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Reunião de Recortes1 — 2/11/1968 — Sábado [RN 184]

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A visita da Rainha Elizabeth ao Brasil e o prestígio da Monarquia — O Vietnã e o acomodamento da opinião pública — Simpósio da DAFN

Nós vamos começar por considerar a situação brasileira. Toda a impressão que me dá a situação brasileira é de um compasso de espera até o momento em que a rainha vai embora. Agora, com a chegada da rainha paralisam-se, naturalmente todas as atividades, ninguém vai pensar em atividade política mais intensa com a absorção enorme que os principais personagens do Estado têm, coisas de cerimonial, etc. E é uma coisa curiosa de notar, mas seja como for, a rainha impõe incomparavelmente mais a respeito do que todos esses chefes de Estado que tem estado por aqui. Em parte, é por causa do prestígio da Inglaterra, mas já o prestígio inglês não é o prestígio inglês de outrora, não é o prestígio inglês sinárquico e comercial, mas é um prestígio meio baseado na tradição e além disso, vem o fato dela ser rainha por excelência, isso não tem dúvida, qualquer lugar do mundo onde se diga, a rainha fez tal coisa, ninguém pensa na rainha Juliana, e nem na rainha Fabiola. A rainha é ela. É algo da dignidade, do esplendor da realeza ainda fica remanescente nisto.

O Dr. Luizinho estava me falando de uma nota, de um comentário “Estado de São Paulo” sobre a visita da rainha que acentua o seguinte ponto: que o repórter conversando com o chofeur que guiou a rainha, o automóvel da rainha, o chofeur fazia o comentário de que nem o Getúlio tinha tido em Pernambuco uma chegada com tanta vibração popular quanto a rainha. Os senhores sabem, não é. O Nordeste é pobre, é revoltado, detesta qualquer forma de pompa, é preciso ter o jeito de D. Helder para atrair o Nordestino, essas coisas antigas e arcaicas o mundo de hoje não suporta mais, etc. mas o dr. Paulo Campos ainda ontem, lembrava o caso de D. Helder ter sido visto no aeroporto de Recife, por ele, sentado num banco, lendo jornal, com outro homem sentado a um metro ou dois dele, sem se aproximar para conversar com ele, naturalmente, todo mundo conversando e ninguém procurando por ele, jogado como um molambo no aeroporto. Chega a rainha, é o contrário, é aquela festividade, aquela alegria, etc. etc.

Mas os senhores sabem que a forma de governo monárquica é muito impopular, e que o povo de hoje não tolera mais essas coisas, e depois, não tolera e não tolera, está compreendendo? E fica assim sendo como se não tolerasse e não tem nenhum bobo que tenha a coragem de fazer o comentário que nós temos de fazer aqui, mas é a coisa que é mais evidente do mundo que o que é popular é isso.

(Dr. Plinio Xavier: por que então uma viagem assim com esse efeito contra-revolucionário?)

Quer dizer, é um efeito muito efêmero, é profundo e é efêmero e naturalmente prende-se a alguma necessidade comercial, seja a determinante, mas é para escorar dentro da Inglaterra alguma coisa, obedecendo a nossa velha idéia de que a partir do momento em que cair a realeza na Inglaterra, a igreja anglicana rui, e que a partir do momento em que ruir a igreja anglicana, algo de conservador com linha católica se define na Inglaterra que eles seguram por meio da igreja anglicana. Então por causa disso, eles tem que manter a monarquia. De onde quase se justificaria a seguinte pergunta: se não seria melhor a queda da monarquia na Inglaterra, quase se justificaria essa pergunta, e aí a gente compreende também aquela profecia feita por São Domingos Sávio: que quando as coisas começarem a cair na Inglaterra era o sinal de que se aproximava a “Bagarre”.

[Termina o texto presente em um arquivo separado.]

A respeito da situação internacional, há dois grandes fatos: um deles sobre o qual a imprensa deu muito noticiário e o outro a respeito do qual deu menos noticiário, mas são os dois grandes fatos internacionais marcantes,… [ilegível] …outros fatos dignos de nota… [ilegível] …

