Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 14/3/1969 – 6ª-feira – p. 8 de 8

Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 14/3/1969 — 6ª-feira

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O apostolado no ensino secundário II


Eu devo continuar hoje o Santo do Dia tratando da questão do apostolado, alguns problemas do apostolado. Os senhores verão bem pelo Santo do Dia que eu tive ocasião de fazer ontem, que se o panorama do ambiente no ensino secundário pode abrir mais, se os senhores quiserem ouvir melhor — se o panorama nos ambientes do ensino secundário é aquilo que eu descrevi e na medida que é aquilo que eu descrevi. Então é conveniente que as pessoas encarregadas do apostolado no ensino secundário no nosso Grupo tomem certas precauções, como por exemplo, de explicar bem exatamente aos rapazes nossos que estão nas escolas secundárias que elas estão travando uma luta de caráter ideológico, que essa luta de caráter ideológico é contra o respeito humano, que essa luta contra o respeito humano se trava pelos processos que eu tive ocasião de enunciar ontem, e tomar um pouquinho a psicologia dos meninos que os senhores tem em mãos, dos rapazes que tem em mãos e procurar ver qual serve para qual dessas tarefas. Nem sempre a gente encontra gente que sirva para todas essas tarefas mas podem encontrar um e outro que sirva para uma e outra dessas tarefas, isto pode acontecer.

Bem. E nessa perspectiva me parece que seria muito útil, seria muito interessante então haver para cada colégio uma espécie de equipezinha organizada, quer dizer, o encarregado de defesa pessoal é tal. Ainda que ele tenha de aprender um pouco de noções de defesa pessoal, ensinar, mas arranjar um jeito de ele saber esbofetear mesmo. Tal outro serve melhor para argumentar, tal outro representa o elemento sorriso, e então é mais risonho a gente põe como elemento de conciliação depois de ter saído a briga, quer dizer, arma a campanha toda de maneira a enfrentar a Revolução assim coordenadamente dentro do colégio. E depois ensina a eles a conveniência de estarem sempre unidos, de serem amigos, de fazerem sentir no colégio que eles constituem um grupo, ainda mesmo que sejam de idades um pouco diferentes. Há certo período em que a diferença de idade de dois, três anos marca enormemente, mas com as devidas proporções e cautelas ainda que sejam de idades um pouco diferentes, unirem-se, e depois aquilo de organizar pelotões de gente que vai à saída do colégio — não é —, oito, dez, quinze de outro colégio ou de outros colégios, pertencentes à TFP que vão [provisoriamente?] às saídas de colégio esperar o colega que vai sair também. E devem ser os preferidos para essa forma de assistência os rapazes que estão sós ou quase sós no respectivo colégio. Não vale a pena mandar um grupo, não vale a pena... vale menos a pena mandar receber na saída do colégio outro grupo. Mas um coitado que está sozinho no colégio dele e que não encontra outros ser recebido freqüentemente por um grupo de amigos da mesma idade na porta do colégio, isto prestigia, mostra que se ele dentro do colégio é o patinho feio, fora do colégio ele é cisne, de maneira que ele sabe se impor, etc., etc., é um modo de lhe dar apoio, não é?

Bem. Era preciso também, as pessoas que estiverem incumbidas desse apostolado junto ao ensino secundário, era preciso também, que além de adestrarem os meninos para esta tarefa — inteiramente como se adestra a luta de defesa pessoal, quer dizer, haver curso, em que se explica isto que eu disse explica naturalmente adequadamente à mentalidade de uma criança ou de um mocinho, mas explica isso por inteiro, não é?

Além disto, haver também no curso outras coisas, e uma das coisas é saber com quem fazer apostolado. Eu acho que este é um dos pontos mais importantes para o desenvolvimento no curso secundário de nossa atuação é eles saberem com quem fazer apostolado. Para eles saberem com quem fazer apostolado, e outra coisa saber também contra quem agir. Até é mais interessante a gente começar por explicar contra quem agir para depois explicar como se deve fazer o apostolado.

