Santo do dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 25/11/1968 – 2ª-feira – p. 8 de 8

Santo do dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 25/11/1968 — 2ª-feira

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Narração de um fato heróico da Guerra Civil Espanhola

Francis de Whomande – autor não identificado.

[No microfilme,página 9, na 4ª linha de cima para baixo, está indicado que há algo escrito no verso que não foi digitalizado.]

[Idem, página 10, 7 ª linha de baixo para cima.]

[Idem, página 12, linhas 7 e 12.]

[Idem, página 18, pelo meio.]

Hoje, dia 25 de novembro, não há santo em nosso calendário. Há uma… entretanto, um trecho de um livro de Francis de Whomande1[?] “A perseguição religiosa na Espanha”.

Há aí um fato heróico da Guerra Civil Espanhola: é a morte infringida ao Bispo de Lérida, em 1937.

Possuímos os pormenores da morte infringida ao Bispo de Lérida e a um bom número de seus sacerdotes. Detido e aprisionado desde o início da Guerra Civil, este bispo, D. Salvi Ruiz, da Congregação do Oratório de São Felipe Néri, mostrou-se logo profundamente dedicado aos que com ele sofriam em prisão. Entre esses contavam-se sacerdotes, irmãos e párocos de cidades.

No dia em que deveriam ser executadas, receberam aviso de que deveriam ser transportados, à noite, ao castelo de Monyuic, em Barcelona. Esta notícia deu-lhes esperança de um tratamento melhor. À tarde chegaram os caminhões que deveriam conduzi-los, mas ao invés da estrada de Barcelona, os veículos pararam em frente ao cemitério de Lérida. Então compreenderam todos que iam ser executados. Desceram e ajoelharam-se ao redor do Bispo, pedindo-lhe a bênção. Este encorajou-os com amor: Sede valentes, meus filhos, porque antes de uma hora estaremos todos reunidos em presença de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O prelado recitou então o Credo em voz alta e todos os condenados acompanharam com grande devoção. Depois, obrigaram-nos a cavar suas próprias sepulturas.

Colocados em frente às covas, os milicianos afastando-se alguns passos fizeram fogo.

Eu acho interessante como uma narração de um fato, em si heróico, pode tomar uma conotação adocicada, e como, de si, é preciso expurgar a narração de algo — até é interessante a gente ver como é uma narração “heresia branca” — é preciso expurgar o fato de algo e de um imponderável, para que ele faça verdadeiramente bem às almas. Os senhores vejam essa narração:

Detido e aprisionado desde o início da Guerra Civil, esse Bispo, D. Salvador, etc., mostrou-se logo profundamente dedicado aos que com ele sofriam na prisão.

De um lado, representa uma coisa boa. É bom estar profundamente dedicado àqueles que com ele estão na prisão. Mas o modo de narrar nos dá uma impressão — não sei se dá aos senhores e aos da geração dos senhores — a mim dá: um Bispo, com uma batina muito rodada, um pouco parecida com saia de senhora e que a primeira coisa em que ele pensa quando entra na prisão é: “Ó coitadinhos dos que estão presos comigo. Quem é que quer um travesseirinho? Quem é que quer um agradinho aqui no queixo? Eu faço isto para todo mundo e para mim não quero nada. Eu apenas quero que todo mundo esteja contentinho em volta de mim”. Uma espécie de mamãezinha “heresia branca” dos padres que estão presos lá.

Ora, evidentemente o verdadeiro estado de alma do de um Bispo que está aprisionado2 por amor à Igreja é, antes de tudo, de pensar em luta na Igreja, de ter indignação pelo sacrilégio que é praticado na pessoa dele e na pessoa dos padres que estão lá, de ter indignação com esta afoiteza da Revolução e de então estar continuamente rezando para pedir a Deus a vitória das hostes contra-revolucionárias sobre as revolucionárias, pedir a vitória da causa católica na Espanha, estar oferecendo a Deus atos de reparação pelo ultraje que Deus sofreu na pessoa dele e estar, portanto, numa atitude combativa.

