Santo
do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 31/5/1969 –
Sábado [SD 020] – p.
Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 31/5/1969 — Sábado [SD 020]
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Maria é Rainha por ser a primeira das criaturas, a Mãe de Deus e ter o governo de tudo, especialmente o sobrenatural * Seu reino deve ser também temporal * Fazer a vontade de Nossa Senhora é obedecer à Igreja e à voz da graça, conhecer e cumprir com zelo a própria vocação * Segredo de Maria, Reino de Maria e Sagrada Escravidão * Critérios do Sr. Dr. Plinio no seu método de expor os temas
31 de Maio é uma grande festa para nós porque é a data de Nossa Senhora Rainha, razão pela qual, precisamente, nós veneramos especialmente esta imagem que aqui está colocada.
Nós já temos falado várias vezes da realeza de Nossa Senhora. É uma realeza sobrenatural, bem conhecida que advém a Nossa Senhora do fato de Ela ser a primeira das criaturas de Deus. Ela é a primeira e a mais alta das criaturas de Deus.
O primeiro título que Ela tem à realeza é este. Mas não é a primeira na ordem da natureza, porque os anjos, na ordem da natureza, são mais do que Ela.
O anjo é puro espírito e é, portanto, mais do que uma criatura humana. Mas Ela é a primeira criatura na ordem da graça. Quer dizer, Ela recebeu, incomparavelmente, mais graças do que todos os anjos e as graças de todos os anjos são subordinadas à graça d’Ela.
De outro lado, Nossa Senhora é também a primeira das mulheres. O primeiro dos homens foi Nosso Senhor Jesus Cristo; a primeira das mulheres é Nossa Senhora. Este primado já Lhe daria um título à realeza. Porque a realeza é um estado de direito e este estado de direito decorre de um estado de fato. Aquela que é a primeira tem o direito de mandar, tem o direito de ser servida, sobretudo quando se trata de uma superioridade eterna, que nunca terá fim, e completa. Isto define a realeza.
Além disto, Nossa Senhora é rainha porque Ela é Mãe de Deus. Ninguém teve, nem pode ter, com a Santíssima Trindade, uma união mais estreita do que Ela. Ela é por excelência a filha do Padre Eterno, Ela é a Mãe do Verbo Encarnado e o Espírito Santo gerou nEla a Nosso Senhor Jesus Cristo. Quer dizer, Ela é a esposa do Espírito Santo, verdadeira esposa do Espírito Santo.
Ela é rainha porque, além disto, Deus colocou, por um ato a mais, todo o governo de todas as criaturas na mão d’Ela. Quer dizer, Deus não faz nada que não passe por Ela. Todas as orações que sobem a Deus devem passar por Ela, todas as graças que vêm de Deus foram pedidas por Ela. Se o céu inteiro pedisse alguma coisa sem Ela, não a obteria. Ela sozinha, sem o céu inteiro, obtém, de tal maneira Ela é tudo.
Isto é uma rainha; na maior força do termo é uma rainha. Se isto não é uma rainha, não se sabe o que é uma rainha.
* Seu reino deve ser também temporal
Agora, a esses conceitos que correspondem a um reino sobrenatural, celeste, que é o mais alto reino Dela, deve corresponder um conceito de reino terrestre. Nossa Senhora tem também uma realeza terrestre.
Qual é esta realeza de Nossa Senhora?
A sociedade humana, nos seus aspectos temporais, deveria ser organizada de tal maneira, que em tudo obedecesse à vontade de Nossa Senhora, por Nossa Senhora ser rainha. Quer dizer, todos os que governam deveriam fazer a vontade d’Ela e todos os que obedecem deveriam obedecer à vontade d’Ela.
São Luís, rei de França, se intitulava le servant de Dieu en France, ou melhor, le sergeant de Dieu en France. Mas a palavra sargento não tinha a conotação que tem hoje. Podíamos dizer o capitão de Deus na França. Quer dizer, um mero capitão, que faz o que Deus quer.
Este é o conceito do rei terreno. O rei terreno executa a vontade da rainha celeste.
* Fazer a vontade de Nossa Senhora é obedecer à Igreja e à voz da graça, conhecer e cumprir com zelo a própria vocação
Agora, como é que nós conhecemos a vontade de Nossa Senhora? O que é que quer dizer isto: a vontade de Nossa Senhora? Uma vez que Ela não está aparecendo para nós, que Ela não está nos falando, o que que quer dizer a vontade de Nossa Senhora?
A vontade de Nossa Senhora é, antes de tudo, capitalmente, essencialmente, a doutrina católica, a obediência à Igreja Católica. Esta é a vontade de Nossa Senhora. Fundamentalmente é isto. Porque é claro: Nossa Senhora tem que mandar o que Deus manda, querer o que Deus quer. Ela é inteiramente unida e submissa a Deus, de maneira que obedecer à Igreja Católica é obedecer a Nossa Senhora. O primeiro elemento da vontade de Nossa Senhora, o mais claro, o mais irrecusável é este.
Agora, há outro elemento: é a voz da graça em nós.
A cada homem a graça indica mais ou menos um rumo, sobretudo através das várias vocações. A vocação é um chamado. Vocare é chamar. O que é uma vocação? É um chamado de Deus. Ou melhor, é um chamado de quem? De Nossa Senhora. Então, corresponder à vocação é um dos modos de fazer a vontade de Nossa Senhora.
Agora, o que é que é corresponder à vocação? É quando a gente pertence, por vocação, a um grupo. Fazer a vontade daqueles que devem dirigir o grupo é fazer a vontade de Nossa Senhora. Fazer a vontade de Nossa Senhora como merece ser feita, quer dizer, com todo o empenho em conhecer, primeiro lugar. Segundo lugar, com todo o zelo em cumprir, e sem discutir.
