Santo do Dia (Rua Pará) – 18/7/1968 – 5ª feira [SD 262] – p. 3 de 3

Santo do Dia (Rua Pará) — 18/7/1968 — 5ª feira [SD 262]

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Importância das dispensas e da informação aos superiores para a coordenação de uma campanha * Os religiosos, que pertencem à categoria mais dedicada da Igreja, são os que mais se deixam controlar * Quem quer se dedicar inteiramente, ama o controle — Exemplo dos jesuítas no Colégio São Luís * Resultados mais baixos na campanha, em conseqüência da falta de vários coletores — O Sr. Dr. Plinio reafirma a importância do controle

* Importância das dispensas e da informação aos superiores para a coordenação de uma campanha

Eu dou muita importância a isso para o trabalho poder ser coordenado. Há vários chefes de serviço aqui que legitimamente podem dispensar alguém de uma banca. Mas obtém a dispensa da banca, depois não aparece, não se dá satisfação ao chefe de banca. Resultado: o chefe da banca fica desnorteado, ele não sabe que elemento pode mobilizar, [não] pode mobilizar, etc. Depois, é de boa norma uma pessoa quando tem sobre si dois superiores, recebendo uma dispensa do superior maior… Nós não estamos tão organizados que a gente possa dizer: “Não, primeiro faz o que o superior menor [disse], depois vem me falar isso”. Não vai dizer isso porque leva muito tempo. Recebendo uma dispensa do superior maior, mande avisar o próprio interessado: avise o superior menor para ele saber como é que ele joga.

Depois, às vezes, é mais fácil obter uma dispensa do superior maior, do que do superior menor, porque o superior maior não vê as coisas tão de perto. O superior menor às vezes vê mais, e a gente dando contas ao superior menor, a gente pode receber um pequeno inquérito complementar ou uma pequena sugestão: “Mas se é tal coisa que você tem, tal hora você está livre”, etc.

* Os religiosos, que pertencem à categoria mais dedicada da Igreja, são os que mais se deixam controlar

Os senhores talvez me digam: “Mas, Dr. Plinio, nosso zelo é tal, nosso amor à causa católica é tal, nossa generosidade é tão fabulosa, que nós não precisamos de nenhuma forma de controle”.

Eu digo: meus caros, eu participo de todas as boas idéias que os senhores têm a respeito de si mesmos. Apenas, apenas, apenas o que tenho é o seguinte — vamos tomar a Igreja como ela era, e não como ela é —, há uma coisa: é que na Igreja, como ela era, quer dizer, como ela deve ser, quanto mais a pessoa dá provas de dedicação, tanto mais a pessoa se deixa controlar. E é por causa disso que a categoria mais dedicada da Igreja sempre foram os religiosos, que abandonam tudo para se darem suas próprias pessoas às ordens religiosas. Esses, os mais controlados.

* Quem quer se dedicar inteiramente, ama o controle — Exemplo dos jesuítas no Colégio São Luís

Eu me lembro no tempo que era aluno no Colégio São Luís, e no tempo em que os jesuítas mal e mal ainda podiam receber dignamente o nome de jesuítas. Eu me lembro ver homens cultos, inteligentes, como eram alguns dos padres do meu tempo, na hora em que o padre ia sair acompanhando os alunos — porque naquele tempo o padre saía com os alunos até parte do trajeto de casa — chegar então ao ministro do colégio, ao vice-superior do colégio e dizerem:

Padre, o senhor quer me dar dois passes de bonde? — os ministros dizendo.

Mas o senhor precisa de dois passes? Não basta um passe se o senhor tomar tal bonde assim com os alunos?

Discutiam o trajeto, depois ele tirava um passe de uma caderneta e dava na presença de todo o mundo para que ele … [inaudível].

Essa é a classe, esse é o valor dos homens que se dedicam inteiramente.

Quem quer se dedicar inteiramente, ama o controle. Quem não sabe fazer controle, pode ser uma maravilha de dedicação, mas os maravilhosamente dedicados fazem a coisa de modo diferente. De maneira que eu dou muita importância na recomendação.

* Resultados mais baixos na campanha, em conseqüência da falta de vários coletores — O Sr. Dr. Plinio reafirma a importância do controle

Os senhores querem ver?

Por exemplo, parece que hoje houve dez coletores a menos do que ontem, não é? Os senhores vejam refletir o resultado no total: ontem nós tivemos trinta mil, hoje nós tivemos vinte mil. Um pouco será por causa do ponto. É natural, no primeiro dia há muita [gente], passa habitualmente por lá. E naturalmente já declaram que já assinaram, é inevitável. Mas os senhores estão vendo que não é só por causa do ponto.

Qual é a outra razão? Dez faltaram.

Agora, se nós não fizéssemos o cálculo de que faltaram dez, estaríamos quebrando a nossa cabeça, porque o total de vinte mil é muito bom, mas não é esplendidíssimo como é trinta mil. E quem dirige algo que está em ponto esplendidíssimo, tem sempre uma preocupação quando passar de esplendidíssimo para esplêndido, porque tanto pode ficar no esplêndido, quanto passar para bom, e depois de bom passar para razoável, não é? E depois de razoável… num caminho cada vez mais rápido.

Eu não receio isso para nossa campanha. Mas eu prevejo aos senhores como é importante esse ponto.

Se os senhores tiverem alguma dificuldade nisso, façam por amor a Nossa Senhora, façam o sacrifício para o êxito da campanha. Mas não deixem de participar pessoalmente para o seu chefe de banca que não podem vir por causa disso ou daquilo. Ou, se não puderem, por uma impossibilidade absoluta, mandarem um bilhete. Mas depois apresentar-se e dizer: “Lembra que eu faltei? Foi por isso”. Conversar com ele sobre o caso.

Eu dou muita importância a isso para o êxito de nossa campanha.

Eu vejo bem, pelo olhar dos senhores e pela humildade de receberem, que os senhores, graças a Deus compreendem bem a vantagem disto. De maneira que tenho a alegria de não ter que insistir a respeito do fato.

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