Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 26/10/1968 – sábado – p. 10 de 10

Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 26/10/1968 — sábado

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São José de Cupertino: modelo dos católicos. Prodígios e milagres. O admirável equilíbrio da Igreja, inspirando os extremos harmônicos. Prometendo o prazer, o demônio fez sumir da Terra alegria de viver. Os pretextos usados pelo demônio ao tentar os membros do Grupo. Um antegozo do Reino de Maria.


São José de Cupertino –- III

Em que sentido São José de Cupertino é modelo dos católicos? * O admirável equilíbrio da Igreja, mestra da Sabedoria * Devemos usar as coisas terrenas com desapego, apenas para a glória de Deus * O exemplo de Frei Galvão, cuja vontade governava sua alma inteiramente * Por seu exemplo, São José de Cupertino ensinava que só tem valor o que é orientado para Deus * O maravilhoso equilíbrio dos extremos harmônicos * Prodígios na vida de São José de Cupertino * Doçura da vida e alegria da virtude * Prometendo o prazer, o demônio fez sumir da Terra a alegria de viver * Os vários pretextos com que o demônio tenta um membro do Grupo * São José de Cupertino ressuscita ovelhas; outros feitos extraordinários e milagres * O que devemos tirar de todos esses fatos; um antegozo do Reino de Maria

festa de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei. Nesse dia, em 1946, Dom Geraldo de Proença Sigaud foi eleito Bispo de Jacarezinho.

* Em que sentido São José de Cupertino é modelo dos católicos?

Nós devemos continuar hoje a fazer os comentários a respeito de São José de Cupertino, mas antes eu quero dar aos senhores um esclarecimento a respeito disso.

Um santo, quando é canonizado, é posto pela Igreja como modelo para todos os católicos. Nós devemos nos perguntar em que sentido ou debaixo de que ponto de vista é modelo de todos os católicos São José de Cupertino, cuja vida tão singular está sendo comentada por nós aqui. Eu sei que se pode dizer que não é vocação de todos os homens serem de tal maneira burros… [1 linha em branco] …serem de tal maneira desastrados que os cacos das sopeiras e dos pratos que lhes caem da mão sejam costurados nos hábitos e daí para diante. Então, em que sentido é padroeiro de todos, deve ser imitado por todos.

* O admirável equilíbrio da Igreja, mestra da Sabedoria

Há, no equilíbrio da vida da Igreja, uma coisa admirável, que eu lhes recomendo que examinem. Aliás, é uma coisa lindíssima que a Igreja Católica, mestra em todas as virtudes, é mestra da Sabedoria. E como mestra da Sabedoria, ela é mestra do equilíbrio. Quer dizer, ela mostra bem exatamente em que ponto é que se põe o equilíbrio entre coisas aparentemente inconciliáveis, opostas, mas que, entretanto, bem vistas, encontram a sua posição adequada. A Igreja tem sido o foco que tem suscitado inúmeros santos e tem suscitado, entre esses santos, reis, imperadores, Papas, nobres de todas as categorias, homens plebeus que ascendem à nobreza, pessoas de uma inteligência extraordinária etc. Como é que se compreende que a Igreja, ao mesmo tempo, eleva aos altares um homem tão sem inteligência, tão sem valor pessoal como foi São José de Cupertino? Como é que uma coisa se liga com a outra?

* Devemos usar as coisas terrenas com desapego, apenas para a glória de Deus

Nós notamos aí o seguinte princípio: a Igreja deseja que os homens usem bem as coisas terrenas. As coisas terrenas foram dadas por Deus, foram criadas por Deus antes de tudo, foram dadas por Ele para que os homens as usem. Eles devem usá-las, mas, ao mesmo tempo [em] que eles as usam, eles devem usá-las com desapego. E o desapego quer dizer o seguinte: a resolução de não as usar a não ser para a glória de Deus. Não as querer a não ser para a glória de Deus. E sempre que for por uma mera vantagem pessoal, que não tenha em vista a glória de Deus, não querê-las. Nisso está exatamente a virtude católica: é que cada homem, dispondo das coisas terrenas, sejam as suas capacidades individuais ou sejam os objetos que se encontram comumente no seu uso, que eles usem essas coisas de acordo com o plano da Providência Divina. E que se não for de acordo com o plano da Providência, não usem essas coisas. De maneira tal que apenas uma determinada… [¼ de linha em branco] …, uma determinada linha, e para fazer a vontade de Deus, seja … [¾ de linha em branco].

