Santo do Dia (Auditório Santa Sabedoria) – 20/3/1969 – 5ª-feira – p. 5 de 5

Santo do Dia (Auditório Santa Sabedoria) — 20/3/1969 — 5ª-feira

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O Santo do Dia de hoje, nós estamos na Novena da Anunciação de Nossa Senhora.

(Dr. Luiz Nazareno: O artigo da “Folha”, Dr. Plínio.)

O artigo da “Folha” não está aqui, eu precisaria... O quê que preferem, o artigo da “Folha”? eu achava mais prático ver a questão do ensino secundário, não é? Para liquidar o caso. Quais são as perguntas do ensino secundário, quem é que ainda tem perguntas levante o braço. Lembram-se aquela questão do apostolado no ensino secundário que está, vamos fazendo perguntas anteontem? Bem, do lado de cá. Alfredo.

(Sr. Alfredo MacHale: Dr. Plínio, en el apostolado tanto secundário como universitário em muitas ocasiones se provocan discusiones de ultramontanos com gente que é contrária ao progressimos. Ahora, nesses discussiones se presenta mucho digamos aspectos que son como pormenores pero que muchas veces son de mucha importância.)

Sim, sim.

(Sr. Alfredo MacHale: ...[faltam palavras]... em que medida conbiene tratar respectivamente a adversário por decir por ejemplo ...[faltam palavras]... argumento ...[faltam palavras]... sentimentale ideológico que seja incoerente, depues em que medida conviene explicitar ...[ilegível]... los errores del adversário ...[faltam palavras]... em que medida también comviente a los ultramontanos... Como pode hacer el ultramontano para que la discusione siga para el aspecto colateral? ...[faltam palavras]... Como nessa discusione lograr apartar-se de los ...[ilegível]... que los progressistas ...[faltam palavras]... nostra posición provavelmente cristalizaria contra nuestra personas que ...[faltam palavras]... son ultramontanebles.)

Sim, sim, pois não.

(Sr. Alfredo MacHale: Muy ampla esta pregunta, o senhor poderia ...[faltam palavras]...? Dr. Plínio.)

Posso, com muito gosto. É verdade que essa pergunta cabe mais, ao menos dentro do ambiente brasileiro, a pergunta cabe mais para o ensino universitário do que para o ensino secundário, porque por causa das dobras da mentalidade brasileira que eu tive ocasião de expor ontem existe uma tendência no ensino secundário a começar as coisas tratar sério e acabar em brincadeira e briga de caráter pessoal, não é? É célebre uma pergunta do João Clá a respeito do caso, não é? O quê que foi? João Clá disse sobre o negócio de banana, como foi a história da banana? Ele estava discutindo...

(Sr. Fábio: Se o governo mandar plantar papola e eu quiser plantar banana, eu sou obrigado a plantar papola? Ele – a pessoa com quem ele estava discutindo – disse: é obrigado. Palhaço, papola não dá no Brasil!)

É uma [saída?] viva, é uma saída inteligente, mas é o pior tom de discussão possível, não é? Porque não é discussão. Bem, isto aqui tem muito o êxito. Aqui é uma… por quê? Porque a discussão degenera rapidamente de discussão ideológica em competição pessoal. Eu creio que não dou aos senhores nada de novo lançando esta afirmação, não é? É rapidíssimo, não é? Eu creio que há mais seriedade nas discussões platinas e santiaguenhas, de maneira que eu… era preciso ver bem se eu dou as regras aconselháveis para lá ou para cá. Se quiserem, eu poderia talvez dar as regras aconselháveis para lá numa reuniãozinha, vocês ouvirão meio atônitos as regras aconselháveis para cá, porque a coisa é muito diferente, ouviu? Aquém do Prata e além do Prata isto muda enormemente. Com um pouco de diferença para o Rio Grande do Sul, um pouquinho talvez pela vizinhança do Rio da Prata, qualquer coisa, mas já a nossa Santa Catarina [voltando-se para o Sr. Marivaldo] está …[ilegível]… na atmosfera nacional completamente. Ao menos a Santa Catarina brasileira, a Santa Catarina teutônica eu já não sei bem, é outra questão. A Santa Catarina luso-brasileira está nesse caso.