Contra quem agir. Em geral, no meu tempo — eu vou também descrever as coisas do meu tempo — eu vou também descrever as coisas do meu tempo, eu não posso adivinhar as coisas de hoje como são, os senhores me dirão se no tempo dos senhores ainda é assim — bem, mas em geral no meu tempo havia sempre dois ou três numa turma, vamos dizer, numa classe com — as classes não eram grandes no meu tempo, eram classes de vinte, trinta meninos, eu acho que as classes estão muito maiores, não é? Mas enfim, numa classe de vinte, trinta meninos havia sempre dois ou três meninos que tinham um prestigio que arrastava atrás de si os outros. Aliás, para dizer bem, havia vários prestígios, a vários títulos, e vários líderes que exerciam várias lideranças. Haviam aquelas figuras que eram clássicas: a primeira figura, que eu não sei se existe nos colégios de hoje, sobretudo nos colégios de camada mais popular, mas no Colégio São Luís no meu tempo era muito sensível, era o granfino. O granfino era muito mais bem vestido do que os outros, muito mais lavado do que os outros, muito mais penteado do que os outros, aparecia com roupas muito mais numerosas, mudava de roupa, sobretudo descia no colégio com automóveis muito bonitos, e oh, suprema fascinação! Quando chegava assim… ah! Tinha bicicletas estupendas, ou — e depois mudava de tipo de bicicleta, tinha duas, três bicicletas, e com prumm! Mas daquelas campainhas que se tocavam com o dedo, não se usa… nem sei se usa ainda bicicleta hoje, no meu tempo era muito prestigioso. Eu nunca soube me equilibrar numa bicicleta, eu sempre caia do outro lado. Era uma das notas de prestígio, era a minha incapacidade de me manter ereto numa bicicleta, eu não sabia fazer isto, de maneira que eu não conversava sobre bicicleta para não me convidarem, porque se me convidavam eu não podia recusar e se eu não recusasse eu caia e se caísse eles riam de mim e se rissem de mim riam de mim enquanto católico, de maneira que eu tinha que fugir das bicicletas, não havia remédio. Tentava andar nas bicicletas dos meus primos, não conseguia, em horas vagas, cheguei a comprar — é a primeira vez que eu vou contar essa vergonha — cheguei a comprar às ocultas uma bicicleta de segunda mão sem contar nem sequer a papai e mamãe para ver se aprendia a andar na bicicleta, mas não havia jeito, aquilo sempre… a bicicleta era hostil, eu nunca conseguia… aquele prumo esquisito. Eu tenho a impressão de que a razão, com o recuo do tempo eu vejo bem como era, é que eu era intransigente e me sentava numa bicicleta absolutamente como numa cadeira como o meu corpo quisesse, e eu tenho a impressão de que a bicicleta, movida pelas leis do equilíbrio era intransigente em não aceitar essa forma de comodismo, mas eu não dava conta disto, retrospectivamente é que eu percebi que havia de minha parte uma inflexibilidade em relação a lei da gravidade e que ela se vingava de mim. Mas enfim, a bicicleta com aquela brumm! Aquilo tal, o sujeito entrando no Colégio São Luís, havia uma rampa na entrada, entrava prestigioso, guardava a bicicleta, isto era um tipo de líder. Prestígio dos prestígios, era nos últimos anos do colégio, quando aparecia um menino com um tipo de automóvel para criança. Então, eram umas Bugates, eu nem sei se existe Bugate hoje em dia, era um tipo de automóvel de corrida italiano muito apreciado, mas tipo criança, vermelhas, azuis, com aplicações douradas, feita… coisa charlatão para criança — não é —, mas que só menino rico tinha, então chegar com Bugate no Colégio São Luís era um prestigio social indiscutível.

Bem. Esse tipo de gente sempre atraia uns três ou quatro dentro da sala de aula ou cinco que ficavam eletrizados com eles, mas eles não fascinavam o grosso da aula. Eles também se separavam e desprezavam a aula e a aula os ignorava. Era uma espécie de punhadinho. Outro foco de prestígio, e este era um prestígio grosso, sólido era o subordinado de engraçado, que sabia dizer graças e enfrentava o professor e chefiava o espírito revolucionário armado da sátira, da sátira ou das macacões.

Eu tive um colega que era o campeão nisso, eu nem sei que fim ele levou, se algum dos senhores sabe dele me diga, é um tal de Raul Braga. Esse Raul Braga tinha entre outras especialidades a seguinte: quando o professor zangava com ele, ele pegava as pálpebras e virava pelo avesso. Aquilo ficava como uma chaga, vermelho e ficava assistindo a aula na… [faltam palavras] … O primeiro protesto dele contra o professor era logo esse blumm! E quando ele levava um pito todo mundo já debruçava para ver os olhos do Raul Braga. Então o professor não podia dizer: ponha os olhos em ordem — não é —, é uma coisa que não se diz, não se faz, não existe isto, não é? O professor tinha que fingir que não vê e os alunos todos na gargalhada porque… [faltam palavras] … vidradas.

