Santo
do Dia – 4/11/1968 – p.
Santo do Dia — 4/11/1968 — 2ª-feira [SD 255]
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A virtude cardeal da prudência; Em face da Revolução, é importante o apostolado junto aos leigos, a favor da Igreja; A Igreja e o Grupo crescem em função dos golpes do adversário; Apreço pelas relíquias dos santos.
São Carlos Borromeu – Importância do apostolado junto aos leigos – Apreço pelas relíquias
O verdadeiro sentido da virtude cardeal da prudência * Em face da Revolução, é importante o apostolado junto aos leigos, a favor da Igreja * A Igreja e o Grupo crescem em função dos golpes do adversário * O apreço pelas relíquias dos santos; sua benéfica influência
…festa de um grande santo, São Carlos Borromeu, Bispo e Confessor.
Suscitado por Deus para a verdadeira reforma da Igreja. Século XVI. À sua prudência deve-se em grande parte à feliz conclusão do Concílio Tridentino.
* O verdadeiro sentido da virtude cardeal da prudência
É preciso que os senhores considerem bem o que quer dizer aqui “prudência”. A prudência não quer dizer um homem cauteloso, que evitou qualquer risco. Esse é o sentido comum da palavra prudência. A prudência, como virtude cardeal é, simplificando um pouco as coisas, a virtude que nos faz conhecer e aplicar bem os métodos necessários para os fins que temos em vista. Por exemplo, um membro prudentíssimo da… [¼ de linha em branco] …é aquele que emprega as boas regras para tocar para frente a escrituração. Nós tratamos com prudência da legislação trabalhista, não é só quando estamos pagando qualquer coisa, para evitar briga, mas é também quando fazemos uma boa briga trabalhista para pagar algo. Quer dizer, a prudência é o acerto no agir. Então, o que ele está aqui elogiando [em] São Carlos Borromeu é porque ele teve esse acerto.
Para a aplicação do Concílio de Trento, ele empregou os métodos adequados. É por isso também que na “Ladainha Lauretana” se chama a Nossa Senhora de Virgo Prudentissima, a Virgem que com muito acerto fez as coisas para chegar ao fim que a superexcelsa vocação d’Ela pedia ou indicava.
* Em face da Revolução, é importante o apostolado junto aos leigos, a favor da Igreja
Ele foi Cardeal aos 23 anos, presidiu sínodos e concílios, estabeleceu colégios e comunidades, renovou o espírito de seu Clero e das Ordens Religiosas. A ele se deve a criação dos seminários diocesanos no século XVI.
É uma coisa curiosa como os modos de ser da Igreja caminham, e como são diferentes dos modos de ser, legítimos, de hoje. Os senhores imaginem que tudo na Igreja estivesse feito, estivesse andando bem. Os senhores imaginem que se fizesse o seguinte elogio de um Bispo: “Esse Bispo é muito bom”. Vejam se ele não dá aos senhores uma certa “baixa”. Primeiro: ele presidiu Sínodos — sínodos são reuniões de padres sob a direção do Bispo para fazerem leis para a diocese. O Bispo é que faz as leis. O padre está apenas para dar sugestões, um conselheiro qualificado do Bispo.
Presidiu sínodos, presidiu concílios, que dizer, concílios parciais de Bispos em nome do Papa. Depois, estabelece colégios católicos e comunidades religiosas e renovou o espírito de seu Clero e das Ordens Religiosas.
Os senhores não ficariam com uma certa “baixa”? Não achariam, de um lado uma coisa excelente e, de outro lado, não ficariam com uma impressão de que falta qualquer coisa e que há uma lacuna que deixa passar o perigo apesar de tudo? Ora, qual é essa lacuna?
É exatamente que, como a Revolução se estruturou de maneira a organizar um movimento revolucionário de leigos agindo sobre leigos, não dentro dessas ou daquelas instituições só, mas na massa toda da população tornou-se necessário um movimento de leigos agindo sobre os leigos, na massa da população, a favor da Igreja.