* O exemplo de Frei Galvão, cuja vontade governava sua alma inteiramente

No convento da Luz, que é um convento na Avenida Tiradentes, em São Paulo, a pouca distância da Estação da Luz e aonde às vezes, com uma certa freqüência, eu vou assistir a Missa, existe uma sepultura de Frei Galvão que foi o franciscano Fundador daquele convento. E no epitáfio de Frei Galvão, estão estas lindas palavras… [1 linha em branco] que ele tendo sempre em suas mãos a sua santíssima alma. No dia tanto de tanto, ele entregou a alma ao Criador”. O que quer dizer isso? Quer dizer, é uma alma exatamente nas mãos daquele com a qual ela se identifica. Quer dizer, um homem que sempre quer o que deve querer e não quer o que não deve querer, e cuja vontade governa a sua santíssima alma inteiramente. Alma santíssima, por causa disso. E uma [alma] assim, quando ela pode estar revestida de todas as glórias do mundo, de todas as pompas, de todas as riquezas, ela… animam tuam in manu teneat. Ter a sua alma na mão, com moderação, com sabedoria, ela não se apega a nada daquilo… [1 linha em branco] …Se for preciso, ela abandona aquilo. E ela até prefere abandonar a ter. E a Igreja, para que os homens sejam capazes de cumprir bem essa obrigação de dispor das coisas terrenas, a Igreja suscita santos que renunciam completamente a essas coisas terrenas. Exatamente por essa renuncia, eles obtêm graças, eles dão exemplos, eles criam um ambiente que coloca todo o valor das coisas terrenas no seu devido ponto, como nada que são, em última análise, aos olhos de Deus.

* Por seu exemplo, São José de Cupertino ensinava que só tem valor o que é orientado para Deus

Então, os senhores imaginem uma sociedade como a medieval. Uma sociedade fortemente hierarquizada, com reis, com príncipes, com imperadores, com senhores feudais, com prelados, eclesiásticos de alta sabedoria, grande sábios, uma sociedade, enfim, em que o prestígio é um bem e está distribuído largamente por todas as camadas sociais. Os senhores imaginem uma sociedade que vai se enriquecendo cada vez mais, como era a sociedade medieval; era preciso um contrapeso a tudo isso. E esse contrapeso eram homens que abandonavam tudo, que renunciavam a tudo, literalmente, ao pé da letra, e que por seu exemplo ajudavam aqueles que não chamados a renunciar a tudo a interiormente serem desapegados daquilo que eles tinham.

Então, os senhores têm que imaginar uma cidade medieval, passando São José de Cupertino: um santo famoso pela sua… [¼ de linha em branco] …e pela sua incapacidade. E as multidões correndo atrás dele. E numa outra ruela também da cidade, está passando, por exemplo, um professor universitário. E os estudantes, como faziam naquele tempo com os professores — nós estávamos longe daquilo, ou melhor, da crise universitária — os estudantes colocando as capas no chão para o professor passar em cima, porque tinham ficado entusiasmados com a aula. Que lição para o professor inteligente ver a glória de São José de Cupertino e compreender que toda a glória de sua inteligência não era nada se não fosse orientada para Deus. Porque, em última análise, só valem as coisas de Deus, e a inteligência do homem que não serve a Deus não vale mais nada.

