Santo do Dia – 21/1/1969 – p. 5 de 5

Santo do Dia — 21/1/1969 — 3ª-feira Local:?

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[A imagem do microfilme tem correções do datilógrafo. Foram colocadas as correções manuscritas entre colchetes, e o original alterado entre colchetes e com ponto de interrogação.]

Uma devoção do agrado do Senhor Doutor Plinio. Os méritos infinitamente preciosos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Um terço altamente teológico e magnífico, a ser oferecido por meio de Nossa Senhora. A história dessa devoção. Os méritos da Chagas de Cristo e as promessas ligadas a esta devoção. A Chaga do ombro do Redentor. Relação entre esta devoção e a situação espiritual do Grupo

Terço das Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo

Um devoção do agrado do Senhor Doutor Plinio * Os méritos infinitamente preciosos de Nosso Senhor Jesus Cristo * Um terço altamente teológico e magnífico, a ser oferecido por meio de Nossa Senhora * A história dessa devoção * Os méritos da Chagas de Cristo e as promessas ligadas a esta devoção * A Chaga do ombro do Redentor * Relação entre esta devoção e a situação espiritual do Grupo

Hoje, 21 de janeiro, não há santo em nosso calendário. Se não me [trai] [falha?] a memória, é a data da decapitação de Luís XVI, não é? Mas Luís XVI não é santo, [nem] [e não?] é do nosso calendário.

* Uma devoção do agrado do Senhor Doutor Plinio

Bem, alguém me pediu o seguinte. Há muitos anos atrás, mas há muitos, uns trinta ou quarenta anos atrás, distribuiu-se na Igreja do Sagrado Coração de Jesus um terço chamado “Terço das Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo”, que foi revelado por Ele a uma religiosa que morreu em odor de santidade — eu não sei se depois terá sido beatificada —, Madre Maria Marta Chambon.

Esse papel [que] estava no meu oratório, e o Capitão Poli, que teve [que] fazer um serviço ali para mim e encontrou o papel no oratório, leu, gostou muito e sentiu-se propenso a fazer a difusão desse terço. Eu aprovo muito, porque acho um texto muito teológico, muito substancioso, muito bem feito. E então eu vou indicar como é esse terço.

* Os méritos infinitamente preciosos de Nosso Senhor Jesus Cristo

O princípio que prevalece nesse terço é o seguinte: que Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo nosso Redentor, os sofrimentos, a Paixão e a morte d’Ele, nos produziram méritos que são, [essencialmente,] os que temos que apresentar ao Padre Eterno. Criatura nenhuma tem condições para apresentar algo de valor expiatório do gênero humano diante do Padre Eterno. Os próprios sofrimentos de Nossa Senhora, que foi uma criatura perfeita e imaculada, não teriam valor expiatório suficiente para o gênero humano. O único sacrifício suficiente para expiar os pecados dos homens foi o sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo. Bem, então a idéia é de que, quando [nós] queremos obter misericórdia para nós, [nós] devemos oferecer ao Padre Eterno os méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

É legítimo que nós ofereçamos esses méritos, porque Nosso Senhor Jesus Cristo morreu por nós. Ele não precisava expiar nada, [mas] Ele expiou por nós. Ele foi a Vítima inocente; nós somos os pecadores culpados e não somos vítimas. Então, na expiação d’Ele por nós, é um ato de misericórdia que Ele teve; foi um presente infinitamente precioso que Ele fez a nosso favor, de maneira tal que somos proprietários do Sangue infinitamente precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, quando nós lamentamos os nossos pecados, quando nós lamentamos os pecados do gênero humano, quando para nós, a qualquer título, nós temos que pedir misericórdia, é razoável, é teológico, é justo que nós ofereçamos os méritos infinitamente preciosos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Bem, e é mesmo substancialmente o que há para oferecer, porque os méritos dos santos foram apenas prolongamentos dos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

* Um terço altamente teológico e magnífico, a ser oferecido por meio de Nossa Senhora

Baseado nessa idéia, nessa revelação a essa santa… toma o rosário, que os senhores sabem, tão bem quanto eu, constar de uma parte longa que tem uma cruz e depois tem cinco contas. Então, os senhores podem, se quiserem verificar na própria descrição, nessa primeira conta a pessoa — isso vai ser mimeografado, de maneira que não é o caso de tomarem nota — nessa primeira conta a pessoa dever dizer:

Ó Jesus, Divino Redentor, sede misericordioso para conosco e para com o mundo inteiro.