E se esse movimento não for feito, nós não temos uma ação da Igreja, eficaz. Nós temos uma ação da Igreja falha, com lacunas. Exatamente é o que nosso grupo visa realizar. É essa atuação em benefício da Tradição, da Família e da Propriedade. Mas se nos dessem asas livres, nós faríamos sobretudo sem deixar a Tradição, Família e Propriedade nem de longe, mas a favor de Nossa Senhora e de coisas espirituais etc., etc., porque o leigo, agindo sobre o leigo, no ambiente da vida comum, que a ação dos eclesiásticos não atinge, é propriamente o nosso apostolado. E sem esse apostolado não existe uma penetração eficaz do espírito da Igreja no mundo de hoje.
Quer dizer, aonde houve um perigo, aonde a Revolução cresceu num ponto, compete à Igreja acompanhá-la e crescer num outro ponto, e opor-se a ela ponto por ponto, paralelamente. Essa [é a] característica da ação da Igreja.
* A Igreja e o Grupo crescem em função dos golpes do adversário
São Francisco de Sales compara num de seus livros, muito belamente, com uns rochedos, de que fala a mitologia e que cercavam não sei que lago ou que mar –– não me lembro mais. Então, dizia que eram rochedos que cresciam com as tempestades e que quando o mar ficava revolto, o rochedo crescia, de maneira que por mais que o mar crescesse, ele nunca podia invadir a terra.
Assim é a Igreja Católica em face da Revolução. À medida que o mar, o mundo, vai ficando revolto, nessa medida a Igreja vai crescendo. Os senhores me dirão: “Mas Doutor Plinio, que coisa triste dizer essas coisas no dia de hoje. E o senhor não parece o homem que instituiu em nossas reuniões de recortes, e às vezes em nossos alardos, o cântico de “O vos omnes qui transitis per via”; parece que o senhor não se lembra, nesse momento, da enorme desolação da Igreja. O que a Igreja está engendrando, ou melhor, o que a Igreja está engendrando [?] para fazer face a tudo isso?
(…) [trecho desgravado]
…é uma coisa meio insondável. Nós temos que ter isso bem em vista, senão não entendemos bem o Grupo. O Grupo é uma coisa insondável. E se não fosse levar o Santo do Dia mais longe do que os limites do horário permitem, eu estaria disposto a mostrar aos senhores como a história do Grupo obedece precisamente a essa regra. O Grupo vive de uma luta que cada vez que o inimigo dá um passo a mais, o Grupo cresce. E no crescer, ele se aperfeiçoa interiormente, de tal maneira que quando a gente olha para trás, a gente se pergunta se o inimigo não foi um modelador, um artífice dele.
Os senhores têm um exemplo recente e muito bonito: a DAFN, o simpósio da DAFN. Esse simpósio fez tal barulho, eu creio que um pouco por causa dos brados dos senhores a favor da Tradição, Família e Propriedade, que hoje eu recebi um telefonema da “Folha”, dizendo-me que eles estavam sabendo que nós estávamos realizando um congresso e que eles queriam mandar um repórter para ver. Deve ser isso. Grita aqui: “Tradição, Família, Propriedade”. Olha, é um mundo de gente. Depois eles ficam muito espantados se por acaso algum que passa vê gente falando espanhol pelo meio. Veio da Espanha esse pessoal? Veio do Equador, Colômbia, Argentina, de que partes do mundo ibérico saiu essa gente? Isso é congresso internacional? O menor fato. O fato, por exemplo, do Jaime, do… [falta uma palavra] …Inácio, do Carlos, aí nas saídas, sair falando espanhol entre si ou com [algum?] [alguns] dos senhores, quando eles passam: “Congresso Internacional”.
É ou não é verdade que esse congresso da DAFN foi muito beneficiado com as críticas que nos fizeram de que nós não tínhamos a escrituração em ordem para não provar que entrava dinheiro estrangeiro nos nossos cofres? Não é verdade que esse ataque foi ocasião de uma graça especial, por onde nós nos completamos do lado administrativo? Quer dizer, há qualquer coisa, dentro da vida do Grupo, em que para a gente compreender em que linha ele deve progredir, a gente deve perguntar que perigos ele está correndo, e que manobras o inimigo está fazendo. Porque sempre a contra-manobra e a providência contra o perigo, faz crescer o Grupo… [¼ de linha em branco] …coisa maior, etc., etc., e nós crescemos na defesa; é na defesa e na contra-ofensiva em face de um adversário que nós tomamos toda nossa estatura.
