ele conta que ele teve que vestir as roupas de coroação e que a vergonha que ele sentiu diante dos moços do tempo dele de ter que usar os trajes medievais de coroação foi tão grande, que ele fez o propósito de não se sujeitar o filho dele a uma vergonha tão grande.
Os senhores estão vendo o que milhões de moços delirariam de megalice de serem entronizados como príncipe de Gales, ele, por ser só ele, tinha vergonha. Não sei se eu explico bem o jogo das coisas. E assim era o povo de Israel na antiguidade. O povo de Israel tinha vergonha de sua superioridade.
Para os senhores verem como a mente humana pode desvairar-se a esse respeito, os senhores tomem esse exemplo, Deus governava, por assim dizer, diretamente, o povo de Israel, por meio de magistrados, de chefes de Estado, que eram chamados Juizes; mas cuja função não era apenas judiciária. Eles eram chefes de governo. Eles eram profetas que Deus designou, que Deus incumbia de governar o povo. De maneira que eles eram, por assim dizer, diretamente governados por Deus.
Quando estava o maior dos Juizes em função, que era o profeta Samuel, o povo de Israel procurou o profeta Samuel para lhe dizer o seguinte: Nós queremos ter reis como os outros povos. E por isso queremos pedir a Deus para não nos governar mais por meio de profetas, mas para nos governar por meio de reis. Ora, acontece que o rei é uma autoridade legitima, mas não sendo profeta não recebe aquela comunicação direta de Deus que o profeta recebe.
De maneira que eles rejeitavam a Deus, renunciando à melhor das formas de governo possíveis, que era a de ser governado por um profeta – eles renunciavam a isso – para não serem diferentes dos outros; por terem vergonha de serem diferentes dos outros. Então, quando o profeta Samuel foi queixar-se a Deus, disse a Deus: Senhor, eles não me querem mais para governá-los.
Deus disse: Não é a ti que eles não querem. É a mim que eles não querem. Também eles verão. Eu lhes darei reis. E os reis, muito freqüentemente, foram flagelos do povo. Porque que é que o povo de Israel recusou essa magnífica forma de governo, incomparável, em que Deus diretamente governava a eles? Recusou por causa da vergonha de não serem como os outros.
Bem, essa forma de governo não era apenas única no tempo. É única na história. Depois, no tempo da Cristandade, nunca houve, e até o fim do mundo não haverá um povo governado por profetas. Quer dizer, é uma coisa, é um exemplo único. Isso eles recusaram.
Agora, virando a página, nós podemos ver então qual era a tentação contínua deles. Como os outros povos eram idólatras, ora adoraram os ídolos também. Então fazerem nos altos dos morros ídolos de prata, ídolos de ouro, ídolos de barro, de qualquer outro material e prestar culto a esses ídolos. Era de adotar as leis pagãs inferiores dos povos vizinhos. E havia sempre em Israel, um partido chamado do respeito humano, que nós poderíamos chamar, que queria parecer com os outros e queria inferiorizar-se ao nível dos outros.
Esse partido muitas vezes apoiou as autoridades usurpadoras, postas por países de fora, que governavam Israel contra a independência nacional, com prejuízo para a independência nacional, governavam Israel assim, com apoio de uma grande parte… [faltam palavras] …por usurpadores, por reis de fora.
E havia um partido israelita que apoiava. Era o partido do respeito humano, da terceira força, da quinta coluna, do que mais quiserem. Então, os macabeus, que eram irmãos, e que eram homens de grande valor, resolveram revoltar-se. E quando eles se revoltaram, o brado de revolta deles foi esse: “é preferível morrer a viver numa pátria devastada e sem honra”.
Então, vamos correr o risco da revolução e da morte na revolução, vamos correr esse risco, porque é melhor fazer isso do que viver numa pátria devastada e sem honra. E iniciaram uma guerra vitoriosa contra os usurpadores.
Os macabeus ficaram como símbolo da fidelidade, como símbolo daqueles que não tem respeito humano, que não se envergonham de sua própria superioridade, mas pelo contrário sabem dar graças a Deus por ela e santamente, com humildade, se ufanam por ela. Eles ficaram o símbolo da Cruzada, da luta religiosa, da guerra, da contradição religiosa em relação à impiedade. De maneira que todos os séculos os veneram. E esses mártires aqui foram crianças que morreram, que se imolaram ao longo dessas lutas e a propósito dessa divisão.
O que nós podemos dizer a respeito da analogia desses tempos com os nossos?
Nós podemos dizer o seguinte: Os senhores querem ver como é fácil um homem se envergonhar de sua superioridade? Quando estão dois homens juntos, um é impuro, e outro é puro, quem é que tem vergonha? É o impuro que tem vergonha diante do puro ou é o puro que tem respeito humano diante do impuro?
Não é verdade que é muito mais freqüente um indivíduo se gabar de sua impureza do que o outro louvar a Deus, publicamente por sua pureza? Que há muito mais vergonha em ser casto, do que vergonha em ser impuro? Pode haver uma contradição mais aberrante do que essa? Entretanto isso não é assim? Não há muita gente que se gaba de não ter fé? E não há muita gente que se envergonha de ter fé?
Agora, de onde é que vem isso?
É exatamente a facilidade vergonhosa, escandalosa com que o homem se enrubesce diante dos verdadeiros títulos de sua superioridade. É essa a lição. Essas crianças foram animadas por sua mãe admirável, para o martírio.
Essas crianças são, até certo ponto, a pré-figura de Nosso Senhor Jesus Cristo, o mártir dos mártires. E a mulher é uma pré-figura de Nossa Senhora, que ajudou e apoiou o seu Divino Filho, com o seu carinho, com sua presença, no momento tremendo em que ele carregava a cruz, em que ele foi levado para o alto do Calvário.
Fala-se de Cirineu que ajudou Nosso Senhor a carregar a cruz. Que linda vocação! Quanto mais Nossa Senhora ajudou Nosso Senhor a carregar a cruz com a presença, com o carinho e com a oração dEla. Alguém poderá algum dia dizer que vantagem incomparável houve para Nosso Senhor, que lenitivo em que Nossa Senhora estivesse presente. Ela fez com seu Divino Filho, conservadas as distinções necessárias, o que fez a mãe dos Macabeus. Ela apoiou para o martírio até o último ponto.
Nós estamos numa época de luta! Luta de idéias, luta de princípios, luta que ameaça a todo momento se transformar numa luta armada. Nós devemos nos lembrar que nessa época devemos querer imitar os Macabeus. Quer os grandes Macabeus, dizendo nós que nós preferimos morrer a viver numa Igreja devastada e sem honra, quer esses mártires que até o fim confessaram a sua fé contra o partido do respeito humano.
E devemos pedir a Nossa Senhora que Ela seja o nosso apoio, que Ela na hora do sacrifício e da luta faça conosco o que a mãe dos Macabeus fez com essas crianças. Mais ainda: devemos pedir à alma dessa mãe heróica e a essas crianças, que todas estão no céu, que intercedam por nós, para nos dar essa fortaleza que, com ânimo, sem choradeira, sem treme-treme, chegue até o último sacrifício e até o último momento.
Isso é o que nós devemos implorar na noite de hoje. Com isso está encerrado o santo do dia.