Mais adiante, São José de Cupertino continuava a passar, e estava passando o cortejo de um nobre. E o nobre ia, digamos, a cavalo ajaezado esplendidamente, com uma série de nobres secundários atrás dele; com o brasão de armas de sua família no escudo que ele trazia, com uma porção de arautos anunciando [que] o muito grande e muito poderoso “Senhor Tal” ia passar. Eram vinte homens, eram cinqüenta homens do cortejo desse nobre. Passavam dois mil atrás de São José de Cupertino, e quando passaram esses dois mil, ele desceu do cavalo e se ajoelhava também, e beijava o chão onde São José de Cupertino, tão burro, tão… [¼ de linha em branco] … tão feio, tão torto, tão errado, mas santo; e que por isso valia mais do que ele, com toda a nobreza dele, com toda a riqueza dele, com toda a… [¼ de linha em branco] …dele; pois ele possuía esse valor em comparação com o qual todo o resto é lama e lixo. Ele possuía a santidade. Estava acabado. Os senhores compreendem como isso servia. Para, por meio de comparação, ajudar os grandes da Terra a compreenderem o que a grandeza não é, e a manter a grandeza dentro de seus próprios limites, e fazer com que ela fosse bondosa, fosse dadivosa, fosse generosa, ela existisse para o bem de todos em vez de existir para mandar…

* O maravilhoso equilíbrio dos extremos harmônicos

Aí os senhores têm esses equilíbrios maravilhosos da Igreja. Os senhores têm, por exemplo: o casamento não se manteria na indissolubilidade do vínculo conjugal, se não houvesse homens e mulheres que, praticando uma [castidade] perfeita, não se casassem. Os senhores diriam que não haveria gente capaz de fazer bom uso da conversa, se não houvesse gente que não se votasse ao silêncio perpétuo. Não haveria gente capaz de fazer bom uso de [riqueza], se não houvesse ordens religiosas que se entregassem a uma pobreza completa, como, por exemplo, os franciscanos. Porque é levando, de um lado, ao último extremo, a pobreza, que de outro lado se torna possível levar ao último extremo a riqueza. O rico será equilibrado na posse de sua riqueza, e fará dela um uso benfazejo desde que ele veja o exemplo daquele que renunciou coisas que estão nas mãos dele.

Então, com o exemplo daquele que fez voto de pobreza, com esse exemplo o rico poderá ser rico. O homem, vamos dizer, sociável, brilhante, que reúne uma grande roda em torno de si, que tem um salão frequentadíssimo; a dona da casa que é um dos centros da vida social de sua cidade, ela poderá fazer bom uso desse prestígio se ela tiver perto da casa dela um convento de freiras que não falam nunca, se ela conhecer o mérito do silêncio e não só o mérito da palavra, da palavra expandida … [¼ de linha em branco]

E assim, levando exatamente as coisas a extremos harmônicos. A Igreja obtém aquele equilíbrio maravilhoso de que ela é verdadeira mestra. E é assim que São José de Cupertino deve ser visto por nós. Ele é um dos extremos da Civilização Católica, um dos sacrossantos extremos da Igreja Católica, dos extremos conciliáveis. No Céu, lado a lado, é possível que os senhores vejam São José de Cupertino e São Tomás de Aquino venerando a Nossa Senhora com o culto de hiperdulia, e adorando a Nosso Senhor Jesus Cristo, cantando juntos, por toda a eternidade, hinos em que o sumamente inteligente e o sumamente ininteligente compõem um louvor perfeito! Porque exatamente está a perfeição desse louvor na harmonia das coisas sumas, opostas sem contradição, de onde sai exatamente a perfeição da harmonia.

Os metafísicos nos ensinam isso: que a harmonia perfeita não é aquela que reúne coisas análogas, coisas iguais, mas é aquela que cobre uma imensa gama de diferenças, encontrando pontos de analogia nessas gamas de diferença e mostrando por aí onde é que essa harmonia se produz. Assim é que nós devemos considerar a vida de São José de Cupertino, e esses últimos comentários que sobre ele devem ser feitos.

* Prodígios na vida de São José de Cupertino

Eu dei ontem alguns traços biográficos dele e mostrei como ele, homem tão pouco inteligente, foi dado, foi revestido por Nosso Senhor do dom de discernir os pecados dos outros e de discernir de um modo estranho. Ele via as pessoas personificadas em animais horrendos que exprimiam os pecados das pessoas; ou, às vezes, ele sentia cheiros pavorosos — infelizmente, de modo mais raro, cheiros admiráveis — segundo ele estava em presença de almas em estado de graça, ou de pecadores. Agora, nós vamos ver outros prodígios da vida de São José de Cupertino.

