Santo do Dia — 25/1/1969 —- Sábado [SD 231]

Nome anterior do arquivo: 690125-1Santo_do_Dia.doc

Aniversário do Primeiro Congresso Latino-Americano de ''Catolicismo''

Hoje é festa da conversão de São Paulo… [faltam palavras] …e em 1961 inaugurava-se o Primeiro Congresso Latino-Americano de ''Catolicismo'' em Serra Negra.

Este congresso apresenta, entre outras circunstâncias dignas de nota, o fato de que foi, de algum modo, o ponto de partida de nossa expansão na América do Sul, expansão que hoje em dia produz frutos para a glória de Nossa Senhora, mas que custou uma enormidade de esforços verdadeiramente incríveis. Para os senhores terem um pouco idéia de como caminham as coisas de Nossa Senhora, basta considerarem que, dos rapazes do Chile que vieram a São Paulo naquela ocasião só um perseverou; dos rapazes da Argentina que vieram na ocasião eu não me lembro bem quantos perseveraram, mas creio que poucos. Quer dizer, foi preciso uma renovação de todos aqueles elementos para saírem os grupos verdadeiramente de TFP da Argentina e do Chile.

Os senhores considerem, através disto, com quanta aparência de realidade uma pessoa poderia ter objetado contra nós: - Não, isto é uma aventura temerária, pegar estes rapazes pela América Latina para trazer para cá. Isto não dá certo, isto não se fixa, etc. Tanto era temerário que até não se fixaram quase todos. Mas do fundo desta temeridade a voz da graça falava e ela autorizava a esperança que depois os fatos vieram a confirmar.

Aliás, também, a primeira Semana de Estudos de ''Catolicismo'' que houve, a primeira Semana foi feita com seis ou sete novatos, não me lembro bem. Contaram, e eu não fiz bem os cálculos, e destes seis ou sete novatos apenas um perseverou. Os outros todos apostataram. Depois nós continuamos outra Semana de Estudos, outra Semana de Estudos e daí veio o movimento da Academia brasileira.

O que que nós devemos deduzir destes fatos? É o seguinte: tudo quanto é muito providencial não corre à maneira de um romance norte-americana, ou menos ainda à maneira da história do nazismo. A história do nazismo é o tipo da coisa… [faltam palavras] …de falsa providencialidade. Aparece um gênio, que é o Führer, escreve um livro, este livro determina em torno dele a doutrinação do partido; este partido ele coordena, arranja finanças, militariza o partido, arma-se para a conquista do Estado, conquista o Estado, faz a anexação da grande Alemanha, conquista os Sudetos e tenta a conquista do mundo. Tudo isto até o momento em que ele cai e se espatifa no chão. Quer dizer, isto é como caminham as coisas do demônio; é como caminham as coisas do mundo; caminham de meio material em meio material, de sucesso aparente em sucesso aparente, sem provação, sem cruz, sem incerteza, sem confiança na Providência. Depois se espatifam.

As coisas da Providência habitualmente seguem de modo inteiramente diverso. Elas começam tímidas, parecem desabonadas completamente pelos fatos, parecem desautoradas, depois vão para a frente. Afinal de contas, quando a gente abre os olhos elas estão imensas. Foi assim com o movimento da TFP no Brasil. A TFP foi caminhando lentamente, havia tempos em que um novo que entrava era o acontecimento do ano. Não sei de repente o que foi, que quando nós demos acordo entre nós, os veteranos, comentávamos que já não conhecíamos os novos, tantos eram os novos que entravam. E daí que foi aumentando, não é verdade?

E isto nos deve ajudar a compreender bem que também na nossa vida espiritual as coisas são assim. Nossa Senhora, sim, tem uma vida ascensional, porque Ela foi a única criatura que em todas as ocasiões de Sua vida correspondeu à graça de modo perfeito; do modo mais perfeito que Dela poder-se-ia pedir. Mas isto foi só Ela. Nós, não; nós nos arrastamos de fato. Nós às vezes não andamos bem; nós ficamos precisando da misericórdia, ficamos precisando da bondade para nós sermos perdoados, para irmos para [a] frente de novo. E assim vai a coisa seguindo através de desastres, etc. Por que que eu digo isto? Porque a história do Grupo tem ziguezagues, pelo próprio fato do Grupo ser providencial.

Eu me lembro quando eu estudava geografia, quando eu era pequeno, e me impacientava enormemente observando no mapa o curso de alguns rios chineses. Iam para trás, sem nenhuma preocupação de desembocar em nada: o rio nasce num lugar, caminha para trás, dá volta, faz lagos, depois vai para outro lado, passeia. Aquelas águas passeiam chinesamente… Um belo momento elas deságuam. Eu ficava impaciente e chegava a pensar, com a mentalidade um pouco formada pela quadratura da Fraulein Mathilde, eu chega a pensar o seguinte: - Se eu fosse imperador desse país eu fazia cada canal… [faltam palavras] …Eu obrigava este rio a se meter dentro do mar… [faltam palavras] …perde-se tempo. Era uma tolice de menino que não percebia que o rio fazia muito mais bem com os ziguezagues, ele irrigava zonas muito maiores, [que] talvez ficassem desertas sem ele. Talvez fosse o caso de fazer canais retroativos para levar a massa das águas do rio a passearem antes de ir para o mar, não é verdade?

Assim também o Grupo. O Grupo faz ziguezagues. Nem todos os ziguezagues são bonitos. Alguns dos ziguezagues levam a gente a se espantar, às vezes a se afligir; e às vezes é por milagre que o rio continua a correr para o mar, mas é assim que as coisas são. De maneira que, então, eu recomendo muito aos senhores terem em vista isto, inclusive em relação à nossa vida espiritual. Compreender que Nossa Senhora, debaixo de um certo ponto de vista, poderia ser a Nossa Senhora das Misericórdias dos Ziguezagues, de tal maneira Ela tem paciência com os ziguezagues inexplicáveis. A gente teria vontade de fazer cessar, por meio de canonizações espirituais daquelas, não é verdade? Está bom, mas não é, etc, e acaba havendo nisto uma certa beleza.

Então fica isto como comentário para esta comemoração do dia do aniversário do Congresso Latino-Americano da TFP, não sem lembrar aos senhores que, entretanto, estas canonizações têm sua beleza. São Paulo representa uma canonização magnífica. Ele vinha exatamente na linha rio chinês: sinagoga, zelota, cuidando de bobagens e até perseguir os cristãos, que era um crime. Em certo momento Nosso Senhor fez junto a ele a operação canonização. Ele foi… [faltam palavras] …prostrou[-o] por terra, pegou-o e acabou-se… [faltam palavras] …Ele levantou-se outro homem.

Vamos pedir a Nossa Senhora que, quando for para a glória Dela, Ela queira fazer em nós canonizações assim; que queira fazer no Grupo como um todo e em cada um nós em particular. Mas enquanto Ela não tiver esta pena de nós, que Ela tenha pena dos nossos ziguezagues… [faltam palavras] …de maneira tal que, afinal, nós cheguemos ao mar. Por fim, eu viva neste [espero?] e viva neste desejo… [faltam palavras] …não tenha que esperar muito tempo.

*_*_*_*_*