SANTO DO DIA - 28/9/68 - Sábado -- [SD 168]
Nome
anterior do arquivo:
Beato Carlos de Blois
SDP: Amanhã é festa do Beato Carlos de Blois do qual o General Silveira de Melo, no livro “Santos Militares” diz o seguinte:
Carlos de Blois era filho do Conde de Blois, Louis de Fitillor e da Princesa Margarida, irmã de Felipe de Valois. Recebeu educação esmerada e foi muito adestrado militarmente. Casando-se com Joana, filha de Guy e neta de João III do… [ilegível] …da Bretanha, por morte desta última recebeu o ducado como herança de sua esposa, no ano de 1.341. Assumiu o governo desta província com grande entusiasmo dos nobres e dos seus vassalos mais humildes. Entretanto, o Conde de Montfort, irmão do Duque falecido, reclamou o direito à sucessão e pegou em armas para reinvidicá-lo. Mas que foi apoiado pelos ingleses, enquanto a França tomava o partido de Carlos. O jovem Conde de Blois fez frente ao seu contendor. Vinte e três anos durou essa luta que os ingleses suscitavam de fora. Em 1.346, no combate de Bochedarrien, Carlos sofreu revés e caiu prisioneiro. Encerraram-no na Torre de Londres, onde permaneceu encarcerado durante nove anos. As orações que rezou neste cativeiro, foram de molde a assegurar a continuidade do governo da Bretanha. A Princesa Joana, sua enérgica esposa, assumiu a direção dos negócios públicos e da guerra e manteve atitude de energia pela libertação do marido. Livre, Carlos prosseguiu com maior denodo as operações militares. Sucederam-se reveses e vantagens de parte a parte, até que por fim, em 1.364, aos 29 de setembro, festa do Arcanjo São Miguel, o Santo e bravo Duque caiu morto na Batalha de … [falta palavra] … Esta jornada heróica, última de sua vida, iniciou-a Carlos a recepção dos Sacramentos da Confissão e da Eucaristia. Morreu como vivera, pois em meio a todas as lutas que enfrentava, nunca afrouxou seus exercícios de piedade, e austeridade, assim como nunca deixou de empreender obras de interesse para a Religião e para seus súditos. Tão evidentes foram as suas virtudes, que logo após sua morte em 1.368, deram início ao processo de Beatificação. São Pio X confirmou o seu culto em 14 de dezembro de 1.904. É venerado no dia de sua morte, 29 de setembro, mas seu culto especial em Blois, dá-se a 20 de julho.
SDP: Os senhores estão vendo que se trata de um santo que é de um modo especial, o Patrono dos guerreiros. Há dois modos de ser patrono dos guerreiros: um considerando o guerreiro enquanto guerreiro da fé, lutador pela doutrina Católica e pela Igreja Católica. Mas aí é a função do guerreiro com um acréscimo que é extrínseco, que não é intrínseco e que não é necessário à condição do guerreiro. Quer dizer, o guerreiro realiza a maior sublimidade de sua vocação, quando ele luta pela fé. Mas nem todo guerreiro luta necessariamente pela fé. Pelo que é que luta o guerreiro? O próprio do guerreiro é lutar, e o normal do guerreiro não é lutar apenas pela fé, mas o guerreiro pura e simplesmente, o guerreiro que não acrescenta a seu título essa auréola de cruzado, é aquele que luta pelo seu país. É aquele que luta na guerra justa pelo seu país, para defender o bem comum, ainda que seja o bem comum temporal daqueles que estão confiados à sua direção.
Aqui os senhores têm o exemplo em S. Carlos de Blois, do Beato Bem-aventurado Carlos de Blois. Ele era como os senhores viram: duque da Bretanha em virtude de uma herança recebida de sua esposa. Mas o tio de sua esposa contestando a legitimidade deste título, revoltou-se contra ele, e moveu uma guerra contra ele. Ele era portanto a legítima autoridade, em luta contra um vassalo infiel e revoltado. Além disso, tratava-se da integridade do reino da França, porque o tio da senhora dele, o tio da Princesa de Blois, era ligado aos ingleses, que queriam dominar a França. Queriam aniquilar com a França. E ele lutava então pela integridade do território francês, e lutando pela independência da Bretanha em relação à França, em vez de ser dependente em relação à Inglaterra. Esta luta pela França, por sua vez, tinha um remoto significado religioso, mas que ele não podia ver, que não estava nas suas intenções. Porque a França era a nação predileta de Deus, a França era a Filha Primogênita da Igreja. A Inglaterra era nesse tempo uma nação Católica, mas futuramente haveria de tornar-se protestante. E se ela tivesse domínio numa parte do território francês, daí a alguns séculos, isso seria muito nocivo para a causa católica. Mas esta consideração de ordem religiosa, que nos faz ver o caráter Providencial da luta, não estava na mente deste Beato. Ele tinha em vista como Duque, lutar pela integridade do território de sua Pátria próxima, que era a Bretanha, e de sua Pátria mais genérica que era a França. Ele levou nesta luta uma vida inteira.
Os senhores viram que foram perto de 30 anos de reveses, 9 dos quais ele esteve preso. Mas ele soube comunicar o seu ardor guerreiro à sua esposa, que durante os 9 anos em que ele esteve preso na Torre de Londres, a esposa também lutou valentemente para conservar o Ducado.
