Santo
do Dia – 17/5/69 – ª feira .
Santo do Dia — 17/5/69 — Sábado
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Foi pelos rogos de Nossa Senhora que nos foi dado o Santíssimo Sacramento e é por meio d’Ela que recebemos suas graças * Nosso Pai e Fundador descreve o modo de comungar de um verdadeiro escravo de Maria * A Comunhão feita em união com Nossa Senhora é plenamente confiante e jubilosa * A devoção a Nossa Senhora põe em equilíbrio todos os problemas que podem prejudicar nossa Comunhão
* Foi pelos rogos de Nossa Senhora que nos foi dado o Santíssimo Sacramento e é por meio d’Ela que recebemos suas graças
Hoje, sábado na Oitava da Ascensão, é festa de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. É também festa de Nossa Senhora, Rainha dos Apóstolos.
Estamos na novena do Espírito Santo e na novena de Nossa Senhora Auxiliadora.
Eu acho conveniente deter nossa atenção particularmente nessa invocação de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.
Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento quer dizer, Nossa Senhora considerada especialmente em suas relações com o Santíssimo Sacramento.
Como eu não posso fazer um Santo do Dia longo, eu procurarei fazer esquemático, para que caiba o mais possível de matéria dentro de pouco tempo.
Eu darei então, os seguintes pontos para considerarmos.
O primeiro deles é considerar o seguinte: Uma das maiores graças que o gênero humano recebeu foi a instituição da Sagrada Eucaristia, quer dizer, da presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo em todos os sacrários da Terra, até o fim do mundo.
Para nós medirmos a importância dessa graça, basta nós considerarmos como julgaríamos magnífico o favor de, de repente, termos Nosso Senhor visível aqui entre nós.
Nós consideraríamos, com toda razão, que uma eternidade de agradecimentos não bastaria para agradecer a isso.
Ora, Nosso Senhor não está visível, mas está tão real quanto estivesse visível no Santíssimo Sacramento. Por aí nós podemos medir um pouco a importância dessa graça.
Segundo: A importância da graça da comunhão, não é apenas a presença d’Ele no Santíssimo Sacramento, mas é a presença real d’Ele em nós.
Terceiro: Que na ordem dos valores é o supremo, é o maior que tudo, é a Missa, que é a renovação incruenta do sacrifício do Calvário, e que está ligada à Eucarístia. Não haveria Missa sem Eucarístia.
Bom, essas graças todas, se nós as recebemos, nos vieram a rogos de Maria. Vêm por meio d’Ela. De maneira que esses favores insondáveis nós devemos a Nossa Senhora. Ela é que trouxe, que obteve o Santíssimo Sacramento para o gênero humano.
Mais ainda: todas as graças que Nosso Senhor distribue no Santíssimo Sacramento, Ele distribue pelo pedido d’Ela.
Se Ela não pedisse, nós não obteríamos.
Mais ainda: a única criatura humana que presta ao Santíssimo Sacramento um culto inteiramente digno, é Nossa Senhora. As outras criaturas humanas algum defeito sempre têm, que macula o alcance desse culto.
Pelo contrário, Nossa Senhora presta um culto perfeito.
Mais ainda: Nossa Senhora conhece todos os lugares da Terra onde está o Santíssimo Sacramento, e Ela, do alto do Céu está adorando continuamente as Sagradas Espécies por toda parte.
Onde as Sagradas Espécies são adequadamente cultuadas, aí Ela presta um culto jubiloso.
Quando são tratadas com indiferença ou até com blasfêmia, ou sacrilégio, Ela aí presta um culto reparador.
A devoção do Santíssimo Sacramento em cada alma é um fruto d’Ela. É uma graça, logo é um fruto d’Ela. Por Ela é que somos devotos do Santíssimo Sacramento.
* Nosso Pai e Fundador descreve o modo de comungar de um verdadeiro escravo de Maria
Bom, que uso nós devemos fazer desses pontos?
Cada um desses pontos é um ponto de meditação, que nos deve ajudar a comungar como São Luís Maria Grignion quer.
Todas as nossas comunhões são atos de culto a Nosso Senhor Jesus Cristo, mas com Maria, por Maria, em Maria.
Então, dadas todas essas relações que Nossa Senhora tem com o Santíssimo Sacramento, nós devemos preparar-nos para a comunhão com o auxílio d’Ela. O que quer dizer isso?
Pedir a Ela que venha à nossa alma, que disponha nossa alma e que diga por nós a Nosso Senhor tudo quanto Ela diria se Ela estivesse comungando.
Nós devemos receber a eucarístia junto com Ela. O que quer dizer isso concretamente?
Pedir com que Ela esteja como que à entrada de nossa alma para receber a Nosso Senhor. Que Ela, no interior de nossa alma preste os atos de culto a Ele.
Os atos de culto como os senhores sabem, são quatro: adoração, ação de graças, reparação e petição das graças que precisamos. Então pedir que Ela faça tudo isso em união conosco.