Primeiro… [ilegível] …é a… [ilegível] …do Vietnã. Há muito tempo eu não trato da questão do Vietnã aqui na reunião, depois de ter feito desta questão…. [ilegível] …dizer o… [ilegível] …muitas reuniões os senhores talvez se lembram nos termos para… [ilegível] …em que eu estava meio trancado, ou que as reuniões se faziam no segundo andar da Rua Alagoas. Naqueles tempos, o grande prato de resistência era a Guerra do Vietnã, mas depois parou. Havia um tempo em que aquilo parecia caminhar para uma certa decisão, para um certo… [ilegível] …mas depois ficou posto… [ilegível] …morto, e a questão ficou por assim dizer… [ilegível] …. Naquele… [ilegível] …internacional foi marcada para… [ilegível] …precisamente… [ilegível] …a crise… [ilegível] …[afluíam?] … [ilegível] …[Paris?] para dar… [ilegível] …crise… [ilegível] …porque houve a questão universitária e… [ilegível] …houve a questão da Tchecoslováquia… [ilegível] …atos pequenos insultos de toda ordem a tenção mundial se desviou da Guerra do Vietnã, eu creio que quase todos os senhores que estão aqui não tem lido regularmente nada sobre a Guerra do Vietnã, mas fica [a?] idéia de uma coisa que não acaba mais e que tem que acabar de algum modo. É um dos processos interessantes para acomodar o público a uma solução inesperada e pouco… [ilegível] …para ele é por assim dizer desgastar uma questão. E a questão fica desgastada quando ela fica posta no ponto morto, ininteligível… [ilegível] …muito tempo, que no espírito as pessoas acatam a seguinte idéia: precisa acabar com isso, de qualquer jeito a todo preço. Fica criado o clima para de repente aparecer… [ilegível] …que diminuem… [ilegível] …. Não sei se eu explico bem o artifício, ou se [alguém?] gostaria de me fazer alguma pergunta a este respeito. Se alguém quiser perguntar tenha a bondade de levantar o braço. Foi precisamente o que se deu com a guerra do Vietnã. No tempo em que aqui havia aquele suspense em torno de… [ilegível] …, um término injusto abalaria o mundo, mas no momento, que é o contrário do suspense, ninguém mais sabe porquanto andam as coisas, pode-se acabar fazendo qualquer coisa que mais ou menos todo mundo engole.

[O texto que se segue estava em outro arquivo. Porém, tudo leva a crer que faz parte da mesma reunião, Reunião de Recortes, própria a este dia da semana.]

Aqui já tem alguma coisa. Bem, agora, nós vamos passar a ver a tensão na Europa. O grande baluarte da Europa não é a França; a Europa tem dois baluartes, ela tem, se quiserem, se nós falarmos de Europa total e não da Europa continental apenas, ela tem três baluartes; tem a Alemanha, tem a Inglaterra e tem, a Espanha, são os três baluartes. Baluartes de natureza muito diversa porque a Espanha não tem um exército com que se possa contar, mas tem a possibilidade de guerrilhas, de uma… [ilegível] …espanhola, com uma dominação comunista eventual, … [ilegível] …sentido pode ser considerado um baluarte. O governo de Bonn não tem cessado desde a ocupação da Tchecoslováquia em manifestar a sua apreensão, algumas das notícias a esse respeito eu não tive tempo de dar aqui, e outras eu dei. Esta apreensão é consistente nisto: que a inércia [dos?] aliados com a invasão da Tchecoslováquia determinou uma… [ilegível] …trança muito grande em toda Alemanha Ocidental e que os alemães se apavoram de ver que as tropas russas que entraram na Tchecoslováquia se colocaram de tal maneira que elas estão a duas horas de Frankfurt que é um centro nevrálgico da Alemanha. Duas horas, eu não sei se os senhores pensam um pouco o que isso representa, ou eu estou enganado, eu não sou muito bom em geografia, ou é uma distância menor do que, um tempo menor do que o que se toma para ir de São Paulo a São Carlos, por exemplo. Eu creio que é mais ou menos como de São Paulo a Guaratinguetá, Pindamonhangaba, é uma coisa desse tipo.

Agora, os senhores podem imaginar tropas russas em Guaratinguetá, ou Pindamonhangaba, ou São Carlos, como é que nós estaríamos nos sentindo? É uma coisa tremenda. Nós… [faltam palavras] …hum, devagar com isso. Porque há uma inimica vis, uma força interior atuando dentro de nós à qual se nós cedermos, se o inimigo estivesse em São Bernardo, nós estaríamos perfeitamente indiferentes e preocupados com o jantar da noite de hoje. Não tenham a menor ilusão. Eu daqui a pouco vou falar disto, e isto é talvez a pior penetração do inimigo, mas existe esta vergonha, me desculpem a palavra, mas nós somos obrigados a nos sacudir nessas épocas, existe essa imundície, porque isto é uma imundície, mas ela existe, eu daqui a pouco vou falar dela. Mas vamos deixá-la de lado e tratar da política. Essas são as três forças.

Os senhores estão vendo, agora eu vou analisar a situação na Europa e atender a seu pedido falar da situação na Alemanha Ocidental, os apertos da Alemanha Ocidental. Primeiro problema para a Alemanha Ocidental é o seguinte: os senhores sabem, conhecem o famoso dito, que quando há invasão da Alemanha na Europa os ingleses resistem sempre até o último francês. É um dito amargo, tanto mais que eles morrem em certa quantidade no território europeu, mas é preciso reconhecer que tem muito de verdade, isto também é preciso reconhecer. Até que ponto, se os russos declararem à Inglaterra que não a atacam ela intervirá no continente para salvar a Alemanha Ocidental[?] É uma incógnita. Ninguém pode dizer que está certo disso, não se se algum dos senhores tem certeza que a Inglaterra se atira como um leão como nos tempos do Churchill.