Um dia, ele prometeu a umas religiosas um pássaro que lhes ensinaria a cantar.

Não, o primeiro prodígio é este:

Frei Burro voava no ar como pássaro.

Não há quase em vida de santo outro exemplo com a mesma faculdade levada tão longe. Os senhores vêem o frei coitado que, de repente, se levanta e vai para o alto de um morro, voando, numa época em que a aeronáutica seria completamente impossível. E os senhores compreendem a suma modéstia que precisava ter e a suma despretensão, porque os senhores compreendem a “megalice” que isso ia dar, dizer para alguém: bom, eu vou agora para o alto do morro, levantava vôo e… [¼ de linha em branco] …

Ele voava como um pássaro, a todo momento, para todo lado, e quando ele queria.

E depois, os senhores têm que imaginar que isso se fazia com leveza, que isso se fazia com graça, se fazia com todo o charme das coisas celestiais. Bem:

São José de Cupertino passou literalmente uma parte de sua vida no ar, de tal maneira ele voava, real e fisicamente entre o céu e a terra.

Suspenso. Depois, então, vem falando de outras coisas e diz o seguinte: ele, um dia, prometeu a umas religiosas um pássaro que lhes ensinaria a cantar, porque achava que as religiosas cantavam mal. Mas ele também não sabia cantar. Então, ele tinha a solução dos incompetentes: ele não ia ensinar a cantar, porque ele não sabia fazer nada, portanto, cantar também não. Mas ele sabia prometer um pássaro que ensinaria a cantar. Imaginem que coisa linda. Um convento de religiosas verdadeiras, mas de canto rouco, ou de canto esquisito, agudo… [¼ de linha em branco] …e de repente vem o pássaro prometido por São José de Cupertino e começa a explicar a elas, a cantar para elas verem. Pode haver uma coisa mais bonita do que essa? Bem:

E todos os dias, no Ofício da manhã e da tarde, eis que um pássaro aparece na janela do coro, guiando e reanimando o canto das religiosas.

Quem de nós não aceitaria de ser burro, se fosse essa a vontade de Deus, para ter tal domínio divino sobre as coisas da natureza?!

Bem:

Um dia, o pássaro sumiu. Fizeram queixas a José.

Resposta dele: –– O pássaro fez bem. Porque o [insultaram?].

Realmente, há cabeça para tudo. Uma religiosa lhe havia feito não sei que insulto a esse pássaro. Dir-se-ia que era uma progressista do século XX…

Contudo, São José prometeu a volta do pássaro, que voltou. Dessa vez estabeleceu… [¼ de linha em branco] …entre as religiosas.

Vejam o perdão. Como ele voltou, voltou perdoando. Então, foi morar entre elas. Ele que só vinha duas vezes por dia, pela largueza do perdão, foi morar entre elas. Os senhores não acham que tem isso uma candura que o mundo de hoje perdeu completamente o segredo e até a noção? Isso dá um sorriso que a gente não sabia que podia dar. Falam muito em férias. Repouso é quem… [¼ de linha em branco] …isso, muito mais do que tomar um avião e ir para o Turquistão… [¾ de linha em branco] …para ver o que aconteceu no Turquistão. Bem, sem dúvida, ele tinha esquecido e tinha perdoado… [½ linha em branco]

Mas havendo uma das freiras atado à sua pata um guizo, ele desapareceu por algum tempo.

Para que atar um guizo na pata de um pássaro? Bem:

José tornou a chamá-lo ainda. “Eu vos tinha dado um músico”, disse ele às religiosas: “Não havia que fazer dele um sineiro… Ele foi velar junto ao túmulo de Jesus Cristo, mas voltará”. Realmente, voltou e só desapareceu quando o santo morreu.

