Santo do Dia – 20/6/1969 – p. 15 de 15

Santo do Dia — 20/6/1969 — 6ª-feira

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Repercussões favoráveis e contrárias. Somos pedra de escândalo e não há ignorância e indiferença a nosso respeito; há ódio e estima. Nossa transfiguração é feita pelo adversário. Foto de São Pio X e imagem de Nossa Senhora não são danificadas. Imagem na sala mais atingida é danificada. Figem que nos ignoram.

A TFP, pedra de escândalo, tem sede atingida por bomba terrorista

Repercussões favoráveis e contrárias * Somos pedra de escândalo e não há ignorância e indiferença a nosso respeito; há ódio e estima * Nossa transfiguração é feita pelo adversário * Ato terrorista golpeia a única entidade ideológica de São Paulo * Alegria por causarmos terror ao adversário * Foto de São Pio X, herói da luta contra o modernismo, cai sem ser danificada * Uma imagem de Nossa Senhora nada sofre com a explosão * Imagem na sala mais atingida é danificada * Um começo de sonho para uma campanha… * Fingem que nos ignoram

* Repercussões favoráveis e contrárias

Freqüentei –– eu contei aos senhores isso [numa] ocasião –– os “grupos proféticos” um pouquinho, em São Paulo. Eu observei que elas observavam uma norma na consideração dos assuntos, que era a seguinte: ver, julgar e agir. Embora isso fosse usado de um modo mecânico e implicante, me parecia que havia qualquer coisa de verdadeiro nisso. Mais tarde, numa encíclica de Pio XII, eu vi um elogio disso, citado em São Tomás de Aquino.

Nós vamos acabar de ver, para depois julgar e agir. Nós vamos ouvir as repercussões que foram colhidas durante o dia, diante dos gloriosos escombros de um ângulo da nossa sede já hoje gloriosa. Já era a outros títulos, mas ela tem hoje algo da glória do martírio, ela está vertendo sangue pelo seu desnudamento e pela ruptura que sofreu. Então, antes de completar, antes de dar um comentário, eu quero ouvir os comentários que foram notados da parte daqueles que consideravam a nossa sede durante o dia.

(Sr. João Clá: A primeira repercussão é de um bilhete vindo de Goiânia:

Sr. Leo, na noite de 12 para 13 de junho, a frente da sede foi pichada com os seguinte dizeres: “Viva Che e a guerrilha! Viva Che e a guerrilha! Fora TFP! Fora Rocky!” Com relação à visita do Rockefeller, não houve nenhuma manifestação, a não ser pichamentos. Perguntamos ainda se devemos apagá-los logo ou deixá-los.

Repercussões de hoje:

Um cobrador da Construtora Adolpho Lindenberg disse que a bomba tinha sido colocada por causa dos artigos publicados na “Folha”. Os artigos prejudicam tanto aos comunistas que eles tinham que se vingar.

Um senhor chegou perto de mim, um tanto assustado e disse:

Aí é sede da TFP?

Eu respondi que sim. Acrescentou ele:

Isto prova que a TFP é o único movimento verdadeiro. Eu conheço o Prof. Plinio Correa de Oliveira desde o tempo da Ação Católica.

Repercussões do Sr. Wilson:

Um homem de sobretudo, que apareceu poucos minutos depois da explosão, disse que a partir de então ficava simpatizante da TFP. Vizinhos da Higienópolis, Angélica e Aureliano Coutinho, sobretudo senhoras, vinham ver e comentavam longamente com pena dos moços. Um casal de classe humilde perguntava por que jogaram a bomba. Quando souberam que era sede da TFP, e que esta tinha promovido as recentes campanhas, disse a mulher:

Então está explicado, estão querendo pôr medo em vocês. Sabem o que é melhor vocês fazerem? Façam as campanhas com mais força ainda, para mostrar que vocês não têm medo.)

É isso.

(Sr. João Clá:

Adauto, funcionário do Banco da América, disse-me que ouviu a notícia da bomba pelo rádio.

Duas mulheres, com ar de empregadas domésticas, diziam:

Quem fez isto não é católico, pois quem é católico não faz essas coisas.

Um motorista de táxi:

Por que fizeram isso? Aí não é uma coisa da Igreja? O que eles têm contra a Igreja?)

Comentário do Padre Almeida — foi mais subtil que o do motorista —, esse padre que me dá comunhão. Ele disse que “quem quiser estar a salvo dessas bombas, não deve vir à TFP, deve ir ao Palácio Pio XII ou ao convento do Dominicanos”. Dizem que português não tem subtileza; ele desmentiu a afirmação.

(Sr. João Clá: Repercussão do Sr. Márcio:

Por volta de uma hora da tarde, em frente à Martim, fui abordado por três pessoas, com idade mediando entre os vinte e cinco anos, e que tinham jeito de representantes de laboratórios de remédios. Cinicamente, perguntou-me o que havia acontecido, mas com ares de mofa. Expliquei o acontecido e saíram rindo e brincando dizendo:

Puxa, que barbaridade, jogaram bomba em sede da TFP!

A atitude de todos era de um profundo cinismo.

Por volta das dezenove horas, o Sr. Márcio foi à Santa Teresinha, pedindo ao atual vigário, Frei Tomas, licença para as moças do Cadeaux trabalharem no domingo em trabalho de costura. Encontrei-o muito sensibilizado. Lamentou bastante o ocorrido e disse que a bomba deveria ter estourado na cabeça de quem a jogou. Contou que um senhor do lado acordou com um tremor no quarto. Toda a conversa foi puxada por ele.

