Santo do Dia (Santa Sabedoria) – 13/3/1969 – 5ª-feira – p. 7 de 7

Santo do Dia (Santa Sabedoria) — 13/3/1969 — 5ª-feira

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O apostolado no ensino secundário I


Há tempos algumas pessoas vêm me pedindo para fazer no Santo do Dia uma referência aos problemas de apostolado e eu gostaria de dizer, tratava-se aqui de um apostolado sobretudo para pessoas que estão no segundo ciclo do curso secundário, e eu gostaria de dar os problemas do apostolado como se apresentam nesta oportunidade, quer porque alguns estão aqui nesse segundo ciclo, quer porque esta fita pode ser ouvida por vários que estão no segundo ciclo, quer por fim porque há vários aqui que não são do segundo ciclo mas que fazem apostolado no segundo ciclo.

Bem. Evidente que esta fita não vai acrescentar nada de muito novo ao campeão do apostolado no ciclo secundário que é o Professor Fedeli, que me dizia ontem que lá em São Bernardo ele está mais ou menos com oitenta para o Grupo de São Bernardo, ainda que desses oitenta não fiquem todos, quarenta já daria um grupo ultra fornido, não é?

Mas eu dou os problemas por outro lado com uma deficiência, que é a seguinte, eu apresento como eles eram no meu tempo, no meu tempo tão remoto, que para os senhores é um pouco idêntico ao tempo não sei de Cristóvão Colombo, mas enfim, no meu tempo às questões de apostolado eram como eu as vou dizer, aqui no Brasil, não sei se por exemplo na França, onde D. Pedro fez o curso secundário dele as questões eram do mesmo jeito, mas eu tenho a impressão de que alguns desses problemas são eternos, repetem-se de geração em geração, de maneira que alguma coisa que eu digo pode em todo caso ser útil.

A primeira impressão é a seguinte: no Brasil concretamente o grande problema do apostolado no ensino secundário não é de convencer os outros de que a Igreja Católica é verdadeira. Haverá algum protestantóide que tem dúvidas a esse respeito, haverá algum Judeu que tem negações apriorísticas a esse respeito, mas isso é minoria. São minorias tão mínimas essas: protestante, judaica, espírita que não vale a pena nós perdermos tempo a respeito do modo de converter essa gente. Eu no meu tempo de ginásio era assim, e tenho a impressão que continua até hoje, que os outros povos do mundo crêem que a Igreja Católica é verdadeira, o brasileiro propriamente não crê, sabe. É tão sabido que pesca no ar que a Igreja Católica é verdadeira. Ele sabe e estas questões apologéticas não pesam muito para ele. Alguém vir provar que o Concílio condenou Eutiques, eu não sei o quê, isto para o brasileiro é grego, é chinês, pouco importa, não é esta a questão, ao menos no meu tempo não era e não vejo nos senhores nenhuma avidez de tirarem a limpo quais eram os erros dos donatistas, por exemplo, ou dos priscilanistas, etc., etc., não vejo nenhuma apetência nesse sentido. O grande problema era o seguinte: o respeito humano, quer dizer, embora todos fossem católicos, havia um perfil moral católico, que desfigurava o católico e dava ao católico a vergonha de passar por católico.

Bem. O perfil moral, no meu tempo, era o seguinte: (é preciso aliás entender o que é que se entende como católico, hein? Não é um católico qualquer, porque hoje há católico cursilhista, católico progressista, etc., contra esses o respeito humano não joga, o respeito humano joga contra o católico que é católico como se era no meu tempo, quer dizer, apostólico romano autêntico, em concreto o católico ultramontano, é contra esse que joga o respeito humano. Então, a idéia que se tinha do católico era a seguinte: era um indivíduo que ficava a meio caminho entre o homem e a mulher, quer dizer, ele era mole, pouco aguerrido, não praticava a impureza por não ter coragem, por não ter força de temperamento que o impelisse para a impureza — eu vou dar a coisa como era no meu tempo — por outro lado era um individuo que não negava as verdades da fé por falta de coragem também, por falta de coragem e as analisar, por medo de encontrar de repente que essas verdades eram falsas, então dava no total um indivíduo sem valor, ridículo, e que por causa disto a pessoa não deveria poder ser como este indivíduo. Isto era uma vertente.

