690207sd016 Santo do Dia -- 07/02/69 -- 6 Feira -- [SD 016]
Nome
anterior do arquivo:
sexta-feira
São João da Cruz e São João da Mata
Uma frase muito bonita de São João da Cruz, o grande doutor da Igreja, o grande místico e que diz o seguinte: “Sempre o Senhor descobriu os tesouros de Sua sabedoria e de Seu espírito aos mortais, mas agora que a malícia vai descobrindo mais a sua face, muito mais o Senhor descobre os Seus tesouros.”
Quer dizer, o pensamento dele é o seguinte: que Deus sempre manifestou a Sua sabedoria a todos os homens, mas que à medida que a maldade dos homens, vai se tornando mais evidente, ou dizendo a coisa em termos mais precisos, à media que a maldade preternatural, presente nos homens mostra mais a sua face, em que a maldade enquanto maldade vai aparecendo mais na terra, nesta medida, Deus também dispensa mais os Seus tesouros.
Então nós compreendemos bem, que o auge do período da revolução, tem que ser em virtude desse princípio, o auge do período da eclosão do espírito de Nossa Senhora. Porque se é verdade que quanto mais é clara a maldade tanto mais é clara a sabedoria, então nesta época em que a maldade, a clareza da maldade, chegou ao sumum, é razoável que também a clareza da sabedoria chegue ao seu sumum. E nós compreendemos então, como é razoável também que nesse apogeu da revolução, tenha aparecido o grupo mais contra-revolucionário do mundo. Como se explica isso? Se explica por esse princípio. É que no auge da revolução, que é o auge da anti-sabedoria, teria que aparecer o auge da contra-revolução, que é nesse sentido, um auge de sabedoria. E assim nós temos explicado os dias nos quais nós estamos. E a obra que nós vamos fazendo.
Nós vamos passar agora ao comentário de São João da Mata, confessor, biografia tirada de Darras, em Vida dos Santos.
“São João da Mata nasceu na Provence - que é uma região da França, a 23 de junho de 1160,de nobre família. As armas da casa de Mata, representavam um cativo carregado de correntes com essas palavras como divisa: Senhor, livrei-me dessas correntes, destes vínculos.
Enquanto sua mãe aguardava seu nascimento, um dia em que se recomendava particularmente à Santíssima Virgem, Nossa Senhora lhe apareceu dizendo: “Não temas, tu darás ao mundo um filho que será santo e o redentor dos escravos cristãos. Será pai de um grande números de filhos que cumprirão o mesmo mistério para a salvação das almas.”
Seus pais o educaram no amor de Deus, e da Virgem e desde cedo o menino correspondeu a seus cuidados. Fez seus estudos na Universidade de Aix e ao voltar para casa, decidiu retirar-se para o deserto, escolhendo a região de Beaume, onde santa Madalena vivera em penitência.
O demônio o assaltou rudemente, mas foi vencido por uma coragem semelhante a de santo Antão e de outros solitários.
Após um ano de solidão, Nosso Senhor recomendou-lhe que fosse acabar os seus estudos porque queria servir-Se dele.
João foi para a Universidade de Paris cursar teologia. Um dia em que rezava ante um crucifixo, no convento de são Vítor, ouviu uma voz que lhe disse por três vezes: “ Procure a sabedoria ó Meu filho, e alegra o Meu coração.” Ele voltou aos estudos com novo vigor, e tornou-se tão versado que os mestres da Universidade lhe lhes ofereceram o chapéu de doutor. Ele a princípio recusou. Mas, São Pedro lhe apareceu ordenando-lhe que aceitasse e em nome do Senhor. Enquanto lecionava teologia, São João da Mata foi ordenado sacerdote.
Quando o bispo lhe impôs as mãos dizendo: aceite O Espírito Santo, um globo de fogo apareceu sobre a sua cabeça.