Que ele seja muito solícito com os outros é muito bonito, na media em que essa solicitude não amolecesse nos outros a combatividade. Porque é claro que um homem que está preso, a gente não deve fazê-lo uma espécie de coitadinho que a gente afaga e agrada: “A palha debaixo de sua cabeça, meu filhinho, está doendo, está cutucando sua nuca durante a noite”?

Isto é uma coisa que também se pode fazer e até se deve fazer, mas num contexto de idéias muito mais altas do que o simples conforto achinelado dentro da prisão.

Ora, a narração insinua a idéia contrária: que assim que eles se viram presos lá, todo mundo tratou de entrar numa espécie de compota, tão bem quanto possível; e que causa católica, furor contra-revolucionário, ato de reparação, sacrifício, sacrilégio, eram conceitos que estavam fora da idéia deles, porque todos estavam tomados pela caridade da dor física que os outros estavam sofrendo.

Não sei se aos senhores a narração induz no fundo a um estado de espírito análogo, mas a mim me induziria muito a esse estado de espírito, e que é uma de deformação.

Quer dizer, de fato é um ato de virtude, um ato bonito. Mas vem carregado de conotações tão falhas de virtude, que o ato faz mais mal do que bem.

E por que é que ele faz mais mal? Porque como é um ato de virtude que se conta aqui, a pessoa se sente inibida de criticar, diz: “Que bom Bispo! Você critica um Bispo tão bom? Que coisa horrível ser prisioneiro junto com você! Você o que é que fica fazendo, dando pontapés na cabeça dos outros o tempo inteiro…”

É evidente que não se trata disso. É até bem evidente. Mas o espírito da coisa é outro. Um guerreiro da Idade Média preso, São Luís na prisão, agiria com a mesma caridade, mas com outro diapasão.

Vale a pena a gente analisar um pouco mais, para a gente aprender a se defender contra essa literatura. Porque do contrário essa literatura faz mal. Diz:

Entre esses — isto é, os que estavam na prisão — encontravam-se sacerdotes, irmãos e párocos da cidade.

A gente tem a impressão de que a pessoa que escreveu é uma dessas pessoas “heresia branca” ouvindo falar em sacerdotes — Ah!, irmãos. Ah!, párocos, Ah! —, se desmancha em prantos. Não é uma pessoa varonil. Essa enumeração não está feita varonilmente. Está induzida em açúcar mascavo. Está ridícula, mas é algo de imponderável. Porque se estavam presentes sacerdotes, irmãos e párocos, é preciso dizer que estavam presentes, e ele diz na linguagem mais simples do mundo.

Pois bem, entra um choramingo qualquer dentro disso. É martírio e choramingo: são coisa incompatíveis. Varonilidade e choramingo: são coisas incompatíveis. Sobretudo é incompatível choramingo e combatividade.

Eu vou dizer aos senhores por que insisto tanto.

Os senhores sabem que há um certo perigo — por causa dessa literatura assim — um certo perigo em a gente, sem cuidado, se tornar muito piedoso e muito católico. Porque isso entra pelo ambiente. E o indivíduo que entra para o Grupo como um leão, de repente começa a abeberar-se dessas águas açucaradas e fica um boneco de açúcar. Não tem choriqueira. A coisa é ali.

Bem, os senhores vão ver como, do ponto de vista da arte real, é uma maravilha para a destruição da Igreja essa narração.

No dia em eu deveriam ser executados, receberam aviso de que seriam transportados, à noite, ao castelo de Monyuich, em Barcelona.

A nota que deveria prevalecer na narração seria a seguinte: Vejam como os revolucionários são falsos, como eles ocultam às vítimas o seu destino. Mas a narração põe aqui outra nota: “Coitadinhos, e eles que não sabiam… Estavam tão sossegadinhos, o Bispo fazendo caridade para todo mundo e todo mundo gostando do Bispo, e de fato estavam planejando a morte desses cordeiros.

Mas não é assim que se olha o fato. Tudo está apresentado entre dentes, numa perspectiva falsa. E é o perigo dos livros de piedade, hein!

Porque volto a dizer: diretamente, não há um erro de doutrina aqui. Qual o erro de doutrina aqui? Diretamente, no sentido natural, próprio e direto das palavras, não há erro de doutrina. Mas está tudo choramingado.

