Santo
do Dia – 9/1/1969 – p.
Santo do Dia — 9/1/1969 — 5ª-feira Local: ?
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Leituras excelentes para se adquirir o espírito da “RCR” * Imaginar uma pessoa tentada de pretensão e que considera suas próprias qualidades * Para resistir às tentações do Anticristo, deve-se considerar a própria hediondez que se teria sem o auxílio da graça * Aceitar com grande alegria os desprezos e os ultrages * Glória e alegria por estarmos isolados como Nosso Senhor na Cruz * Desconfiar de nossas virtudes e confiar na misericórdia de Nosso Senhor * Prepara-se para o “Grand Retour” quem apenas se preocupa com a Causa Católica
* Leituras excelentes para se adquirir o espírito da “RCR”
Toma um aspecto de rotina por mais vivazes que elas sejam na nossa alma. Uma delas é elogiar a “Circular-boletim” de que eu recebi, há dias atrás, um exemplar mais uma vez esplêndido, e eu me sinto na obrigação de elogiar, quer dizer, que está muito bom e a recomendar, sobretudo a leitura. Eu tenho falado muito a respeito de estudo da “RCR”, eu considero a leitura da “Circular-boletim”, feito com olhos de R-CR como um dos melhores meios para nós adquirirmos o espírito da “RCR”. O estudo, a leitura do “Catolicismo” e a leitura da “Circular-boletim” são excelentes meios para formar alguém para a R-CR. É preciso ler com esses olhos, acompanhar com essa preocupação, e então a coisa toda se esclarece. E a vantagem é muito grande. Eu deixo, portanto, indicado isto aos senhores.
* Imaginar uma pessoa tentada de pretensão e que considera suas próprias qualidades
E eu passo agora a fazer a leitura do Santo do Dia para os senhores. E para os senhores terem bem idéia do alcance deste Santo do Dia, preciso tomar em… porem[-se] na posição de uma pessoa… os senhores imaginem como seria. Sei que é difícil imaginar, mas, afinal de contas, fazendo um esforço consegue[-se] montar a idéia.
Os senhores se ponham na posição de uma pessoa tentada de pretensão. Não é fácil a gente imaginar como é que seria. Mas a gente pode fazer um esforço e conjecturar qual possa ser este estado de espírito, não é? E então os senhores se ponham no estado de espírito que os senhores consigam imaginar assim, de uma pessoa que seja tentada de pretensão, vista da seguinte maneira:
“Em mim há tais e tais outras qualidades; essas qualidades nascem de minha natureza; eu, tomado no meu fundo, sou de [tous?], de tal maneira que eu tenho essas qualidades e as produzi. Veja, portanto, que eu sou um colosso. Não há dúvida que teoricamente falando Nossa Senhora também ajudou um pouco, a Igreja que ensina isto, a gente deve aceitar, porque eu não quero tomar sobre os meus ombros o fardo de dizer que eu sou herege, que eu discrepo da Igreja. Portanto, eu aceito isto, mas eu não compreendo lá o que é; porque o que eu vejo de positivo é nascer esta qualidade de dentro de mim e o que eu vejo de positivo, portanto que ela é um produto de minha natureza e de minha pessoa e que, portanto, eu sou um colosso. De mais a mais a Igreja ensina que mesmo as pessoas que têm defeitos podem ter qualidades muito grandes; logo, essas qualidades nascem de minha natureza, como nascem os defeitos. Logo, eu sou propriamente um primor; veja tal qualidade”.
Uma pessoa que pensa assim… se os senhores conseguem imaginar alguém que pense assim, os senhores conseguirão acompanhar bem o Santo do Dia que eu vou fazer. Bem, e eu não tenho irreverência em perguntar se a descrição que eu fiz está clara, ou se algum dos senhores conseguiu imaginar alguém assim. Eu vou passar diretamente, então, para a ficha de São Vicente Ferrer.