Então, o que é que resta? Quer dizer é um ponto de interrogação para a Alemanha Ocidental no duro. A gente está vendo que esse piado do pobre ministreco da Holanda corresponde a uma tentativa da Alemanha de ver se a Holanda faz um pouco de calorzinho junto com ela e resiste. E, como o holandês entre muitas qualidades tem a de ser rabugento, de ser organizado e de ser resistente, é capaz de certa hora eles fazerem como fizeram com os nazistas: resistem está acabado, e forma aqueles serviços de resistência internos, aquela coisa como fizeram da última vez. Porque mau humor para isto não lhes falta, é fora de dúvida. Cada um tem a coragem por… [ilegível] …tem. O espanhol é iracundo e o holandês é rabugento. E eles têm sempre aquela possibilidade daquela invasão do mar, alguma coisinha é. A gente está vendo que a Alemanha se agarra naquela coisinha para ver se mobiliza algo. A esta altura que deve ser uma verdadeira maravilha para eles combaterem deve, organizados, depois outra coisa, que eles já deitaram uma quinta coluna na Alemanha Oriental também é evidente. Que esta quinta coluna tem um pouquinho de apoio na Áustria entristecida, enlanguecida, jejuando vagabunda, mas um pouco solidária também é verdade.

Isto representa dentro de um desastre enorme, representa. Representa, sobretudo o seguinte, e aqui para mim é o valor da coisa. É que já um ponto de apoio para a resistência alemã, pode ser um ponto de apoio para que o pessoal da direita americana consiga que os americanos do Norte não cruzem os braços no caso de uma invasão. Quer dizer, que determinem uma entrada dos Estados Unidos na guerra caso seja invadida a Europa.

Querem que eu me exprima melhor a esse respeito ou não?

Quer dizer, o perigo caso não haja resistência nenhuma na Europa é os americanos do Norte declararem que eles que não puderam resistir no Vietnã não vão transformar a Europa numa imensa Vietnã. Esse é o perigo. Querem que eu me exprima melhor ou não? A Europa só poderá resistir a uma invasão russa se a América do Norte apoiar; o perigo de que ela não apóie e não haver nenhuma resistência na Europa. Imagine que a Alemanha por exemplo não ofereça resistência, o senhor não imagina muito que o De Gaulle ofereça. Fica a Itália. Eu não sei se o melhor de sua confiança está na capacidade bélica da Itália. Possivelmente não. Então, fica a Espanha. A Espanha sozinha, eles matam a pau como um cachorro bravo. Está acabado. A possibilidade de a Europa resistir, a preliminar de uma possibilidade na Europa, alguém resistir, o pessoal da OAS resistir, os espanhóis resistirem, os alemães resistirem, essa possibilidade está provavelmente vinculada à possibilidade de os americanos quererem resistir. Os americanos quererão resistir? Sim ou não? Isto depende da política interna norte-americana. É claro que o pessoal norte-americano que capitulou no Vietnã poderá querer dizer que não resiste, pode-se recear isto deles. Eles poderão dizer isso: nós não conseguimos lutar no Vietnã, que é uma coisa menor, vamos conseguir lutar na Europa? Poderão querer dizer isso. Mas se a Alemanha resistir haverá um impacto emocional nos Estados Unidos, esse impacto emocional pode servir de base para que as forças da direita norte-americana digam: não senhor, vamos agir. Então, aqui os senhores têm algo: na hipótese de uma invasão dos turcos que obstruem o canal, os alemães que resistem, um certo grupo de franceses que faz uma revolução se o De Gaulle não quiser pelo menor tomar uma atitude defensiva, isso tudo junto, os espanhóis que começam a bater castanhola. Tudo isto junto pode dar os elementos para uma resistência. Queria que eu me exprimisse melhor ou não?

Haveria, portanto, tempo se os senhores não estiverem por demais exaustos para eu responder às duas perguntas, de Dr. Paulinho e de Dr. José Fernando. Seria mais o caso de responder de começar a responder a de dr. Paulinho, se sobre a matéria dada ninguém quiser perguntar nada.

(Dr. Paulinho: Se o senhor achava arquitetônico que antes do começo da “Bagarre” propriamente dita, nuclear, etc., houvesse sem propriamente o desencadeamento da “Bagarre” total, uma invasão desse tipo da Europa. Que talvez ficasse ainda um ano, grupos de resistência resistindo aos russos.)

Eu acharia muito arquitetônico por uma porção de lados. O primeiro lado é que se a Europa ainda deve existir no Reino de Maria, e eu confesse que no mais fundo de minha alma continua uma espécie de anseio parecido com uma falta de ar, para que haja a Europa, e sobretudo haja a França no Reino de Maria, mas para que haja a Europa européia, para que haja uma Alemanha alemã, uma Itália italiana, uma França francesa, uma Espanha espanhola, um Portugal português, uma Inglaterra inglesa, até uma Suécia, Noruega, e Dinamarca restauradas, uma boa Holanda um pouco menos rabugenta e uma Bélgica útil para qualquer coisa, tudo isto eu desejo, uma Suíça menos cretina, mas afinal de contas aproveitável. Tudo isso eu desejo. E eu sinto uma falta de ar com a idéia de que o Reino de Maria possa existir sem isto restaurado, eu sou um restaurador até o fundo de minha alma, e nesta falta de ar eu ouso esperar que haja um trabalho da graça, que não seja uma pura nostalgia, mas que seja um trabalho da graça, e nesse trabalho da graça eu ouso esperar que haja uma promessa isto seja assim. Eu não tenho certeza, mas eu ouso esperar que haja uma promessa de que isto seja assim. Então, para que a Europa possa ser salva é preciso que ela seja sacudida de tal maneira que nela se diferencie o joio do trigo, porque ela está afundando numa espécie de burguesismo hediondo, imundo, pútrido, no qual o joio e o trigo se misturam para dar qualquer coisa que é menos do que o joio e de nenhum modo é trigo. Não é verdade? Então uma guerrilha com todas as suas conseqüências poderia ter esse efeito. Vai começar no caos, no lodo, na imundície, na confusão. Donde o eu não saber nada. Minha resposta não responde a sua pergunta, é apenas uma gentileza para não lhe dizer não.