Outra coisa: Nossa Senhora de Genazzano. O que está implícito na devoção a Nossa Senhora de Genazzano, por razões que eu já expliquei aqui várias vezes, o que está implícito nessa devoção é que Nossa Senhora nos assistirá com graças, por assim dizer, fora de propósito, fora de toda proporção e fora de todo o mecanismo das graças anteriores. São graças que não se podiam imaginar, não seria sensato imaginar. São extremos de misericórdia, correspondendo a ocasiões de gravíssimo apuro, de vida interior ou de vida de apostolado.
Não é verdade que uma oração a Nossa Senhora de Genazzano, a graça de Nossa Senhora de Genazzano não nos veio numa ocasião de muita aflição, pelo menos para mim? Não é verdade que uma oração a Nossa Senhora de Genazzano deteve subitamente uma tempestade que estava em pé em cima de nós? E por aí exatamente os senhores estão vendo que está em nós ainda que não pareça.
Porque a coisa está aqui: ainda que não pareça, nós crescemos em função dos golpes do adversário. Essa é a coisa que está em nós.
Eu poderia fazer toda uma filosofia da história do Grupo, desenvolvendo isso. Seria uma coisa muito bonita.
Com isso, meus caros, falando de São Carlos Borromeu, mudei de assunto e acabei falando no assunto sobre o qual várias vezes refleti hoje. A boca fala do que está em abundância no coração. Por causa disso, minha meditação de hoje transvasou para o Santo do Dia.
* O apreço pelas relíquias dos santos; sua benéfica influência
Por causa disso, não farei senão ler a ficha do Santo do Dia. É um precedente muito ilustre entre nós ler a ficha do Santo do Dia… [¾ de linha em branco] …de maneira que me atearei a esse precedente.
Amanhã é festa das Santas Relíquias. Catarina Emmerich, em suas “Visões e Revelações Completas”, diz o seguinte. Um anjo disse a ela:
Recebeste o dom de ver a luz que sai das Relíquias dos santos por causa da posição que te foi dada em relação aos membros do Corpo da Igreja. Mas a Fé é condição de todo indispensável para receber a influência e ação das Sagradas Relíquias.
Um microcomentário, mas que não é um comentário… [¼ de linha em branco] …, é o seguinte: o ter as relíquias conosco é receber uma influência. Este ponto é fundamental. Tê-las na cabeceira é receber uma influência, e por causa disso [é] uma coisa sacratíssima termos relíquias conosco. Pelo Grupo estão muito difundidas as relíquias. Eu às vezes tenho medo de que [não] demos todo o valor ao que significa a presença das relíquias. Se alguém quiser, me ponha um bilhete que eu trato disso.
Foi-me revelado que ninguém jamais teve o dom de discernir as Relíquias no mesmo grau que a mim foi concedido. E a razão é porque essas coisas estão agora em deplorável decadência e é necessário remediá-lo.
Que coisa linda! Estão vendo a coisa? Como há uma grande decadência no culto das relíquias, foi dado a ela um discernimento entre as relíquias verdadeiras e falsas como nunca tinha sido dado a ninguém até então, anteriormente. É o tal princípio: diante do extremo do perigo, vem o extremo do dom e da graça.
Vi enterrados em muitos lugares vários corpos de santos. Vi que esses tesouros, embora pouco estimados, trazem contudo, salvação aos lugares, que por isso livram-se de graves calamidades, e que povos recentes sofreram grandes males porque não possuem tais tesouros.
O Brasil, pobre Brasil! A gente vai à Europa, em qualquer igreja nos altares laterais tem relíquias de santos. No Brasil, qual é a relíquia do santo que aqui morreu? Qual é a relíquia do santo brasileiro que se venera? Como isso é raro! E como é bonito, por causa disso, nós termos mandado vir da Europa tantas relíquias. Eu creio que nenhum grupo do Brasil mandou vir da Europa tantas relíquias quanto o nosso. E como é bonito que nós ao menos tragamos as influências de tantos santos para cá. Pode-se dizer que no Brasil houve várias imigrações. A imigração dos santos foi feita por nós.