* Para resistir às tentações do Anticristo, deve-se considerar a própria hediondez que se teria sem o auxílio da graça
São Vicente Ferrer, como os senhores sabem, se pudesse dizer isso, ele é um santo altamente “bagarroso”, ele é um dos profetas da “Bagarre” e do Reino de Maria. Ele floresceu no declínio da Idade Média, quer dizer, numa das épocas mais tristes da História da Igreja, em que tudo aquilo que nós amamos começava a morrer e intumescido exatamente pelo “milecanismo” do fim da Idade Média. Foi o grande defeito, foi o “milecanismo” nobiliárquico e corporativo do fim da Idade Média. Bem, e São Vicente Ferrer então nos diz o que é preciso ter para possuir o espírito dele. E, então, aqui está; é um trecho [em] que ele indica o seguinte:
Certos remédios contra algumas tentações que virão com o Anticristo.
Quer dizer o Anticristo trará essas tentações, e ele então indica os remédios. Ora, como nós vivemos numa época pré-figurativa da época do Anticristo, muito parecida e que é uma pré-figura da época do Anticristo, se não for a própria época do Anticristo segundo uma opinião, a qual eu acho que se deve dar direito de cidadania dentro do Grupo -- se deve, aliás, dar, se deve reconhecer direito da cidadania dentro do Grupo –, então, me parece que nós nos protegermos contra essa tentação é uma coisa altamente oportuna para nós. Então, diz ele o seguinte:
Quem quiser fugir dos laços e tentações do Anticristo, e libertar-se da lei do demônio nos últimos dias há de procurar…
“Pos primeros” o que quer dizer em espanhol? Últimos, ultimíssimos, nos ultimíssimos dias. Não aqui diz “pos primeros”. É sinônimo inteiro, é bem… quer dizer, mais últimíssimos do que últimos, ou é últimos… mais últimíssimos… Sei, pois não. É derradeiros dias, e como é? Derradeiros? É espanhol? É espanhol, porque em espanhol este… o fim do fim é o fim do fim. Então, parece que ele adota a idéia de que Cristo virá no fim do fim do mundo. Eu não quero daí tirar um argumento de algibeira a favor da minha tese, mas eu não resisto ao… a reflexão que o texto me sugere.
Bem, então diz ele o seguinte: É que quem quiser nos pos primeiros dias (, é,) resistir às tentações do demônio, há de procurar guardar duas coisas em seu próprio conhecimento, quer dizer, deve ter sempre em vista, deve conhecer e conservar no conhecimento duas coisas para fugir das tentações do Anticristo. A primeira é que deve sentir de si como de um corpo morto cheio de vermes hediondos e tão asquerosos que não só fogem de pôr nele os olhos dos circunstantes, mas se tapam os narizes para não sentir o mau cheiro que de si deita, e envolvem o rosto para não ver tal e tanta abominação. São Vicente Ferrer com isto não quer dizer o seguinte: que uma pessoa em estado de graça deva achar que ela atualmente é assim; ele quer dizer uma coisa diferente: é que nós devemos achar que por nossa natureza somos assim e que, se não fosse a graça, nós não seriamos senão isso; que a graça pousando em nossa natureza lhe dá pela colaboração a possibilidade de não ser assim. Então, uma alma em estado de graça não é assim, não tem dúvida nenhuma, mas a alma deve reconhecer que ela não é isto porque a graça lhe deu o não-ser assim, porque de si mesmo ela não tem senão isto.
Este é que é o pensamento; quer dizer, portanto, nós por nossa própria natureza não somos os colossos que parecemos, não temos o valor que nós imaginamos, nós não somos absolutamente nada, a graça é que é tudo em nós. Bem, e agora, com a graça somos porque aí ficamos bons; “Deus nos ama por causa da nossa bondade”. Isto é uma questão diferente, foi a graça que pôs em nós, não é uma coisa nascida de nós. Então, é a primeira [coisa] que é preciso ter para a gente não cair nas ciladas do Anticristo.