Então o nosso leitor vai vendo com tristeza: “coitadinhos, são embarcados um ônibus, sei lá no quê. Bem…

Essa notícia deu-lhes esperança de um tratamento melhor.

Os senhores estão vendo que eles não desdenhavam um bom tratamento, não é verdade? Bom, mas…

[No microfilme,página 9, na 4ª linha de cima para baixo, está indicado que há algo escrito no verso que não foi digitalizado.]

A idéia fixa deles era de serem mais bem tratados — como está apresentado, eu não acredito que fosse isso – mas como está apresentado, a preocupação contínua é de um melhor tratamento.

Os senhores estão vendo o Bispo contente, está compreendendo?

Meus filhos, cessou a provação tremenda. Vós tereis agora um travesseiro para pousar a vossa cabeça e tereis e uma comida melhor. Como o vosso pastor fica alegre!

E responde um irmão leigo, humilde, com os olhos baixos:

Para nós isso não é nada. O problema é o reumatismo do senhor Bispo…

Está compreendendo, quer dizer… Assim não se anda. Isso não é coisa para homem. Mas os senhores estão vendo…

[No microfilme,página 10, na 7ª linha de cima para baixo, está indicado que há algo escrito no verso que não foi digitalizado.]

Nos entretons está insinuado isso, com uma arte extraordinária… porque é extraordinário como, sem dizer, está dito, não é?

Bom, continua:

Essa notícia deu-lhes esperança. À tarde chegaram os caminhões que deveriam conduzi-los, mas ao invés da estrada de Barcelona, os veículos pararam em frente ao cemitério de Lérida.

Os senhores estão vendo a falta de distância psíquica e os surtos que se insinuam: “Como? Lérida, isso é cemitério!

Bom. Agora são os heróis de Jesus Cristo, aqueles que a Acta Martyrum nos descreve entrando para a arena, uns tremendo de medo, mas rezando dramaticamente para terem coragem e outros calmos, tranqüilos, apostrofando o Imperador, ou chamando corajosamente o leão. São os mesmos mártires, hein!

Agora os senhores vão ver a diferença da Acta Martyrum e disso aqui. Seria talvez interessante me trazerem amanhã uma narração qualquer da Acta Martyrum, que era uma compilação feita no tempo dos mártires, autêntica, anais da primitiva Igreja, para verem o tom diferente.

Bem, então agora o que acontece?

Então compreenderam todos que iam ser executados…

Tal seria, não é? Diante do cemitério, dava bem para compreender, não é?

Mas o modo de dizer a coisa dá impressão de que eles ficaram sucumbidos: que má notícia! A alegria da palma do martírio com que Santa Terezinha morreria, por exemplo, não está presente. Bem;

Desceram e ajoelharam-se ao redor do Bispo, pedindo-lhe a bênção.

Que bonita cena, porque a cena é bonita. Todos desceram, ajoelham-se em torno do Bispo, naturalmente, e antes de morrer pedem a bênção, pois é evidente, é um ato de fé.

Mas não é verdade que a gente tem a impressão de que eles foram para junto do Bispo com a esperança de que o Bispo os salvasse? Que assim como quem se recolhe à fronde de uma árvore mais frondosa, para ver se o Bispo que…

[No microfilme,página 12, na 12ª linha de cima para baixo, está indicado que há algo escrito no verso que não foi digitalizado.]

Será que contra o senhor Bispo essa gente também vai fazer qualquer coisa? Está compreendendo? Bem, e que eles, quando se ajoelharam, ajoelharam de perna bamba?

A gente não tem impressão da sensação do martírio, nem do heroísmo, nem da coragem numa cena tão bonita, não é?

Agora continua:

Este encorajou-as com amor…

Este “com amor” os senhores estão…

[No microfilme,página 12, na 7ª linha de cima para baixo, está indicado que há algo escrito no verso que não foi digitalizado.]

Ele podia ter encorajado com amor, mas eu não sei se os senhores percebem o que quer dizer este “com amor”: “filhinhos, como eu sinto que vocês todos vão ficar mortinhos. Eu também um mortinho; um furo aqui, é doidinho, mas a questão ainda bem que passa depressa. Sejam bonzinhos, vamos depressa. Isso não tem nada, não tem nada. Vamos”. Pluft! Já la vai tiro.