(Sr. –:… [faltam palavras] …por culpa nossa?)

Isto se perde no calor do ar, está compreendendo? Eu daqui a pouco direi alguma coisa sobre isso se quiserem.

(Dr. Luiz: Eles falam muito em invasão da França. Aquele que mora no Oeste da França, aquele velhinho, La Fanquerie… [ilegível] …de lo último, mas um bom decorador de livros leu toda literatura, esgotou o assunto, conhece todas as visões, certas e erradas, mas ele insistia muito, sabia até os lugares onde os russos invadiriam.)

É verdade, a questão é o seguinte: a que horas é que isso se dará. Será agora ou será que a Europa toda é ocupada e depois há uma qualquer revolução nas entranhas do mundo russo. Não haverá aí por alhures alguns bárbaros que são os francos do Novo Testamento ou do Reino de Maria e que vão fazer o que os outros não estão fazendo? Minha francofilia que pega as fibras mais íntimas de minha alma treme em dizer sim, mas a gente é obrigado a olhar a coisa de frente e dizer que talvez… [faltam palavras] ..desde que reste Nossa Senhora… [faltam palavras] …Inão resta tudo. Não seria um ato de desapego que resta por, este de desistir da França[?] Morreu. Nunca mais veremos.

(Dr. Eduardo: São Remígio, no batismo de Clóvis, diz que não aconteceria.)

Como é que ele disse?

(Dr. Eduardo: São Remígio diz que até o fim dos tempos a França existiria. Seria duramente castigada quando fosse infiel, seria glorificada quando fosse fiel.)

Ainda bem. São Remígio que nos ouça. Ossa mea humiliata exultant ouvindo isso. Os meus ossos humilhados por que a humilhação da França eu a sinto nos meus ossos. Não por uma francolatria estúpida, mas é porque a Igreja que está ali, é por causa da Igreja, porque eu não me incomodo a não ser com a Igreja, mas a questão é que é a Igreja. É o reflexo mais límpido da Igreja. Os meus ossos humilhados exultam ouvindo isso. Há muito tempo que eu não leio La Fanquerie, nem tenho tempo para isso, mas, enfim, que é que eu posso fazer?

Bagarre” é guerra mundial. Se nós estamos vendo que a guerra mundial parece aproximar-se, eu dei uma seqüência de dados impressionantes nesse sentido, mas ainda precedo da palavra parece a minha frase, se nós estamos vendo que a guerra mundial parece aproximar-se, nós devemos nos perguntar o que é que significa. Nós sempre de outro lado achamos que outra possível causa da “Bagarre” seria eles perceberem que a opinião mundial se tornou tão incombustível em relação à Revolução que mais vale a pena sacudir tudo e pegar fogo em tudo. O segundo fato está aparecendo muito claramente de uma porção de lados e eu tenho impressão de que o assunto América do Sul tem uma relação interessante com o caso. Eu acho que embora estejam encaminhando os assuntos para um domínio universal da Rússia muito fortemente, eu acho de outro lado que a opinião mundial se mostra muito fria com a Revolução, e que esta pode ser uma razão para o avanço deles. Acho, por exemplo, que o fracasso interno da Igreja está cada vez mais acentuado. Notem, hein, não no clero. No clero, ele é Cesare triunfatore, ele venceu tudo, absolutamente tudo, mas eu digo é fora do clero. O descolamento fiéis – clero está uma coisa sem nome no mundo inteiro. Nos acontecimentos recentes me parece mais que a direita norte-americana está sapateada, esmagada mais do que nunca e que o pessoal capaz de abrir… [faltam palavras] quieto. O que me parece perceber mais é uma derrota da Revolução dentro da Igreja e portanto no mundo, uma derrota na opinião pública do mundo muito grande e uma dificuldade muito forte em estabelecer a Igreja Nova, levando uma parte muito ponderável de fiéis, porque é disso que se trata, isso eu… [ilegível] …difícil. Eu… [ilegível] …isso, que eu vejo mais… [ilegível] …ao que outra. Não ser se… [ilegível] …esta pergunta alguém quer me perguntar alguma coisa. … [ilegível] …primeira coisa.