No dia da primeira missa, no momento da elevação, a assistência admirada viu surgir sobre o altar um anjo vestido de branco, trazendo no peito uma cruz azul e vermelha. Ele estendia as suas mãos cruzadas sobre dois cativos dos quais um era cristão, e o outro era mouro. São João explicou então que Deus o chamava a fundar uma ordem para a redenção dos cativos para isto então, dirigiu-se ao Papa Celestino III.
Nesse tempo, São Domingos estudava em Palência. Um dia, uma pobre mulher veio pedir-lhe uma esmola para ajudá-la a resgatar um de seus irmãos que era escravo dos mouros. O santo que nada tinha de dar, ofereceu-se ele mesmo. E como a mulher não quisesse vende-lo, São Domingos lançou-se aos pés de um crucifixo implorando a Deus que viesse em socorro do cativo, e dos outros escravos cristãos. Então, o crucifixo respondeu-lhe em voz alta: “meu filho, não é a vós que quero encarregar desta obra, mas João, doutor em Paris. Eu te reservo outro ministério, que exercerás entre os cristãos.”
Mais tarde São João e São Domingos encontraram-se na França, quando aí estabeleceram suas ordens.
São João partira de Roma.
Em Focon, encontrou São Teles de Valoi, que a ele se associou para a consagração de seus desígnios.
No dia da purificação da Virgem, 2 de fevereiro de1196,Inocêncio III em pessoa, deu-lhes o hábito da nova ordem.
Ao vesti-los disse-lhes que as três cores que compunham eram o símbolo da Santíssima Trindade. O branco representando O Pai, o azul, O Filho, e o vermelho, O Espírito Santo. E acrescentou as palavras: Ic est ordo aprobatur, nona sanctus fabricatus, seda Deus solo sumu. Esta é uma ordem aprovada, feita não por santos, mas exclusivamente por Deus supremo, sumo.
Os dois santos retiraram-se para a França onde fundaram o mosteiro Serfroit e encontraram-se ao seu trabalho.
Suas lutas são inenarráveis, sendo acompanhadas de numerosos milagres. É conhecido aquele em que os mouros de Tunis, retiraram as velas do navio que levariam São João a Roma.
Este fez de seu manto uma vela, o barco foi conduzido em seis horas às costas da Itália. Fundou ainda este santo numerosos conventos e pregou a cruzada contra os albigenses.
Tendo Inocêncio III convocado um concilio em Latrão, o rei Filipe Augusto escolheu São João da Mata para seu teólogo. Mas Deus já o queria no céu, pois o santo caiu doente, vindo a falecer em dezembro de 1213.
Foi canonizado por Urbano IV em 1262.”
Essa biografia é tão cheia em dados saborosos e de alto valor simbólico, que não se sabe bem o que dizer.
Antes de tudo, é interessante notar, aí como a predestinação como aparece clara. Desde do ventre materno, Deus quis tornar claro que predestinava este santo para uma grande finalidade. Mas ao mesmo tempo que o destinava essa finalidade, fez da sua vida um verdadeiro zig-zag. Ele primeiro começou a estudar, depois foi ser eremita, depois voltou para o estudo, depois não era o estudo, era preciso fundar uma ordem religiosa, aí é que ele realizou verdadeiramente a sua vocação.
Por que isto? Porque tudo quanto é de Deus, ou quase tudo, passa por zig-zag. Nós nunca insistiremos suficientemente sobre isso, todas as coisas de Deus, passam por aparentes fracassos, por aparentes derrotas, por verdadeiras derrotas, que representam aparentemente a finalidade, o extermínio daquela obra, depois afinal de contas, a Providência intervém, arranja as coisas, e a coisa toca para frente. Aí os senhores vêem um caminho maravilhoso. No meio de milagres, no meio também de lances da vida dele, que pareciam desvios de sua verdadeira vocação, encontrando aqui e acolá, santos extraordinários como São Domingos, recebendo a confirmação de sua missão providencial através de revelação de um crucifixo feito a São Domingos, afinal de contas, ele chega no momento, em que ele funda esta ordem para a redenção dos cativos.