O Delegado da 3ª Delegacia, que atendeu o caso, Dr. Milton, foi colega do Sr. Ceron na Faculdade de Direito do Mackenzie. É direitista e se colocou inteiramente às ordens de qualquer necessidade que precisemos.

Na esquina da Martim Francisco com a Jaguaribe, uma senhora já idosa, espantada por saber que o movimento era devido a uma bomba, perguntou à outra:

Mas por que jogaram a bomba?

A outra respondeu:

Não sei; sei que os rapazes da casa são religiosos.

Um senhor — parece-me que é empregado da “Editora Ave Maria” —, a quem eu abordei perguntado se ele ouvira a explosão, disse-me:

Aqui há dente de coelho; eles estão consertando isso muito depressa.

Respondi-lhe que uma vez que a Polícia Técnica já havia liberado a casa, era o caso de consertá-la logo, e perguntei-lhe se ele não pensava assim também. Ele fingiu não ouvir a minha argumentação e repetiu:

Aqui há dente de coelho. Esses casos não costumam ser resolvidos tão depressa assim.

Eduardo de Toledo Pisa e um amigo, passando pela Martim Francisco, ao serem informados de que a TFP é que tinha sido alvo do atentado, ficaram muito contentes. Um deles chegou a exclamar:

Tradição, Família e Propriedade! Grande!)

Mas, o quê? Contentes?

(Sr. João Clá: Contentes por ter sido a TFP o alvo da bomba.)

Portanto hostil, não é?

(Dr. Luís Nazareno: Tudo é suspeito pelo jeito de… [¼ de linha em branco] …que seja “Cursillos”, e é cunhado de um primo meu, e é gente, o jeito e o aspecto dele… [¼ de linha em branco] …São Luis.)

(Sr. João Clá:

O dono da farmácia em frente ao Coração de Maria perguntou se tinha sido descoberto o culpado pelo atentado à sede, com um ar de impressionado.

Uma senhora de meia-idade mostrava-se revoltada com os autores e disse que o fato era bom para que nós víssemos que há gente que tem raiva de nós e que nós temos muitos inimigos.)

Segunda boa verdade para ouvir esta noite, não é? Os senhores se lembram [de] nós dizermos que era preciso andar por lá, perto do ódio, de que, etc., etc., não é verdade? Se pudessem dariam um tiro; vem uma bomba, não é? Quer dizer, foi muito mais do que o tiro falado, não é?

(Sr. João Clá:

Uma senhora que se mostrava condoída pelo fato, fez uma fisionomia de quem tinha entendido tudo, depois que eu lhe disse que a sede era da TFP, dando a entender que os autores seriam esquerdistas, agitadores, etc. Mostrou muita simpatia.

Esteve presente o Sr. Cláudio Braccesi e explicou que a secretária dele mora nas redondezas da Martim e contou-lhe que haviam colocado uma bomba numa casa pequena na Rua Martim Francisco. Com a notícia, ele imediatamente atinou de que seria uma das sedes da TFP.

Passou um senhor de uns quarenta anos de idade e disse ente os dentes — porque estava fumando cachimbo:

Deviam pegar esses terroristas e fuzilá-los. É uma pena que a bomba não tenha estourado quando o sujeito a instalou.

Aproximou-se dele um outro senhor e comentaram entre si que era o caso do Esquadrão da Morte pegar os terroristas.

Falei com mais três ou quatro senhoras, todas elas se condoendo conosco com o acontecido, e perguntando se alguém tinha morrido.

[De] Vários carros passavam perguntando. Alguns deles eram inimigos nossos que aparentavam não conhecer a TFP, com um sorriso cínico.

Apareceram uns três estudantes do “Equipe” e começaram a conversar. Cheguei perto deles e estavam dizendo alto para serem ouvidos, que aquela bomba, para fazer tal estrago, deveria ter estourado de dentro para fora. Procuravam fazer uma ridicularização com o caso.

Repercussões do Sr. Gustavo:

Alguns minutos depois da explosão, apareceu um casal, um senhor de mais ou menos sessenta anos, calvo, bigode espesso; a senhora de mais ou menos trinta e cinco anos, trajes masculinos. Começaram a revisar as ruínas à procura de papéis. Pareceu-me que a “fassura” quis fotografar uma carta. Aproximei-me e procurei impedir que retirassem alguma coisa. A senhora perguntou quem eu era para me intrometer. Respondi que era da TFP. Ela exclamou:

Pena que não tenha explodido também.

Chamei então o sargento e disse a ele que não permitisse que retirassem nenhum papel. O velho começou a discutir e se disse militar da Aeronáutica. Eu disse ao sargento que ele parecia estar bêbedo. A Polícia ordenou que todos se afastassem, e com isso o assunto desviou. E o velho se afastou com a “fassura” protestando por eu o ter chamado de bêbedo, e pelo fato de ele ser militar, e que morava lá perto e por isso tinha ido ver o que ocorrera.)

(Dr. Adolpho Lindenberg: Não será aquele militar da Aureliano Coutinho? Quer dizer… [¼ de linha em branco] …esse prédio pegado à Aureliano?)

Não me lembro [de] algum militar…

(Sr. Umberto Braccesi: É aquele da Força Pública. Ele se diz da Aeronáutica, esse aí, e não é ele, Dr. Plinio, é outro.)