Do outro lado havia uma outra ordem de idéias que apresentava a prática da religião para os homens como uma coisa anacrônica. Antigamente os homens praticavam a religião, mas com o progresso, as luzes, a eletricidade — que era moderna no meu tempo — bem, com outras coisas assim — eu não vou lhes mencionar o lampião de gás, porque os últimos os havia no meu tempo de mocinho assim — bem, passava como anacrônico o indivíduo ser inteiramente católico. Sobretudo anacrônico ter as idéias políticas e sociais de um católico contra-revolucionário. Desde logo a mais anacrônica das coisas é ser favorável à aristocracia. Isto era o cúmulo do anacronismo.

Outra coisa anacrônica é ser favorável à união da Igreja e do Estado. Ultra-anacrônico.

Bem. Inquisição nem se fala, não é —, é de nem passar pela cabeça de alguém que alguém pudesse ser favorável à Inquisição. Tão horroroso é, tanta crueldade! Comunista não, pode fazer o que fazer. Inquisição, são formas de progresso moderno. Mas a Inquisição propriamente tida como tal, coisa horrivelmente anacrônica e digna de ser rejeitada.

Bem. Então o católico deveria provar, para se fazer respeitar, deveria provar fundamentalmente duas coisas: em primeiro lugar que ele era um homem inteiramente varonil de inteligência, varonil de vontade, quer dizer, intrépido, corajoso, varonil de inteligência queria dizer um espírito lógico, coerente, que amarrava o outro no raciocínio, ali no duro. E apresentava raciocínio de espetar o outro na parede, aqui não senhor, isto aqui agora responde. Isto era uma prova de varonilidade, aliás, é uma prova de varonilidade intelectual realmente — não é — apertar pelo raciocínio.

Bem. Segundo, varonilidade de vontade. Era preciso provar que o católico se ufanava de ser católico e que era agressivo na defesa da fé. Vejam bem, hein! Não corresponde à formula clássica defender a fé com coragem quando ela é defendida, não, tem que ser agressivo. Quer dizer, entra num lugar qualquer, eu sou católico, acho isto, ta, ta, ta, você não acha, então lá vai, sai uma discussão e se for preciso sai uns tapas. Quer dizer, é nesta base.

Bem. Depois, era preciso também provar, pelo modo de ser da pessoa em geral, quer dizer, pela seriedade, pelo senso da personalidade, etc., que não tinha nada de efeminado. Cortesia, mas cortesia de homem. E o próprio da cortesia do homem — nós vamos ter daqui a pouquinho uma conferência a respeito de cortesia, a própria da teoria da cortesia, a própria da cortesia do homem é de no fundo, saber meter medo. Tratando com revolucionário, é isto. Tem de ser muito amável, nhan nhan nhan, mas um nhan nhan nhan que o outro entenda que se as coisas não correrem por bem correm por mal, mas correm. Porque o revolucionário tem que ter medo, ele não sendo tratado com medo se torna arrogante. De maneira que esta história de desarmar o revolucionário pela gentileza, não tem nada de gentileza. É um fundo de carranca: a boca sorri, os olhos fuzilam. É ali (O Sr. Dr. Plinio bate duas vezes com a mão dobre a mesa), no duro.

Bem. Isso era um lado da questão. Outro lado da questão era o seguinte: para provar que não se é anacrônico, não discutir o problema, não discutir com ninguém se a Igreja é anacrônica ou não, apresentam um fato: o número. Nós somos tantos, e desses tantos a grande maioria é moços, e quanto mais moço mais numeroso. Agora explique se isto é anacrônico ou não. Quer dizer, um fato só.

Eu agora procuro transplantar isto para a época de hoje. Mas eu começo por perguntar os senhores se na época de hoje ainda é esse o perfil que se traça do católico ultramontano, e se é esta a dificuldade que o respeito humano cria no caminho do verdadeiro católico. Os que, mas sem nenhuma intenção de serem agradáveis, dando um depoimento inteiramente imparcial, os que acham que, eu vou fazer três perguntas, os que acham primeiro que é inteiramente assim, os que acham que é mais ou menos assim, e os que acham que não é nem um pouco assim. Os que acham que é inteiramente isto, levantem o braço, deixe eu ver um pouquinho. No auditório do ar livre, os que acham que é inteiramente assim levantem o braço.

Bem. Então as outras perguntas ficam meio prejudicadas. No Chile e na Argentina é inteiramente assim ou como é hein? Argentina como é que é hein?

