Santo do Dia – 9/5/1969 – p. 3 de 3

Santo do Dia — 9/5/1969 — 6ª-feira [SD 258] Local: ?

Nome anterior do arquivo: 690509--Santo_do_Dia_2__a.doc

O maravilhoso: esplêndido reflexo de Deus. Sacralizar o quotidiano, desbanalizar a vida real e recriar o feérico. O simbolismo da flor-de-lis no fuste do nosso estandarte.

O maravilhoso e a sacralização do quotidiano. A flor-de-lis do nosso estandarte.

O maravilhoso reflete esplendidamente a Deus * Sacralizar o quotidiano, desbanalizar a vida real e recriar o feérico * O simbolismo da flor-de-lis no fuste do nosso estandarte

matéria de hoje, eu queria ler uma coisa curiosa do Murillo Mendes, que o Dr. Castilho separou.

* O maravilhoso reflete esplendidamente a Deus

Eu tenho insistido muitas vezes aqui a respeito desse fato de que nós devemos ter um anseio para o maravilhoso. As conferências de europeização que eu faço, mais ou menos uma vez por mês aqui, essas conferências de europeização visam exatamente despertar em nós o gosto do maravilhoso que no campo artístico a Europa desenvolveu até um grau inaudito. Bem, de vez em quando passo alguma coisa da Ásia para mostrar alguns outros aspectos desse maravilhoso.

Eu tenho mostrado que o gosto, que o maravilhoso, as coisas maravilhosas feitas pelo homem, verdadeiramente maravilhosas feitas pelo homem, ou diretamente por Deus, são as obras-primas da Criação. Ora, se a Criação toda nos lembra a Deus, é evidente que aquilo que na Criação é mais esplêndido, nos lembra mais esplendidamente a Deus. De maneira que é inteiramente natural que o homem tenha esse anseio do maravilhoso como um meio de se aproximar de Deus.

É por causa disso também que nós vemos que o Comunismo procura eliminar o maravilhoso de tudo e fazer tudo o mais vulgar, o mais terra-a-terra, o mais banal possível: é porque é uma forma de ateização. Com isso a gente extingue da alma humana, tanto quanto possível, os surtos que levam o homem para Deus.

* Sacralizar o quotidiano, desbanalizar a vida real e recriar o feérico

Então, Murillo Mendes… Os senhores vejam o pensamento dele como é. É o seguinte — é num livro recente dele, hein!, um livro de memórias:

Movido por um instinto profundo, sempre procurei sacralizar o quotidiano, desbanalizar a vida real, criar ou recriar a dimensão do feérico.

São, portanto, três coisas sucessivas:

sacralizar o quotidiano…

Quer dizer, a vida quotidiana, que é tão banal…

Dr. José Fernando, queria… [faltam palavras] …isto, um pouquinho mais. A vida quotidiana… Assim está bem, obrigado.

A vida quotidiana que é tão banal, então, introduzir nela uma certa nobreza, uma certa elevação, que é o que eles chamam “sacralizar”, porque aquilo que é sagrado é que tem o auge da beleza, da nobreza e da elevação. Então, sacralizar o quotidiano.

Bem, depois, a segunda coisa:

desbanalizar a vida real…

É uma outra forma de dizer, “sacralizar o quotidiano”; quer dizer, tirar da vida real o que ela tem de banal.

Bom, agora vem o mais característico:

criar ou recriar a dimensão do feérico.

Quer dizer, das coisas do conto de fadas. O feérico é o do conto de fadas, não é? Quer dizer, as coisas que dão à vida um sentido como se fosse um conto de fadas, isso a todo momento ele procura ressuscitar, não é?

Agora, qual é esse conto de fadas? Eles consideram a Religião um mito. Então, é agir como se os contos de fada fossem verdadeiros, porque sem a beleza que eles, blasfemamente, chamam “mística da Religião”, seria impossível suportar a vida. É razão a mais para nós compreendermos quanto nós devemos procurar sacralizar em nós a nossa vida quotidiana, mas com valores sacrais autênticos; desbanalizá-la, expulsando a banalidade de dentro de nossas almas e exatamente reportá-la a valores feéricos, ou seja, não aos contos de fada, mas ao verdadeiro sobrenatural da Religião Católica.

* O simbolismo da flor-de-lis no fuste do nosso estandarte

Os senhores vão ter agora um exemplo disso. Eu lhes peço que me indiquem, os senhores do auditório, me indiquem com toda a franqueza, o que [é] que acham. Isto seria um lírio, uma flor-de-lis a ser modelada em madeira, para ser colocada no alto do fuste dos nossos estandartes, na próxima campanha. Eu acho que fica muito bonito, sobretudo se se puser dourado também.

[Uma pessoa do auditório parece sugerir que se faça de ferro batido e não de madeira]

(…)

Mas não torna o estandarte muito pesado?

(Sr. –: Não.)

E é possível dourar?

(Sr. –: É.)

Então, é um caso a estudar. Mas eu tenho a impressão de que a madeira é mais macia do que o ferro, ou não?

Para olhar. Bom, mas enfim, não é verdade que isso, no alto de um fuste, sacraliza o fuste, desbanaliza o fuste? E lhe dá algo que se poderia chamar de feérico, mas não é, é um ato de Fé? Não é verdade?

(Sr. –: O senhor poderia… [¼ de linha em branco] …a simbologia das três coisas?)

Para os medievais? Era a virtude da Fé, da cavalaria e da… Qual era a terceira? Da Sabedoria e da cavalaria. Ah, é! É a Sabedoria, a cavalaria, –– qual era a outra? –– eram três, infelizmente –– pela Sabedoria, [servi-la?] –– não, Fé, não. Fé, não serve nada [?].

Como é?

A pureza, era isso. O símbolo da flor-de-lis para eles era a virtude da Sabedoria, que é a rainha de todas as virtudes, servida — com a cabeça baixa — pela pureza e pela coragem, pela cavalaria.

Há alguma coisa que descreve melhor o Grupo do que isso? Bem, isso eu sei, que verem florescer esse lis no fuste de nosso estandarte vai ser uma razão de ódio a mais, hein! Porque vai ser como quem diz: “Esses bandidos até isso têm, quando nós liquidamos com tudo, não temos nada. Nós somos da Igreja pobre, miserabilista, miserável”. Bom, é isso e não vai por menos.

Os senhores não acham que é uma maravilha? Pode deixar aí de pé.

(Sr. –: Doutor Plinio, me parece que isso também tem um aspecto de ponta de lança, agressiva.)

Tem, e foi a razão pela qual eu declarei o seguinte: que habitualmente a flor-de-lis propriamente francesa é um pouco mais distinta. A francesa Ancien Régime, não a medieval. Mas essa nos serve perfeitamente, porque isso é uma ponta de lança. Quer dizer, a mim me satisfaz muito. Não sei o que os senhores acham disso. A mim me satisfaz muito. E nesse caso, alegremo-nos, porque assim sairemos à rua, com a graça de Nossa Senhora. E depois, há o valor incomparável do lírio simbolizar Nossa Senhora. É a pureza — não é? — de Nossa Senhora.

Bom, com isso, eu creio que nós podemos passar à nossa conferência habitual.

*_*_*_*_*