E eu acrescentei, porque nós devemos oferecer tudo por meio de Nossa Senhora:

Pelo Coração Imaculado e Sapiencial de Maria, Vo-lo peço.

Quer dizer, nós pedimos a misericórdia de Jesus através do Coração de Maria.

Bem, depois, nessas três contas pequenas, nós devemos dizer:

Deus forte, Deus santo, Deus imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro; pelo Coração Imaculado e Sapiencial de Maria, Vo-lo peço.

Bem, na segunda das três contas, ou seja, na terceira conta, nós devemos dizer:

Graça e misericórdia, meu Jesus, durante os perigos presentes, cobri-nos com Vosso preciosíssimo Sangue; pelo Coração Imaculado e Sapiencial de Maria, eu Vo-lo peço.

Depois, a última conta é:

Pai Eterno, fazei-nos misericórdia pelo Sangue de Jesus Cristo, Vosso Filho único, e pelas lágrimas de Maria; fazei-nos misericórdia, nós Vos conjuramos.

Oferecer, junto com o Sangue de Cristo, as lágrimas de Maria, é altamente teológico. O Sangue de Cristo é o símbolo da nossa Redenção; as lágrimas de Maria são o símbolo do sofrimento d’Ela. As duas coisas se uniram no Calvário. Oferecê-las juntas é obter para nós a mediação de Nossa Senhora. Bem, aliás, há uma conta a menos no terço. O terço não tem a última conta correspondente ao Gloria Patri; o terço não tem. Agora, nas contas pequenas, se deve dizer:

Meu Jesus, perdão e misericórdia pelos méritos de Vossas Santas Chagas e pelas lágrimas de Maria.

Não é? Bem, nas contas grandes, que equivalem ao Padre-Nosso, se deve dizer:

Pai Eterno, nós Vos oferecemos as Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo e as lágrimas de Maria para curar as nossas almas.

Isto é uma esplêndida invocação. Nossas almas são chagadas, nossas almas são doentes; nós oferecermos as Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, símbolo dos sofrimentos d’Ele, e as lágrimas de Nossa Senhora, para que curem as chagas de nossas almas. É uma fórmula altamente teológica, uma fórmula magnífica.

* A história dessa devoção

Bem, a história dessa revelação está escrita aqui.

Uma humilde irmã conversa, Maria Marta Chambon, da Visitação de Chambéry…

A Visitação é uma Ordem Religiosa contemplativa de mulheres, fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal.

recebeu, em 1907, essa invocação do próprio Jesus Cristo. Ela declarava ter recebido d’Ele uma dupla missão: a de invocar, sem cessar, as Santas Chagas, e de reavivar no mundo a devoção às Chagas de Cristo.

Antigamente, essa devoção era muito acesa. Por exemplo, em Portugal, aquelas cinco quinas do estandarte de Portugal são as cinco chagas de Cristo. Os franciscanos têm grande devoção às chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, não é?

Bem, Nosso Senhor se comprazia em formá-la para sua missão, fazendo-lhe cada dia uma espécie de catecismo das Santas Chagas, de que deveria dar contas à sua Madre Superiora e dos quais eis alguns ecos.

* Os méritos da Chagas de Cristo e as promessas ligadas a esta devoção

Agora é Nosso Senhor falando a essa Madre, Irmã Maria Chambon:

A devoção às Santas Chagas repousa sobre os mais sólidos fundamentos, sobre os méritos infinitos do Salvador. “Minha filha, reconheces o tesouro do mundo? Quando ofereces a meu Pai minhas divinas Chagas, ganhas uma fortuna imensa. Não é preciso ficares pobre, tua santa riqueza é minha Santa Paixão; esse tesouro te pertence. Meu Pai se compraz no oferecimento de minhas Santas Chagas, [e] oferecê-las é oferecer o céu [ao Céu]. Minhas Chagas sustentam o mundo.”