(Sr. –: … [Inaudível] …)

Não é inteiramente mas é mais ou menos.

(Sr. –: … [Inaudível] …é inteiramente e meio.)

Inteiramente ou mais ou menos?… [falta palavra] … fica na dúvida.

(Sr. –: …[falta palavra] … cerca de inteiramente.)

Cerca de inteiramente.

(Sr. –: … [faltam palavras] … pessoas que se ufanam de ser católicos?)

Não.

(Sr. –: … [faltam palavras] … o ataque respeito humano seria feito por…)

O ataque do respeito humano é feito por gente — aqui no Brasil — que não se ufana de não ser católico mas dá a entender que é ridículo levar a religião tão a sério. Eles não dizem claramente mas dão a entender no fundo, a lá brasileira, sem dizer claramente, que é ridículo levar a religião tão a sério, eles também são católicos mas acham ridículo levar a religião tão a sério. É uma contradição espantosa mas é como pensam.

(Sr. Carlos Viano: Agora… [faltam palavras] … nosotros estan a… [falta palavra] … colégios, pedindo firmas… [faltam palavras] … derechos, e los militantes, la gente que venia hacer la caçoada eram progressistas. Los “play-boys” que eran los grandes interesses digamos, passavam de lado… [faltam palavras] … romperam papeles o venian… [faltam palavras] … eran progressistas. Este tipo… [faltam palavras] … tienen um barone… [faltam palavras] … exagerados, latifundistas… [faltam palavras] … creo… [faltam palavras] … Reino de Maria… [faltam palavras] …)

Bom. Agora, como é que a gente rechaça isso? É tendo a mentalidade de um cruzado, tendo a mentalidade da TFP a gente rechaça isso, porque o membro da TFP é o contrário disso. Ele corresponde ao contrário desse espírito. Basta ele ser fiel aos princípios da TFP que ele é o contrário disso. Agora, a questão é que eu acho que é preciso aos rapazes novos que estão em ginásios, colégios, explicar esses problemas, porque muitas vezes eles não se dão conta disso. Eles não percebem qual é a verdadeira natureza do adversário que eles tem em torno de si, e eles, por causa disso, não fazem apostolado. E o que a meu ver, por onde a ciosa deve começar é fazer como um padre jesuíta no meu tempo — vejam como os jesuítas mudaram — recomendava, em aula; ele dizia: um rapaz qualquer, dizendo um palavrão, na presença de vocês, dêem uma bofetada na cara porque o prefeito da divisão sustenta. E é isso. Eu me lembro que havia um que fez isso. Disseram um palavrão na presença dele — e era um Lara — disseram um palavrão e tomou ao pé da letra e foi e pum! Está compreendendo? E depois era para ser tomado ao pé da letra. O outro ficou zonzo. Nunca mais disse palavrão diante dele, está acabado.

Eu confesso que eu era muito franzino, nunca tive a compleição física da família Lara, eu me defendia como eu podia, não é? Eu manuseava muito a língua, eu debicava, eu discutia, eu caçoava, eu ia em cima deles, não é? Às vezes eu subornava. Quando eu percebia que a posição contra mim estava muito grande eu levava uma dose dupla de lanche, chegava para algum Esaú e dizia: dê uma sova naquele, está compreendendo?… [faltam palavras] …Mas eu compreendo que isto hoje não pega mais, passaria por um processo capitalista, antipático, etc., etc. Em casa não sabiam porque eu pedia um duplo lanche, mas eu pedia me davam. Achavam naturalmente se é para ele comer… não é? Eu me lembro que uma vez mamãe me perguntou.

Mas porque que você quer dois lanches?

E eu, meã culpa, menti, e menti contando uma mentira que era ao gosto dela, eu disse:

Mamãe, a senhora compreende que fica mal eu abrir este lanche diante de todo mundo, eu sou o único menino que leva lanche feito em casa porque tenho nojo do lanche feito no colégio, fica mal eu abri este lanche diante de todo mundo. Tem um colega perto e eu não dou para ele, se eu dou para ele fico sem meu lanche.

Mamãe louvou minha cortesia.

É assim mesmo que se deve fazer, você deve sempre procurar-se também com seus companheiros, seja sempre generoso.