(Sr. João Clá:

Em geral, as senhoras estavam muito impressionadas e muito favoráveis a nós. Uma espanhola vizinha dizia:

Não machucou ninguém, graças a Deus. Aí é a sede dos senhores, não é?

Uma nora do Sr. Luiz, marceneiro, parou para perguntar e disse que nos conhecia, e que aquilo era um absurdo.

Uma senhora, levando o filho para a escola:

Veja aí, meu filho.

Depois de esclarecê-la um pouco, disse que era uma tristeza aquilo.

Uma senhora, de cerca de quarenta anos, estava inteiramente cristalizada o nosso favor. Tinha ouvido a explosão, de sua casa.

Um senhor de mais ou menos quarenta e cinco anos, que mora no prédio da Veiga Filho, onde tínhamos um apartamento, disse:

Puxa, mas fizeram isto com vocês?! Devem ser pessoas contra a Religião! Fazer isto com rapazes tão ordeiros!…

Os operários da “Ave Maria” estavam inteiramente do nosso lado.

Muitos rapazes, com jeito de estudantes, também estavam a nosso favor.

Dois bigodudos da Santa Casa apareceram por lá, às 11:30 horas, debochando, um para o outro, em tom alto.

Não foi nada, deveria ter sido muito mais ainda.

Hoje de manhã, ao sair do prédio onde moro –– Sr. Luiz Solimeo ––, um padre da Opus Dei, que mora também lá, disse-me:

Quase destruíram a casa, hein?

Respondi:

É, isso é o diálogo.

Resposta:

É mesmo.

Sr. Adriano:

Falei com tantas pessoas que nem sei o número. Todos deram total apoio a nós, dizendo, por exemplo, que nós devíamos tocar para frente porque essa gente não pode vencer. Outros diziam que era uma coisa organizada, vinda de fora, do estrangeiro, e de cunho comunista. Procurei usar o seguinte modo para abordagem: “Veja só, estes provavelmente são os que dizem que é preciso libertar o povo, conscientizá-lo e torná-lo adulto, porque o povo precisa estar no poder e dirigir a Nação. No entanto, estes não vacilam um instante em colocar a bomba, sabendo que poderiam matar o próprio povo. Então, eu pergunto, o senhor ou a senhora acha que eles querem defender o povo?” A resposta era imediata e com indignação:

Realmente, é isso mesmo. Precisamos pegá-los e executá-los sumariamente, sem julgamento.

Um senhor de mais ou menos quarenta e cinco anos disse que o atentado tem relação com a nossa campanha do ano passado, porque foi uma campanha de muito brilho, muito certa, e que ele estava inteiramente de acordo conosco. Esses atentados à bomba são todos organizados, é a subversão que vem do Exterior.

Uma vizinha do Sr. Luiz Nazareno, uma senhora de uns cinqüenta anos, mais ou menos, o primeiro nome não se recorda, Sra. Sá Rocha, nos deu total apoio, elogiou-nos muito, e disse que temos que tocar em frente, porque o que defendemos é muito certo.

Padre Leoni, vestido à play-boy, padre-cooperador em São Borja, Rio Grande do Sul, comprou o Vade Mecum. Disse que gosta de “Catolicismo”.

Padre José Meneses, do Coração de Maria, de terno, sem gravata, muito simpático a nós, disse que os bons são sempre perseguidos pelos maus.

Sr. Fiúza:

Conversei com pessoas que passavam de 13:00 horas às 18:30. Resumindo: senhoras católicas, vizinhas, etc., geralmente muito assustadas, com muita pena nossa. Noventa por cento delas levantavam suspeitas sobre os comunistas e se referiam a outras bombas como CBI, etc.

Um rapaz de uns vinte anos disse:

O CCC precisa começar a agir.

Um senhor bem vestido, ao ouvir o relato disse:

Ainda vai chegar a vez deles.

Dois estudantes do Colégio Claretiano, 2º científico, ficaram muito cristalizados. Disseram:

Logo com a TFP! Que sujeira! Vocês não devem desanimar, continuem lutando.

Um senhor de uns trinta anos, bem vestido, perguntou:

Qual o último artigo publicado? Sobre o que era ele? Do que tratava, para que eles, os comunistas, tomassem essa atitude?

Dois rapazes que moram no quarteirão de cima, demonstravam uma certa consternação e diziam:

Logo aí foram fazer isso?!)

É uma coisa curiosa a esse respeito, o seguinte: que a primeira parte — Dr. Borelli deve ter visto isso — do artigo que eu escrevi para a “Folha”, na quarta-feira passada, que foi publicado na quarta-feira passada, de passagem tocava no caso Rockefeller — no caso Rockefeller, não, no caso do imperialismo —, mostrando que se deveria ser contra o imperialismo do Ocidente, mas também contra — quer dizer, imperialismo no Ocidente — mas também contra o imperialismo soviético. Depois eu pensei: de repente vai dar pretexto a qualquer providência e qualquer atitude contra nós. Então, tarde da noite, depois de sair daqui, eu refiz o artigo e mandei aquela parte sobre a questão da fome, que não há mais fome no mundo, e aquela coisa toda. Bem. Se eu tivesse mantido aquele artigo como estava na primeira parte, dir-se-ia: “Foi uma vingança. Mas também ele provocou,” não é? Os senhores vêem que cautela…

[Neste momento, estoura uma bombinha na rua e Doutor Plinio e todos riem.]

(Sr. João Clá:

Diversos operários que passavam ficavam cristalizados e tinham reações idênticas. Um disse que isso era subversão, e para alguém fazer isso devia ter parte com o cão.)