Bem. Então, Raul Braga… para trás do quadro negro. Quadro negro colocado assim como este e ele ficava por detrás, não é? Ele ficava fazendo micagens com o pé, tirava o sapato, tirava meia, e o professor não via, e isto passava por proezas, então era um líder revolucionário de primeira ordem. Os líderes engraçados eram em geral também os líderes da sujeira. Eles contavam a piada porca, eles sabiam a coisa engraçada, induziam para a imoralidade, etc., etc., e exerciam uma certa perseguição contra os que não eram assim. Eles é que moviam a aula, moviam a classe contra… levavam a classe para a imoralidade e perseguiam a quem fosse contra-revolucionário. Mas perseguiam como perseguiam o professor, quer dizer, perseguiam pelo debique. E então o apelido, a brincadeira, etc., etc., contra esses e lideravam sempre por esse tipo dado a engraçado. O último tipo de prestígio que havia era o prestígio esportivo. Jogava-se continuamente futebol no Colégio São Luís, altamente incentivado pelos padres, e os campeões de futebol eram muito apreciados, muito considerados.

Eu me lembro de um sujeito, que eu não sei também que fim levou, chamado: [Geraldo Amim de Melo?] que tinha como especialidade dar um chute, a bola ia numa altura maior do que a do Colégio. E ele era — como chama aquele sujeito que fica perto do gol mas não é o goleiro? Beque, beque. Ele era beque — e todo mundo ia tocando o beque para o pelão do Geraldo Amim de Melo, porque quando chegava lá ele dava um chute sensacional. Aquele chute lhe dava um prestígio no Colégio inteiro. De qualquer maneira o tarzanzismo e a imoralidade viviam numa simbiose natural. E os líderes esportivos e os líderes da imoralidade eram juntos.

Depois havia o aluno ridículo. Em geral era o aluno estudioso. Era um aluno colosso para decorar, sabendo tudo — eu me lembro que o de meu tempo, também perdi de vista, era um tipo medonho. Se urubu tivesse filho homem — eu não vou dar o nome agora, bom, ele é parente inclusive de algum dos senhores —, bem, se urubu pudesse ter filho homem ele seria filho do urubu, medonho, com um cabelinho completamente raspado, um nariz assim adunco, uns olhinhos mas pareciam olho de galinha, pequenininho no fundo da caixa das órbitas, completamente sem graça, vestido só falta pôr uma meia de uma cor e outra da outra de tal maneira ele era desajeitado e mal arranjado, de uma ótima família tradicional. Não é parente do Dr. Paulo… [faltam palavras] … é de outra pessoa aqui do auditório.

(Sr. –: … [Inaudível] …)

Depois o Ewaldo apaga o nome. Ele chamava-se, um nome bonito… [faltam palavras] …, e por isso primo do Dr. Eduardo, em algum grau deveria ser. Conhece esse homem? Não, o filho do urubu? Não.

(Dr. Eduardo: … [Inaudível] …)

Bem. Ele ganhava todos os desafios — desafio era uma espécie de luta, torneio entre colega e outro — todos os prêmios, todas as coisas ele ganhava. Era pessoa que tinha umas caixas de pau que usava naquele tempo para guardar lápis, etc., etc., e que giravam … as minhas viviam pingadas de tinta, esmolambadas, as dele mas eram impecáveis, giravam assim, eu ficava com vontade de quebrar, girava pra lá e pra cá, fazia a ponta perfeita, etc., etc., não é? Esse era completamente desprestigiado, era o ridículo, mas em toda aula havia dois ou três colossos assim que no fim do ano ficavam com os peitos constelados de medalhas e a cabeça cheia de desprezo, porque todo mundo ria dele, ele era o errado da turma. Depois havia, era uma minoria tão pequena, que ficava fora… não havia um em cada sala, era uma minoria, era uma poeira vinda de várias salas de pessoas um pouco mais delgadas, mais delicadas, menos esportivas, etc., etc., e que jogavam um jogo que eu não sei se no tempo dos senhores se joga, era um jogo que consistia em jogar uma bola, bater na parede, a bola escorria e outro batia não sei de que jeito a bola, não sei, era um jogo de bolas de gude, eu não me lembro as regras do jogo.

