Santo do dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 30/11/1968 – sábado – p. 3 de 3

Santo do dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 30/11/1968 — sábado

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Carta de São Pio V – Defesa da Ilha de Malta

Aqui há um trecho de uma carta de São Pio V aos reis cristãos, pedindo auxílio na defesa da Ilha de Malta.

A Ilha de Malta era ocupada pelos cavaleiros da Ordem de Malta, que era uma Ordem de Cavalaria religiosa e militar, que datava da Idade Média e que era o posto avançado de defesa de todo o Mediterrâneo, em relação aos navios maometanos, que tinham base na Turquia e em toda a África do Norte, ocupada por nações maometanas.

Então o Papa se dirige a todos os reis da Europa cristã, pedindo apoio para a Ilha de Malta que estava sendo objeto de ataques, etc.

Ao nosso caríssimo filho em Cristo, Felipe II Rei católico da Espanha:

Eis que está certo e estabelecido: nosso poderosíssimo inimigo, o sultão dos turcos, prepara uma frota considerável, uma armada importantíssima como ainda não houve. Ele completa todos os preparativos que se impõem a fim de se precipitar logo contra Malta, para abater a Ordem Militar de São João, a qual odeia particularmente e submeter essa ilha.

Dizem que ele deseja muito se apoderar, tanto por causa das grandes vantagens que ela oferece sob o pondo de vista estratégico, como por causa da vergonha sofrida no sítio precedente.

Como a tais forças a Ordem não pode resistir de nenhuma maneira, nosso caríssimo filho Jean de la Valette, seu Grão Mestre, é obrigado a implorar o socorro dos príncipes cristãos, contra o inimigo comum, o inimigo do cristianismo.

Nós não duvidamos que Vossa Majestade e vosso povo venham em nosso socorro espontaneamente, ainda mais considerando que é de vosso interesse que uma ilha assim próxima da Sicília e da Itália não caia em mãos inimigas.

Esta carta tem alguns aspectos bonitos.

O primeiro dos aspectos é o modo pelo qual o Papa trata o Rei Felipe II. Ele se dirige assim: “Ao nosso caríssimo filho em Cristo, Felipe II, Rei Católico”.

É uma beleza a gente ver como os Papas daquele tempo poderiam se dirigir, como de pai para filho, no protocolo oficial, para todos os grandes da terra: “nosso caríssimo filho” e é um dos maiores potentados da terra, em cujos domínios o sol jamais se punha, o Rei Felipe II. Bonito também o título de Rei católico.

A Santa Sé foi dando, ao longo dos séculos, aos vários reis, títulos que celebravam serviços prestados à Igreja. E então o Rei da França se chamava “Rei Cristianíssimo”, o Rei da Hungria era “Majestade Apostólica”, o Imperador do Sacro Império Alemão era “Sua Sacra Majestade Cesárea”, porque o Imperador se reputava sucessor de Carlos Magno, o César cristão do Ocidente.

O Rei de Portugal era “Sua Majestade Fidelíssima”, por causa da grande fidelidade à Sé Apostólica. Os reis da Espanha eram “Majestades Católicas” porque a Espanha era a nação fiel por excelência, a nação católica por excelência e assim o “Rex Catholicus” era o Rei da Espanha.

Nessa época havia um rei que tinha um título também, mas que já não merecia. Era o Rei da Inglaterra: “Defensor Fidei”, tinha sido nomeado “Defensor da Fé”, e assim cada rei tinha como adorno mais belo algum título que celebrasse sua união com a Igreja Católica.

Isso nos traz um contraste frisante em relação aos Estados modernos . Não pensem os senhores que essas coisas ficam numa ordem puramente protocolar. Elas baixam da ordem protocolar para a realidade das coisas.

Aqui os senhores têm o Papa que se dirige a Felipe II, como a um filho e expõe: os cavaleiros da Ordem de Malta, que me são tão diletos, que são o amparo da Cristandade, esses cavaleiros estão necessitando de apoio; apóie. É uma coisa tão natural. Pois se a Igreja está precisando, ele é um rei católico, que apóie. E apoiou e ajudou. Ajudou a salvar os cavaleiros da Ordem de Malta.

Hoje, até um Estado se mover para ajudar a Igreja Católica, que dificuldade!

É verdade que o Papa põe aqui também um argumento de ordem temporal: ele mostra que as possessões do Rei da Espanha, na Itália, especialmente a Ilha de Sicília ficaria ameaçada com a queda da Ordem de Malta.

Mas isso é um argumento secundário. O argumento fundamental que ele dá é da fé ameaçada.

Os senhores vêem: felizes tempos! grandes perspectivas! grande Fé a iluminar a vida política daquela época! grande nostalgia de nossa parte.

Não há nostalgia mais dolorida do que a nostalgia daquilo que a gente nem sequer chegou a conhecer, mas que os instintos de nossa alma católica pedem por apalpar, pedem por ver a vir.

Mas para nós há uma grande alegria: é que essa nostalgia é, ao mesmo tempo, uma grande esperança. Essa é a grande alegria com que nós terminamos o Santo do dia.

Eu estava falando, hoje à tarde, a respeito de um assunto que se liga ligeiramente a isso e no qual eu toco muito de passagem. Na Reunião de Recortes eu estava dizendo que, se não me trai a memória, dever fazer agora dez anos que foi publicada a “RCR”. A “RCR” é exatamente o livro onde se condensam essas noções, em que se esquematizam essas visões, em que, ao mesmo tempo que se dá um quadro do que é a Cristandade ……… [Assim no microfilme.] a Cristandade deveria ser… dá-se um quadro horroroso do que a chaga da Revolução instaurou na Cristandade.

Convém, sobretudo aos mais novos, que há dez anos atrás não estavam no Grupo, que procurem ler e procurem estudar a “RCR”. Existem membros do Grupo que conhecem bem a “RCR”, graças a Deus, mas não se pode dizer que seja a maioria, nem se pode dizer que seja uma grande minoria. E entretanto é o nosso livro básico.

Essas idéias, essas nostalgias, essas esperanças se contêm exatamente dentro da “RCR”.

E assim fica aqui um apelo aos senhores, baseado ou estimulado pelo perfume desses áureos tempos, um apelo aos senhores para um estudo da “RCR” neste ano que será, provavelmente, o décimo de sua publicação.

Com isto, resta-me encorajá-los ardentemente a que vão lutar amanhã pela causa de Nossa Senhora, expressa na Tradição, na Família e na Propriedade, nas ruas e vias de São Paulo, amanhã.

Que Nossa Senhora os abençoe e que Ela os proteja.

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Auditório da Santa Sabedoria