O cão os senhores sabem que é o diabo, não é?

(Sr. João Clá:

Dois rapazes estudantes, certamente, um deles cabeludo, aproximaram-se e observaram bastante. Depois perguntaram a um grupo de senhoras o que tinha havido, se o prédio estavam em reforma, etc. As senhoras explicaram o que tinha acontecido e se afastaram. Em seguida apareceu mais um e começaram a conversar entre si. Sabiam perfeitamente o que tinha ocorrido, a hora, e que era sede da TFP, etc. De modo irônico diziam que amanhã já estaria tudo restaurado, porque eles têm muito dinheiro, ar condicionado, etc., Diziam em tom de deboche que: “Só podem ser os malvados comunistas, porque se trata de uma instituição tão boa, não faz mal a ninguém, dá leite para as criancinhas e comida para os pobres. Como foi acontecer isso?” Quando perceberam que estavam sendo observados, se retiraram.

Sr. Manomi:

Repercussões de conversa com o Sr. Leonel:

Confessou que desta vez ficou realmente convencido da importância enorme que tem a TFP. Essa bomba, nas atuais circunstâncias, é muito sintomática.

Padre Meneses: A bomba é uma glória para a TFP, entidade que defende a verdade e só faz o bem.

Repórter do “Jornal do Brasil”: Já estava informado, mas foi enviado, porque constara que a TFP iria emitir um pronunciamento. Não havendo nada de novo, colocou-se à disposição para divulgar qualquer comunicado.)

Para falsear qualquer comunicado, porque o “Jornal do Brasil”, segundo consta, é da CNBB. Tem falsificado mais de uma entrevista, a tal ponto que eu não dou mais entrevista para aquele jornal.

(Sr. João Clá:

Repórter do “Correio da Manhã”: Já havia passado uma nota pelo telex, mas queria mais dados. Não conseguindo nada, retirou-se depois de alguns minutos.)

Também é jornal esquerdista.

(Sr. João Clá:

O jornaleiro da esquina da Angélica estava inteiramente favorável a nós. Foi logo afirmando que tinha examinado todos os jornais, e nada havia saído sobre a bomba.

Sr. Athayde:

Dr. Drumond disse conhecer Dr. Plinio e se recordar de que, na época de vinte e cinco, formava um grupo: ele, Dr. Plinio, o Savaia e outros.)

Eu nunca formei grupo com o Savaia.

(Sr. João Clá:

Com relação ao atentado, disse ele ser organizado. Mandou recomendações ao Dr. Plinio e disse que lamenta o ocorrido. Tem 78 anos e mora próximo à Rua Piauí.)

É um Drumond, casado com a Cecília Trigo.

(Sr. João Clá:

Um senhor residente à Rua Maranhão, disse que sua filha ouviu a explosão. Foi dito que a TFP é de caráter anticomunista, ao que ele retrucou:

Ah, então e por isso. Foram os comunistas que fizeram esse atentado terrorista. Isso é obra de guerrilha urbana. Aliás, esses assaltos a bancos e isto aí fazem parte de uma coisa só. Eles têm um “cabeça” que os organiza e os dirige.

Dona Stela Teixeira Mendes Pais, Rua Martinico Prado, 128, manifestou-se muito solidária a nós. Lamentou o ocorrido e disse que nos admira muito.

Duas senhoras, uma portuguesa e uma brasileira, que moram ao lado da Sede Santo Eloi. A primeira disse:

Por que é que fizeram isso?

A segunda respondeu:

É porque os bons sempre foram perseguidos.

Uma senhora de meia-idade e de boa aparência mostrou-se muito indignada com o fato e disse que quer ver o autor ou os autores estraçalhados. Se puder, até ela mesma quer ajudar! Solidarizou-se…

Duas senhoras, bastante “heresia-branca”, ficaram alarmadas com o fato, disseram que nos admiram muito e que rezam sempre pedindo a Nossa Senhora que multiplique no mundo inteiro um movimento de jovens como esse, e que é de gente assim que a Igreja precisa.

Os guardas ficaram na Martim Francisco até a hora do almoço, estavam furiosos com os seus superiores, porque havendo inicialmente liberado a sede, em seguida haviam cancelado a liberação. Diziam que não compreendiam essa atitude.

O Padre Antônio, da “Ave Maria”, dizia que não estava admirado com o que acontecera, pois há tempo que estava esperando isso.

Padre Faliero:

Eles fizeram isso por questão doutrinária, porque a “Sociedade” está no verdadeiro caminho. Isto é uma covardia. É um sinal de quem está perdendo a luta. Isto é bom, assim o povo passando por aí, os senhor vão pondo a par do que está acontecendo.

Padre Antônio, novamente:

Isso foi pensado e premeditado, e não foi feito de uma hora para outra.

A velhinha que mora ao lado da sede: Depois de ter narrado o susto que ela levou, elogiando o Sr. Gregório que a ajudou a descer a escada, disse:

Isso é uma malvadeza. Não há nada de mau neles, pois são todos católicos e Congregados Marianos. Pois eu não tenho nada a reclamar deles.

Uns balançavam a cabeça, em reprovação ao atentado.

Um senhor, indignado, disse:

Isso deve ter sido feito por aqueles bandidos da USP.

Fernando da Silva, rapaz de dezesseis a dezessete anos, mais ou menos, depois de uma conversa foi convidado a visitar a TFP. Aceitou e talvez venha amanhã. Disse ser vizinho de Dr. Fernando Furquim.)