Bem, agora eu preferiria, como eu estou pretendendo um Santo do Dia, ou uma reunião sobre apostolado universitário, eu preferiria que você me deixasse aqui dentro esse questionário porque aí ou respondo para os brasileiros e depois trato com vocês uma reuniãozinha sobre isso. Neste auditório existe mais alguma pergunta sobre apostolado secundário? No auditório do ar livre existe alguma pergunta? Quem é? Romeu.

(Sr. Romeu Merheje: Digamos que haja um caso que um rapaz, um menino esteja sozinho no colégio. Qual seria um esquema, um método para ele agir sozinho?)

Eu tenho a impressão seguinte que depende muito… a dificuldade dessas coisas está na diferença de dotes pessoais e quase na diferença de vias da graça porque cada um tem além dos dotes pessoais tem um modo pelo qual a graça abençoa o apostolado dele especialmente embora todas as formas de apostolado que eu diga possam ser formas ultramontanas. Mas o princípio dos princípios é o seguinte: quem está fazendo apostolado contra-revolucionário deve ter em vista criar um ambiente no qual ele traga de seu lado alguns contra-revolucionários para pertencerem ao grupo, crie, tanto quanto que possível, não é certo que consiga ser, crie uma atmosfera de simpatia em alguns cristalizados contra os revolucionário e por fim consiga um grande embate com os revolucionário, mas um embate prestigioso em que nós fiquemos de cima, isto é o auge do apostolado bem sucedido. E a pessoa naturalmente deve visar um apostolado bem sucedido. Agora, um aluno sozinho, se ele tem dotes políticos ele deve começar pelo cochicho? Ele deve tanto quanto possível evitar casos e evitar de ser perseguido, portanto não criar situações, não criar problemas nem nada disso e procurar ver se ele consegue uma panelinha de pessoas mais ou menos que pensam como ele. Depois disso então ele deve procurar um incidente com os brucutus da sala, mas no qual os brucutus sustentam uma coisa que a maioria não goste.

Bem, depois disto, de ele ter conseguido uma maioria …[faltam palavras]… ele aí disata, debanda uma polêmica por cima dos brucutus acompanhado por vários, isto seria o ideal. Mas eu posso admitir que um rapaz não se sinta muito dotado para essa política e que pelo contrário se sinta muito dotado – pode entrar megalice nessas coisas, hein, pode é Saint Simon. Bem, pode entrar megalice nessas coisas – mas se sinta muito dotado para iniciar desde logo uma polêmica brilhantíssima, dar um esbarro em três ou quatro leões da revolução e com isto despertar simpatias e admirações, etc., pode ser que um ou outro se sinta capacitado para isto, neste caso eu acho que é o caso de fazer por aí, sobretudo se tiver o dom pouco freqüente de saber pôr a ridículo o adversário, então é o ideal, não é? Mas é preciso saber como pôr a ridículo não é? Bom, eu não sei se minha resposta responde à sua pergunta. Floriano parece que ia perguntar alguma coisa?

(Sr. Floriano: Dr. Plínio, para evitarmos os …[ilegível]… que o senhor falou de desviar das coisas que não são interessantes, não seria o caso do professor levar um esquema num papel grande que se pudesse afixar no quadro negro com todo o esquema, etc., e quando alguém quisesse iniciar, falar, olha, isto está fora do esquema da aula e tocar a coisa por aí?)

Quer dizer, isto vai e não vai, porque aluno brasileiro sempre está com olho meio sarcástico no professor no curso secundário para ver se o professor sabe ou não sabe, e se sabe responder ou não, etc., etc., e o problema para ele não é tanta saber se o professor tem razão mas perguntar se o professor tem o direito de bancar o professor dele e o exigir dele uma disciplina quando sabe pouco, porque ele ficará encantado se ele encontrar que o professor sabe pouco. Eu não sei… você não é totalmente brasileiro, não é Floriano? Um tanto, não é? De maneira que não sei se percebeu bem essa faceta, de maneira que se o professor começa: isto não está no esquema, não está no esquema, o aluno fica dizendo: ih, esse poça que não sabe responder. De maneira que um professor muito seguro de si e que saiba cerrar de cima com os alunos pode dizer o seguinte: perguntas fora de esquema eu respondo no intervalo. Mais do que isto eu acho arriscado. E depois é responder mesmo, hein! Estão ouvindo as risadas e o quê que as risadas querem dizer, não é?