É o que este “com amor” insinua, não é?

E o engraçado é o que o Bispo diz e o que eles transcrevem é o contrário. O que o Bispo diz está bom. Os senhores querem ver o que é que o Bispo diz?

Sede valentes, meus filhos, porque antes de uma hora estaremos todos reunidos em presença de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quer dizer, é uma palavra e está muito bem. Mas no contexto a gente tem a impressão que o próprio Cristo, no alto do Céu está apenas preocupado com a dor que o furo vai produzir na alma desses homens… no corpo desses homens.

Porque tudo está induzido em açúcar mascavo. É tremendo. Bem.

O prelado recitou então o Credo em voz alta.

Vejam os senhores que bonito isto. Quer dizer, eles iam ser mortos porque eles eram católicos, eles desfiaram rezando o Credo. É bonito isto.

E todos os condenados acompanharam…

Agora, acompanharam o quê?

com grande devoção…

É bonito acompanhar com grande devoção. Mas os senhores sabem que, “com grande devoção” que espécie de devoção insinua. Não é a compenetração, a fé que move as montanhas, a altaneria do Credo. Os senhores estão vendo como é “com grande devoção”: pescoço torto, é isso que está insinuado. Bem.

Depois obrigaram-nos a cavar as própria sepulturas. Eh! Coitadinhos! Eh! Bom.

Colocados em frente às covas, os milicianos afastaram -se alguns passos, fizeram fogo.

O resultado, a gente vela a face; não quer saber o que aconteceu. Quer dizer, os senhores viram: o mais heróico da cena, que é eles, de pé, enfrentando a morte, não figura. Que isso é que é o bonito.

O miliciano é varonil: bateu fogo na mulherada, a mulherada caiu na cova. Quer dizer, treme.

Num fato todo ele bonito, que pode ter levado essa gente para os altares — e eu peço que do alto do Céu eles rezem por nós — como é que essa pessoa, não sei com é que se chama essa pessoa — esse de Francis de Whomande [?], deve ser, arranjou um jeito de emporcalhar a narração.

Eu acho que do lado “Ambientes e Costumes” é uma obra prima. Se os senhores se lembrarem, tragam-me uma Acta Martyrum, amanhã, por exemplo, de Santa Inês, que foi jogada para o alto por um touro, ou então de Santo Inácio de Antioquia, que enfrentou um leão, qualquer uma coisa assim bonita e tragam aqui para eu ler. E os senhores terão a idéia da diferença de narração, entre uma coisa e outra.

Eu já vi em vários tempos e várias épocas de minha presença no movimento católico, acontecer isso:

O sujeito entra par o Grupo, ou para a Congregação Mariana, varonil, másculo, até um pouco aventureiro. Depois que entra, começa a ficar meio aconchegado. Assim mais ou menos como um pirata de alto mar que volta para sua aldeia natal e começa a achar: “Puxa! Eu me meti em cada uma! Como essa aldeia aqui em terra firme é gostosa! Olha meu quartinho, gostoso, eu ponho um gorro à noite, acendo uma vela e fico vendo o mar soprar lá longe, imaginar até perigo lá, enquanto eu estou aqui, bem no seco. Que gostoso”!

E o sujeito, dentro do meio católico, em vez de aumentar o seu heroísmo, dar uma fundamentação doutrinária para isso, ao que era puro espírito de aventura e fazer com que ele ainda fique mais varonil, aquilo, pelo contrário, por osmose, enche o indivíduo desse açúcar. E o leão vira uma pomba imbecil, sem inteligência, como dizia o profeta Oséias

E isso eu não quero… eu não quero, quer dizer, Nossa Senhora não quer, é contra a doutrina da Igreja.

É ter um espírito profundamente sobrenatural, inteiramente sobrenatural, exclusivamente sobrenatural, com a posse de todas as virtudes cardeais e as que dela decorrem, o espírito de um cruzado, o espírito de um herói.

Em termos contemporâneos, o espírito de um pára-quedista, que a gente manda jogar a não sei de quantos mil metros de altitude com um punhal, com uma pistola silenciosa e que desce não sabe aonde e ataca não sabe o quê. Mas é a tarefa dele e é assim que nós devemos agir na vida civil de todos os dias, no contacto com a gente que nos rodeia, que nós devemos ser, desde já, combativos assim.