O francês que gosta de… [faltam palavras] …aquelas monstruosidades… [ilegível] …paraíso anárquico. De outro lado, não é só o francês, … [ilegível] …brasileiro e tudo o que queira. De outro lado também, a Igreja anárquica, a gente percebe que… [ilegível] …que ela vai se [desvendando?], ela vai bulindo sozinha, o povo não acompanha. Se a gente vê quem é que está seguindo esta gente. Ter as… [ilegível] …, e se… [ilegível] .. de D. Helder, [os?] [congêneres] no mundo, o resto são só ingênuos que não percebem e minorias… [ilegível] …cristãs dispostas a tudo. É o episcopado quase todo. O clero quase todo e uma [seitazinha?] de fiéis. Qual é o resultado prático disso… [ilegível] …O resultado prático disso é o seguinte: o Espírito Santo que vivia amordaçado pela hierarquia começará a encontrar outros instrumentos de expressão, … [ilegível] …bárbara. O Espírito Santo vivia amordaçado pela hierarquia. Eu pergunto se não vivia. Mas, sobretudo, a resistência não está tanto neste tipo de mentalidade onde ela existe, mas num certo povinho que não quer o comunismo simplesmente. Porque isto é mais a evolução de uma burguesia empresarial, um pouco mais graduada ou menos dentro da escala empresarial, mas a coisa está também a meu ver fora do rumo das empresas, está na voz do chão, no operariado.

(Dr. [Duca?]: Como fazem a voz do senhor e do… [ilegível] …repercutirem em âmbito mundial, na Europa, por exemplo, qual a perspectiva do grupo… [ilegível] …?)

Eu acho o seguinte, na atual, é minha opinião, não tenho nenhuma demonstração para o que eu vou dizer, talvez os senhores tenham… [ilegível] …por… [ilegível] …indícios [fugidios?] do que eu vou dizer, mas na atual situação do mundo, na situação… [ilegível] …no mundo… [ilegível] …que os [perigos?] e as [opressões?] forem se tornando mais [internas?], vai se… [ilegível] …um clima em que por… [ilegível] …, que vão se tornando mais freqüentes já… [ilegível] …dias de grandes… [ilegível] …seja completamente… [ilegível] …que se nós soubermos [amar?] falar… [ilegível] …mentalidade e estes símbolos… [ilegível] …esta doutrina nas horas certas… [ilegível] …nós poderemos… [ilegível] ….

Na Comissão, no passado, eu dei… [ilegível] …disso que não seria o caso de repetir aqui. Eu acho também que nós conseguirmos isso depende da intensidade de autenticidade o que isto esteja em nós para nós exprimirmos, porque o melhor símbolo de uma mentalidade não é um estandarte, mas é o porta-estandarte. … [ilegível] …e que … [ilegível] …não é uma coisa que… [ilegível] … na lapela… [ilegível] .. homem que está que está… [ilegível] …Eu acho que se nós tivéssemos vinte vezes mais, para usar a linguagem da Escritura, setenta vezes sete mais vezes o nosso próprio espírito esta arrancada já teria começado no Brasil, nesta campanha, quando o que houve não foi uma arrancada, mas às vezes uma pequena vacilação sobre as próprias teses, aliás, gloriosa e bonita… [ilegível] …o que isto depende de nós. Mas para … [ilegível] …de nós… [ilegível] …o que depende da seriedade com que nós [acreditemos?] na “Bagarre” . Porque eu seria capaz de fazer uma conferência que eu certamente não lhes farei agora, podem estar tranqüilos, eu seria capaz de fazer uma conferência para provar que tudo quanto no grupo, que tudo quanto representa os melhores anseios do Grupo dá às… [ilegível] …uma configuração que só se explica se a “Bagarre” existir. Que se pelo contrário, nós[abstivéssemos?] da “Bagarre” o… [ilegível] …fica parado numa… [ilegível] …os nossos melhores anseios se desestimulam e o Grupo… [ilegível] …se transforma numa confraria… … [ilegível] …que portanto… [ilegível] …o grupo não é tocado pela… [ilegível] …uma graça por onde… [ilegível] … que a “Bagarre” virá e que portanto… [ilegível] …porque o resto, inclusive isto… [ilegível] … [meia página ilegível] …

algo que se santifica… [ilegível] …e não me preparam para essa hipótese… [ilegível] …essa tese, representará, … [ilegível] …é evidente. E leva… [uma página ilegível] …

E movimento não é… [ilegível] …os senhores… [ilegível] …senhores continuaram bons católicos. Porque a… [ilegível] …serve a Nossa Senhora de qualquer jeito. … [ilegível] …esperaria essa… [ilegível] …continuar católico e continuar ultramontano. Mas os senhores… [ilegível] …a primeira coisa que aconteceria comigo… [ilegível] …embora… [ilegível] …aos senhores o… [ilegível] …que nós formássemos juntos uma coluna que por desígnio de Nossa Senhora… [ilegível] …carregar o universo, eu nunca [pelos?] senhores, tudo quanto … [ilegível] …ver minha alma. Agora que não se… [ilegível] …carregar o universo, mas de carregar os senhores, os senhores são muito [bons?] … [ilegível] …são uns encantos, carreguem uma parte… [ilegível] …já não é pouco… [ilegível] …descansá-lo. Quando vier eu quero… [ilegível] …talvez [isso?] de aproveitável… [ilegível] …para não ser aborrecimento. Quando vier… [ilegível] …