Dizer a Nosso Senhor na comunhão o seguinte: “Meu Deus, Vós encontráveis vosso Paraíso estando em Maria durante a concepção d’Ela. Como é inferior a acolhida que eu vos dou! Tende-a entretanto em consideração, que em espírito, Vossa Mãe está presente em mim, dispensando-Vos uma acolhida incomparável. Recebei, assim, com benignidade, meus pobres atos de culto, enriquecidos por passarem através d’Ela, a fim de chegar a Vós”.
Assim, nossa piedade Eucarística se torna inteiramente marial, inteiramente embebida do espírito, do modo da devoção de São Luís Maria Grignion de Montfort. Isso é o modo de comungar de um escravo de Maria.
E isso evita que a comunhão caia em dois erros: um é a idéia da inacessabidade de Deus.
* A Comunhão feita em união com Nossa Senhora é plenamente confiante e jubilosa
Porque Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, quer dizer, Ele é tão Santo, tão infinitamente Santo, que não há nenhuma proporção possível entre nós e Ele debaixo de nenhum ponto de vista.
Então, se a gente tem isso em vista, a gente vai comungar e corre o risco de comungar acanhado, quase deprimido.
Se a gente tem em vista que Nossa Senhora está em nós espiritualmente — não realmente como está Ele — mas em espírito, se a gente tem isso em vista, a gente comunga alegre, porque apesar de sermos o que somos, Ela está lá.
Eu lhes dou um exemplo: imaginem um mendigo que vai receber a visita do maior rei da Terra. Ele não [tem] nada para oferecer ao rei, mas ele consegue que a rainha mãe esteja lá para receber o rei. Ele está tranqüilo. A recepção dele foi soberba. Não lhe falta nada. Se a rainha mãe está na entrada do tugúrio e diz: “Meu filho, eu quis honrar essa casa com a minha presença. Essa casa é minha, entre.”
O dono da casa não tem outra coisa senão sorrir, regozijar-se, transbordar de alegria porque a recepção está à altura do rei. É feita pela mãe dele, e acabou-se.
Então, a comunhão é plenamente confiante, plenamente tranqüila, é alegre, é jubilosa.
A gente deve comungar com a alma assim. Não acanhado, encafifado. E dava para isso, porque se cada um de nós vai pensar no que leva, meu Deus, que encafifamento!
Bem, mas ali está Nossa Senhora, acabou. Que tranqüilidade, alegria, paz de alma, esperança para tudo.
* A devoção a Nossa Senhora põe em equilíbrio todos os problemas que podem prejudicar nossa Comunhão
Bem agora, evita também a falta de respeito, que teria, por exemplo, um mendigo a quem o rei vai visitar todo dia. Nunca o mendigo tem nada para oferecer ao rei. No tantésimo dia, não sei, não sei quanto, ele diz para o rei: “Quer saber de uma coisa? Senta aqui e conversa, porque eu não tenho mesmo nada, não posso me rachar. Se Vós quiserdes vir aqui, a coisa é essa. Aqui está meu café velho para oferecer, e minha caneca rachada. Não tem outra coisa, não posso me virar pelo avesso.” Daí, falta de respeito.
Então, a devoção a Nossa Senhora equilibra isso. Tira o acanhamento, o encafifamento, mas tira também a rotina, o desrespeito.
A gente compreende quem é que em nós está recebendo Quem.
Há, portanto, uma espécie de equilíbrio da piedade eucarística simplesmente magnífica, pela conjunção da maior das venerações, uma veneração que se chama adoração, de um lado, mas também a maior das ternuras.
Eu posso tomar com Ele as liberdades mais afetuosas, porque fui trazido pela Mãe d’Ele.
Eu quisera que um membro do Grupo, habitualmente, comungasse nesse espírito, tomando, cada dia por exemplo um desses pontos para a comunhão.
Só esse: “Minha Mãe, eu Vos devo a instituição da Sagrada Eucarístia. Todo o gênero humano Vos deve essa instituição. Ajudai-me a agradecê-la a Vosso Divino Filho, vinde a minha alma.”
Ao receber, agradecer isso a Ele. Está feita uma comunhão excelente. Tomar cada um desses pontos e comungar analisando esses pontos.
Eu acho que seria um método ideal para a comunhão; e evita assim, não só a falta de respeito ou o encafifamento, mas evita a rotina; as tais comunhões em que as pessoas tem a impressão de que não sabem o que dizer a Deus. Como dois velhos amigos que se encontram todos os dias e que já não têm muito o que dizer um para o outro.
Nós para Nosso Senhor, temos sempre coisas novas para dizer. É aprofundar esses horizontes. Cada uma dessas coisas daria um ponto para uma comunhão; encher essa comunhão.
Que Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, que é Nossa Senhora enquanto ligada, com todos esses títulos, ao Santíssimo Sacramento, nos conceda a todos nós essa graça tão preciosa de uma piedade eucarística em união com Ela.
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