Bem. E o prestigio aí era ter bolas de aço, tiradas dos eixos das rodas das bicicletas porque essas bolas de aço quebravam as bolas de vidros dos outros. Esses eram uma categoria um pouco mais delicada e mais frágil. Dois ultramontanos faziam parte desta categoria: um, tem a honra de falar aos senhores aqui e está sendo um pouco loquaz demais, arrastado pelas suas reminiscências de infância e também freará daqui a pouco o borbotão das recordações, e o outro é o nosso venerável Dr. José Gonzaga de Arruda, que ainda não usava barba, bem entendido, mas que jogava bola de gude lá.

Bom. Eu não sei se hoje os prestígios ainda são esses. De tudo quanto eu disse provavelmente o que mais mudou e ao mesmo tempo o que menos mudou é isto. Mas havia uns líderes portanto da Revolução dentro da sala de aula. Só para saber assim, rapidamente eu pergunto aos dois auditórios: qual é aquele em cujo colégio ainda havia os granfinos? Levante o braço para eu ter uma idéia.

Bem. Quais são aqueles em cujo o colégio o líder da porcaria existe como eu configurei. Bem. Quais são aqueles em cujo colégio o líder esportivo tinha muita importância como em meu tempo? Levantem o braço.

A totalidade.

Quanto ao líder da porcaria e o líder esportivo a totalidade. Quais são aqueles em cujo colégio, a porcaria e o tarzanzismo formavam uma simbiose só, levantem o braço? Os senhores estão vendo como essas coisas mudam pouco, hein.

Eu, por exemplo, tenho 60 anos. Muito dos senhores… você por exemplo que idade tem?

(Sr. –: 18.)

Imagine, você tem menos, deve ter uns quinze anos, não é isso? Então, é uma era inteira que mudou, o modo de fazer revolução nos colégios não mudou. Em parte porque a natureza humana não muda, em parte, porque o demônio não muda e em parte porque as forças anti-sociais não mudam, o método não mudou. Então, é preciso explicar isso aos nossos meninos, explicar essas lideranças, esses são os líderes, e vocês se persuadem do seguinte: que vocês têm que começar logo que o grupo se tenha constituído, enfim, a coisa um pouco mais adiantada, por começar a derrubar os ídolos, quer dizer, derrubar esses líderes, entestar com o líder. Se um for engraçado, esmague o líder com as graças, mas não se meta a palhaço sem graça, porque em geral, essa gente é engraçada mesmo. Essa coisa das pálpebras por exemplo; de tirar o sapato e a meia para o professor não ver. É uma coisa horrorosa, mas é engraçada, é engraçada a lá palhaço, mas é engraçada.

Bem. Pois não Andrés Bravo.

(Sr. Andrés Bravo: Dr. Plinio, como se tuve a esse personaje, assi gracioso, líder revolucionário?)

Eu vou dizer daqui a pouco.

Quando a gente tem mais espírito do que ele, é fazer graça contra ele. nós tivemos um que foi o líder do sarcasmo católico, o sarcarmo não é uma coisa boa, detesto o sarcasmo, mas aplicado contra o revolucionário é bom, porque, menos vezes menos é igual a mais, não é isto? Foi Luis Veuillot, sarcasta magnífico, não é professor?

Bem. Agora. Isso é raro para o católico ser dotado dessa veia sarcástica e ser um bom católico. E em geral dá uns sarcasmos miseráveis, demilinguidos e inocentes, que é melhor nem produzir. Ou a gente é o rei do sarcasmo ou não faz sarcasmo. E outra coisa, sarcasmo com ultramontano é péssimo, aqui dentro não deve [haver] sarcasmo nunca, mas os golpes precisam ser graduados segundo o estado, hein. Uma coisa é no Rio, outra em São Paulo, outra em Minas, outra no Paraná, e outra no ceará. É claro, se eu interpreto bem São Paulo, se a São Paulo de hoje ainda é a São Paulo do meu tempo, a gente deve… [ilegível] …como gasta dinheiro para aparecer. Quer dizer, na primeira charonice que ele fizer contra um dos nossos: pan pan… [ilegível] …Porque isso não pode ser feito com ar grandioso, hein, São Miguel Arcanjo prostrando o demônio. A gente treina bem e depois quebra, está acabado.