Quer dizer, o pássaro foi a Jerusalém velar junto ao túmulo de Jesus Cristo. Quando o santo… [¾ de linha em branco] …milagrosamente, é claro. Quando o santo mandou, o pássaro voltou e passou a cantar nesse convento até ele morrer. Quando o santo morreu, estava desfeito esse ato… [¼ de linha em branco] …entre o Céu e a Terra, e o pássaro foi embora. Mas estava o convento perfumado com uma legenda lindíssima por todos os séculos. Aí está o encanto da Europa…

(…)

Mas é possível que ainda se saiba qual é o convento em que “frei tal” tenha feito um vitral lindo representando o pássaro, que haja a festa do pássaro e que haja um órgão que imite o trinado do pássaro, e que haja toda uma representação desse pássaro por todos os séculos. Como é possível também que haja ônibus cheios de norte-americanos que descem para lá nessa festa e que… [¾ de linha em branco] …completamente a coisa. Mas, de qualquer forma, os senhores vejam a doçura de viver que está numa coisa dessas, e como a verdadeira doçura da vida está nos homens penitentes que abandonam tudo, está na ascese, está exatamente na renúncia de todas as coisas, que parece aos homens tão amarga. Era só um santo capaz de fazer coisas dessas que traria tanta doçura para a Terra.

* Doçura da vida e alegria da virtude

Bem:

Um dia, perto do bosque de Grottela, São José encontrou duas lebres, e lhes disse: “Não vos afasteis da Madonna, porque muitos caçadores estão perseguindo aqui”.

É aquele amor aos bichinhos pequenininhos, etc. Bom:

No fim de alguns minutos, uma delas é surpreendida e perseguida pelos cães. A porta de Igreja está, porém, aberta. Ela atravessa a nave e atira-se nos braços do santo.

Isso são imagens da mansidão divina. É para representar o pecador, que [vinha] fugindo das perseguições e se atira nos braços de Nossa Senhora.

–– Eu não tinha te avisado?, diz São José.

Os caçadores sobrevêm excitados e reclamam barulhentamente a sua presa.

–– Essa lebre, responde o santo, está sob a proteção da Madonna, não a tereis.

Depois, abençoou o quadrúpede e o pôs em liberdade. Enquanto voltava da capela ao convento, a outra lebre veio e ele assustada.

O caçador, que era o Marquês Cosme de… [faltam palavras] …Senhor de Cupertino, de onde ele era… [¼ de linha em branco] …pergunta-lhe se viu a lebre.

–– Aqui está ela nas dobras de minha túnica, responde José.

–– Essa lebre é minha.

–– Poupai-a e não venhais mais caçar aqui, porque amedrontais.

Vejam o senhoril… [¼ de linha em branco] …Frei Burro.

Depois, falando à lebre:

–– Esconde-te naquela moita e não te mexas.

Os cães, que seguiam a presa, ficavam imóveis e trementes, pregados no seu lugar.

É a imagem exatamente do pecador, ou do homem tentado, que recorre a Nossa Senhora. O demônio fica fremente, mas não ousa nada, porque está sob a proteção dos santos e da Madona. Os senhores querem uma coisa mais doce, os senhores querem uma coisa que dá mais equilíbrio de todas as nossas teses a favor da desigualdade, do que esse Marquês de Cupertino que encontra diante de si um mendigo, que da parte de Deus lhe diz: “Essa lebre é minha e não sua”?

O Marquês é o dono da terra, hein! E, portanto, dono da lebre. “Esta lebre é minha e não sua. Eu conservo aqui esta lebre”; e depois diz à lebre: “Fica em paz porque a Madona te protege”, depois os cães querem avançar e não podem, no entanto,… [¼ de linha em branco] …aí, e o Marquês, contente, e todo o mundo comentando. À noite se comenta durante um ano, junto à lareira do castelo, se comenta o caso da lebre e do Marquês… [¼ de linha em branco] … não é verdade? Isso é ou não é a doçura da vida? Isso é ou não é a alegria da virtude?

* Prometendo o prazer, o demônio fez sumir da Terra a alegria de viver

E os senhores notem o seguinte: quando Dr. Caio compôs aquela… aquele “Auto do Divino Infante”, ele fez, entre outras coisas muito bem pegadas lá, tem toda a doçura da Idade Média e, de repente, entra em cena Lutero. E quando Lutero entra em cena, começa… [¼ de linha em branco] … pam!. É [como] toda uma série de harmonias que se rompem e umas outras coisas que começam: Lutero, o Humanismo e Renascença apareceram prometendo ao homem a felicidade.

