Santo
do Dia (Auditório da Santa Sabedoria ) – 19/8/1968 –
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Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria ) — 19/8/1968 — 2ª-feira
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Carta de S. Bernardo conclamando a II Cruzada; estilo da oratória; diverge da atual quanto ao tom e à forma; alerta ante a ameaça muçulmana; selvageria das hordas invasoras no desejo de destruir as relíquias cristãs; argumentos para engajar os guerreiros a se cruzarem; nós devemos libertar almas, elas valem mais do que a Terra Santa.
* Conclamação * Oratória de S. Bernardo diverge da atual. Quanto ao tom * Quanto à forma * Ameaça muçulmana * Desejo de destruir as relíquias da Terra Santa * Desconfia da sem-vergonhice humana * Canaliza a combatividade contra o verdadeiro inimigo * Uma alma vale mais que a Terra Santa. Nosso engajamento
Trecho da Carta de São Bernardo de Claraval, conclamando a Alemanha e a França Oriental para a II Cruzada
No dia vinte é festa de São Bernardo, abade, do qual diz o Rohrbacher, na “História da Igreja” o seguinte: — Aqui está um trecho da Carta Circular de São Bernardo, é o famoso São Bernardo de Claraval de que o Dr. Paulinho lhes falava ontem, pregador da Cruzada.
* Conclamação
Então, uma carta de São Bernardo de Claraval conclamando a Alemanha e a França Oriental para a Segunda Cruzada:
Eu Vos escrevo por uma questão que se refere a Jesus Cristo e à vossa salvação, eis meus irmãos, um tempo favorável, um tempo de propiciação e de salvação. O mundo cristão foi atingido, o Deus dos cristãos começou a perder um país onde tornou-se visível, onde Homem conversou com os mais homens durante trinta anos, um país que Ele ilustrou com seus milagres, consagrou com Seu Sangue, ornou das primícias de nossa ressurreição. País que nossos pecados tornaram a presa e a conquista de uma nação sacrílega e inimiga da Cruz. Logo ai! Se não nós opusermos ao seu furor esse povo bárbaro tornar-se-á dono da Santa Cidade destruirá os monumentos sagrados de nossa Redenção, manchará os lugares santificados pelo Sangue do Cordeiro sem mancha.
Já a sua avareza sacrílega busca o mais precioso tesouro da religião, aspira apoderar-se deste berço misterioso onde o Autor da vida morreu para nos fazer viver. Que fazeis bravos soldados? Que fazeis servidores de Cristo? Abandonareis a Causa santa na satisfazer [?] a sua raiva [?] serve-se da mão do ímpio decido a não deixar no “Santo do Santo” nenhum vestígio de Religião Cristã, se Deus permitir que daí eles se tornem senhor. Esta perda irreparável para todos os séculos, do futuro um motivo de uma dor eterna e para o nosso e de uma infâmia e de um opróbrio sem fim.
O Senhor quer provar vosso zelo e saber se há entre vós quem deplore Sua desgraça e defenda Sua Causa. Apressai-vos então e assinalar vossa coragem de tomar as armas pela defesa do nome cristão ,vós cujas províncias são tão fecundas em jovens e valentes guerreiros, se é verdade o que a vossa fama diz. Mudai em santo zelo este valor odioso e brutal que vossa arma tão freqüentemente um contra o outro maneja e vos faz perecer com as vossas próprias mãos. Eu vos ofereço, nação belicosa, uma ilustre ocasião de vos bater sem perigo, de vencer com glória, de morrer com vantagens. Sois ávidos de glória e sois hábeis e sábios negociantes, eis o expediente para vos dar fama e vos enriquecer. Tomai a Cruz. Ela vos faz ganhar o perdão de todos os pecados que confessareis com arrependimento. A matéria é de vil preço, mas se o carregais com devoção ela vos fará obter o Céu feliz, o que se torna cruzado, feliz aquele que se apressa tomar este sinal salutar.
* Oratória de S. Bernardo diverge da atual. Quanto ao tom
Os senhores vêem por aí como mudaram os tempos. Está é a grande oratória do grande São Bernardo de Claraval, doutor da Igreja, reputado um dos maiores doutores do seu tempo. Por que razão esta oratória fica meio ininteligível para nós? É porque prevalece entre nós o sistema literário moderno, e o sistema literário moderno entra em choque com a oratória de São Bernardo em dois pontos. Em primeiro lugar, o sistema literário moderno pede serenidade. Os próprios oradores devem falar com calma, devem fingir uma espécie de neutralidade em relação ao tema de que tratam e devem depois de fingir a neutralidade, fingir que tomam um juízo imparcial. Do contrário não agradam e se tem a impressão de que eles são suspeitos.
* Quanto à forma
De outro lado — isto é quanto ao fundo — Agora quanto à forma São Bernardo faz períodos longos e a oratória moderna recomenda que se faça períodos breves e a preguiça moderna faz com que a gente só goste de seguir os períodos breves e não os períodos longos. Ora os períodos longos têm um mérito especial. Porque se cada pensamento do homem é como uma pedra preciosa, uma longa concatenação de pensamentos é evidentemente mais [bela] do que pensamentos avulsos. Uma frase em que uma série de pensamentos se dispõe artisticamente, uns em torno dos outros, é uma frase muito mais rica em valor literário do que uma espécie de picadinho de frases. Em cada frase: sujeito, verbo, objeto; sujeito, verbo objeto e quando muito um adjetivo de vez em quando ou um advérbio. Quer dizer por razões disso, nós ficamos hoje em dia meio desarmados quando nós nos encontramos em face dos grandes lances de oratória do passado. Pois aqui está São Bernardo de Claraval pregando a Cruzada aos franceses da França Oriental e aos alemães.