Quer dizer, se não fossem as Chagas de Cristo, o mundo já teria ruído por causa de seus pecados. Agora, vêm as promessas:

Eu concederei tudo o que Me pedirem, pela invocação de minhas Santas Chagas. É preciso espalhar a devoção. Vós alcançareis tudo, porque é o mérito de meu Sangue, que é de [um] valor infinito. Com minhas Chagas e o meu Coração Divino vós podeis alcançar tudo. De minhas Chagas saem frutos de santidade. Minhas Chagas repararão as vossas; assim que vós tiverdes algum sofrimento, é preciso depressa uni-lo às minhas Chagas e a pena se suavizará, oferecer-me as tuas orações, unidas às minhas Chagas.”

Há riquezas incomparáveis nas menores ações, [nas ações] mais simples. É preciso recorrer em favor dos doentes, em nome das Santas Chagas, em favor dos agonizantes, em favor dos pecadores, em favor das almas do Purgatório, em favor da Santa Igreja Católica.

Essas são as intenções que deve ter quem reza este rosário das Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Eu não sei se [eu] consegui tornar bem claro o sentido teológico disso, ou se queriam me perguntar alguma coisa.

(Sr. –: Parece que São Bernardo tinha uma devoção especial à Chaga do ombro de Nosso Senhor. O senhor poderia desenvolver alguma coisa na linha do sentido arquitetônico dessa devoção?)

* A Chaga do ombro do Redentor

A Chaga do ombro é a Chaga que carregou a Cruz. Então, é o peso de todos os sofrimentos da humanidade, que a Cruz simboliza, e o ombro é Nosso Senhor Jesus Cristo enquanto carregando essa Chaga. Quando se fala, entretanto, das Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, se bem que se tenham em vista todas elas, e o Corpo d’Ele todo foi chagado durante a Paixão, do alto da cabeça até à planta dos pés, nada n’Ele havia que fosse são, se bem que isso seja assim, se tem em vista, sobretudo, as Chagas das mãos, dos pés e do flanco, aberto pela lança. Essas são, por excelência, as cinco Chagas. Mas, pode-se ter grande culto às outras Chagas. É evidente, não é? Como, por exemplo, à Chaga do ombro.

(Sr. –: … [falta palavra] …o senhor poderia explicar, no momento espiritual do Grupo, qual seria a finalidade dessa devoção?)

* Relação entre esta devoção e a situação espiritual do Grupo

Eu não tive nenhuma intenção especial, tendo em consideração a situação espiritual do Grupo no momento, em fazer a difusão disso. Eu tinha isso comigo há muito tempo. De vez em quando rezava, mas nunca falei disto. Porque é uma devoção particular, dessas muito boas, mas como há milhares dentro da Igreja. Mas como eu vi que o Capitão Poli leu isso com muito proveito, [que] deu a outros que também leram com muito proveito, etc., e me pareceu que havia uma receptividade boa, era o caso, então, de romper o silêncio que eu fizera sobre o caso e de dizer uma palavra sobre isso.

Entretanto, eu devo dizer que há muito propósito em relação a atual situação do Grupo, porque se nós queremos alcançar um progresso para o qual nossa generosidade não é bastante, nós só podemos alcançar esse progresso por meio das Chagas de Cristo e das lágrimas de Maria, quer dizer, invocando de modo especial para nós os sofrimentos, os padecimentos d’Ele, mas não só os padecimentos morais, mas os padecimentos físicos; e nos padecimentos físicos, tomando o Sangue Redentor d’Ele não apenas como um símbolo — porque é um símbolo —, mas, mais do que isso, como uma coisa, como um elemento constitutivo do Corpo d’Ele, unido hipostaticamente à Divindade. E, portanto, formando uma só Pessoa com Deus, não é verdade? Com a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, não é?

Ora, oferecer isto para quem se sente desanimado, se sente desalentado, tem dificuldade em saber que caminho deve seguir, etc., etc. — e quem é que, pensando sobre sua própria vida espiritual, não tem perplexidades e momentos de desalento? —, essa devoção é muito adequada. Eu estaria longe, portanto, de fazer dela um cavalo de batalha, um ponto fundamental da espiritualidade do Grupo, ou qualquer coisa assim. Mas como coisa muito adequada, muito boa, muito própria a ser difundida, me parece que sim.

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