* Somos pedra de escândalo e não há ignorância e indiferença a nosso respeito; há ódio e estima

Bom. Vamos agora aos comentários, não é?

O primeiro comentário é o seguinte: Quem passa pela rua — eu jamais me cansarei de insistir sobre isso — tem a impressão de que a nosso respeito existe ignorância e indiferença, e que nós estamos sepultados debaixo de uma laje de ignorância e de indiferença. O acontecimento e as repercussões mostram o contrário, que o que não existe é ignorância e indiferença. Existe ódio e estima. Pelo menos existe muito mais ódio e muito mais estima do que a gente poderia imaginar.

Ora, produzir ódio e estima, é o sinal da que a gente está com Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando o Profeta Simeão recebeu Nosso Senhor Jesus Cristo nos braços, ele cantou a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo, ele disse que era dado como pedra de escândalo para dividir, para salvar e para perder. Pedra de escândalo quer dizer pedra de divisão. É aquele que divide, aquele que cinde, aquele que impede a união, que é ocasião para que os homens se lancem uns contra os outros em luta, é o pomo da discórdia. Está bem, isso ele disse de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Christianus alter Christus, o cristão é um outro Cristo. Acontece com o cristão que procura ser fiel, o que acontece com Nosso Senhor. Nós somos a pedra de escândalo, signum qui contradicetur, o sinal da contradição. A nosso respeito sai a contradição, sai o aplauso, sai o entusiasmo, sai gente que nos manda encorajamento, gente que queria acabar com os nossos adversários, que queria estraçalhá-los, saí gente que lamenta que nós não tenhamos saído estraçalhados. O que não sai, ou sai pouco é o tal “indiferente”, que nós vemos quando andamos pelas ruas. Isso é uma coisa que é preciso compreender.

* Nossa transfiguração é feita pelo adversário

Agora, a relação disso com a nossa campanha. Nós precisamos notar o seguinte: que eu falava outro dia a respeito da capa, e falava a respeito da transfiguração, e mostrava como gradualmente tudo aquilo que existe e tem um determinado valor e uma determinada missão, em certo momento, por um fato interno e externo, que tem uma analogia com a transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo, se manifesta, se torna palpável, se torna visível.

Bem. E então eu dizia que um primeiro passo para a nossa transfiguração foi o hasteamento do nosso estandarte. O segundo passo, foi a nossa passeata do divórcio, contra o divórcio. O terceiro passo foi a propaganda feita contra a infiltração comunista no Clero. Bem. O quarto passo ia ser exatamente essa campanha, e que a capa era uma manifestação dessa nossa transfiguração. Bem aceita ou mal aceita, isto não era importante. Era a hora providencial em que devíamos mostrar o que somos, deveríamos revelar aquilo que somos, e revelar em público por uma capa. E significando apenas o que significa um busto, entretanto, pelo significado do busto, por essa invocação de algo vindo do fundo da tradição mais épica, mais heróica, mais gloriosa, das Cruzadas e das lutas contra os infiéis, e que representasse a permanência dentro da Igreja deste veio eterno, combativo, irredutível, que chega até à efusão do sangue, e que faz do heroísmo o ideal para onde tendem todas as virtudes.

Bem. Antes de que nós tenhamos saído à rua com a capa, essa transfiguração foi feita em nós pela mão do adversário. Um prédio nosso explode com uma bomba. Esta bomba indica a importância que o adversário nos dá. Porque os senhores notem o curioso, hein?: todo o mundo diz: “Essa bomba se enquadra no conjunto dos atentados que têm sido feitos por aí”.

* Ato terrorista golpeia a única entidade ideológica de São Paulo

Minha impressão é de que talvez se enquadre. Eu não tenho nenhuma razão especial para contestar. Mas uma coisa me parece importante aqui. É que eu não tenho memória, pode ser que tenha havido — se algum dos senhores sabe, até é bom que me diga, para ajudar a recomposição dos fatos —, mas eu não tenho memória, dentro dessa série de assaltos, nas quais esse seria um, eu não tenho memória de um atentado que não fosse para roubar. Ora, é claríssimo que quem meteu a bomba na Martim Francisco não quis roubar. Primeiro porque sabia que ali provavelmente haveria uma insignificância de dinheiro, se dinheiro houvesse, em confronto do que existe nos bancos. E, em segundo lugar, porque a pessoa colocou a bomba e saiu correndo. Não houve nenhuma tentativa de roubo depois disso.

Quer dizer, foram dois os alvos, grosso modo considerando: um alvo econômico, que são todos os bancos, e outro alvo, que faz simetria com esse, é o alvo ideológico. E numa época em que se diz que o dinheiro pode tudo, é tudo, vale tudo, se foram esses bandidos que fizeram o que está aí, então se deve dizer que eles sentiram que eles não criavam o terror na cidade de São Paulo se não abalassem também a TFP. Que eles sentiram que um terrorismo ideológico era necessário contra a única entidade ideológica de São Paulo. Mas que essa ideologia pesa tanto, que esta entidade exerce uma tal influência sobre os espíritos, não para que adiram todos a ela, mas no sentido de freá-los de aderir ao comunismo; essa entidade exerce uma tal influência, que era preciso, embora com o risco de fazer propaganda dela, era preciso golpeá-la.

Os senhores estão vendo, portanto, o alto prestígio que os autores deste atentado tinham o Grupo, no caso de terem sido eles os autores verídicos do atentados.