Os senhores vêem que com isto, canonizando-o, a Igreja quis canonizar o senhor feudal perfeito. Ela quis elevar à honra dos altares, um Senhor Feudal Governador de suas terras, Patriarca de suas terras, aristocrata, e além disso batalhador, que sabia derramar o sangue pelos seus. Isto é a síntese do senhor Feudal. Para esses revolucionários que vivem falando contra o feudalismo, e que apresentam o cargo e a dignidade de Senhor Feudal como intrinsecamente má, o exemplo do Beato Carlos de Blois e o gesto da Igreja canonizando-o, constituem um desmentido rotundo, porque mostram bem que o cargo é digno e santo. Pode e deve ser exercido digno e santamente, e que através dele se pode chegar à honra dos altares. Mostra-nos mais uma vez e com mais um exemplo, quantas pessoas de alta categoria da hierarquia feudal se tornaram Santos. Enquanto Presidentes da república santos, existe a possibilidade de que o tenha sido Garcia Moreno, e assim mesmo Presidente da república muito pouco Presidente, de algo que no tempo dele foi muito pouco República, que era o Equador. Fora isso não há exemplo.
Os senhores vêem aí a índole das instituições. As instituições têm uma índole como os indivíduos. Elas têm uma psicologia, têm uma mentalidade como os indivíduos e a índole das instituições feudais como levavam à santidade, como do outro lado as instituições que pressupõe uma igualdade completa levam ao contrário da santidade que é o espírito de Revolução.
Há algum tempo atrás, eu tive a oportunidade de ler um livro do chefe do encarregado dos assuntos religiosos do Partido Comunista Francês, porque existe esta monstruosidade, chamado Rogée Garodis. Ateu, ateu que sustenta a seguinte tese: é ridículo nós querermos fazer suprimir no povo por meio das perseguições a idéia de Deus. A idéia de Deus, o povo a tem por causa das desigualdades. É considerando pessoas desiguais que o homem inferior pensa, concebe a idéia de um Deus que é a perfeição daquilo de que o seu superior lhe dá uma certa idéia. E por causa disso - diz ele - nós não devemos primeiro exterminar a Religião, para depois acabar com a hierarquia política e social. Nós devemos acabar com as desigualdades políticas, sociais e econômicas, para depois então exterminarmos a Religião. E diz ele - não toma muito trabalho - implantada por toda parte a igualdade, os símbolos de Deus desaparecem, e a idéia de Deus morre na alma dos povos. E portanto, diz ele, o Partido Comunista não deve combater a Igreja, a não ser depois de que a Igreja o tenha auxiliado a eliminar todas as desigualdades, porque nesse momento a Igreja eliminou o clima do qual Ela pode viver. E por causa disto ela terá se suicidado. Aí será fácil nós darmos a Ela o último golpe.
O exemplo do Beato Carlos de Blois nos faz pensar nisto. O povo do seu Ducado Da Bretanha, olhando para ele, pensando nele, admirando-o, venerando-o, tinha nele um reflexo de Deus na terra. A duplo título, porque o Santo é um reflexo de Deus na terra e porque o nobre constitui em dignidade o superior a qualquer título, o General, o Governador, o Chefe, o Mestre é um superior e representa a Deus, pois bem, a esse duplo título, olhando para ele, a idéia de Deus se tornava mais clara na mente desses homens. É precisamente, aliás, o que se ensina S. Tomás de Aquino quando ele fala de desigualdade. Ele diz que deve haver desiguais, para que os maiores façam as vezes de Deus, em relação aos menores e guiem os menores para Deus. É o pensamento do Garodis, a mesma concepção a respeito da relação entre a desigualdade e a idéia de Deus, apenas o que tem, enquanto São Tomás de Aquino abençoa essa desigualdade, porque ela conduz a Deus. Garodis blasfema contra ela, porque ela conduz a Deus.
Então, nós vemos bem como a hierarquia feudal e o mundo feudal encaminhava as almas para Deus, e nós vemos bem como este Santo brilhou como a tocha colocada, ou a luz colocada no lampadário, iluminou toda a França do seu tempo e toda a Europa do seu tempo com sua santidade.
Essas considerações conduzem a uma oração especial para ele? Sem dúvida conduzem. Nós estamos numa profunda orfandade, neste mundo de ateísmo, nesta época em que uma Igreja abjeta e adúltera nasce dentro daquilo que parecia as ruínas da Igreja Eterna, Indestrutível, Imortal, Divina, Sacrossanta. Nesta época em que o igualitarismo fez pelo mundo devastações tão tremendas, nós podemos olhar para o Bem- Aventurado Carlos de Blois como verdadeiros órfãos, que não temos o que ele representou para os homens do tempo dele. E então pedir a ele que se apiade de nós na situação em que nós estamos, e que pela suas orações, faça suprir em nossas almas a deficiência de tanta coisa que nos falta e que ele representava. Que o amor à desigualdade, que o amor à Sacralidade, o amor à autoridade, o gosto de venerar, a necessidade de alma de obedecer, de se dar, de ser humilde, de defender o seu Senhor, brilhe em nossas almas de maneira tal, que nós possamos dizer que verdadeiramente é a Contra-Revolução que vive em nós.
Beato Carlos de Blois, rogai portanto por nós.
* * * * *