(Sr. Floriano: Dr. Plínio, agora se o esquema fosse colorido assim eu tenho a impressão… [interrompido pelas risadas]… chamaria tanta atenção que… como o senhor disse uma vez aqui quanto foi botado um esquema, que se o esquema tivesse colorido chamaria muito mais atenção, e… e… será que… um esquema bem feito, bem desenhado, com cores vivas.)

Tudo isto poderia ajudar o professor a não responder pergunta na aula, mas dispensar-se de responder depois fora da aula? No tempo em que eu lecionei no ensino secundário e ainda mais no tempo que eu fui aluno no ensino secundário era insustentável. Porque as perguntas – eu era professor de História – as perguntas que me faziam para ver se eu sabia, ah, era do outro mundo, porque eles queriam ver, como é? Este homem aqui, e com esse jeito assim, quero saber se ele sabe, se ele não souber eu dou risada dele para ele tomar esse jeito.

(Sr. –: Claro!)

Como? Claro, é? Ouviu meu Floriano? Pássero ia perguntar alguma coisa?

(Sr. Luiz Carlos Pássero: Não, não ia não.)

Senhores. Pois não, ali eu estou vendo alguém, quem é que é? Pois não.

(Sr. Wilson: Dr. Plínio, o senhor disse outro dia que não se deveria começar um apostolado entrando diretamente em assuntos religiosos. Foi bem isso.)

É. Em princípio.

(Sr. Wilson: Isso. Agora, não quer dizer que não se deva entrar com toda intransigência?)

Ah,não, não! Isso é outra questão. Porque o que é intransigência? É preciso a gente entender. Intransigência é o mais mavioso – eu não sei se a palavra mavioso ainda existe – o mais maravilhoso dos instrumentos do apostolado. Nada atrai mais do que a intransigência. Mas a intransigência tem dois aspectos: um é nunca dizer que o bem é mal e que o mal é bem; o outro é chamar para o mal e dizer: você não vale dois caracóis.

Bom. E mostrar até aonde vai o mal.

Bem. O primeiro grau de intransigência é sempre, por toda parte, com todo mundo, e fazer outra coisa é uma apostasia. Quanto a dar o pulo em cima do mal a gente deve estar sempre pronto a dar, a gente deve interiormente estar sempre disposto a agredir o mal a qualquer momento, mas não quer dizer que a gente sempre agrida, porque aí vale, conforme as regras do jogo, vale o ataque frontal ou vale a rasteira. Isto depende muito.

(Sr. Wilson: Eu poderia fazer outra pergunta?)

Pois não.

(Sr. Wilson: Em matéria de apostolado com gente do curso secundário…)

Apostolado no curso secundário, sim.

(Sr. Wilson: …eu tenho visto vários casos em que se começa apostolado, há um interesse, desperta-se um grande interesse em determinado casos, concretamente em casos por exemplo de contatos vários que tem sido feitos interior, esse contatos são mantidos durante um certo tempo depois isso vai esmorecendo, as pessoas normalmente são tentadas também a ir deixando e não enfrentar as dificuldades.)

Sim.

(Sr. Wilson: Sobretudo no ambiente do nosso Estado a preguiça concorre muito nesse sentido. O senhor, digamos, o senhor teria algum conselho para o caso justamente dessas pessoas que não… desses apostolandos, digamos assim, que têm essa dificuldade e que vão esmorecendo justamente, não perseveram, e também talvez um pouco do lado… do nosso lado… …[faltam palavras]… se a coisa…)

Quer dizer, eu tenho a impressão que a falta de perseverança é ocasionada em geral por razões de caráter psicológico, muito mais do que por razões de caráter lógico, e essas razões vêm deste fato de que as pessoas nos conhece, pode ter um primeiro momento de entusiasmo e só depois verifica o quanto ela tem de se apartar do ambiente para nos seguir. Então vem o receio de deixar de ter importância no ambiente, de deixar de ter influência, uma porção de coisas dessas, não é? Sem falar das tentações contra a pureza que também podem afastar a pessoa para o outro lado.

