Santo do Dia de 25.01.69 -- Sábado -- [SD 231]
Nome
anterior do arquivo:
Lances Heróicos da Guerra Civil Espanhola
Há aqui uma ficha da Guerra Civil da Espanha, do livro intitulado ''Ouvindo a Alma da Espanha'', de um jesuíta, Frederico Tuckermann. São lances heróicos que devem habilitar as nossas almas ao amor ao heroísmo em emergências agudas.
A ficha que está em meu poder diz o seguinte: ''Entusiasmo popular pela guerra contra os comunistas'': trechos de cartas de leigos e religiosos, inclusive bispos, datadas de 1936. Escreveu um voluntário da Falange Espanhola: ''Reina entusiasmo incrível entre o povo de Saragoça. Nem em sonhos teríamos acreditado nisto. Nem um moço ficou em casa. Os de quinze anos fogem para se alistar nos requetés. Parecem voltados os tempos de Covadonga''.
Os senhores vejam que interessante essa expressão: ''nem em sonhos teríamos acreditado nisto''. Por que isto? Os senhores imaginem Saragoça em 1936. Não é tão diferente de Saragoça de 1966 ou 1969. Já é uma cidade moderna, com luz elétrica, com automóveis, com toda a atmosfera da vidinha moderna e, por causa disto, com tudo o que sufoca o heroísmo, sufoca o idealismo, sufoca a grandeza de alma. Aparece, entretanto, um grande acontecimento que é a guerra civil espanhola. Manifesta-se, é verdade que com o auxílio da graça, um potencial de generosidade na alma espanhola, com que os próprios espanhóis não contavam. Então este homem escreve: ''Nós, nem de longe, esperávamos isto. Quem sabe se quando também algum dia o Brasil for fortemente sacudido acontecerão coisas a respeito das quais nós escreveremos: nós nem de longe esperávamos isto. E isto para o Chile, para a Argentina, para o Uruguai e para outros lugares onde temos grupos.
Por outro lado, vejam a coisa interessante: ele é da Falange, que é uma organização má. Ele escreve: ''os de quinze anos fogem para alistar-se nos requetés. Os requetés são os mais tradicionalistas, os mais partidários do passado. A mais extrema mocidade procurava o passado. Os senhores vejam que beleza isto. A perenidade das coisas passadas verdadeiras, que são o espírito da civilização cristã.
Agora, continua um outro trecho: ''O entusiasmo pela guerra santa é tamanho, tão profundo e espontâneo, que estaríamos inclinados a não acreditar em certas narrações, se não as hauríssemos de fontes absolutamente fidedignas. Um padeiro com cinco filhos marcha nas fileiras rumo a Madrid. Os quatro filhos de uma viúva encontram-se no front. O quinto, por respeito filial, permanece ao lado da mãe, mas esta lhe diz: - Não, meu filho, vai para onde estão os teus irmãos. Eu saberei como arranjar-me. Um camponês do norte da Espanha vai alistar-se com todos os filhos, deixando as plantações e a colheita. Dizem-lhe que perderá todo o trabalho de um ano. Responde: - Pois seja. Mas Deus pode dar-nos outra colheita e Ele o fará. A Espanha, porém é uma só e perdida ela estará perdida para sempre''. Os senhores vejam que… [faltam palavras] …terríveis.
Um pai padeiro que vai para a guerra com seus filhos. Deixa um para tomar conta da mãe. A mãe é aquela que procura mais resguardar os filhos. Eu sei do caso de uma mãe, muito pouco digna de aplauso, que costuma dizer o seguinte: - Se meu filho for para a guerra, eu dou um tiro no pé dele para ele não ir. Mas eu não quero que ele vá para a guerra de nenhum jeito. E para a guerra ele não vai. Eu disse para ela: - Mas se disserem que ele é desertor, que é medroso? Digam o que quiserem, cubram meu filho de desprezo e a mim também porque eu pouco me importo. Para a guerra o meu filho não vai. Os senhores vejam que diferença de espírito, que diferença de mentalidade. Ela pega o último filho que está em casa: - Meu filho, isto não está direito. Vá para a guerra.
E os senhores sabem bem porque é. É sobretudo porque se trata de uma guerra de religião. A guerra contra o comunismo era uma guerra religiosa. E a fé é, no fundo, a única força para uma mãe, por esta forma, abrir mão de seu último filho. Ainda que por fé a mãe mande lutar pela pátria, é o amor de Deus que faz estas coisas. Sem ser por amor de Deus, ninguém ama nem a pátria, nem o próximo nem a ninguém a ponto de operar um sacrifício destes.
Agora, um outro fato: um camponês do norte da Espanha vai alistar-se com todos os filhos, deixando as plantações. Que linda frase esta: - Deus pode nos dar outra colheita, e Ele o fará. A Espanha, porém, é uma só e perdida ela estará perdida para sempre. Que linda frase: a Espanha católica é uma só; perdida a Espanha está tudo perdido para sempre. As colheitas que se vão, o econômico se arranja depois. A Espanha não é uma empresa econômica, não é antes de tudo um conjunto de plantações vivendo para um conjunto de indústrias, mas é uma realidade espiritual e uma realidade espiritual católica, que vive para a luta, e acabou-se. Vejam os senhores que maravilha.
Outra: ''O marquês de Oquendo deixa esposa e onze filhos em Granja. Ele quer estar entre os que defendem a Espanha. Em certa família três filhos podem licença para se alistarem como voluntários. Diz o pai: - A tão santa resolução não posso opor obstáculo. Dias depois o mais moço segue os heróicos irmãos. O pai, depois de alguns dias, considera que não pode ficar tranqüilo enquanto todos combatem por Deus. Confia sua colheita a dois empregados e vai para a… [faltam palavras] …para ali se alistar. Mas lá encontra os dois empregados que haviam saído ocultamente, temendo que o patrão não lhes desse licença para se alistarem como voluntários''. Para que comentar? Qualquer comentário empalidece o fato. Ele fala por si.
''No Domingo de manhã, em [Mola?], podemos dizer que raiou um novo dia. Proclamou-se o estado de sítio. Em toda parte os falangistas, em elegantes uniformes, com armas reluzentes e modernas, com o rosto radiante. Acordara Navarra, que acordaria a Espanha. Grande, muito grande era a alegria que inundava a minha alma. Durante o dia todo, em caminhões, vinham voluntários de todas as aldeias dos arredores, com o brado de guerra: ''Viva a Espanha! Viva Cristo Rei!'' Todos desembarcavam diante do quartel, isto é, diante do Círculo Tradicionalista, que é o dos carlistas. E assim continuou durante vários dias.
Isto é uma coisa que causa embevecimento. É a Navarra. Uma região maciçamente católica, de camponeses dispostos a dar tudo pela Igreja e pela pátria, em todas as ocasiões que se apresentem e que derramam o sangue assim aos borbotões.