Eu tenho a impressão de que esse processo diretamente assim em Minas não vai. Não sei se me engano mas, assim diretamente não vai. É preciso fazer uma coisa que mineiro chama criar razão, está compreendendo? Deixa o sujeito fazer uma porção de desaforos, atura, etc., quando chega até certa medida sai em cima do sujeito. Aí eu acho que na nossa terra a coisa é mais bem recebida, não é. Os nossos dois mineiros, três, estão fazendo sinal de que a coisa é esta. No Rio, eu tenho a impressão que a técnica da defesa pessoal já é outra.

Em primeiro lugar, o que for assunto espetacular, eu tenho a impressão de que não pega bem. Não sei, Dr. Marcos, se é bem isto ou não. Lá a terra é mais risonha, hein Dr. Paulo Eugênio? Mais gentil. Eu acho que precisa ser um golpe que derrube o sujeito, que machuque um pouco, que não quebre tanto, é bem verdade?

(Dr. Paulo Eugênio: Com exceção do Santo Inácio, não?)

É assim então.

Bem. É preciso então, fazê-los compreender que, no dia em que quebrarem esse líder, eles quebram a Revolução, porque os outros vão atrás facinados pela brincadeira, não é por outra coisa, para ser engraçado também. Quebrando, é muito mais fácil o apostolado. De maneira, que é preciso começar por quebrar o líder.

Bem. Em segundo lugar é preciso saber quem é que a gente procura para o apostolado. é tolice procurar converter esses líderes assim. Só mesmo o raio que prostrou São Paulo no caminho de Damasco, converte um sujeito desses. O que é preciso, é ver os que são mais íntimos, mais apagados, que aparecem menos, e que por isso dão provas que sentem um certo mal estar com o ambiente revolucionário do colégio. Os que não dizem palavras porcas, esses é que é preciso procurar e começar conversar. Mas não começar a conversar diretamente sobre assunto católico. Isso eu considero um erro. É começar a conversar sobre chuva e bom tempo e sobre os assuntos do Colégio, estudos, o que for. Até formar uma razoável liberdade por onde nos segundo passo aos poucos, a gente vai tateando e formando a relação com base religiosa.

Bem. Então, aí nem deve ser logo em base religiosa, o tema deve ser o comunismo, gente assim, em geral é anti-comunista. Então, o tema é falar um pouco contra o comunismo, uma coisa dessas. Então, depois de haver uma certa base de idéias sociais e políticas, entra mais na base religiosa. Ao menos no meu tempo era assim. Cumpre aos senhores que são mais recentes, atualizarem essas normas no que devam ser atualizadas. No meu tempo era assim.

Bem. Se essas normas não forem atuais, elas pelo menos têm a vantagem de levantar o problema, e retocadas, darem a estrutura do que deva ser. Bem. Daí é preciso também ter uma certa finura para captar o que é que nos colégios estão dizendo contra os ultramontanos em concreto. Não tirado das nuvens, mas em concreto, para vir para o grupo e pedir como responder. Às vezes a gente responde por uma atitude. Às vezes a gente responde por um tapa, ás vezes a gente responde por um argumento. Às vezes a gente responde, pondo em circulação um rumor contrário. O menino deve ser adestrado a fazer campanha de duas mil bocas no Colégio. Isto é o ideal. Com isto, nós poderíamos modificar um Colégio.

Bem. Com isto também, vai o que eu lembro do meu tempo de criança nessa matéria. Eu acho que seria interessante, que a nossa Comissão do Movimento, no meio das cem mil ocupações que tem, atualizarem um pouco isso. E, por exemplo, conversando com o Professor Fedeli, com o Mirra, com os rapazes que tem dado aulas no Colégio São Paulo, com os alunos do Colégio São Paulo, do Claretiano, etc. Fizessem com os alunos do CROC, com os pais dos alunos do CROC, com o Dr. Adolpho e com os outros. Fizessem uma espécie de comentário disso; o que é que é, ó que é que não é, o que mudou, o que não mudou.