Qual é a explicação… [ilegível] …tinguetá, é… [ilegível] …o vinho. … [ilegível] …prazer. É uma abominação, uma imundície… [ilegível] …impressiona, e o que… [ilegível] …é o da razão não… [ilegível] …impressiona. isso é o ordinário… [ilegível] …vai atrás da razão e o homem quando tem fé vai atrás da [fé?] mas o princípio não é assim. Quando ele vê uma coisa que faz… [faltam palavras] …no fim da decadência dele, as conferências que ele fazia. Um homem que foi… [ilegível] …tá, ta, que encontrou um… [ilegível] …que batia dem, dem, e o automóvel fazia fon, fon, e que fez psiu e parou o bonde, isso era uma descrição para os… [ilegível] …porque é o primário, ele precisava viver das coisas sensíveis e de evidencias imediatas. Isso é também o tíbio que é o primário na ordem da fé. É isso. isso é fácil de explicar, não é difícil não. É muito fácil de explicar. … [ilegível] …é incapaz de assistir uma aula de alfabetização, mas se os senhores … [ilegível] …diante dele… [ilegível] …

Meus caros, está muito bom não é? … [ilegível] …e os senhores devem expulsar… [ilegível] … …[meia página ilegível]

[Aqui termina um outro arquivo.]

É ainda sobre o simposium da DAFN, vamos dizer algumas palavras antes de começar a missa; e essas palavras devem ser um complemento de caráter sobrenatural às considerações de ordem natural que eu fiz ontem.

Eu tive ocasião de mostrar aos senhores ontem quanto é importante para nós termos uma escrituração em dia, e não só, propriamente, escrituração, os assentamentos das despesas, como também todo o material de comprovação de maneira que a origem de todos os nossos fundos seja bem estabelecida, e que nós possamos, a qualquer momento, conhecer a nossa situação, saber quais são as nossas possibilidades, controlar as nossas despesas, eliminando aquelas que foram supérfluas, aumentar as nossas fontes de renda e, sobretudo, e, sobretudo, poder demonstrar a liceidade dos fundos que nós movimentamos e que nós temos oportunidade de gastar. E eu tive ocasião de mostrar aos senhores que entra nisso para nós, no plano terreno, uma questão de vida e morte. Porque se nós não soubermos mostrar a origem de nossos fundos, nós estamos expostos a toda espécie de calúnias. E a calúnia não é, apenas no caso concreto, algo que desapareça pelo ar, e que pode prejudicar mais ou menos nosso apostolado, mas é algo com que se pretende, depois, fechar a TFP. Quer dizer, para nós… [faltam palavras] …própria existência estar próxima e diretamente condicionada a uma boa escrituração.

Isso ficou demonstrado muito bem, pode parecer uma coisa muito fácil no entusiasmo de um simpósio. Com efeito, estão aqui os representantes dos trabalhos da DAFN, de várias seções e subseções do Brasil. Estão aqui pessoas que recebem instruções, e prevêem o trabalho, que tem o calor desse convívio, dessa emulação e para os quais o primeiro entusiasmo depois do simpósio facilita extraordinariamente as realizações. Entretanto, nós precisamos não perder de vista que esse simpósio é para a DAFN uma espécie de Tabor; do alto do monte Tabor nós vemos toda a glória da causa, vemos toda a importância do serviço e que nós estamos muito dispostos a trabalhar nele. Mas que depois vêm os dias difíceis, os dias amargos, e para isso nós não devemos fechar os olhos.

Nós devemos considerar que chega depois o dia em que o rapaz encarregado concretamente na sua seção ou na sua subseção dos trabalhos de escrituração vai enfrentar os mil prosaísmos de seu trabalho na vida de todos os dias. Todo trabalho é prosaico na vida de todos os dias. Não há uma coisa, nenhum trabalho, que não perca muito de seu lustro, de sua beleza, dentro dessa repetição quotidiana de mesma tarefa. Ainda que nós fôssemos incumbidos do mais belo dos trabalhos, vamos dizer, da tarefa de reinar, eu lhes garanto que, por exemplo, a rainha Elizabeth sente muito a rotina da realeza. Em me lembro, uma vez, eu li uma narração… [faltam palavras] …Maria Teresa, que se foi fazer coroar rainha da Boêmia. Era um título legendário, rainha da Boêmia, nós pensamos em cristais da Boêmia, em florestas da Boêmia, em castelos da Boêmia, pensamos numa vida brilhante; ela só tinha um comentário: o peso da coroa, o formato, que formava uma espécie de gorro de metal difícil de equilibrar na cabeça, a dificuldade de cumprimentar de um modo amável de maneira que a coroa não caísse, e se lamentava por causa disso. Quer dizer, quem a visse passar pelas ruas pensava que era uma vida magnífica: aquela rainha paramentada, com aquela coroa na cabeça, agradecendo as felicitações. Até a vida de uma rainha tem a sua rotina. Até para uma rainha há muita coisa prosaica para se suportar e é o prosaico que aparece na vida de todos os dias.