Vi sob o símbolo de uma velha igreja arruinada o atual estado de veneração das relíquias. Eu as vi abandonadas, dispersas, cobertas de pó, entre imundícies, mas mesmo assim difundiam luz e benção. A Igreja estava também em lastimável estado. Nela entravam muitas pessoas, mas cercadas de obscuridade. Somente uma ou outra mais simples parecia resplandecente. Os piores eram muitos sacerdotes que se achavam tão rodeados de trevas que não podiam nem dar um passo à frente. Vi que se erguiam capelas e igrejas para a veneração das relíquias, mas essas igrejas e capelas ruíram por causa do desprezo com que as relíquias foram tratadas no decorrer dos tempos.
E é bem verdade. Há um desprezo pelas relíquias que é uma coisa extraordinária. Os senhores podem presenciar isso na Igreja Santa Cecília. Eu não sei se os senhores já foram venerar a relíquia de Santa Donata que se encontra lá, numa coisa constantiniana que é uma gracinha. É ali onde tem o altar da Imaculada Conceição em Santa Cecília, do lado direito, do lado do Evangelho. Do lado direito da imagem de Nossa Senhora há um sarcófago de mármore, de bom mármore europeu, todo encerado, com uma tampa de cristal biseauté e dentro dela está uma bonecazinha de cera, vestida como uma nobre romana. Representa a mártir Santa Donata, cujos ossos estão postos dentro daquela boneca de cera. É uma idéia toda ela muito bonita. Para ostentar ossos… [½ linha em branco] …horripila. A Igreja é amiga da sensibilidade humana; não é inimiga, não é calvinista, não é horrorosa. Resultado: faz uma bonequinha de cera, graciosa, põe lá. Quando nós éramos moços, quanta gente ía rezar lá… Hoje, como tem menos gente rezando lá! Ainda tem mais do que em outras igrejas; entretanto, os senhores podem passar lá de manhã até a noite, e prestem atenção: qual é o padre que pára para rezar lá…?
Num tempo de trevas, as relíquias foram dispersas e os relicários de metais preciosos fundidos e convertidos em dinheiro.
É a Igreja miserabilista, que está para vir…
Apresentaram-me um osso tirado de uma sepultura. A vidente identificou-o como o de uma mulher pagã. Aquele osso me repugnou, trazendo contrariedade e aversão. Não posso afirmar que essa mulher esteja condenada, porem senti naqueles ossos tenebrosos, afastados de Deus, propagadores de trevas, engendradores de obscuridade. Precisamente o oposto dos ossos dos santos que são luminosos, atraentes e benéficos.
Os senhores vejam que bonita idéia. Quer dizer, os ossos da pessoa que morreu, mas que é uma alma agitada, inquieta, que não está em paz com Deus –– no fundo está no inferno ––, os ossos de pessoas pagãs que não foram batizadas, etc., esses ossos fazem mal. Eu não sei se os senhores tiveram essa sensação vendo em museus ossos e aquelas urnas funerárias de índios. Não vai comigo. Tem qualquer coisa que espalha uma influência má.
Dr. Adolpho me contou que quando ele era pequeno, na sala de visita da casa dele havia um Buda. É um bibelot e que em várias casas tem. Ele sentia uma má influência daquilo. Ele era um menino pequenininho; ele não sossegou enquanto a mãe dele não mandou fora de casa o tal Buda.
São as tais influências que existem. E existe gente [portadora?] de má influência; existe gente que é tocheira das trevas e que onde está, leva as trevas. Como existe gente tocheira da luz, e que onde está, leva a luz.
Que Nossa Senhora nos encha com sua luz. Que as santas relíquias que nós temos sobre nós, o Rosário, que é um portador de luz — cada conta do Rosário é um sol ––, Nossa Senhora nos conceda que essas relíquias, que o Rosário, que a água benta nos façam participar dessas influências sacratíssimas e nos afastem de toda forma de má influência.
É a recomendação de um Santo do Dia infelizmente um pouco grande.
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