Bem. Quando a gente faz no interior é preciso jogar com todo o peso, com o seguinte argumento: nós somos muitos, nós somos tantos, em tantas cidades do Brasil, eu lhes mostro aqui as fotografias de nossas sedes; e ver se a gente tira algum dia uma fotografia por exemplo de todo o Grupo de São Paulo, para mostrar para o interior, ainda que seja uma fotografia colegial dessas que a gente nunca publica na imprensa; em pé em banquinho, etc., em baixo o Conselho Nacional como a diretoria do colégio, mas para eles acreditarem, com estandartes, etc., etc. e deixar na mão deles porque eles vão e mostram isso para os outros.

(Dr. Eduardo: Museu do Ipiranga, Dr. Plínio.)

Como?

(Dr. Eduardo: Do Museu do Ipiranga.)

É. Por exemplo, do Museu do Ipiranga, perfeitamente.

Bem. E, deixar na mão deles para eles mostrarem para os outros. Em Araraquara isto produz o efeito que produziria em São Paulo se o senhor não fosse da TFP e alguém viesse lhe mostrar uma coisa que me Nova Iorque está produzindo tão grande resultado e mostrasse isto assim, então o senhor ficasse com a fotografia e mostrasse para seus amigos. Dissesse o seguinte: olha aqui nós somos uma caipirada. Mas isto aqui em Nova Iorque está pegando enormemente. Eu não sei se o senhor percebe o derruba-caipira que um sistema desses é, não é?

Bem. Tem naturalmente o lado da pureza com as suas dificuldades intrínsecas, inerentes, etc., etc., eu… aí é uma coisa… o quê que a gente pode falar, não é?

(Dr. Eduardo: …[faltam palavras]…)

Como?

(Dr. Eduardo: …[faltam palavras]…)

Eu creio que eu tenho aqui um documento… bom, esse documento fica para depois. É…

(Sr. –: …[faltam palavras]…)

Pois não. Andrés.

(Sr. Andrés Bravo: Is com respeto a el profesor que ablava el senhor, pode ser utizado por miembros de la TFP para profesores enemigos del Grupo que com líderes progresistas, que hacen campaña …[faltam palavras]… contra el Grupo? …[faltam palavras]…)

Para liquidar o quê?

(Sr. Andrés Bravo: Eso lideraco que tiene certos profesores.)

Sei. Se a gente pode usar um professor desses em que sentido?

(Sr. Andrés Bravo: Usare isso que …[faltam palavras]…)

Contra o professor?

(Sr. Andrés Bravo: Contra el profesor.)

Ah, pode.

(Sr. Andrés Bravo: …[faltam palavras]… ridículo.)

Ah, pode. Porque assim como outro dia eu disse aqui no sábado que o rei herege não tem direito de reinar, também é verdade que o professor que leva seus alunos ao erro não tem direito ao respeito do aluno. O aluno então verdadeiro católico deve criar dificuldades para desmoralizar o professor para neutralizar o erro. Ele não deve tomar nenhuma atitude insubordinada contra o professor a não ser nos pontos em que o professor erra, mas nos pontos em que erra ele ataca, e se for preciso provar que o professor é um ignorante como argumento colateral ele deve por meio de perguntas também demonstrar. Agora, o que ele não deve é fazer dentro da sala, criar na sala uma atmosfera revolucionária de bater no chão, pé no chão contra o professor e essas coisas assim, porque aí já é fazer o jogo da revolução. Está claro?

(Sr. Andrés Bravo: Eso mismo pode ser utilisado para sacerdote? Ou é mas complicado la cosa?)

A questão é mais complicada. Exigiria uma exposição que eu posso fazer uma noite dessas – eu não me recuso a responder as perguntas no intervalo – mas eu estou um pouco preocupado com a hora do pessoal do curso de Cluny levantar, de maneira que… eu poderia fazer aqui depois.

Bem, vamos então encerrar.



Auditório Santa Sabedoria