Mal sabia ela que era para pagar lutadores, porque eu era franzino e não podia vencer alguns adversários ferozes e tarzânicos do anticlericalismo que havia lá, mas eu me arranjava, eu de um jeito ou doutro eu ia… mas eu fazia, eu agredia também, quer dizer, é preciso agredir, não é? E o melhor para isto é quando são vários no mesmo colégio que devem ser ensinados de estarem juntos no recreio. Porque a hora do combate é a entrada, o recreio e a saída. As aulas não oferecem problema. Estarem juntos no recreio, e no recreio formarem um pelotão de choque, de maneira que se alguém vier caçoar ou vier falar, todos juntos debicam. É como uma coorte.

Bem. E combinar com alguns da TFP da mesma idade de virem esperar na saída do colégio, pseudo para irem fazer um passeio. Então o colégio fica vendo que tem mais dez, tem mais quinze — é o argumento do número — que são da TFP também, e tudo de distintivo e saem todos juntos, que entram num automóvel e vão para rumo ignorado, está compreendendo? Se arranjarem sobretudo um jeito de saírem dando risada e triunfando os senhores passam por cima; alguém dirá: mas é impopular. A resposta é a seguinte: com revolucionários é impossível nós sermos populares. Trata-se é de esganar. Esganou, venceu. Está acabado.

Bem. Alguém me dirá: mas ninguém fica ultramontano assim, ao contrário. Há muita gente que não fica ultamontano por falta de coragem. Mas vendo que os ultramontanos levantam a cabeça, vêm. É o modo de recrutar os que estão esmagados por uma opinião pública contrária. De maneira que isto é que eu recomendo muito fortemente.

Bem. Outra coisa que é boa também é havendo possibilidade, arranjar um jeito de passar slides no colégio sobre coisas da TFP ou coisas ultramontanas. O slide tem um grande efeito e com isto, desde que haja um núcleo dentro para apoiar depois o slide, com isto se penetra num colégio. E haveria mais normas mas eu não quero espichar muito o Santo do Dia. Algumas normas muito essenciais ficam dadas aqui.

(Sr. Lincoln Luiz Borges: Dr. Plinio, e na faculdade, como é que fica, como se explicam essas coisas?)

O problema na faculdade é um pouco diferente, ao menos no meu tempo, havia mais de intelectualização, os problemas ideológicos representavam um papel um pouco maior, e portanto era preciso dar um matiz diverso. Num outro Santo do Dia eu poderia explicar, desde que se ponham uma pergunta, mas tem analogia, é claro, com o que eu acabo de dizer.

(Sr. Lincoln Luiz Borges: … [faltam palavras] …freqüentei algumas vezes lá… [faltam palavras] … porque os problemas de agüentar a coisa é muito difícil estando sozinho. Não há meio nem de subornar. A problemática lá é clima de…)

Em que lugar é?

(Sr. Lincoln Luiz Borges: Na São Francisco. Clima contra a pureza, contra tudo que é de coisa ordenada, etc., mas é feito por uma minoria de… todos comunistas… [falta palavra] …agora, os louros estão muito cristalizados e gostaria que houvesse um grupo que os liderasse — e são em número maior — para acabar de uma vez por todas com essa história… [falta palavra] …)

Pois seria interessante fazerem o seguinte: me apresentarem por exemplo os que são de universidade aqui apresentarem à Comissão do Movimento cada um, um relatório, sem consultar os outros, como é que imagina um apostolado de universidade. Depois a Comissão condensaria e me daria para eu fazer um comentário aqui desse relatório, seria uma reunião interessante. Talvez para um sábado à noite em que se pode falar com um pouco mais de tempo.

Aqui alguém levantou a mão, Carlos Antunes.

(Sr. Carlos Antunes: Dr. Plinio, isto seria igual para um colégio de classe média como de classe alta?)

Não. Eu tenho a impressão que o colégio de classe alta o problema é mais agudo — pode sentar-se — exatamente o colégio São Luís onde eu estudei era o colégio da classe alta em São Paulo naquele tempo, não é? Nas classes mais modestas eu tenho a impressão que o problema é menos agudo, sem ter muita certeza.

Romeu.

(Sr. Romeu Merhej: Eu queria fazer duas perguntas: primeiro o senhor disse como imaginar o apostolado na faculdade, quer dizer…)

É até o mais interessante não seria dizer como imaginam o apostolado, mas é quais os problemas que sente.

(Sr. Romeu Merhej: E assim um pouco é o seguinte: o senhor disse que o católico deve se ufanar de ser católico.)

É.