Eu já tive ocasião de falar aos senhores a respeito da finalidade dessa ordem. O número de escravos cristão aprisionados pelos mouros em campo de batalha era enorme. E então a Providência quis que se fundasse uma ordem de católicos que se entregassem como escravos para resgatar aqueles escravos. De maneira que aquelas almas sujeitas a um sumo risco , fossem substituídas por outras, que por Ter mais virtudes e mais perseverança, se expunham menos a risco de salvação entre os fiéis. Foi para isto que esta ordem foi fundada e Deus suscitou para a redenção dos cativos não só um homem de linhagem nobre, como São João da Mata, mas um príncipe como São Félix de Valois. Ambos foram os fundadores desta ordem, cujos membros se deveriam entregar como escravos.
É bonito ver no momento em que lhes é dado o hábito, que lhes é dado um hábito com as três cores: branca, vermelha e azul e que o papa declara que são as cores da Santíssima Trindade. Mais tarde as cores da Revolução Francesa. É até chocante o contraste mas a coisa verdadeira é a seguinte: a combinação branca, azul e vermelha, tornou-se detestável por causa da Revolução Francesa, mas em si é uma muito bonita combinação de cores. Debaixo de um certo ponto de vista, é uma das mais belas combinações de cores que há. E o papa deu o simbolísmo: o branco é O Padre Eterno, o azul é O Filho, e o vermelho, que é o fogo do amor, é o Divino Espírito Santo. Então, com as cores da Santíssima Trindade, eles foram mandados para este apostolado. Os senhores viram tudo quanto eles fizeram neste apostolado, a obra se tornou famosa durante séculos, os senhores viram depois, esta obra, não será a única dele, mas ele queria pregar uma cruzada contra os albigenses. Quer dizer este santo, tão cheio de mansidão, que pregava o resgate dos cativos, este santo entretanto, também se distinguiu pelo valor com que pregou a cruzada.
Agora, os senhores vejam como mudam os tempos. Esta ordem ainda existe. Esta ordem poderia cuida cuidar do resgate dos prisioneiros católicos dos comunistas. Poderia aceitar uma pena qualquer para entrar nas prisões dos comunistas e para fazer algum bem aos prisioneiros que lá estão. Para a honra desta ordem, deveria haver tentativas para haver membros seus, presentes nas prisões e nos campos de concentração do nazismo e do comunismo.
Nada disso. A ordem existe, tem paróquias, com certeza tem escolinhas, deve ter também hospitais e fica numa sonolência e num torpor como uma árvore que já deu frutos e que deveria ser uma ordem de cavalaria magnífica, na luta de metralhadoras em punho e de bomba atômica na mão contra o adversário, como seria bonito que a ordem de malta tivesse a bomba atômica, ela tem um patrimônio enorme, valia a pena fazer a pena fazer o que o Evangelho recomenda: vender todas essas coisas, para comprar essa pérola preciosa, a bomba atômica. Pelo contrario: tem uma sede muito bonita em Roma, tem franquia postal, tem diploma, uma espécie de soberania, distribui comendas; eu conheci dois grão-mestres dessa ordem, um é um príncipe do qual a única coisa que se pode dizer é que era muito engraçadinho, era um mimo de homem, o príncipe Kidg, e o outro que é o atual, que é um advogado muito reto, muito estampilhoso com letra e firma reconhecida, muito direito, etc, muito burocrática, muito correto, mas o que é do fogo dos outros tempos?
É a tristeza exatamente dessas coisas que ficam a gente não sabe como, estão suspensas entre o céu e a terra e que ficam assim, a gente tem a impressão que já sabe se estão esperando o último golpe do machado divino para caírem, ou se estão esperando um raio do Divino Espírito Santo, que caía sobre aquilo para dar novamente vida.
Este é o triste comentário com que termina essa apreciação sobre a vida de São João da Mata.