Bem, sempre que o demônio promete ao homem qualquer coisa, o boboca do homem que tome em consideração, que aquilo é que o demônio vai lhe tirar. Prometeram a felicidade, acabaram com essas coisas na Terra. A alegria de viver sumiu. Apareceu prazer, apareceu luxúria, apareceu a meretriz posta no lugar (de onde) que antigamente ela não tinha. Apareceu o desejo do lucro. Apareceram as inquietações da sede da importância. Apareceu tudo. Mas a paz sumiu da Terra, o sorriso sumiu da Terra. Essa espécie de doçura angelical, essa espécie de coisa diáfana que se nota nos quadros de Fra Angélico sumiu da Terra. E o demônio apresenta essas coisas como prazer e não como prazer essa aura que cerca São José de Cupertino, e toda a beleza e toda a poesia da Idade Média. Aí os senhores estão vendo a mentira do demônio.

* Os vários pretextos com que o demônio tenta um membro do Grupo

É por causa disso também que quando o demônio tenta um membro do Grupo. Ele tenta sob o pretexto do prazer. E quando tenta sob o pretexto do prazer, é sob o pretexto do prazer proibido, sob o pretexto da importância, sob o pretexto da grande situação, sob o pretexto do dinheiro. Ele tenta sob esse pretexto, os senhores tenham a certeza. É isso que ele vai tirar. E não há coisa mais amarga do que o fruto que escolhe [colhe?] o membro do Grupo que sai.

Ainda outro dia eu vi… [¼ de linha em branco] …marchando sozinho, fazendo caretas e, não sei por que, se escondendo atrás de um poste. Bem, é horrível, é o fruto da apostasia. Esse homem caiu nessa apostasia porque é um dos egoísmos mais delirantes que eu tenho conhecido em minha vida. Pobre coitado! Pois bem, o que ele recolheu foi isso. É a mentira do demônio. As pessoas vão atrás da mentira do demônio. E não há meio. Quando a tentação vem, ou a pessoa reza, ou ela acredita na mentira, que ela vai encontrar isso

(…)

Enfim, eu estou me alongando um pouco demais. A culpa é de São José de Cupertino…

* São José de Cupertino ressuscita ovelhas; outros feitos extraordinários e milagres

Uma tempestade destruíra quase todas as ovelhas de uma aldeiola. Os pastores, desolados, foram ter com José.

É ou não [é] melhor do que o instituto de seguros… [¾ de linha em branco] …faz o requerimento por causa da lei social, tal coisa, depois não vem nada.

O santo tocou uma a uma as ovelhas mortas: em nome de Deus, levanta-te, dizia ele tocando-as. E as ovelhas se levantavam.

O que comentar? O que dizer de uma coisa dessas?

Outra vez, ele atraiu uns carneiros à Capela de Santa Bárbara. Saltando por cima das barreiras e abandonando suas gordas pastagens, os carneiros acudiam em multidão para… [¼ de linha em branco] …José a oração.

Ao simples nome de José e de Maria pronunciados diante dele, sucedia que São José se evolava mesmo materialmente.

Com freqüência… [¼ de linha em branco] …quer dizer, bastava uma pessoa pronunciar o nome de José e de Maria junto dele… [½ linha em branco] …

Com freqüência, iniciava seus êxtases por um grande grito.

Mas esse grito não fazia medo, e essa significação foi importante para sua canonização. A Igreja toma precauções imensas para discernir os espíritos. O Espírito Santo não agita, o Espírito Santo não perturba, o Espírito Santo não é cacofônico. Quer dizer, um brado … [½ linha em branco]

Um dia, Dom Antônio passeava com José…

Não sei quem é esse Dom Antonio.

no jardim. Frei José, diz:

–– António, como Deus fez um belo céu!

José profere um brado, voa e vai pousar de joelhos no cimo de uma oliveira. O ramo, diz o inquérito, balouçava como ao peso de uma ave. Ele aí ficou cerca da meia hora.