* Ameaça muçulmana
Nós podemos tomar alguma coisa do pensamento dele para nós compreendermos. A primeira parte do pensamento dele é o perigo que está correndo a Terra Santa. Ele mostra que os maometanos são adversários do nome “cristão” e que, por causa disso, a Terra Santa está correndo perigo, e ele mostra porque é que os católicos devem recear que a Terra Santa seja exposta a esse perigo. Ele dá uma tal quantidade de argumentos que eu teria por necessidade reler a ficha de novo para poder enumerar todos, mas considerados um pouco por alto ele começa por dizer que há uma ofensa a Deus. Que aquela é a terra onde o Verbo de Deus se fez carne e é uma terra que por causa disto se tornou por causa disso sagrada e que por tanto é uma ofensa a Deus que esta terra caia na mão dos adversários. Depois ele mostra que ali não se deu apenas a Encarnação do Verbo, mas a pregação de Nosso Senhor Jesus Cristo e com a pregação toda a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo com os fatos que nela ocorreram. E cada um desses fatos ele vai examinando para provar que este fato por si só bastaria para tornar maldito o povo que pretendesse conquistar a Terra Santa.
* Desejo de destruir as relíquias da Terra Santa
Depois ele mostra que não se trata apenas de conquistar, mas trata-se de destruir a Terra Santa que os maometanos são selvagens e que eles destroem os lugares aonde entram, de maneira que as Relíquias do tempo do Nosso Senhor Jesus Cristo estão ameaçadas de destruição. Os senhores vêem como o pensamento se estabelece com lógica. A Terra é sagrada, essa Terra Sagrada está ameaçada; não apenas de uma ocupação sacrílega, mas de uma destruição sacrílega dos monumentos. Logo, a ofensa contra Deus é suprema.
* Desconfia da sem-vergonhice humana
Bem, depois ele passa adiante; ele começa a falar a respeito dos soldados que não vão servir à Terra Santa. A gente vê que São Bernardo é um orador desconfiado, hoje é moderno o orador se tornar otimista em relação ao seu auditório, ser amável para com o auditório, sorrir: “vós todos que são tão bons….”; o auditório um pouco imbecilmente diz: “nós somos bons, mas o senhor também é bom, então somos todos bons, somos todos concebidos sem pecado original e por acharmos isto vamos todos para o Inferno”. É a seqüência. É por onde vai o pensamento e a frase. Bem, ele não, conhecendo a miséria humana está desconfiado que os guerreiros não querem ir para a guerra, então ele os interpela. Ele diz: “que fazeis bravos soldados diante disto?” Quer dizer: eu vos conto que isto vai acontecer ou está na eminência de acontecer ou está acontecendo e vós não fazeis nada? E passa para a descompostura. Primeiro: Vós tendes muitos pecados, é preciso expiar esses pecados, está ocasião é muito boa; ide à Terra Santa para expiar os vossos pecados. Os senhores não imaginem isto na televisão de hoje, hein?! Chegar para o público e dizer para esse público ultrapecador que ele tem muitos pecados. Fica sentido, não é? Não pode ser, eles não se incomodam em pecar. Pecam à vontade. Vão às praias e fazem o que entendem, na hora de dizer que eles pecaram eles não gostam. O que é próprio do pecador empedernido. Onde é que está o poder da Cátedra católica, que outrora enfrentava as multidões como enfrentava os reis? E fazia recusar a demagogia, como fazia recuar os tiranos. Como todo isso está longe, infelizmente. Bem, diz então primeira razão vós tendes uma penitência muito grande a fazer, pois então fazei essa penitência. Ide às Cruzadas!
* Canaliza a combatividade contra o verdadeiro inimigo
Segunda razão: vós viveis vos matando, uns matando aos outros. Vós sois criminosos, nas vossas lutas odiosos. Pois eu vos apresento; já que vós gostais de combater, vos apresento um combate; mas desta vez justo e contra um inimigo que merece ser combatido. Por todas essas razões ide vós e tomai a Cruz.
Esse é o sermão de São Bernardo.
Nós podemos no dia seguinte a uma festa tão bonita e tão carregada de significação, como a de ontem; nós podemos fazer uma transposição do que ontem se passou para esse sermão de São Bernardo?
* Uma alma vale mais que a Terra Santa. Nosso engajamento
Com quanta propriedade. Porque hoje não se trata apenas de derrubar a Terra Santa. Nosso Senhor não teria vindo à terra para salvar a Terra Santa. A alma de qualquer homem vale mais do que a Terra Santa inteira, e são as almas de milhões e milhões de pessoas. Pode-se dizer de algum modo é a salvação do gênero humano inteiro que está em jogo. Uma alma valeria mais do que a Terra Santa, são almas e durante séculos porque o que se decidir em nossos dias vai ser decidido por séculos. Disto é do que se trata. Então nós podemos nos perguntar: Nós também não somos desses guerreiros que não gostam de combater pelo bom combate? Não é o caso de nós nos perguntarmos se não é bem verdade que nós devemos estar dispostos aos maiores sacrifícios para esta causa que vale mais do que a própria causa da Terra Santa?… É evidente que a verdade a resposta deve ser afirmativa. E é nesse espírito de cruzada que eu vos convido a considerar… (a viagem a Recife) — [A gravação foi interrompida.]
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Auditório da Santa Sabedoria