Ora, se isso é na vida de um rei, ou de uma rainha, quanto mais isso será na vida de um contador; na vida daquele que tem que ir atrás dos que fizeram as despesas e perguntar onde é que está a comprovante, e não deixar passar nenhuma despesa sem a respectiva comprovante; e reclamar o recibo que não está em ordem; de fazer todas as contas para ver se as coisas estão bem; ainda que sejam feitas contas à máquina, tão simplificadas, o trabalho de ter que tirar tudo aquilo e pôr tudo aquilo em ordem. E, depois, aquilo que para a psicologia do grupo é uma espécie de martírio dos martírios – eu não tenho medo que o sindicato dos metalúrgicos ouça isso

(…)

felizmente é bem verdade dizer que as paredes têm ouvidos

[faltam palavras] …têm vários. Bem, então, o que é que eu estava dizendo? Ah, que para a psicologia do grupo é o martírio dos martírios, e que vem a ser a seguinte coisa: é que, enquanto o grupo está tratando de apostolado, de lances novos, a campanha está brilhando nas ruas, os estandartes estão voando – chi! É o contador que está parado no lugar, e parece não estar fazendo nada. Está assentando as notas, está verificando se tudo está bem, está esperando chegar da campanha o coletor de assinaturas, exausto, para dizer: fulano, que é daquele recibo? Ele diz: eu “zupei”. E a gente tem que dizer para o pobre coitado: você não devia ter “zupado” … [faltam palavras] ….Então o outro olhar para a gente, e vem aí o dardo envenenado: Você já soube da última da campanha? Não, não soube. Você não sabe o que aconteceu em tal lugar? Não, não soube. Então, o que você sabe? Ah, eu só sei contas e só sei dados. Ai, ai, ai, ai, então, eu não sou dos homens poderosos e influentes. Eu não sei as novidades, não participei dos acontecimentos decisivos. Eu fiquei junto aos meus livros e meus apontamentos fazendo cálculos. O herói do dia olha para mim e diz: Olha aqui, aquele recibo, quando eu tiver um pouco de tempo, vou pensar nele. Por enquanto, você não me incomode eu tenho coisa mais séria para fazer. E o pobre coitado do contador tem que se inclinar e dizer: Quando é que eu posso falar com você? Daqui a três ou quatro dias me procure. É preciso receber isso com humildade e daí a três ou quatro dias chegar para o grande homem pretensioso e perguntar despretensiosamente: Meu caro, você já teve tempo de tomar aquela nota? E acabar… [faltam palavras] …

Agora, isso supõe uma espécie de continuidade, supõe uma espécie de [esgotamento?], supõem uma aparente marginalização, supõe uma espécie de deslocamento de dentro do fio das coisas, que cria até em quem está fazendo o serviço de contabilidade uma outra expressão ingrata, que eu tenho impressão que, às vezes, o demônio explora. É o seguinte: Dr. Plinio olha para tal serviço, olha para tal outro serviço, olha para tal outro; ele sabe todo mundo que está fazendo. Dr Plinio terá uma idéia do [jeito?] que é contabilidade? Ou esqueceu depois do simposium da DAFN? Ele estará ciente de que esse pobre coitado está aqui escriturando, arranjando, organizando? Ele ainda achará tão necessário esse serviço como quando ele achava naquela ocasião? Ou será que eu fui zupado e que eu estou aqui acumulando meus documentos, fazendo escriturações, e no fim tudo me zupou e eu estou sozinho? E que, afinal de contas, nessa cruzada de Nossa Senhora, eu não faço papel nenhum.

Eu poderia dizer, meus caros, que na cruzada de Nossa Senhora, um dos mais bonitos papéis é de não fazer papel nenhum, na aparência. E Nossa Senhora olha isso com especial complacência. E eu tenho impressão, não sei se eu me engano, que os membros do grupo que trabalham em assuntos contábeis nunca pensaram que eu dou a esse assunto tanta importância, que eu tenho tão presente, tão ao alcance esse assunto, que eu tenho tão presente todo o prejuízo que pode ter o grupo se tiver um rombo nesse ponto, como nesse simposium se verificou. Nós devemos, os senhores devem considerar, os senhores que trabalham em contabilidade, os senhores devem se considerar mais ou menos como aqueles que fazem a contabilidade de um exército no tempo de guerra. É evidente que não é bonito isso como tomar uma trincheira. Se a gente pergunta a um homem que se queimou numa contabilidade militar: Você, o que fez? Eu fiz contabilidade. E o outro, o que fez? Ah, ele foi o primeiro a entrar em tal lugar e desfraldou a bandeira. Como a outra função parece apagada! Eu pergunto aos senhores: qual é o exército que anda sem contabilidade? Qual é o exército que anda sem contas de serviço bem feitas? Não existe, absolutamente. Agora, o que que se deduz daí? É que é um trabalho que muitas vezes pode não ser dos mais gloriosos aos olhos dos outros, mas que tem a glória das glórias. E os senhores, nessa matéria, qual é a verdadeira glória? É ser indispensável. O trabalho indispensável, seja ele de que natureza for, é glorioso, porque sem ele as coisas não andam. Logo, andaram, porque ele também foi feito; e logo, aqueles que se destacaram nisso foram dos mais meritórios, dos mais dignos de aplauso e dos mais dignos de apoio.