(Sr. Romeu Merhej: A heresia branca colocaria a seguinte objeção: ora, pode-se cair no orgulho, ou então alguém no Grupo diria: logo entra o milecanismo, etc., qual seria o método contra isso?)

É por questão de ver a distinção que há entre ufania e pretensão. A pretensão é a ufania de ser católico. Porque a condição de católico pos em mim uma qualidade por onde eu sou superior aos outros. Isso é uma coisa danosa. A ufania de ser católico é diferente. Meu entusiasmo pela religião católica me põe uma alegria de ser católico pelo amor que eu tenho a ela e não pela vaidade de que ela esteja presente em mim, e quando eu a vejo perseguida, eu então mostro este meu entusiasmo, e mostro a alegria — a palavra é propriamente ufania — a superioridade que eu sinto não de minha pessoa mas da religião católica. Não sei se eu me exprimo bem?

Há dois modos de um filho agir com um pai célebre: um modo é orgulhar-se de ser filho daquele pai. Olha para o outro ihh! Seu pai!…

Bom. Outro modo é pela admiração que tem pelo pai ter a satisfação de dizer que é filho dele, sem pensar em si mas pensar no pai, isto não é pretensão, é ufania, não é? Leo.

(Sr. Leo Daniele: No concurso secundário os rapazes podem ir até a luta física?)

Dirigida, sim. Quer dizer, é preciso saber lutar, senão suborne ou não se meta, porque uma coisa mais triste que há é apanhar. Bom, é preciso saber lutar e é preciso não transformar a luta num recurso habitual, não transformar no flagelo do colégio, mas uns dois ou três estrondos prestigiosos. Já é esplêndido! Enfim, a bofetada é um fator de prestígio entre meninos, está acabado.

Bom. Andrés Bravo.

(Sr. Andrés Bravo: Dr. Plinio… [faltam palavras] … isto é inteiramente assim… [falta palavra] …en caso concreto por exemplo donde estoi y yo? Se pode aplicar portanto todas las instruciones… [faltam palavras] … así?)

Pode com o seguinte: São Tomás de Aquino diz que tudo quanto a gente lê, quando o que a gente lê é verdade, deve ser entendido com granum salis, quer dizer aquilo tudo ainda tem um grãozinho de sal dentro, o senso de adaptação para o caso concreto. Para o Chile por exemplo é preciso ter um certo senso de adaptação. No que consiste o senso de adaptação no caso? É saber fazer a coisa de um modo tal que não tenham a impressão que nós sejamos um grupo nazista nem fascista que emprega a força como argumento. Mas é apresentá-la como o sal entra na comida, um pouquinho, mas dá sabor, ouviu? Aliás eu acrescento o seguinte, hein! Um homem que não está na posse habitual do estado de meter medo ainda tem alguma coisa a ganhar, não chegou à sua formação inteira. Eu sei que os senhores são de uma época em que se ensina que o que a gente deve ser habitualmente é ser amável e sendo amável está tudo resolvido, mas isto não é verdade. Quem trata com revolucionário isto é errado, a gente tem que saber meter medo.

(Sr. Andrés Bravo: Esto para mucho, Dr. Plinio, mucha de sacerdotes que pensa hablar precisamente lo mismo y que tem que ser amable com todo el mundo, de que la ironia em cosa mas horrible que hay y metendo la mentalidad de toda la gente.)

Pois é, isto é heresia branca e a gente deve dizer para o sacerdote: não, não é verdade, os grandes polemistas da Igreja não foram assim, os cruzados não foram assim, os santos não foram assim, e está acabado.

Bom. Eu queria dizer aos senhores uma coisa que eu ia me esquecendo: é um dom melhor do que ter boa musculatura, é ser espirituoso. Algum que seja engraçado e que saiba debicar e com graça, debique. Quem não é engraçado não se meta a fazer graça porque é a coisa mais triste que há no mundo. Eu por exemplo nunca fui engraçado, portanto nunca procurei, por meio de graças refutar a Revolução, mas várias vezes lamentei não ter esse dom, porque é muito prático e muito direto. Um sarcasmo bem feito, pegar o sujeito pelo ridículo vale mais do que um golpe de defesa pessoal. Agora, isto pouca gente tem, é como pintar, ou cantar, ou qualquer outra coisa, uns tem esse dom outros não tem, quem não sabe não se meta. Eu por exemplo nunca me meti. Mas quem tem oh! É uma maravilha!

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Santa Sabedoria