Um dia na Igreja, durante um arroubo, a sua mão achou-se estendida sobre a chama de duas tochas. Por algum tempo imóveis de estupefação, os espectadores… [¼ de linha em branco] …de remover as tochas… [¼ de linha em branco] …mas as mãos dele não apresentavam nenhum vestígio de queimadura.

Ele estava rezando. Um dia, um trabalhador, deixando cair a ferramenta, fez uma larga ferida… [¼ de linha em branco] …que dissesse a José, que estava em êxtase, que mostre-lhe… [¼ De linha em branco] …José toca aquele dedo meio decepado, enrola com uma atadura e diz ao operário:

–– Pode ir trabalhar.

O operário estava curado. Era uma cruz que ele estava fabricando.

–– Plantemo-la, diz José.

Ela era, no entanto, tão passada, que não a podiam plantar. José impacienta-se, lança fora o manto, transpõe voando o espaço de quinze passos…

(…)

Quer dizer, o operário que cortou o dedo, estava fazendo uma cruz. Depois que o operário concluiu, tratava-se de por a cruz de pé. Como não havia jeito, ele voou, pegou a cruz, colocou de pé, estava acabado. Estava o assunto liquidado. Seria preciso um volume inteiro.

Encaminho o leitor à vida de São José, por Domingos Jovino. Quem sabe se alguém pode tomar uma nota e mandar vir essa vida de São José por Domingos Jóvino, ou Jovino –– não sei como se pronuncia ––, porque deve ser uma verdadeira beleza, e eu me comprometo a contar aos senhores mais alguns episódios da vida de São José de Cupertino.

* O que devemos tirar de todos esses fatos; um antegozo do Reino de Maria

O que [é] que nós devemos tirar daí? Eu me lembro que quando eu era congregado mariano de Santa Cecília, nos saudosos tempos em que a Igreja ainda apresentava as aparências de seu esplendor, havia uma música que se cantava, que o coro cantava, porque naquele tempo até o coro da Igreja cantava em latim, era um coro de congregados marianos…

(…)

Dá paz, Senhor, a nossos dias, porque não há outro que lute por nós, a não ser Tu, ó Deus, Senhor Nosso.” Assim nós devemos também dizer isso, pensando em São José de Cupertino. Nós devemos nos voltar a Nossa Senhora, que é o canal de todas as graças e dizer a Nossa Senhora:

Nossa Mãe, dai-nos a paz em nossos dias. Essa paz de alma de que a gente tem um pouco do perfume pensando nessas coisas de São José de Cupertino; a capacidade de degustar essas coisas; de fazer da lembrança dessas coisas a nosso entusiasmo e alegria de nossa vida, porque não há, ó Minha Mãe, ninguém que lute por nós a não ser Vós, Mãe e Senhora Nossa. Que nós nos

(…)

com a Civilização Católica… [¼ de linha em branco] …oração. Pensamos na nobreza, pensamos no Sacro Império Romano Alemão, pensemos na realeza, pensemos nas universidades, pensemos nas corporações, pensemos no estilo gótico, pensemos no feudalismo, pensemos em tudo o mais, mas vejamos bem no meio de tudo isso a verdadeira flor que é os santos que floresceram em tudo isso, e que eram a causa profunda do equilíbrio e da paz de tudo isso.

Que Nossa Senhora nos abençoe e nos faça ver nisso um antegozo do Reino de Maria. Quando o Reino de Maria vier, os senhores vão se lembrar talvez dessas conferências. E os senhores vão dizer:

Realmente, a era de São José de Cupertino voltou! Nossa Senhora me ajudou e eu não acreditei nas mentiras do demônio. Eu não sacrifiquei a Satanás, a suas pompas e suas obras. Eu mantive puro o meu corpo, eu mantive a minha alma limpa do pecado da Revolução. Eu odiei a Revolução, eu não amei nada do que ela amou, eu odiei tudo quanto ela amou. Eu amei tudo quanto ela odiou e amei com todas as veras de minha alma. E por isso Nossa Senhora me fez atravessar toda a fornalha da “Bagarre” para que, antes que meus olhos exaustos descansem no Céu, ainda contemplem a glória d’Ela nesta Terra.”

Essa será a nossa grande alegria, a nossa grande recompensa.

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Auditório da Santa Sabedoria