Santo
do Dia (Sede do Alcácer) – 8/3/1969 – Sábado
[SD 182] (HVicente) – p.
Santo do Dia (Sede do Alcácer) — 8/3/1969 — Sábado [SD 182] (HVicente)
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Santa Francisca Romana: os demônios e os vícios
Hoje é aniversário da morte de José Gustavo de Souza Queiroz, é aniversário de nascimento de Paulo Barros de Brito Filho.
9 de março, Santa Francisca Romana. Visão sobre os demônios. Os senhores sabem que Santa Francisca Romana é uma santa que se caracteriza por visões extraordinárias a respeito dos demônios. Talvez nenhuma santa tenha assinalado tanto, nenhuma mística, na História da Igreja no que diz respeito aos demônios do que Santa Francisca Romana. Então diz a ficha que é tirara do Rohrbacher.
A terça parte dos anjos caíram em pecado…
É uma visão que ela teve.
…as outras duas partes perseveraram na graça. Na parte decaída, um terço está no Inferno para atormentar os condenados, são os que seguiram Lúcifer por sua própria malícia com inteira liberdade. Eles não saem do abismo senão pela permissão de Deus e quando se trata de produzir uma grande calamidade para punir os pecados dos homens, e são eles os piores dentre os demônios.
Os outros dois terços dos anjos decaídos estão espalhados nos ares e sobre a Terra: são aqueles que não tomaram parte entre Deus e Lúcifer, mas guardaram silêncio. Os que estão nos ares provocam freqüentemente geadas, tempestades, ruídos e ventos com que enfraquecem as almas apegadas à matéria, conduzem-nas à inconstância e ao temor, induzem-nas a desfalecer na Fé, e a duvidar da Providência divina.
Quanto aos demônios que circulam entre nós afim de nos tentar são decaídos do último coro dos anjos, e os anjos fiéis que nos são dados por guardiães são todos do mesmo coro. O príncipe e chefe de todos os demônios é Lúcifer, ligado ao fundo do abismo, encarregado pela divina Justiça de punir os demônios e os condenados. Caindo do mais elevado dos coros angélicos, os Serafins, tornou-se o pior dos demônios e condenados. Seu vício característico é o orgulho. Sob ele estão três outros príncipes: o primeiro, Asmodeu, tem o vício da carne como característica e foi chefe dos Querubins; o segundo chamado Mamon, caracteriza-o o vício da avareza e foi do coro dos Tronos; o terceiro, chamado Belzebu, que foi dos coros das Dominações, caracterizando-o a idolatria, o sortilégio, e encantamentos. É o chefe de tudo quanto há de tenebroso, e tem a missão de difundir as trevas sobre as criaturas racionais.
Resumindo um pouquinho a exposição que ela dá, ela mostra o seguinte, que Lúcifer era um Serafim que pairava no mais alto dos Céus, e como Serafim que ele era, o pecado dele foi de uma grande responsabilidade porque os senhores sabem que os Serafins constituem o mais alto do coro dos anjos. Como ele foi o maior dos revoltados, ele foi precipitado para o mais fundo dos Infernos. Agora, houve anjos que por uma malícia própria, uma maldade própria resolveram acompanhá-lo por uma iniciativa própria. Esses anjos estão no Inferno com ele e ele os atormenta continuamente porque ele é mais poderoso do que os outros, e é encarregado pela Justiça Divina de punir eternamente os espíritos que ele mesmo induziu, mas que por um entusiasmo próprio, foram juntos para a catástrofe.
Bem, depois então, nós temos os anjos… Sob a direção dele há três anjos principais. Um primeiro é Asmodeu. Asmodeu é o demônio do orgulho e é o que tenta os homens especialmente para o orgulho. O outro anjo é Mamon, que era um trono, quer dizer, da categoria dos anjos que acompanham a História e as harmonias da História e que se enlevam vendo Deus compor a trama histórica pelos seus decretos e encaminhar a História dos anjos, do mundo. Asmodeu é o demônio da avareza, e, por outro lado, tem Belzebu que é o demônio da sensualidade. Eu penso que é bem isso se eu não estou enganado…
Bem, e é… É isso mesmo, Belzebu é o demônio da idolatria, dos sortilégios e dos encantamentos. Quer dizer, dos bruxeiros. Quem tem o vício da carne é o Asmodeu. Lúcifer tem [como] característica o orgulho. O Asmodeu tem como característica o vício da carne. Era chefe dos Querubins. E Mamon tem como característica a avareza, era o chefe dos Tronos. E o terceiro, que é chamado Belzebu, é o chefe das idolatrias e das obras tenebrosas em geral.