Agora, eu estou muito habituado, helás!, a discutir com o demônio. E sei que nos ouvidos de alguns dos senhores, com o silvo assim de cobra, o demônio vai “piss”, com argumentinho:

Mas, você lá sabe se este não é apenas um primeiro atentado ideológico, e não é o único?

Eu digo: imaginem que eles queiram fazer uma série de atentados ideológicos e tenham começado pela TFP. Não é reconhecer que a TFP é a rainha das entidades ideológicas de São Paulo? Não se escapa a isso. Imaginem um outro que diga:

Bem. Mas terão sido eles? Não terá sido outra gente?

Eu digo: que outra gente terá sido? Como eu disse à imprensa, nós não recebemos carta anônima, não recebemos telefonema anônimo, não recebemos aviso, não conhecemos o menor indício que nos autoriza afirmar que foi este mais do que aquele. Mas em matéria de criminologia existe um princípio, e o princípio é o seguinte: quando um crime é praticado, as primeiras suspeitas devem ir por cima daqueles a quem o crime aproveita.

* Alegria por causarmos terror ao adversário

Bom, se o crime pode aproveitar aos terroristas que estão atacando bancos, entra pelos olhos. Mas então a nossa campanha já começou iluminada por uma coisa que eu reputo no seu gênero, o complemento harmônico da capa; forma com a capa, quase que o braço direito e o braço esquerdo, que é exatamente o seguinte: antes de sair à rua, já ela meteu medo, antes de nascer ela criou terror. E pequenina como Nosso Senhor, que apenas nasceu, meteu terror em Herodes, assim também se pode dizer que a nossa campanha cuja distribuição começou ontem, já hoje — distribuição especial, etc., começou ontem — já hoje ela criou terror, e já hoje nós tivemos alguma coisa de espetacular. Os senhores estão vendo, portanto, que a circunstancia foi toda ela nimbada de luzes que fazem brilhar a nossa campanha.

Eu acredito mesmo, que representa uma época nova na nossa história. A época em que o nosso crescimento é tão grande que, sem a violência física, não se pode ir contra eles, e que se procura por causa disto o crime, ou pelo menos a ameaça do crime, para liquidar conosco. Eu pergunto aos senhores, aos senhores veteranos da Rua Pará: que risada nós teríamos dado, se [se] tivesse falado num tiro contra nós, quando nós ocupávamos apenas o andar térreo da Rua Martim Francisco, 665! Nós teríamos caído na gargalhada. Nós olhávamos por detrás da veneziana, como se fosse uma proeza o Padre Enzo, Secretário do Cardeal Motta, passar devagarinho de automóvel para olhar nossa sede.

Isto era já uma proeza. Os senhores imaginem o que [é] que nós diríamos se um anjo nos tivesse feito ver com décadas de sucessão de anos, nos tivesse feito ver a sede rachada, o público ali em frente, e o acontecimento tonitruando pela cidade de São Paulo! Como nós teríamos compreendido que nós tínhamos crescido, que nós tínhamos tornado temíveis, que estávamos colocados ao lado das grandes forças nacionais, dentro de um grande jogo, e que alegria teria sido a nossa! Essa é a alegria que nós devemos ter na data de hoje. Eu considero para nós uma data de festa, uma data de alegria, uma data de contentamento. É assim que nós devemos ver a coisa.

Eu vou dizer mais; eu lamento que não me tenha ocorrido nas preocupações da coisa, a idéia que deveria ter ocorrido. Talvez tenha ocorrido a alguns dos senhores. Era conservar um fragmento do escombro. Porque esse fragmento do escombro seria bonito a gente dividir e dar para as várias sedes de presente para verem. Seria uma lembrança como é uma lembrança, por exemplo — eu dei ordem que lá na sede de Buenos Aires guardassem —, a porta com os tiros que o tal [Drapajl]1, porque estas são as coisas que dão vida, dão sentido à história de um Grupo.

Como nós sentimos inveja quando nós ouvimos falar que a sede de Buenos Aires tinha sido alvejada com tiros! Como nós quisemos ver a porta, como nós analisamos a fotografia, como nos entusiasmamos com o acontecimento! Aqui está o mesmo fato. Quer dizer, nós estamos em grande até, porque não é um [Drapajl], mas é uma espécie de mão negra que não arrebentou uma porta, mas que escangalhou com a quina inteira de um prédio, com o visível intuito de escangalhar o prédio inteiro. Bem.

(Dr. Eduardo Brotero: Está cheio de móveis inteiramente estraçalhados… [¼ de linha em branco] …escombros à vontade.)

Então, vale a pena guardar.

(Dr. Eduardo: Paredes rachadas…)

Bem. Mas o bonito teria sido escombro caído na rua, ouviu? Esses é que tinham o sabor da catástrofe e do desastre, ouviu? Passou a hora, não me lembrei, eu que sou professor de História — ao lado de outros professores de História que há aqui — eu deveria me ter lembrado disto, porque isto é aos professores de História que compete lembrar. Passou-me, infelizmente.

(Dr. Paulo Brito: Existe a grade que foi lançada quase no prédio da “Ave Maria”, não é?)

Agora, essa grade deve ser resposta para nova coisa, porque está intacta, não é? Uma grade lançada não tem a beleza… É a única coisa bonita do cimento armado, é quando ele fica reduzido a escombro. A coisa estraçalhada, torta, com pedaços de ferro, com uma porção de coisas lá dentro — não sei se aquilo é cimento armado, mas é alguma coisa do gênero — isto é que torna bonito, o ar de desastre e de violência que torna bonita a coisa.