* Aceitar com grande alegria os desprezos e os ultrages
E mais adiante deve desejar, é a segunda coisa: é que o desprezem e o ultrajem de tal maneira que todos os vitupérios, infâmias, injurias, blasfêmias, e finalmente que tais coisas adversas lhe venham com sumo gozo e grande alegria, lhes abrace e sofra com paciência.
Aqui a idéia é a seguinte: se a aplicação concreta para o nosso caso… nós não devemos fazer questão de ser cotados, de ser tidos em alta consideração. Todos os desaforos, todas as humilhações, todas as vergonhas pelas quais nós tenhamos de passar para sermos fieis à Causa Católica, para sermos verdadeiros ultramontanos, isto nós devemos aceitar e devemos aceitar com alegria. O ultramontano -- isto já está mais do que dito aqui, essas conferências que eu estou fazendo com essas duas colunas provam isso à exuberância --, quando ele se mostra ultramontano ele é perseguido pelo mundo inteiro, ele tem o mundo inteiro contra si. Bem, o sentir-se objeto do ódio universal, do repúdio universal, do desprezo universal, da parte de todo mundo, isto o verdadeiro ultramontano deve aceitar, não deve fugir disso por meio do respeito humano, não deve ter um pavor que digam qualquer coisa dele. Pelo contrário ele deve ser corajoso e deve mostrar-se ultramontano, e se quiserem achar, achem o que quiserem, pouco importa, e até é bom, porque é uma bem-aventurança sofrer perseguição pela justiça. E isto é sofrer perseguição, perseguição é levar tiro ou levar pancada, ou ir para a cadeia, mas estas outras formas constituem perseguição moral, e nós estamos no estado de perseguição moral das mais violentas que houve em toda a história da Igreja. Nós devemos amar isto. Devemos nos alegrar com isto, porque nos parecemos com Nosso Senhor que também foi objeto de vitupérios, desprezado, que foi odiado, etc., etc.
* Glória e alegria por estarmos isolados como Nosso Senhor na Cruz
E nós tocamos aí num ponto que eu acho um ponto capital: é a alegria com isto de nós estarmos isolados como Nosso Senhor foi isolado. Nosso Senhor no alto da Cruz estava completamente só. Eu gosto exatamente das cruzes bem altas porque elas representam melhor esta solidão de Nosso Senhor, colocado a uma altura aonde nem mais a humanidade tem quase acesso, apenas subia a Ele o Imaculado Coração de Maria e o ruído do soluço de Santa Maria Madalena, o amor de São João Evangelista, mais nada. Não tinha relação mais com gênero humano nenhum, Ele estava ali separado, como desligado de tudo. É uma das maiores glórias e uma das coisas que nós mais devemos amar. É o rapaz que entra numa faculdade e que nota que se formam rodinhas, mas que ele não é bem visto em nenhuma rodinha. Por quê? Porque ele não é Karmanguia, porque ele não vai trazer a tal alegria porque ele é ultramontano, ele é sério, ele é refletido, ele é sapiencial, ele é casto, e todo o mundo abomina essas coisas.
O aceitar isto, o aceitar de ser assim, e ser pequeno e amar de ser por essa forma pisado, é próprio do ultramontano, e o ultramontano deve gostar disso, não quer dizer com isso que ele tome um ar de “heresia branca”, e nem [pensar] “eu sou o último dos homens”. Não se trata disso, pelo contrário, ele deve resistir a esta onda de críticas como aquele cavaleiro do Credo de braços abertos que resiste a todas as investidas do adversário, mas ele está de pé e ele está lutando, e aceitando a luta que o universo inteiro conduz contra ele. Esta é a posição: ser em face de todo o mundo o que é nosso Leão áureo, rompante, ufano, mas sabendo-se invejado e desprezado ao mesmo tempo, e colocado no centro de todos os paradoxos. Invejado e desprezado, admirado e odiado, querido e detestado pelas mesmas pessoas. Detestado até pelos que o querem e, às vezes, querido até pelos que o detestam, e indiferente a tudo isto porque só se preocupa com Nossa Senhora, com a Santa Igreja Católica, com o Grupo, com a Causa Ultramontana. Isto é o que é a aplicação das palavras de São Vicente Ferrer a nós.