Eu estou dizendo isso não só por causa dos participantes do simposium da DAFN que devem estar aqui presentes, mas é um pouquinho para os que não são participantes do simposium da DAFN compreendam a DAFN e tornem a vida fácil para a DAFN. Não tomem uma atitude, mais ou menos, fugindo dos cobradores de documentos, como o devedor foge do credor. Mas, pelo contrário, procurem ir ao encontro, prestigiem esse trabalho. Mostrem, cerquem de consideração, cerquem de atenção, mostrem que compreendem isso. Porque é só por essa forma que nós poderemos verdadeiramente ter uma visão de conjunto de todo o nosso esforço e dar a cada um que trabalha aqui por Nossa Senhora o estímulo que merece.

Ainda uma leitura, um incidente há dias atrás, me fez pensar nisso. Todo mundo fala dos generais de Napoleão e fala das grandes recompensas que Napoleão atribuiu a seus generais. É bem verdade. Mas o que não se fala, e seria preciso falar é… [faltam palavras] …ótimo corpo de burocratas que Napoleão tinha, as recompensas régias que ele deu a esse corpo… [faltam palavras] …de burocratas que ele tinha. O primeiro personagem juridicamente no Império depois dele, não era absolutamente Ney, como está na história. Era um certo – um nome tão conhecido… – [Berthier?], que tinha até o tratamento de príncipe, Alteza. Alteza de.. [faltam palavras] …como tudo o que era napoleônico, mas, enfim, de Alteza – e que estava colocado acima dos generais dele, e que era chanceler do Império, incumbido de todas as burocracias. Um homem em que ele se apoiava tremendamente e que ele dava importância não menor do que ele dava a Talleyrand, era um tal Luís, barão [Luís?], horrível, padre apóstata, mas o gênio das finanças do tempo dele, e que servia para tocar as finanças do Império. Quer dizer, nós temos que compreender a realidade das coisas e não ficar apenas no aparente brilhante, no aparente. Nós temos que ir ao fundo. Devemos entender a importância desse serviço e cercá-lo de todo o nosso prestígio.

Agora, vem um outro aspecto da questão. Para nós realizarmos esse trabalho, essas coisas bastarão? Esses raciocínios serão suficientes? Eu gostaria de lembrar aos senhores que o trabalho burocrático, quer contábil, quer de outra natureza, só se consegue para ele perseverança quando ele é feito por amor de Deus. Porque, como os senhores não ganham dinheiro apreciável por esse trabalho, ou os senhores compreenderão quanto ele é benfazejo para sua vida espiritual, e o fazem por amor de Deus como um meio de aumentar o amor de Deus, ou o trabalho não sai bem feito. E então é preciso que, antes de começar o trabalho, se reze uma oração pedindo a Nossa Senhora que faça ver bem isso claramente, e se me lembrarem eu componho uma oração dessas, se Deus quiser, e mando pela Circular Boletim para todos aqueles que trabalham em trabalhos de caráter contábil ou também administrativo rezarem no começo de suas funções e ao encerrar as suas funções.

Mas depois, nós devemos nos lembrar de outra coisa: para agüentar a rotina e o tédio da vida de todos os dias, é preciso ser verdadeiro herói. E há mais heroísmo nisso do que num momento correr um risco de vida e depois ficar aureolado a vida inteira, com a glória de herói. Então, o que que é preciso fazer? Nós precisamos recorrer à Pequena Via, precisamos pensar em Santa Teresinha do Menino Jesus. Ela é exatamente a padroeira das almas pequenas, das almas fracas que atraía essas almas fracas com um sorriso e com a perspectiva do amor. E nós precisamos pensar numa idéia que Santa Teresinha tinha e que exprime bem a sua alma a respeito disso: Para o amor nada é impossível. E se nós tivermos a força necessária para realizar bem esse trabalho, nós devemos fazê-lo por amor. Por amor de quem? Por amor de nossa causa [?]. Por amor de Nossa Senhora. Por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo; por amor da Santa Igreja Católica. Tendo isso em vista, se nós amarmos inteiramente a Nossa Senhora, a Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Igreja Católica, ao grupo, se nós amarmos como devemos, nós teremos coragem para esse trabalho. Se nós tivermos coragem para esse trabalho, nós aumentaremos o nosso amor. É uma espécie de círculo vicioso santo. Cada ato de perseverança vale tanto quanto um ato de renúncia de uma carmelita no seu convento. Acaba produzindo fruto para nossas almas e frutos para o grupo inteiro. Assim, vamos pedir a Nossa Senhora, vamos pedir a Santa Teresinha que nos dê o espírito sobrenatural para fazer… [faltam palavra]…perfeitamente… [faltam palavra]…



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1 O presente texto é a unificação de 4 arquivo com matérias distintas, porém, com a mesma data. Tudo leva a crer que foram datilografados por temas partes da mesma reunião.