Meus olhos caíram no Manomi, por exemplo. É assim que se entra na redação de um jornal, e é assim que a gente impõe o respeito num jornal.

É assim que, por exemplo — meus olhos caíram no Niuton —, é assim que a gente faz propaganda no interior.

Para isso não precisa fazer cara feia nem tromba, porque isso não quer dizer carranca, mas quer dizer resolução, quer dizer, tocar a coisa para frente, não é verdade? Esse é o nosso espírito.

Ora, há um certo perigo de uma certa infiltração Francis de Whomende [?], dentro de nossa alma, inclusive porque “franciscorum whomendorum infinitissums est numerus – mas —, infinitissimus, não é?

Basta olhar para tanta imagem que há em tanta igreja, que qualquer coisa cola, qualquer coisa já pega.

Vejam, por exemplo, na Igreja do Coração de Maria, que todos os senhores freqüentam.

Eu sei que a “geração nova” tem — ao menos muitos da “geração nova” com uma imagem que está lá.

Eu até levanto um pouco o problema: quem é que tem nó ou não…

[No microfilme,página 18, pelo meio, está indicado que há algo escrito no verso que não foi digitalizado.]

de Nossa Senhora de Montserrat.

É naturalmente uma manifestação de arte primitiva. A gente em impressão de que se aquela pessoa se levantasse, daria um corpinho pequeno e uma cabeça enorme. E depois eu sei que a cor preta, com que aquele material é feito, deve causar nos senhores uma estranheza enorme.

Depois, a cara carnuda da imagem e depois o olhão paradão e fixo também. Eu acho que nada naquilo atrai muito a “geração nova”.

Mas aquilo tem muita arte, tem muita expressão. É arte primitiva, mas é arte. Os senhores olham para aquela cara, é uma cara serena, não tem músculo que esteja se movendo, parada, toda ela vivificada e dominada por um olhar, e um olhar de matriarca e um desses olhares que não são olhar de bobo. Porque o olhar de bobo é o olhar que a gente vê que está habituado a prestar atenção nas coisinhas.

Olha para esse microfone: “Ah! o microfone! Ah! quantos pauzinhos tem!” E chama isto de pauzinho. É feito de matéria plástica, mas chama isto de pauzinho. “Quantos pauzinhos tem aqui? Oito, é engraçado, são oito. Por que não são dez?”

De repente olha para o fulano e diz: “Ah!, olha a gravata vermelha dele. A gravata…”

Esse olhar os senhores, na rua, encontram muito, não é? para não dizer que o grossos dos olhares é assim. Quantas imagens tem esse olhar.

Bom, aquele não. É um olhar posto num ponto vago, um olhar de meditação, um olhar de pensamento, não é verdade?

Aquilo é um olhar que pode incutir combatividade, por maiores dificuldades que o caráter primitivo da imagem levante.

Agora, os senhores comparem isso com uma porção de outras imagens. Umas imagens que[rem] dizer: “Eu não fiz mal para ninguém. “Whomende”… quer dizer, contra o “whomendrismo”, contra a “heresia branca”, nós temos que nos defender de todos os jeitos.

Aqui está o nosso Santo do dia de hoje. Algum “heresia branca” achará que foi um Santo do dia muito pouco santo, feito com tanta ferocidade e maldade contra o pobre do Whomende, que escreveu um livro com tanta boa vontade, e o senhor escalpelou sem dó nem piedade. E não deixou nada de pé.

É isso que eu fiz.

[O que segue está manuscrito pelo revisor original.]

Com [isto] está feito, está comentado o nosso Santo do dia. Eu infelizmente talvez desaponte a esplêndida pessoa que selecionou o fato tão bem, o fato bem selecionado, é adequado para as nossas leituras, está tudo perfeito, eu não tenho nada que objetar.

Daí a dizer que eu sou solidário com a literatura de Francis de Whomende, evidentemente a coisa é bem diversa.

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1 A palavra aparece manuscrita com grafias diferentes ao longo do texto.

2 Está datilografado: “preso” e “aprisionado” está manuscrito pelo revisor original do texto.

Auditório da Santa Sabedoria