Para nós elaborarmos um diretório do apostolado de menino a menino no curso secundário. O que é diferente do diretório do apostolado do Professor. É uma coisa bastante distinta. Se bem que, ao próprio Professor seja vantajoso ter essa problemática em mãos. Eu tenho a impressão de que a expansão do nosso pessoal no curso secundário em todos os estados do Brasil é muito excelente disso. E que seria um trabalho de primeira ordem, já que o melhor do apostolado no Brasil se faz no Curso secundário, não faz no curso universitário. Eu creio que é mesmo um dos trabalhos que distingue dos outros países da América Latina, onde eu tenho a impressão que a Universidade ainda é mais aberta para o apostolado do que no Brasil. Eu lembraria para me fazer entender pelos de língua espanhola que estão aqui, uma coisa que, se os senhores forem conversar entre si, não vão estar muito de acordo um com os outros. Eu levanto só problema. Aqui no Brasil a grande questão religiosa é a questão da pureza, a questão sexual nasce nos meninos aos dez anos e às vezes antes. E os pecados solitários começam nessa idade e às vezes antes.

Bem. E o menino fica posto numa opção, ou a luta, que é muito dura, para adquirir o hábito da pureza, ou para não perder o hábito da pureza. Ou a entrega, mas a entrega leva à porcaria, à impureza. Mas, lava apenas à impureza do ato material, mas lava a uma espécie de admiração pelo homem impuro, de desprezo pelo homem duro, de entusiasmo pela vida perdida, como sendo mais integralmente humana, mais própria do homem. E de admiração portanto, pela vida noturna, pelas casas de tolerância, etc. De maneiram que o sujeito se corrompe completamente de espírito e não apenas de corpo, e apostata praticamente de uma religião à qual ele declara que ele ainda pertence. Ele diz que é católico, mas de fato ele pensa tudo isso. Se lhe dizem que isso é contra a religião, ele tem uma saída: é que os padres em noventa por cento dos casos na melhor das hipóteses, em noventa e tanto por cento dos casos mantêm um equivoco a respeito disso. E deixam a entender que é muito natural que o menino tenha pecados desses. Resultado, é que a nossa posição é incompreensível, e aqui está a verdadeira dificuldade. Porque, se os padres nos colégios de padres prestigiassem a virtude da pureza, a história do mundo era outra, mas não prestigiavam. No Brasil pelo menos, a história do Brasil seria outra. Eu tenho a impressão de que no Chile e na Argentina o problema sexual não alfore tão cedo quanto no Brasil, não sei bem. E também não é tão dominador quanto no Brasil. No Brasil é uma chaga, é uma lepra, é isso. Mas também, eu tenho a impressão que alguns dos senhores se enganam, e que no país dos senhores é mais duro do que alguns dos senhores pensam. Acho que é o caso de depois, fazerem uma discurssão entre si e me apresentarem num relatório de como vêem essa questão do ensino secundário em seus países. Acho que seria muito interessante.

Bem. Como este Santo do Dia se estendeu exorbitantemente, eu não tenho tempo de pedir perguntas aos senhores. Os senhores compreenderão portanto que, o entender-me tanto era exigido pela natureza doa assunto. Se eu for fracionar muito, o assunto se pulveriza, e este é um assunto que há muito tempo queria tratar entre os senhores. E aqui me parece importantíssimo para nosso apostolado. De maneira tal que fica visto.

Talvez não fosse de todo mal a Comissão do Movimento fornecer, corrigir um pouco o português e fornecer o texto mimeografado dessa conferência para os diretórios, secções, subsecções, de núcleos de militantes que queiram. Para pôr na mão de qualquer menino, não.

Agora, eu queria saber apenas para ter uma idéia, para saber como eu disponho o Santo do Dia de segunda-feira, quantos dos senhores gostariam de fazer perguntas sobre o que eu disse. Para eu saber se vale a pena dedicar um Santo do Dia apenas para as perguntas. Levantem o braço os que tem perguntas a fazer. Então, se lembrarem eu farei um Santo do Dia especialmente atendendo a perguntas sobre essa matéria.

Como os senhores vêem as instruções para a ação no colégio são diametralmente opostas às que recebem os nossos propagandistas para a ação em ruas e lugares públicos. É natural: uma coisa é a atuação livre e sem maiores conseqüências de crianças junto a crianças, e outra coisa é a atuação cheia de senso de ordem, responsabilidade e decoro de adultos junto a adultos.

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Auditório da Santa Sabedoria