Santo
do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 13/8/1968 –
3ª-feira – p.
Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 13/8/1968 — 3ª-feira
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Oração de Santo Anselmo; pressupostos para bem compreendê-la; consciência clara de que todo homem é pecador; que o pecado é gravíssimo pois ofende a Deus; necessidade da reparação ou penitência; louvor a Nossa Senhora que não foi presa da morte.
* Oração * Pressupostos: todo homem é pecador, toda falta é gravíssima * Obrigação da reparação. Penitência * Aquela que gerou O que matou a morte, não é presa da morte
Oração de Santo Anselmo a Nossa Senhora
* Oração
... [faltam palavras] ... dos ataques da morte, mas sem poder ser presa em seus laços, porque Virgem única e incomparável gerastes Aquele que era a morte da morte e a ferida do Inferno. Fazei por Vossa morte e pelas alegrias de Vossa Assumpção ao Céu que com Vossa assistência eu possa passar o resto de minha vida na estabilidade da Fé e terminar com felicidade meus dias sob a cinza e o cilício, prosternado com lágrimas a face em terra, na confissão e no arrependimento de meus pecados; mas, sobretudo, o que é mais eficaz ainda, confessando o nome sagrado de Jesus Cristo, recebendo seu sangue divino e recomendando minha alma às mãos clementes de sua misericórdia.
Rogai por mim, Santa Mãe de Deus, a fim de que tremulo hoje ante o tribunal de vosso Filho, porque minha consciência me acusa, eu me sinta felizmente purificado de todos os [meus] crimes por vossa venerável intercessão que difundirá sobre mim as águas da compunção do coração e o orvalho de uma piedosa confissão. Que minha alma no futuro não se abra mais ao contágio de nenhum pecado, mas que puro de espírito e de corpo, eu obtenha pelos méritos de Vossa santa natividade, de Vossa virginal conceição, de Vossa imaculada purificação, de Vossa Assumpção gloriosa, a graça de estar presente no mais alto dos Céus, no palácio onde reinais feliz e triunfante soberana dos Anjos e dos Homens.
Mãe augusta de Jesus Cristo, tende piedade de minhas ofensas, ó Mãe de Misericórdia e que Vossas preces virginais junto de Vosso dulcíssimo Filho, Jesus Cristo Nosso Senhor, me mereçam o perdão, Ele que sempre bendito vive e reina com o Pai e o Espírito Santo. Assim seja.
* Pressupostos: todo homem é pecador, toda falta é gravíssima
Para compreender esta oração, é preciso compreender, ter em vista, dois ou três pressupostos que estão muito presentes na piedade antiga. O primeiro dos pressupostos era de que todo homem é pecador, ainda que ele leve uma vida muito recomendável, ele tem falhas, tem lapsos, tem ingratidões e qualquer ingratidão que ele tenha é alguma coisa grave. Este é o segundo pressuposto. Ainda que não seja diretamente matéria de pecado grave, é triste ter ofendido a Deus por causa da suma bondade de Deus, da suma perfeição, da suma grandeza de Deus, ter [tê-lo] ofendido em qualquer coisa deve provocar muita tristeza, razão pela qual então o homem não pode aproximar-se da justiça divina sem pedir perdão de seus pecados, e pedir muito compungidamente, pedir com muita tristeza.
Então a posição em que se coloca Santo Anselmo aqui é de um pecador.
* Obrigação da reparação. Penitência
Mas acontece também que nos tempos antigos, além disto, porque a noção do pecado era mais viva, era mais viva também a noção da penitência. As pessoas se sentiam mais obrigadas a pedir perdão, elas se sentiam obrigadas a mortificações, elas se sentiam obrigadas a grandes reparações.
Nas épocas antigas estavam em voga, estavam em uso as grandes penitências, as flagelações, as peregrinações feitas a pé com risco na incerteza, os jejuns extraordinários, etc., etc. E esta oração está toda ela cheia desses sentimentos de compunção própria à piedade heróica daqueles grandes tempos. Então ele se aproxima de Nossa Senhora e o pensamento dele é o seguinte:
Ó Virgem gloriosa Vós sofrestes os ataques da morte…
Quer dizer, Ela morreu.
…mas sem poder se presa em seus laços…
O que equivale a dizer que Ela ressuscitou. Vós morrestes, a morte vos atacou, mas Vós não ficastes presa pela morte, Vós ressuscitastes.
…porque Virgem única e incomparável gerastes aquele que era a morte da morte e ferida do Inferno
* Aquela que gerou O que matou a morte, não é presa da morte
Realmente Nosso Senhor Jesus Cristo matou a morte. Na liturgia da Semana Santa havia esta frase, eu acho que a liturgia nova deve ter eliminado: “O mors, ego mors tua”, “Ó morte, eu serei a tua morte”. Ele morrendo matou a morte eterna das almas e conseguiu para nós o favor da ressurreição. Quer dizer, Ele matou a morte. Então, a idéia de que Aquela que gerou Aquele que matou a morte, Ela quis morrer, mas não era bom que Ela não ressuscitasse e então Ela ressuscitou. Então ele faz esta reflexão: Vós que sois tão pura, Vós que sois Mãe d’Aquele que matou a morte, Vós que não tivestes nenhum pecado, rogai por mim e tende pena de mim que sou um miserável pecador. Esta é a saudação que ele faz. Depois então, ele diz: Eu quero passar a minha vida fazendo penitência pelos meus pecados, mas mais [do que] penitência pelos pecados eu quero desenvolver a minha alma recebendo o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e para isto assisti-me Vós. Sede Vós a minha intercessora junto à Sagrada Eucaristia para que eu receba devidamente o Corpo de Cristo. Isto é a síntese do pensamento dele.
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Auditório da Santa Sabedoria