(Dr. Alberto Du Plessis: A laje do primeiro andar, que ficou inteiramente estraçalhada, hoje de tarde estava lá. Eu vou passar bem cedo amanhã e ver se é propriamente de concreto…)

Pois então, esplêndido. Se o senhor puder reservar alguns pedaços disso para nós darmos aos grupos, será uma coisa magnífica.

(Sr. Gregório Vivanco Lopes: O capacho que estava na frente está com boa parte queimada pela bomba.)

O capacho é muito interessante, inclusive para o inquérito policial, e foi porque eu mandei guardá-lo. Mas o capacho tem sempre uma conotação que não tem o poético da coisa… nós devemos até guardá-lo, mas ele não tem o poético do escombro, não é verdade? Seria quase a caricatura do estandarte, não é? De maneira que o capacho não serve tanto para isto.

* Foto de São Pio X, herói da luta contra o modernismo, cai sem ser danificada

Bem. Nós temos, entretanto, uma coisa muito mais bonita. Os senhores sabem que a sala aonde houve o développement, o desabamento, essa sala estava destinada ao uso do Sr. Paulo Brito. E numa das paredes da sala havia um quadro de São Pio X, com autógrafo, e que pertenceu a uma tia dos nossos amigos Vidigal. Bem. Este quadro ficou… no meio de toda a barulheira ele caiu, e caiu de pé junto à parede. Não sofreu nada. Caiu para dentro, em cima do chão. Não sofreu nada, não quebrou, não se trincou nem nada. É o herói da luta conta o modernismo, atestando a sua presença no lugar onde se luta contra o progressismo.

(Sr. Luiz Nazareno: A parede onde ele estava, não se vê mais o prego, não é? Ele voou.)

A parede onde ele estava voou. Alguns…

(Dr. Fábio Vidigal: Dizem que o prego caiu na rua.)

O prego caiu na rua, é?

(Dr. Eduardo: Caiu por perto.)

(Dr. Fábio: A parte em que ele estava foi jogada para a rua. O prego e o quadro ficaram dentro…)

Que beleza!

(Dr. Eduardo: A parede onde o quadro estava desapareceu.)

Ah, é isso, é?

(Sr. Eduardo: Parte dos escombros caiu na calçada.)

Que beleza! Este é mais bonito do que um escombro. Os senhores vejam o que é que faz a história de um grupo. Era um quadro guardado com respeito, com veneração, [com] autógrafo de um santo, não tem dúvida, mas…não é? Estava num quadro colateral, numa sala cheia de quadros, etc., etc. É ou não é verdade que passa a ser um documento histórico do Grupo? O sinal de que São Pio X está conosco.

Alguns dos senhores querem acrescentar algum pormenor sobre esse quadro? Ou sobre esse fato?

(Dr. Fábio: Eu proporia que o senhor fizesse uma autêntica atrás, do acontecimento.)

Perfeito. Faço, se Deus quiser… Eu pediria que o Dr. Castilho redigisse a autêntica e eu depois copiasse com minha própria mão numa tinta bem durável e que ficasse para documentar, com todas as formalidades. Talvez até com reconhecimento de firma em tabelião, atrás. Ficar historicamente garantido de todos os lados. É uma esplêndida idéia.

* Uma imagem de Nossa Senhora nada sofre com a explosão

(Dr. Paulo Brito: Do lado oposto da parede onde estava o quadro, havia uma imagem barroca em cima de uma peanha. Essa imagem ficou em cima da peanha e a peanha também não se moveu do lugar.)

Muito bonito.

(Sr. Umberto:… [¼ de linha em branco] …imagem de Nossa Senhora…)

Oh! que maravilha, não tinha notado isso! Que maravilha! Então…

(Sr. Umberto:…)

Vale a pena os senhores verem com o Sr. Umberto depois este quadro. Acho que à distância não dá para ver essa fotografia, não é? É melhor ver depois, não há outro remédio. Então, eu proponho que no dia da partida nossa para a campanha, segunda-feira cedo, um dos atos seja o ósculo a essa imagem e a esse quadro. Eu acho que não se poderia fazer coisa mais adequada, nem melhor do que essa. Colocar essa imagem e esse quadro adequadamente junto ao altar, num lugar onde fique bonito, florir e oscular. Nós colocamos essa campanha… Bem, debaixo [do] patrocínio de Nossa Senhora nós colocamos tudo, não é? Já estava colocado antes das idéias nascerem em nossa cabeça; elas estão colocadas debaixo do patrocínio de Nossa Senhora. Depois de nós termos morrido, o nosso cadáver ainda está colocado debaixo do patrocínio de Nossa Senhora! Não temos o que colocar, está tudo posto. Mas colocamos debaixo do patrocínio também de São Pio X, pedindo que ele abençoe essa campanha em toda a América do Sul.

* Imagem na sala mais atingida é danificada

(Dr. Eduardo: Há uma imagem que estava na sala onde sofreu o maior impacto da bomba. Essa imagem ficou danificada e é um escombro.)

Imagem de que santo?

(Dr. Eduardo: É de Nossa Senhora.)

Ah, também, é?

(Dr. Eduardo: É a imagem de Nossa Senhora, da sala de entrada.)

Ah, sei, sei. Vale a pena guardá-la e trazer aqui para a nossa veneração.

(Dr. Eduardo: Uma parte da imagem caiu. Uma parte da imagem… essa imagem que é feita em duas partes, e se fracionou.)