* Desconfiar de nossas virtudes e confiar na misericórdia de Nosso Senhor
Convém desconfiar totalmente de ti mesmo, das tuas boas obras e de tua vida, e que devolvas todas a Deus e que reclines sobre os braços de Jesus Cristo pobre, vilíssimo, vituperado, menosprezado, morto por ti, até que tu também estejas morto para todas as tuas paixões humanas e só Jesus Cristo Crucificado viva em teu coração e tua alma,
Aqui está novamente apresentada esta idéia: nós devemos desconfiar das nossas virtudes, saber que elas não vêm de nós, vêm da Graça, e ainda mais que eles são frágeis. Mas nós devemos ter isto não numa posição de pânico, mas numa atitude de confiança em Nosso Senhor, repousarmos nos seus braços divinos como Nossa Senhora fazia; termos confiança na bondade da misericórdia d’Ele e suportar esta situação com tranqüilidade.
Eu me lembro de um trecho de Santa Teresinha, e cuja meditação mais de uma vez eu achei esplêndida, quando ela disse que ainda que estivesse -- se leu um dia desses aqui esse trecho -- ainda que ela estivesse carregada com todos os pecados do mundo, ela iria a Deus com confiança. E então cada um deve tomar o caso assim: “Se ela tivesse os meus pecados, ela iria a Deus com confiança, mas estes que eu cometi, que parecem às vezes imperdoáveis, que eu fui pretensioso, fui isto, fui aquilo, cada um dos senhores põe lá o que quiser, ponha o seu pobre [bebe-so?] nessa lista. Está bom, ir a Nosso Senhor com confiança. Porque se Santa Teresinha tivesse cometido esses pecados que este ou aquele dos senhores cometeu, ela levaria esses pecados com confiança aos pés de Nosso Senhor, pelas mãos de Nossa Senhora. Quer dizer, essa confiança eu acho inapreciável.
* Prepara-se para o “Grand Retour” quem apenas se preocupa com a Causa Católica
Bem…
E assim transformado, transfigurado todo em Jesus Cristo interiormente, é bom que sintam em ti para que daí por diante não vejam mais nem ouças nem…
É…
…sintas senão a Jesus Cristo pendente da Cruz, morto por ti e Crucificado e, [a] exemplo da Virgem Maria, morto para o mundo, vivendo na Fé.
O que quer dizer tudo isto: incomodarmo-nos só com Nosso Senhor Jesus Cristo, com Nossa Senhora, com a Igreja Católica, com Nossa Senhora, com a Igreja Católica, com mais nada.
Nela há de viver toda a tua alma até a renovação com a qual enviará Nosso Senhor o gozo espiritual e o dom do Espírito Santo a ela e àquelas pessoas com as quais há de renovar o estado dos Santos Apóstolos de sua Igreja Santa.
Aqui é uma linda promessa do “Grand Retour”. Quer dizer, se a pessoa viver assim, virá um momento em que verá o gozo da renovação e a pessoa se sentirá, então, completamente diferente. É o gáudio que esperam aqueles em quem Deus vai renovar a Santa Igreja Católica. É o “Grand Retour” tal qual descrito, não é? É exercitando em santas orações e sagradas meditações afetos para alcançar dos dons, das virtudes e as graças de Deus. Então, quem proceder por essa forma se prepara para o “Grand Retour” e para ser daqueles que renovarão a Igreja de Deus. Aí estão as considerações que eu tinha a fazer aos senhores.
Que Nossa Senhora os ajude, e vamos encerrar.
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