Esta é a vontade de Nossa Senhora, façamo-la e acabou-se. É a vontade? Faz-se. Não se discute.
O treino que nós temos, o adestramento de arbitrariedade que se faz em Itaquera é para isto. É habitual a pessoa fazer a vontade de Nossa Senhora sem discutir. É tratado arbitrariamente, obedece ao que parece absurdo, obedece ao que não entende, faz o que não quer. É criar os reflexos para obedecer.
Aqui os senhores têm, portanto, uma relação entre o exercício de arbitrariedade e o Reino de Maria. O Reino de Maria se torna mais pleno naquele que caminha até a arbitrariedade.
* Segredo de Maria, Reino de Maria e Sagrada Escravidão
Os senhores me dirão: qual é a real relação que há entre o Reino de Maria e o Segredo de Maria?
Para dar uma idéia essencial e respondendo a uma pergunta que me foi feita, que eu acabo de ler aqui, para dar uma idéia resumida, o Segredo de Maria — é claro que a idéia é muito essencial — é uma graça que opera de um modo pouco mais ou menos sem precedentes e que tem por fim nos dar as disposições de alma para obedecer sempre a Nossa Senhora, para conhecer sempre a vontade d’Ela e obedecer.
Agora, uma última pergunta: se fazer a vontade de Nossa Senhora é seguir a vontade da Igreja, a Idade Média foi ou não foi o Reino de Maria? E por que é que nós falamos, então, num futuro Reino de Maria? Que sentido tem isto?
A resposta é a seguinte:
A Idade Média foi um reino ou um reinado de Maria. Quer dizer, fez-se a vontade d’Ela. Mas o grosso dos teólogos não tinha explicitado tão bem a mariologia como depois se explicitou. Sobretudo, a grande voz tonitruante e angélica de São Luís Grignion de Montfort não tinha enchido o mundo. De maneira que o conceito da escravidão a Nossa Senhora era de uns poucos, de uns raros.
O Reino de Maria, depois da Bagarre, vai ser edificado sobre a mariologia e, sobretudo, no futuro dogma da mediação universal de Nossa Senhora e da idéia da escravidão a Nossa Senhora, da prática da escravidão. Então vai ser o Reino de Maria por excelência. Por isto mesmo, com uma ordem temporal muito mais perfeita que a da Idade Média. Então vai ser a perfeição do Reino de Maria.
* Critérios do Sr. Dr. Plinio no seu método de expor os temas
Eu vejo com muita satisfação o empenho que os senhores têm em tomar nota. Vejo com muito pesar que eu deixo os senhores um pouco fora de fôlego. É que eu sou obrigado a comprimir o mais possível, colocar o mais possível de noções no mínimo possível de tempo e de expulsar de minha frase tudo quanto for palavra supérflua. O resultado é que habitualmente quem toma nota nada entre as palavras supérfluas e pega as palavras indispensáveis. E nesta espécie de comprimido que eu faço, e que é intencional, fica meio difícil pegar tudo.
Mas, de outro lado, se eu vou alongar as coisas inutilmente, primeiro eu não sei fazer, ou estou tão habituado a condensar, que eu já não sei fazer a não ser condensado. Depois, em segundo lugar, os senhores mesmos terão a sensação de que eu estou dando voltas à-toa, o que é uma coisa frustadora. E em terceiro lugar não dará tempo para eu dizer tudo o que eu quero.
De maneira que eu recomendo aos senhores, se têm a sensação de que não pegaram tudo, que procurem depois ouvir no gravador. É um ato de paciência, mas é o único jeito que temos de tocar as coisas para a frente.
Tanto mais que eu tenho outros que me dizem que o entusiasmo, o enlevo, etc., perdem muito quando eu falo assim, quando eu falo assim por estações, acompanhando o fôlego dos meus amigos, e que ver a coisa de um vôo só é uma coisa que enche muito mais a alma. O que eu também posso compreender. O que eu não posso é falar ao mesmo tempo devagar e depressa. Isto eu não posso.
Então, nós temos que arranjar um meio termo, que seria de eu fazer um pouco de pausa, os senhores perderem um pouco o fôlego e depois recomporem um pouco no gravador, se acharem que é o caso. Nós não temos, infelizmente, outro modo de fazer as coisas.
Mas não creiam que eu não tenho a alma cheia de compadecimento para com o trabalho de escrever coisas.
Às vezes há algum que me olha com um olhar meio esgazeado, meio perdido, como quem diz: “O senhor não vê que não vai?”. Eu compreendo, eu lamento, eu não posso fazer outra coisa.
De maneira que, ao menos, não pensem que é uma espécie de indiferença brutal, assim a la locomotiva de minha parte. Uma espécie de locomotiva teológica que vai cortando as paisagens e quem não consegue correr, que corra sem fôlego ao longo do leito da estrada. Não é isto.
(…)
Para falar na cor das coisas, eu queria dizer aos senhores que nós devemos rezar esta noite por alma do pai do Prof. Fernando Gomide e do Cônsul Aloísio Gomide, que morreu creio que hoje — foi hoje, não é, que ele morreu? — no Rio de Janeiro. Bem, o enterro deve ter sido realizado hoje mesmo.
Então, hoje e amanhã, de acordo com o nosso costume, rezaremos por ele. Não vai haver Santo do Dia, não vão haver as orações do sábado porque as pessoas que assistem as reuniões do auditório estão convidadas para uma reunião agora à noite.
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