(Dr. Plínio Xavier: E o pé caiu também, não é?)

(Dr. Eduardo: O pé caiu. Não se encontrou a coluna, não é?)

Há mais algum comentário a fazer desta ordem?

* Um começo de sonho para uma campanha…

Bem, com essas considerações, eu acho que se se pensasse num começo de sonho para uma campanha, não se teria um começo diferente. Os senhores imaginem há um ano atrás alguma pessoa pensando numa campanha grandiosa! Então, a cidade toda em polvorosa, os comunistas dando tiros. De repente, sabem de uma campanha da TFP e resolvem então jogar uma bomba lá, para evitar que a campanha saia. E uma imagem que cai, a parede cai, mas a imagem não cai, outra imagem de Nossa Senhora que fica, outra que se rompe, e não sei mais o quê! Dir-se-ia: isto é um sonho! Os senhores têm o sonho.

É muito mais bonito o sonho realizado por Nossa Senhora do que os sonhos “megas”, feitos por nós. Aqui os senhores podem apalpar pela mão. Quando vem o sonho falso, a gente se sente grande, e tão grande, que o sonho até fica pequeno. No sonho verdadeiro, naquilo que seria um sonho, mas é que Nossa Senhora que faz, a gente se sente pequeno, porque a coisa é tão, tão grande, que a gente sente que não há estatura do tamanho dela. Aqui está o começo de nossa campanha. Se não for o começo de nossa campanha, se cercearem essa campanha, terá sido o começo de nossa “Bagarre”. A primeira vez a violência nos terá impedido de agir.

(Dr. Luiz Nazareno: O Sr. Paulo Rocha acabou de falar com o Sr. Paulo Eugênio, no Rio de Janeiro. Tinha sabido pelo rádio. A gente vê que provavelmente a notícia, que aqui na imprensa mereceu uma pequena repercussão no “Jornal da Tarde”, está sendo propagada nos outros Estados pelo rádio. Não é improvável que o Brasil todo amanhã pelo rádio já saiba.)

Com isso de curioso, que está sendo proibida a divulgação de quase todos os atentados. E só autorizam um atentado por dia. E parece que há vários. O nosso parece que foi o atentado do dia.

(Dr. Eduardo: [¼ de linha em branco] …muito procurado pela “TV Globo”, para declarações. Não foi encontrado. Eu disse para eles responderem que procurassem o senhor.)

Isso. A palavra é sempre vir falar comigo… [¼ de linha em branco] …que eu lhe fale.

[risos]

[¼ de linha em branco].

* Fingem que nos ignoram

(Dr. Luiz Nazareno: Eu tinha uma outra repercussão que é o seguinte. O Doutor Plinio sempre insiste conosco que nas rodas burguesas de famílias mais abastadas aqui de São Paulo, se conversa muito a nosso respeito. Na hora em que nós aparecemos nesses lugares, nunca tocam nos assuntos ligados à TFP, sobretudo, muito menos, ligados à pessoa do Doutor Plinio.

Há ainda esse fato. Mas para ajudar um pouco a nossa fraca fé, tem um fato curioso a contar, ou dois fatos. Um é o encontro com gente dessa roda, hoje à tarde, em que quando eu encontrei — encontro marcado — eles estavam conversando com uma terceira pessoa, um senhor bastante conhecido, em que eles disseram:

Ah! como é que é a bomba?

Eles estavam falando sobre a bomba. Mas foi só eu chegar, eles começaram a [fazer] morrer o assunto, só queriam contar a respeito da bomba do Automóvel Club e outras coisas, e não queriam ouvir nada a respeito da TFP, quando antes eles estavam falando a respeito disso. Ora, como eles são pessoas que estão na idade madura, mas ainda bastante lúcidos, eles seguem a “palavra de ordem”, que é de falar de nós só pelas costas, não é?… [¼ de linha em branco] …comentários… [¼ de linha em branco] …desfavoráveis, mas só pelas costas, para não falar diante de nós, para nos fingir desconhecidos, ignorados.

Ora, eu fui muito procurado hoje por um outro senhor, que este já está fora da idade lúcida, e que estava muito interessado em saber notícias. E depois, à noite, no telefone ele disse… Eu falei ainda que ia mandar, como cortesia da TFP, o número de “Catolicismo” sobre a campanha, fazendo parte do programa de distribuição antecipada, e depois ele disse assim:

É, eu amanhã tenho que almoçar na roda de amigos em que eu almoço todos os sábados, mas eu já não estou com vontade de ir porque me sinto mal… [¼ de linha em branco] …tenho dificuldade de me mover, não quero sair mais. Mas amanhã faço questão de ir porque eu sei que o assunto vai ser a bomba da TFP.)

Ele, realmente, já não está…

(Dr. Luiz Nazareno: Nossa Senhora é que se vale das pessoas já pouco lúcidas para nos provar o que Doutor Plinio falava e que nós recebíamos com pouca fé.)

Mas é isso.

(Dr. Luiz Nazareno: A nossa fé pode ser auxiliada por um fato… [¼ de linha em branco] …das pessoas pouco lúcidas.)

Nem tem dúvida.

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1 Pronúncia: Drapa’ha’ll. Nome do universitário comunista que, depois de uma briga com membros do Grupo na Faculdade, foi à sede e descarregou uma arma contra a porta, ferindo, não gravemente, um membro do Grupo que se pôs sentado no chão, travando a porta com os pés.