Os senhores estão vendo que os dois principais anjos rebeldes, que são em primeiro lugar Lúcifer e depois Asmodeu, são os anjos do orgulho e da sensualidade. De acordo com a nossa concepção de que o orgulho e a sensualidade são os elementos rectoris, que impulsionam e que dão rumo à Revolução. Agora, esses anjos estão no Inferno e Deus só raramente permite que algum deles saia para catástrofes da Humanidade. Mas eu tenho a impressão de que na época atual, a chave do poço do abismo caiu e que o Inferno se abriu, e que esses anjos péssimos estão todos espalhados por aí e que a presença de Lúcifer é mais assídua, mais contínua, mais forte do que em qualquer época da História, do que na Crucifixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Agora, depois tem outros anjos. Esses anjos quiseram representar entre Deus e o demônio um papel de Democracia Cristã, um papel de “terceira força”. Quer dizer, revoltaram-se contra Deus, eles não se solidarizaram com Deus, mas também não se solidarizaram diretamente com o demônio. Quer dizer, ficaram assim numa posição como que neutra, naturalmente com simpatia por Satanás. O resultado é que eles também foram condenados.
Agora, esta condenação deles, a Justiça divina tornou de algum modo um pouco menos terrível, porque em vez de eles estarem sofrendo o fogo do Inferno, eles estão na Terra, estão nos ares, condenados a penas terríveis. Mas quando chegar o Juízo Final, eles vão ser precipitados no Inferno, e eles vão sofrer lá por toda a eternidade. De maneira que este curto lapso de tempo…Porque em face da eternidade isso é um curto lapso de tempo que vai desde o pecado deles até o dia do Juízo final; é muito pouco, é menos do que um minuto em comparação com a eternidade na qual eles vão se atormentados no Inferno.
Esses anjos dividem-se em duas categorias: uns são os anjos que estão espalhados pelos ares e que produzem, como diz aqui, as intempéries, as coisas que assustam as pessoas; outros são os anjos que estão na Terra e que são do mesmo coro dos nossos anjos da guarda. Então há uma batalha de anjos, entre os anjos da guarda e os anjos perdidos, há uma batalha de anjos na qual, naturalmente, o predomínio é dos anjos da guarda sobre as almas que se entregam a eles.
Bem, os senhores têm aí uma lição muito importante para o seguinte: compreender como o homem é pequeno, como dentro dessa natureza que materialmente falando é tão maior do que eles, nós, afinal de contas, somos umas formigas dentro da natureza material. Bem, dentro dessa natureza, imanente na natureza, existem espíritos angélicos de uma força, de um poder incomparavelmente maior do que nós homens.
Houve uma santa que teve a visão de seu anjo da guarda, que é a menos alta das hierarquias angélica. Ela se ajoelhou pensando que fosse Deus, tal é o e esplendor do anjo da guarda. Os senhores façam idéia qual é o esplendor de um Arcanjo, por exemplo.
Bem, então, nós como somos pequenos em face dessa batalha de Anjos que continua a se realizar por toda a parte, anjos que descem do Céu, anjos que se misturam no meio dos homens, como nós somos pouca coisa, como nós somos nada!
E qual é o grande meio de defesa que nós temos contra isto? Aqui se aplica as palavras de Nosso Senhor: “É preciso vigiar e orar para não cairdes em tentação.” É preciso antes de tudo nós vigiarmos, o conselho d’Ele foi esse. A vigilância consiste em nós crermos nos poderes angélicos, e nós crermos no demônio e crermos na ação contínua, na ação normal do demônio.
Por exemplo, eu creio que durante esse Santo do Dia e normalmente durante os Santos do Dia, os senhores recebem muitas graças e que essas graças lhes vem pelos seus anjos. Eu creio também que um ou outro dos senhores sistematicamente é tentado durante o Santo do Dia, e eu creio que essa tentação vem do demônio. Quer dizer, aqui, enquanto nós estamos falando, há uma batalha entre anjos e demônios, há homens que se dão mais a Nosso Senhor, há homens que se dão menos a Nosso Senhor. Isso faz parte do dinamismo das coisas, da ordem das coisas posta depois da Criação, e nós devemos ter isso sempre em vista lembrando-nos de um princípio que é aceito, me disse D. Mayer, pela maioria dos teólogos, que sempre que um homem tem uma tentação natural por uma causa natural, o demônio se junta a essa causa natural para agravar a tentação. De maneira que se, por exemplo, um dos senhores está tentado porque está irritado com um companheiro que está debruçado por cima dele na escada ou apertando a ele aí no corredor e está infernizado com isto, esta pequena tentação de irritação terá junto um pequeno cutucão do demônio para agravar a tentação. Quer dizer, o demônio está sempre atuando, os anjos da guarda estão sempre nos protegendo. Nós devemos discernir a ação do demônio, devemos pedir a ação do anjo da guarda, nós devemos rezar, porque se nós não rezarmos e nós não vigiarmos, nós teremos medo de pequenas formigas. Isto aí é o que se deduz das revelações de Santa Francisca Romana.
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Sede do Alcácer