Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 12/3/1969 – 4ª-feira – p. 2 de 2

Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 12/3/1969 — 4ª-feira

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[Este microfilme apresenta algumas correções manuscritas, do próprio datilógrafo. Por isso, adotamos os seguintes critérios:

- os trechos entre colchetes e com “?” são do original datilografado, em geral, riscados;

- os trechos apenas entre colchetes: são sugestões ou possíveis alterações do corretor, e algumas do cotejador.]


Os anarquistas odeiam o colarinho da camisa e o cordão do sapato.

Os anarquistas odeiam o colarinho da camisa e o cordão do sapato

Eu falei a respeito do ódio que se tem aos senhores. O Gustavo me deu uma ficha a respeito [de?] [da] questão de colarinho e gravata, de um livro de Cecil Debi, “O Cerco do Alcácer de Toledo”, tradução de uma tal [de?] Nair Wilson, etc.

Os senhores se lembram que o cerco do Alcácer, é aquele antigo palácio do Imperador Carlos V, em Toledo, que foi transformado depois numa espécie de escola militar, mas era um monumento conspícuo da Espanha antiga. Bem, este Alcácer, então, foi bombardeado pelos republicanos, pelos comunistas, intensamente, durante a Guerra Civil; e a resistência dos heróis do Alcácer de Toledo é uma das mais belas, ou por outra, é uma das poucas [belas?] páginas [belas] da História contemporânea: a resistência do Alcácer de Toledo, e depois a resistência dos franceses em Dien Ben Fu, de um significado ideológico muito menor, mas muito francesa, muito heróica e, de qualquer maneira, muito simpática.

Bem, então, esse indivíduo comenta o seguinte:

Independente do Comitê de Defesa da Milícia, os anarquistas…

Que estavam em luta contra os requetés, os falangistas, etc.

os anarquistas tinham a sua própria “tcheca” no seminário. Sobre a porta dessa câmara inquisitorial, lia-se: “Entrada proibida”. Enquanto conversava com o guia, Langdon Davis viu a porta abrir-se e dois prisioneiros sendo conduzidos ao pátio. Os colarinhos dos prisioneiros…

Eram prisioneiros dos anarquistas, [que?] tinham transformado o seminário em prisão.

os colarinhos tinham sido arrancados, [tinham sido arrancados?] das camisas. Os colarinhos eram um símbolo de uma classe odiada pelos anarquistas, bem como os cordões dos sapatos.

Também tinham sido tirados [os cordões dos sapatos]. Os senhores estão vendo quanto essas duas coisas querem dizer, não é? Quer dizer, o colarinho aperta o pescoço e governa um pouco o pescoço. O cordão do sapato quase que seria o colarinho do pé. Então, a gente compreende o ódio contra o cordão do sapato.

Notem [que] coisa interessante, o aparecimento do sapato “tipo mocassino” e outros sapatos assim, que dispensam o cordão, tão decotados quanto possível — se é que se pode falar de decote — e dispensando o cordão. Dir-se-ia que era uma elaboração maluca a gente dizer que o ódio ao cordão, a rejeição do cordão do sapato obedece a um plano que favorece, em última análise, o anarquismo. Aqui está que os anarquistas não gostam do cordão do sapato, e que essa ilação, que a nós pareceria exagerada, eles a fazem por inteira.

Eu creio até, Dr. Castilho, que seria interessante nós fazermos um comentário sobre isso, talvez no próximo “Ambientes”, qualquer coisa assim.

Bem, os senhores compreendem, então, o ódio que o uso do colarinho, da parte dos senhores, razoavelmente causa.

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Auditório da Santa Sabedoria