Santo do Dia -- 31/01/69 -- 6 Feira -- [SD 269]

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Como se deve ler jornais

Eu tenho aqui um questionário a responder [a] respeito das reuniões de sexta-feira, que me foi elaborado pelo Viano e Mário Navarro. [Bem, e a coisa?] É o seguinte:

O senhor pode dar a oração para rezar antes de ler os diários, que tinha prometido há algum tempo? Podia fazer uma distinção para que as pessoas que habitualmente estão fora de São Paulo e não podem estar na Reunião de Recortes?

A oração eu conto redigir, sem dúvida. O pedido está muito bem. Agora, aqui, sugerências:

1. Leitura do diário, sublinhado por cada um, com anotações à margem.

Quer dizer, a idéia dever ser de que cada um sublinhe o diário? Não é a leitura do diário sublinhado por mim?

[N.D.: Frase seguinte manuscrita. É do SDP?]

[É de que cada um sublinhe o diário que ele viu, é isso? É isso, não tem dúvida nenhuma.?]

2. Reuniões em pequenos grupos para comentar as notícias sublinhadas por ordem, e de acordo com os princípios dados pelo senhor e as previsões feitas pelo senhor nas reuniões passadas.

Os senhores estão entendendo a sugestão? A sugestão é muito interessante. Aqueles dos senhores que tenham gosto para isso, tenham propensão, formarem pequenos grupos homogêneos, em que comentem entre si, cada dia, se houver tempo, o jornal sublinhado por cada um, para depois confrontar com a Reunião de Recortes de sábado e ver como correu: Se previu bem, o que faltava de melhor para prever, etc. É um exercício, realmente, muito interessante e que eu recomendo muito. Naturalmente, o exercício supõe uma dose não pequena de humildade, porque a megalice levaria a sublinhar um diário com a certeza de encontrar depois o diário sublinhado por mim e dizer:

- Eu marquei as mesmas coisas que o Doutor.

Mas há mais:

- [É?] que como eu sou humilde, eu não conto para os outros, mas eu marquei uma porção de coisas que o Doutor não marcou. Naturalmente, é porque o Doutor não teve tempo. É claro. Eu não vou dizer que sou mais [arguto?] que o Doutor. Mas no fundo… acaba sendo um fato que perturba minha humildade: É que eu sublinhei o que ele não sublinhou.

Há, portanto, um certo exercício de humildade em a gente sublinhar disposto a ver que muita coisa que a gente não sublinhou foi sublinhada, ou disposto a ver que a gente não interpretou bem aquilo que sublinhou. Mas é corrigindo que se desenvolve o espírito. De maneira que eu acho a coisa muito boa, desde que seja feita sem “mille canismo” nenhum. E a primeira condição para que seja feita sem “mille canismo” é ser feita discretamente. Nada de no centro de uma sala, um parlamentozinho discutindo, aos olhos de um público ávido e estonteado com tanta erudição. Nada disso. Num canto, poucas pessoas, e que depois não dão um jornal falado dos mútuos elogios.

- No grupo onde eu estive hoje, Fulano sublinhou uma coisa assim, tal coisa. Eu disse a ele que ele está muito capaz. Ele disse que o mais capaz sou eu, mas eu não acredito não. O mais capaz é ele, etc., etc.

Então, isso deve ser feito sem “mille canismo”, [numa sala?]. Não é fogo de palha, pode durar e aí pode fazer bem para as almas é altamente aconselhável.

3. Nessas reuniões poderiam formular perguntas para fazer na reunião de sábado.

Acho em extremo interessante essa sugestão também. Quer dizer, aquilo que a gente não entende, durante a semana, não tendo sido explicados na reunião de sábado, a gente faz uma pergunta nesse sentido. Caso aconteça que a gente não assista à reunião de sábado, pode me mandar uma pergunta para eu responder num Santo do Dia. É uma coisa perfeitamente normal.

Em base a comparação entre o que se conclui nas leituras de reuniões prévias e as linhas indicadas pelo Dr. Plinio, corrigir as apreciações erradas nossas e averiguar os princípios que foram utilizados na apreciação verdadeira do Dr. Plinio e nossa falsa apreciação.

Quer dizer, não ficar na superfície, uma espécie de jogo de bicho. Eu não me cansarei nunca de dizer aos senhores que nessas reuniões como, aliás, no conjunto de minha vida espiritual, não existem revelações. Se os senhores esperam isso de mim, procuram em vão, porque não existe. O que existe é a posse dos princípios da Revolução e da Contra-Revolução, o auxílio da graça para, por meio da razão e da sabedoria, encontrar as coisas. Mas então é possível procurar saber que princípios eu apliquei para conjecturar algo. E eu preciso, então, confrontar com os que a gente aplicou. “Por que eu não conjecturei e aquele conjecturou? Por que Dr. Plinio conjecturou certo e eu não conjecturei? Que princípio ele pôs em cena que eu não pus?”. Para aprender os princípios. Porque o homem que ama a sabedoria, ama os princípios e procura os princípios. Não procura ficar numa espécie de discipulato abobado, apenas repetindo o que ouviu, mas procura ir ao princípio. No princípio está o suco da lição.